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2016-02-05

'Tingir os cabelos vai me ajudar em entrevistas?' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 05/02/2016, sobre tingir os cabelos para parecer mais jovem.

Áudio original disponível no site da CBN. E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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'Tingir os cabelos vai me ajudar em entrevistas?'

homem tingindo o cabelo

Um ouvinte escreve: "Tenho 43 anos, meus cabelos estão ficando grisalhos e acredito que isso me faça parecer mais velho do que sou. Atualmente estou buscando um novo emprego e pergunto se tingir os cabelos me traria algum benefício em entrevistas?"

Vamos lá. De todos os truques cosméticos que as pessoas usam para parecer mais jovens, o mais disseminado é a tintura do cabelo. No caso de mulheres, isso é praticamente imperativo já a partir dos primeiros fios brancos. No caso de homens, o preconceito que existia ficou no século passado.

O que posso lhe sugerir é que você faça um teste, mas não na véspera de uma entrevista. Isso porque nem sempre a primeira tentativa é bem sucedida. Em alguns casos, o sujeito fica com aquela aparência de quem enfiou a cabeça num barril de petróleo. Em outros, a tonalidade não agrada, por parecer artificial demais.

Se você for a uma entrevista arrependido por ter exagerado no tom do cabelo, isso iria deixá-lo bem mais preocupado com o seu visual do que os cabelos grisalhos estão deixando. Além disso é preciso de um tempo para que o homem que tinge o cabelo pela primeira vez se acostume. A primeira reação é imaginar que o mundo inteiro percebeu que a cor do cabelo dele mudou. Tem até quem sai dando explicação sem ninguém ter perguntado.

Dito tudo isso, eu conheço muitos profissionais que têm cabelos grisalhos e não estão nem aí com isso, pelo contrário, sentem-se muito bem parecendo o que realmente são e aparentando a idade que realmente têm.

Pessoalmente, eu acredito que tudo seja mais uma questão daquilo que está dentro da cabeça e não na cobertura dela. Mas não custa você fazer o teste e decidir se o novo você terá mesmo uma apreciável vantagem visual sobre o verdadeiro você.

Max Gehringer, para CBN.

2011-11-11

Vanitas - As caveiras formadas nas prateleiras e estantes de James Hopkins

Os principais trabalhos do artista James Hopkins são as suas esculturas. Entretanto, a matéria-prima dessas esculturas não são materiais comumente usados em esculturas clássicas, como madeira ou argila ou alguma pedra. O material que Hopkins usa são peças de móveis e decoração, objetos comuns do dia a dia, desses que você vê na sua sala ou quarto. Rearranjando cada peça de maneira particular (como por exemplo, formando a palavra Love - ou amor - com cadeiras), o artista monta imagens formadas por objetos comuns.

No caso da sua série Vanitas, Hopkins arranja objetos cotidianos em prateleiras ou estantes, formando imagens de caveiras ou crânios, resgatando o estilo de arte Vanitas, cujos temas foram comuns há alguns séculos, na arte funerária medieval. Misturando objetos de uso cotidiano com imagens de crânios, o artista ressalta a efemeridade da vida, ao mesmo tempo em que nos lembra que todos nossos bens físicos acumulados, como li em um livro que não lembro, não nos pertencem de verdade, mas sim nós pertencemos a nossos itens.

Vejam:

james hopkins esculturas varitas crânios caveiras estantes prateleiras

Shelf Life (Um trocadilho de shelf - prateleira com still - parada, no gênero still life, ou natureza morta em português).

james hopkins esculturas varitas crânios caveiras estantes prateleiras

Black Still Life (Natureza Morta Negra).

james hopkins esculturas varitas crânios caveiras estantes prateleiras

Wasted Youth (Juventude Desperdiçada).

james hopkins esculturas varitas crânios caveiras estantes prateleiras

Consumption & Consequence (Consumo e Consequência)

james hopkins esculturas varitas crânios caveiras estantes prateleiras

Design for Life (Design para a Vida).

james hopkins esculturas varitas crânios caveiras estantes prateleiras

Last Days of the Sun (Últimos Dias do Sol).

james hopkins esculturas varitas crânios caveiras estantes prateleiras

Prosperity & Decay (Prosperidade e Decadência).

Imagens via site de James Hopkins. Dica via Trendland - Vanitas Skull by James Hopkins.

2010-03-23

Vamos Celebrar

Hoje é aniversário daqui da cidade (Floripa) e por isso, feriado. Mas não é isso que vamos celebrar.

Em 1993, há quase 17 anos, era lançado um álbum do Legião Urbana, O Descobrimento do Brasil, com a música Perfeição. E de lá, para cá, se algo mudou, foi pra pior.

E, como diz o ditado, que o pior cego é aquele que não quer enxergar, eu fico pasmo como as pessoas simplesmente se negam a ver em volta delas. Tudo é festa, tudo é bom, maravilhoso. Não que datas especiais e conquistas não devam ser comemoradas, mas quando isso é tudo o que se faz, comemorar e esquecer o resto, então alguma coisa está definitivamente muito errada.

E uma das coisas que me deixa muito enojado desta cidade, é o deslumbramento que alguns cidadãos dela têm. Especialmente alguns que têm quase uma adoração por uma figura tão babaca quanto o Galvão Bueno, mas que (agradeçam aos céus, resto dos brasileiros) está contida em SC: Cacau Menezes. Hoje, no Jornal do Almoço (ao contrário da maioria dos estados, aqui o jornal da globo regional não é UF TV), essa figurinha, que tem um bloco no jornal, falou tanta porcaria, que não deu pra não celebrar como o grande Renato Russo disse uma vez (tem um vídeo do jornal lá embaixo):

Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado




Letra:
Perfeição - Legião Urbana


Vamos celebrar
A estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja
De assassinos
Covardes, estupradores
E ladrões...

Vamos celebrar
A estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso estado que não é nação...

Celebrar a juventude sem escolas
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião...

Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade...

Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta
De hospitais...

Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras
E seqüestros...

Nosso castelo
De cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia
E toda a afetação
Todo roubo e toda indiferença
Vamos celebrar epidemias
É a festa da torcida campeã...

Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar o coração...

Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado
De absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos
O hino nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
Comemorar a nossa solidão...

Vamos festejar a inveja
A intolerância
A incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente
A vida inteira
E agora não tem mais
Direito a nada...

Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta
De bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isto
Com festa, velório e caixão
Tá tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou
Essa canção...

Venha!
Meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão

Venha!
O amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha!
Que o que vem é Perfeição!...

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Bloco no jornal de hoje.



Quem conhece não te compra, amarelo.

2009-08-26

Livro: Orgulho e Preconceito

Estou atrasado nos comentários de livros que li, mas vamos lá. Desta vez, depois de ler alguns livros mais contemporâneos, resolvi ler um romance clássico. Por questões logísticas (achei o exemplar bem baratinho na versão pocket), escolhi Orgulho e Preconceito, da inglesa Jane Austen.

orgulho e preconceito livro capa
A história do livro é bem romance novelesco, com a diferença que usa uma linguagem bem mais rebuscada (afinal, o livro foi escrito ainda no século 18) e conta com costumes que hoje nos parecem tão arcaicos e desprovidos de sentido. Entretanto, pra quem gosta de história, e mais ainda, a verdadeira história, aquela que mostra o cotidiano de pessoas comuns, e não apenas datas e grandes eventos registrados nos livros de história do primário, Orgulho e Preconceito é um prato cheio.

Ele retrata o conturbado romance de Elizabeth Bennet e Fitzwilliam Darcy. Elizabeth, segunda filha (de um total de cinco mulheres) de uma família relativamente pobre (não pobre miserável, mas mais uma classe média baixa da época), conhece Darcy, e num primeiro momento, cria uma grande antipatia por este, devido sobretudo, ao orgulho de ambos.

Ao contrário de Darcy, que de imediato, cria um certo encantamento pela moça. Mas é claro que como sendo um romance, ainda mais de estrutura tão clássica, ela acabará se apaixonando por ele, se bem que demora um bocado!. (E não considero isso um spoiler, já que se você já viu ou leu qualquer romance na vida, sabe o que acontece!)

Destaque ainda para a irmã mais velha de Elizabeth, Jane, e do amigo de Darcy, o Mr. Bingley. Estes dois também vivem uma história de amor conturbada, que tem uma grande influência na vida de Elizabeth e Darcy.

No geral, o livro é bom. Tem um bom começo, depois passa por alguns capítulos mornos, mas que servem de base para o meio do livro em diante, quando a história engrena muito bem, e não dá vontade de parar de ler.

Orgulho e Preconceito, apesar da sua idade, é bem pop: já foi adaptado para o cinema e televisão algumas vezes, sendo que a última delas, e talvez mais conhecida, foi a versão com a bela (e dizem as más línguas, anoréxica) "pirata do caribe" Keira Knightley:

orgulho e preconceito filme poster
Além disso, o filme é frequentemente citado em filmes e outras obras. Por exemplo, no filme Mensagem Para Você, Tom Hanks lê o livro, mesmo meio a contragosto, por causa de Meg Ryan. (Ei, eu sou fã dela!)

Algumas citações do livro, que eu separei durante a leitura. Os grifos em negrito são meus, e as imagens, são do filme.

O começo de tudo:

É uma verdade universalmente conhecida que um homem solteiro na posse de uma bela fortuna deve estar necessitando de uma esposa.

Por muito pouco que sejam conhecidos os sentimentos ou o modo de pensar de tal homem ao entrar pela primeira vez em uma localidade, essa verdade encontra-se de tal modo enraizada no espírito das famílias vizinhas que ele é considerado como propriedade legítima de uma de suas filhas.

Conversa entre as duas irmãs mais velhas sobre Mr. Bingley, após um baile:

Quando Jane e Elizabeth se viram a sós, a primeira, que até então guardara uma certa reserva em sua apreciação de Mr. Bingley, abriu-se com a irmã e confessou-lhe quanto o admirava.

– Ele é exatamente como um moço deve ser – disse ela –, sensato, bem disposto e animado. E que modos os seus! Tão simples e revelando uma ótima educação.

– E bonito – replicou Elizabeth –, o que também é importante a um moço. Assim, sua personalidade fica completa.

– Senti-me muito lisonjeada quando, pela segunda vez, me veio pedir para dançar. Não esperava tal galanteio.

– Não esperavas? Pois eu o esperava por ti. Essa é uma das diferenças entre nós. Os elogios pegam-te sempre de surpresa, ao passo que a mim, nunca. Que querias de mais natural, senão exatamente o que ele fez? Ele não podia deixar de ver que tu eras cinco vezes mais bonita que qualquer outra no salão. Não é às suas boas maneiras que o deves. Ele é, de fato, simpático, e dou-te licença para gostares dele. Não seria a primeira pessoa estúpida de quem gostaste.

– Querida Lizzy!

– Oh, sabes? O que tens é uma grande capacidade de gostar das pessoas em geral. Nunca vês mal em ninguém. Todo mundo é bom e agradável aos teus olhos. Nunca em minha vida ouvi-te criticar um ser humano.

– É que procuro sempre não me precipitar no juízo que faço das outras pessoas; mas digo sempre o que penso.

– Isso eu sei, e é isso que me espanta.

E comentando sobre o orgulhoso Mr. Darcy:

– Seu orgulho – disse Miss Lucas – não me indigna tanto como qualquer outro o faria, pois ele é, de certo modo, desculpável. Não admira que homem tão belo, de excelente família, rico e com tudo a seu favor tenha um elevado conceito de si próprio. Se é que me posso exprimir assim, ele tem o direito de se sentir orgulhoso.

– Tens toda a razão no que dizes – replicou Elizabeth –, e eu seria a primeira a fechar os olhos a seu orgulho, se ele não tivesse ferido o meu.

– O orgulho – observou Mary, que se vangloriava da solidez de suas reflexões – é um defeito muito comum, creio eu. Depois de tudo o que li, estou deveras convencida de que é comum, que a natureza humana manifesta uma tendência bastante acentuada para o orgulho, e que são raros aqueles entre nós que não nutrem um sentimento de condescendência própria baseado em uma ou outra qualidade, real ou imaginária. Vaidade e orgulho são coisas diferentes, embora as palavras sejam frequentemente usadas como sinônimos. Pode-se sentir orgulho sem ser vaidoso. O orgulho diz respeito mais à opinião que temos de nós próprios, enquanto, a vaidade, ao que pretendemos que os outros pensem de nós.

filme orgulho e preconceito darcy
Mrs. Bennet se gabando da beleza da filha e Elizabeth discutindo poesia e amor:

– Não gosto de gabar minha filhas, mas, quanto a Jane... não é todos os dias que se vêem moças como ela. É o que, pelo menos, todos dizem. Não confio, porém, totalmente em minha parcialidade. Quando ela tinha apenas 15 anos de idade e a levamos à casa de meu irmão Gardiner, na capital, um cavalheiro apaixonou-se de tal modo por ela que minha cunhada chegou a se convencer de que ele pediria a mão dela antes de regressarmos. Contudo, ele não o fez. Talvez a tenha achado demasiadamente jovem. Ainda assim, escreveu-lhe uns versos muito bonitos.

– E assim terminou seu amor – disse Elizabeth, impaciente. – Creio que mais de um forma abafados assim. Gostaria de saber quem descobriu a eficácia da poesia para espantar o amor!

– Sempre me disseram que a poesia é o alimento do amor – disse Darcy.

– De um amor puro, vigoroso e saudável, é possível. Tudo serve de alimento ao que já vingou. Mas, se se trata de uma inclinação ligeira e efêmera, estou convencida de que um bom soneto a faz morrer de uma vez.

Ai, meus pobres sonetos e afins...

Como as aparências são importantes e ao mesmo tempo, enganam:

Mr. Wickham era o felizardo para o qual quase todos os olhares femininos se voltaram e Elizabeth a felizarda junto de quem ele finalmente se veio sentar; e a facilidade e o modo agradável como ele iniciou a conversa, embora limitada à noite chuvosa e às probabilidades de uma estação com muita chuva fê-la refletir quão interessante o tópico mais vulgar e insípido podia se tornar, graças à habilidade do interlocutor.

Até os desafetos reconhecem o orgulho de Mr. Darcy:

– É admirável – replicou Wickham –, pois do orgulho parecem provir a maioria de suas ações; e o orgulho tem sido, muitas vezes, seu melhor amigo. Tem-no aproximado mais da virtude que qualquer outro sentimento. Mas nós somos incompatíveis, e em seu comportamento para comigo houve impulsos mais fortes que o próprio orgulho.

Com uma visão bem arcaica (ou talvez nem tanto, para alguns) sobre o casamento e as mulheres de idade (lembrem-se que naquela época, as mulheres se tornavam "senhoras" bem mais cedo):

Sir William e Lady Lucas foram prontamente convocados a dar seu consentimento, o qual foi concedido, com um entusiasmo esfuziante. A atual condição de Mr. Collins tornava a união bastante vantajosa para sua filha, a quem não tinham grande fortuna para deixar. Além disso, as perspectivas dele quanto ao futuro eram extremamente promissoras. (...) Em resumo, toda a família se regozijou particularmente pela ocasião. As mais jovens afagaram a esperança de aparecer em sociedade um ano ou dois mais cedo do que de outro modo teria acontecido; e os rapazes libertaram-se de sua apreensão de ver Charlotte chegar ao fim de sua vida como uma velha solteirona. A própria Charlotte se mostrava radiante. Uma vez atingido seu fim, tinha todo o tempo disponível para refletir sobre ele. O resultado de suas reflexões era, em geral, satisfatório. Mr. Collins, com efeito, não era um homem sensato, nem agradável, tampouco; em convívio tornava-se terrivelmente enfadonho e seu afeto por ela era, sem dúvida, simples fruto da imaginação. Contudo, seria ele seu marido. Sem que nunca tivesse devotado uma atenção especial aos homens ou ao matrimônio, considerara sempre o casamento como seu objetivo último; era, a seus olhos, a única precaução respeitável suscetível de ser tomada pelas jovens educadas e de pequena fortuna, e, embora nem sempre garantisse a felicidade, não deixaria de ser o refúgio mais agradável perante a iminência de uma vida necessitada. Esse refúgio, ela acabara de o atingir; e, com 27 anos de idade, sem que nunca tivesse sido bonita, ela sentia-se plenamente satisfeita com isso.

filme orgulho e preconceito elizabeth
Depois de ler a carta decisiva:

Se Elizabeth, quando recebeu a carta das mãos de Mr. Darcy, não esperava que ela contivesse a repetição das propostas dele, também não tinha qualquer idéia sobre o que ela pudesse versar. É fácil, portanto, imaginar com quanta avidez ela a percorreu e quantas emoções contraditórias seus conteúdo produziu em seu espírito. Os seus sentimentos durante a leitura não se podiam definir. Começou por constatar, com assombro, que ele acreditava poder desculpar-se, pois estava persuadida de que um justo pudor o impediria de dar qualquer explicação. Fortemente prevenida contra tudo o que ele pudesse dizer, começou a ler seu relato do que tinha acontecido em Netherfield. Leu com uma ansiedade que quase a impedia de compreender; a impaciência de saber o que a próxima frase traria incapacitava-a de aprofundar o sentido daquela que tinha diante dos olhos.

Alguns pensamentos de Elizabeth, ao concordar em sair de férias com seus tios, uma viagem que mudaria sua história:

"Mas ainda bem que tenho alguma coisa a desejar", pensava ela, "pois, se tudo em meu plano fosse perfeito, a decepção seria mais que certa. Sendo assim, levando comigo uma fonte de contínua tristeza, a saudade de minha irmã, poderei de certo modo esperar que todas as minhas expectativas de prazer se realizem. Um plano perfeito nunca pode ser realizado".

Depois de um jantar, na segunda estadia dos senhores perto da casa das nossas heroínas:

E, quando Mrs. Bennet se encontrava de bom humor, as suas expectativas matrimoniais eram tão ilimitadas que, no dia seguinte, ficaria desapontada se não visse o jovem aparecer para fazer seu pedido.

– Foi um dia excelente – disse Jane para Elizabeth. – Os convidados foram muito bem escolhidos e pareciam dar-se todos admiravelmente uns com os outros. Espero que nos tornemos a reunir com freqüência.

Elizabeth sorriu.

– Lizzy, não sejas assim. Não deves duvidar de mim. Mortifica-me. Asseguro-te de que aprendi a apreciar a conversa dele como a de um jovem simpático e inteligente, sem nada esperar além disso. Sinto-me perfeitamente satisfeita com a presente atitude dele para comigo e vejo agora que nunca desejou cativar minha afeição. O que se passa, apenas, é que é dotado de uma simpatia extrema e de um desejo de agradar muito mais forte do que qualquer outro homem.

– És muito cruel – disse-lhe a irmã. – Não me deixas sorrir e provoca-me o riso a cada palavra que dizes.

– Como é difícil em certos casos uma pessoa fazer-se acreditar!

– E como é impossível em outros!

filme orgulho e preconceito elizabeth e darcy
E como toda novela, você sabe como ela termina. Diálogo entre os protagonistas:

– Porque também você se mantinha grave e silenciosa e não me deu nenhum encorajamento.

– Mas eu estava embaraçada.

– E eu também.

– Podia ter procurado conversar mais comigo, quando veio jantar.

– Um homem menos apaixonado que eu talvez o tivesse feito.

– É pena que encontre para tudo uma resposta razoável e que eu tenha o bom senso de aceitá-la!

2008-08-25

Se alguém lhe disser que esteróides não fazem mal...

Não deixe de ver a imagem abaixo.

O que as pessoas fazem a si mesmas, desejando um corpo mais bonito...

Vejam o caso de um jovem de 21 anos, fisiculturista amador, que depois de muita bomba (se você não sabe, bomba é como o pessoal chama os esteróides e anabolizantes), teve uma reação violenta, e acabou com um monte de cicatrizes que provavelmente irão durar a vida toda. Olhem a imagem bizarra do rapaz:

(Evolução do jovem)

Segundo a folha:

"Os médicos da Universidade Heinrich-Heine, em Düsseldorf, na Alemanha, relatam que o paciente, um fisiculturista amador, chegou ao hospital com estado febril e ulcerações profundas, abscessos e pequenos tumores no peito e na parte de cima das costas. Ele também apresentava redução nas concentrações de esperma e redução no volume dos testículos."

Ah, meu lado maligno adora ver essas coisas, ele fica dando altas gargalhadas, afinal, Vaidade é meu pecado favorito.

Via Folha Online: Esteróides causam cicatrizes permanentes em peito de jovem de 21 anos

2008-07-22

Piercing exagerado

Eu não sou contra piercings, dependendo da pessoa fica até legal um ou outro piercing. Eu prefiro a discrição, mas tem gente que gosta mesmo é de mostrar os seus vários piercings, modificações corporais, etc...

Entretanto, eu, particularmente, acho que tem um povo que exagera:

(Esse é o verdadeiro orelhudo.)

(Esse ficou parecendo um dinossauro.)

(Esse até que é light... Coca cola light.)

Fonte (e mais fotos): Funtasticus.

2008-06-23

Atestado médico de cirurgia estética não abona faltas - by Max Gehringer

A transcrição dos comentários do Max Gehringer para CBN, do dia 23/06/2008. Áudio original disponível no site da CBN.

De acordo com a lei, atestado médico de cirurgia estética não abona faltas

Os números variam conforme a fonte, mas o Brasil está muito próximo de se tornar o campeão mundial de cirurgias plásticas. Em 2008 serão realizadas entre 700 e 800 mil cirurgias, sendo 60% delas, por razões estéticas. Daqui a dois anos, atingiremos a marca do milhão.

(Comentário nada a ver com o post: Nip Tuck é massa!)

Nunca na história desse país tanta gente quis parecer mais bonita, com resultados bastante variáveis.

A cirurgia estética já deixou de ser um privilégio dos ricos. E esse é o motivo da consulta de hoje. Diz a proprietária de uma pequena empresa: "Uma funcionária fez um implante de silicone nos seios, e apresentou o atestado médico que lhe permite ficar 10 dias de repouso. Esse atestado é válido?"

Depende para quê. Ele é válido para que você saiba porque a funcionária vai faltar ao trabalho durante 10 dias. Mas não é válido para abonar essas faltas. Você pode descontar esses 10 dias do salário dela. A CLT, sempre que menciona atestado médico para abono de faltas, usa a palavra "doença". Doença é algo inesperado e imprevisível. Cirurgia plástica estética não é doença, é vaidade. E pode ser programada, para por exemplo, o período de férias.

Os futuros interessados devem também estar cientes de que os convênios médicos não cobrem os gastos com cirurgias estéticas. Embora alguns atestados usem termos médicos incompreensíveis aos leigos, e que parecem dar a impressão de que a cirurgia foi reparadora, e não estética, os convênios médicos possuem uma equipe de médicos e advogados, que irá investigar em detalhes a real causa da operação. Essa equipe vai solicitar provas, como exames prévios, e fotos antes e depois da cirurgia. E na quase totalidade dos casos, irá negar o reembolso dos gastos.

Nada contra quem queira dar um trato estético no visual, muito pelo contrário: faz bem e aumenta a auto-estima. Mas, de acordo com a lei, essa felicidade pessoal não é financiada pela empresa, nem em custo, nem em abono de faltas.

Max Gehringer, para CBN.

2007-12-13

Vaidade, meu pecado favorito

Eu ia deixar nos comentários, mas ia ficar muito grande, então vou transformar em um post.

Comentando o meu post anterior sobre os monges mumificados do Japão, a ciyamane falou:

sabe o que eu pensei? poderia ser tb que eles estivessem com anorexia.. heheheh.. nao comiam muit. secavam , mas mesmo assim se achavam gordos, ai se trancavam com vergonha do corpo para que ninguem os vessem o quão gordos estavam...

Apesar de colocar como piadinha, o comentário tem fundo de verdade, olha só:

"Quem acredita que a anorexia nervosa é um distúrbio dos tempos atuais, em que a magreza é o símbolo da beleza, está enganado. A privação alimentar é um fenômeno muito antigo, do período medieval, que teria origem na mística religiosa. Esta é a base do livro Do Altar às Passarelas - Da anorexia santa à anorexia nervosa (110 páginas, R$20,00), fruto da dissertação de mestrado da psicanalista Cybelle Weinberg, defendida na Faculdade de Medicina da USP em 2004, com a colaboração de seu orientador, o professor Táki Cordás."

Link com a matéria completa: http://www.saudeemmovimento.com.br/reportagem/noticia_exibe.asp?cod_noticia=2239

A diferença é que hj o que importa é o status da beleza visual. Antes, era por status religioso.

Mas pra mim, status é status...

(Não queiram deixá-lo nervoso =P)

Como diria John Milton (Al Pacino) em Advogado do Diabo: Vanity, definitely my favorite sin (Vaidade, definitivamente meu pecado favorito)
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