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2018-11-15

Canal de comunicação para denúncias na empresa não pode ser banalizado - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 15/11/2018, com um ouvinte que se sente incomodado porque um colega chega atrasado.

Áudio original disponível no site da CBN. E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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Canal de comunicação para denúncias na empresa não pode ser banalizado

canal de comunicação em empresas

Escreve um ouvinte: "Temos um colega de trabalho que chega atrasado quase todos os dias, três minutos, cinco minutos, às vezes até mais. Como o nosso registro de entrada é feito na base da confiança, sem marcação de ponto, nós nos aborrecemos ao ver um colega dar as caras quando o resto já está trabalhando. Nossa área não tem um chefe fisicamente presente, temos supervisão remota. Mas a nossa empresa dispõe de um canal, ao qual podemos encaminhar denúncias de desvio de conduta ética."

Opa! Parei de ler ao chegar nesse ponto. É isso mesmo? A sua empresa tem um canal, através do qual os colegas podem denunciar um colega que chega atrasado?

Eu só posso crer que a sua empresa deva ter criado esse canal de comunicação pensando em duas hipóteses. A primeira, de denunciar situações que possam comprometer a saúde da própria empresa, como apropriação indébita, por exemplo. E a segunda, a de reportar desvios morais graves, como racismo, assédio ou qualquer forma de discriminação.

Em minha opinião, toda empresa deveria oferecer essa possibilidade aos seus funcionários. Agora, relatar fatos menores que causam aborrecimento e classificá-los como desvio de conduta ética, me parece um tanto quanto exorbitante.

Talvez eu não tenha entendido a mensagem, mas se a entendi, neste momento os ossos de George Orwell devem estar sacolejando de felicidade na tumba.

Max Gehringer, para CBN.

2018-10-30

É ético oferecer para empresas menores o mesmo serviço que faço na minha empresa sem avisá-la? - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 30/10/2018, com um ouvinte que quer abrir um negócio próprio, para prestar nos seus horários de folga, o mesmo serviço que ele faz na empresa em que trabalha.

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É ético oferecer para empresas menores o mesmo serviço que faço na minha empresa sem avisá-la?

consultoria para pequenas empresas

Escreve um ouvinte: "Trabalho no setor de tecnologia de uma grande empresa. Faço o tipo de serviço que seria útil para empresas menores, que só não o implantam porque não podem pagar especialistas em tempo integral.

Estou pensando em abrir um negócio próprio de prestação de serviços, que eu conduziria de minha residência, no período noturno e nos finais de semana. Pergunto se seria eticamente correto fazer isso, sem avisar a minha empresa atual?"


Bem, para que fosse eticamente correto, você teria que tomar alguns cuidados: não prestar esse serviço adicional a empresas concorrentes da sua, não utilizar equipamentos da empresa atual, não atender a ligações para consultas de terceiros durante o expediente.

E finalmente, não repassar a seus clientes, processos que sejam de propriedade da empresa atual, isto é, que só ela tenha e que não sejam comuns no mercado.

Outro cuidado muito importante é você ler o seu contrato de trabalho, para se certificar de que nada consta nele, sobre você ter um trabalho paralelo.

Dito isso, eu desconfio que a sua empresa não irá ficar calada, quando descobrir que você está prestando serviços externos na mesma área em que atua.

No mínimo, você irá ouvir que deveria ter consultado a empresa antes, para saber se não haveria conflito de interesses. E é isso o que eu lhe sugiro fazer.

Fale com o seu superior. Se você depende do seu emprego atual, é melhor não correr riscos que possam ser mal interpretados.

Max Gehringer, para CBN.

2018-06-21

Só o tempo dirá se valeu a pena mudar de emprego - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 21/06/2018, com um ouvinte que trocou de emprego e está com dúvida se fez a coisa certa.

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Só o tempo dirá se valeu a pena mudar de emprego

mudando de emprego

Um ouvinte escreve: "Depois de três anos nesta empresa, recebi uma proposta para sair. Aceitei o salário oferecido pela nova empresa, marquei o dia para começar e solicitei a minha demissão. Meu superior ficou surpreso no momento em que comuniquei a minha saída. Mas, uma hora depois, ele me chamou para conversar e me propôs ficar, com um aumento de salário de 15%.

Eu disse para ele que, por uma questão de ética, eu iria manter o compromisso assumido com a outra empresa. Saí, comecei no novo emprego, mas não consigo parar de pensar que talvez eu tenha me precipitado ao nem considerar a oferta do meu superior. Será que fiz bobagem?"


Bem, só o tempo dirá. E você saberá a resposta em menos de seis meses, quando ficar bem estabelecido qual será o relacionamento com o novo chefe e os colegas, como é o ambiente da empresa e quais serão as suas oportunidades de carreira.

O que posso lhe dizer é que a sua argumentação sobre ética não é algo tão cristalino assim. Você aceitou uma proposta para sair que fazia sentido. Se o aumento de 15% para ficar, alterou essa condição, você poderia ter comparado as duas situações e escolhido a que lhe fosse mais adequada.

De qualquer modo, você agora tem que se concentrar no novo emprego e ser feliz nele, mas espero que você tenha saído em bons termos com sua empresa anterior, para o caso de querer voltar a entrar em contato com ela, daqui a seis meses.

Max Gehringer, para CBN.

2018-01-04

A receita básica da ética não muda - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 04/01/2018, sobre ética e compliance.

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A receita básica da ética não muda

ética compliance

"Se há empresas que são arapucas para as economias do povo, que sejam desmascaradas e compelidas a cessar a exploração criminosa a que se entregaram os seus incorporadores, cujo lugar é na cadeia, e as empresas honestas ficarão a salvo da temerosa desconfiança pública."

Essa frase parece retratar fatos amplamente conhecidos de todos nós, no Brasil dos tempos atuais. Mas ela é muito, muito mais antiga: foi publicada nos jornais brasileiros há 75 anos, em março de 1943. Três gerações se passaram desde então, e muita coisa aconteceu.

Na década de 1940, o substantivo "ética" saiu das rodas eruditas e caiu no gosto popular. Em breve tempo, já se falava em ética jornalística, ética esportiva, ética nos negócios e, claro, ética na política.

Muitas leis foram aprovadas. Órgãos regulatórios foram criados. E milhares de funcionários públicos foram contratados para fiscalizar melhor as empresas. O mais recente membro dessa longa história de combate às fraudes e prevaricações, recebeu um nome inglês: compliance.

Em miúdos, é um atestado de idoneidade emitido por uma empresa, com o objetivo de assegurar a seus parceiros e empregados, que irá respeitar a legislação e sempre agir dentro de princípios éticos.

A adoção de um sistema de compliance está se tornando cada vez mais comum em empresas. E é um grande passo para a prevalência da ética sobre as artimanhas. Mas ainda não é uma garantia definitiva de retidão.

Além do manifesto desejo de cumprir com as obrigações legais e morais, é necessário que o braço da lei puna exemplarmente a quem não cumpre.

Ou seja, o tempo passou e os ingredientes foram sendo incrementados, mas a receita básica da ética continua sendo a mesma que sempre foi.

Max Gehringer, para CBN.

2017-12-29

É antiético tentar um emprego na fornecedora da empresa onde trabalho? - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 29/12/2017, com um ouvinte que pergunta se é ético tentar um emprego na fornecedora da empresa em que trabalha atualmente.

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É antiético tentar um emprego na fornecedora da empresa onde trabalho?

trocando de emprego

Escreve um ouvinte: "Trabalho em uma empresa e sou o elo dela com um fornecedor. Embora eu não tenha problemas em meu emprego, as muitas visitas que já fiz à empresa desse fornecedor me mostraram que, provavelmente, as oportunidades de carreira que eu teria se trabalhasse lá, seriam melhores que aquelas que eu tenho aqui. Pergunto se seria antiético revelar a meus contatos no fornecedor, que eu teria interesse em um eventual emprego."

Não, não seria. É exatamente através desses contatos que se consegue bons empregos. Como você já é conhecido e o seu trabalho pode ser referendado, isso facilitaria uma possível contratação.

A única coisa que você precisa averiguar, é se a sua empresa atual não tem algum tipo de acordo com a do fornecedor, que possa evitar a sua transferência. Se não houver e caso haja interesse do fornecedor em contratar você, tente mostrar à sua empresa atual, de que maneira a sua mudança poderia ser benéfica também para ela, que teria em você um futuro ponto de apoio.

Até aí não há nada de antiético. O que poderia ferir a ética seria você revelar, na nova empresa, dados e detalhes confidenciais sobre a sua empresa atual. Caso você venha a ser entrevistado, é melhor enfatizar esse ponto antes de se transferir, para deixar claro ao novo empregador que você saberá manter a sua boca fechada, também sobre os negócios dele.

E no mais, boa sorte.

Max Gehringer, para CBN.

2017-12-21

Manual de compliance da CGU esclarece responsabilidade de gestores em corrupção - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 21/12/2017, com a sugestão de ler o Programa de Integridade, o manual de compliance da Controladoria Geral da União (CGU).

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Manual de compliance da CGU esclarece responsabilidade de gestores em corrupção

programa de integridade da cgu

Gestores que participam de negociações e tomam decisões temerárias, naquela zona cinzenta que se situa entre as boas intenções e a desonestidade, podem ser processados e cumprirem pena, caso sejam condenados.

De todas as medidas impostas pela lei anti-corrupção, chancelada em março de 2015, essa talvez seja a mais assustadora, principalmente para gestores que possam estar em dúvida quanto a própria responsabilidade, uma vez que suas ações, pelo menos aparentemente, têm o aval da alta direção.

Para que essa impressão de segurança não venha a se transformar em decepção, a CGU (Controladoria Geral da União) publicou um manual de compliance para empresas privadas brasileiras, de qualquer porte.

Chamado de Programa de Integridade, o manul oferece informações, para que gestores entendam até onde vai a sua conivência com eventuais ações anti-éticas da empresa.

O Programa de Integridade da CGU lista cinco pilares sobre os quais o compliance se assenta, mas os pilares de número 2 a 5 são totalmente dependentes do pilar número 1: comprometimento e apoio da alta direção.

Os proprietários e os principais executivos da empresa precisam passar, em seus discursos e em suas ações, a garantia de que a empresa é ética e íntegra. Os empregados precisam ter canais de comunicação para dirimir dúvidas ou fazer denúncias.

Aos gestores que estão na parte de cima do organograma, mas não ainda no topo dele, e aos jovens que ambicionam atingir cargos de gestão, fica a sugestão de ler a íntegra do Programa de Integridade da CGU, disponível na internet, para se certificar de que o compliance está sendo levado a sério por suas empresas.

Max Gehringer, para CBN.

2017-11-30

Brasil ainda engatinha na aplicação do compliance - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 30/11/2017, sobre o processo de criação/adoção de uma área de compliance.

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Brasil ainda engatinha na aplicação do compliance

compliance

Não é preciso ter doutorado para entender o conceito da ética nos negócios, ou a adoção de um sistema formal de compliance para assegurar o respeito a ela. Difícil é aceitar que isso precise ser feito.

Existem leis suficientes para que todos saibam o que se pode e o que não se deve fazer na condução dos negócios. Existem punições claramente definidas para quem se desvia da legislação.

Mesmo assim, muitas empresas se viram forçadas a adotar medidas para, simplesmente, tornar público que estão cumprindo com suas obrigações.

O processo funciona assim: uma empresa, pública ou privada, começa redigindo um par de frases simples, sobre a sua missão, a sua visão e seus valores.

Em seguida, é criado um caderno de intenções, chamado código de conduta, com um número de páginas nunca inferior a vinte, em que cada detalhe da operação é esmiuçado: relações com clientes e fornecedores, com os empregados, com outras instituições, com a sociedade, com o meio ambiente.

Obviamente, tudo o que for escrito já estará previsto em alguma lei ou fundamentado em parâmetros de moralidade.

Finalmente, é constituído um setor específico para acompanhar e auditar cada uma das fases do processo no dia-a-dia, para garantir que não haverá desvios de conduta. Esse é o setor de compliance.

Até aí, a empresa já terá gerado vários empregos novos e bem pagos, porque não é um trabalho fácil fiscalizar cada atividade que possa gerar um descaminho anti-ético.

O Brasil ainda está engatinhando nesse processo de adotar o compliance. Mas os recentes escândalos, de proporções abismais, mostram que somos um dos países que mais precisam exterminar a espertocracia, a nefasta praga de atropelar a ética para obter vantagens indevidas.

Max Gehringer, para CBN.

2017-11-24

Muitas empresas que implantaram compliance se envolveram em casos de corrupção - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 24/11/2017, sobre o compliance e como para ele ser efetivo, deve ter o esforço da alta direção.

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Muitas empresas que implantaram compliance se envolveram em casos de corrupção

compliance e corrupção

Ao implantar um programa de compliance, uma empresa atesta que deseja cumprir com toda a regulamentação legal a que esteja sujeita. E também a respeitar diretrizes morais e éticas no relacionamento com seus clientes e fornecedores.

Como já estamos cansados de ver nas notícias quase diárias sobre corrupção e malversação financeira, muitas empresas brasileiras, que haviam implantado seus setores de auto-fiscalização, fizeram exatamente aquilo que o compliance havia sido criado para impedir que fosse feito.

A dedução é elementar. Não adianta uma organização criar normas bem escritas para impressionar o mercado, se a alta direção não tiver como objetivo o total respeito aos procedimentos que ela mesma aprovou.

O ruim nessa história é que o conceito de compliance acabe sendo visto com desconfiança, e não como um atestado de idoneidade, e que acabe por minar os esforços daquelas instituições que levam a sério o procedimento ético.

O conceito de compliance, porém, vai além dos escândalos nossos de cada dia. Inicialmente, o compliance se limitava aos aspectos jurídicos e financeiros. Mas com o tempo, passou a envolver também os procedimentos operacionais das empresas.

Métodos, processos, especificações de materiais, dispositivos de higiene e segurança, tudo isso passou a integrar a relação de atividades sujeitas a avaliações constantes, que assegurem o respeito aos consumidores, aos contribuintes e, não menos importante, aos próprios empregados.

Ter trabalhado em uma empresa que caiu na boca do mercado por ser anti-ética, certamente não é a melhor referência para um futuro emprego.

Max Gehringer, para CBN.

2017-07-24

Compliance é uma declaração escrita de princípios a serem seguidos - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 24/07/2017, sobre como a ética e o compliance formam juntos o caráter de uma empresa.

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Compliance é uma declaração escrita de princípios a serem seguidos

ética e compliance

Já faz algum tempo que o Brasil vem assistindo a uma carga de denúncias de corrupção e malversação de recursos, envolvendo, por um lado, políticos que foram eleitos prometendo acabar com esse tipo de situação vergonhosa e, do outro lado, instituições públicas e privadas que em seus próprios sites pregavam a ética como uma de suas bandeiras.

A sensação que fica para qualquer cidadão é a de que em qualquer lugar que se mexa, o lixo virá à tona, como se todas as empresas estivessem no mesmo saco. Não estão, ainda bem.

Em alguns comentários recentes, abordamos o tema do compliance, como uma área da empresa que cuida de seus princípios de moralidade e integridade.

É importante enfatizar que não é necessário que uma empresa tenha uma área de compliance para ser ética. Também é possível, como temos visto em diversos casos que vieram a público, uma empresa sem princípios éticos possuir em seu organograma uma área de compliance, que nesse caso funciona como um atestado de idoneidade emitido por falsários.

Então, para resumir o tema: o compliance é um setor da empresa que garante o cumprimento a tudo o que é determinado pela lei ou que tenha sido estabelecido pela empresa como seus propósitos de integridade junto aos próprios empregados, aos fornecedores e clientes e à população em geral. É, portanto, uma declaração escrita de princípios a serem seguidas.

A ética é o que leva a direção de uma empresa a constituir formalmente uma área de compliance e a assegurar que ela irá funcionar sem desvios. Juntos, a ética e o compliance formam o caráter de uma empresa.

Max Gehringer, para CBN.

2017-07-10

Como montar o setor de compliance em empresas? - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 10/07/2017, sobre como montar um setor de compliance na empresa.

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Como montar o setor de compliance em empresas?

setor de compliance

Na semana passada fiz um comentário sobre compliance e acredito que muitos ouvintes tenham se perguntado: "Se eu trabalho em uma empresa que não tem esse setor, isso significa que ela está fazendo algo errado? E como é que se monta um setor desses?"

Para a primeira pergunta a resposta é: não necessariamente. A empresa pode ter as melhores intenções, mas sem um acompanhamento contínuo de medidas, ela pode não saber se as boas intenções estão sendo, de fato, colocadas em prática. O programa de compliance é que vai evitar os desvios, casuais ou propositais.

Para a segunda pergunta, como começar, partindo do zero e das boas intenções, a recomendação é contratar uma assessoria ou uma consultoria especializada. Além de listar tudo o que será necessário, ela ajudará a estabelecer um cronograma lógico e viável de implantação.

Parte indispensável desse programa é dar conhecimento dele a todos os funcionários. Mas o processo só irá funcionar se tiver apoio integral da alta direção.

Bem aplicado e bem conduzido, o compliance se transforma em um eficaz instrumento de marketing nas relações com o mercado e influi positivamente no ambiente interno da empresa. Isso porque uma coisa é um funcionário ler e ouvir que a sua empresa age com transparência, e outra coisa é ver medidas práticas que demonstrem a transformação das palavras em ações.

Outro ponto vital que uma consultoria irá colocar na mesa, já na primeira reunião, é que ética não tem nem preço nem jeitinho. Como povo, estamos precisando recuperara confiança em nossas instituições e a adoção do compliance já funciona como uma declaração de princípios éticos.

Max Gehringer, para CBN.

2017-07-03

O que é compliance? - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 03/07/2017, sobre o que é compliance.

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O que é compliance?

compliance

O termo inglês "compliance" tem aparecido com cada vez mais frequência em textos corporativos. Então, aqui vão algumas informações sobre ele.

Empresas sempre tiveram um setor de auditoria, cuja finalidade é investigar se os dados contabilizados não apresentam discrepâncias. O setor de compliance também faz isso, mas vai muito além disso: ele engloba questões éticas, ambientais e de responsabilidade social.

Compliance significa o devido e irrestrito cumprimento das obrigações legais e morais, algo que o Brasil inteiro deseja ardentemente que seja feito por todas as empresas e, principalmente, por aquelas que afirmam ter integridade e transparência. Mas, como temos visto quase diariamente, não praticam o que pregam.

O compliance é um programa específico de ações. A direção da empresa define tudo o que vai ser feito, não apenas no tocante ao negócio em si, mas também nas relações com a comunidade e nos projetos para gerar medidas de caráter sustentável para futuras gerações. Estabelecido esse plano, uma equipe se encarregará de acompanhar diariamente se tudo o que foi prometido está mesmo sendo executado.

O compliance é, portanto, a cartilha de intenções das empresas modernas. Como consumidores e cidadãos, devemos nos interessar pelas empresas que se interessam por tudo o que nos afeta, além dos produtos ou serviços que adquirimos delas.

Max Gehringer, para CBN.

2016-07-01

'Perdi meu emprego para proteger um colega gatuno' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 28/06/2016, com um ouvinte que não denunciou um colega ladrão e foi demitido junto com todo o seu setor por causa disso.

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'Perdi meu emprego para proteger um colega gatuno'

trabalhador gatuno

Escreve um ouvinte: "Passei por uma situação muito constrangedora no meu trabalho. Um equipamento, de certo valor, desapareceu. E o gerente disse que demitiria todos nós se o culpado não se acusasse. Nós não acreditamos nele porque somos cinco funcionários no setor e duvidamos que ele tomasse essa medida maluca.

Tentamos argumentar que a peça poderia ter sido levada por alguém de outra área, mas a verdade é que sabíamos quem tinha sido e era mesmo um dos nossos colegas. O culpado não se acusou e o gerente cumpriu a ameaça: fomos todos demitidos. Perdi meu emprego para proteger um colega gatuno, mas ao mesmo tempo, eu não me sentiria bem se fosse o primeiro a apontar o dedo. E agora, o que posso dizer em entrevistas?"


Bom, se você contar essa história, certamente não conseguirá um emprego. Porque na cabeça de um entrevistador, você é um dos presumíveis culpados pelo furto. Seria melhor você afirmar que houve uma redução de quadro, algo bastante comum no mercado nestes tempos ruins.

Mas em seu lugar eu tentaria conseguir o emprego anterior de volta, ligando para o gerente, dizendo que ele estava certo e que você não deveria ter acobertado um colega que não merecia essa deferência. Se você era um bom funcionário, há chances de o gerente querer o seu retorno.

Quanto a você ter se calado, tudo bem, ninguém gosta de ser dedo-duro. Mas no futuro considere que há ocasiões melhores para você se manter de boca fechada.

Max Gehringer, para CBN.

2016-06-23

'Posso oferecer uma comissão com quem negocio um contrato?' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 23/06/2016, com um ouvinte que gostaria de propor uma comissão para o funcionário com quem ele negocia, caso o negócio seja fechado.

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'Posso oferecer uma comissão com quem negocio um contrato?'

negociação

Um ouvinte escreve: "Sou representante autônomo de uma marca e estou negociando um contrato bastante lucrativo com uma empresa. Pergunto se, caso o contrato seja fechado, eu posso oferecer um prêmio à pessoa que está negociando comigo, a título de comissão?"

Vamos lá. Se durante a negociação você acenar com essa possibilidade, isso será visto como propina. Na pior das hipóteses, caso a situação venha à tona, o contrato será cancelado, o funcionário envolvido será demitido por justa causa e você corre o risco de perder a representação autônoma.

Agora, se o negócio for fechado sem que você tenha prometido nada e só depois acenar com a possibilidade de um prêmio, tudo dependerá de como a empresa do funcionário premiado enxerga uma situação dessas. A grande maioria não só desaprova, como pune severamente.

Dito tudo isso, você sabe que propinas fazem parte da história do Brasil desde os tempos das botas do Marquês de Pombal. Então, se todo mundo faz, por que você não faria? Já que o negócio seria interessante para três das quatro partes envolvidas: você, a empresa que você apresenta e o funcionário que vai ganhar algum por fora. E a resposta é: porque isso não é ético, nem é honesto.

Eu espero que você consiga negociar o contrato sem espertezas oblíquas, usando apenas as suas boas qualidades como vendedor.

Max Gehringer, para CBN.

2016-06-07

Perguntar sobre gravidez durante a entrevista é discriminatório - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 07/06/2016, com uma ouvinte que foi perguntada em uma entrevista de emprego sobre se tinha planos de engravidar no futuro próximo.

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Perguntar sobre gravidez durante a entrevista é discriminatório

gravidez no trabalho

"Participei de um processo seletivo e fui aprovada", escreve uma ouvinte. "Na entrevista me foi perguntado se eu pretendia engravidar, porque sou casada há três anos e não tenho filhos. Respondi que não, mas isso não é bem verdade. Eu e meu marido estamos há algum tempo conversando sobre termos o nosso primeiro filho. Eu estaria enganando a empresa que me contratou se engravidasse com pouco tempo no emprego?"

Bom, para começar, essa pergunta sobre gravidez não poderia ter lhe sido feita na entrevista, por ser considerada discriminatória. Por isso, entrevistadores costumam chegar à resposta através de perguntas que são de interesse da empresa.

Por exemplo: "Você terá disponibilidade para viajar a serviço da empresa durante o próximo ano?" Aí não existe discriminação porque é uma pergunta que pode ser feita a candidatos de qualquer sexo, idade ou estado civil.

Agora, o seu caso. Se você pretende continuar a carreira depois de ter um filho, seria interessante você se firmar no trabalho antes de engravidar, mostrar que a sua contratação foi acertada e que a empresa irá querer ter você de volta após a licença maternidade.

De resto, o fato de você ter dito em uma entrevista que não pretendia engravidar, não é um compromisso profissional assumido. É uma decisão somente sua e do seu marido.

E caso você venha a engravidar e sofra alguma crítica de um superior na empresa, isso não seria uma justa cobrança, seria uma segunda discriminação.

Max Gehringer, para CBN.

2016-06-04

'Devo dizer que fui demitido por diferenças éticas com o gerente?' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 03/06/2016, com um ouvinte que tinha um chefe pouco ético e que foi demitido depois de conflitos com o chefe, e agora quer saber o que dizer em entrevistas de emprego.

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'Devo dizer que fui demitido por diferenças éticas com o gerente?'

diferenças com o chefe

Um ouvinte escreve: "Fui demitido faz um mês, devido a desentendimentos com o meu gerente. Ele tinha uma maneira pouco ética de gerenciar, escondendo fatos da direção e inventando histórias falsas para justificar seus erros. Como eu discutia as ordens dele, acabei sendo dispensado. Pergunto se devo dizer isso em entrevistas, para deixar claro o meu comprometimento com a ética?"

Vamos lá. Há duas situações diferentes no seu relato. A primeira, concreta, é que você foi demitido. E a segunda é que você presume que a sua demissão tenha sido causada somente pela diferença de valores éticos entre você e seu gerente.

Isso é difícil de ser comprovado em uma entrevista, porque você estaria dando ao entrevistador a sua versão do que ocorreu, que certamente seria desmentida pelo gerente que o demitiu, caso ele venha a ser consultado por uma empresa que tenha interesse em contratar você.

Não estou insinuando que o motivo da sua demissão não tenha sido o que você relatou. Mas coloque-se no lugar de um entrevistador. Não são poucos os candidatos que atribuem as suas saídas de uma empresa a um chefe incompetente ou mal educado ou pouco ético.

Diante de vários candidatos aceitáveis, o entrevistador tenderá a dar preferência a um que não tenha tido problemas de relacionamento com a chefia ou com os colegas.

O que posso lhe sugerir é responder que houve uma redução de quadro. E depois, durante a entrevista, enfatizar o seu caráter ético, mas sem afirmar que ele foi o único motivo para a sua demissão.

Max Gehringer, para CBN.

2016-03-08

'Seria ético desfalcar a equipe do meu ex-gerente?' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 08/03/2016, com a reprise do comentário do dia 14/09/2015, com um ouvinte que quer fazer uma proposta de emprego a dois ex-colegas em outra empresa, mas tem receio do que o gerente deles possa pensar.

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'Seria ético desfalcar a equipe do meu ex-gerente?'

equipe trabalhando

Um ouvinte escreve: "Saí do meu emprego anterior sem mágoas, nem encrencas, em função de uma proposta melhor que recebi da empresa em que estou atualmente. Neste momento estou precisando contratar dois funcionários e minhas melhores opções seriam dois colegas da empresa anterior, que são ótimos profissionais. Tenho certeza de que eles aceitariam vir, mas o problema é que se eu tirá-los de lá, vou desmontar a equipe do meu ex-gerente. Seria ético eu desfalcar uma empresa que deixei e na qual sempre fui bem tratado? E o que eu falo se o meu ex-gerente me telefonar e me acusar de ser um traidor e coisa e tal?"

Bom, primeiro, não há qualquer traição nessa situação, já que o seu contrato de trabalho com a empresa anterior foi encerrado. E portanto, ela não deve mais nada a você e nem você a ela.

Segundo, contratar ex-colegas é comum no mercado de trabalho. E não é falta de ética, porque agora você tem que fazer o que considera mais adequado para a empresa que está pagando o seu salário.

Já pelo lado afetivo, você pode amenizar a situação ligando para o seu ex-gerente antes de fazer a proposta aos dois colegas que pretende contratar. Nessa conversa, você não pediria a permissão dele e nem se desculparia, mas apenas o deixaria ciente dos convites, em vez de esperar que ele descubra quando os dois pedirem a conta. Isso daria a ele condições de fazer uma contra-proposta para manter os dois funcionários.

Caso, mesmo assim, o seu ex-gerente reaja mal e lhe diga o que você não merece ouvir, paciência. Você estaria sendo profissional e ele não.

Max Gehringer, para CBN.

2015-11-02

Indicar um subordinado a outra empresa é falta de ética?

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 02/11/2015, com um ouvinte que pergunta se é ético indicar um subordinado para outra empresa.

Áudio original disponível no site da CBN. E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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Indicar um subordinado a outra empresa é falta de ética?

indicação de emprego

Um ouvinte escreve: "Dirijo uma filial de uma multinacional. Um headhunter que conheço me ligou para perguntar se eu teria alguém para indicar para uma vaga na área de logística. Tenho um subordinado que se encaixaria perfeitamente na posição oferecida, com um bom aumento em relação ao que ganha aqui hoje. E eu não tenho como promovê-lo de imediato aqui na filial. Seria ótimo para a carreira dele, mas fico em dúvida se indicá-lo para outra empresa não seria falta de ética para com a empresa em que trabalho."

Vamos lá. Seria, se você o indicasse para trabalhar num concorrente. Não seria se a sua empresa atual não for sofrer nenhum abalo com a saída desse subordinado.

De qualquer forma, sempre haverá quem não pensa assim e o seu superior imediato pode ser uma dessas pessoas. Ao tomar conhecimento posterior do caso, ele muito provavelmente lhe dirá que você deveria tê-lo consultado antes de fazer a indicação, porque talvez houvesse a possibilidade de oferecer uma oportunidade interna a esse bom funcionário.

Então a minha sugestão é que você faça exatamente isso. Explique que você não quer atrapalhar a carreira do seu subordinado, que preferiria que ele ficasse, mas que não tem como promovê-lo ou dar a ele um aumento.

Talvez o seu superior concorde com a indicação, mas e se ele lhe responder que você jamais deve indicar alguém bom para outra empresa? Bom, aí você ficará sabendo de antemão o que só acabaria sabendo depois, o que não é uma questão nem de ética, nem de sensibilidade, mas somente de hierarquia.

Max Gehringer, para CBN.

2015-10-22

'Trabalho em uma empresa que usa softwares piratas' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 22/10/2015, com uma ouvinte que trabalha em uma empresa que usa softwares piratas.

Áudio original disponível no site da CBN. E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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'Trabalho em uma empresa que usa softwares piratas'

software pirata

Uma ouvinte escreve: "Entrei em uma empresa de porte médio e senti um certo desconforto ao descobrir que os programas de computador que ela utiliza são todos pirateados. Como este é o meu primeiro emprego, não sei se isso diz algo sobre a idoneidade da empresa ou se isso é comum no mercado. O que você poderia me dizer?"

Posso lhe dizer que pirataria é crime. Uma empresa pode alegar que usa programas pirateados porque os originais são muito caros. Por extensão, uma empresa assim também poderia passar a sonegar impostos, por exemplo, porque o dinheiro que ela recolhe não está sendo bem utilizado pelo poder público.

Ou seja, quem quiser justificar o descumprimento de uma lei, sempre encontrará desculpas que satisfaçam a quem tomou a decisão, mas nem por isso deixam de ser atitudes passíveis de punição.

Portanto, a sua percepção é correta. A empresa em que você está não é idônea. Não sendo idônea, não se pode esperar que ela seja ética nos negócios. O risco de ficar aí é o de você começar a acreditar que é assim mesmo que o mundo funciona, que os mais espertos saem ganhando, que descumprir a legislação é um esporte coletivo e que é possível continuar sendo honesto simplesmente fazendo o certo e ignorando o que a empresa faz de errado.

Atualmente há tantas falcatruas no noticiário, que muita gente está começando a acreditar que essa é a regra dos negócios, e não a exceção. Eu lhe sugiro procurar outro emprego, no qual você possa ver bons exemplos, e não espertezas.

Max Gehringer, para CBN.

2015-09-23

'Minha empresa não é muito aberta a novas ideias' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 23/09/2015, com um ouvinte que tem várias ideias, mas a sua própria empresa é reticente em aceitá-las, e ele espera talvez vender essas ideias a outras empresas.

Áudio original disponível no site da CBN. E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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'Minha empresa não é muito aberta a novas ideias'

novas ideias

Um ouvinte escreve: "Tenho várias ideias que poderiam ser implementadas em minha empresa. Mas, infelizmente, ela não é uma empresa que aceite ideias novas. Sinto-me tentado a oferecer essas ideias a outras empresas, em troca de um benefício financeiro, mas creio que seria anti-ético eu oferecê-las a terceiros, sem dar antes, uma oportunidade à minha própria empresa. Você teria alguma sugestão?"

Sim. Peça a conta e abra uma consultoria. Permita-me ponderar, apenas para esclarecer, que alguns detalhes em sua explanação, além de atropelar a ética, ainda enveredam pelas vias legais.

Se um empregado tem algum projeto, sugestão ou ideia que possa beneficiar a empresa, ele já está sendo pago para oferecê-los. Faz parte da remuneração. E se a empresa colocar a ideia em prática e lucrar com ela, legalmente o empregado não tem direitos adquiridos sobre a autoria dela. Pode não lhe parecer justo, mas é o que diz a lei.

vender ideias a outras empresas, enquanto for empregado de uma, resulta em demissão sumária por justa causa.

Portanto, para poder se beneficiar financeiramente da sua criatividade, você precisa se desligar de um empregador e se estabelecer como consultor autônomo. Outra opção seria a de conseguir uma vaga em uma empresa de consultoria e negociar antecipadamente com ela, uma parcela daquilo que eventuais clientes conseguirem com os projetos que você apresentar e implantar.

Resumindo, sinto dizer que você não pode vender ideias à empresa que paga o seu salário.

Max Gehringer, para CBN.

2015-09-14

'Seria ético desfalcar a equipe do meu ex-gerente?' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 14/09/2015, com um ouvinte que quer fazer uma proposta de emprego a dois ex-colegas em outra empresa, mas tem receio do que o gerente deles possa pensar.

Áudio original disponível no site da CBN. E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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'Seria ético desfalcar a equipe do meu ex-gerente?'

equipe trabalhando

Um ouvinte escreve: "Saí do meu emprego anterior sem mágoas, nem encrencas, em função de uma proposta melhor que recebi da empresa em que estou atualmente. Neste momento estou precisando contratar dois funcionários. E minhas melhores opções seriam dois colegas da empresa anterior, que são ótimos profissionais. Tenho certeza de que eles aceitariam vir, mas o problema é que se eu tirá-los de lá, vou desmontar a equipe do meu ex-gerente. Seria ético eu desfalcar uma empresa que deixei e na qual sempre fui bem tratado? E o que eu falo se o meu ex-gerente me telefonar e me acusar de ser um traidor e coisa e tal?"

Bom, primeiro, não há qualquer traição nessa situação, já que o seu contrato de trabalho com a empresa anterior foi encerrado. E portanto, ela não deve mais nada a você e nem você a ela.

Segundo, contratar ex-colegas é comum no mercado de trabalho. E não é falta de ética, porque agora você tem que fazer o que considera mais adequado para a empresa que está pagando o seu salário.

Já pelo lado afetivo, você pode amenizar a situação ligando para o seu ex-gerente antes de fazer a proposta aos dois colegas que pretende contratar. Nessa conversa, você não pediria a permissão dele e nem se desculparia, mas apenas o deixaria ciente dos convites, em vez de esperar que ele descubra quando os dois pedirem a conta. Isso daria a ele condições de fazer uma contra-proposta para manter os dois funcionários.

Caso, mesmo assim, o seu ex-gerente reaja mal e lhe diga o que você não merece ouvir, paciência. Você estaria sendo profissional e ele não.

Max Gehringer, para CBN.

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