Fallout 3 e The Elder Scrolls V: Skyrim são dois jogos de RPG produzidos pela Bethesda, que apesar de se passarem em mundos muito diferentes (o primeiro se passa num futuro-retrô pós-apocalíptico e o segundo num mundo medieval de fantasia), têm várias coisas em comum. Uma delas é o fato de que são os dois jogos que eu mais passei tempo jogando no Playstation 3. (Inclusive, Fallout 3 foi o último jogo que eu joguei e terminei mais de uma vez, em muitos anos).
Por isso, quando vi o curta "Fallout vs Skyrim", produzido por Andrew McMurry, achei fantástico. O que aconteceria se o sobrevivente de Fallout se encontrasse com o dragonborn de Skyrim? Quem venceria a luta? Se você já jogou esses games, vai reconhecer vários dos momentos icônicos dos dois jogos, como comer desesperadamente toneladas de itens pra recuperar pontos de vida e os golpes usados por cada um dos personagens. Assistam:
Via canal de Andrew McMurry no youtube.
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2015-05-13
2015-05-06
CloudRise [curta animação]
CloudRise é um curta de animação dirigido e animado por Denver Jackson.

Ambientado em um mundo de fantasia em que naves/navios navegam acima das nuvens, CloudRise nos traz a um momento crucial na vida de dois amantes, enquanto eles lutam para sobreviver a um ataque pirata em seu novo barco voador.
Assistam:
Cloudrise from Denver Jackson.
Com várias influências de universos de fantasia e ficção científica, CloudRise é um curta de animação com vários aspectos marcantes. A começar pela sua estética, com influências de animes japoneses, que lembra muito o universo de Avatar: A Lenda de Korra, com um visual meio steampunk e com lutas coreografadas no estilo artes marciais chinesas.
Outro ponto de destaque (e que revela spoilers, então assista antes de continuar lendo), é o roteiro que coloca a "mocinha" do filme como a heroína, salvando o rapaz, num plot twist inesperado. Na animação, a mulher não é apresentada como a jovem indefesa que precisa de salvação, e o final acaba revelando o contrário. Nesse sentido, o curta é bem feminista.
Em resumo, CloudRise é um excelente curta de animação, que reúne ação e emoção na dose certa.
Site oficial do curta CloudRise.

Ambientado em um mundo de fantasia em que naves/navios navegam acima das nuvens, CloudRise nos traz a um momento crucial na vida de dois amantes, enquanto eles lutam para sobreviver a um ataque pirata em seu novo barco voador.
Assistam:
Cloudrise from Denver Jackson.
Com várias influências de universos de fantasia e ficção científica, CloudRise é um curta de animação com vários aspectos marcantes. A começar pela sua estética, com influências de animes japoneses, que lembra muito o universo de Avatar: A Lenda de Korra, com um visual meio steampunk e com lutas coreografadas no estilo artes marciais chinesas.
Outro ponto de destaque (e que revela spoilers, então assista antes de continuar lendo), é o roteiro que coloca a "mocinha" do filme como a heroína, salvando o rapaz, num plot twist inesperado. Na animação, a mulher não é apresentada como a jovem indefesa que precisa de salvação, e o final acaba revelando o contrário. Nesse sentido, o curta é bem feminista.
Em resumo, CloudRise é um excelente curta de animação, que reúne ação e emoção na dose certa.
Site oficial do curta CloudRise.
2013-09-19
Filme: Rush - No Limite da Emoção
Antes de mais nada, tenho que confessar que não gosto de Fórmula 1. Não, estou sendo generoso demais. Eu detesto Fórmula 1, acho muito enfadonho e sem graça. Por isso, foi uma grata surpresa assistir o filme Rush - No Limite da Emoção (apenas Rush, no original) e sair da sessão com um sorriso no rosto, por ter visto um excelente filme.
Rush - No Limite da Emoção nos traz a história real da histórica rivalidade entre dois pilotos de Fórmula 1 nos anos 70, o austríaco Niki Lauda (interpretado no filme por Daniel Brühl) e o inglês James Hunt (interpretado por Chris Hemsworth, mais conhecido como Thor). A rivalidade entre eles se inicia ainda na Fórmula 3, no início de suas carreiras, e culmina no campeonato de Fórmula 1 de 1976, um dramático ano, quando Lauda sofre um acidente que quase custa-lhe a vida.
Não bastasse a história interessante, Rush - No Limite da Emoção (ou apenas Rush daqui em diante) tem o grande mérito de saber contá-la muito bem. Na primeira parte do filme, o roteiro de Peter Morgan vai construindo a história individual de Lauda e Hunt, como se fosse uma corrida em que cada um se reveza um pouco na dianteira, com eventuais esbarrões onde eles interagem. Ou seja, o filme dá um espaço igual aos dois pilotos, o que acentua ainda mais a diferença entre eles: enquanto Hunt é mulherengo, bon-vivant e destemido, Lauda é cauteloso, calculista e inteligente. O que eles têm em comum é o desejo de vitória, apesar de mesmo as motivações para isso serem diferentes, coisa que é acentuada desde o primeiro encontro, até o último mostrado no filme, nas cenas finais.
Além do ótimo roteiro, visualmente também Rush é fantástico. Com uma fotografia granulada, que simula os filmes dos anos 70, Rush tem uma boa direção de arte, que recria bem o visual setentista. Outro destaque são as cenas que ilustram as corridas de Fórmula 1, sejam aqueles planos de dentro do carro, sejam aqueles clássicos planos de câmeras do lado da pista. Mesmo com o eventual uso de CGI (computação gráfica), o visual é extremamente realista. Adicione-se a isso os excelentes design de som e edição, e o resultado são cenas muito empolgantes (mesmo para quem acha as corridas um tédio na vida real, como eu).
Tudo isso, entretanto, seria vazio se Rush não apresentasse personagens humanos e críveis. Nesse ponto, Rush também não perde a pole: as atuações estão excelentes. Apesar do papel de Hunt não oferecer tanto desafio assim a Chris Hemsworth, o ator funciona bem como o cara que quer aproveitar o máximo da vida sem pensar muito no amanhã. O destaque, entretanto, é para o excelente Daniel Brühl. Fisicamente impecável como Niki Lauda (a princípio não reconheci o ator, que usa próteses dentárias para ficar com a "aparência de rato" de Lauda), o ator, que já se mostrou um grande intérprete em vários filmes (destacando-se para o grande público em Bastardos Inglórios), não só consegue interpretar o personagem de maneira ótima antes, mas também durante e depois do acidente que Lauda sofre e o desfigura parcialmente (destaque para a cena da entrevista pós-retorno, com uma atuação fantástica).
E em se tratando de Fórmula 1, não é possível deixar de lado as belas mulheres. E o filme tem pelo menos três beldades que merecem destaque, não apenas pela beleza, mas pelas atuações que nada deixam a desejar: a sempre sensual Olivia Wilde como a modelo (ex-)esposa de Hunt Suzy Miller, Alexandra Maria Lara como Marlene Lauda, esposa e grande apoiadora de Niki, e a linda Natalie Dormer, mais conhecida pelos fãs de Game of Thrones como Margaery Tyrell, num papel secundário como uma das "peguetes" de Hunt (Huntete?).
No final das contas, Rush - No Limite da Emoção é menos sobre carros, velocidade e Fórmula 1 do que sobre rivalidade, competitividade e até mesmo amizade. E isso é o que torna o filme excelente e passível de identificação por qualquer um. Nem todo mundo gosta de carros e velocidade, mas só quem não é humano não reconhecerá a grande história por trás desses pilotos e sua rivalidade.
Trailer:
Para saber mais: críticas no AdoroCinema, Omelete e blog do Rubens Ewald Filho.
Rush - No Limite da Emoção nos traz a história real da histórica rivalidade entre dois pilotos de Fórmula 1 nos anos 70, o austríaco Niki Lauda (interpretado no filme por Daniel Brühl) e o inglês James Hunt (interpretado por Chris Hemsworth, mais conhecido como Thor). A rivalidade entre eles se inicia ainda na Fórmula 3, no início de suas carreiras, e culmina no campeonato de Fórmula 1 de 1976, um dramático ano, quando Lauda sofre um acidente que quase custa-lhe a vida.
Não bastasse a história interessante, Rush - No Limite da Emoção (ou apenas Rush daqui em diante) tem o grande mérito de saber contá-la muito bem. Na primeira parte do filme, o roteiro de Peter Morgan vai construindo a história individual de Lauda e Hunt, como se fosse uma corrida em que cada um se reveza um pouco na dianteira, com eventuais esbarrões onde eles interagem. Ou seja, o filme dá um espaço igual aos dois pilotos, o que acentua ainda mais a diferença entre eles: enquanto Hunt é mulherengo, bon-vivant e destemido, Lauda é cauteloso, calculista e inteligente. O que eles têm em comum é o desejo de vitória, apesar de mesmo as motivações para isso serem diferentes, coisa que é acentuada desde o primeiro encontro, até o último mostrado no filme, nas cenas finais.
Além do ótimo roteiro, visualmente também Rush é fantástico. Com uma fotografia granulada, que simula os filmes dos anos 70, Rush tem uma boa direção de arte, que recria bem o visual setentista. Outro destaque são as cenas que ilustram as corridas de Fórmula 1, sejam aqueles planos de dentro do carro, sejam aqueles clássicos planos de câmeras do lado da pista. Mesmo com o eventual uso de CGI (computação gráfica), o visual é extremamente realista. Adicione-se a isso os excelentes design de som e edição, e o resultado são cenas muito empolgantes (mesmo para quem acha as corridas um tédio na vida real, como eu).
Tudo isso, entretanto, seria vazio se Rush não apresentasse personagens humanos e críveis. Nesse ponto, Rush também não perde a pole: as atuações estão excelentes. Apesar do papel de Hunt não oferecer tanto desafio assim a Chris Hemsworth, o ator funciona bem como o cara que quer aproveitar o máximo da vida sem pensar muito no amanhã. O destaque, entretanto, é para o excelente Daniel Brühl. Fisicamente impecável como Niki Lauda (a princípio não reconheci o ator, que usa próteses dentárias para ficar com a "aparência de rato" de Lauda), o ator, que já se mostrou um grande intérprete em vários filmes (destacando-se para o grande público em Bastardos Inglórios), não só consegue interpretar o personagem de maneira ótima antes, mas também durante e depois do acidente que Lauda sofre e o desfigura parcialmente (destaque para a cena da entrevista pós-retorno, com uma atuação fantástica).
E em se tratando de Fórmula 1, não é possível deixar de lado as belas mulheres. E o filme tem pelo menos três beldades que merecem destaque, não apenas pela beleza, mas pelas atuações que nada deixam a desejar: a sempre sensual Olivia Wilde como a modelo (ex-)esposa de Hunt Suzy Miller, Alexandra Maria Lara como Marlene Lauda, esposa e grande apoiadora de Niki, e a linda Natalie Dormer, mais conhecida pelos fãs de Game of Thrones como Margaery Tyrell, num papel secundário como uma das "peguetes" de Hunt (Huntete?).
No final das contas, Rush - No Limite da Emoção é menos sobre carros, velocidade e Fórmula 1 do que sobre rivalidade, competitividade e até mesmo amizade. E isso é o que torna o filme excelente e passível de identificação por qualquer um. Nem todo mundo gosta de carros e velocidade, mas só quem não é humano não reconhecerá a grande história por trás desses pilotos e sua rivalidade.
Trailer:
Para saber mais: críticas no AdoroCinema, Omelete e blog do Rubens Ewald Filho.
2012-12-11
Filme: A Sombra do Inimigo
À primeira vista, o filme A Sombra do Inimigo (no original Alex Cross) parece ser apenas mais um filme genérico medíocre de ação e suspense policial. Entretanto, se pararmos para analisá-lo, veremos que, na verdade, ele é bem ruim.

A Sombra do Inimigo tem uma histórica até meio clichê de filmes policiais. Ela acompanha o protagonista (que dá o título original ao filme) Alex Cross (Tyler Perry) e sua equipe, composta entre outros pelo parceiro Tommy Kane (Edward Burns) e pela novata Monica Ashe (Rachel Nichols), investigando um assassinato. Quando eles se encontram pela primeira vez com o assassino profissional (vivido por Matthew Fox), frustrando os seus planos, a coisa torna-se pessoal.
A Sombra do Inimigo tem vários problemas como filme, a começar pelos personagens. Cross é um psicólogo brilhante, que aparentemente mostra poderes de dedução e observação no nível de Sherlock Holmes ou House. Entretanto, sem o carisma e charme desses dois citados, provenientes tanto de seus dons quanto de seus defeitos, igualmente colossais, o personagem Cross se mostra um bom-moço chatíssimo, demasiadamente "certinho", pai de família exemplar e que tenta ajudar uma jovem negra (como ele) convencendo-a a delatar o tio que cometera o crime pela qual estava presa.
O assassino vivido por Matthew Fox também não desperta interesse, com um roteiro sem explorar suas motivações e/ou passado, retratando-o apenas como "provavelmente um ex-militar" lunático. Com este personagem, Fox consegue se desvencilhar de seu personagem mais icônico, o Jack de Lost. Isso, no entanto, não quer dizer que seja uma boa atuação, já que o assassino vivido por Fox é unidimensional e não dá muitas oportunidades de atuação, ficando relegado a caras e bocas de maluco, que produzem no final, uma atuação exagerada e caricata.

De fato, o assassino lembra o personagem de videogame da série Hitman ao (tentar) executar os assassinatos com planos mirabolantes (nadando por tubulações de água ou hackeando um trem). Entretanto, se no game (e em menor parte, no filme baseado nele) é divertido ver o assassino, neste A Sombra do Inimigo a diversão se perde um pouco, já que o filme se leva a sério demais para situações claramente absurdas.
Este talvez seja um dos maiores problemas do filme: se levar a sério demais, mesmo quando seus personagens são claramente caricaturas, incluindo o elenco de apoio, como o chefe da divisão policial que, no melhor estilo "chefe de cabelos pontudos do Dilbert", quando decide fazer algo por conta (para receber os créditos políticos) e não escutar Cross, só faz besteira.

Dirigido por Rob Cohen (que sempre fez filmes mais ou menos, como o último e sofrível capítulo da franquia A Múmia), A Sombra do Inimigo também falha na condução do ritmo. Querendo imprimir uma ação rápida (inclusive abusando do recurso de câmera na mão, tremendo a imagem), o filme abandona quase que totalmente o suspense depois de um terço da projeção, fazendo com que não se sinta que haja uma ameaça a espreita. O drama também tem pouco destaque, puxando logo para o tema vingança pessoal. E, por fim, a resolução final também é bem fraca, com a revelação do mandante dos assassinatos sem nenhum impacto. Ou talvez tenha sido só o cansaço e a vontade de ver o filme acabar logo que me fizeram achar o final fraquíssimo.
Baseado na série de livros de James Patterson tendo o personagem Alex Cross como protagonista, A Sombra do Inimigo parece ir ao contrário da direção dos livros. Pelo menos em termos de qualidade e aceitação do público. Enfim, A Sombra do Inimigo é um filme ruim. Com um roteiro genérico e medíocre, poderia render um filme apenas medíocre, caso fosse melhor conduzido. Os fãs de Patterson provavelmente estão decepcionados.
Trailer:
Para saber mais: crítica no Omelete e no Adoro Cinema.

A Sombra do Inimigo tem uma histórica até meio clichê de filmes policiais. Ela acompanha o protagonista (que dá o título original ao filme) Alex Cross (Tyler Perry) e sua equipe, composta entre outros pelo parceiro Tommy Kane (Edward Burns) e pela novata Monica Ashe (Rachel Nichols), investigando um assassinato. Quando eles se encontram pela primeira vez com o assassino profissional (vivido por Matthew Fox), frustrando os seus planos, a coisa torna-se pessoal.
A Sombra do Inimigo tem vários problemas como filme, a começar pelos personagens. Cross é um psicólogo brilhante, que aparentemente mostra poderes de dedução e observação no nível de Sherlock Holmes ou House. Entretanto, sem o carisma e charme desses dois citados, provenientes tanto de seus dons quanto de seus defeitos, igualmente colossais, o personagem Cross se mostra um bom-moço chatíssimo, demasiadamente "certinho", pai de família exemplar e que tenta ajudar uma jovem negra (como ele) convencendo-a a delatar o tio que cometera o crime pela qual estava presa.
O assassino vivido por Matthew Fox também não desperta interesse, com um roteiro sem explorar suas motivações e/ou passado, retratando-o apenas como "provavelmente um ex-militar" lunático. Com este personagem, Fox consegue se desvencilhar de seu personagem mais icônico, o Jack de Lost. Isso, no entanto, não quer dizer que seja uma boa atuação, já que o assassino vivido por Fox é unidimensional e não dá muitas oportunidades de atuação, ficando relegado a caras e bocas de maluco, que produzem no final, uma atuação exagerada e caricata.

De fato, o assassino lembra o personagem de videogame da série Hitman ao (tentar) executar os assassinatos com planos mirabolantes (nadando por tubulações de água ou hackeando um trem). Entretanto, se no game (e em menor parte, no filme baseado nele) é divertido ver o assassino, neste A Sombra do Inimigo a diversão se perde um pouco, já que o filme se leva a sério demais para situações claramente absurdas.
Este talvez seja um dos maiores problemas do filme: se levar a sério demais, mesmo quando seus personagens são claramente caricaturas, incluindo o elenco de apoio, como o chefe da divisão policial que, no melhor estilo "chefe de cabelos pontudos do Dilbert", quando decide fazer algo por conta (para receber os créditos políticos) e não escutar Cross, só faz besteira.

Dirigido por Rob Cohen (que sempre fez filmes mais ou menos, como o último e sofrível capítulo da franquia A Múmia), A Sombra do Inimigo também falha na condução do ritmo. Querendo imprimir uma ação rápida (inclusive abusando do recurso de câmera na mão, tremendo a imagem), o filme abandona quase que totalmente o suspense depois de um terço da projeção, fazendo com que não se sinta que haja uma ameaça a espreita. O drama também tem pouco destaque, puxando logo para o tema vingança pessoal. E, por fim, a resolução final também é bem fraca, com a revelação do mandante dos assassinatos sem nenhum impacto. Ou talvez tenha sido só o cansaço e a vontade de ver o filme acabar logo que me fizeram achar o final fraquíssimo.
Baseado na série de livros de James Patterson tendo o personagem Alex Cross como protagonista, A Sombra do Inimigo parece ir ao contrário da direção dos livros. Pelo menos em termos de qualidade e aceitação do público. Enfim, A Sombra do Inimigo é um filme ruim. Com um roteiro genérico e medíocre, poderia render um filme apenas medíocre, caso fosse melhor conduzido. Os fãs de Patterson provavelmente estão decepcionados.
Trailer:
Para saber mais: crítica no Omelete e no Adoro Cinema.
2012-12-04
Filme: A Saga Crepúsculo: Amanhecer - Parte 2
Depois de assistir nos cinemas o segundo filme da "saga" Crepúsculo, o Lua Nova, eu jurei a mim mesmo que não iria mais gastar meus suados reais para ver outro filme da "saga" nos cinemas. E assim foi com Eclipse (que acabei vendo algumas partes na TV) e com Amanhecer - Parte 1 (que só vi os trailers mesmo). E eu também não iria ver A Saga Crepúsculo: Amanhecer - Parte 2 (no original The Twilight Saga: Breaking Dawn - Part 2), mas uma confluência do destino me fez ir ao cinema assistí-lo (leia-se: estava com um grupo de amigos e as mulheres queriam ver o filme). O resultado final não foi tão ruim quanto eu imaginava, foi até divertido (mas poderia ter sido bem melhor).

A Saga Crepúsculo: Amanhecer - Parte 2 começa com a protagonista Bella (Kristen Stewart) acordando como vampira e descobrindo seus poderes, ao mesmo tempo em que conhece a sua recém-nascida filha Renesmee (vivida na fase criança por Mackenzie Foy). O romance com o seu marido vampiro (ou fada, dizem as más línguas), Edward (Robert Pattinson) vai bem, e o triângulo amoroso com o lobisomen Jacob (Taylor Lautner) se resolve, graças a uma ideia muito errada da autora do livro, Stephenie Meyer, de fazer Jacob ter um imprinting (uma espécie de paixão avassaladora a primeira vista que acontece com os lobisomens) com Renesmee ainda bebê (!), no útero de Bella, aliás (!!!).
Com toda a parte romântica resolvida, a primeira parte de Amanhecer - Parte 2 se dedica a mostrar Bella e seus novos poderes, mostrando como os vampiros são legais e os seres humanos são um zero a esquerda. Kristen Stewart e Robert Pattinson quase conseguem mostrar um pouco de atuação, mostrando um Edward mais relaxado sem a preocupação de matar a esposa com seu amor (urgh) e uma Bella mais "viva", mesmo estando morta. (Mais uma ironia que acompanha a personagem, começando pelo nome dela e sua atriz protagonista, porque de bela, a Kristen "Bella" Stewart tem pouco.)

Tendo terminado o "drama" romântico, a trama volta-se para Renesmee, que é meio vampira e meio humana, e que cresce rapidamente. Os Volturi, o grupo vampírico de "xerifes" da raça, liderados pelo afetado Aro (Michael Sheen), crê que a criança é uma vampira criada (mordida), um delito grave punido com a morte, e vai em direção aos Cullen para exterminar a criança. Enquanto isso, os Cullen procuram por ajuda em outros clãs vampíricos, para se opor ao poder dos Volturi e talvez, conseguir explicar a situação.
Na realidade de Crepúsculo, vários vampiros têm dons, ou seja, poderes à la X-Men, como telepatia, manipulação de elementos (água, fogo...) e outros variados. E a apresentação de personagens com poderes, tanto dos vampiros aliados dos protagonistas, quanto dos Volturi, é uma das partes mais interessante do filme (e de toda a "saga", aliás), só perdendo mesmo para a batalha final, que é conduzida com maestria pelo diretor Bill Condon. A batalha é excitante e violenta, um banho de sangue que não poupa personagens. SPOILER ATÉ O FINAL DO PARÁGRAFO: Uma pena mesmo é que toda a batalha seja uma espécie de flashforward/visão de Alice, que não se concretiza, o que faz com que o clímax do filme seja extremamente frustrante (broxante, para dizer sem meias palavras), mostrando um pouco de falta de coragem dos seus realizadores, além de deixar a trama em aberto demais, o suficiente até para que algum executivo de estúdio maluco pense em fazer mais continuações caça-níqueis.

A Saga Crepúsculo: Amanhecer - Parte 2 é, isoladamente, um filme razoável. Ele tem seus defeitos, alguns muito ruins, como alguns efeitos especiais (mais para defeitos especiais), especialmente a construção digital de de Renesmee como bebê, cujo resultado é pavoroso, somente um pouco melhor do já conhecido efeito especial dos vampiros correndo, que também é horrível. Também não ajuda o fato dos vampiros de todas as partes do mundo serem uma coleção de clichês, como os irlandeses beberrões ou as duas vampiras brasileiras índias do Amazonas, e ainda por cima vestidas como rainhas de bateria de escola de samba, e uma delas, ainda com o sugestivo nome de Senna (seria Meyer uma fã de Fórmula 1?).
Kristen Stewart e Robert Pattinson continuam atores medíocres, apesar de claramente terem evoluído um pouco neste último capítulo (de ruins para medíocres, entenda). Michael Sheen parece se divertir com seu caricato personagem, mas o efeito é de apenas diminuir a ameaça dos vilões do filme. Os demais atores (como Maggie Grace e Dakota Fanning), perdidos em meio a tantos personagens, pouco conseguem mostrar, e o meu destaque pessoal continua sendo Ashley Greene, que está maravilhosamente linda como Alice.

Apesar desses percalços, Amanhecer - Parte 2 consegue ser interessante. Grande mérito disso se deve ao fato de pouco investir no romance açucarado e garotos sem camisa (um milagre o tempo que Lautner demora para tirar a camiseta), temas mais que batidos nos outros filmes da série, cujos enlaces já foram resolvidos. Seria melhor com um final mais corajoso, mas ainda se salva como filme isolado. Como "saga", seria uma tortura ter que assistir todos os filmes só para ter um final bacaninha. A sorte é que a trama, bobinha, consegue ser bem resumida e facilmente entendível, então você não precisa passar pelos outros filmes para ver este, basta ler um resumo na internet (não ter visto a parte 1 não me prejudicou em nada, já que há muito tempo atrás eu li um resumo dos livros não lembro onde).
Com créditos finais que recapitulam todos os personagens e seus atores desde o primeiro filme, A Saga Crepúsculo: Amanhecer - Parte 2, tenta dar um ar de grandeza, de épico, de "saga" à sua história. Apesar de possivelmente agradar as fãs invocando memórias afetivas, isso soa desnecessário e forçado. Mas mesmo assim, no fim, vale a pena ver o filme, especialmente (para alguns, somente) pela batalha final. Não é um grande filme, e nem mesmo faz parte de uma grande "saga", mas rende uma diversão interessante. E você, leitor do sexo masculino, ainda vai ganhar pontos com as mulheres por ir assistir ao filme.
P.S. Um grande abraço para meus amigos Tubbies, Cly, Caixa e Mari, que formou o grupo comigo no cinema. Culpa da Cly e da Mari eu ter assistido o filme. ;)
Trailer:
Para saber mais: crítica no Cinema em Cena e no Omelete.

A Saga Crepúsculo: Amanhecer - Parte 2 começa com a protagonista Bella (Kristen Stewart) acordando como vampira e descobrindo seus poderes, ao mesmo tempo em que conhece a sua recém-nascida filha Renesmee (vivida na fase criança por Mackenzie Foy). O romance com o seu marido vampiro (ou fada, dizem as más línguas), Edward (Robert Pattinson) vai bem, e o triângulo amoroso com o lobisomen Jacob (Taylor Lautner) se resolve, graças a uma ideia muito errada da autora do livro, Stephenie Meyer, de fazer Jacob ter um imprinting (uma espécie de paixão avassaladora a primeira vista que acontece com os lobisomens) com Renesmee ainda bebê (!), no útero de Bella, aliás (!!!).
Com toda a parte romântica resolvida, a primeira parte de Amanhecer - Parte 2 se dedica a mostrar Bella e seus novos poderes, mostrando como os vampiros são legais e os seres humanos são um zero a esquerda. Kristen Stewart e Robert Pattinson quase conseguem mostrar um pouco de atuação, mostrando um Edward mais relaxado sem a preocupação de matar a esposa com seu amor (urgh) e uma Bella mais "viva", mesmo estando morta. (Mais uma ironia que acompanha a personagem, começando pelo nome dela e sua atriz protagonista, porque de bela, a Kristen "Bella" Stewart tem pouco.)

Tendo terminado o "drama" romântico, a trama volta-se para Renesmee, que é meio vampira e meio humana, e que cresce rapidamente. Os Volturi, o grupo vampírico de "xerifes" da raça, liderados pelo afetado Aro (Michael Sheen), crê que a criança é uma vampira criada (mordida), um delito grave punido com a morte, e vai em direção aos Cullen para exterminar a criança. Enquanto isso, os Cullen procuram por ajuda em outros clãs vampíricos, para se opor ao poder dos Volturi e talvez, conseguir explicar a situação.
Na realidade de Crepúsculo, vários vampiros têm dons, ou seja, poderes à la X-Men, como telepatia, manipulação de elementos (água, fogo...) e outros variados. E a apresentação de personagens com poderes, tanto dos vampiros aliados dos protagonistas, quanto dos Volturi, é uma das partes mais interessante do filme (e de toda a "saga", aliás), só perdendo mesmo para a batalha final, que é conduzida com maestria pelo diretor Bill Condon. A batalha é excitante e violenta, um banho de sangue que não poupa personagens. SPOILER ATÉ O FINAL DO PARÁGRAFO: Uma pena mesmo é que toda a batalha seja uma espécie de flashforward/visão de Alice, que não se concretiza, o que faz com que o clímax do filme seja extremamente frustrante (broxante, para dizer sem meias palavras), mostrando um pouco de falta de coragem dos seus realizadores, além de deixar a trama em aberto demais, o suficiente até para que algum executivo de estúdio maluco pense em fazer mais continuações caça-níqueis.

A Saga Crepúsculo: Amanhecer - Parte 2 é, isoladamente, um filme razoável. Ele tem seus defeitos, alguns muito ruins, como alguns efeitos especiais (mais para defeitos especiais), especialmente a construção digital de de Renesmee como bebê, cujo resultado é pavoroso, somente um pouco melhor do já conhecido efeito especial dos vampiros correndo, que também é horrível. Também não ajuda o fato dos vampiros de todas as partes do mundo serem uma coleção de clichês, como os irlandeses beberrões ou as duas vampiras brasileiras índias do Amazonas, e ainda por cima vestidas como rainhas de bateria de escola de samba, e uma delas, ainda com o sugestivo nome de Senna (seria Meyer uma fã de Fórmula 1?).
Kristen Stewart e Robert Pattinson continuam atores medíocres, apesar de claramente terem evoluído um pouco neste último capítulo (de ruins para medíocres, entenda). Michael Sheen parece se divertir com seu caricato personagem, mas o efeito é de apenas diminuir a ameaça dos vilões do filme. Os demais atores (como Maggie Grace e Dakota Fanning), perdidos em meio a tantos personagens, pouco conseguem mostrar, e o meu destaque pessoal continua sendo Ashley Greene, que está maravilhosamente linda como Alice.

Apesar desses percalços, Amanhecer - Parte 2 consegue ser interessante. Grande mérito disso se deve ao fato de pouco investir no romance açucarado e garotos sem camisa (um milagre o tempo que Lautner demora para tirar a camiseta), temas mais que batidos nos outros filmes da série, cujos enlaces já foram resolvidos. Seria melhor com um final mais corajoso, mas ainda se salva como filme isolado. Como "saga", seria uma tortura ter que assistir todos os filmes só para ter um final bacaninha. A sorte é que a trama, bobinha, consegue ser bem resumida e facilmente entendível, então você não precisa passar pelos outros filmes para ver este, basta ler um resumo na internet (não ter visto a parte 1 não me prejudicou em nada, já que há muito tempo atrás eu li um resumo dos livros não lembro onde).
Com créditos finais que recapitulam todos os personagens e seus atores desde o primeiro filme, A Saga Crepúsculo: Amanhecer - Parte 2, tenta dar um ar de grandeza, de épico, de "saga" à sua história. Apesar de possivelmente agradar as fãs invocando memórias afetivas, isso soa desnecessário e forçado. Mas mesmo assim, no fim, vale a pena ver o filme, especialmente (para alguns, somente) pela batalha final. Não é um grande filme, e nem mesmo faz parte de uma grande "saga", mas rende uma diversão interessante. E você, leitor do sexo masculino, ainda vai ganhar pontos com as mulheres por ir assistir ao filme.
P.S. Um grande abraço para meus amigos Tubbies, Cly, Caixa e Mari, que formou o grupo comigo no cinema. Culpa da Cly e da Mari eu ter assistido o filme. ;)
Trailer:
Para saber mais: crítica no Cinema em Cena e no Omelete.
2012-02-22
Filme: Motoqueiro Fantasma: Espírito de Vingança - em 3D
Em certa parte de Motoqueiro Fantasma: Espírito de Vingança (no original Ghost Rider: Spirit of Vengeance), o personagem de Nicolas Cage descreve o Motoqueiro Fantasma como um alucinado, que busca vingança até pelos mínimos erros que todo mundo comete, como fazer um download ilegal de um filme. Essa espetadinha no pessoal que faz download saiu pela culatra neste filme, já que só o fato de assisti-lo já é uma punição. No cinema, pagando bem mais caro (já que, pelo menos por aqui, só tem em sessões 3D), você se sente ainda mais lesado. Nenhuma boa ação passa impune mesmo.

Motoqueiro Fantasma: Espírito de Vingança não é uma continuação do filme anterior do Motoqueiro. É um reboot (pois é, reboot de uma franquia de um filme é f$#@). E se Odin estiver dormindo e permitir outro filme do personagem, não duvido que seja um terceiro reboot. O primeiro filme não era bom, mas este segundo consegue ser pior.
O fiapo de história de Motoqueiro Fantasma: Espírito de Vingança é aquele clichê: o menino Danny (Fergus Riordan) destinado por uma profecia a ser o receptáculo do diabo, junto de sua mãe/MILF do filme Nadya (Violante Placido), está sendo perseguido pelos capangas do coisa ruim Roarke (Ciarán Hinds). E então entra Johnny Blaze (Cage) na história, como herói relutante para salvar o garoto, mesmo que a princípio, ele só deseje se livrar da sua maldição de se tornar o Motoqueiro Fantasma, coisa que foi prometida pelo misterioso Moreau (Idris Elba) em troca de sua ajuda. E coloque aí no meio bandidos do leste europeu super armados, ordens religiosas ocultas e você tem a mistura do filme.

Motoqueiro Fantasma: Espírito de Vingança acerta em algumas coisas. A primeira é levar a ação ao leste europeu, com cenários desoladores e antigas construções, o que dá um clima interessante. A segunda é na construção visual do Motoqueiro, toda estilosa, num bom trabalho de efeitos especiais (mesmo que o nível de detalhes não se mantenha ao longo do filme, como por exemplo, as bolhas do couro da jaqueta meio derretendo, que infelizmente só dá as caras mesmo na primeira aparição do personagem). Além disso, o visual das correntes e da moto são bem bacanas, assim como a ideia de que as máquinas que ele pilota se transformarem (o que rende a melhor cena do filme, ao colocá-lo pilotando uma escavadeira gigante. E a terceira é recontar rapidamente a nova origem do Motoqueiro, sem enrolação.
Agora, a parte ruim de Motoqueiro Fantasma: Espírito de Vingança. O roteiro além de fraco é incoerente. Primeiro o Motoqueiro é apresentado como um descontrolado e faminto por almas, mas mesmo quando tem oportunidade de sobra, ele não consome nenhuma alma dos bandidos. Mas depois vemos que o Motoqueiro age, se não totalmente controlado, pelo menos guiado pela vontade de Johnny Blaze. Além disso, se o visual investe em cenários e locações interessantes, o roteiro vai pelo caminho contrário, oferecendo cenas sem sal, como o ritual no final, ou a própria luta final do Motoqueiro com o diabo Roarke, que não faz sentido algum pra mim (Ah, dane-se o spoiler: se o Motoqueiro acaba com Roarke tão facilmente, por que não fez isso antes? E por que, em primeiro lugar, Roarke iria chamar o Motoqueiro ligando-a ao Blaze, no pacto original? E pior ainda, sabendo que na verdade o Motoqueiro era um Anjo - torturado e corrompido, mas que no final, se mostra ainda vivo em essência?)
A ação é até bacana, mas desperdiça totalmente o 3D. A não ser em uma ou outra cena em que os diretores Mark Neveldine e Brian Taylor esfregam um 3D de fogo ou cinzas na sua cara, a maior parte do filme não aproveita o recurso, nem em cenas que se encaixariam bem. As cenas de ação logo no início do filme são um exemplo disso: com a câmera na mão balançando pra caramba, não há 3D que se sustente, além de usarem cortes rápidos demais (o que não funciona com 3D). E pior ainda, usam planos mais fechados, que também não combinam com o 3D.

Some-se a isso a atuação de Nicolas Cage, que está em apenas dois modos. O frenético, quando parece que tomou um choque no rabo e não economiza nas caretas e nos gritos, e o apático, quando está visivelmente de saco cheio daquilo e só está lá porque precisa da grana. Quando tem que atuar ao lado de outros atores, Cage faz com uma cara de má vontade, especialmente quando está ao lado do jovem Riordan, em cenas que são importantes na história do filme (afinal, estabelece-se um vínculo entre o velho Blaze e o jovem Danny). Outro ponto que é problemático é no estabelecimento do personagem do Motoqueiro. Graças também a atuação de Cage, o Motoqueiro vira um personagem meio palhaço (e nem é pelo mijo-jato-de-fogo), com uma risada que além de não assustar, parece pouco compatível com o personagem. Basta ver uma das melhores cenas do filme, e já citada acima, a da escavadeira infernal. O Motoqueiro ali não está se divertindo comandando a máquina gigante, está dando aquela risada falsa de novela mexicana da tarde. E o pior é que isso se repete, como quando Cage sai correndo com a moto, e luta para se transformar.
Eu particularmente nunca fui fã das histórias do Motoqueiro Fantasma nos quadrinhos (só li alguns arcos do segundo Motoqueiro Fantasma, que se chamava Danny Ketch - uma referência do Danny neste filme, talvez?) e até achei o primeiro filme não tão ruim quanto a maioria diz. Mas este novo Motoqueiro Fantasma: Espírito de Vingança, é uma punição, quase um olhar de penitência projetado. Uma pena, o personagem merecia coisa melhor.
Trailer:
Para saber mais: crítica no Omelete.

Motoqueiro Fantasma: Espírito de Vingança não é uma continuação do filme anterior do Motoqueiro. É um reboot (pois é, reboot de uma franquia de um filme é f$#@). E se Odin estiver dormindo e permitir outro filme do personagem, não duvido que seja um terceiro reboot. O primeiro filme não era bom, mas este segundo consegue ser pior.
O fiapo de história de Motoqueiro Fantasma: Espírito de Vingança é aquele clichê: o menino Danny (Fergus Riordan) destinado por uma profecia a ser o receptáculo do diabo, junto de sua mãe/MILF do filme Nadya (Violante Placido), está sendo perseguido pelos capangas do coisa ruim Roarke (Ciarán Hinds). E então entra Johnny Blaze (Cage) na história, como herói relutante para salvar o garoto, mesmo que a princípio, ele só deseje se livrar da sua maldição de se tornar o Motoqueiro Fantasma, coisa que foi prometida pelo misterioso Moreau (Idris Elba) em troca de sua ajuda. E coloque aí no meio bandidos do leste europeu super armados, ordens religiosas ocultas e você tem a mistura do filme.

Motoqueiro Fantasma: Espírito de Vingança acerta em algumas coisas. A primeira é levar a ação ao leste europeu, com cenários desoladores e antigas construções, o que dá um clima interessante. A segunda é na construção visual do Motoqueiro, toda estilosa, num bom trabalho de efeitos especiais (mesmo que o nível de detalhes não se mantenha ao longo do filme, como por exemplo, as bolhas do couro da jaqueta meio derretendo, que infelizmente só dá as caras mesmo na primeira aparição do personagem). Além disso, o visual das correntes e da moto são bem bacanas, assim como a ideia de que as máquinas que ele pilota se transformarem (o que rende a melhor cena do filme, ao colocá-lo pilotando uma escavadeira gigante. E a terceira é recontar rapidamente a nova origem do Motoqueiro, sem enrolação.
Agora, a parte ruim de Motoqueiro Fantasma: Espírito de Vingança. O roteiro além de fraco é incoerente. Primeiro o Motoqueiro é apresentado como um descontrolado e faminto por almas, mas mesmo quando tem oportunidade de sobra, ele não consome nenhuma alma dos bandidos. Mas depois vemos que o Motoqueiro age, se não totalmente controlado, pelo menos guiado pela vontade de Johnny Blaze. Além disso, se o visual investe em cenários e locações interessantes, o roteiro vai pelo caminho contrário, oferecendo cenas sem sal, como o ritual no final, ou a própria luta final do Motoqueiro com o diabo Roarke, que não faz sentido algum pra mim (Ah, dane-se o spoiler: se o Motoqueiro acaba com Roarke tão facilmente, por que não fez isso antes? E por que, em primeiro lugar, Roarke iria chamar o Motoqueiro ligando-a ao Blaze, no pacto original? E pior ainda, sabendo que na verdade o Motoqueiro era um Anjo - torturado e corrompido, mas que no final, se mostra ainda vivo em essência?)
A ação é até bacana, mas desperdiça totalmente o 3D. A não ser em uma ou outra cena em que os diretores Mark Neveldine e Brian Taylor esfregam um 3D de fogo ou cinzas na sua cara, a maior parte do filme não aproveita o recurso, nem em cenas que se encaixariam bem. As cenas de ação logo no início do filme são um exemplo disso: com a câmera na mão balançando pra caramba, não há 3D que se sustente, além de usarem cortes rápidos demais (o que não funciona com 3D). E pior ainda, usam planos mais fechados, que também não combinam com o 3D.

Some-se a isso a atuação de Nicolas Cage, que está em apenas dois modos. O frenético, quando parece que tomou um choque no rabo e não economiza nas caretas e nos gritos, e o apático, quando está visivelmente de saco cheio daquilo e só está lá porque precisa da grana. Quando tem que atuar ao lado de outros atores, Cage faz com uma cara de má vontade, especialmente quando está ao lado do jovem Riordan, em cenas que são importantes na história do filme (afinal, estabelece-se um vínculo entre o velho Blaze e o jovem Danny). Outro ponto que é problemático é no estabelecimento do personagem do Motoqueiro. Graças também a atuação de Cage, o Motoqueiro vira um personagem meio palhaço (e nem é pelo mijo-jato-de-fogo), com uma risada que além de não assustar, parece pouco compatível com o personagem. Basta ver uma das melhores cenas do filme, e já citada acima, a da escavadeira infernal. O Motoqueiro ali não está se divertindo comandando a máquina gigante, está dando aquela risada falsa de novela mexicana da tarde. E o pior é que isso se repete, como quando Cage sai correndo com a moto, e luta para se transformar.
Eu particularmente nunca fui fã das histórias do Motoqueiro Fantasma nos quadrinhos (só li alguns arcos do segundo Motoqueiro Fantasma, que se chamava Danny Ketch - uma referência do Danny neste filme, talvez?) e até achei o primeiro filme não tão ruim quanto a maioria diz. Mas este novo Motoqueiro Fantasma: Espírito de Vingança, é uma punição, quase um olhar de penitência projetado. Uma pena, o personagem merecia coisa melhor.
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2012-02-08
Filme: À Beira do Abismo
Um dos grandes problemas hoje em dia é o excesso de informações. Quando se fala em filmes, essa enxurrada de informações pode tanto ajudar, instigando o espectador a assistir o filme, quanto pode prejudicar, quando revela mais do que deveria para se aproveitar o filme. Esse último caso é o que acontece com À Beira do Abismo (ou no original, Man on a Ledge), um filme que é bem razoável caso você não saiba nada sobre ele. E de preferência, não ter visto nem o trailer. Por isso, se você ainda pretende assisti-lo, aconselho a pular este post. Particularmente, eu fui ver o filme sem saber absolutamente nada sobre ele e tive uma boa diversão.

Bem, se você continua lendo, ou não vai ver o filme, ou então já viu, ou ainda não dá a mínima mesmo. Você foi avisado. Uma das coisas interessantes de À Beira do Abismo é como o filme vai se descortinando aos poucos. Este é um filme de roubo, um filme de golpe. Mas, ao contrário de Inception, por exemplo (um filme de golpe super sci-fi), ou de Onze Homens e um Segredo, À Beira do Abismo não segue a cartilha de ir apresentando os personagens responsáveis pelo golpe e seus papéis, tendo quase sempre um novato na equipe (que representa o espectador), para o qual tudo precisa ser explicado. De fato, o filme começa e você tem poucas pistas: conhecemos o personagem principal, Nick Cassidy (Sam "Avatar" Worthington), que se hospeda em um luxuoso hotel, abre uma janela e sai do quarto, ficando na beirada do parapeito no prédio. Através de um flashback, ficamos sabendo também que ele é um ex-policial que foi condenado a 25 anos de prisão e que conseguiu escapar da prisão quando obteve permissão de sair para ir ao funeral do pai. Volta para o momento presente, quando uma multidão se aglomera para ver o homem "à beira do abismo", como sugere o exagerado título nacional. A polícia chega, e Nick pede especificamente para falar com a policial Lydia Mercer (Elizabeth Banks), especializada nesse tipo de negociação (de potenciais suicidas).

A partir daí, o filme se desenrola, revelando aos poucos os seus personagens importantes e a história que levou a essa situação, bem como qual é o golpe, afinal. Dirigido pelo estreante Asger Leth (que só havia feito um documentário até então) e escrito por Pablo F. Fenjves (vindo de filmes de TV), À Beira do Abismo sente uma certa imaturidade, mas nada que estrague completamente a diversão. O filme apresenta algumas boas reviravoltas (como é no caso do irmão de Nick, Joey Cassidy, interpretado por Jamie Bell, o menino bailarino de Billy Elliot) e algumas que são bem forçadas (como o caso do pai de Nick). Aliás, algumas coisas são tão desnecessárias que acabam ficando bobas, como é o caso das cenas da repórter.

Apesar disso, À Beira do Abismo é um filme potencialmente divertido. O alívio cômico na forma das discussões de Joey e sua namorada Angie (Genesis Rodriguez) durante o golpe são tão absurdas que são engraçadas. Além disso, mesmo que sejam cenas totalmente gratuitas (que nos animes é chamado de fan service), as cenas em que Angie mostra seus dotes latinos são ótimas. Longe de mim, reclamar da linda Genesis Rodriguez de lingerie, se enfiando numa roupa de couro/látex. Voltando a falar de atuações, mais especificamente, destaque para Ed Harris, que mesmo caricato, garante bons momentos como o vilão "do mal".

Com cenas de suspense e ação nada inovadoras, mas bem feitas (como por exemplo, aquele velho clichê da gota quase caindo e pondo tudo a perder, já vista em desde Missão Impossível quanto em Homem-Aranha), a primeira grande cena de ação de À Beira do Abismo poderia retratar bem o filme. A cena em questão é a da fuga no cemitério, em que o personagem de Worthington rouba um carro e foge pelo cemitério, conseguindo sair dali e no final, sendo parcialmente atingido por um trem. A cena em si é bem convencional, mas o final dela (o trem atingindo a traseira do carro quando ele está tentando atravessar os trilhos para despitar os policiais) é bem supreendente. E assim é o filme, com cenas convencionais com algumas boas reviravoltas. Mas isso, se você não leu esse texto e nem viu o trailer que eu vou colocar aqui no final. Eu avisei...
Trailer:
Para saber mais: crítica no Omelete.

Bem, se você continua lendo, ou não vai ver o filme, ou então já viu, ou ainda não dá a mínima mesmo. Você foi avisado. Uma das coisas interessantes de À Beira do Abismo é como o filme vai se descortinando aos poucos. Este é um filme de roubo, um filme de golpe. Mas, ao contrário de Inception, por exemplo (um filme de golpe super sci-fi), ou de Onze Homens e um Segredo, À Beira do Abismo não segue a cartilha de ir apresentando os personagens responsáveis pelo golpe e seus papéis, tendo quase sempre um novato na equipe (que representa o espectador), para o qual tudo precisa ser explicado. De fato, o filme começa e você tem poucas pistas: conhecemos o personagem principal, Nick Cassidy (Sam "Avatar" Worthington), que se hospeda em um luxuoso hotel, abre uma janela e sai do quarto, ficando na beirada do parapeito no prédio. Através de um flashback, ficamos sabendo também que ele é um ex-policial que foi condenado a 25 anos de prisão e que conseguiu escapar da prisão quando obteve permissão de sair para ir ao funeral do pai. Volta para o momento presente, quando uma multidão se aglomera para ver o homem "à beira do abismo", como sugere o exagerado título nacional. A polícia chega, e Nick pede especificamente para falar com a policial Lydia Mercer (Elizabeth Banks), especializada nesse tipo de negociação (de potenciais suicidas).

A partir daí, o filme se desenrola, revelando aos poucos os seus personagens importantes e a história que levou a essa situação, bem como qual é o golpe, afinal. Dirigido pelo estreante Asger Leth (que só havia feito um documentário até então) e escrito por Pablo F. Fenjves (vindo de filmes de TV), À Beira do Abismo sente uma certa imaturidade, mas nada que estrague completamente a diversão. O filme apresenta algumas boas reviravoltas (como é no caso do irmão de Nick, Joey Cassidy, interpretado por Jamie Bell, o menino bailarino de Billy Elliot) e algumas que são bem forçadas (como o caso do pai de Nick). Aliás, algumas coisas são tão desnecessárias que acabam ficando bobas, como é o caso das cenas da repórter.

Apesar disso, À Beira do Abismo é um filme potencialmente divertido. O alívio cômico na forma das discussões de Joey e sua namorada Angie (Genesis Rodriguez) durante o golpe são tão absurdas que são engraçadas. Além disso, mesmo que sejam cenas totalmente gratuitas (que nos animes é chamado de fan service), as cenas em que Angie mostra seus dotes latinos são ótimas. Longe de mim, reclamar da linda Genesis Rodriguez de lingerie, se enfiando numa roupa de couro/látex. Voltando a falar de atuações, mais especificamente, destaque para Ed Harris, que mesmo caricato, garante bons momentos como o vilão "do mal".

Com cenas de suspense e ação nada inovadoras, mas bem feitas (como por exemplo, aquele velho clichê da gota quase caindo e pondo tudo a perder, já vista em desde Missão Impossível quanto em Homem-Aranha), a primeira grande cena de ação de À Beira do Abismo poderia retratar bem o filme. A cena em questão é a da fuga no cemitério, em que o personagem de Worthington rouba um carro e foge pelo cemitério, conseguindo sair dali e no final, sendo parcialmente atingido por um trem. A cena em si é bem convencional, mas o final dela (o trem atingindo a traseira do carro quando ele está tentando atravessar os trilhos para despitar os policiais) é bem supreendente. E assim é o filme, com cenas convencionais com algumas boas reviravoltas. Mas isso, se você não leu esse texto e nem viu o trailer que eu vou colocar aqui no final. Eu avisei...
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2011-12-30
Filme: Imortais
Em certa altura do filme Imortais (Immortals, no original), o protagonista e o vilão discutem acerca da imortalidade de seus nomes, de como eles serão lembrados pela História, da lembrança dos seus feitos. O que é bem irônico, uma vez que o filme é daqueles que, se não é de todo o ruim, é bem esquecível.

Imortais conta a história de Teseu (Henry Cavill), que é escolhido por Zeus (Luke Evans, que coincidentemente também foi um deus grego no outro filme de "mitologia", Fúria de Titãs), para derrotar o rei Hipérion (Mickey Rourke), que por não ter atendidas as suas preces para salvar a família de uma doença, resolve declarar guerra aos deuses e libertar os Titãs (da Grécia, não a banda). E ajudando Teseu em sua jornada, ainda temos a bela oráculo virgem (Freida Pinto) e o ladrão Stavros (Stephen Dorff).
Imortais é mais um desses filmes que vem na onda de rever (e, chorem puristas, deturpar e estraçalhar) a mitologia grega (pior ainda que Fúria de Titãs). Por isso, se você é fã de mitologia ou mesmo fã da série de livros do Percy Jackson (estes sim, recomendados para quem curte mitologia grega), finja que estamos num universo paralelo, porque toda a "releitura" da mitologia de Imortais é horrível. Tirando esse fato e ficando somente com os personagens como se eles fossem originais, bem, a história do filme continua bem fraca. Mas tem algumas boas cenas de ação.

Além de ter personagens rasos e unidimensionais, Imortais tem um sério problema no ritmo. Ok, algumas cenas de ação são até bem bacanas (como as batalhas no clímax, no túnel dentro do portão ou dos deuses), mas o espaço entre elas é um tanto quanto... entediante. O fato dos personagens serem unidimensionais prejudica bastante o desenvolvimento do filme, e até demora um bom tempo até que consigamos torcer pelo herói. Além disso, prepare-se para ver combates com o novo estilo predominante de Hollywood, que tem grande influência da estética de filmes chineses de kung-fu (sério, quando os deuses resolvem brigar, Zeus usa até mesmo técnicas chineses de kung-fu com corrente, algo que o Jet Li fazia muitíssimo bem). Junte-se a isso o uso constante de câmeras lentas (menos que em Sucker Punch, mas também muito menos estilosas), e temos cenas de ação boas, mas que destoam muito de qualquer coisa grega. Bem, um lado positivo das cenas é que elas não poupam violência: gargantas cortadas e bolas esmagadas estão lá.

Imortais, cujo cartaz engrandece o fato de ser produzido pelos mesmos produtores de 300, às vezes esquece o fato de que 300 (baseado numa HQ de Frank Miller) era mais do que cenas de ação filmadas à frente de fundo verde e homens malhados semi-nus em fantasias homoeróticas. Isso porque esses elementos estéticos estão novamente presentes. E só temos uma cena em que Freida Pinto aparece pelada pra contrabalancear. Nem pra mostrar Atena (Isabel Lucas) em trajes seminus também, ou mesmo, quem sabe, uma Afrodite... De qualquer maneira, o figurino, assim como toda a direção de arte, é um espetáculo (para o bem ou para o mal) à parte. Ou, no caso figurinos dos deuses, uma certa falta de figurino (tendo como única peça de roupa para identificar cada um deles, um elmo/capacete digno de escola de samba, além de tanguinhas genéricas).

Com atuações medianas (destaque mesmo somente para Rourke bem a vontade como vilão novamente, e para John Hurt como o "velho" em quase uma ponta), Imortais também parece sofrer de outro mal hollywoodiano recente: a de querer, a qualquer custo, fazer novas franquias (que outro motivo para aquele final, hein, diretor Tarsem Singh?)
No final das contas, Imortais até que pode ser divertido. Basta não compará-lo à mitologia "de verdade" e se deixar levar por alguns absurdos. É o preço que se paga para ver as cenas de ação. Não espere, entretanto, lembrar de muita coisa depois de alguns dias, pois este filme não é, nem de muito longe, um daqueles que entram para a história.
Trailer:
Para saber mais: crítica no Omelete.

Imortais conta a história de Teseu (Henry Cavill), que é escolhido por Zeus (Luke Evans, que coincidentemente também foi um deus grego no outro filme de "mitologia", Fúria de Titãs), para derrotar o rei Hipérion (Mickey Rourke), que por não ter atendidas as suas preces para salvar a família de uma doença, resolve declarar guerra aos deuses e libertar os Titãs (da Grécia, não a banda). E ajudando Teseu em sua jornada, ainda temos a bela oráculo virgem (Freida Pinto) e o ladrão Stavros (Stephen Dorff).
Imortais é mais um desses filmes que vem na onda de rever (e, chorem puristas, deturpar e estraçalhar) a mitologia grega (pior ainda que Fúria de Titãs). Por isso, se você é fã de mitologia ou mesmo fã da série de livros do Percy Jackson (estes sim, recomendados para quem curte mitologia grega), finja que estamos num universo paralelo, porque toda a "releitura" da mitologia de Imortais é horrível. Tirando esse fato e ficando somente com os personagens como se eles fossem originais, bem, a história do filme continua bem fraca. Mas tem algumas boas cenas de ação.

Além de ter personagens rasos e unidimensionais, Imortais tem um sério problema no ritmo. Ok, algumas cenas de ação são até bem bacanas (como as batalhas no clímax, no túnel dentro do portão ou dos deuses), mas o espaço entre elas é um tanto quanto... entediante. O fato dos personagens serem unidimensionais prejudica bastante o desenvolvimento do filme, e até demora um bom tempo até que consigamos torcer pelo herói. Além disso, prepare-se para ver combates com o novo estilo predominante de Hollywood, que tem grande influência da estética de filmes chineses de kung-fu (sério, quando os deuses resolvem brigar, Zeus usa até mesmo técnicas chineses de kung-fu com corrente, algo que o Jet Li fazia muitíssimo bem). Junte-se a isso o uso constante de câmeras lentas (menos que em Sucker Punch, mas também muito menos estilosas), e temos cenas de ação boas, mas que destoam muito de qualquer coisa grega. Bem, um lado positivo das cenas é que elas não poupam violência: gargantas cortadas e bolas esmagadas estão lá.

Imortais, cujo cartaz engrandece o fato de ser produzido pelos mesmos produtores de 300, às vezes esquece o fato de que 300 (baseado numa HQ de Frank Miller) era mais do que cenas de ação filmadas à frente de fundo verde e homens malhados semi-nus em fantasias homoeróticas. Isso porque esses elementos estéticos estão novamente presentes. E só temos uma cena em que Freida Pinto aparece pelada pra contrabalancear. Nem pra mostrar Atena (Isabel Lucas) em trajes seminus também, ou mesmo, quem sabe, uma Afrodite... De qualquer maneira, o figurino, assim como toda a direção de arte, é um espetáculo (para o bem ou para o mal) à parte. Ou, no caso figurinos dos deuses, uma certa falta de figurino (tendo como única peça de roupa para identificar cada um deles, um elmo/capacete digno de escola de samba, além de tanguinhas genéricas).

Com atuações medianas (destaque mesmo somente para Rourke bem a vontade como vilão novamente, e para John Hurt como o "velho" em quase uma ponta), Imortais também parece sofrer de outro mal hollywoodiano recente: a de querer, a qualquer custo, fazer novas franquias (que outro motivo para aquele final, hein, diretor Tarsem Singh?)
No final das contas, Imortais até que pode ser divertido. Basta não compará-lo à mitologia "de verdade" e se deixar levar por alguns absurdos. É o preço que se paga para ver as cenas de ação. Não espere, entretanto, lembrar de muita coisa depois de alguns dias, pois este filme não é, nem de muito longe, um daqueles que entram para a história.
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2011-10-18
Filme: Os Três Mosqueteiros
A verdade é que a minha vontade de falar sobre esta nova versão de Os Três Mosqueteiros é nula, portanto, vai apenas um texto rapidinho (ou nem tanto). O filme, que poderia se chamar Os 3D Mosqueteiros (e originalmente se chama The Three Musketeers), é mais uma versão da clássica aventura de espadachins de Alexandre Dumas.

De fato, a não ser que você tenha menos de dez anos, já deve ter visto essa história tantas vezes que já sabe de cor e salteado o fio da meada. O malvado Cardeal Richelieu (Christoph Waltz embolsando uma graninha fácil) é o homem mais poderoso da França, já que o rei Luis XIII (Freddie Fox) é um paspalho infantil que neste filme se preocupa mais com a cor de sua roupa (uma coisa meio gay, de fato), do que se o rei da Inglaterra vai declarar guerra. Richelieu dispensa os serviços dos mosqueteiros (a tropa de elite do rei) em prol da sua própria guarda, deixando assim os já famosos três mosqueteiros Athos (Luke Evans), Portos (Ray Stevenson) e Aramis (Matthew MacFadyen) a ver navios. É quando chega a Paris o jovem e cabeça quente D'Artagnan (Logan Lerman), que acaba marcando duelo com os três mosqueteiros, um de cada vez, claro. Só que o primeiro duelo é interrompido quando a guarda de Richelieu intervém, e os quatro espadachins acabam se unindo contra eles. Além disso, temos as intrigas palacianas envolvendo não só Richilieu, mas também a assassina/mercenária Milady (Milla Jovovich, de novo estrelando um filme do maridão), que tentará incriminar a rainha (Juno Temple) de ter um caso com o Duque de Buckingham (Orlando Bloom).

O diretor Paul W.S. Anderson já havia provado em Resident Evil 4: Recomeço que sabe aproveitar bem o 3D em cenas de ação. Apesar de não tão bem aproveitado quando no Resident Evil, o 3D de Os Três Mosqueteiros é muito bem feito e apresenta uma excelente imersão no filme. Infelizmente, apesar de algumas cenas bem coreografadas de espada (como o combate que interrompe o duelo dos protagonistas), no geral as cenas de ação seguem aquela cartilha clichê, de cortes rápidos e explosões alucinadas (o que gera um ou outro destroço voando na cara do espectador).
E se a fotografia em 3D é sem dúvida o grande destaque de Os Três Mosqueteiros, também não dá pra deixar de mencionar a direção de arte e design, que não recriaram propriamente todo o ambiente histórico, mas o mesclaram com elementos futuristas, numa mistura retrô-futurista (quase um steampunk, mas sem quase vapor) bem bacana. Logo no começo do filme já podemos ver isso, quando os mosqueteiros surgem em sua primeira missão na tela, usando armas muito bacanas e roupas estilizadas, bem ao estilo de videogames (impossível não lembrar do jogo Assassin's Creed ao ver Aramis nesta cena). Aliás, não só no design que o estilo videogame se apresenta, mas também em todo o filme, especialmente pelo seu ritmo e nas coreografias de luta.

Tirando esses dois aspectos, que são majoritariamente visuais (o 3D e o design de produção), todo o resto de Os Três Mosqueteiros vai por ladeira abaixo. O roteiro é cheio de clichês (sério que o pai de D'Artagnan diz a ele que "a verdadeira arma de um mosqueteiro é aqui", apontando para o coração?). Os momentos cômicos também não são nada excepcionais, alguns chegando a ser meio irritantes até (o servo dos mosqueteiros é um exemplo claro disso). Além disso, os personagens são todos unidimensionais e caricatos demais, começando pelos mosqueteiros, cada um especializado em um tipo de luta (por exemplo Athos equilibrado com uma espada, Aramis ágil com duas e Portos no estilo brucutu). Isso para não mencionar todo o pessoal da corte, passando pelo rei meio afeminado (mas que no fundo está apaixonado pela rainha), desde o Cardeal (e Waltz mostra que está escolhendo seus papéis pelo vil metal) até o Buckingham (e Orlando Bloom parece ter ligado o "foda-se" de vez, de tão ruim). Também não ajuda o fato de que nenhum personagem mostra bastante carisma (e o protagonista interpretado por Logan Lerman é quase tão ruim quanto o protagonista de outra bomba, ops, filme, estreado por ele, Percy Jackson e O Ladrão de Raios).
Enfim, Os Três Mosqueteiros só é tragável se assistido numa confortável sala moderna 3D, com ótimos sistema de sons e imagens. Porque no filme, na verdade se salvam duas coisas: o 3D e o design de produção. Ah, os peitos inchados pelos espartilhos das mulheres também agrada (oh, Juno Temple...), mas não chegam a ser um grande diferencial... (Afinal, faltam mulheres de peito no filme. Interprete isso como quiser.)
Trailer:
Para saber mais: crítica no Omelete.

De fato, a não ser que você tenha menos de dez anos, já deve ter visto essa história tantas vezes que já sabe de cor e salteado o fio da meada. O malvado Cardeal Richelieu (Christoph Waltz embolsando uma graninha fácil) é o homem mais poderoso da França, já que o rei Luis XIII (Freddie Fox) é um paspalho infantil que neste filme se preocupa mais com a cor de sua roupa (uma coisa meio gay, de fato), do que se o rei da Inglaterra vai declarar guerra. Richelieu dispensa os serviços dos mosqueteiros (a tropa de elite do rei) em prol da sua própria guarda, deixando assim os já famosos três mosqueteiros Athos (Luke Evans), Portos (Ray Stevenson) e Aramis (Matthew MacFadyen) a ver navios. É quando chega a Paris o jovem e cabeça quente D'Artagnan (Logan Lerman), que acaba marcando duelo com os três mosqueteiros, um de cada vez, claro. Só que o primeiro duelo é interrompido quando a guarda de Richelieu intervém, e os quatro espadachins acabam se unindo contra eles. Além disso, temos as intrigas palacianas envolvendo não só Richilieu, mas também a assassina/mercenária Milady (Milla Jovovich, de novo estrelando um filme do maridão), que tentará incriminar a rainha (Juno Temple) de ter um caso com o Duque de Buckingham (Orlando Bloom).

O diretor Paul W.S. Anderson já havia provado em Resident Evil 4: Recomeço que sabe aproveitar bem o 3D em cenas de ação. Apesar de não tão bem aproveitado quando no Resident Evil, o 3D de Os Três Mosqueteiros é muito bem feito e apresenta uma excelente imersão no filme. Infelizmente, apesar de algumas cenas bem coreografadas de espada (como o combate que interrompe o duelo dos protagonistas), no geral as cenas de ação seguem aquela cartilha clichê, de cortes rápidos e explosões alucinadas (o que gera um ou outro destroço voando na cara do espectador).
E se a fotografia em 3D é sem dúvida o grande destaque de Os Três Mosqueteiros, também não dá pra deixar de mencionar a direção de arte e design, que não recriaram propriamente todo o ambiente histórico, mas o mesclaram com elementos futuristas, numa mistura retrô-futurista (quase um steampunk, mas sem quase vapor) bem bacana. Logo no começo do filme já podemos ver isso, quando os mosqueteiros surgem em sua primeira missão na tela, usando armas muito bacanas e roupas estilizadas, bem ao estilo de videogames (impossível não lembrar do jogo Assassin's Creed ao ver Aramis nesta cena). Aliás, não só no design que o estilo videogame se apresenta, mas também em todo o filme, especialmente pelo seu ritmo e nas coreografias de luta.

Tirando esses dois aspectos, que são majoritariamente visuais (o 3D e o design de produção), todo o resto de Os Três Mosqueteiros vai por ladeira abaixo. O roteiro é cheio de clichês (sério que o pai de D'Artagnan diz a ele que "a verdadeira arma de um mosqueteiro é aqui", apontando para o coração?). Os momentos cômicos também não são nada excepcionais, alguns chegando a ser meio irritantes até (o servo dos mosqueteiros é um exemplo claro disso). Além disso, os personagens são todos unidimensionais e caricatos demais, começando pelos mosqueteiros, cada um especializado em um tipo de luta (por exemplo Athos equilibrado com uma espada, Aramis ágil com duas e Portos no estilo brucutu). Isso para não mencionar todo o pessoal da corte, passando pelo rei meio afeminado (mas que no fundo está apaixonado pela rainha), desde o Cardeal (e Waltz mostra que está escolhendo seus papéis pelo vil metal) até o Buckingham (e Orlando Bloom parece ter ligado o "foda-se" de vez, de tão ruim). Também não ajuda o fato de que nenhum personagem mostra bastante carisma (e o protagonista interpretado por Logan Lerman é quase tão ruim quanto o protagonista de outra bomba, ops, filme, estreado por ele, Percy Jackson e O Ladrão de Raios).
Enfim, Os Três Mosqueteiros só é tragável se assistido numa confortável sala moderna 3D, com ótimos sistema de sons e imagens. Porque no filme, na verdade se salvam duas coisas: o 3D e o design de produção. Ah, os peitos inchados pelos espartilhos das mulheres também agrada (oh, Juno Temple...), mas não chegam a ser um grande diferencial... (Afinal, faltam mulheres de peito no filme. Interprete isso como quiser.)
Trailer:
Para saber mais: crítica no Omelete.
2011-09-25
Filme: Sem Saída
Sendo curto e grosso: Sem Saída (Abduction, no original) é um filme de ação mediano, daqueles que viram filmes da sessão da tarde e você não se importa muito se está passando ou não. Tem algumas cenas de ação bem coreografadas, mas nada espetacular. Do ponto de vista do roteiro, é fraco e previsível.

Dirigido por John Singleton, Sem Saída conta com um elenco estrelar (Alfred Molina, Sigourney Weaver, Maria Belo e Jason Isaacs devem estar precisando de uma graninha pro aluguel), apesar de serem todos papéis secundários, quase pontas. O protagonista do filme é Nathan (Taylor Lautner, mais conhecido como o lobinho sem camisa), um adolescente destemido (e meio idiota, como todo adolescente), que não consegue convidar a vizinha e amor adolescente Karen (Lily Collins) para sair. Um dia Nathan descobre que seus pais não são realmente seus pais, e de quebra, se vê envolvido numa trama que mistura espiões, assassinos, CIA e muitos tiros.
Sem Saída não chega a ser ruim, mas é bem insosso. Tirando talvez as fãs do ator principal (sim, ele aparece sem camisa gratuitamente no filme, como na cena em que acorda de uma festa), não creio que o filme agrade o público em geral (pelo menos, não o público que paga o ingresso).

Talvez o único diferencial de Sem Saída seja o começo do filme. Tentando dar alguma tridimensionalidade ao personagem Nathan, o diretor Singleton gasta um bom tempo tentando construir o personagem. Infelizmente, a atuação fraca de Lautner não é o suficiente para isso. Ou seja, é um tempo perdido.
Na sessão em que eu assisti o filme, um velho mala sentou na fileira atrás da minha, acompanhado dos netos. Ao saber que o filme se chamava Sem Saída, ele fez a piadinha infame de "se é sem saída, por onde vamos sair?" É uma pergunta pertinente, cuja resposta seria "melhor nem entrar".
Trailer:
Para saber mais: crítica no Omelete.

Dirigido por John Singleton, Sem Saída conta com um elenco estrelar (Alfred Molina, Sigourney Weaver, Maria Belo e Jason Isaacs devem estar precisando de uma graninha pro aluguel), apesar de serem todos papéis secundários, quase pontas. O protagonista do filme é Nathan (Taylor Lautner, mais conhecido como o lobinho sem camisa), um adolescente destemido (e meio idiota, como todo adolescente), que não consegue convidar a vizinha e amor adolescente Karen (Lily Collins) para sair. Um dia Nathan descobre que seus pais não são realmente seus pais, e de quebra, se vê envolvido numa trama que mistura espiões, assassinos, CIA e muitos tiros.
Sem Saída não chega a ser ruim, mas é bem insosso. Tirando talvez as fãs do ator principal (sim, ele aparece sem camisa gratuitamente no filme, como na cena em que acorda de uma festa), não creio que o filme agrade o público em geral (pelo menos, não o público que paga o ingresso).

Talvez o único diferencial de Sem Saída seja o começo do filme. Tentando dar alguma tridimensionalidade ao personagem Nathan, o diretor Singleton gasta um bom tempo tentando construir o personagem. Infelizmente, a atuação fraca de Lautner não é o suficiente para isso. Ou seja, é um tempo perdido.
Na sessão em que eu assisti o filme, um velho mala sentou na fileira atrás da minha, acompanhado dos netos. Ao saber que o filme se chamava Sem Saída, ele fez a piadinha infame de "se é sem saída, por onde vamos sair?" É uma pergunta pertinente, cuja resposta seria "melhor nem entrar".
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2011-06-24
Filme: Kung Fu Panda 2
Eu esperava muito pouco da nova animação da Dreamworks, o filme Kung Fu Panda 2. Achei o primeiro filme até simpático, com boas piadas mas com uma história bem fraca (e que tinha como o maior mérito a animação em si, especialmente as coreografias de arte marciais de cada animal seguindo o seu estilo típico do kung-fu). Esperava mais do mesmo, mas ao assistir Kung Fu Panda 2, me surpreendi. E com aquele tipo de surpresa boa.

No primeiro Kung Fu Panda, Po, o panda que dá nome ao filme, aprende kung-fu e se torna uma hábil lutador (ou praticante da arte, como queiram). Neste filme, ele não buscará mais a sua força interior, mas a sua paz interior, numa evolução que o levará a arte mais próxima do tai chi chuan. Mas para descobrir a sua paz interior, Po terá que voltar seus olhos ao passado. E é no passado que o filme começa, contando com uma animação mais estilizada (lembrando um pouco aqueles teatros de bonecos), como um príncipe pavão ordenou a morte de todos os pandas por temer a profecia de que um guerreiro preto e branco o derrotasse. Já no presente, esse pavão Lord Shen ameaça o próprio kung-fu ao utilizar o conhecimento da pólvora para construir imensos canhões. Sem saber a princípio do seu passado, Po e os cinco guerreiros partem para tentar deter Lorde Shen, que já derrotara um dos mestres do kung fu, o mestre Rino(ceronte).
Vale ressaltar também que a animação convencional em 2D, usada para ilustrar o passado de Po em flashbacks, dá um toque muito esperto ao filme. Afinal se o presente é 3D, como mostrar o passado? Além é claro, da animação em 2D ser muito bem produzida, com um toque de estilo oriental.

Uma das melhores coisas de Kung Fu Panda foi a caracterização dos animais como personagens do universo de filmes de kung-fu, e isso se mantém neste segundo filme. Os pavões, por exemplo, como inventores dos fogos de artifício é uma ideia genial, uma vez que a própria natureza bela e exibicionista das caudas dos pavões combina muito com os fogos explodindo nos céus. Fora, claro, a parte do kung-fu, que coloca Lord Shen como especialista na luta com um leque (que, usado em conjunto com sua cauda, forma uma combinação de leques muito bacana). Também repare que os soldados inimigos são lobos e gorilas (animais ameaçadorers), enquanto a população oprimida é formada por coelhos e carneiros (animais tranquilos). E claro, as características de cada animal participante dos cinco guerreiros (víbora, tigresa, macaco, garça e gafanhoto) como lutadores de kung-fu continua igualmente ótima, sendo uma excelente homenagem tanto a filmes de artes marciais quanto às próprias.

Kung Fu Panda 2 tem um arco dramático muito melhor resolvido e mais profundo, na minha opinião. Tanto para Po quanto para Shen, o papel dos seus pais é algo importantíssimo, embora de maneiras totalmente distintas. O filme tem um roteiro bem desenvolvido, mesmo que deixe os personagens secundários apagados (isso, em prol do desenvolvimento do personagem principal e de seu algoz neste filme). Entretanto, o roteiro não se esquece totalmente deles, dando-lhes momentos cômicos ou mesmo em pouquíssimas cenas, desenvolvendo um outro aspecto, como é o caso das cenas da Tigresa com Po.

Isso faz com que Kung Fu Panda 2 tenha menos piadas, mas ganhe mais em história. O que eu considero muito acertado, uma vez que por quanto tempo mais aguentaríamos a quantidade de piadas envolvendo os dotes físicos do urso, coisa que foi explorada a fundo no primeiro filme? Apesar de não terem sido totalmente abandonadas, como bem mostra uma piada mo trailer, sobre a fome de justiça do punho de Po, elas estão em menor quantidade, e mais importante: estão bem equilibradas entre as cenas de ação e o desenvolvimento da história.

É interessante ver a Dreamworks (e alguns outros estúdios) se aproximando do padrão Pixar de contar histórias, focando bastante nas narrativas e não somente na técnica ou no festival de bichinhos fofos, como podemos ver em Como Treinar o seu Dragão (também da Dreamworks), ou mesmo Tá Chovendo Hambúrger (da Sony), que são excelentes animações com histórias igualmente ótimas. Recomendadíssimos, assim como este novo Kung Fu Panda 2.
Trailer:
Para saber mais: crítica no Omelete.

No primeiro Kung Fu Panda, Po, o panda que dá nome ao filme, aprende kung-fu e se torna uma hábil lutador (ou praticante da arte, como queiram). Neste filme, ele não buscará mais a sua força interior, mas a sua paz interior, numa evolução que o levará a arte mais próxima do tai chi chuan. Mas para descobrir a sua paz interior, Po terá que voltar seus olhos ao passado. E é no passado que o filme começa, contando com uma animação mais estilizada (lembrando um pouco aqueles teatros de bonecos), como um príncipe pavão ordenou a morte de todos os pandas por temer a profecia de que um guerreiro preto e branco o derrotasse. Já no presente, esse pavão Lord Shen ameaça o próprio kung-fu ao utilizar o conhecimento da pólvora para construir imensos canhões. Sem saber a princípio do seu passado, Po e os cinco guerreiros partem para tentar deter Lorde Shen, que já derrotara um dos mestres do kung fu, o mestre Rino(ceronte).
Vale ressaltar também que a animação convencional em 2D, usada para ilustrar o passado de Po em flashbacks, dá um toque muito esperto ao filme. Afinal se o presente é 3D, como mostrar o passado? Além é claro, da animação em 2D ser muito bem produzida, com um toque de estilo oriental.
Uma das melhores coisas de Kung Fu Panda foi a caracterização dos animais como personagens do universo de filmes de kung-fu, e isso se mantém neste segundo filme. Os pavões, por exemplo, como inventores dos fogos de artifício é uma ideia genial, uma vez que a própria natureza bela e exibicionista das caudas dos pavões combina muito com os fogos explodindo nos céus. Fora, claro, a parte do kung-fu, que coloca Lord Shen como especialista na luta com um leque (que, usado em conjunto com sua cauda, forma uma combinação de leques muito bacana). Também repare que os soldados inimigos são lobos e gorilas (animais ameaçadorers), enquanto a população oprimida é formada por coelhos e carneiros (animais tranquilos). E claro, as características de cada animal participante dos cinco guerreiros (víbora, tigresa, macaco, garça e gafanhoto) como lutadores de kung-fu continua igualmente ótima, sendo uma excelente homenagem tanto a filmes de artes marciais quanto às próprias.
Kung Fu Panda 2 tem um arco dramático muito melhor resolvido e mais profundo, na minha opinião. Tanto para Po quanto para Shen, o papel dos seus pais é algo importantíssimo, embora de maneiras totalmente distintas. O filme tem um roteiro bem desenvolvido, mesmo que deixe os personagens secundários apagados (isso, em prol do desenvolvimento do personagem principal e de seu algoz neste filme). Entretanto, o roteiro não se esquece totalmente deles, dando-lhes momentos cômicos ou mesmo em pouquíssimas cenas, desenvolvendo um outro aspecto, como é o caso das cenas da Tigresa com Po.
Isso faz com que Kung Fu Panda 2 tenha menos piadas, mas ganhe mais em história. O que eu considero muito acertado, uma vez que por quanto tempo mais aguentaríamos a quantidade de piadas envolvendo os dotes físicos do urso, coisa que foi explorada a fundo no primeiro filme? Apesar de não terem sido totalmente abandonadas, como bem mostra uma piada mo trailer, sobre a fome de justiça do punho de Po, elas estão em menor quantidade, e mais importante: estão bem equilibradas entre as cenas de ação e o desenvolvimento da história.
É interessante ver a Dreamworks (e alguns outros estúdios) se aproximando do padrão Pixar de contar histórias, focando bastante nas narrativas e não somente na técnica ou no festival de bichinhos fofos, como podemos ver em Como Treinar o seu Dragão (também da Dreamworks), ou mesmo Tá Chovendo Hambúrger (da Sony), que são excelentes animações com histórias igualmente ótimas. Recomendadíssimos, assim como este novo Kung Fu Panda 2.
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Para saber mais: crítica no Omelete.
2011-06-20
2011-05-20
Filme: Padre - em 3D
Filmes cujos temas flertam com releituras da tradicional mitologia da Igreja católica, ainda mais com seres sobrenaturais como vampiros (os de verdade, não aqueles que brilham), têm um alto potencial para me agradar. O filme Padre (Priest, no original), nesse contexto, tinha uma alta probabilidade para me agradar. E me agradou um pouco, mas não a ponto de relevar seus (muitos) defeitos.

Baseado num manhwa coreano (manhwas são quadrinhos coreanos - seria isso tão redundante quanto falar em mangá japonês?), Padre se passa num mundo paralelo, onde vampiros sempre existiram, vivendo (e lutando) com a humanidade. Num cenário futurista pós-apocalíptico, a guerra entre vampiros e humanos dizimou o planeta, deixando-o quase todo desértico. A maioria dos humanos restantes vive em grandes cidades industriais, escuras pela fumaça da indústria e onde cinzas caem incessantemente. A guerra terminou quando a Igreja montou uma organização de guerreiros, verdadeiras armas humanas (ou não), chamados de padres. Os padres ganharam a guerra para a Igreja, destruindo a maioria dos vampiros, deixando apenas alguns em reservas controladas (como se fossem índios?). Finda a guerra, a Igreja temendo que esses fortes guerreiros se voltassem contra a própria estrutura ditatorial dela, desmonta a organização e os padres são destituídos de suas permissões, vivendo a margem da sociedade, crendo que os vampiros não mais são uma ameaça. O que, claro, não é verdade (senão, não teríamos um filme).

Neste cenário, o Padre protagonista, sem nome (interpretado por Paul Bettany), recebe a visita do xerife de um posto avançado, Hicks (Cam Gigandet), dizendo que não só vampiros atacaram uma casa, como também levaram a sobrinha do Padre, Lucy (a gatinha Lily Collins). Sem permissão da Igreja, que não mais reconhece a possível ameaça de vampiros, o Padre desafia seus superiores, nas figuras dos monsenhores interpretados por Christopher Plummer e Alan Dale, e parte em busca da menina raptada, ao lado de Hicks.
Padre tinha um bom potencial, mas o roteiro é bem fraco, mesmo considerando-se as lacunas deixadas propositalmente, talvez, para serem exploradas numa possível (mas agora uma tanta improvável) continuação. Por exemplo: os padres eram mais do que humanos normais super treinados? A "vocação" desperta neles (mencionada quando é dito sobre como o protagonista foi chamado para virar o Padre) seria um indício disso (como se fossem mutantes estilo X-men)? Seria por isso que o vilão do filme seria um vampiro especial? E se não fosse, por que a rainha dos vampiros (ah sim, os vampiros seguem um padrão de abelhas no filme, com colméias e uma rainha), não cria mais vampiros especiais (ou vampiros humanos, como é chamado no filme)? E quanto a questão dos monsenhores da Igreja, eram eles estúpidos apenas ou haveria uma intenção oculta em negar a continuidade da existência de vampiros atacando? São questões que o filme deixa em aberto, mas que poderia muito bem ter abordado.

Padre transita entre o filme de ação/aventura e de terror, mas sem ser realmente bom em nenhum dos dois gêneros. É fácil reparar que o filme usa recursos de filmes de terror, ao tentar induzir o espectador a algum suspense ou apreensão, especialmente quando não mostra o que acontece ao redor. Alguém já disse que o mais assustador é o que não se mostra ao público, mas o induz a imaginar (e um exemplo perfeito disso é o final de Se7en). Em Padre, esse artifício é bastante usado, seja na cena em que Lucy é raptada (quando ela se esconde no porão e ocorre uma luta dos pais dela com os vampiros acima, e a câmera foca a expressão de Lucy, entrecortada com a visão das tábuas de madeira e a pouca luz passando entre elas), seja na cena na reserva, em que o Padre cai lutando com um vampiro por um poço, ressurgindo depois de uns instantes de absoluto silêncio.
Entretanto, se no primeiro exemplo a cena até funciona (apesar do clichê), na segunda ela perde totalmente o sentido, uma vez que sabemos que o protagonista e herói não vai morrer, especialmente antes da metade do filme. Ainda sobre essa cena, ela acaba ilustrando outro defeito do filme, enquanto filme de ação: o corte nas cenas de ação. Como esta cena não funciona como terror (afinal, não gera suspense ou surpresa alguma), deveria funcionar como cena de ação (o que vinha acontecendo até então, com o Padre enfrentando alguns vampiros, com uma ação bem decente). Mas a ação para a fim de gerar um suposto suspense ao ver o Padre e o vampiro caírem no poço, suspense este que já disse que não funciona. Outro exemplo de uma cena de ação que teria um ótimo potencial, mas que é cortada, é a luta entre o vampiro vilão do filme (interpretado por Karl Urban) e os três Padres, que acaba mostrando apenas uma primeira luta.

Infelizmente, o filme conta com poucas cenas de ação um pouco mais longas (a luta na reserva, na colmeia e a luta final). São cenas bacanas, mas que não se desenvolvem tanto quanto deveriam, deixando a sensação de que elas sofreram cortes ou foram adaptadas para serem mais curtas. O diretor Scott Stewart até tem um bom olho para orquestrá-las, mas as limitações delas (talvez por razões orçamentárias) estraga a experiência.
Se Padre peca por um roteiro irregular e cenas de ação que muito prometem, mas pouco entregam (decepcionando um pouco assim), a direção de arte no geral é excelente. A ambientação é excelente, e a disparidade entre os cenários urbanos (a cidade sombria e industrial, com cinzas caindo e um clima futurista meio Blade Runner) e os cenários no deserto (que dão ao filme um tom de faroeste) é muito bem explorada (e a cena em que o Padre se distancia da cidade de moto, saindo da sombra da fumaça gerada pela cidade, além de importante para a história, é visualmente muito bacana). Além disso, o figurino também merece destaque, especialmente as roupas estilo de velho oeste americano.

Com atuações decentes (mas nada incrivelmente notável), Padre tem muitas ideias bacanas, mas pouco exploradas. A ditadura da Igreja, por exemplo, fica quase jogada na história, e a vampira rainha mal aparece (e aparece apenas numa penumbra). Fica a impressão de que o diretor Scott Stewart e o roteirista Cory Goodman fizeram o filme pensando em uma continuação (ou uma trilogia, como anda na moda). Infelizmente, a baixa arrecadação até agora não ajuda nesse quesito. O fato de ter sido adiado por várias vezes, por causa da conversão do filme para 3D também não ajudou. Aliás, o 3D é pouco notado, sendo mais visível apenas em alguns planos que já estão virando clássicos pra mostrar o efeito tridimensional, neste caso, os planos dentro da cidade com as cinzas caindo.

Enfim, no geral, Padre é um filme fraco, mas que até agrada numa tarde em que não se tem mais nada para ver. É, sobretudo, um filme que tinha grande potencial. Mas nem sempre um grande potencial se transforma em algo grandioso.
Trailer:

Baseado num manhwa coreano (manhwas são quadrinhos coreanos - seria isso tão redundante quanto falar em mangá japonês?), Padre se passa num mundo paralelo, onde vampiros sempre existiram, vivendo (e lutando) com a humanidade. Num cenário futurista pós-apocalíptico, a guerra entre vampiros e humanos dizimou o planeta, deixando-o quase todo desértico. A maioria dos humanos restantes vive em grandes cidades industriais, escuras pela fumaça da indústria e onde cinzas caem incessantemente. A guerra terminou quando a Igreja montou uma organização de guerreiros, verdadeiras armas humanas (ou não), chamados de padres. Os padres ganharam a guerra para a Igreja, destruindo a maioria dos vampiros, deixando apenas alguns em reservas controladas (como se fossem índios?). Finda a guerra, a Igreja temendo que esses fortes guerreiros se voltassem contra a própria estrutura ditatorial dela, desmonta a organização e os padres são destituídos de suas permissões, vivendo a margem da sociedade, crendo que os vampiros não mais são uma ameaça. O que, claro, não é verdade (senão, não teríamos um filme).
Neste cenário, o Padre protagonista, sem nome (interpretado por Paul Bettany), recebe a visita do xerife de um posto avançado, Hicks (Cam Gigandet), dizendo que não só vampiros atacaram uma casa, como também levaram a sobrinha do Padre, Lucy (a gatinha Lily Collins). Sem permissão da Igreja, que não mais reconhece a possível ameaça de vampiros, o Padre desafia seus superiores, nas figuras dos monsenhores interpretados por Christopher Plummer e Alan Dale, e parte em busca da menina raptada, ao lado de Hicks.
Padre tinha um bom potencial, mas o roteiro é bem fraco, mesmo considerando-se as lacunas deixadas propositalmente, talvez, para serem exploradas numa possível (mas agora uma tanta improvável) continuação. Por exemplo: os padres eram mais do que humanos normais super treinados? A "vocação" desperta neles (mencionada quando é dito sobre como o protagonista foi chamado para virar o Padre) seria um indício disso (como se fossem mutantes estilo X-men)? Seria por isso que o vilão do filme seria um vampiro especial? E se não fosse, por que a rainha dos vampiros (ah sim, os vampiros seguem um padrão de abelhas no filme, com colméias e uma rainha), não cria mais vampiros especiais (ou vampiros humanos, como é chamado no filme)? E quanto a questão dos monsenhores da Igreja, eram eles estúpidos apenas ou haveria uma intenção oculta em negar a continuidade da existência de vampiros atacando? São questões que o filme deixa em aberto, mas que poderia muito bem ter abordado.
Padre transita entre o filme de ação/aventura e de terror, mas sem ser realmente bom em nenhum dos dois gêneros. É fácil reparar que o filme usa recursos de filmes de terror, ao tentar induzir o espectador a algum suspense ou apreensão, especialmente quando não mostra o que acontece ao redor. Alguém já disse que o mais assustador é o que não se mostra ao público, mas o induz a imaginar (e um exemplo perfeito disso é o final de Se7en). Em Padre, esse artifício é bastante usado, seja na cena em que Lucy é raptada (quando ela se esconde no porão e ocorre uma luta dos pais dela com os vampiros acima, e a câmera foca a expressão de Lucy, entrecortada com a visão das tábuas de madeira e a pouca luz passando entre elas), seja na cena na reserva, em que o Padre cai lutando com um vampiro por um poço, ressurgindo depois de uns instantes de absoluto silêncio.
Entretanto, se no primeiro exemplo a cena até funciona (apesar do clichê), na segunda ela perde totalmente o sentido, uma vez que sabemos que o protagonista e herói não vai morrer, especialmente antes da metade do filme. Ainda sobre essa cena, ela acaba ilustrando outro defeito do filme, enquanto filme de ação: o corte nas cenas de ação. Como esta cena não funciona como terror (afinal, não gera suspense ou surpresa alguma), deveria funcionar como cena de ação (o que vinha acontecendo até então, com o Padre enfrentando alguns vampiros, com uma ação bem decente). Mas a ação para a fim de gerar um suposto suspense ao ver o Padre e o vampiro caírem no poço, suspense este que já disse que não funciona. Outro exemplo de uma cena de ação que teria um ótimo potencial, mas que é cortada, é a luta entre o vampiro vilão do filme (interpretado por Karl Urban) e os três Padres, que acaba mostrando apenas uma primeira luta.
Infelizmente, o filme conta com poucas cenas de ação um pouco mais longas (a luta na reserva, na colmeia e a luta final). São cenas bacanas, mas que não se desenvolvem tanto quanto deveriam, deixando a sensação de que elas sofreram cortes ou foram adaptadas para serem mais curtas. O diretor Scott Stewart até tem um bom olho para orquestrá-las, mas as limitações delas (talvez por razões orçamentárias) estraga a experiência.
Se Padre peca por um roteiro irregular e cenas de ação que muito prometem, mas pouco entregam (decepcionando um pouco assim), a direção de arte no geral é excelente. A ambientação é excelente, e a disparidade entre os cenários urbanos (a cidade sombria e industrial, com cinzas caindo e um clima futurista meio Blade Runner) e os cenários no deserto (que dão ao filme um tom de faroeste) é muito bem explorada (e a cena em que o Padre se distancia da cidade de moto, saindo da sombra da fumaça gerada pela cidade, além de importante para a história, é visualmente muito bacana). Além disso, o figurino também merece destaque, especialmente as roupas estilo de velho oeste americano.
Com atuações decentes (mas nada incrivelmente notável), Padre tem muitas ideias bacanas, mas pouco exploradas. A ditadura da Igreja, por exemplo, fica quase jogada na história, e a vampira rainha mal aparece (e aparece apenas numa penumbra). Fica a impressão de que o diretor Scott Stewart e o roteirista Cory Goodman fizeram o filme pensando em uma continuação (ou uma trilogia, como anda na moda). Infelizmente, a baixa arrecadação até agora não ajuda nesse quesito. O fato de ter sido adiado por várias vezes, por causa da conversão do filme para 3D também não ajudou. Aliás, o 3D é pouco notado, sendo mais visível apenas em alguns planos que já estão virando clássicos pra mostrar o efeito tridimensional, neste caso, os planos dentro da cidade com as cinzas caindo.
Enfim, no geral, Padre é um filme fraco, mas que até agrada numa tarde em que não se tem mais nada para ver. É, sobretudo, um filme que tinha grande potencial. Mas nem sempre um grande potencial se transforma em algo grandioso.
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2011-04-18
Filme e Livro: Eu Sou o Número Quatro
Desde que o velho e bom Stan Lee criou os X-Men com seus mutantes que desenvolviam poderes na puberdade, essa boa (e agora já velha) metáfora das mudanças que acontecem nessa fase da vida têm permeado histórias juvenis de heróis. E o último representante dessa linha é o novo filme e livro Eu Sou o Número Quatro (originalmente, I Am Number Four). Pra economizar, e como ando com preguiça de escrever, faço um post só para os dois, livro e filme, já que apesar das diferenças, boa parte da essência da história permanece a mesma.

Em Eu Sou o Número Quatro, os habitantes do planeta Lorien foram dizimados numa invasão pelos perversos e guerreiros habitantes do planeta Mogadore. Entretanto, no meio da invasão, conseguiram enviar para a Terra (o planeta mais próximo de Lorien, tirando Mogadore), nove crianças especiais, acompanhadas cada uma, de um tutor. Essas crianças faziam parte de uma elite loriena chamada Garde. Os membros dessa elite ao chegarem na adolescência, desenvolvem poderes chamados Legados. Poderes esses que são à la X-Men: invisibilidade, telecinésia, força e agilidade, pra citar alguns. A esperança era que essas nove crianças crescessem na Terra e, ao ficarem adultas e com plenos poderes, derrotassem os mogadorianos. Mas os mogadorianos chegam à Terra e começam a caçar essas crianças, de preferência antes que elas desenvolvam os seus Legados. O livro/filme acompanha parte da vida da quarta dessas crianças lorienas que chegou a Terra. Mais especificamente, a época em que ele começa a desenvolver seus Legados.

Já adianto que uma das maiores diferenças entre o livro e o filme é que o filme abandona um dos gêneros aos quais o livro pertence. Se o filme é um filme de ação/aventura com toques de ficção científica e romance adolescente, o livro tem além desses pontos, o gênero fantasia embutido. Se no filme a explicação para os poderes dos garotos(as) é simplesmente ser extra-terrestre, no livro a explicação é: eles são extra-terrestres E de Lorien, porque lá existe magia. Não mágica ou ilusionismo, mas magia. Que é a fonte dos poderes Legados. E como toda essa parte de magia/fantasia foi retirada do filme, sinto que ficou faltando o porquê do número 4. No filme, não tem explicação, ou ela é implícita (a de que as crianças seriam meros números, sem nomes, o que é uma explicação bem capenga, considerando que isso desumaniza a pessoa, vide prisioneiros que são apenas números em cadeias). No livro, a explicação é que, ao sairem de Lorien, para proteger as crianças, um Ancião lançou um feitiço nelas: a de que elas só poderiam ser mortas ou machucadas numa ordem pré-estabelecida, a não ser que elas ficassem juntas num mesmo ambiente. Ou seja, não só explica o número, mas também porque o número quatro é a quarta criança a ser perseguida.
Sim, porque logo no começo de Eu Sou o Número Quatro, vemos o número 3 sendo perseguido e morto por mogadorianos. A cada um dos nove mortos, aparece acima do tornozelo dos restantes uma marca, indicando que um deles foi morto. E isso acontece para o número 4 (interpretado no filme por Alex Pettyfer) enquanto ele está numa festa. Ao saber do ocorrido, o seu tutor Henri (interpretado no filme por Timothy Olyphant) decide mais uma vez se mudar, coisa que é rotina para os dois. Eles estão sempre se mudando e trocando de identidade para despistar os mogadorianos. Desta vez, eles vão para a pequena cidade de Paradise, Ohio, onde o 4 assume o criativo nome de John Smith (o equivalente a "José da Silva" americano). Nesta cidade, ele fará amizade com o obcecado por alienígenas e OVNIS Sam (interpretado por Callan McAuliffe), se apaixonará pela garota mais linda do colégio, Sarah (Dianna Agron), e por causa disso, enfretará o valentão da escola (e claro, astro de futebol americano) Mark (Jake Abel).

Tanto o livro quanto o filme enfocam bastante o lado "drama adolescente": o protagonista que chega num novo colégio, onde enfrenta o valentão pelo coração da menina, e no processo, também faz amizade com outros que sofrem com os valentões. Clichê? Sim, com certeza, mas como é tecnicamente bem feito, é palatável. No filme, o drama é acelerado, o que não o deixa entediante. E no livro, o autor Pittacus Lore (um pseudônimo muito engraçadinho), usa uma narrativa de capítulos curtos, com bons ganchos entre eles, dando agilidade à leitura. Além disso, no livro o drama adolescente é intercalado com a questão do surgimento dos poderes Legados, o treinamento para aperfeiçoá-los e a história de Lorien, aspectos que foram cortados no filme.

Essas lacunas deixam o filme um tanto inferior ao livro, especialmente na questão do desenvolvimento dos personagens. Com um ritmo rápido, o filme Eu Sou o Número Quatro acaba não explorando a amizade de Sam e John a contento, por exemplo, nem a relação paternal entre John e Henri. A passagem da feira municipal com o trem fantasma também é bem inferior no filme, uma vez que no livro, são mais personagens envolvidos. Apesar disso, o filme acerta em ir dando dicas de elementos que só aparecem no final do livro e que soam um tanto Deus Ex Machina no livro, mais especificamente o caso do cachorro de John (reparem no enfoque que o diretor D.J. Caruso dá ao pequeno animal) e a aparição de outra loriena, a número 6 (interpretada no filme pela bela Teresa Palmer), que surge bad-ass e chutando bundas.

Aliás, esse é outro ponto (o de chutar bundas) que considero bastante divergente entre livro e filme. No livro Eu Sou o Número Quatro a ameça mogadoriana é boa parte do tempo apenas uma ideia, mais ou menos como Sauron em Senhor dos Anéis. A ameaça se torna mais concreta apenas no final, quando o autor acelera na ação e faz um final que não admite tomada de fôlego, principalmente pelo inimigo ser mais poderoso do que até então se imaginava. No filme é quase o oposto: a ameaça mogadoriana se mostra sempre presente, em diversas cenas que mostram os mogadorianos no encalço do número 4 (inclusive na ótima cena do supermercado). Só que no final, os mogadorianos são vencidos até facilmente (se comparado com a batalha do livro, claro), dando um aspecto de "super-herói imbatível" aos lorienos. Particularmente, acho a fragilidade deles diante de um inimigo muito maior (pelo menos, no presente momento), o que torna a história mais interessante.

De certo modo, essa aura de fragilidade que o livro me passou e o filme não, do protagonista estar apenas nos seus primeiros passos na sua jornada heróica, se deve ao fato dele ter no livro uns 15 anos, e no filme, o ator Alex Pettyfer ter cara de mais velho. Além disso, outra diferença gritante entre livro e filme é que no filme, logo na sua primeira cena no jet ski, percebemos que o 4 é bem mais chamativo, atraindo a atenção das pessoas com suas manobras radicais (no livro ele também atrai a atenção, mas apenas sem querer). No filme, como um produto fechado, não creio que isso atrapalhe. O problema é numa eventual continuação: se você deixa o seu protagonista muito forte, o seu próximo inimigo também tem que se fortalecer ainda mais, senão o herói vai superar o que? E sem superação, qual é a graça? Tirando esse detalhe, a atuação no geral é boa. Destaque para as meninas, claro, já que Dianna Agron e Teresa Palmer (totalmente diferente de seu trabalho anterior em O Aprendiz de Feiticeiro) estão lindas.

Eu Sou o Número Quatro, o filme, é uma diversão bacana. Sim, tem várias pontas soltas e coisas mal explicadas (a arca loriena que Henri carrega, por exemplo), mas que são explicadas no livro. Talvez a intenção seja explorar esses aspectos numa possível continuação? O ponto é que apesar disso, o filme tem bastante ação, bons efeitos especiais e a história continua interessante. Vale uma sessão da tarde descompromissada.
Eu Sou o Número Quatro, o livro, é uma grande mistura de ficção científica, aventura, drama/romance adolescente e fantasia. É uma leitura agradável e cativante, com uma história claramente voltada ao público adolescente. E os dizeres da capa, com o "autor" afirmando ser uma história verdadeira, dá ao livro um tom engraçado. Ou será que dá pra confiar em alguém que se chama "Pittacus Lore" (lore = folclore) e cujos planetas da história sejam nomes bem tolkenianos? (Lothlorien, floresta onde vive Galadriel, e Mordor, onde reside Sauron, são nomes bem parecidos com Lorien e Mogadore, não?) Engraçadinho.
Trailer do filme:
Para saber mais sobre o filme: crítica no Omelete.

Em Eu Sou o Número Quatro, os habitantes do planeta Lorien foram dizimados numa invasão pelos perversos e guerreiros habitantes do planeta Mogadore. Entretanto, no meio da invasão, conseguiram enviar para a Terra (o planeta mais próximo de Lorien, tirando Mogadore), nove crianças especiais, acompanhadas cada uma, de um tutor. Essas crianças faziam parte de uma elite loriena chamada Garde. Os membros dessa elite ao chegarem na adolescência, desenvolvem poderes chamados Legados. Poderes esses que são à la X-Men: invisibilidade, telecinésia, força e agilidade, pra citar alguns. A esperança era que essas nove crianças crescessem na Terra e, ao ficarem adultas e com plenos poderes, derrotassem os mogadorianos. Mas os mogadorianos chegam à Terra e começam a caçar essas crianças, de preferência antes que elas desenvolvam os seus Legados. O livro/filme acompanha parte da vida da quarta dessas crianças lorienas que chegou a Terra. Mais especificamente, a época em que ele começa a desenvolver seus Legados.
Já adianto que uma das maiores diferenças entre o livro e o filme é que o filme abandona um dos gêneros aos quais o livro pertence. Se o filme é um filme de ação/aventura com toques de ficção científica e romance adolescente, o livro tem além desses pontos, o gênero fantasia embutido. Se no filme a explicação para os poderes dos garotos(as) é simplesmente ser extra-terrestre, no livro a explicação é: eles são extra-terrestres E de Lorien, porque lá existe magia. Não mágica ou ilusionismo, mas magia. Que é a fonte dos poderes Legados. E como toda essa parte de magia/fantasia foi retirada do filme, sinto que ficou faltando o porquê do número 4. No filme, não tem explicação, ou ela é implícita (a de que as crianças seriam meros números, sem nomes, o que é uma explicação bem capenga, considerando que isso desumaniza a pessoa, vide prisioneiros que são apenas números em cadeias). No livro, a explicação é que, ao sairem de Lorien, para proteger as crianças, um Ancião lançou um feitiço nelas: a de que elas só poderiam ser mortas ou machucadas numa ordem pré-estabelecida, a não ser que elas ficassem juntas num mesmo ambiente. Ou seja, não só explica o número, mas também porque o número quatro é a quarta criança a ser perseguida.
Sim, porque logo no começo de Eu Sou o Número Quatro, vemos o número 3 sendo perseguido e morto por mogadorianos. A cada um dos nove mortos, aparece acima do tornozelo dos restantes uma marca, indicando que um deles foi morto. E isso acontece para o número 4 (interpretado no filme por Alex Pettyfer) enquanto ele está numa festa. Ao saber do ocorrido, o seu tutor Henri (interpretado no filme por Timothy Olyphant) decide mais uma vez se mudar, coisa que é rotina para os dois. Eles estão sempre se mudando e trocando de identidade para despistar os mogadorianos. Desta vez, eles vão para a pequena cidade de Paradise, Ohio, onde o 4 assume o criativo nome de John Smith (o equivalente a "José da Silva" americano). Nesta cidade, ele fará amizade com o obcecado por alienígenas e OVNIS Sam (interpretado por Callan McAuliffe), se apaixonará pela garota mais linda do colégio, Sarah (Dianna Agron), e por causa disso, enfretará o valentão da escola (e claro, astro de futebol americano) Mark (Jake Abel).
Tanto o livro quanto o filme enfocam bastante o lado "drama adolescente": o protagonista que chega num novo colégio, onde enfrenta o valentão pelo coração da menina, e no processo, também faz amizade com outros que sofrem com os valentões. Clichê? Sim, com certeza, mas como é tecnicamente bem feito, é palatável. No filme, o drama é acelerado, o que não o deixa entediante. E no livro, o autor Pittacus Lore (um pseudônimo muito engraçadinho), usa uma narrativa de capítulos curtos, com bons ganchos entre eles, dando agilidade à leitura. Além disso, no livro o drama adolescente é intercalado com a questão do surgimento dos poderes Legados, o treinamento para aperfeiçoá-los e a história de Lorien, aspectos que foram cortados no filme.
Essas lacunas deixam o filme um tanto inferior ao livro, especialmente na questão do desenvolvimento dos personagens. Com um ritmo rápido, o filme Eu Sou o Número Quatro acaba não explorando a amizade de Sam e John a contento, por exemplo, nem a relação paternal entre John e Henri. A passagem da feira municipal com o trem fantasma também é bem inferior no filme, uma vez que no livro, são mais personagens envolvidos. Apesar disso, o filme acerta em ir dando dicas de elementos que só aparecem no final do livro e que soam um tanto Deus Ex Machina no livro, mais especificamente o caso do cachorro de John (reparem no enfoque que o diretor D.J. Caruso dá ao pequeno animal) e a aparição de outra loriena, a número 6 (interpretada no filme pela bela Teresa Palmer), que surge bad-ass e chutando bundas.
Aliás, esse é outro ponto (o de chutar bundas) que considero bastante divergente entre livro e filme. No livro Eu Sou o Número Quatro a ameça mogadoriana é boa parte do tempo apenas uma ideia, mais ou menos como Sauron em Senhor dos Anéis. A ameaça se torna mais concreta apenas no final, quando o autor acelera na ação e faz um final que não admite tomada de fôlego, principalmente pelo inimigo ser mais poderoso do que até então se imaginava. No filme é quase o oposto: a ameaça mogadoriana se mostra sempre presente, em diversas cenas que mostram os mogadorianos no encalço do número 4 (inclusive na ótima cena do supermercado). Só que no final, os mogadorianos são vencidos até facilmente (se comparado com a batalha do livro, claro), dando um aspecto de "super-herói imbatível" aos lorienos. Particularmente, acho a fragilidade deles diante de um inimigo muito maior (pelo menos, no presente momento), o que torna a história mais interessante.
De certo modo, essa aura de fragilidade que o livro me passou e o filme não, do protagonista estar apenas nos seus primeiros passos na sua jornada heróica, se deve ao fato dele ter no livro uns 15 anos, e no filme, o ator Alex Pettyfer ter cara de mais velho. Além disso, outra diferença gritante entre livro e filme é que no filme, logo na sua primeira cena no jet ski, percebemos que o 4 é bem mais chamativo, atraindo a atenção das pessoas com suas manobras radicais (no livro ele também atrai a atenção, mas apenas sem querer). No filme, como um produto fechado, não creio que isso atrapalhe. O problema é numa eventual continuação: se você deixa o seu protagonista muito forte, o seu próximo inimigo também tem que se fortalecer ainda mais, senão o herói vai superar o que? E sem superação, qual é a graça? Tirando esse detalhe, a atuação no geral é boa. Destaque para as meninas, claro, já que Dianna Agron e Teresa Palmer (totalmente diferente de seu trabalho anterior em O Aprendiz de Feiticeiro) estão lindas.
Eu Sou o Número Quatro, o filme, é uma diversão bacana. Sim, tem várias pontas soltas e coisas mal explicadas (a arca loriena que Henri carrega, por exemplo), mas que são explicadas no livro. Talvez a intenção seja explorar esses aspectos numa possível continuação? O ponto é que apesar disso, o filme tem bastante ação, bons efeitos especiais e a história continua interessante. Vale uma sessão da tarde descompromissada.
Eu Sou o Número Quatro, o livro, é uma grande mistura de ficção científica, aventura, drama/romance adolescente e fantasia. É uma leitura agradável e cativante, com uma história claramente voltada ao público adolescente. E os dizeres da capa, com o "autor" afirmando ser uma história verdadeira, dá ao livro um tom engraçado. Ou será que dá pra confiar em alguém que se chama "Pittacus Lore" (lore = folclore) e cujos planetas da história sejam nomes bem tolkenianos? (Lothlorien, floresta onde vive Galadriel, e Mordor, onde reside Sauron, são nomes bem parecidos com Lorien e Mogadore, não?) Engraçadinho.
Trailer do filme:
Para saber mais sobre o filme: crítica no Omelete.
2011-04-03
Filme: Fúria Sobre Rodas - em 3D
Eu gosto do ator Nicholas Cage, mas ultimamente seus filmes não têm sido muito bons. Quando eles são medianamente bons, é uma surpresa. Por isso, quando vi o trailer de Fúria Sobre Rodas (ou Drive Angry no original), achei que seria a maior galhofa. Eu não estava errado quanto a isso (o filme é uma galhofa do início ao fim), mas até que consegue divertir.

Claro, não espere muita coerência e respeito pela física e bom senso no filme, afinal o que está ali pra ser visto e apreciado são os tiros, explosões e carros a mil. Nesse quesito, o filme não é nada inovador, mas tem boas cenas, sobretudo aquelas envolvendo carros e perseguições. O 3D, que é uma das chamadas principais do filme (é alardeado que foi filmado em 3D e não convertido), está ali presente e funciona, mas a impressão é que o diretor Patrick Lussier não sabe aproveitá-lo dentro do contexto da história do filme. De fato, depois da primeira cena do filme (em que uma caminhonete faz uma curva errada só pra levantar folhas secas que ficarão legais em 3D na tela), o 3D só ganha destaque em planos óbvios, como as balas saindo de armas e vindo em direção à tela, coisa que o diretor parece ter fetiche em mostrar. De fato, ele parece estar seguindo uma fórmula que já utilizou em Dia dos Namorados Macabro 3D, seu filme anterior, que tem como único mérito o 3D. Infelizmente neste Fúria Sobre Rodas, o impacto causado pela tecnologia é bem menor.

Fúria Sobre Rodas nos apresenta o personagem John Milton (Nicholas Cage), um cara durão e mal encarado que procura por Johan King (Billy Burke) líder de uma seita satânica que assassinou a filha de Milton e raptou a sua neta. Em seu caminho, Milton acaba topando com a gostosa do filme Piper (Amber Heard), que ele acaba carregando consigo depois de ajudá-la após aquelas típicas cenas clichê da história dela: garçonete de beira de estrada, bulinada pelo chefe gordo e porco, pede demissão e por fim briga com o namorado que a trai. Essa inusitada dupla vai atrás de King e da neta de Milton, que ainda tem que lidar com o misterioso Contador (William Fichtner), que o persegue, tentando levar Milton de volta à sua prisão. No caso do filme, o inferno. Sim, John Milton (olha a referência descarada no nome do personagem) fugiu do inferno pra impedir a neta de ser morta pelo culto satânico num ritual. Não que o culto ou o ritual funcionem, mas o que importa é o que os seguidores pensam. E estes vão fazer de tudo para que Milton seja morto. De novo.

Com atuações caricatas de todos os atores (especialmente Burke com sua voz rouca), Fúria Sobre Rodas não tem medo de se assumir assim: caricato, um verdadeiro filme B dos anos 70 ou 80. E isso se apresenta não somente na história, mas em todo o clima do filme, desde a fotografia até a música. Nesse contexto, o filme até é divertidinho. O exagero e o caricatural são tão grandes que você acaba soltando risada do absurdo que aparece na tela, ao ver que nem o filme se leva muito a sério.
E não poderia deixar de citar outra herança dos filmes B que Fúria Sobre Rodas traz consigo: o da grande tradição de mostrar mulheres peladas. Apesar da protagonista Piper não fazer esse papel (uma pena, já que a Amber Heard é bem bonitinha), o filme não deixa de mostrar mulheres nuas. Inclusive em uma cena muito chupada (no bom sentido) de outro filme, em que o protagonista Milton enfrenta um bando de inimigos enquanto faz sexo. Entretanto, falta muito para Nicholas Cage chegar aos pés de Clive Owen mandando bala na Monica Belucci.

Enfim, Fúria Sobre Rodas é um filme palatável se você estiver procurando uma diversão descompromissada (e desacerebrada). Assumidamente um filme galhofa e caricato, ele tem no 3D seu maior marketing. 3D que está ali e que funciona, mas que não faz com que o filme compense ser visto só por esse aspecto. No fim, eu diria que mais uma vez, Nicholas Cage fez um filme só pra pagar as contas.
Trailer:
Para saber mais: crítica no Omelete.

Claro, não espere muita coerência e respeito pela física e bom senso no filme, afinal o que está ali pra ser visto e apreciado são os tiros, explosões e carros a mil. Nesse quesito, o filme não é nada inovador, mas tem boas cenas, sobretudo aquelas envolvendo carros e perseguições. O 3D, que é uma das chamadas principais do filme (é alardeado que foi filmado em 3D e não convertido), está ali presente e funciona, mas a impressão é que o diretor Patrick Lussier não sabe aproveitá-lo dentro do contexto da história do filme. De fato, depois da primeira cena do filme (em que uma caminhonete faz uma curva errada só pra levantar folhas secas que ficarão legais em 3D na tela), o 3D só ganha destaque em planos óbvios, como as balas saindo de armas e vindo em direção à tela, coisa que o diretor parece ter fetiche em mostrar. De fato, ele parece estar seguindo uma fórmula que já utilizou em Dia dos Namorados Macabro 3D, seu filme anterior, que tem como único mérito o 3D. Infelizmente neste Fúria Sobre Rodas, o impacto causado pela tecnologia é bem menor.
Fúria Sobre Rodas nos apresenta o personagem John Milton (Nicholas Cage), um cara durão e mal encarado que procura por Johan King (Billy Burke) líder de uma seita satânica que assassinou a filha de Milton e raptou a sua neta. Em seu caminho, Milton acaba topando com a gostosa do filme Piper (Amber Heard), que ele acaba carregando consigo depois de ajudá-la após aquelas típicas cenas clichê da história dela: garçonete de beira de estrada, bulinada pelo chefe gordo e porco, pede demissão e por fim briga com o namorado que a trai. Essa inusitada dupla vai atrás de King e da neta de Milton, que ainda tem que lidar com o misterioso Contador (William Fichtner), que o persegue, tentando levar Milton de volta à sua prisão. No caso do filme, o inferno. Sim, John Milton (olha a referência descarada no nome do personagem) fugiu do inferno pra impedir a neta de ser morta pelo culto satânico num ritual. Não que o culto ou o ritual funcionem, mas o que importa é o que os seguidores pensam. E estes vão fazer de tudo para que Milton seja morto. De novo.
Com atuações caricatas de todos os atores (especialmente Burke com sua voz rouca), Fúria Sobre Rodas não tem medo de se assumir assim: caricato, um verdadeiro filme B dos anos 70 ou 80. E isso se apresenta não somente na história, mas em todo o clima do filme, desde a fotografia até a música. Nesse contexto, o filme até é divertidinho. O exagero e o caricatural são tão grandes que você acaba soltando risada do absurdo que aparece na tela, ao ver que nem o filme se leva muito a sério.
E não poderia deixar de citar outra herança dos filmes B que Fúria Sobre Rodas traz consigo: o da grande tradição de mostrar mulheres peladas. Apesar da protagonista Piper não fazer esse papel (uma pena, já que a Amber Heard é bem bonitinha), o filme não deixa de mostrar mulheres nuas. Inclusive em uma cena muito chupada (no bom sentido) de outro filme, em que o protagonista Milton enfrenta um bando de inimigos enquanto faz sexo. Entretanto, falta muito para Nicholas Cage chegar aos pés de Clive Owen mandando bala na Monica Belucci.
Enfim, Fúria Sobre Rodas é um filme palatável se você estiver procurando uma diversão descompromissada (e desacerebrada). Assumidamente um filme galhofa e caricato, ele tem no 3D seu maior marketing. 3D que está ali e que funciona, mas que não faz com que o filme compense ser visto só por esse aspecto. No fim, eu diria que mais uma vez, Nicholas Cage fez um filme só pra pagar as contas.
Trailer:
Para saber mais: crítica no Omelete.
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