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2017-12-25

Assédio moral é perseguição contínua de superior a subordinado - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 25/12/2017, com um ouvinte que teve uma má avaliação de desempenho e quer saber se considera isso como assédio moral.

Áudio original disponível no site da CBN. E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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Assédio moral é perseguição contínua de superior a subordinado

assédio moral

Um ouvinte escreve: "A empresa em que trabalho tem um processo formal de avaliação de desempenho. E fui surpreendido quando meu gestor me disse que o meu trabalho estava abaixo das expectativas, e que ele teria que tomar medidas drásticas, caso eu não melhorasse. Ele mencionou dois ou três fatos sobre o meu desempenho, mas nenhum deles é grave o suficiente para uma medida drástica, que eu entendo, seja uma demissão. Devo considerar essa ameaça como assédio moral?"

Humm, não. Assédio moral é uma perseguição contínua de um superior a um subordinado.

Se até o momento da avaliação você não se sentia perseguido, injustiçado, humilhado, e se não estava sendo tratado de modo diferente daquele que o seu gestor tratava os seus colegas, eu sugiro que você tente entender a avaliação inesperada pelo que ela realmente foi: um sinal de alerta.

Sua primeira medida prática seria se concentrar nos dois ou três pontos levantados, para que a eventual repetição deles não passe a impressão de que você ouviu e não ligou.

Espero que o seu gestor tenha também lhe dito coisas positivas sobre o seu trabalho, porque esse é o propósito de uma avaliação de desempenho: ressaltar o que é bom e prevenir sobre o que não é tão bom.

Se o seu gestor somente mencionou os aspectos negativos, ele falhou na hora de avaliar. Mas isso não invalida o conteúdo do que lhe foi dito.

Em resumo, tanto ele, quanto você, estão precisando melhorar.

Max Gehringer, para CBN.

2017-05-30

'Meus funcionários são viciados em redes sociais' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 30/05/2017, com um ouvinte que é gestor e que tem dois subordinados que são viciados em redes sociais.

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'Meus funcionários são viciados em redes sociais'

viciados em redes sociais

Um ouvinte escreve: "Sou coordenador de uma equipe de onze funcionários. Dois deles são, por assim dizer, viciados em redes sociais: não conseguem passar dez minutos sem checar mensagens e isso os torna dispersivos no trabalho. Já os alertei para esse fato, mas eles parecem não resistir à tentação. O que posso fazer a respeito?"

É interessante como alguns gestores estão se tornando compreensivos. Talvez seja influência de coisas que eles leem sobre assédio moral e que talvez possa levá-los a concluir que se tornou proibido sequer chamar a atenção dos subordinados.

O que você tem a fazer, se isso for possível, é estabelecer metas diárias numéricas para toda a equipe. Se a dispersão a que você se refere realmente existir apenas no caso dos dois ligados na rede, segue-se uma advertência verbal, outra por escrito e uma demissão. Se não for possível fixar as metas, a sequência é a mesma: aviso, advertências e demissão.

Pode-lhe parecer que essas medidas sejam um pouco extremas, mas você é pago para garantir que as tarefas serão executadas com a mesma eficiência por todos os subordinados. E que aqueles que estão trabalhando corretamente não achem que os que não estão, estejam sendo protegidos.

Advertências não precisam ser feitas em tom de ameaça, pelo contrário: seja claro, sem alterar a voz e sem se exaltar. Isso faz parte do seu trabalho.

Só tome o cuidado na hora de contratar os substitutos de perguntar se eles aguentam ficar um par de horas desligados de redes sociais.

Max Gehringer, para CBN.

2017-05-23

'Bronca pode ser considerado assédio moral?' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 23/05/2017, com um ouvinte que levou uma bronca por não ter entregue um relatório no prazo estipulado e quer saber se isso pode ser considerado assédio moral.

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'Bronca pode ser considerado assédio moral?'

bronca assédio moral

Um ouvinte escreve e a mensagem dele é longa, mas basicamente ele levou uma bronca do superior hierárquico por não ter entregue um relatório dentro do prazo estipulado. E quer saber se:

1 - Sofreu assédio moral?
2 - A quem deve reportar o fato?
3 - O que pode ser feito para evitar que tal grosseria se repita?

Começando pela terceira indagação, a dita grosseria não se repetirá se os prazos forem cumpridos. Quanto à primeira, a do assédio moral, ela somente pode vir a se tornar um fato se as broncas forem ofensivas e repetitivas. E quanto à segunda, a quem reclamar, existe um setor próprio para isso nas empresas, que é a área de recursos humanos.

O que posso deduzir da mensagem é que o ouvinte não vem sendo sistematicamente perseguido ou ofendido, porque se esse fosse o caso, ele o teria relatado.

O que posso dizer é: calma, gente! O mercado de trabalho melhorou em termos de tratamento e precisa continuar melhorando, mas não se tornou e nem vai se tornar uma utopia em que um superior hierárquico não pode repreender um subordinado que deixa de cumprir o prazo.

Existem empresas que não tratam os seus funcionários com o devido respeito? Sim. Existem chefes sem-noção? Sim. Mas isso não ocorre o tempo todo, em todo lugar e em qualquer situação.

Reclamar é um direito que deve ser exercido, mas é preciso saber separar um instante de irritação de uma ação contínua, constante e abusiva.

Max Gehringer, para CBN.

2017-04-10

'Não sei como lidar com os comentários de mau gosto do meu chefe' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 10/04/2017, com um ouvinte que pensa em mover um processo de assédio moral contra seu chefe.

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'Não sei como lidar com os comentários de mau gosto do meu chefe'

assédio moral no trabalho

Um ouvinte escreve: "Meu gestor é todo cheio de gracinhas. Coloca apelidos degradantes nos subordinados e faz frequentes comentários de mau gosto sobre nossos hábitos, comportamento e vestuário. Alguns colegas não ligam, outros não gostam, mas se sujeitam porque precisam do emprego. E outros estão muito irritados, como é o meu caso. Pergunto se posso mover um processo de assédio moral contra esse gestor sem noção?"

Sim, você pode. Mas antes seria conveniente você esgotar duas possibilidades: a de fazer uma reclamação à área de recursos humanos na empresa e, caso nenhuma providência seja tomada, a de procurar o sindicato da categoria e pedir orientação jurídica. Você pode fazer isso mesmo não sendo sindicalizado.

Permita-me agora antecipar-lhe duas coisas. A primeira é que você necessitará de provas e de testemunhas para comprovar a sua acusação. E a segunda é que processos dessa natureza costumam ser bem demorados. Isso não significa que você deva desistir de buscar os seus direitos, mas apenas que deve estar preparado para uma situação que pode ser longa e desgastante.

Porém há um fator a favor do empregado: hoje as empresas estão muito mais sensíveis a esse tipo de denúncia do que estavam há 10 anos. Desde que cair nas redes sociais passou a ser considerado algo muito sério para a imagem corporativa, cada vez mais empresas costumam contornar internamente e rapidamente os lapsos de dignidade de seus gestores, para evitar que o caso se torne público e venha a causar estragos.

Max Gehringer, para CBN.

2016-08-01

'Sofrer abuso verbal é motivo para uma ação por dano moral?' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 01/08/2016, com casos que se enquadram em ações por assédio moral.

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'Sofrer abuso verbal é motivo para uma ação por dano moral?'

assédio moral no trabalho

Uma ouvinte escreve: "Tenho sofrido abusos verbais de minha chefia. Não só eu, mas todos os meus colegas. Qualquer assunto é tratado no grito e nossos argumentos são sempre desprezados, com ameaças do tipo 'se não está satisfeita, peça a conta'. Estou seriamente pensando em pedir demissão e pergunto se esse tipo de tratamento é causa para uma ação de assédio moral?"

Sim, é. O chamado dano moral é a modalidade que mais cresce nas ações trabalhistas. Há 30 anos, menos de 1% das ações que chegavam ao Superior Tribunal do Trabalho eram relacionadas ao dano moral. Atualmente o número já está em 10% e vem aumentando a cada ano.

Há vários outros casos de ações que se enquadram nessa modalidade. Por exemplo:

- A empresa regular a quantidade de vezes em que o empregado vai ao banheiro e controlar o tempo que é passado nele.
- A transferência de um empregado que trabalha em um ambiente físico aceitável, para outro local, sufocante, sem janelas ou com mal cheiro.
- O isolamento de um empregado que é encostado em uma mesa sem nenhuma tarefa para executar.
- Ou a pressão para atingir resultados claramente inatingíveis e as ameaças constantes da chefia para os que ficam mais distante das metas.

Ou seja, muita coisa que era vista como normal há 30 anos deixou de ser. O número de ações trabalhistas só reflete essa mudança de mentalidade do empregado, que se tornou mais atento e menos conformado.

Max Gehringer, para CBN.

2016-06-14

'Denuncio o gerente que xinga e humilha os funcionários?' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 14/06/2016, com uma ouvinte que tem um chefe que xinga e humilha seus funcionários.

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'Denuncio o gerente que xinga e humilha os funcionários?'

chefe mal educado

Escreve uma ouvinte: "Já tive quatro empregos sem nenhum problema com meus chefes. Recentemente comecei no meu quinto emprego e já no primeiro dia, tomei um susto. O gerente xinga e humilha os funcionários. Meus colegas me disseram que esse é o jeito dele e que eu me acostumaria. Mas passou-se um mês e não me acostumei e nem vou me acostumar. O que posso fazer? Denunciar o gerente à direção da empresa, pedir a conta, entrar com um processo por assédio moral?"

Sim, você pode fazer tudo isso. Não creio que a direção iria se sensibilizar com uma carta de denúncia, porque o modo de proceder do gerente certamente é de conhecimento dos superiores dele.

No caso do processo por assédio, você precisaria de testemunhas que corroborem a humilhação a que você se referiu. Se a empresa conseguir testemunhas que contradigam as suas afirmações, há poucas possibilidades de que você tenha sucesso ao pleitear uma indenização.

Resta-lhe então demitir-se, o que seria uma pena, porque concordo com você que chefes trogloditas já deveriam ter sido extintos do mercado.

Em futuras entrevistas de emprego, você terá que explicar por que pediu a conta com um mês de casa. Diga a verdade, mas sem se exaltar e nem exagerar nos exemplos. Somente mantendo a serenidade você irá convencer o entrevistador de que o problema era mesmo o comportamento boquirroto do gerente, e não a sua falta de adaptação a um ambiente de forte pressão.

Max Gehringer, para CBN.

2016-04-14

Empresas não podem controlar acesso aos banheiros - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 14/04/2016, com um ouvinte que trabalha em uma empresa que decidiu trancar os banheiros e controlar o acesso a eles.

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Empresas não podem controlar acesso aos banheiros

banheiro do trabalho

A cada dia acontecem coisas que parecem resquícios de outros tempos. Até ali pelos anos 70 do século passado, existiam empresas que controlavam o acesso dos empregados ao banheiro. A chave ficava em poder do chefe e o empregado precisava pedi-la para poder ir fazer o indispensável. Isso hoje é só uma antiga lembrança de outra época? Pelo jeito, não.

Um ouvinte escreve: "Recentemente tem havido alguns problemas no banheiro feminino aqui da empresa em que trabalho e para coibir isso, a direção decidiu que todos os banheiros ficassem trancados. E quem precisasse usá-los, precisaria pedir a chave ao gerente. Isso é altamente constrangedor e pergunto se a empresa pode tomar tal medida?"

Vamos lá. A legislação trabalhista é repleta de artigos e não são poucos os que podem permitir interpretações diferentes, dependendo de que lado da questão um advogado trabalhista esteja. Esse parece ser o caso aí da sua empresa. Por um lado, é permitido a ela tomar medidas para preservar o patrimônio. E por outro lado, os empregados não podem ser submetidos a tratamentos humilhantes ou constrangedores.

Pode até ser que a sua empresa tenha argumentos convincentes para trancar as portas dos banheiros por um período curto e limitado, dependendo da gravidade desses problemas a que você se referiu. Mas eu espero que o bom senso, o respeito e a civilidade prevaleçam. E que rapidamente o acesso aos sanitários seja liberado para que você e seus colegas voltem a sentir que trabalham em uma empresa do século 21.

Max Gehringer, para CBN.

2016-04-07

Ser chamado de puxa-saco é bullying? - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 07/04/2016, com um ouvinte que é chamado de puxa-saco pelos colegas.

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Ser chamado de puxa-saco é bullying?

bullying no trabalho

Um ouvinte escreve: "Sou elogiado por meus superiores por sempre me dispor a fazer mais do que me é pedido, inclusive ficar depois do expediente para terminar algum trabalho. Eventualmente o meu gerente me usa como exemplo quando algum colega não está se esforçando como deveria. Eu fico feliz com os cumprimentos, mas os meus colegas me tratam mal, fazem piadas, dizem que sou puxa-saco e outras coisas piores. Isso é bullying?"

Em inglês, sim. O verbo significa atemorizar, intimidar, com o objetivo de provocar medo em quem é mais fraco.

Em qualquer empresa, quando vários empregados de nível semelhante trabalham num mesmo ambiente, é comum haver um certo ritmo de trabalho comum a todos, puxado, mas não exagerado. Porém sempre existem os extremos. De um lado, os que querem trabalhar menos, de outro, os que se esforçam mais. Não raramente, esses acabam sendo tratados pelos colegas como maus exemplos porque, comparativamente, a sua eficiência expõe as deficiências dos demais.

Aí é que entra algo chamado marketing pessoal, que é a arte de se dar bem com todos. No seu caso, oferecer ajuda, não se vangloriar pelos elogios recebidos, participar de qualquer atividade conjunta com os colegas e não só aceitar as piadas, como também fazer piadas sobre si mesmo. Quando tudo isso é feito, a inveja vira respeito.

Agora, se você não quiser fazer nada disso, por questão de temperamento, a opção seria você ignorar o que ouve, pensando que o seu futuro profissional será melhor do que o daqueles que tentam atemorizá-lo.

Max Gehringer, para CBN.

2015-10-21

'Meu chefe diz que a direção não vê com bons olhos meu namoro com uma colega' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 21/10/2015, sobre namoros entre colegas de empresa e assédio moral.

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'Meu chefe diz que a direção não vê com bons olhos meu namoro com uma colega'

namoro colegas de trabalho

Um ouvinte escreve: "Comecei a namorar uma colega de trabalho e o meu chefe me disse que a empresa não podia proibir o namoro, mas que essa situação não era vista com bons olhos pela direção. Isso não seria assédio moral?"

Bom, do jeito que as coisas vão, até espirro de chefe anda sendo interpretado como assédio moral. No seu caso, não é. Mas poderia passar a ser, caso você começasse a ser perseguido por seu chefe. Se ele deixar de falar com você ou não lhe der uma oportunidade que você estava esperando ou, o que seria pior, se ele passasse a ofendê-lo publicamente por qualquer motivo.

Enquanto o comportamento dele não mudar de forma radical, o que está havendo é apenas uma determinação meio medieval da empresa, que ele está cumprindo.

No passado, muitas empresas agiam assim com relação a namoro e casamento entre empregados. Hoje em dia já não é tão frequente. Há uma tácita convenção de que a empresa não tem nada a ver com a vida pessoal de seus funcionários e que só deve manifestar algum desagrado se uma situação começar a interferir diretamente no rendimento profissional.

E mesmo assim, o chefe não precisa botar o dedo na ferida. Deve somente se colocar à disposição para colaborar, caso o empregado ache que essa colaboração será bem vinda.

Obviamente, a empresa pode substituir quem não está tendo o desempenho esperado, depois de ter sido avisado várias vezes. Logo, você só corre riscos se a sua paixão fizer o seu rendimento profissional despencar. Mas normalmente ocorre o contrário: quem ama, melhora.

Max Gehringer, para CBN.

2015-03-26

'Fui chamado de retardado pelo meu supervisor na frente de outros colegas' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 26/03/2015, com um ouvinte que foi chamado de retardado pelo supervisor na frente de seus colegas.

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'Fui chamado de retardado pelo meu supervisor na frente de outros colegas'

assédio moral no trabalho

Um ouvinte escreve: "Fui chamado de 'retardado' por meu supervisor na frente de meus colegas de trabalho. O que posso fazer?"

Do ponto de vista legal, você pode mover uma ação por assédio moral contra o seu supervisor. Faça uma busca na internet e você verá que há muitas sentenças favoráveis de juízes a empregados que moveram esse tipo de ação.

Mas antes que você saia procurando um advogado, eu acrescentaria duas coisas. A primeira é que a maioria dessas ações foi movida por funcionários concursados do serviço público, que não corriam o risco de serem dispensados.

E a segunda é que outra boa parte moveu a ação depois que deixou a empresa, e não enquanto ainda estava nela. Por que? Porque a empresa pode demitir um empregado alegando outro motivo qualquer. E aí, alegar que o xingamento havia sido, sem dúvida, censurável, mas nada tivera a ver com a dispensa.

Então, se você não quer correr nenhum risco, registre bem o fato, com data, horário, local e nomes de testemunhas e mova a ação depois que você já estiver trabalhando em outra empresa.

A segunda situação possível seria a de sua empresa tomar uma providência contra o supervisor se você denunciá-lo ao setor de recursos humanos. Se existem antecedentes em sua empresa quanto a isso, essa seria a melhor solução. Se não existem, você pode ser o primeiro a tentar.

De qualquer forma, não deixe o caso ficar por isso mesmo. Agora ou no futuro, tome uma providência. Passou o tempo em que humilhações desse tipo ficavam sem punição.

Max Gehringer, para CBN.

2014-11-24

Se o superior não disser que não lhe ofereceu promoção por participação em greve, é difícil comprovar assédio moral - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 24/11/2014, com um ouvinte que ficou conhecido como um dos principais incentivadores de uma greve passada e agora foi preterido em uma promoção.

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Se o superior não disser que não lhe ofereceu promoção por participação em greve, é difícil comprovar assédio moral

grevista

Um ouvinte escreve: "Participei de uma greve em minha empresa e talvez eu tenha me excedido um pouco em minhas manifestações, porque fiquei marcado como um dos principais incentivadores da greve. O resultado é que agora, passados alguns meses, surgiu uma oportunidade de promoção em minha área e eu não fui considerado para ela. O promovido foi um colega cujos resultados sempre foram piores do que os meus. Isso poderia ser considerado assédio moral?"

Bom, a não ser que o seu supervisor tenha lhe dito diretamente, ou a outras pessoas, que você não foi promovido somente por causa da greve, será muito difícil você conseguir comprovar a acusação de assédio moral.

Agora, eu acho que a sua empresa é meio míope por não ter promovido você. Líderes grevistas autênticos tendem a rejeitar promoções, por questões ideológicas. Como você queria e quer ser promovido, está claro que a sua participação no episódio da greve foi ocasional.

Logo, e supondo que você reunisse todas as outras condições necessárias para a promoção que não recebeu, você seria um chefe peculiar e valioso para a sua empresa. Porque você certamente possui o dom da argumentação. E da mesma forma que convenceu um grupo a entrar em greve, poderia convencer outro grupo a não fazer greve.

Eu sugiro que você explique isso a seu superior. Se ele não entender que você tem a habilidade para defender pontos de vista que considera defensáveis, incluindo os da empresa, aí não seria assédio moral, mas pura e simples falta de visão.

Max Gehringer, para CBN.

2014-03-21

Destino te deu uma trégua e um recado - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 21/03/2014, com uma ouvinte que tem um chefe workaholic que sofreu um colapso.

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Destino te deu uma trégua e um recado

workaholic

Uma ouvinte escreve: "Meu caso é meio estranho. Tenho um chefe bem mais jovem do que eu, que trabalha quase 20 horas por dia. Ele não tem amigos, nem namorada, e a vida dele se resume ao trabalho. Não é incomum ele me ligar num domingo para passar uma hora discutindo um projeto, sem nem me perguntar se eu tinha algo mais a fazer em meu dia de descanso. Também não é incomum ele me mandar uma mensagem às dez da noite, solicitando algum relatório a ser apresentado no dia seguinte às oito da manhã.

O resultado é que minha existência passou a depender das prioridades dele e eu temi que minha saúde viesse a sofrer um abalo, mas o destino intercedeu a meu favor, e quem teve o abalo foi ele. Há alguns dias ele foi internado em uma clínica psiquiátrica para um tratamento de estresse agudo. Estou aliviada e confesso, meio envergonhada, que me sinto até feliz. O problema é que ele vai voltar e não sei se devo esperar para ver se o tratamento o transformou em uma pessoa mais sensível e mais tratável. O que você me sugere?"


Sugiro que você aproveite e mude de emprego. Pessoas como o seu chefe, com altíssimo grau de dedicação exclusiva a uma única causa, no caso o trabalho, não se curam facilmente. Podem até seguir algumas recomendações médicas, mas só até se sentirem novamente em condições de retomar o ritmo anterior.

Quem se dedica dessa maneira à carreira está buscando satisfação pessoal, mesmo que, normalmente, às custas da satisfação alheia. O destino não só lhe deu uma trégua, como lhe mandou um recado: aproveite para mudar antes que a próxima vítima seja você.

Max Gehringer, para CBN.

2014-03-11

'Ambiente de trabalho na minha empresa é humilhante' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 11/03/2014, com um ouvinte que trabalha em uma empresa cujo ambiente de trabalho é muito ruim.

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'Ambiente de trabalho na minha empresa é humilhante'

ambiente de trabalho ruim

Um ouvinte escreve: "Estou em uma empresa familiar. O ambiente de trabalho é, em uma palavra, humilhante. Gritos, palavrões, funcionários sendo chamados de burro na frente dos demais, raríssimos elogios e, mesmo assim, sempre seguidos pela ressalva de que o elogiado não é bom, é somente o melhor entre os piores.

Meu problema é que sou o principal gestor de recursos humanos e fui contratado para implantar sistemas de planejamento e organização, que eram inexistentes. Tentei conversar com os diretores sobre a maneira como os empregados são tratados, mas a resposta que recebi foi a de que os funcionários estavam acostumados e não se sentiam ofendidos. Isso é chocante, mas aparentemente é verdade. Eu não ouvi ninguém reclamar e as atitudes dos diretores são vistas como folclóricas e não como mal educadas. Você acredita que esse quadro poderá ser mudado?"


Bom, primeiro, permita-me uma correção. Você não é um gestor de recursos humanos e sim o chefe da seção pessoal. O ambiente que você descreveu era o padrão do mercado brasileiro há 100 anos, quando os sentimentos e as opiniões dos empregados valiam menos que uma caixa de parafusos.

Isso não quer dizer que a empresa em que você está, seja a última sobrevivente de um tempo que acabou. Ainda há muitas iguais a ela. O que mudou foi que, há 100 anos, empregados mais esclarecidos não tinham a possibilidade de escolher, porque todas as empresas se pareciam. Hoje existem opções.

Se você se sente constrangido em presenciar as cenas de assédio moral que descreveu, sugiro que você saia daí antes que se acostume. E pior, passe a fazer igual.

Max Gehringer, para CBN.

2014-03-05

'Sou obrigada a fazer os trabalhos escolares da filha do chefe' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 05/03/2014, com uma ouvinte que é obrigada a fazer os trabalhos escolares da filha do chefe.

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'Sou obrigada a fazer os trabalhos escolares da filha do chefe'

trabalho escolar

Uma ouvinte escreve: "Estou vivendo uma situação que não consigo digerir. Meu chefe tem uma filha que está fazendo o mesmo curso em que eu me formei. Em vista disso, sou solicitada a fazer ou a revisar os trabalhos de escola dela. Isso me toma tempo e nada tem a ver com minhas atividades na empresa.

No início, pensando que seria uma ajuda esporádica, eu levava os trabalhos escolares da filha do chefe para fazer em casa. Quando essa tarefa passou a se avolumar, já que a filha do chefe estava tirando notas boas graças a meu esforço, o chefe me autorizou a fazer os trabalhos durante o expediente. Não estou conseguindo entender se tudo isso ajuda ou prejudica a minha carreira."


Bom, é claro que o seu chefe está fazendo uma coisa muito errada ao pedir que uma funcionária gaste o tempo dela e o dinheiro da empresa para realizar uma tarefa não congruente com as funções para as quais a funcionária foi contratada.

o seu caso é diferente. Porque perante a empresa você não é culpada e nem cúmplice de nada. Apenas está atendendo a um pedido de seu superior imediato. Se a bomba estourar, irá ser na mão dele e não na sua.

Você pode dizer a seu chefe que não irá mais fazer os trabalhos da filha dele. É um direito seu. E ele não irá gostar, mas terá que aceitar.

Porém, eu imagino que essa tarefa lhe tome uma ou duas horas por semana, tempo insuficiente para prejudicar o seu desempenho funcional ou a sua carreira.

Como chefe, eu nunca pediria para um subordinado fazer algo assim. Mas, como subordinado, eu faria. Sem problemas e sem remorso.

Max Gehringer, para CBN.

2013-07-24

'Meu chefe colocou uma ameaça por escrito a toda a equipe' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 24/07/2013, com o caso de um chefe que colocou uma verdade por escrito que todo mundo já sabe, mas não fala por causa do politicamente correto.

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'Meu chefe colocou uma ameaça por escrito a toda a equipe'

assédio moral

Um ouvinte escreve: "Não sei se meu gerente é irresponsável por natureza ou se ele não foi bem orientado. Mas ele colocou uma ameaça por escrito para toda a equipe, afirmando que 'Os nossos empregos estarão ameaçados se não conseguirmos cumprir as metas de vendas do trimestre.' Estou enganado ou esse é um claríssimo caso de assédio moral?"

Bom, não sei se é tão claríssimo, mas pode ser considerado como tal. O caso de assédio moral que não deixa dúvidas quanto a suas intenções maléficas é o de um superior hierárquico que move uma perseguição contínua e constante a um único subordinado, não raramente submetendo esse subordinado a situações vexatórias e humilhantes na presença dos demais.

O que o gerente do nosso ouvinte fez foi dizer algo que vendedores estão até acostumados a ouvir, mas não a ler: que os empregos são garantidos pelos resultados.

Além disso, o gerente do nosso ouvinte não escreveu "os empregos de vocês", e sim, "os nossos empregos", o que inclui o dele próprio se as metas não forem atingidas. Esse então seria um caso inédito de assédio moral a si mesmo.

Entretanto, só posso concordar que o gerente não deveria ter escrito o que escreveu e nem poderia falar isso numa reunião com os vendedores. Não porque não seja verdade, mas porque nos últimos tempos aumentou bastante o nível de sensibilidade geral quanto ao politicamente correto e ao assédio moral.

Sob esse prisma, de fato, o gerente pisou na bola. Doravante, seria recomendável que ele verbalizasse de um modo mais carinhoso e mais polido, o que todo mundo já sabe.

Max Gehringer, para CBN.

2012-06-28

'Meu chefe costuma fazer comentários além da relação profissional' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 28/06/2012, com uma ouvinte cujo chefe faz elogios pessoais a ela, mas ela não se sente bem com isso.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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'Meu chefe costuma fazer comentários além da relação profissional'

assédio sexual

"Estou nesta empresa faz um mês", escreve uma ouvinte, "e tenho um chefe que faz comentários que vão além da relação entre chefe e subordinado. Ele é, por assim dizer, bastante atencioso. Não só comigo, mas com todas as funcionárias mulheres. No meu caso, ele já comentou sobre as roupas que uso para vir trabalhar, sobre a minha maquiagem, sobre o meu jeito de sorrir e coisas assim. Embora nenhum desses comentários tenha, até agora, ultrapassado o limite do respeito, estou preocupada porque nunca tive um chefe assim. A maioria de meus colegas leva a situação na esportiva ou na brincadeira, mas eu não acho que esse tipo de atitude seja correto. O que você me diz?"

Eu lhe digo que seu chefe está correndo um risco. Pode ser que o objetivo dele seja apenas o de criar um ambiente harmonioso. Porém, esse tipo de atitude já não está mais na cartilha das empresas sérias, que não aceitam, de parte das chefias, comportamentos que possam ter dupla interpretação, principalmente no campo altamente sensível do assédio sexual.

O que posso lhe sugerir é não encorajar o seu chefe, porque o que leva a uma situação a ultrapassar o limite do respeito é o incentivo à sua continuidade. Ao ouvir um elogio, olhe seriamente para o chefe e em seguida volte a se dedicar ao seu trabalho. Ele entenderá o recado.

Por outro lado, como parece ser o caso em sua empresa, existem subordinados que consideram esse tipo de chefe, o melhor que pode existir. Porque ele agrega uma dimensão humana ao relacionamento, através de elogios não ligados ao trabalho em si. Ao se colocar contra uma situação que parece não incomodar a mais ninguém, você se isolará do grupo. Avalie se isso é o que você realmente deseja. Se for, fique na sua e não se preocupe mais em pré-julgar o seu chefe e as suas colegas.

Max Gehringer, para CBN.

2012-01-12

'Existe alguma lei que me obriga a usar crachá?' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 12/01/2012, sobre a obrigatoriedade do uso do crachá no trabalho e como ele pode ser usado como meio de discriminação.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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'Existe alguma lei que me obriga a usar crachá?'

crachá

"Quero saber se tem alguma lei que me obrigue a usar crachá", escreve um irado ouvinte. "Odeio essa discriminação", ele diz sem explicar por que.

Bom, a resposta é: a legislação trabalhista é repleta de detalhes, mas nenhum faz referência específica ao crachá. Porém, se o nosso ouvinte der uma lida no contrato de trabalho que assinou ao ser contratado, encontrará um item que fala sobre a obrigatoriedade de observar o regulamento interno.

Nas empresas de médio e grande porte, esse regulamento é impresso e entregue ao funcionário no primeiro dia de trabalho. Eu conheço empresas que até pedem ao novo funcionário que leia o regulamento inteiro, em voz alta, na presença de alguém da área de Recursos Humanos que responderá às eventuais dúvidas.

Esse regulamento varia de empresa para empresa, e nele pode constar qualquer tema que não contrarie algum dispositivo legal. O uso do crachá se enquadra nesse quesito. Não há uma lei que o obrigue, nem uma lei que o proíba. Portanto, a empresa pode adotar a medida que julgar conveniente e transformá-la em obrigação do funcionário.

Dito tudo isso, a minha experiência me diz que há um motivo para alguns funcionários não gostarem de usar crachá. É quando o crachá é utilizado não apenas como instrumento de segurança e identificação, mas também, usando um termo empregado por nosso ouvinte, como um meio de discriminação interna. Isso ocorre quando os profissionais com postos mais altos no organograma são desobrigados do uso. Como consequência, quem é obrigado a usar, pode se sentir como se estivesse carregando no peito um atestado de inferioridade.

Assim como em muitas outras normas estabelecidas por empresas, o uso do crachá é mais uma demonstração prática de que não basta escrever uma norma. Para que ela seja respeitada por todos, é preciso que o bom exemplo venha de cima.

Max Gehringer, para CBN.

2011-10-25

Gerente que superou a obesidade pega no pé de funcionário acima do peso - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 25/10/2011, sobre um trabalhador obeso que está sendo vítima de assédio moral.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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Gerente que superou a obesidade pega no pé de funcionário acima do peso

trabalhador gordinho

Um ouvinte escreve para contar que o gerente dele era obeso, mas aderiu às corridas e aos exercícios e emagreceu um bocado. Agora, orgulhoso de sua nova silhueta, o gerente resolveu pegar no pé de seu subordinado mais gordinho, que é ninguém menos que o nosso ouvinte. A crescente quantidade de piadas durante o expediente, algumas de mau gosto e outras ofensivas, estão incomodando o nosso ouvinte, que pergunta: como proceder?

Bom, isso tem um nome: assédio moral. O nosso ouvinte está sendo vítima de uma perseguição contínua e constante. É o caso clássico de um superior atazanando a vida de um subordinado usando o poder do seu crachá para que o funcionário não responda o que teria vontade de responder, ou seja, "chefe, você não tem nada a ver com a minha vida particular. "

O assédio moral normalmente é constituído por ofensas sérias, mas pode também ser o resultado de brincadeiras indigestas.

O gerente pode até argumentar que está preocupado com a saúde e a vitalidade de nosso ouvinte, mas isso não atenua a situação, porque há maneiras mais convenientes de demonstrar essa preocupação.

Muitas empresas já implantaram programas de incentivo a uma vida mais saudável. Programas que incluem exercícios físicos e palestras, sobre nutrição e outros cuidados. Porém, tais programas são sempre extensivos a todos os funcionários. A participação é voluntária e quem não quiser aderir, não é discriminado.

O nosso ouvinte poderia começar por aí, sugerindo ao gerente que propusesse à direção da empresa um amplo programa de saúde e bem-estar. Se a resposta do gerente for uma piada de mau gosto, o ouvinte deve levar o caso ao setor de Recursos Humanos, e de preferência ao funcionário mais gordinho do setor, que entenderá imediatamente o constrangimento a que nosso ouvinte está sendo submetido.

Max Gehringer, para CBN.

2011-07-01

Propaganda WTF de doce sabor chocolate com recheios de frutas

O doce Lotte Eclairs (um toffee, uma espécie de bala) decidiu fazer uma campanha pros seus novos sabores de chocolate com caramelo recheados com diferentes frutas. A agência de marketing contratada, da Índia, veio com o conceito de por que não fazer com que o doce seja uma mulata (chocolate) grávida de uma fruta (os diferentes recheios, morango, manga e laranja).

Até aí, vá lá. Não acho a ideia das melhores, mas também não me causa indignação. Vejam a propaganda da mulher chocolate grávida do laranja:

propaganda morena chocolate grávida fruta doce laranja

Ok, um casal multi-étnico, uma morena chocolate e um laranja (em outros contextos, essa frase provavelmente envolveria política...), andando de braços dados enquanto a chocolate carrega no ventre o recheio do doce, com a frase (livremente traduzida): "Caramelo chocolate com laranja dentro".

Agora, veja a propaganda do sabor de manga:

propaganda morena chocolate grávida fruta doce manga

O senhor manga tranquilo, enquanto vê a empregadinha gostosa grávida (no contexto da propaganda) carregando o seu filhote. Err... meio politicamente incorreto, o senhor manga que comeu a empregadinha (isso dá ação de assédio sexual e pensão!), mas tudo bem, ainda leva um desconto, visto o fetiche da empregadinha (que a jovem classe média brasileira conhece tão bem).

Ruim, mas ainda passável. Aí você vê a propaganda do sabor morango:

propaganda morena chocolate grávida fruta doce morango

Eu quero crer que estou interpretando a propaganda errada. Pois o que vejo é uma bela adormecida (morena chocolate caramelo), ainda dormindo. E que foi embuchada, engravidada, pelo rei/príncipe morango. Resumindo: o cara comeu a menina com ela desmaiada! Não sei se a moral/ética indiana é tão diferente assim, mas isso, até onde eu considero, chama-se estupro. Hahaha, coma o doce do estupro da princesa chocolate pelo rei morango...

Sim, digam-me que a mulher está apenas puxando um cochilo e o morangão está cuidando do filho. Ai, ai... Coloquem suas interpretações nos comentários, se quiserem.

Imagens das peças publicitárias via I believe in Advertising (no post, com links para imagens maiores).

2010-08-27

O assédio moral no trabalho - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 27/08/2010, sobre o assédio moral no trabalho.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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O assédio moral no trabalho

vítima assédio moral
Eu gostaria de comentar hoje um tema recorrente em mensagens que recebo: o assédio moral no trabalho. Invertendo a ordem das coisas e começando pela conclusão, 90% dos ouvintes que me escrevem e que acreditam estar sendo moralmente assediados, não estão. Isso porque existe uma confusão entre o que é uma situação esporádica e o que é uma perseguição individual, constante e contínua.

Então, esclarecendo, assédio moral não é um desentendimento, uma desavença ou uma explosão momentânea de mau humor. Qualquer ser humano, mesmo o mais controlado, pode perder a calma de vez em quando e falar alguma coisa que não deveria, de um jeito que não poderia.

O assédio moral vai bem além disso. Ele é uma espécie de tortura psicológica, praticada por um superior contra um só de seus subordinados, com um objetivo bem definido: desestabilizar o subordinado, que entra num estado de depressão e acaba por desenvolver sintomas físicos, como dores de cabeça e alteração na pressão arterial.

O assédio moral mais facilmente perceptível é o do chefe que dá a um subordinado um tratamento completamente diferente aquele que é dado a todos os demais. Enquanto os outros são tratados com um mínimo de respeito e civilidade, o assediado, não importa o que faça e como faça, é sempre ofendido e humilhado pelo chefe.

O que caracteriza o assédio é a repetição desse comportamento da chefia, por meses a fio. Essa atitude é passível de punição, e pode ser denunciada na Justiça do Trabalho. Embora o primeiro passo seja a denúncia interna, para o setor de recursos humanos. E de preferência, através de uma carta, que poderá ser usada como prova, se nada mudar.

Porém, a minha interpretação das mensagens detalhadas que eu recebo, é que muitas pessoas que se dizem assediadas estão apenas recebendo um tratamento que não apreciam. Elas acham o chefe mal-educado, instável ou insensível, mas com todos os colegas.

A culpa é da pressão por resultados imediatos, que aumenta cada vez mais nas empresas. Pressionado por seus superiores, o chefe estende essa pressão para baixo, muitas vezes subindo o tom e ameaçando os subordinados com demissões.

Esse não é o ambiente ideal de trabalho, mas não caracteriza o assédio moral, que por lei, é a pressão desmesurada e sem sentido, de um chefe sobre um único subordinado.

Max Gehringer, para CBN.
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