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2016-10-25

As aventuras de um pequeno astronauta descobrindo o mundo na fotografia de Aaron Sheldon

Aaron Sheldon é um fotógrafo americano cujo trabalho envolve fotografia comercial e de arquitetura, especialmente voltada para empresas e agentes imobiliários. Entretanto, é por causa de seu projeto pessoal, chamado "Small Steps Are Giant Leaps" (ou "Pequenos Passos são Saltos Gigantes"), que menciono o artista. Neste projeto, Aaron Sheldon fotografa seu filho de 4 anos vestido como astronauta em locais cotidianos e situações diárias, descobrindo o mundo que nos cerca. O resultado são retratos do dia a dia cheios de fofura.

Aaron Sheldon fotografia fofa seu filho Harrison como astronauta small steps are giant leaps criança meigo aventura cotidiano

Nomeado com uma referência à célebre frase de Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar na lua ("Este é um pequeno passo para um homem, um salto gigante para a humanidade"), o projeto de fotografias é um tributo aos jovens corajosos e desbravadores, e uma sugestão aos adultos que esqueceram a excitação de descobrir algo novo no cotidiano.

A ideia para o projeto veio enquanto Aaron Sheldon andava de ônibus com o seu filho, Harrison, de três anos de idade na época. O que era um evento normal e diário para o fotógrafo era algo extraordinário para seu filho, que olhava maravilhado o mundo a sua volta. Neste momento, Sheldon se deu conta de que seu filho, como todas as crianças, era um explorador, e o mundo que nós, adultos, temos por garantido, para elas, as crianças, é um lugar maravilhoso cheio de novos locais e experiências.

Aaron Sheldon fotografia fofa seu filho Harrison como astronauta small steps are giant leaps criança meigo aventura cotidiano

Neste instante nascia a ideia do projeto de Aaron Sheldon, de documentar de alguma forma, esse espírito explorador de seu filho. O formato veio mais tarde nesta mesma semana, quando uma infecção no ouvido levou pai e filho para um consultório médico. Conversando com seu filho, para tentar convencê-lo a se sentar na mesa de exame (um de seus poucos medos), Sheldon perguntou que tipo de pessoa corajosa sentaria na mesa de exames sem medo. A resposta: um astronauta.

Então eles fingiram que Harrison era um astronauta e se sentava na mesa de exame para uma de suas muitas rotinas de check-up antes de viajar ao espaço. Ao final da consulta, o fotógrafo disse a Harrison que estava muito orgulhoso dele ser corajoso como um astronauta, e em resposta, ouviu dele: "Da próxima vez que eu ficar doente, posso vestir meu capacete de astronauta aqui e você tirar uma foto minha, certo pai?" Nascia assim o formato do projeto.

Aaron Sheldon fotografia fofa seu filho Harrison como astronauta small steps are giant leaps criança meigo aventura cotidiano

Segundo Aaron Sheldon, na campanha de financiamento coletivo para transformar seu projeto em um livro:

"Como adultos, nós passamos nossos dias correndo por aí, indo a lugares que não gostamos e fazendo coisas que não gostaríamos de fazer. Pode ser difícil lembrar que, para nossos filhos, este é um mundo totalmente diferente. Meu filho passa seus dias explorando novos e excitantes lugares da Terra. 'Small Steps Are Giant Leaps' é um lembrete para os pais, que qualquer lugar que você vá, é um mundo novo e excitante para ser explorado. Nosso trabalho como pais é ajudar nossas crianças enquanto elas exploram e fazem novas descobertas. Eu espero que o projeto ajude os ocupados pais a se lembrarem de parar, tomar fôlego e ajudar seus pequenos exploradores a fazerem novas descobertas ou explorarem um pouco mais seus mundos todos os dias."

Vejam as aventuras de um pequeno astronauta descobrindo o mundo na fotografia de Aaron Sheldon:

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Vejam também outros projetos fotográficos com astronautas:
- A solitária vida de um Astronauta
- O suicídio do astronauta

Imagens via site de Aaron Sheldon. Dica via Feature Shot - Confessions of a 4-year-old astronaut.

2012-12-04

Filme: A Saga Crepúsculo: Amanhecer - Parte 2

Depois de assistir nos cinemas o segundo filme da "saga" Crepúsculo, o Lua Nova, eu jurei a mim mesmo que não iria mais gastar meus suados reais para ver outro filme da "saga" nos cinemas. E assim foi com Eclipse (que acabei vendo algumas partes na TV) e com Amanhecer - Parte 1 (que só vi os trailers mesmo). E eu também não iria ver A Saga Crepúsculo: Amanhecer - Parte 2 (no original The Twilight Saga: Breaking Dawn - Part 2), mas uma confluência do destino me fez ir ao cinema assistí-lo (leia-se: estava com um grupo de amigos e as mulheres queriam ver o filme). O resultado final não foi tão ruim quanto eu imaginava, foi até divertido (mas poderia ter sido bem melhor).

filme saga crepúsculo amanhecer parte 2 poster cartaz

A Saga Crepúsculo: Amanhecer - Parte 2 começa com a protagonista Bella (Kristen Stewart) acordando como vampira e descobrindo seus poderes, ao mesmo tempo em que conhece a sua recém-nascida filha Renesmee (vivida na fase criança por Mackenzie Foy). O romance com o seu marido vampiro (ou fada, dizem as más línguas), Edward (Robert Pattinson) vai bem, e o triângulo amoroso com o lobisomen Jacob (Taylor Lautner) se resolve, graças a uma ideia muito errada da autora do livro, Stephenie Meyer, de fazer Jacob ter um imprinting (uma espécie de paixão avassaladora a primeira vista que acontece com os lobisomens) com Renesmee ainda bebê (!), no útero de Bella, aliás (!!!).

Com toda a parte romântica resolvida, a primeira parte de Amanhecer - Parte 2 se dedica a mostrar Bella e seus novos poderes, mostrando como os vampiros são legais e os seres humanos são um zero a esquerda. Kristen Stewart e Robert Pattinson quase conseguem mostrar um pouco de atuação, mostrando um Edward mais relaxado sem a preocupação de matar a esposa com seu amor (urgh) e uma Bella mais "viva", mesmo estando morta. (Mais uma ironia que acompanha a personagem, começando pelo nome dela e sua atriz protagonista, porque de bela, a Kristen "Bella" Stewart tem pouco.)

filme saga crepúsculo amanhecer parte 2

Tendo terminado o "drama" romântico, a trama volta-se para Renesmee, que é meio vampira e meio humana, e que cresce rapidamente. Os Volturi, o grupo vampírico de "xerifes" da raça, liderados pelo afetado Aro (Michael Sheen), crê que a criança é uma vampira criada (mordida), um delito grave punido com a morte, e vai em direção aos Cullen para exterminar a criança. Enquanto isso, os Cullen procuram por ajuda em outros clãs vampíricos, para se opor ao poder dos Volturi e talvez, conseguir explicar a situação.

Na realidade de Crepúsculo, vários vampiros têm dons, ou seja, poderes à la X-Men, como telepatia, manipulação de elementos (água, fogo...) e outros variados. E a apresentação de personagens com poderes, tanto dos vampiros aliados dos protagonistas, quanto dos Volturi, é uma das partes mais interessante do filme (e de toda a "saga", aliás), só perdendo mesmo para a batalha final, que é conduzida com maestria pelo diretor Bill Condon. A batalha é excitante e violenta, um banho de sangue que não poupa personagens. SPOILER ATÉ O FINAL DO PARÁGRAFO: Uma pena mesmo é que toda a batalha seja uma espécie de flashforward/visão de Alice, que não se concretiza, o que faz com que o clímax do filme seja extremamente frustrante (broxante, para dizer sem meias palavras), mostrando um pouco de falta de coragem dos seus realizadores, além de deixar a trama em aberto demais, o suficiente até para que algum executivo de estúdio maluco pense em fazer mais continuações caça-níqueis.

filme saga crepúsculo amanhecer parte 2

A Saga Crepúsculo: Amanhecer - Parte 2 é, isoladamente, um filme razoável. Ele tem seus defeitos, alguns muito ruins, como alguns efeitos especiais (mais para defeitos especiais), especialmente a construção digital de de Renesmee como bebê, cujo resultado é pavoroso, somente um pouco melhor do já conhecido efeito especial dos vampiros correndo, que também é horrível. Também não ajuda o fato dos vampiros de todas as partes do mundo serem uma coleção de clichês, como os irlandeses beberrões ou as duas vampiras brasileiras índias do Amazonas, e ainda por cima vestidas como rainhas de bateria de escola de samba, e uma delas, ainda com o sugestivo nome de Senna (seria Meyer uma fã de Fórmula 1?).

Kristen Stewart e Robert Pattinson continuam atores medíocres, apesar de claramente terem evoluído um pouco neste último capítulo (de ruins para medíocres, entenda). Michael Sheen parece se divertir com seu caricato personagem, mas o efeito é de apenas diminuir a ameaça dos vilões do filme. Os demais atores (como Maggie Grace e Dakota Fanning), perdidos em meio a tantos personagens, pouco conseguem mostrar, e o meu destaque pessoal continua sendo Ashley Greene, que está maravilhosamente linda como Alice.

filme saga crepúsculo amanhecer parte 2

Apesar desses percalços, Amanhecer - Parte 2 consegue ser interessante. Grande mérito disso se deve ao fato de pouco investir no romance açucarado e garotos sem camisa (um milagre o tempo que Lautner demora para tirar a camiseta), temas mais que batidos nos outros filmes da série, cujos enlaces já foram resolvidos. Seria melhor com um final mais corajoso, mas ainda se salva como filme isolado. Como "saga", seria uma tortura ter que assistir todos os filmes só para ter um final bacaninha. A sorte é que a trama, bobinha, consegue ser bem resumida e facilmente entendível, então você não precisa passar pelos outros filmes para ver este, basta ler um resumo na internet (não ter visto a parte 1 não me prejudicou em nada, já que há muito tempo atrás eu li um resumo dos livros não lembro onde).

Com créditos finais que recapitulam todos os personagens e seus atores desde o primeiro filme, A Saga Crepúsculo: Amanhecer - Parte 2, tenta dar um ar de grandeza, de épico, de "saga" à sua história. Apesar de possivelmente agradar as fãs invocando memórias afetivas, isso soa desnecessário e forçado. Mas mesmo assim, no fim, vale a pena ver o filme, especialmente (para alguns, somente) pela batalha final. Não é um grande filme, e nem mesmo faz parte de uma grande "saga", mas rende uma diversão interessante. E você, leitor do sexo masculino, ainda vai ganhar pontos com as mulheres por ir assistir ao filme.

P.S. Um grande abraço para meus amigos Tubbies, Cly, Caixa e Mari, que formou o grupo comigo no cinema. Culpa da Cly e da Mari eu ter assistido o filme. ;)

Trailer:



Para saber mais: crítica no Cinema em Cena e no Omelete.

2012-02-22

Filme: Motoqueiro Fantasma: Espírito de Vingança - em 3D

Em certa parte de Motoqueiro Fantasma: Espírito de Vingança (no original Ghost Rider: Spirit of Vengeance), o personagem de Nicolas Cage descreve o Motoqueiro Fantasma como um alucinado, que busca vingança até pelos mínimos erros que todo mundo comete, como fazer um download ilegal de um filme. Essa espetadinha no pessoal que faz download saiu pela culatra neste filme, já que só o fato de assisti-lo já é uma punição. No cinema, pagando bem mais caro (já que, pelo menos por aqui, só tem em sessões 3D), você se sente ainda mais lesado. Nenhuma boa ação passa impune mesmo.

filme motoqueiro fantasma espirito de vingança 3D poster cartaz

Motoqueiro Fantasma: Espírito de Vingança não é uma continuação do filme anterior do Motoqueiro. É um reboot (pois é, reboot de uma franquia de um filme é f$#@). E se Odin estiver dormindo e permitir outro filme do personagem, não duvido que seja um terceiro reboot. O primeiro filme não era bom, mas este segundo consegue ser pior.

O fiapo de história de Motoqueiro Fantasma: Espírito de Vingança é aquele clichê: o menino Danny (Fergus Riordan) destinado por uma profecia a ser o receptáculo do diabo, junto de sua mãe/MILF do filme Nadya (Violante Placido), está sendo perseguido pelos capangas do coisa ruim Roarke (Ciarán Hinds). E então entra Johnny Blaze (Cage) na história, como herói relutante para salvar o garoto, mesmo que a princípio, ele só deseje se livrar da sua maldição de se tornar o Motoqueiro Fantasma, coisa que foi prometida pelo misterioso Moreau (Idris Elba) em troca de sua ajuda. E coloque aí no meio bandidos do leste europeu super armados, ordens religiosas ocultas e você tem a mistura do filme.

filme motoqueiro fantasma espirito de vingança 3D

Motoqueiro Fantasma: Espírito de Vingança acerta em algumas coisas. A primeira é levar a ação ao leste europeu, com cenários desoladores e antigas construções, o que dá um clima interessante. A segunda é na construção visual do Motoqueiro, toda estilosa, num bom trabalho de efeitos especiais (mesmo que o nível de detalhes não se mantenha ao longo do filme, como por exemplo, as bolhas do couro da jaqueta meio derretendo, que infelizmente só dá as caras mesmo na primeira aparição do personagem). Além disso, o visual das correntes e da moto são bem bacanas, assim como a ideia de que as máquinas que ele pilota se transformarem (o que rende a melhor cena do filme, ao colocá-lo pilotando uma escavadeira gigante. E a terceira é recontar rapidamente a nova origem do Motoqueiro, sem enrolação.

Agora, a parte ruim de Motoqueiro Fantasma: Espírito de Vingança. O roteiro além de fraco é incoerente. Primeiro o Motoqueiro é apresentado como um descontrolado e faminto por almas, mas mesmo quando tem oportunidade de sobra, ele não consome nenhuma alma dos bandidos. Mas depois vemos que o Motoqueiro age, se não totalmente controlado, pelo menos guiado pela vontade de Johnny Blaze. Além disso, se o visual investe em cenários e locações interessantes, o roteiro vai pelo caminho contrário, oferecendo cenas sem sal, como o ritual no final, ou a própria luta final do Motoqueiro com o diabo Roarke, que não faz sentido algum pra mim (Ah, dane-se o spoiler: se o Motoqueiro acaba com Roarke tão facilmente, por que não fez isso antes? E por que, em primeiro lugar, Roarke iria chamar o Motoqueiro ligando-a ao Blaze, no pacto original? E pior ainda, sabendo que na verdade o Motoqueiro era um Anjo - torturado e corrompido, mas que no final, se mostra ainda vivo em essência?)

A ação é até bacana, mas desperdiça totalmente o 3D. A não ser em uma ou outra cena em que os diretores Mark Neveldine e Brian Taylor esfregam um 3D de fogo ou cinzas na sua cara, a maior parte do filme não aproveita o recurso, nem em cenas que se encaixariam bem. As cenas de ação logo no início do filme são um exemplo disso: com a câmera na mão balançando pra caramba, não há 3D que se sustente, além de usarem cortes rápidos demais (o que não funciona com 3D). E pior ainda, usam planos mais fechados, que também não combinam com o 3D.

filme motoqueiro fantasma espirito de vingança 3D

Some-se a isso a atuação de Nicolas Cage, que está em apenas dois modos. O frenético, quando parece que tomou um choque no rabo e não economiza nas caretas e nos gritos, e o apático, quando está visivelmente de saco cheio daquilo e só está lá porque precisa da grana. Quando tem que atuar ao lado de outros atores, Cage faz com uma cara de má vontade, especialmente quando está ao lado do jovem Riordan, em cenas que são importantes na história do filme (afinal, estabelece-se um vínculo entre o velho Blaze e o jovem Danny). Outro ponto que é problemático é no estabelecimento do personagem do Motoqueiro. Graças também a atuação de Cage, o Motoqueiro vira um personagem meio palhaço (e nem é pelo mijo-jato-de-fogo), com uma risada que além de não assustar, parece pouco compatível com o personagem. Basta ver uma das melhores cenas do filme, e já citada acima, a da escavadeira infernal. O Motoqueiro ali não está se divertindo comandando a máquina gigante, está dando aquela risada falsa de novela mexicana da tarde. E o pior é que isso se repete, como quando Cage sai correndo com a moto, e luta para se transformar.

Eu particularmente nunca fui fã das histórias do Motoqueiro Fantasma nos quadrinhos (só li alguns arcos do segundo Motoqueiro Fantasma, que se chamava Danny Ketch - uma referência do Danny neste filme, talvez?) e até achei o primeiro filme não tão ruim quanto a maioria diz. Mas este novo Motoqueiro Fantasma: Espírito de Vingança, é uma punição, quase um olhar de penitência projetado. Uma pena, o personagem merecia coisa melhor.

Trailer:



Para saber mais: crítica no Omelete.

2011-12-30

Filme: Imortais

Em certa altura do filme Imortais (Immortals, no original), o protagonista e o vilão discutem acerca da imortalidade de seus nomes, de como eles serão lembrados pela História, da lembrança dos seus feitos. O que é bem irônico, uma vez que o filme é daqueles que, se não é de todo o ruim, é bem esquecível.

filme imortais cartaz poster

Imortais conta a história de Teseu (Henry Cavill), que é escolhido por Zeus (Luke Evans, que coincidentemente também foi um deus grego no outro filme de "mitologia", Fúria de Titãs), para derrotar o rei Hipérion (Mickey Rourke), que por não ter atendidas as suas preces para salvar a família de uma doença, resolve declarar guerra aos deuses e libertar os Titãs (da Grécia, não a banda). E ajudando Teseu em sua jornada, ainda temos a bela oráculo virgem (Freida Pinto) e o ladrão Stavros (Stephen Dorff).

Imortais é mais um desses filmes que vem na onda de rever (e, chorem puristas, deturpar e estraçalhar) a mitologia grega (pior ainda que Fúria de Titãs). Por isso, se você é fã de mitologia ou mesmo fã da série de livros do Percy Jackson (estes sim, recomendados para quem curte mitologia grega), finja que estamos num universo paralelo, porque toda a "releitura" da mitologia de Imortais é horrível. Tirando esse fato e ficando somente com os personagens como se eles fossem originais, bem, a história do filme continua bem fraca. Mas tem algumas boas cenas de ação.

filme imortais

Além de ter personagens rasos e unidimensionais, Imortais tem um sério problema no ritmo. Ok, algumas cenas de ação são até bem bacanas (como as batalhas no clímax, no túnel dentro do portão ou dos deuses), mas o espaço entre elas é um tanto quanto... entediante. O fato dos personagens serem unidimensionais prejudica bastante o desenvolvimento do filme, e até demora um bom tempo até que consigamos torcer pelo herói. Além disso, prepare-se para ver combates com o novo estilo predominante de Hollywood, que tem grande influência da estética de filmes chineses de kung-fu (sério, quando os deuses resolvem brigar, Zeus usa até mesmo técnicas chineses de kung-fu com corrente, algo que o Jet Li fazia muitíssimo bem). Junte-se a isso o uso constante de câmeras lentas (menos que em Sucker Punch, mas também muito menos estilosas), e temos cenas de ação boas, mas que destoam muito de qualquer coisa grega. Bem, um lado positivo das cenas é que elas não poupam violência: gargantas cortadas e bolas esmagadas estão lá.

filme imortais

Imortais, cujo cartaz engrandece o fato de ser produzido pelos mesmos produtores de 300, às vezes esquece o fato de que 300 (baseado numa HQ de Frank Miller) era mais do que cenas de ação filmadas à frente de fundo verde e homens malhados semi-nus em fantasias homoeróticas. Isso porque esses elementos estéticos estão novamente presentes. E só temos uma cena em que Freida Pinto aparece pelada pra contrabalancear. Nem pra mostrar Atena (Isabel Lucas) em trajes seminus também, ou mesmo, quem sabe, uma Afrodite... De qualquer maneira, o figurino, assim como toda a direção de arte, é um espetáculo (para o bem ou para o mal) à parte. Ou, no caso figurinos dos deuses, uma certa falta de figurino (tendo como única peça de roupa para identificar cada um deles, um elmo/capacete digno de escola de samba, além de tanguinhas genéricas).

filme imortais

Com atuações medianas (destaque mesmo somente para Rourke bem a vontade como vilão novamente, e para John Hurt como o "velho" em quase uma ponta), Imortais também parece sofrer de outro mal hollywoodiano recente: a de querer, a qualquer custo, fazer novas franquias (que outro motivo para aquele final, hein, diretor Tarsem Singh?)

No final das contas, Imortais até que pode ser divertido. Basta não compará-lo à mitologia "de verdade" e se deixar levar por alguns absurdos. É o preço que se paga para ver as cenas de ação. Não espere, entretanto, lembrar de muita coisa depois de alguns dias, pois este filme não é, nem de muito longe, um daqueles que entram para a história.

Trailer:



Para saber mais: crítica no Omelete.

2011-10-18

Filme: Os Três Mosqueteiros

A verdade é que a minha vontade de falar sobre esta nova versão de Os Três Mosqueteiros é nula, portanto, vai apenas um texto rapidinho (ou nem tanto). O filme, que poderia se chamar Os 3D Mosqueteiros (e originalmente se chama The Three Musketeers), é mais uma versão da clássica aventura de espadachins de Alexandre Dumas.

filme os três mosqueteiros pôster cartaz

De fato, a não ser que você tenha menos de dez anos, já deve ter visto essa história tantas vezes que já sabe de cor e salteado o fio da meada. O malvado Cardeal Richelieu (Christoph Waltz embolsando uma graninha fácil) é o homem mais poderoso da França, já que o rei Luis XIII (Freddie Fox) é um paspalho infantil que neste filme se preocupa mais com a cor de sua roupa (uma coisa meio gay, de fato), do que se o rei da Inglaterra vai declarar guerra. Richelieu dispensa os serviços dos mosqueteiros (a tropa de elite do rei) em prol da sua própria guarda, deixando assim os já famosos três mosqueteiros Athos (Luke Evans), Portos (Ray Stevenson) e Aramis (Matthew MacFadyen) a ver navios. É quando chega a Paris o jovem e cabeça quente D'Artagnan (Logan Lerman), que acaba marcando duelo com os três mosqueteiros, um de cada vez, claro. Só que o primeiro duelo é interrompido quando a guarda de Richelieu intervém, e os quatro espadachins acabam se unindo contra eles. Além disso, temos as intrigas palacianas envolvendo não só Richilieu, mas também a assassina/mercenária Milady (Milla Jovovich, de novo estrelando um filme do maridão), que tentará incriminar a rainha (Juno Temple) de ter um caso com o Duque de Buckingham (Orlando Bloom).

filme os três mosqueteiros

O diretor Paul W.S. Anderson já havia provado em Resident Evil 4: Recomeço que sabe aproveitar bem o 3D em cenas de ação. Apesar de não tão bem aproveitado quando no Resident Evil, o 3D de Os Três Mosqueteiros é muito bem feito e apresenta uma excelente imersão no filme. Infelizmente, apesar de algumas cenas bem coreografadas de espada (como o combate que interrompe o duelo dos protagonistas), no geral as cenas de ação seguem aquela cartilha clichê, de cortes rápidos e explosões alucinadas (o que gera um ou outro destroço voando na cara do espectador).

E se a fotografia em 3D é sem dúvida o grande destaque de Os Três Mosqueteiros, também não dá pra deixar de mencionar a direção de arte e design, que não recriaram propriamente todo o ambiente histórico, mas o mesclaram com elementos futuristas, numa mistura retrô-futurista (quase um steampunk, mas sem quase vapor) bem bacana. Logo no começo do filme já podemos ver isso, quando os mosqueteiros surgem em sua primeira missão na tela, usando armas muito bacanas e roupas estilizadas, bem ao estilo de videogames (impossível não lembrar do jogo Assassin's Creed ao ver Aramis nesta cena). Aliás, não só no design que o estilo videogame se apresenta, mas também em todo o filme, especialmente pelo seu ritmo e nas coreografias de luta.

filme os três mosqueteiros

Tirando esses dois aspectos, que são majoritariamente visuais (o 3D e o design de produção), todo o resto de Os Três Mosqueteiros vai por ladeira abaixo. O roteiro é cheio de clichês (sério que o pai de D'Artagnan diz a ele que "a verdadeira arma de um mosqueteiro é aqui", apontando para o coração?). Os momentos cômicos também não são nada excepcionais, alguns chegando a ser meio irritantes até (o servo dos mosqueteiros é um exemplo claro disso). Além disso, os personagens são todos unidimensionais e caricatos demais, começando pelos mosqueteiros, cada um especializado em um tipo de luta (por exemplo Athos equilibrado com uma espada, Aramis ágil com duas e Portos no estilo brucutu). Isso para não mencionar todo o pessoal da corte, passando pelo rei meio afeminado (mas que no fundo está apaixonado pela rainha), desde o Cardeal (e Waltz mostra que está escolhendo seus papéis pelo vil metal) até o Buckingham (e Orlando Bloom parece ter ligado o "foda-se" de vez, de tão ruim). Também não ajuda o fato de que nenhum personagem mostra bastante carisma (e o protagonista interpretado por Logan Lerman é quase tão ruim quanto o protagonista de outra bomba, ops, filme, estreado por ele, Percy Jackson e O Ladrão de Raios).

Enfim, Os Três Mosqueteiros só é tragável se assistido numa confortável sala moderna 3D, com ótimos sistema de sons e imagens. Porque no filme, na verdade se salvam duas coisas: o 3D e o design de produção. Ah, os peitos inchados pelos espartilhos das mulheres também agrada (oh, Juno Temple...), mas não chegam a ser um grande diferencial... (Afinal, faltam mulheres de peito no filme. Interprete isso como quiser.)

Trailer:



Para saber mais: crítica no Omelete.

2011-09-07

Filme: Loup - Uma Amizade para Sempre

Ao assistir o filme francês Loup - Uma Amizade para Sempre (apenas Loup, ou Lobo, no original), a sensação que eu tive foi a de assistir a um filme Disney dos anos oitenta: paisagens grandiosas e exuberantes da natureza como cenário para uma história adolescente meio fraca, mostrando a amizade entre um ser humano e um animal. Ou seja, um filme legal se você ainda não alcançou os dez anos de idade.

filme loup uma amizade para sempre poster cartaz

O cenário desta vez é são os vales e montanhas da Sibéria, onde algumas tribos nômades Evens lutam para sobreviver, criando renas. Fora o ambiente já pouco agradável (Sibéria!), o maior inimigo dos Evens são os lobos, que no rigoroso inverno veem as renas criadas pelos homens como um excelente banquete. Em uma tribo, o jovem Sergei (Nicolas Brioudes) é escolhido pela primeira vez como guardião do rebanho (ou seja lá como for o nome do coletivo) de renas. A sua missão é subir para as montanhas, onde os animais estão, e vigiá-los, cuidando para que nenhum outro animal selvagem ataque a criação, enquanto o resto da tribo fica numa região menos rigorosa. Lá na montanha, Sergei se depara com uma loba. Ao segui-la, ele encontra a loba com seus pequenos e fofos filhotes e não tem coragem de atirar. Ao contrário, encantado por eles, começa a tentar se aproximar dos animais.

Infelizmente, a tradição da tribo de Sergei é atirar antes e perguntar depois, quando se trata de lobos. Assim, ele procura esconder os seus "animais de estimação" de um rival invejoso da sua posição (ser guardião é um bom status na tribo), de uma amiga de infância chamada Nastazya (Pom Klementieff), que desde o primeiro momento já sabemos que será o interesse romântico do rapaz e do seu pai (interpretado por Min Man Ma), rigoroso em sua política de que lobo bom é lobo morto.

filme loup uma amizade para sempre

O ponto forte de Loup - Uma Amizade para Sempre é definitivamente a sua fotografia. Tanto ao retratar as paisagens de vales e montanhas siberianas, em diferentes estações do ano (absurdamente lindas no inverno, cobertas de neve), em planos gerais, enfocando a beleza natural do cenário, quanto ao retratar em planos ainda bem abertos, Sergei, os lobos e a natureza em sua volta. Muito provavelmente ajuda o fato de que o diretor Nicolas Vanier (que também co-escreveu o roteiro) ser um documentarista (este é o seu primeiro longa de ficção).

O ponto fraco do filme é seu roteiro, que além de inverossímil, é bastante clichê. Clichê porque a maioria dos clichês desse tipo de filme estão ali: a amizade homem-animal que começa reticente, depois se torna mais forte; a ameaça de outros homens que não entendem e/ou não tem a sensibilidade de ver os animais como algo que não peles e bocas; o interesse romântico que acaba compartilhando a amizade junto com o protagonista; o discurso de que o homem está acabando com a natureza, e que se não tomar jeito, vai pro buraco junto, etc. De fato, ao enumerar esses clichês, vejo que tem um bocado de Dança com Lobos no filme.

filme loup uma amizade para sempre

O problema do roteiro vai além dos clichês. Os personagens são muito mal construídos e inverossímeis. Sergei, por exemplo, apesar de já ter se tornado adulto com as suas responsabilidades, age como uma criança mimada. Teima em não ver ou não enxergar as consequências de seus atos para com o resto da tribo. Seria até muito bonito ver um personagem cuidando de animais mesmo sacrificando a própria sobrevivência e de sua tribo... Não, não seria. Especialmente se esse personagem não cresceu num ambiente "folgado" como é a civilização ocidental, em que a sobrevivência passa longe da batalha que é, num ambiente selvagem como o retratado. E nem vou mencionar o fato de um adolescente cheio de hormônios dispensar a bela garota claramente caidinha por ele porque estava preocupado com os lobinhos... Outro personagem que serve de buraco pro roteiro é o rival de Sergei. Dependendo da necessidade do roteiro, ora é apenas um invejoso de Sergei, ora é um cara apenas preocupado com o bem da tribo... Não se define muito bem. Assim como o pai de Sergei, que tem uma espécie de epifania no final do filme, em que muda de opinião, com uma simples visão de um momento de dificuldade do filho. Difícil de engolir.

Eu diria que os melhores personagens de Loup - Uma Amizade para Sempre são os lobos. Retratados como os animais que são, em boa parte da projeção o comportamento deles é o esperado. Ou seja, não são antropomorfizados em suas reações. Infelizmente, a obrigatória cena em que o protagonista tem que salvar um dos animais pra depois este retribuir, acaba colocando toda essa caracterização em jogo. Difícil acreditar que um lobo iria colocar a barriga pra esquentar as mãos de Sergei, depois deste ter caído na água gelada (mesmo que para salvar o animal). De resto, os animais se saem bem, mesmo que não devam ter sido muito obedientes ao diretor (nota-se que a edição às vezes corta os planos para algum zoom ou outro plano, porque o animal não "estava exatamente na sua marcação").

filme loup uma amizade para sempre

Hmmm, e falando nos animais, será que o PETA aprovou o filme? Apesar da equipe de lobos ter sido bem tratada (nos créditos aparecem os nomes dos lobos atores e seus tratadores), desconfio que as pobres renas tenham sofrido. Se alguém me disser que a cena do estouro das renas do cativeiro não teve nenhum animal machucado, eu diria que foi uma sorte enorme. E, se aconteceu algum dano a algum animal, é até irônico considerando um dos temas do filme, que é justamente a proteção à natureza (não só dos animais e da convivência humano-lobos, mas de todo o ambiente, simbolizado pelos rápidos discursos quanto à chegada de estradas e indústrias em regiões perto dos territórios onde a tribo perambulava).

Loup - Uma Amizade para Sempre é um filme suave, na categoria de filmes fofos (a platéia faz um óuuunnn quando aparecem os filhotes de lobos brincando com uma borboleta, por exemplo), mas ainda assim, um filme infantil (naqueles em que o personagem principal nota um outro conjunto de pegadas, a câmera corta para o lobo macho correndo pelo rio/vale e finalmente entra em cena no exato momento). O discurso do filme, traçando paralelos entre homens e animais como seres vivos diferentes, mas com uma essência parecida (e a cena em que planos mostrando Sergei e Nastazia rolando e brincando - eu disse brincando - na grama, intercalado com planos mostrando os lobinhos também rolando um em cima do outro ilustram toda essa ideia), pra uma audiência mais infantil, até pode dar certo. Mas se você já passou dos dez anos (ou oito, ou sete, sei lá, as crianças hoje em dia não são como as da minha época), pode até achar o filme fofo/meigo. Mas vai saber, lá no fundo do seu consciente, que ele é meia boca.

Trailer:



Para saber mais: crítica no Omelete.

P.S. No começo é estranho ouvir o pessoal supostamente siberiano falando em francês, mas logo a gente se acostuma. =P

2011-05-20

Filme: Padre - em 3D

Filmes cujos temas flertam com releituras da tradicional mitologia da Igreja católica, ainda mais com seres sobrenaturais como vampiros (os de verdade, não aqueles que brilham), têm um alto potencial para me agradar. O filme Padre (Priest, no original), nesse contexto, tinha uma alta probabilidade para me agradar. E me agradou um pouco, mas não a ponto de relevar seus (muitos) defeitos.

filme padre priest poster cartaz

Baseado num manhwa coreano (manhwas são quadrinhos coreanos - seria isso tão redundante quanto falar em mangá japonês?), Padre se passa num mundo paralelo, onde vampiros sempre existiram, vivendo (e lutando) com a humanidade. Num cenário futurista pós-apocalíptico, a guerra entre vampiros e humanos dizimou o planeta, deixando-o quase todo desértico. A maioria dos humanos restantes vive em grandes cidades industriais, escuras pela fumaça da indústria e onde cinzas caem incessantemente. A guerra terminou quando a Igreja montou uma organização de guerreiros, verdadeiras armas humanas (ou não), chamados de padres. Os padres ganharam a guerra para a Igreja, destruindo a maioria dos vampiros, deixando apenas alguns em reservas controladas (como se fossem índios?). Finda a guerra, a Igreja temendo que esses fortes guerreiros se voltassem contra a própria estrutura ditatorial dela, desmonta a organização e os padres são destituídos de suas permissões, vivendo a margem da sociedade, crendo que os vampiros não mais são uma ameaça. O que, claro, não é verdade (senão, não teríamos um filme).

filme padre priest

Neste cenário, o Padre protagonista, sem nome (interpretado por Paul Bettany), recebe a visita do xerife de um posto avançado, Hicks (Cam Gigandet), dizendo que não só vampiros atacaram uma casa, como também levaram a sobrinha do Padre, Lucy (a gatinha Lily Collins). Sem permissão da Igreja, que não mais reconhece a possível ameaça de vampiros, o Padre desafia seus superiores, nas figuras dos monsenhores interpretados por Christopher Plummer e Alan Dale, e parte em busca da menina raptada, ao lado de Hicks.

Padre tinha um bom potencial, mas o roteiro é bem fraco, mesmo considerando-se as lacunas deixadas propositalmente, talvez, para serem exploradas numa possível (mas agora uma tanta improvável) continuação. Por exemplo: os padres eram mais do que humanos normais super treinados? A "vocação" desperta neles (mencionada quando é dito sobre como o protagonista foi chamado para virar o Padre) seria um indício disso (como se fossem mutantes estilo X-men)? Seria por isso que o vilão do filme seria um vampiro especial? E se não fosse, por que a rainha dos vampiros (ah sim, os vampiros seguem um padrão de abelhas no filme, com colméias e uma rainha), não cria mais vampiros especiais (ou vampiros humanos, como é chamado no filme)? E quanto a questão dos monsenhores da Igreja, eram eles estúpidos apenas ou haveria uma intenção oculta em negar a continuidade da existência de vampiros atacando? São questões que o filme deixa em aberto, mas que poderia muito bem ter abordado.

filme padre priest

Padre transita entre o filme de ação/aventura e de terror, mas sem ser realmente bom em nenhum dos dois gêneros. É fácil reparar que o filme usa recursos de filmes de terror, ao tentar induzir o espectador a algum suspense ou apreensão, especialmente quando não mostra o que acontece ao redor. Alguém já disse que o mais assustador é o que não se mostra ao público, mas o induz a imaginar (e um exemplo perfeito disso é o final de Se7en). Em Padre, esse artifício é bastante usado, seja na cena em que Lucy é raptada (quando ela se esconde no porão e ocorre uma luta dos pais dela com os vampiros acima, e a câmera foca a expressão de Lucy, entrecortada com a visão das tábuas de madeira e a pouca luz passando entre elas), seja na cena na reserva, em que o Padre cai lutando com um vampiro por um poço, ressurgindo depois de uns instantes de absoluto silêncio.

Entretanto, se no primeiro exemplo a cena até funciona (apesar do clichê), na segunda ela perde totalmente o sentido, uma vez que sabemos que o protagonista e herói não vai morrer, especialmente antes da metade do filme. Ainda sobre essa cena, ela acaba ilustrando outro defeito do filme, enquanto filme de ação: o corte nas cenas de ação. Como esta cena não funciona como terror (afinal, não gera suspense ou surpresa alguma), deveria funcionar como cena de ação (o que vinha acontecendo até então, com o Padre enfrentando alguns vampiros, com uma ação bem decente). Mas a ação para a fim de gerar um suposto suspense ao ver o Padre e o vampiro caírem no poço, suspense este que já disse que não funciona. Outro exemplo de uma cena de ação que teria um ótimo potencial, mas que é cortada, é a luta entre o vampiro vilão do filme (interpretado por Karl Urban) e os três Padres, que acaba mostrando apenas uma primeira luta.

filme padre priest


Infelizmente, o filme conta com poucas cenas de ação um pouco mais longas (a luta na reserva, na colmeia e a luta final). São cenas bacanas, mas que não se desenvolvem tanto quanto deveriam, deixando a sensação de que elas sofreram cortes ou foram adaptadas para serem mais curtas. O diretor Scott Stewart até tem um bom olho para orquestrá-las, mas as limitações delas (talvez por razões orçamentárias) estraga a experiência.

Se Padre peca por um roteiro irregular e cenas de ação que muito prometem, mas pouco entregam (decepcionando um pouco assim), a direção de arte no geral é excelente. A ambientação é excelente, e a disparidade entre os cenários urbanos (a cidade sombria e industrial, com cinzas caindo e um clima futurista meio Blade Runner) e os cenários no deserto (que dão ao filme um tom de faroeste) é muito bem explorada (e a cena em que o Padre se distancia da cidade de moto, saindo da sombra da fumaça gerada pela cidade, além de importante para a história, é visualmente muito bacana). Além disso, o figurino também merece destaque, especialmente as roupas estilo de velho oeste americano.

filme padre priest

Com atuações decentes (mas nada incrivelmente notável), Padre tem muitas ideias bacanas, mas pouco exploradas. A ditadura da Igreja, por exemplo, fica quase jogada na história, e a vampira rainha mal aparece (e aparece apenas numa penumbra). Fica a impressão de que o diretor Scott Stewart e o roteirista Cory Goodman fizeram o filme pensando em uma continuação (ou uma trilogia, como anda na moda). Infelizmente, a baixa arrecadação até agora não ajuda nesse quesito. O fato de ter sido adiado por várias vezes, por causa da conversão do filme para 3D também não ajudou. Aliás, o 3D é pouco notado, sendo mais visível apenas em alguns planos que já estão virando clássicos pra mostrar o efeito tridimensional, neste caso, os planos dentro da cidade com as cinzas caindo.

filme padre priest

Enfim, no geral, Padre é um filme fraco, mas que até agrada numa tarde em que não se tem mais nada para ver. É, sobretudo, um filme que tinha grande potencial. Mas nem sempre um grande potencial se transforma em algo grandioso.

Trailer:

2011-04-24

Filme: Rio - em 3D

Começo dizendo que não gosto da trilogia A Era do Gelo, tanto que nem assisti ao terceiro filme (o primeiro achei fraco e o segundo me fez dormir). Por isso, a frase "dos criadores de A Era do Gelo" no cartaz da animação Rio não só não me empolgou, como também me deixou com um certo receio. Que no final foi injustificado, pois Rio é sim, uma bobagem, mas uma bobagem divertida.

filme rio poster cartaz

Se na época do primeiro "A Era do Gelo" a diferença entre os filmes da Pixar e das concorrentes (qualquer que fosse) era gritante, tanto em termos técnicos quanto no desenvolvimento da história, hoje, pelo menos na parte técnica da animação, essa diferença não existe mais (pelo menos para alguns estúdios maiores, como o Blue Sky deste filme Rio). Entretanto, a parte que concerne o desenvolvimento da história, essa ainda a maioria come poeira da Pixar (apesar de termos um ou outro concorrente a altura, como o recém exibido Rango).

Rio é um representante desse tipo de animação: impecável tecnicamente, mas com uma história rasa e bobinha, mas que agrada a uma faixa etária mais baixa. E nem discuto a ambientação totalmente fantasiosa da cidade do Rio de Janeiro, já que o Rio do filme é aquele feito pra ser vendido a turistas, e que só reforça clichês que estrangeiros têm em mente em relação ao Brasil, como sermos o país do futebol, samba e mulheres (o que nem sempre causa boa impressão, vide esta propaganda nsfw aqui). O irônico é que o diretor de Rio é justamente um brasileiro, Carlos Saldanha.

filme rio

Rio conta a história da ararinha azul Blu, o último macho da sua espécie. Tendo sido levado da floresta quando filhote, foi parar no distante estado de Minessota nos Estados Unidos, e por acidente caiu nas mãos de Linda, sua dona e com quem cresceu. Tanto Linda e Blu vivem numa espécie de mundinho particular, tanto que Blu nunca aprendeu sequer a voar. Um dia, o cientista-nerd-adorador-de-pássaros Tulio entra na vida dos dois, convidando-os a irem ao Rio de Janeiro, onde Jade, a última arara da espécie se encontra, para procriarem e salvarem a espécie. Já no Rio de Janeiro, Blu e Jade promovem aquele clichê de comédia romântica em que os protagonistas a princípio não se bicam, mas depois se apaixonam, isso enquanto fogem de traficantes de animais que têm uma cracatua como principal ajudante, encontram amigos pelo caminho como um tucano com jeito de malandro e um cachorro que adora Carmen Miranda, isso tudo passando por pontos turísticos do Rio de Janeiro.

filme rio

Com bastante parte do seu humor vindo do pastelão e dos clichês brasileiros-carnavalescos (não faltam marmanjos em fantasias, digamos... femininas demais), Rio também investe bastante na aventura. O problema é o desbalanceamento entre os gêneros, que passa da perseguição para a aventura para a comédia romântica para a superação... A sensação que fica é que com muitas boas ideias, quiseram colocá-las todas juntas, o que nem sempre flui bem.

filme rio

Graficamente excelente, o único momento em que Rio se perde é quando mostra a cidade do alto de dia, fazendo com que a cidade pareça mais uma maquete com bloquinhos. Fora esse detalhe, a ambientação no Rio traz a lembrança filmes antigos, como se o diretor resgatasse um Rio com menos problemas de antigamente, uma época mais romântica e pontuada pela bossa nova (e a cena do jantar de Tulio e Linda ilustra isso perfeitamente). Quanto ao 3D, é eficiente e bem usado, mas não faz uma grande diferença narrativa. Ou seja, assistir sem o 3D vai lhe conferir uma experiência praticamente igual (isso se você não for novato ao assistir filmes em 3D, tendo a magia da novidade já passado).

filme rio
Não poderia faltar praia e bunda num filme do Rio.

Mesmo tendo defeitos (e se você considerar a geografia carioca, que pra passar pra qualquer lugar do Rio você tenha que atravessar o sambódromo, então tem muito mais defeitos), o filme Rio é divertido. Tem algumas boas sacadas (os micos-ladrões-trombadinhas, por exemplo), e é o tipo de filme leve e bobinho que você leva o sobrinho pentelho pra comer pipoca e tomar refrigerante e morrer com uma overdose de açúcar no sangue. Enfim, é aquele tipo de filme que não é excepcional, mas que é simpático e não ofende ninguém. A não ser, claro, quem mora no Rio e acha que os filmes, mesmo animações, devem retratar com fidelidade a cidade. Nesse caso, passe longe, até porque números musicais de samba, mesmo com pássaros (e até flamingos), não devem fazer parte do cotidiano de lugar algum.

Trailer:

Para saber mais: crítica no Cinema em Cena e no Omelete.

2011-04-18

Filme e Livro: Eu Sou o Número Quatro

Desde que o velho e bom Stan Lee criou os X-Men com seus mutantes que desenvolviam poderes na puberdade, essa boa (e agora já velha) metáfora das mudanças que acontecem nessa fase da vida têm permeado histórias juvenis de heróis. E o último representante dessa linha é o novo filme e livro Eu Sou o Número Quatro (originalmente, I Am Number Four). Pra economizar, e como ando com preguiça de escrever, faço um post só para os dois, livro e filme, já que apesar das diferenças, boa parte da essência da história permanece a mesma.

filme eu sou o número quatro poster cartaz

Em Eu Sou o Número Quatro, os habitantes do planeta Lorien foram dizimados numa invasão pelos perversos e guerreiros habitantes do planeta Mogadore. Entretanto, no meio da invasão, conseguiram enviar para a Terra (o planeta mais próximo de Lorien, tirando Mogadore), nove crianças especiais, acompanhadas cada uma, de um tutor. Essas crianças faziam parte de uma elite loriena chamada Garde. Os membros dessa elite ao chegarem na adolescência, desenvolvem poderes chamados Legados. Poderes esses que são à la X-Men: invisibilidade, telecinésia, força e agilidade, pra citar alguns. A esperança era que essas nove crianças crescessem na Terra e, ao ficarem adultas e com plenos poderes, derrotassem os mogadorianos. Mas os mogadorianos chegam à Terra e começam a caçar essas crianças, de preferência antes que elas desenvolvam os seus Legados. O livro/filme acompanha parte da vida da quarta dessas crianças lorienas que chegou a Terra. Mais especificamente, a época em que ele começa a desenvolver seus Legados.

filme livro eu sou o número quatro

Já adianto que uma das maiores diferenças entre o livro e o filme é que o filme abandona um dos gêneros aos quais o livro pertence. Se o filme é um filme de ação/aventura com toques de ficção científica e romance adolescente, o livro tem além desses pontos, o gênero fantasia embutido. Se no filme a explicação para os poderes dos garotos(as) é simplesmente ser extra-terrestre, no livro a explicação é: eles são extra-terrestres E de Lorien, porque lá existe magia. Não mágica ou ilusionismo, mas magia. Que é a fonte dos poderes Legados. E como toda essa parte de magia/fantasia foi retirada do filme, sinto que ficou faltando o porquê do número 4. No filme, não tem explicação, ou ela é implícita (a de que as crianças seriam meros números, sem nomes, o que é uma explicação bem capenga, considerando que isso desumaniza a pessoa, vide prisioneiros que são apenas números em cadeias). No livro, a explicação é que, ao sairem de Lorien, para proteger as crianças, um Ancião lançou um feitiço nelas: a de que elas só poderiam ser mortas ou machucadas numa ordem pré-estabelecida, a não ser que elas ficassem juntas num mesmo ambiente. Ou seja, não só explica o número, mas também porque o número quatro é a quarta criança a ser perseguida.

Sim, porque logo no começo de Eu Sou o Número Quatro, vemos o número 3 sendo perseguido e morto por mogadorianos. A cada um dos nove mortos, aparece acima do tornozelo dos restantes uma marca, indicando que um deles foi morto. E isso acontece para o número 4 (interpretado no filme por Alex Pettyfer) enquanto ele está numa festa. Ao saber do ocorrido, o seu tutor Henri (interpretado no filme por Timothy Olyphant) decide mais uma vez se mudar, coisa que é rotina para os dois. Eles estão sempre se mudando e trocando de identidade para despistar os mogadorianos. Desta vez, eles vão para a pequena cidade de Paradise, Ohio, onde o 4 assume o criativo nome de John Smith (o equivalente a "José da Silva" americano). Nesta cidade, ele fará amizade com o obcecado por alienígenas e OVNIS Sam (interpretado por Callan McAuliffe), se apaixonará pela garota mais linda do colégio, Sarah (Dianna Agron), e por causa disso, enfretará o valentão da escola (e claro, astro de futebol americano) Mark (Jake Abel).

filme livro eu sou o número quatro

Tanto o livro quanto o filme enfocam bastante o lado "drama adolescente": o protagonista que chega num novo colégio, onde enfrenta o valentão pelo coração da menina, e no processo, também faz amizade com outros que sofrem com os valentões. Clichê? Sim, com certeza, mas como é tecnicamente bem feito, é palatável. No filme, o drama é acelerado, o que não o deixa entediante. E no livro, o autor Pittacus Lore (um pseudônimo muito engraçadinho), usa uma narrativa de capítulos curtos, com bons ganchos entre eles, dando agilidade à leitura. Além disso, no livro o drama adolescente é intercalado com a questão do surgimento dos poderes Legados, o treinamento para aperfeiçoá-los e a história de Lorien, aspectos que foram cortados no filme.

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Essas lacunas deixam o filme um tanto inferior ao livro, especialmente na questão do desenvolvimento dos personagens. Com um ritmo rápido, o filme Eu Sou o Número Quatro acaba não explorando a amizade de Sam e John a contento, por exemplo, nem a relação paternal entre John e Henri. A passagem da feira municipal com o trem fantasma também é bem inferior no filme, uma vez que no livro, são mais personagens envolvidos. Apesar disso, o filme acerta em ir dando dicas de elementos que só aparecem no final do livro e que soam um tanto Deus Ex Machina no livro, mais especificamente o caso do cachorro de John (reparem no enfoque que o diretor D.J. Caruso dá ao pequeno animal) e a aparição de outra loriena, a número 6 (interpretada no filme pela bela Teresa Palmer), que surge bad-ass e chutando bundas.

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Aliás, esse é outro ponto (o de chutar bundas) que considero bastante divergente entre livro e filme. No livro Eu Sou o Número Quatro a ameça mogadoriana é boa parte do tempo apenas uma ideia, mais ou menos como Sauron em Senhor dos Anéis. A ameaça se torna mais concreta apenas no final, quando o autor acelera na ação e faz um final que não admite tomada de fôlego, principalmente pelo inimigo ser mais poderoso do que até então se imaginava. No filme é quase o oposto: a ameaça mogadoriana se mostra sempre presente, em diversas cenas que mostram os mogadorianos no encalço do número 4 (inclusive na ótima cena do supermercado). Só que no final, os mogadorianos são vencidos até facilmente (se comparado com a batalha do livro, claro), dando um aspecto de "super-herói imbatível" aos lorienos. Particularmente, acho a fragilidade deles diante de um inimigo muito maior (pelo menos, no presente momento), o que torna a história mais interessante.

filme livro eu sou o número quatro

De certo modo, essa aura de fragilidade que o livro me passou e o filme não, do protagonista estar apenas nos seus primeiros passos na sua jornada heróica, se deve ao fato dele ter no livro uns 15 anos, e no filme, o ator Alex Pettyfer ter cara de mais velho. Além disso, outra diferença gritante entre livro e filme é que no filme, logo na sua primeira cena no jet ski, percebemos que o 4 é bem mais chamativo, atraindo a atenção das pessoas com suas manobras radicais (no livro ele também atrai a atenção, mas apenas sem querer). No filme, como um produto fechado, não creio que isso atrapalhe. O problema é numa eventual continuação: se você deixa o seu protagonista muito forte, o seu próximo inimigo também tem que se fortalecer ainda mais, senão o herói vai superar o que? E sem superação, qual é a graça? Tirando esse detalhe, a atuação no geral é boa. Destaque para as meninas, claro, já que Dianna Agron e Teresa Palmer (totalmente diferente de seu trabalho anterior em O Aprendiz de Feiticeiro) estão lindas.

filme livro eu sou o número quatro

Eu Sou o Número Quatro, o filme, é uma diversão bacana. Sim, tem várias pontas soltas e coisas mal explicadas (a arca loriena que Henri carrega, por exemplo), mas que são explicadas no livro. Talvez a intenção seja explorar esses aspectos numa possível continuação? O ponto é que apesar disso, o filme tem bastante ação, bons efeitos especiais e a história continua interessante. Vale uma sessão da tarde descompromissada.

Eu Sou o Número Quatro, o livro, é uma grande mistura de ficção científica, aventura, drama/romance adolescente e fantasia. É uma leitura agradável e cativante, com uma história claramente voltada ao público adolescente. E os dizeres da capa, com o "autor" afirmando ser uma história verdadeira, dá ao livro um tom engraçado. Ou será que dá pra confiar em alguém que se chama "Pittacus Lore" (lore = folclore) e cujos planetas da história sejam nomes bem tolkenianos? (Lothlorien, floresta onde vive Galadriel, e Mordor, onde reside Sauron, são nomes bem parecidos com Lorien e Mogadore, não?) Engraçadinho.

Trailer do filme:



Para saber mais sobre o filme: crítica no Omelete.
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