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2013-09-19

Filme: Rush - No Limite da Emoção

Antes de mais nada, tenho que confessar que não gosto de Fórmula 1. Não, estou sendo generoso demais. Eu detesto Fórmula 1, acho muito enfadonho e sem graça. Por isso, foi uma grata surpresa assistir o filme Rush - No Limite da Emoção (apenas Rush, no original) e sair da sessão com um sorriso no rosto, por ter visto um excelente filme.

filme rush - no limite da emoção poster cartaz

Rush - No Limite da Emoção nos traz a história real da histórica rivalidade entre dois pilotos de Fórmula 1 nos anos 70, o austríaco Niki Lauda (interpretado no filme por Daniel Brühl) e o inglês James Hunt (interpretado por Chris Hemsworth, mais conhecido como Thor). A rivalidade entre eles se inicia ainda na Fórmula 3, no início de suas carreiras, e culmina no campeonato de Fórmula 1 de 1976, um dramático ano, quando Lauda sofre um acidente que quase custa-lhe a vida.

filme rush - no limite da emoção james hunt niki lauda

Não bastasse a história interessante, Rush - No Limite da Emoção (ou apenas Rush daqui em diante) tem o grande mérito de saber contá-la muito bem. Na primeira parte do filme, o roteiro de Peter Morgan vai construindo a história individual de Lauda e Hunt, como se fosse uma corrida em que cada um se reveza um pouco na dianteira, com eventuais esbarrões onde eles interagem. Ou seja, o filme dá um espaço igual aos dois pilotos, o que acentua ainda mais a diferença entre eles: enquanto Hunt é mulherengo, bon-vivant e destemido, Lauda é cauteloso, calculista e inteligente. O que eles têm em comum é o desejo de vitória, apesar de mesmo as motivações para isso serem diferentes, coisa que é acentuada desde o primeiro encontro, até o último mostrado no filme, nas cenas finais.

filme rush - no limite da emoção chris hemsworth champagne

Além do ótimo roteiro, visualmente também Rush é fantástico. Com uma fotografia granulada, que simula os filmes dos anos 70, Rush tem uma boa direção de arte, que recria bem o visual setentista. Outro destaque são as cenas que ilustram as corridas de Fórmula 1, sejam aqueles planos de dentro do carro, sejam aqueles clássicos planos de câmeras do lado da pista. Mesmo com o eventual uso de CGI (computação gráfica), o visual é extremamente realista. Adicione-se a isso os excelentes design de som e edição, e o resultado são cenas muito empolgantes (mesmo para quem acha as corridas um tédio na vida real, como eu).

filme rush - no limite da emoção daniel bruhl ferrari

Tudo isso, entretanto, seria vazio se Rush não apresentasse personagens humanos e críveis. Nesse ponto, Rush também não perde a pole: as atuações estão excelentes. Apesar do papel de Hunt não oferecer tanto desafio assim a Chris Hemsworth, o ator funciona bem como o cara que quer aproveitar o máximo da vida sem pensar muito no amanhã. O destaque, entretanto, é para o excelente Daniel Brühl. Fisicamente impecável como Niki Lauda (a princípio não reconheci o ator, que usa próteses dentárias para ficar com a "aparência de rato" de Lauda), o ator, que já se mostrou um grande intérprete em vários filmes (destacando-se para o grande público em Bastardos Inglórios), não só consegue interpretar o personagem de maneira ótima antes, mas também durante e depois do acidente que Lauda sofre e o desfigura parcialmente (destaque para a cena da entrevista pós-retorno, com uma atuação fantástica).

filme rush - no limite da emoção alexandra maria lara daniel bruhl

E em se tratando de Fórmula 1, não é possível deixar de lado as belas mulheres. E o filme tem pelo menos três beldades que merecem destaque, não apenas pela beleza, mas pelas atuações que nada deixam a desejar: a sempre sensual Olivia Wilde como a modelo (ex-)esposa de Hunt Suzy Miller, Alexandra Maria Lara como Marlene Lauda, esposa e grande apoiadora de Niki, e a linda Natalie Dormer, mais conhecida pelos fãs de Game of Thrones como Margaery Tyrell, num papel secundário como uma das "peguetes" de Hunt (Huntete?).

filme rush - no limite da emoção olivia wilde

No final das contas, Rush - No Limite da Emoção é menos sobre carros, velocidade e Fórmula 1 do que sobre rivalidade, competitividade e até mesmo amizade. E isso é o que torna o filme excelente e passível de identificação por qualquer um. Nem todo mundo gosta de carros e velocidade, mas só quem não é humano não reconhecerá a grande história por trás desses pilotos e sua rivalidade.

Trailer:



Para saber mais: críticas no AdoroCinema, Omelete e blog do Rubens Ewald Filho.

2013-09-12

Filme: Jobs

Muitos diriam que se fossem descrever Steve Jobs em uma palavra, usariam "gênio". Tendo lido a sua biografia escrita por Walter Isaacson (um calhamaço de mais de 600 página que vale cada linha), a palavra que me vem à mente quando ouço o nome Steve Jobs é "cretino". De fato, estou até sendo benevolente, pois apesar de sua inegável genialidade comercial, pessoalmente, frequentemente ele foi um canalha. Mas também foi admirável. Se isso soa paradoxal, acostume-se: Jobs era assim mesmo. Um personagem fascinante, cuja história pessoal é inseparável da empresa que criou, a Apple, e cuja cinebiografia Jobs infelizmente falha em retratar.

filme Jobs cartaz poster

Dirigido pelo relativamente desconhecido Joshua Michael Stern, o filme Jobs não é um filme ruim, mas se mostra bastante fraco, especialmente por causa de seu roteiro, assinado pelo estreante Matt Whiteley. Englobando um longo período de tempo, desde a década de 70 (com a faculdade e o surgimento da Apple) até o começo dos anos 2000 (terminando com o lançamento do primeiro iPod), o filme peca em mostrar de relance ou apenas mencionar vários episódios importantes da vida de Jobs, como a sua viagem à Índia (mostrada de relance), seu conflito interno por ser adotado (apenas mencionado durante uma "viagem") e especialmente, o relacionamento com sua primeira filha, Lisa, que depois de ser abandonada e relegada por Jobs durante boa parte de sua juventude, aparece magicamente convivendo com ele, depois de um salto temporal no filme. São várias coisas que o filme cita ou mostra rapidamente (como a mulher de Jobs), mas não se aprofunda. A impressão para quem não conhece a história real é uma sensação de incompletude, mostrando acontecimentos que nunca mais serão citados nem concluídos.

filme Jobs Steve Woz

Jobs, o filme, reúne um grande conjunto de bons atores coadjuvantes, com destaque para Dermot Mulroney como Mike Markkula (o primeiro investidor da Apple) e Josh Gad como Steve Wozniak (o gênio da engenharia por trás do talento comercial de Jobs). E apesar da boa caracterização de Ashton Kutcher como Steve Jobs, com o visual e imitação de trejeitos merecendo aplausos, a atuação do protagonista deixa um pouco a desejar, se revelando inconstante ao longo da projeção: ora sendo caricato demais (andando como Jobs mais velho), ora faltando expressão (nos momentos mais dramáticos, em que a sua expressão facial falha em mostrar um sentimento).

filme Jobs equipe reunida Apple original

Steve Jobs era uma pessoa de extremos. Realizou grandes feitos, mas também fez muita merd@ na vida. Com seus paradoxos e idiossincrasias, era também extremamente humano. E tudo isso o filme falha em ser: não se enquadra em nenhum extremo (não é tão bom assim, mas também não é tão ruim assim, ficando naquela área da mediocridade) e também falha em ser humano (Jobs ora é retratado com reverência reservada a um deus, ora se mostra um vilão cartunesco). Se fosse vivo e assistisse este filme, provavelmente teria um de seus famosos ataques de temperamento. Sem deixar de ter uma boa razão.

Trailer:



Para saber mais: crítica no Cinema em Cena e no Omelete.

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