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2018-08-27

'Tenho doutorado. Posso adicionar o título de doutor ao meu e-mail corporativo?' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 27/08/2018, com um ouvinte que concluiu um doutorado e quer saber se pode adicionar o título de doutor em seu e-mail corporativo.

Áudio original disponível no site da CBN. E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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'Tenho doutorado. Posso adicionar o título de doutor ao meu e-mail corporativo?'

e-mail corporativo

Um ouvinte escreve: "Trabalho em uma empresa bem grande e tenho um título de doutorado. Como essa formação me custou muitas horas de dedicação e um razoável investimento financeiro, pergunto se posso adicionar o título de doutor a meu e-mail corporativo?"

Bom, em muitos países, isso certamente seria normal. Nos Estados Unidos, por exemplo, a adição da sigla PhD ao nome de um profissional, não provoca nenhum tipo de insatisfação aos colegas de trabalho.

No Brasil, o título de doutor sempre acompanhou alguns profissionais específicos, como médicos, advogados e cientistas. Mas no mundinho corporativo, a coisa muda de figura.

Embora eu concorde com o seu merecimento, é bem provável que você seja acusado de ostentação ou coisa pior, se enviar um e-mail de trabalho com um "Doutor" atrelado a seu nome.

E como você trabalha em uma empresa bem grande, certamente há nela profissionais com mestrado, MBA e outras distinções. E muitos deles criticarão o seu atrevimento em seu auto-promover.

O que lhe sugiro é consultar a área de recursos humanos, que poderá decidir se é adequado que todos os funcionários com títulos passem a usá-los internamente.

Eu posso quase lhe garantir que a resposta será negativa. O seu doutorado é, de fato, uma conquista. Mas no Brasil corporativo, alardear algo que a maioria não tem, é interpretado como presunção, e não como exemplo.

Max Gehringer, para CBN.

2018-08-24

Desemprego afeta candidatos com as mais variadas formações - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 24/08/2018, com uma ouvinte que se formou tecnóloga e não consegue emprego.

Áudio original disponível no site da CBN. E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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Desemprego afeta candidatos com as mais variadas formações

brasil em crise desemprego

Escreve uma ouvinte: "Sou tecnóloga, formada este ano. E não estou conseguindo encontrar emprego. Isso ocorre por que os cursos de tecnólogos não são bem vistos pelo mercado de trabalho?"

Não. Isso acontece porque há uma crise. E o desemprego afeta candidatos a emprego de todos os tipos, bacharéis ou tecnólogos, tanto formados em cursos presenciais, quanto de ensino à distância.

No caso de jovens como você, um em cada três ou está desempregado, ou sub-empregado, ou fazendo algum bico para se manter, ou simplesmente parou de procurar vagas. É um número assustador.

Quanto aos tecnólogos, que são os formandos em cursos superiores de dois anos de duração, eles já sofreram mais preconceitos do que sofrem hoje. Os primeiros formandos esbarravam na resistência de muitos recrutadores, que haviam estudado quatro anos e não achavam justo contratar quem tinha se formado em metade do tempo.

Essa fase passou. As empresas já entenderam que, em muitos tipos de trabalho, uma educação de dois anos oferece conhecimentos suficientes para o desempenho de uma função específica.

Eu me formei em Administração. Mas no mundo atual, da interatividade e da informação instantânea e facilmente disponível, não tenho dúvidas de que eu poderia aprender em dois anos, o que aprendi em quatro.

Portanto o problema não é você e nem é o seu curso. É o Brasil, que patina no fundo do poço.

Max Gehringer, para CBN.

2018-03-12

Agências de serviços temporários são opção para jovens desempregados - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 12/03/2018, com um jovem ouvinte que não está conseguindo um emprego.

Áudio original disponível no site da CBN. E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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Agências de serviços temporários são opção para jovens desempregados

inserção no mercado de trabalho

Um ouvinte escreve: "Tenho 20 anos, concluí um curso superior em modalidade tecnológica e venho há meses tentando conseguir um emprego. Afinal de contas, a situação do Brasil melhorou ou não?"

Sim, melhorou em relação ao que o Brasil tinha sido, nos dois anos em que o PIB desabou. Porém, como você está constatando, essa melhora ainda está longe de resolver o problema do desemprego, principalmente em casos como o seu.

Segundo o IBGE, um em cada quatro jovens brasileiros entre 18 e 24 anos, terminou o ano passado sem emprego formal. Essa é a herança mais indigesta da crise econômica.

Para normalizar a situação, seria preciso que quatro milhões de vagas fossem criadas em curto prazo.

A sugestão que posso lhe dar de imediato é a de se cadastrar em agências que fornecem serviço temporário a empresas. Embora seja um trabalho transitório, ele oferece a oportunidade de entrar em uma empresa, mostrar serviço, chamar a atenção e, eventualmente, receber uma proposta para se tornar um empregado fixo.

Recomendo-lhe também não se ater somente ao curso em que você se formou. O seu diploma é um passe de entrada no mercado de trabalho, e não uma barreira para que você rejeite vagas em outras áreas.

A sua avaliação é correta. Uma melhora nas contas do governo não é um alívio para quem procura emprego e não acha. Mas essa é a situação presente. E é preciso saber aproveitar as poucas brechas que aparecem para se inserir no mercado de trabalho.

Max Gehringer, para CBN.

2018-01-10

O Brasil do século XXI deveria ser dos 'espertos com responsabilidade' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 10/01/2018, sobre como o Brasil pode se tornar um país com menos corrupção, ajudado pelo compliance.

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O Brasil do século XXI deveria ser dos 'espertos com responsabilidade'

espertos vs honestos

"O mundo é dos espertos." Essa frase apareceu, pela primeira vez na imprensa brasileira, no século 19, em 1854, deixando claro que esperto era quem se dedicava a enganar o próximo.

Em nossos dias, a ONG Transparência Internacional publica anualmente, um índice de percepção de corrupção, em 176 países. Nos últimos cinco anos, o Brasil ficou estacionado no meio da lista, na posição número 79, em companhia da Índia e da China.

Não é uma colocação elogiável, pelo contrário. Mas quem vive afirmando que o Brasil é um dos países mais corruptos do mundo, irá se decepcionar. Só na América do Sulsete países em posições bem piores do que a nossa.

Isso parece reforçar a opinião inversa, a de que somos um país de gente honesta, mas que é denegrido por aproveitadores e corruptos. Se isso é mesmo verdade, estamos mais perto da borda do poço do que do fundo dele.

O compliance, ou o cumprimento das leis e o respeito à moralidade nas empresas públicas e privadas, é gerido pela Associação Internacional de Compliance, que classifica como crime financeiro, qualquer atividade desonesta que gere riqueza para os envolvidos.

A definição deixa claro que o conceito não se aplica exclusivamente aos proprietários ou altos dirigentes, mas a qualquer um que se beneficie de atividades ilegais em proveito próprio, mesmo alguém que não ocupe um cargo de gestão.

Por isso, a corrupção irá diminuir na medida em que empregados honestos usarem de seu direito de saber se a empresa em que trabalham adota, e leva realmente a sério, um sistema de compliance.

Esse é o caminho para o Brasil do século 21 poder finalmente se tornar um mundo dos espertos com responsabilidade.

Max Gehringer, para CBN.

2018-01-04

A receita básica da ética não muda - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 04/01/2018, sobre ética e compliance.

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A receita básica da ética não muda

ética compliance

"Se há empresas que são arapucas para as economias do povo, que sejam desmascaradas e compelidas a cessar a exploração criminosa a que se entregaram os seus incorporadores, cujo lugar é na cadeia, e as empresas honestas ficarão a salvo da temerosa desconfiança pública."

Essa frase parece retratar fatos amplamente conhecidos de todos nós, no Brasil dos tempos atuais. Mas ela é muito, muito mais antiga: foi publicada nos jornais brasileiros há 75 anos, em março de 1943. Três gerações se passaram desde então, e muita coisa aconteceu.

Na década de 1940, o substantivo "ética" saiu das rodas eruditas e caiu no gosto popular. Em breve tempo, já se falava em ética jornalística, ética esportiva, ética nos negócios e, claro, ética na política.

Muitas leis foram aprovadas. Órgãos regulatórios foram criados. E milhares de funcionários públicos foram contratados para fiscalizar melhor as empresas. O mais recente membro dessa longa história de combate às fraudes e prevaricações, recebeu um nome inglês: compliance.

Em miúdos, é um atestado de idoneidade emitido por uma empresa, com o objetivo de assegurar a seus parceiros e empregados, que irá respeitar a legislação e sempre agir dentro de princípios éticos.

A adoção de um sistema de compliance está se tornando cada vez mais comum em empresas. E é um grande passo para a prevalência da ética sobre as artimanhas. Mas ainda não é uma garantia definitiva de retidão.

Além do manifesto desejo de cumprir com as obrigações legais e morais, é necessário que o braço da lei puna exemplarmente a quem não cumpre.

Ou seja, o tempo passou e os ingredientes foram sendo incrementados, mas a receita básica da ética continua sendo a mesma que sempre foi.

Max Gehringer, para CBN.

2017-12-21

Manual de compliance da CGU esclarece responsabilidade de gestores em corrupção - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 21/12/2017, com a sugestão de ler o Programa de Integridade, o manual de compliance da Controladoria Geral da União (CGU).

Áudio original disponível no site da CBN. E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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Manual de compliance da CGU esclarece responsabilidade de gestores em corrupção

programa de integridade da cgu

Gestores que participam de negociações e tomam decisões temerárias, naquela zona cinzenta que se situa entre as boas intenções e a desonestidade, podem ser processados e cumprirem pena, caso sejam condenados.

De todas as medidas impostas pela lei anti-corrupção, chancelada em março de 2015, essa talvez seja a mais assustadora, principalmente para gestores que possam estar em dúvida quanto a própria responsabilidade, uma vez que suas ações, pelo menos aparentemente, têm o aval da alta direção.

Para que essa impressão de segurança não venha a se transformar em decepção, a CGU (Controladoria Geral da União) publicou um manual de compliance para empresas privadas brasileiras, de qualquer porte.

Chamado de Programa de Integridade, o manul oferece informações, para que gestores entendam até onde vai a sua conivência com eventuais ações anti-éticas da empresa.

O Programa de Integridade da CGU lista cinco pilares sobre os quais o compliance se assenta, mas os pilares de número 2 a 5 são totalmente dependentes do pilar número 1: comprometimento e apoio da alta direção.

Os proprietários e os principais executivos da empresa precisam passar, em seus discursos e em suas ações, a garantia de que a empresa é ética e íntegra. Os empregados precisam ter canais de comunicação para dirimir dúvidas ou fazer denúncias.

Aos gestores que estão na parte de cima do organograma, mas não ainda no topo dele, e aos jovens que ambicionam atingir cargos de gestão, fica a sugestão de ler a íntegra do Programa de Integridade da CGU, disponível na internet, para se certificar de que o compliance está sendo levado a sério por suas empresas.

Max Gehringer, para CBN.

2017-12-20

Por que, no Brasil, há tanta disparidade entre salário do chefe e subordinados? - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 20/12/2017, sobre a disparidade dos salários entre chefes e subordinados no Brasil.

Áudio original disponível no site da CBN. E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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Por que, no Brasil, há tanta disparidade entre salário do chefe e subordinados?

diferença de salários

Um ouvinte escreve: "O salário do nosso gestor é quase quatro vezes maior do que os nossos, que somos subordinados dele. Essa não é uma diferença muito grande? Existe alguma lei que regule salários para que eles se tornem mais justos?"

Não, não existe qualquer legislação oficial que estabeleça uma relação entre a remuneração dos chefes e de seus subordinados.

Há casos, e o da sua empresa pode ser um deles, em que não é difícil encontrar candidatos a emprego que aceitem salários baixos, porque as exigências para a admissão não são muitas, em termos de escolaridade e experiência.

Mas o mesmo pode não se aplicar a um gestor dessa mesma área. Se houver poucos candidatos adequados à posição, a empresa precisará pagar ao gestor um salário suficiente para retê-lo e evitar que ele consiga propostas melhores.

Em resumo, o mercado de trabalho é que estabelece as médias salariais, com base na lei não-oficial da oferta e da procura.

Mas nem por isso, a sua pergunta deixa de ser pertinente. Em países do primeiro mundo, a diferença de remuneração entre chefes e subordinados é bem menor do que aqui no Brasil. A conclusão não é a de que aqui, o chefe ganha mais do que merece, mas a de que os subordinados ganham menos do que deveriam.

Essa é uma situação muito antiga e só existe uma escapatória para ela: fazer o melhor trabalho e investir em si mesmo, para poder chegar a cargos que paguem salários mais apropriados.

Max Gehringer, para CBN.

2017-11-30

Brasil ainda engatinha na aplicação do compliance - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 30/11/2017, sobre o processo de criação/adoção de uma área de compliance.

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Brasil ainda engatinha na aplicação do compliance

compliance

Não é preciso ter doutorado para entender o conceito da ética nos negócios, ou a adoção de um sistema formal de compliance para assegurar o respeito a ela. Difícil é aceitar que isso precise ser feito.

Existem leis suficientes para que todos saibam o que se pode e o que não se deve fazer na condução dos negócios. Existem punições claramente definidas para quem se desvia da legislação.

Mesmo assim, muitas empresas se viram forçadas a adotar medidas para, simplesmente, tornar público que estão cumprindo com suas obrigações.

O processo funciona assim: uma empresa, pública ou privada, começa redigindo um par de frases simples, sobre a sua missão, a sua visão e seus valores.

Em seguida, é criado um caderno de intenções, chamado código de conduta, com um número de páginas nunca inferior a vinte, em que cada detalhe da operação é esmiuçado: relações com clientes e fornecedores, com os empregados, com outras instituições, com a sociedade, com o meio ambiente.

Obviamente, tudo o que for escrito já estará previsto em alguma lei ou fundamentado em parâmetros de moralidade.

Finalmente, é constituído um setor específico para acompanhar e auditar cada uma das fases do processo no dia-a-dia, para garantir que não haverá desvios de conduta. Esse é o setor de compliance.

Até aí, a empresa já terá gerado vários empregos novos e bem pagos, porque não é um trabalho fácil fiscalizar cada atividade que possa gerar um descaminho anti-ético.

O Brasil ainda está engatinhando nesse processo de adotar o compliance. Mas os recentes escândalos, de proporções abismais, mostram que somos um dos países que mais precisam exterminar a espertocracia, a nefasta praga de atropelar a ética para obter vantagens indevidas.

Max Gehringer, para CBN.

2017-07-24

Compliance é uma declaração escrita de princípios a serem seguidos - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 24/07/2017, sobre como a ética e o compliance formam juntos o caráter de uma empresa.

Áudio original disponível no site da CBN. E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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Compliance é uma declaração escrita de princípios a serem seguidos

ética e compliance

Já faz algum tempo que o Brasil vem assistindo a uma carga de denúncias de corrupção e malversação de recursos, envolvendo, por um lado, políticos que foram eleitos prometendo acabar com esse tipo de situação vergonhosa e, do outro lado, instituições públicas e privadas que em seus próprios sites pregavam a ética como uma de suas bandeiras.

A sensação que fica para qualquer cidadão é a de que em qualquer lugar que se mexa, o lixo virá à tona, como se todas as empresas estivessem no mesmo saco. Não estão, ainda bem.

Em alguns comentários recentes, abordamos o tema do compliance, como uma área da empresa que cuida de seus princípios de moralidade e integridade.

É importante enfatizar que não é necessário que uma empresa tenha uma área de compliance para ser ética. Também é possível, como temos visto em diversos casos que vieram a público, uma empresa sem princípios éticos possuir em seu organograma uma área de compliance, que nesse caso funciona como um atestado de idoneidade emitido por falsários.

Então, para resumir o tema: o compliance é um setor da empresa que garante o cumprimento a tudo o que é determinado pela lei ou que tenha sido estabelecido pela empresa como seus propósitos de integridade junto aos próprios empregados, aos fornecedores e clientes e à população em geral. É, portanto, uma declaração escrita de princípios a serem seguidas.

A ética é o que leva a direção de uma empresa a constituir formalmente uma área de compliance e a assegurar que ela irá funcionar sem desvios. Juntos, a ética e o compliance formam o caráter de uma empresa.

Max Gehringer, para CBN.

2017-07-13

Existem setores que reagem melhor durante a crise - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 13/07/2017, com seis coisas para os desempregados pela crise do Brasil.

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Existem setores que reagem melhor durante a crise

crise financeira Brasil

Um ouvinte pergunta: "O que você teria a dizer aos milhões de desempregados do Brasil?"

Seis coisas.

Primeira: existem setores que são menos afetados por crises e até costumam crescer com elas. Esses setores são: agropecuária, cosméticos e farmacêuticos. Na hora de encaminhar currículos ou se inscrever em sites, esses são os setores preferenciais porque continuam contratando ou repondo empregados.

Segunda: melhor que ficar sem emprego é aceitar uma vaga, mesmo abaixo da formação acadêmica ou inferior ao nível de expectativa ou com salário menor que o do último emprego. A angústia da expectativa de que algo apareça é mais prejudicial ao corpo e à mente do que um emprego que não seja o ideal.

Terceira: se possível, fazer cursos. O site do SENAC oferece uma infinidade deles. Mesmo que um curso possa não ter um efeito imediato na busca por um emprego, ele abrirá uma opção para futuros momentos ruins do mercado ou para uma futura carreira.

Quarta: apelar para qualquer pessoa que esteja empregada e que possa fazer uma indicação para uma vaga, mesmo que seja alguém de quem não se goste ou com quem se teve alguma animosidade. Na hora da necessidade, qualquer problema do passado deve ficar no passado.

Quinta: fazer qualquer coisa para se manter ocupado e não desanimar. Por exemplo: trabalho voluntário.

Sexta e última: o Brasil já enfrentou muitas crises antes. Todas elas passaram e a atual também passará.

Max Gehringer, para CBN.

2016-11-04

'Sou membro da CIPA e não muito considerado pela empresa' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 04/11/2016, com uma breve história das comissões internas de prevenção de acidentes no trabalho.

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'Sou membro da Cipa e não muito considerado pela empresa'

cipa cipeiros

Um ouvinte escreve: "Fui eleito membro da CIPA e pergunto: como empresas enxergam o cipeiro? Porque, aqui na minha, não somos muito considerados."

Vamos lá. Tudo começou em 1942, quando o então ministro do trabalho Marcondes Filho lançou as bases de uma campanha que visava diminuir o alarmante número de acidentes com mortes no trabalho. Segundo o ministro, não seria apenas uma questão de boa vontade, mas de ouvir os maiores interessados, os próprios operários, que sabiam melhor que ninguém o que precisaria ser feito.

O resultado foi a criação, dois anos depois, da Comissão de Prevenção de Acidentes no Trabalho. Como toda novidade, essa também não deixou de assustar os patrões, devido ao grande número inicial de demandas que acarretavam elevados gastos para serem colocadas em prática, com consequente redução nos lucros.

Para evitar que os operários fossem pressionados a serem menos exigentes, foi decretada a estabilidade provisória deles. Atualmente ainda há empresas que veem nos cipeiros, empregados que se encostam nessa estabilidade, mas o resultado positivo foi a gradual redução no número de acidentes.

O Brasil, entretanto, ainda derrapa nas estatísticas mundiais. Com cerca de 5 milhões de acidentes de trabalho por ano e 3 mil fatalidades, ainda há muito a ser feito, com ou sem a simpatia dos gestores.

Max Gehringer, para CBN.

2016-09-07

'Me formei em uma universidade de prestígio, mas não consigo emprego' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 07/09/2016, com um ouvinte que reclama por não estar conseguindo um emprego na sua área de formação, mesmo depois de formado em uma universidade de prestígio.

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'Me formei em uma universidade de prestígio, mas não consigo emprego'

não consigo emprego

Um ouvinte escreve: "Eu me formei em uma universidade de prestígio, mas não consigo emprego. Pior: vejo empresas contratando pessoas para atuar em minha área de formação, mas que não são formadas nela. Não deveria existir uma lei obrigando empresas a dar prioridade aos candidatos a emprego que investiram tempo e dinheiro em uma graduação específica?"

Bom, até existem algumas. Ninguém pode ser contratado como médico se não tiver formação em medicina. Ou advogado, sem ter passado no exame da OAB.

Mas nós, brasileiros, de modo geral, somos há séculos afetados por uma situação cultural: a de supor que alguém tem sempre a obrigação de fazer algo por nós.

Isso é verdade no caso de toda a gama de serviços que o governo é constitucionalmente obrigado a prestar a seus cidadãos. Mas não é o caso do mercado de trabalho. Nele se saem melhor aqueles que acreditam em si mesmos.

No seu caso, considerando-se a boa formação que você conseguiu e que poucos conseguem, devem existir outros fatores que estão impedindo a sua contratação. Postura em entrevistas, por exemplo, que é algo que não se aprende na escola.

Os concursos públicos eliminam esse tipo de competição direta que lhe parece injusta. Mas se você quiser mesmo optar por uma carreira em empresas privadas, esteja certo de que outros candidatos estão mostrando algo que você não está. Só depende de você descobrir o que possa ser e resolver o problema por seus próprios méritos, que seguramente são muitos.

Max Gehringer, para CBN.

2016-07-28

'Tenho 20 anos e quero trabalhar fora do Brasil' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 28/07/2016, com um jovem ouvinte que quer ir embora do Brasil para trabalhar em outro país.

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'Tenho 20 anos e quero trabalhar fora do Brasil'

trabalhando no exterior

Um ouvinte escreve: "Tenho 20 anos e quero ir embora do Brasil, para trabalhar em outro país. Como consigo fazer isso?"

Através de contatos pessoais. Mas vamos por partes.

Você pode se matricular em um curso de inglês, de seis meses, com visto de estudante em um país que permita a estudantes trabalharem enquanto estudam. Três países que oferecem essa possibilidade são a Austrália, a Nova Zelândia e a Irlanda.

Chegando lá, você encontrará algo que existe em qualquer país do mundo: brasileiros, que fizeram o que você pretende fazer. Não será difícil localizá-los através da própria escola ou da internet. E ao contatá-los, você receberá informações de como proceder para transformar a sua permanência temporária em definitiva.

Agora vamos supor que você não tenha dinheiro para pagar um curso no exterior e queira ir apenas com a cara e a coragem. Nesse caso, e até mais do que no caso anterior, você precisará conhecer alguém que tenha feito isso e que esteja residindo no país há pelo menos um ano.

Muitos brasileiros entraram nos Estados Unidos ou no Canadá com visto de turista e continuam por lá até hoje, trabalhando legalmente ou não. Essa talvez não seja a possibilidade mais indicada, mas não deixa de ser uma opção quando não existe outra.

Só lhe recomendo não acreditar em agências que prometem empregos lá fora em troca de um pagamento prévio aqui no Brasil. Isso pode ser golpe.

Max Gehringer, para CBN.

2016-03-02

'Devo fazer um curso no exterior para melhorar minha empregabilidade?' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 02/03/2016, com a reprise do comentário do dia 28/07/2015, com um ouvinte que planeja ir fazer um curso no exterior para melhorar a sua empregabilidade.

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'Devo fazer um curso no exterior para melhorar minha empregabilidade?'

curso no exterior

Escreve um ouvinte: "Estou pensando em fazer um curso no exterior para melhorar a minha empregabilidade. Já fiz várias cotações e encontrei alguns cursos muito bons em universidades de renome. Pergunto se isso, de fato, me proporcionaria a oportunidade de dar um salto na carreira?"

Bom, se você tem um emprego relativamente bom, não creio que este seja o melhor momento para deixá-lo. O Brasil passa atualmente por uma situação delicada no mercado de trabalho e ninguém pode afirmar qual será a situação daqui há um ano.

Entramos numa crise que não sabemos bem de onde veio, porque não existe nenhuma crise global. As más notícias que vêm assustando os brasileiros são o resultado de ações que deveriam ter sido tomadas pelo poder público e não foram. E com o passar do tempo, vai ficando cada vez mais difícil tomá-las, porque são antipáticas do ponto de vista popular.

Como resultado, os consumidores reagem comprando menos e isso faz com que as empresas se retraiam, cortando custos e postergando investimentos.

Numa situação assim, o mais recomendável para quem está empregado é se manter no emprego até que a poeira baixe um pouco e permita enxergar algum horizonte mais adiante.

Dito tudo isso, se você mesmo assim quiser arriscar e passar um período no exterior, a experiência e o conhecimento certamente ajudarão em sua carreira no médio e longo prazo. Já no curto prazo, assim que você regressar ao Brasil, pode ser que você não encontre nem uma vaga igual a que você tem atualmente.

Se você é um apostador, aposte. Se for mais pé no chão, aguarde um pouco, mas não desista do seu intento, porque ele será positivo.

Max Gehringer, para CBN.

2016-02-09

'Sucesso incomoda tanto mesmo?' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 09/02/2016, que é a reprise do comentário de 23/03/2015 sobre sucesso e pedantismo.

Áudio original disponível no site da CBN. E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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Sucesso incomoda tanto mesmo?

inveja carreira

"Venho tendo uma carreira que considero bem sucedida", um ouvinte escreve. "Comparativamente, ganho mais do que qualquer pessoa que conheço com minha idade e minha formação. Aí vem o problema. Eu abro o meu salário em conversas com amigos. Sinto orgulho em mostrar que tive oportunidades e que soube aproveitá-las. Mas percebo que meus amigos não apreciam a minha sinceridade.

De minha parte, eu me sentiria contente em saber que um amigo meu está tendo sucesso, mas estou ficando com a impressão de que essa não é a regra geral. Pelo contrário, nas conversas com amigos, parece que todos eles preferem contar e ouvir histórias de gente que se deu mal na vida e no trabalho. É isso mesmo? Sucesso incomoda tanto?"


Culturalmente no Brasil, sim. Basta você ver a quantidade de programas e de notícias sobre desgraças em relação aos que relatam histórias de sucesso. A proporção deve estar ali por volta de 10 para 1.

O que você mencionou é comum em outras culturas, principalmente acima da linha do Equador, em que a divulgação de um salário é vista como incentivo para que outras pessoas se esforcem para conseguir a mesma coisa. No Brasil, isso nunca pegou bem.

O que posso lhe sugerir é usar exemplos de coisas que você fez e que deram certo, mas sem mencionar valores. E principalmente ajudar seus amigos, indicando-os para empregos melhores, talvez na empresa em que você trabalha e que deve pagar bons salários. Isso seria ser amigo, sem parecer pedante. Não estou dizendo que você seja, mas como você já percebeu, essa é a impressão que você está passando.

Max Gehringer, para CBN.

2016-01-01

O que esperar do ano? - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 01/01/2016, sobre o que esperar do ano novo.

Áudio original disponível no site da CBN. E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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O que esperar do ano?

ano novo 2016 crise

"O que esperar do ano novo?", perguntam alguns e pensam quase todos.

Vamos então supor que o Brasil seja uma grande empresa, cuja principal finalidade é a de prestar serviços aos seus associados, que somos todos nós.

O que qualquer empresa tentaria fazer na atual situação? A primeira medida seria reduzir gastos, adiando investimentos, reduzindo a folha salarial e cortando benefícios. E quais seriam as consequências? A perda da confiança por parte dos associados, com enorme prejuízo político para os gestores e eventuais demonstrações públicas de descontentamento explícito.

Como isso é ruim, a segunda medida seria aumentar o faturamento, o que não só é possível para a grande empresa Brasil, como também é fácil: basta pedir que os associados contribuam para esse esforço, que se dá através da elevação dos tributos. Nesse caso, igualmente haveria reclamações, mas não tão altissonantes.

Logo, se existem duas soluções e uma é mais fácil que a outra, a lógica indica que ela é que será adotada. Só que se isso vier a ocorrer, a economia não irá recuperar o terreno perdido, não serão criadas novas vagas e os jovens que se formarem encontrarão dificuldades para ingressar no mercado.

O ano novo, portanto, será menos penoso para quem decide do que para quem irá pagar pelos efeitos das decisões. A questão é saber como irão conviver a economia, que é factual, e a política, que é etérea. Em meus tempos de empregado, eu ficava pensando como minha vida seria mais fácil se ao ser criticado por meu chefe, eu pudesse responder: "Chefia, não acredite nos fatos, isso é intriga dos meus inimigos políticos."

Max Gehringer, para CBN.

2015-07-28

'Devo fazer um curso no exterior para melhorar minha empregabilidade?' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 28/07/2015, com um ouvinte que planeja ir fazer um curso no exterior para melhorar a sua empregabilidade.

Áudio original disponível no site da CBN. E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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'Devo fazer um curso no exterior para melhorar minha empregabilidade?'

curso no exterior

Escreve um ouvinte: "Estou pensando em fazer um curso no exterior para melhorar a minha empregabilidade. Já fiz várias cotações e encontrei alguns cursos muito bons em universidades de renome. Pergunto se isso, de fato, me proporcionaria a oportunidade de dar um salto na carreira?"

Bom, se você tem um emprego relativamente bom, não creio que este seja o melhor momento para deixá-lo. O Brasil passa atualmente por uma situação delicada no mercado de trabalho e ninguém pode afirmar qual será a situação daqui há um ano.

Entramos numa crise que não sabemos bem de onde veio, porque não existe nenhuma crise global. As más notícias que vêm assustando os brasileiros são o resultado de ações que deveriam ter sido tomadas pelo poder público e não foram. E com o passar do tempo, vai ficando cada vez mais difícil tomá-las, porque são antipáticas do ponto de vista popular.

Como resultado, os consumidores reagem comprando menos e isso faz com que as empresas se retraiam, cortando custos e postergando investimentos.

Numa situação assim, o mais recomendável para quem está empregado é se manter no emprego até que a poeira baixe um pouco e permita enxergar algum horizonte mais adiante.

Dito tudo isso, se você mesmo assim quiser arriscar e passar um período no exterior, a experiência e o conhecimento certamente ajudarão em sua carreira no médio e longo prazo. Já no curto prazo, assim que você regressar ao Brasil, pode ser que você não encontre nem uma vaga igual a que você tem atualmente.

Se você é um apostador, aposte. Se for mais pé no chão, aguarde um pouco, mas não desista do seu intento, porque ele será positivo.

Max Gehringer, para CBN.

2015-03-31

'Minha empresa implantou um plano de redução de custos por causa da crise' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 31/03/2015, com uma ouvinte preocupada com a crise econômica que ronda o Brasil.

Áudio original disponível no site da CBN. E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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'Minha empresa implantou um plano de redução de custos por causa da crise'

crise econômica

Uma ouvinte escreve: "Estou muito preocupada com essa terrível crise econômica que afeta o Brasil. A empresa em que trabalho implantou um programa espartano de redução de custos, que já nos tirou até o cafezinho, além de adiar investimentos, contratações, promoções e aumentos. Já se fala em uma lista de dispensas e pergunto se existe alguma luz no fim desse túnel?"

Bom, primeiro é preciso ter cuidado com o uso da palavra "crise". E mais ainda, com o uso da palavra "terrível". Em economia, uma crise se torna oficial quando uma coleção de indicadores econômicos mostra deterioração continuada por um bom período de tempo. É o caso, por exemplo, da Grécia, mas ainda não é o do Brasil.

O que aconteceu aqui é que medidas econômicas que deveriam ter sido tomadas nos últimos 18 meses, não foram. E outras que foram, não deveriam ter sido. Agora será preciso consertar a situação, uma ação que exige do governo competência e coragem para adotar medidas impopulares.

Num momento assim, ocorre uma crise não de fundamentos, mas de confiança. Algumas empresas, como a sua, apostam na pior hipótese e se contraem. Outras, pelo contrário, se expandem, investindo mais em propaganda e promoções, e incrementando equipes de vendas.

Os indicadores econômicos até agora têm mostrado que empresas como a sua, mais defensivas do que reativas, ainda são minoria. Portanto, você não deve tomar a sua empresa como base para o mercado. Fora dela, há um outro mundo. E ele ainda está muito longe de uma hecatombe.

Max Gehringer, para CBN.

2015-03-23

Sucesso incomoda tanto mesmo? - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 23/03/2015, com um ouvinte que é bem sucedido na carreira e está passando a impressão de ser pedante para seus amigos, ao falar sobre o seu sucesso.

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Sucesso incomoda tanto mesmo?

inveja carreira

"Venho tendo uma carreira que considero bem sucedida", um ouvinte escreve. "Comparativamente, ganho mais do que qualquer pessoa que conheço com minha idade e minha formação. Aí vem o problema. Eu abro o meu salário em conversas com amigos. Sinto orgulho em mostrar que tive oportunidades e que soube aproveitá-las. Mas percebo que meus amigos não apreciam a minha sinceridade. De minha parte, eu me sentiria contente em saber que um amigo meu está tendo sucesso, mas estou ficando com a impressão de que essa não é a regra geral. Pelo contrário, nas conversas com amigos, parece que todos eles preferem contar e ouvir histórias de gente que se deu mal na vida e no trabalho. É isso mesmo? Sucesso incomoda tanto?"

Culturalmente no Brasil, sim. Basta você ver a quantidade de programas e de notícias sobre desgraças em relação aos que relatam histórias de sucesso. A proporção deve estar ali por volta de 10 para 1.

O que você mencionou é comum em outras culturas, principalmente acima da linha do Equador, em que a divulgação de um salário é vista como incentivo para que outras pessoas se esforcem para conseguir a mesma coisa. No Brasil, isso nunca pegou bem.

O que posso lhe sugerir é usar exemplos de coisas que você fez e que deram certo, mas sem mencionar valores. E principalmente ajudar seus amigos, indicando-os para empregos melhores, talvez na empresa em que você trabalha e que deve pagar bons salários. Isso seria ser amigo, sem parecer pedante. Não estou dizendo que você seja, mas como você já percebeu, essa é a impressão que você está passando.

Max Gehringer, para CBN.

2015-03-17

Aprenda a ser Chefe: Existe uma solução para qualquer situação - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 17/03/2015, com a série "Aprenda a ser Chefe", com uma lição para a carreira: existe uma solução para qualquer situação, por mais complicada que ela pareça, baseada em um verbo e um pronome: esforce-se.

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Aprenda a ser Chefe: Existe uma solução para qualquer situação

trabalhando duro

Nós somos brasileiros. Temos a nossa cultura, nosso jeito e nossas idiossincrasias, uma palavra complicada que impressiona bem em conversas corporativas.

Um dia, eu recebi um convite para participar de um processo seletivo em uma empresa multinacional, para um cargo de chefia. Era uma tremenda oportunidade, a melhor da minha vida até então. Tudo o que eu precisava fazer era encarar um par de entrevistas e ser melhor do que outros dois candidatos.

"Tudo bem", eu pensei. E eu pensei cedo demais. A última das entrevistas seria com um executivo gringo, em inglês, e eu não falava mais que dez palavras em inglês.

Como bom brasileiro, sempre em busca de compreensão, carinho e uma passadinha de mão na cabeça, eu expliquei a situação para o presidente da empresa no Brasil, com a certeza de que ele me livraria da entrevista em inglês. Ele me ouviu e me respondeu: "Esforce-se". E eu quase caí da cadeira.

Como assim, esforce-se? A entrevista seria na manhã do dia seguinte. Como é que alguém vai conseguir aprender inglês em doze horas, por mais esforçado que seja? Mas o presidente nem quis ouvir meus argumentos.

O verbo que ele usou estava no tempo imperativo, não era uma sugestão, era uma ordem em forma de recado. A entrevista estava marcada, seria em inglês e cabia somente a mim, decidir se continuava no processo ou se desistia dele.

No dia seguinte, trêmulo do topete ao bico do sapato, eu levei para a entrevista um bloco de papel e uma caneta. E tentei me comunicar com o gringo através de desenhos e de mímica.

Para minha surpresa, fui aprovado e contratado. Mais do que um novo emprego, eu aprendi a lição mais valiosa da minha vida profissional: a de que existe uma solução para qualquer situação, por mais complicada que ela possa parecer.

As coisas não estão acontecendo? Falta reconhecimento? Não há oportunidades? Tudo é difícil? Não dá tempo? A resposta para esses e para todos os outros entraves de uma carreira estará sempre em um verbo e um pronome: esforce-se.

Max Gehringer, para CBN.

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