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2018-08-20

'Devo informar em entrevistas que passei em um concurso público?' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 20/08/2018, com um ouvinte que passou em um concurso público, não foi nomeado ainda, e está procurando emprego enquanto isso não acontece.

Áudio original disponível no site da CBN. E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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'Devo informar em entrevistas que passei em um concurso público?'

entrevista de emprego

Escreve um ouvinte: "Terminei a faculdade e fui aprovado em um concurso público. Mas a minha nomeação deve demorar, no mínimo, seis meses, ou talvez mais. Como preciso trabalhar para me manter até ser nomeado, estou procurando emprego e tenho uma dúvida: devo informar, em entrevistas, a minha situação? Ou isso poderia impedir que eu fosse selecionado para uma vaga?"

Sim, poderia e irá impedir. Em processos seletivos para vagas iniciais, como a que você estará pleiteando, os recrutadores não estarão interessados em conciliar os interesses de um candidato com as demandas da empresa. Será contratado aquele que for mais interessante para o que a empresa necessita.

Portanto, se um candidato antecipar que talvez só fique meio ano no emprego, ele será descartado em favor de outro, que tenha disponibilidade integral.

Mas há dois outros motivos para você considerar. O primeiro é que a sua nomeação pode demorar mais do que você imagina, já que o país estará passando por um período de transição política.

E o segundo é que um emprego lhe permitirá comparar, na prática, as suas possibilidades de carreira. E, eventualmente, você poderá decidir que elas serão melhores na iniciativa privada do que no serviço público.

Considere então que você tem duas opções profissionais e que, em algum momento, irá optar pela que lhe for mais conveniente. Então, guarde o que você sabe para você, porque você ainda não sabe tudo o que precisará saber.

Max Gehringer, para CBN.

2017-06-01

Permita-se procurar outra empresa - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 01/06/2017, com um ouvinte que trabalha em uma empresa pública em que todos os cargos de gestão são ocupados por indicações políticas.

Áudio original disponível no site da CBN. E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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Permita-se procurar outra empresa

procurando emprego

Escreve um ouvinte: "Sou funcionário concursado de uma empresa pública. Nela os cargos de gestão são ocupados geralmente por indicações políticas ou por afinidades com os dirigentes. E isso infelizmente permite que pessoas nem sempre competentes atuem nos cargos gerenciais. Em meu setor, o chefe não nos orienta, parece ter medo de tomar decisões e sempre tenta escapar de perguntas diretas. Diante desse quadro, o que você me recomendaria fazer?"

Bom, embora eu nunca tenha trabalhado em uma empresa pública, sei que nem todas são iguais. E que algumas delas são como a sua, que funcionam mais pelo encosto do que pelo empurrão.

Mas se você gosta do serviço público e apenas acha que está na empresa errada, a sugestão é que você preste outro concurso, para ingressar em uma empresa mais dinâmica.

Julgar todo o mercado pela empresa presente é sempre um erro, tanto no setor público quanto no privado. Empresas privadas também não são iguais e algumas delas são bem piores do que a sua, em termos de tratamento e de desenvolvimento.

Houve uma época, não muito distante, em que mudar de emprego era visto como um problema. Hoje não é mais. Entende-se que as pessoas tenham o direito de continuar procurando até encontrar a empresa que desejam. Se você ainda não encontrou a sua, não desista.

Permita-me apenas preveni-lo de que você não achará a empresa perfeita, porque ela não existe. Mas poderá achar uma que seja, pelo menos, um pouco menos imperfeita.

Max Gehringer, para CBN.

2017-04-04

'Setor privado me decepcionou e penso em fazer concurso público' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 04/04/2017, com uma ouvinte que está decepcionada com a iniciativa privada e está pensando em fazer um concurso público.

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'Setor privado me decepcionou e penso em fazer concurso público'

concurso público

Uma ouvinte escreve: "Eu me formei no ano passado em uma ótima universidade e consegui o que muita gente reclama que não está conseguindo: uma vaga em uma empresa de renome no mercado. Só que bastou eu começar a trabalhar nela para me sentir como figurante de um filme de horror: empregados antigos de casa sendo indiscriminadamente demitidos, cortes de custos que envolvem até gastos insignificantes, como pó de café, e principalmente falta de comunicação da direção sobre os rumos que a empresa deve tomar depois dessa tormenta. Sinto-me frustrada e passei a considerar a possibilidade de pedir a conta e me preparar para prestar um concurso público, que eu vejo como uma vacina contra os horrores da iniciativa privada. O que você me diz?"

Digo-lhe que você talvez devesse pensar mais um pouco antes de decidir, porque são duas coisas bem distintas. O serviço público é permanente e a situação de sua empresa é temporária.

Imagino que você tenha ingressado na iniciativa privada por acreditar que teria condições e equilíbrio para conviver com fases boas e ruins. E se entendi o que você escreveu, o fato de você ter começado em uma fase ruim lhe deu a impressão de que nunca haverá fases boas.

Eu lhe diria que você encontrará aspectos positivos e negativos tanto no serviço público quanto no privado. E só posso lhe sugerir que você faça a sua opção quando sentir que tem uma vocação de longo prazo, e não para fugir de uma situação momentânea que não lhe agrada.

Max Gehringer, para CBN.

2017-03-30

'Não consegui ser aprovado em concursos e quero começar a carreira' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 30/03/2017, com um ouvinte que passou alguns anos tentando entrar em um concurso público, não conseguiu e agora quer iniciar sua carreira na iniciativa privada.

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'Não consegui ser aprovado em concursos e quero começar a carreira'

início de carreira

Um ouvinte escreve: "Eu me formei em engenharia civil faz três anos. Depois de formado, decidi me dedicar somente a estudar para concursos públicos e não fui feliz. Prestei vários e não passei em nenhum. Agora, aos 26 anos, quero começar uma carreira em uma empresa privada, mas ainda não consegui nenhuma entrevista, apesar de ter enviado muitos currículos e me cadastrado em todos os sites de empregos. Pergunto: o que está me faltando para conseguir uma vaga?"

Experiência.

Imagine que você participe de um processo seletivo e que nele haja também um candidato com a mesma formação que você, mas já com três ou quatro anos de experiência prática. Ele ficará com a vaga.

Logo, você precisa adquirir experiência para poder competir. "Mas como?", você perguntaria. Candidatando-se a uma vaga técnica, e não de engenheiro. Nela, você acumularia conhecimento prático suficiente para pavimentar o início da sua carreira.

Tenha em mente que daqui em diante você irá ter uns quarenta anos de vida profissional. E isso se as regras da previdência não forem mexidas durante todo esse tempo.

Se você mostrar qualidades como técnico, é muito provável que a própria empresa que o contratar lhe proporcione uma oportunidade como engenheiro.

Um ano de prática como técnico pode lhe parecer muito tempo agora, mas não será daqui a dez anos, quando a sua carreira já estiver consolidada. E além disso, você terá uma bela história para inspirar outros jovens que também entrarem tardiamente no mercado de trabalho.

Max Gehringer, para CBN.

2017-02-21

Concurso público é opção para quem está fora do mercado - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 21/02/2017, com uma ouvinte que ficou afastada do mercado de trabalho, não consegue se recolocar e agora está em dúvida se presta um concurso público ou abre uma consultoria.

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Concurso público é opção para quem está fora do mercado

resultado concurso público

Uma ouvinte escreve: "Tive uma carreira profissional meio acidentada. Durante 10 anos, ocupei boas funções em boas empresas, mas decidi parar de trabalhar quando engravidei e fiquei 12 anos fora do mercado. Voltei e tive que parar de novo, por questões pessoais. E agora, aos 44 anos, não estou conseguindo me recolocar, embora o meu currículo acadêmico esteja bem acima do que é exigido para as vagas para as quais venho me candidatando. Pensei em abrir uma empresa de consultoria ou prestar um concurso público, mas não consigo me decidir. Qual seria a sua sugestão?"

Seria o concurso público. Uma empresa de consultoria exige uma formação específica e uma experiência comprovada em alguma área, duas coisas que aparentemente você não possui. Se você arriscar mesmo assim e não der certo, você se veria numa situação muito pior que a atual, porque estaria com alguns anos a mais e esse é um fator que pesa no momento de uma contratação.

Já o concurso público elimina todos os entraves. Não há o empecilho da idade, não há entrevistas e não são necessárias explicações sobre os seus períodos de afastamento voluntário do mercado. Como você possui uma formação acadêmica que lhe permite encarar um concurso com boas chances de ser aprovada, essa opção lhe daria tranquilidade pessoal e profissional por mais 20 ou 30 anos.

Boa sorte.

Max Gehringer, para CBN.

2017-02-01

'Fui aprovada em concurso público e preciso trabalhar até ser chamada' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 01/02/2017, com uma ouvinte que passou num concurso público, mas ainda não foi chamada e precisa arranjar um emprego enquanto isso.

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'Fui aprovada em concurso público e preciso trabalhar até ser chamada'

mulher estudando para concurso público

Uma ouvinte escreve: "Há dois anos tomei a decisão de deixar o meu emprego para me dedicar exclusivamente a estudar para um concurso público. Para poder me manter durante esse período, fiz uma poupança. Pois bem, consegui passar no concurso, mas a vaga foi temporariamente suspensa e a previsão é que seja liberada em algum momento incerto e não sabido. Como minha poupança está se esgotando, preciso retornar ao mercado de trabalho, só que vou precisar pedir a conta quando a vaga pública for liberada. Como posso abordar essa situação em uma entrevista?"

Bom, se você for fazer uma entrevista para um emprego fixo e omitir a informação de que pretende ficar pouco tempo na empresa, isso não seria nem um pouco ético. E se você for ética e abrir sinceramente o jogo, é quase impossível que seja contratada.

Uma exceção seria telemarketing, um ramo de atividade que tem uma rotação altíssima e nesse caso, você não seria recriminada por sair em curto prazo. Mas aí depende de quanto você pretende ganhar nessa fase transitória, porque o salário não é alto.

Outra opção seria você procurar uma agência de serviços temporários, porque aí não haveria conflitos. Você fica pelo tempo que for necessário, presta serviço a diversas empresas e sai quando quiser, avisando com um mês de antecedência. Talvez não seja a solução ideal, mas é uma que não vai prejudicar nem a você e nem a uma empresa.

Max Gehringer, para CBN.

2016-09-02

'Direitos adquiridos podem cessar com a privatização?' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 02/09/2016, com um ouvinte que trabalha em uma empresa pública que está para ser privatizada.

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'Direitos adquiridos podem cessar com a privatização?'

privatização

Um ouvinte escreve: "Trabalho em uma estatal que deverá ser privatizada. Sou concursado e entrei nesta empresa pela garantia da estabilidade. Agora correm rumores de que nossos direitos adquiridos irão cessar com a privatização. Isso é verdade?"

Ao assumir o controle de uma empresa pública, a empresa privada que vence a licitação ganha o direito de administrá-la segundo seus próprios critérios, incluindo a possibilidade de demitir funcionários concursados que, por razões funcionais ou salariais, não se enquadrem no novo plano de negócios.

Isso faz todo sentido para quem opta por uma carreira em uma empresa privada, mas se choca com o que motiva alguém a prestar um concurso público.

Pesquisando na internet o que aconteceu com funcionários de empresas privatizadas nos últimos 20 anos, você encontrará todos os tipos de medidas possíveis: ou a simples transferência de funcionários para outros órgãos públicos, ou programas de demissões voluntárias com vantagens financeiras, ou demissões sem justa causa que resultaram em processos movidos pelos demitidos.

Alguns desses processos ainda estão em tramitação e outros já foram julgados em última instância, mas nem todos tiveram exatamente a mesma decisão final.

Portanto, na prática, o melhor que você pode esperar é uma negociação bem conduzida pelo sindicato antes da privatização. Uma que possa vir a evitar demorados processos judiciais posteriores.

Max Gehringer, para CBN.

2015-12-23

'Cansei da iniciativa privada e comecei a estudar para concursos' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 23/12/2015, com uma dica para quem quer se dedicar a estudar para concursos públicos, sem prejudicar a carreira.

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'Cansei da iniciativa privada e comecei a estudar para concursos'

concursos públicos

Um ouvinte escreve: "Tenho 25 anos e cansei da iniciativa privada. É muita pressão, muito susto e muita falta de consideração. Pedi a conta e comecei a estudar para concursos públicos, mas fiquei preocupado ao saber que muitos deles foram suspensos. Agora estou em dúvida se tomei a decisão correta."

Bom, pensando em médio prazo, a quantidade de vagas geradas por concursos públicos voltará ao normal. Eu acredito que o seu problema será outro: o da concorrência. É grande a quantidade de jovens que nos últimos anos tomaram a mesma decisão que você, sem mencionar os que continuam trabalhando, mas, ao mesmo tempo, estudam para concursos.

Isso faz com que a aprovação em um concurso que ofereça um bom salário seja equivalente a ser aprovado nos vestibulares mais concorridos. Existem centenas ou milhares de candidatos por vaga, o que significa que você precisa ser realmente bom para ficar com uma vaga.

Já recebi mensagens de jovens que passaram três anos estudando para concursos públicos, prestaram dezenas deles e não conseguiram passar. Nesse caso, retornar a uma empresa se torna bem mais difícil, devido ao longo tempo de afastamento do mercado.

O que posso lhe sugerir é: consiga um emprego de meio período para manter o registro em carteira e use o restante do tempo para estudar. Espero que você consiga o seu objetivo no serviço público, mas se não conseguir, pelo menos a sua carreira privada não sofreria com a descontinuidade.

Max Gehringer, para CBN.

2015-09-11

Setor privado não vê com bons olhos quem tenta sair do serviço público? - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 11/09/2015, com uma ouvinte que passou em um concurso público e foi trabalhar no setor público, mas quer retornar ao setor privado.

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Setor privado não vê com bons olhos quem tenta sair do serviço público?

começando novo emprego

Uma ouvinte escreve: "Iniciei a minha carreira no setor privado e depois de dois anos nele, pedi a conta porque fui aprovada em um concurso público. Agora, passados três anos, estou tentando retornar ao setor privado. Mandei currículos para empresas, recebi indicações de amigos e fiz um par de entrevistas, mas sem nenhum resultado. Estou com a impressão de que o setor privado não vê com bons olhos, profissionais que desejem sair do serviço público. Isso é verdade?"

Não, não é. Como em qualquer processo de seleção, perguntas chatas são inevitáveis. E um candidato precisa ter boas respostas para elas. No seu caso, é provável que lhe tenha sido perguntado por que você deixou o setor privado e agora quer deixar o setor público?

Na cabeça do entrevistador, esse seu vai-e-vem pode ser uma indicação de que você ainda não decidiu o que quer na vida. E por isso, uma empresa que a contrate pode correr o risco de vê-la sair novamente. Logo, o mais indicado para um selecionador seria preencher a vaga com um candidato que venha tendo uma carreira mais consistente do que a sua.

O que você precisa ter não é qualquer receio de discriminação, e sim, uma boa resposta para dar. Por exemplo, que depois de experimentar os dois lados da moeda, o público e o privado, você está definitivamente convencida de que deseja passar o resto da sua carreira no setor que vai lhe proporcionar melhores oportunidades de carreira.

Se você disser isso com segurança e de modo bem convincente, não haverá nenhum outro empecilho para o seu retorno.

Max Gehringer, para CBN.

2014-11-07

'Devo colocar os cursos preparatórios para concursos em meu currículo?' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 07/11/2014, sobre colocar cursos preparatórios para concursos públicos em um currículo destinado a uma vaga em uma empresa privada.

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'Devo colocar os cursos preparatórios para concursos em meu currículo?'

cursos para concursos públicos

Um ouvinte escreve: "Em busca de uma vida profissional mais estável, venho me preparando há tempos para concursos públicos. Atualmente estou empregado, mas a minha empresa está passando por um processo de mudanças e pode ser que eu fique sem emprego antes de ser aprovado em um concurso. A minha pergunta é: devo incluir em meu currículo os cursos preparatórios para concursos, que me consumiram muitas horas de dedicação e de estudo?"

NÃO! Seria dar um tiro no próprio pé. Entendo que você esteja apenas querendo mostrar que soube aproveitar o seu tempo com estudos, mas quem for avaliar o seu currículo irá ficar tão confuso como ficaria se, em um processo para a contratação de um enfermeiro, um candidato escrevesse que está fazendo um curso de pesca submarina.

Um dos principais objetivos de um currículo bem feito é o de não permitir que o avaliador pare de ler e se ponha a imaginar porque um candidato escreveria o que escreveu. E dois tipos de currículos tendem a ser precocemente descartados: aqueles que possam levantar suspeitas sobre a veracidade das informações, o que não é o seu caso, e aqueles que deixam dúvidas sobre as intenções de um candidato em relação à empresa, o que definitivamente é o seu caso.

Você estaria praticamente afirmando que, se passar em um concurso público, pedirá a conta para ter uma vida profissional mais estável. Algo que causa frêmitos de pavor a qualquer empresa privada.

Max Gehringer, para CBN.

2014-09-29

Quais as maiores dificuldades que um funcionário público encontra para voltar à iniciativa privada? - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 29/09/2014, com um ouvinte que quer saber qual a maior dificuldade que um funcionário público pode encontrar para retornar à iniciativa privada.

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Quais as maiores dificuldades que um funcionário público encontra para voltar à iniciativa privada?

serviço público x iniciativa privada

Um ouvinte pergunta: "Em sua opinião, quais as maiores dificuldades que um funcionário público encontra para retornar à iniciativa privada?"

Bom, costumeiramente e erroneamente, a primeira que costuma ser citada é a discriminação, como se recrutadores de empresas privadas tivessem algum tipo de aversão coletiva a funcionários públicos. Eu nunca encontrei um recrutador que pensasse assim.

Mas encontrei muitos que fazem perguntas para entender os motivos que levariam alguém, como você, a deixar a iniciativa privada e depois querer voltar. Esse é o ponto nevrálgico em qualquer entrevista. Qual teria sido o motivo? Pressão excessiva? Insegurança quanto ao futuro? Receio de vir a ser dispensado por algum motivo banal, mesmo que o desempenho não tivesse sido ruim?

Esses motivos, que sempre fizeram parte da natureza de uma empresa privada, continuam fazendo. Talvez até tenham piorado nos últimos anos. Por isso, o candidato a emprego precisa ter bons argumentos não só para retornar, mas também para convencer o entrevistador de que não sairá novamente ao se deparar com as mesmas situações que o levaram a sair na vez anterior. O argumento mais plausível é o de que antes, o candidato só conhecia um lado da moeda. E agora pode comparar os dois lados.

Tudo isso não quer dizer que a iniciativa privada seja pior que o serviço público, ou vice-versa. Cada setor tem as suas particularidades. E cada pessoa se adapta melhor a um deles. A diferença é que o serviço público não pede explicações a quem deseje ingressar nele ou retornar a ele. Enquanto a iniciativa privada precisa ser previamente convencida para contratar alguém.

Max Gehringer, para CBN.

2013-08-14

'Devo avisar meu gestor que estou estudando para concurso público?' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 14/08/2013, sobre se o superior deve ser avisado que o empregado está estudando para concursos públicos.

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'Devo avisar meu gestor que estou estudando para concurso público?'

estudando concurso público

Um ouvinte escreve: "Decidi estudar para concurso públicos enquanto estou trabalhando. Estou empregado e sempre tive um bom relacionamento com meu gestor. E gostaria de saber se devo compartilhar com ele essa minha decisão."

Não, não deve. Por mais que o seu gestor seja camarada e eventualmente até tenha lhe dado conselhos sobre os seus rumos profissionais, ele é pago para defender os interesses da empresa, presentes e futuros.

Se o seu gestor tiver apreço por você, num primeiro momento, ele provavelmente lhe incentivará para se preparar bem para os concursos. Mas não tome isso como uma garantia de que nada irá acontecer com sua carreira, enquanto você não for aprovado em um.

Assim que o seu gestor souber que não poderá contar com você em curto ou médio prazo, caso você venha a ser aprovado em um concurso, ele terá a obrigação profissional de dar a colegas seus as oportunidades que ele estivesse pensando em dar a você. E eventualmente, até de começar a pensar em sua substituição.

A mesma dica vale para ouvintes que tenham planos de fazer um intercâmbio no exterior, embora não de imediato, ou que tenham vontade de algum dia abrir a própria empresa. Em resumo, qualquer projeto de natureza profissional que não envolva a empresa, não deve ser compartilhado, nem com o chefe, nem com um colega que possa, mesmo inocentemente, fazer a informação chegar aos ouvidos do chefe.

A única coisa que interessa à empresa é o que você pode fazer por ela e o que ela pode fazer por você. Mas somente enquanto você mostrar que quer continuar nela.

Max Gehringer, para CBN.

2013-07-18

'Tomei uma decisão precipitada ao mudar do privado para o público?' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 18/07/2013, com um ouvinte que mudou para um emprego público e agora está em dúvida se fez a escolha certa.

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'Tomei uma decisão precipitada ao mudar do privado para o público?'

serviço público

Um ouvinte escreve: "Faz um ano passei em um concurso público e pedi demissão da empresa privada na qual eu já trabalhava há sete anos. Tomei essa decisão pensando em minha estabilidade financeira, mas agora estou com a pulga atrás da orelha. Aqui na repartição, vejo colegas que estão fazendo o mesmo serviço há mais de dez anos. E eu não enxergo condições de conseguir um aumento salarial, porque isso independe da vontade da chefia. Ou seja, meu futuro parece ser o de continuar fazendo o que faço por muito tempo e ganhando o mesmo salário. Será que tomei uma decisão precipitada ao mudar do privado para o público, sendo que tenho 29 anos?"

Vamos lá. Ao tomar essa decisão, você pensou naquilo que o serviço público poderia lhe oferecer em comparação ao que você tinha. A estabilidade financeira é sempre o primeiro fator que vem à mente de quem presta um concurso. Mas além dele, há também o aspecto psicológico: você não correria mais o risco de vir a ser demitido e ficar desempregado, algo que amedronta muito a quem está no setor privado.

Agora, você está novamente fazendo a mesma comparação e chegou à conclusão de que a empresa privada oferece oportunidades mais rápidas para construir uma carreira.

O emprego perfeito seria uma junção dos fatores positivos de cada setor, com a eliminação dos negativos. Como isso não existe, você ainda é jovem o suficiente para decidir o que fazer da vida, mas agora, podendo ponderar os dois lados. Após ter tido as duas experiências, o que você aprecia mais? A estabilidade ou o risco? Essa é uma pergunta que só você pode responder.

Max Gehringer, para CBN.

2012-10-03

'Há dois anos deixei emprego para estudar, mas não passei num concurso' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 03/10/2012, sobre o que dizer ao tentar voltar ao mercado de trabalho depois de passar dois anos fora dele, apenas estudando para concursos públicos.

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'Há dois anos deixei emprego para estudar, mas não passei num concurso'

concursos públicos estudando

Um ouvinte escreve: "Há dois anos deixei meu emprego para me dedicar a estudar em tempo integral para concursos públicos. Infelizmente não consegui passar em nenhum. Eu gostaria de continuar tentando, mas meus recursos acabaram e preciso voltar ao mercado de trabalho. Que explicação eu poderia dar em uma entrevista para o fato de ter ficado dois anos fora do mercado?"

Vamos lá. A não ser que você seja um excepcional inventor de histórias, eu não creio que exista uma explicação melhor do que a verdade. "Fiquei dois anos estudando para concursos públicos". Essa não é uma situação tão anormal quanto você imagina. Muita gente já fez ou está fazendo o que você fez.

O que poderia eventualmente eliminá-lo de um processo seletivo não é essa ausência de dois anos. E sim, a frase seguinte que você escreveu: "Gostaria de continuar tentando". É exatamente isso que um entrevistador vai querer saber. Se você for contratado, irá pedir novamente a conta quando acumular novos recursos que lhe permitam voltar a estudar para concursos públicos? Você terá que ser convincente ao responder que desistiu dos concursos e agora vai investir os seus esforços na construção de uma carreira em uma empresa privada.

Outra questão que preocupa muito os ouvintes em situação semelhante à sua é: como uma empresa avalia a capacidade de alguém que passou dois anos prestando em concursos e não passou em nenhum? Essa já seria uma razão suficiente para eliminar um candidato a emprego? Não. Primeiro, porque concurso público é como vestibular de universidade federal: muitos tentam e poucos passam. E segundo, porque concurso público é apenas um teste de conhecimentos. Uma empresa exige muito mais que isso ao contratar um funcionário.

Portanto, vá tranquilo, diga a verdade, mostre o que você tem a oferecer e boa sorte.

Max Gehringer, para CBN.

2012-01-27

'Ética está acima da conveniência?' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 27/01/2012, sobre o dilema de um ouvinte que não sabe se revela ou não, para a empresa em que está fazendo um processo seletivo, que passou em um concurso público (um caso parecedíssimo com este outro, de uns anos atrás).

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'Ética está acima da conveniência?'

ética integridade comprometimento verdade

Um ouvinte escreve: "Fui aprovado em um concurso público, mas só vou ser chamado daqui a seis meses. A notícia veio em boa hora, porque eu estava desempregado. Mas por outro lado, não posso ficar parado. Neste momento estou na fase final de um processo seletivo em uma empresa privada. E aí vem a minha grande dúvida. Se eu não abrir o jogo e for contratado, terei que pedir demissão em curto prazo. E se eu revelar que vou ficar pouco tempo no emprego, não serei contratado. O que você me sugere fazer?"

Vamos começar pelo que seria mais fácil: ficar na moita, não dizer nada e conseguir o emprego. Duas coisas podem acontecer. A primeira é que a chamada para o serviço público não ocorra daqui a seis meses. Isso já aconteceu com muitos concursados e você deve considerar essa hipótese.

A segunda é que você pode gostar tanto da empresa e do emprego, que ficará em dúvida se deve mesmo sair. É a velha questão da estabilidade do serviço público contra a construção mais rápida de uma carreira no setor privado.

Se você considerar que o serviço público seria uma opção de carreira e não um fato definitivo, e que você só tomará a decisão daqui a seis meses, não seria falta de ética aceitar o emprego.

A segunda possibilidade é a de que você já tem certeza de que quer mesmo ir para o serviço público e que a chamada daqui a seis meses está garantida. Nesse caso, você estaria escondendo uma informação relevante da empresa que pretende contratá-lo. E isso seria anti-ético.

Mas há outras oções. Por exemplo, uma agência de serviços temporários. Ou um emprego em um setor no qual pedidos de demissão são rotineiros, como telemarketing.

Enfim, consulte a sua consciência e decida se para você, a ética está acima da conveniência. Acredito que esteja, porque senão, você nem teria escrito.

Max Gehringer, para CBN.

2011-08-25

Serviço público não oferece salários exagerados - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 25/08/2011, sobre os salários no serviço público.

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Serviço público não oferece salários exagerados

trabalhadores publico
"Tenho 24 anos", escreve um ouvinte, "e trabalho desde os 18 em uma empresa altamente conceituada no mercado. Quando digo onde trabalho e qual é o meu cargo, as pessoas me falam que eu tive sorte em conseguir este emprego. Mas a verdade é que o meu salário mal cobre as minhas necessidades. Recentemente comecei a prestar mais atenção aos editais de concursos públicos e notei que cargos parecidos com o meu têm salários bem maiores. Qual é a explicação para isso?"

Bom, ao contrário do que a maioria das pessoas acredita e critica, o serviço público não oferece salários exagerados. Quando uma função inicial é equivalente nos dois setores, como por exemplo auxiliar administrativo, alguém com um curso superior vai conseguir entre mil e dois mil reais por mês na empresa privada. E o dobro no serviço público.

Creio que ninguém discorda que o valor pago pelo serviço público é mais razoável, mais próximo da nossa realidade. Acontece que o setor privado oferece bem mais vagas, e cada uma delas é disputada por muitos candidatos com ótima formação.

E aí, a velha lei do mercado estabelece que quando a oferta é maior do que a procura, o preço cai. Por isso, para conseguir o emprego, os candidatos se dispõem a ganhar bem menos do que realmente valem.

Esse é o caso do nosso ouvinte e é também o de muitos outros ouvintes. Mas há outras compensações. Embora o serviço público pague um salário inicial mais decente, aumentos e promoções são mais demorados. Numa empresa privada, é possível construir uma carreira mais rapidamente e tirar essa diferença salarial.

Também é bom lembrar que a diferença salarial não ocorrem em todas as funções públicas. Pela importância do trabalho que executam, militares são mal pagos, e professores, nem se fala.

Max Gehringer, para CBN.

2011-08-02

'Fiquei três anos estudando para concursos e não consigo mais emprego' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 02/08/2011, sobre o que falar numa entrevista de emprego após passar alguns anos somente estudando para concursos e não ter conseguido passar.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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'Fiquei três anos estudando para concursos e não consigo mais emprego'

estudando concurso público
Faz três anos um ouvinte decidiu deixar o emprego e se dedicar somente a estudar para concursos públicos. Segundo diz o ouvinte, essa não foi uma decisão errada, foi uma decisão certa que não deu o resultado esperado, porque ele não conseguiu passar em nenhum dos concursos que prestou.

Agora, aos 27 anos, a situação dele mudou. Os pais, que vinham dando apoio moral e financeiro ao nosso ouvinte, começaram a insistir para que ele voltasse a procurar um emprego e desistisse dos concursos.

O nosso ouvinte concordou que essa seria a melhor solução, mas as entrevistas que ele fez até agora, todas elas conseguidas por indicação de amigos, deram em nada. "Parece", diz o ouvinte, "que os entrevistadores conduzem a entrevista sem qualquer interesse, como se a decisão de não contratá-lo já estivesse tomada antecipadamente". E ele pergunta: que rumo tomar?

Eu vou tentar explicar o que se passa na cabeça do entrevistador. Há 3 anos, o nosso ouvinte decidiu que não queria mais continuar trabalhando em empresas. Agora ele está tentando retornar não porque se arrependeu da decisão tomada, mas porque não conseguiu atingir o objetivo.

Como o nosso ouvinte mesmo afirmou, "trocar o emprego pelos concursos foi uma decisão certa". Talvez até tenha sido. Mas, para o entrevistador, é como se o nosso ouvinte estivesse dizendo: "Bom, já que não consegui o que queria, aceito o que não gostaria."

A minha sugestão é que o nosso ouvinte mude o discurso. E confesse ao entrevistador que perdeu três anos na vida profissional, mas que está disposto a começar tudo de novo, mesmo que seja numa função e com um salário inferiores ao que tinha há três anos.

Se isso for dito com sinceridade, o entrevistador se convencerá. Mas, para conseguir convencer o entrevistador, o ouvinte precisa, primeiro, convencer a si mesmo.

Max Gehringer, para CBN.

2011-06-28

'Devo fazer faculdade para prestar concurso público mesmo com 34 anos?' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 28/06/2011, sobre fazer faculdade aos 34 anos para tentar um concurso público.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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'Devo fazer faculdade para prestar concurso público mesmo com 34 anos?'

loucura trabalhador
"Tenho 34 anos, sou casado e tenho dois filhos pequenos", escreve um ouvinte. "Sou auxiliar de produção e parei de estudar após concluir o ensino médio. Ouvi seu comentário semana passada sobre a relação entre idade e salário. E no meu caso, a conta bateu certinho. Estudei pouco e ganho pouco. E se entendi bem o seu comentário, corro o risco de ganhar cada vez menos se não fizer nada, porque os jovens que estão entrando no mercado de trabalho terão muito mais cursos do que eu.

Então, eu pensei: se eu fizer uma faculdade, vou me formar com 38 ou 39 anos. E aí, eu poderia prestar um concurso para algum órgão público e garantir a minha estabilidade profissional pelo resto da vida, com um salário que eu nunca conseguiria se continuasse no rumo em que estou.

Muita gente que eu conheço me diz que eu fiquei louco. Um pouco porque vou ter que trabalhar de dia e estudar de noite, algo a que não estou acostumado. E tem também quem me fala que depois de ter passado 18 anos longe da escola, eu não vou conseguir aprender nada. Pergunto se o que estou pensando é mesmo loucura."


Bom, se for, é uma loucura muito saudável. O curso superior permitirá que você tenha mais oportunidades do que tem atualmente, mesmo na sua própria empresa, ou em outra empresa.

E o projeto do concurso público faz sentido, porque você não precisará participar de entrevistas, não necessitará de experiência anterior e principalmente, não terá que ficar dando explicações sobre a sua decisão tardia.

E finalmente, aconteça o que acontecer, você será um exemplo para seus filhos e para muita gente que o conhece e que fica dizendo que o tempo passou e que agora é muito tarde. Vá em frente porque loucura sadia não tem idade.

Max Gehringer, para CBN.

2011-03-08

'Não consigo me adaptar ao ritmo do serviço público' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 08/03/2011, sobre o ritmo do serviço público.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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'Não consigo me adaptar ao ritmo do serviço público'

serviço público
"Tenho 25 anos", escreve um ouvinte."Trabalho desde os 19 e passei os últimos três anos tentando concursos públicos. Finalmente consegui passar em um e faz três meses que assumi o meu posto. O salário é bom, mas não estou conseguindo me adaptar ao ritmo do serviço público. Tudo é muito devagar. Vejo colegas que estão fazendo a mesma coisa há mais de dez anos e fico pensando se é isso que também me espera. O que me levou a mudar foi a garantia de estabilidade, e isso eu tenho. Mas o resto é previsível demais. Estou sentindo falta da correria e da criatividade. O que eu faço?"

Vamos lá. Toda vez que eu insinuo que o ritmo do serviço público é mais moderado, vários funcionários públicos me escrevem para dizer que não é bem assim, e que eles são sérios e dedicados. Eu não duvido que sejam. A questão está simplesmente na referência. O ouvinte que escreveu viveu os dois lados e pode compará-los. Vários outros ouvintes que mudaram do setor privado para o setor público já me escreveram dizendo a mesma coisa. Mas eu nunca recebi uma mensagem de alguém que mudou do setor público para o privado e escreveu para dizer que o serviço público é mais puxado, mais exigente ou mais estressante.

A diferença está na concorrência. Basta uma empresa privada piscar para que o concorrente aproveite e ganhe espaço no mercado. Quando não há concorrência, a preocupação diminui e o ritmo tende a ser mais suave. Isso faz com que os setores público e privado sejam dois mundos muito diferentes, o que não quer dizer que um seja melhor que o outro.

O nosso ouvinte agora tem a referência que antes não tinha. Se a estabilidade continua sendo a sua principal prioridade, tudo é uma questão de adaptação. Se deixou de ser, basta voltar. Mas eu sugiro que ele evite tomar uma decisão com base na primeira impressão. Três meses é pouco tempo. Um ano seria suficiente para que as coisas fiquem mais claras e a decisão seja mais ponderada.

Max Gehringer, para CBN.

2010-10-21

Concurso público custa tempo e esforço: é preciso ter foco - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 21/10/2010, sobre os concurseiros e dicas para se preparar para um concurso público.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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Concurso público custa tempo e esforço: é preciso ter foco

prova concurso público
A palavra "concurseiro" ainda não entrou no dicionário, mas já faz parte do vocabulário de um razoável batalhão de pessoas no Brasil. São profissionais de todas as idades e com variados graus de instrução, que se dedicam apenas a estudar para concursos públicos.

Os atrativos do serviço público são inúmeros: salários bem razoáveis, horários decentes, estabilidade garantida e aposentadoria integral. Além disso, as exigências em termos de escolaridade são menores do que nas empresas privadas, não há necessidade de experiência anterior na função, e não existe, na maioria dos casos, a temível entrevista pessoal. Como na escola, passa quem tirar as notas mais altas. Logo, a conclusão é: não custa tentar. Na verdade, custa. Custa muito tempo e muito esforço.

Os concurseiros ativos já sabem. Mas aqui vão algumas dicas para os iniciantes ou aspirantes:

Primeiro, é preciso ter foco. Sair atirando em todas as direções geralmente faz com que o concurseiro quase acerte o alvo em muitos concursos, mas não acerte na mosca em nenhum. É preciso escolher uma direção e aprender tudo sobre ela. É preciso ler cada sílaba dos editais para ter a certeza de que todos os pré-requisitos foram bem entendidos.

Segundo, é preciso ter disciplina. O concurseiro estuda entre doze e dezesseis horas por dia, seis dias por semana. Assistir televisão, surfar na internet, praticar esportes, ou mesmo sair de férias, deixa de fazer parte de sua rotina. Por isso, ele precisa ter um local isolado para se concentrar no estudo e que não seja incomodado por ninguém. É necessária uma dedicação incomum para conseguir aguentar esse ritmo.

Terceiro, é preciso resiliência. Não desistir, nem se desiludir após duas ou três tentativas. Para o concurseiro, cada concurso em que ele não passa, é mais um aprendizado, e não uma nova decepção.

Quarta, é preciso apoio. A família precisa entender e estimular o concurseiro, que poderá passar anos estudando, até ser aprovado. Pais que ficam pressionando por resultados imediatos são o pior pesadelo dos concurseiros.

Em resumo, apesar das dificuldades e ao contrário do que possa parecer para muita gente, é mais fácil conseguir um emprego atrativo numa empresa privada, do que passar num bom concurso público.

Max Gehringer, para CBN.
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