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2011-09-25

Filme: Sem Saída

Sendo curto e grosso: Sem Saída (Abduction, no original) é um filme de ação mediano, daqueles que viram filmes da sessão da tarde e você não se importa muito se está passando ou não. Tem algumas cenas de ação bem coreografadas, mas nada espetacular. Do ponto de vista do roteiro, é fraco e previsível.

filme sem saída taylor lautner poster cartaz

Dirigido por John Singleton, Sem Saída conta com um elenco estrelar (Alfred Molina, Sigourney Weaver, Maria Belo e Jason Isaacs devem estar precisando de uma graninha pro aluguel), apesar de serem todos papéis secundários, quase pontas. O protagonista do filme é Nathan (Taylor Lautner, mais conhecido como o lobinho sem camisa), um adolescente destemido (e meio idiota, como todo adolescente), que não consegue convidar a vizinha e amor adolescente Karen (Lily Collins) para sair. Um dia Nathan descobre que seus pais não são realmente seus pais, e de quebra, se vê envolvido numa trama que mistura espiões, assassinos, CIA e muitos tiros.

Sem Saída não chega a ser ruim, mas é bem insosso. Tirando talvez as fãs do ator principal (sim, ele aparece sem camisa gratuitamente no filme, como na cena em que acorda de uma festa), não creio que o filme agrade o público em geral (pelo menos, não o público que paga o ingresso).

filme sem saída taylor lautner lily collins

Talvez o único diferencial de Sem Saída seja o começo do filme. Tentando dar alguma tridimensionalidade ao personagem Nathan, o diretor Singleton gasta um bom tempo tentando construir o personagem. Infelizmente, a atuação fraca de Lautner não é o suficiente para isso. Ou seja, é um tempo perdido.

Na sessão em que eu assisti o filme, um velho mala sentou na fileira atrás da minha, acompanhado dos netos. Ao saber que o filme se chamava Sem Saída, ele fez a piadinha infame de "se é sem saída, por onde vamos sair?" É uma pergunta pertinente, cuja resposta seria "melhor nem entrar".

Trailer:



Para saber mais: crítica no Omelete.

2011-01-27

Filme: O Turista

Existe um grupo de filmes que não deve ser levado a sério. E mesmo assim, ou talvez por isso, sejam até divertidos, mas totalmente descartáveis. Esse é o caso de O Turista (ou The Tourist, no original). Vendido como um suspense de espionagem e ação, o filme se dá bem mesmo na parte cômica.

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A história de O Turista começa em Paris, onde acompanhamos uma vigia da polícia local e Interpol sobre Elise Ward, interpretada por Angelina Jolie. Apesar dela não ter cometido nenhum crime, ela é o elo de ligação para encontrar Pearce, um homem que roubou bilhões de um mafioso. O problema é que ninguém sabe como Pearce se parece, pois ele mudou o rosto após milionárias cirurgias plásticas.

Tentando enganar a Interpol, Elise pega um trem com destino a Veneza, com instruções de escolher alguém aleatoriamente no trem, com a mesma altura e composição corporal de Pearce, e fazer com que seus perseguidores achem que o escolhido é Pearce. Nessa "tarefa", ela começa a conversar com Frank Tupelo (Johnny Depp), um turista americano. O problema começa quando o mafioso e vilão do filme Reginald Shaw (Steven Berkoff) também acha que Frank é o ladrão e vai atrás dele.

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O Turista tem o maior jeito de filme dos anos 80/início dos 90. As primeiras cenas, com Elise escapando da vigilância dos agentes da Interpol, lembra muito os filmes de espionagem passados na Europa naquele clima de guerra fria, com a diferença do cenário ser atualizado para o que importa hoje em dia: dinheiro e finanças. Nesse sentido, Elise se porta como uma perfeita espiã, quase uma 007 de longos e chiques vestidos.

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Mas o feeling de filme antigo não fica apenas nisso. O filme parece ter sido feito numa época mais inocente, em que a dicotomia entre vilões e mocinhos era clara, mesmo em se tratando de espiões. Isso se reflete no gângster Shaw, interpretado muito caricaturalmente por Berkoff. Desde a sua primeira aparição, fica claro no filme quem é o vilão da trama. Ou ainda no figurino, quando em determinado momento, depois de uma certa "evolução" do seu personagem (evolução esta, que é praticamente esfregada na cara do espectador, simbolizada pelo acendimento de um cigarro), Depp é o único a vestir um smoking branco, primeiro num plano mais aberto, mostrando-o ainda em Veneza, e depois aparecendo num ponto crucial da trama, num salão de baile.

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Apesar de eu ser fã de Depp, quem toma conta da tela é Angelina Jolie. Esse ponto, entretanto, é como uma faca de dois gumes: ao mesmo tempo que sua presença é marcante, a caracterização da sua personagem fica prejudicada, afinal, o que enxergamos na tela é a imagem de femme fatale de Angelina. E isso é claramente intencional, ou o diretor Florian Henckel von Donnersmarck não enfocaria o andar rebolando de Jolie em vários momentos, como no início do filme, em que até rola uma piada entre os guardas que a vigiam, se ela está usando ou não calcinha.

Se Jolie domina as suas cenas, quem melhor desenvolve seu personagem é Depp. Sua caracterização como um cara comum, meio tímido e um tanto fracote é ótima, tanto em momentos reveladores (como quando ajuda pessoas a desembarcarem do trem) quanto nos momentos de ação (como na desajeitada fuga pelo telhado). Na verdade, uma das poucas coisas que estraga a sua atuação é o roteiro, que com a reviravolta final, faz com que tudo o que acompanhamos até o momento exija uma suspensão de crença muito grande de engolir. Aliás, em se tratando de roteiro, é visível uma vez mais como o filme tem aquela aura de inocência (ou de presumir que o espectador seja pouco sofisticado), ao usar o cigarro como símbolo da evolução do personagem, enfatizando na tela cada aparição do vício tabagístico.

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Mesmo que O Turista derrape feio no final, e acabe sendo bem inferior na sua segunda metade, a primeira metade do filme é ótima. As primeiras cenas de Jolie e Depp são divertidíssimas, sobretudo nos diálogos que travam no trem, como quando Elise ensina a Frank como convidar uma mulher para jantar. Vale também mencionar um plano que eu gostei muito, que se passa no hotel, quando num momento mais romântico, é mostrado Frank e Elise em cômodos separados, mas pela janela, vemos os dois ao mesmo tempo. Aliás, em termos de cenários, é notável que o filme não tenha caído naqueles "planos de agência de turismo", mostrando grandiosamente ambas as cidades, Paris e Veneza. Infelizmente, se o filme não abusa, também não usa adequadamente os cenários, e tirando-se uma ou outra sequência em que barcos são importantes, a impressão é de que qualquer cidade poderia ser o cenário do filme.

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Talvez o maior defeito de O Turista seja o de não se posicionar definitivamente em um dos gêneros que ele flerta. Não é exatamente um filme de espionagem, nem de ação, nem um romance, nem uma comédia assumida. Tem todos esses elementos, em diferentes graus e em diferentes momentos, mas no geral, ele patina entre esses gêneros. Pra mim, o que mais sobressaltou foi o lado cômico, e por isso, tenha achado o filme divertido. E ele é bem divertido, desde que se abram algumas concessões no tocante à realidade. De qualquer maneira, a realidade dos filmes quase nunca é a nossa, mesmo.

P.S. A reviravolta final é de dar reviravoltas no estômago.

Trailer:



Para saber mais: crítica no Cinema em Cena e no Omelete.
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