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2012-09-13

Exposição Luz e Sombra: o Cinema em Santa Catarina no Museu da Imagem e do Som de SC

Já faz algum tempo que partes do CIC - Centro Integrado de Cultura de Florianópolis reabriram depois de uma extensa (em termos temporais apenas) reforma (o resto está prometido para breve). Além do cinema, que frequento bastante, os dois museus do espaço já foram reabertos, o MASC - Museu de Arte de Santa Catarina e o MIS - Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina. (Falta ainda um espaço gastronômico-etílico, como havia antes com o Café Matisse, pra ficar bacana.)

Como vou muito ao cinema, e sempre chego antes do horário da sessão, às vezes aproveito esse tempo para ir dar uma olhada nos museus (a visitação costuma ser gratuita). Infelizmente, é um pouco deprimente visitá-los. Não por causa de suas exposições ou do espaço físico, mas pelo pouco prestígio que recebem da população. Não sei se é só um sintoma do fim de semana, que é quando vou ali (tenho quase certeza que não), mas é raro ver uma viva alma passeando pelos museus. (Isso porque a entrada é gratuita, imagine se não fosse...) E também não creio que seja devido ao horário em que visito os museus, porque sempre dou uma olhada no livro de visitação (aquele em que você pode deixar o seu nome, um comentário e a data em que visitou o local) e chega a ser triste quando você percebe que pra encher uma única folha, lá se vão dias, quiçá semanas.

De qualquer maneira, no MIS até outubro ocorre a exposição Luz e Sombra: o Cinema em Santa Catarina, com entrada franca. Não se pode dizer que é um acervo muito extenso, mas reúne algumas boas curiosidades e o trabalho do levantamento de informações, contidos nos murais, é bem interessante. Pra quem gosta de cinema, é uma boa ver. (É também interessante notar como tanta gente por estas bandas "defende" a cultura local, no caso a catarinense, mas quando há iniciativas como esta, não se importam de prestigiar. É o velho caso do discurso pra parecer intelectual, quando há algum holofote ou quando a cultura está perto do mainstream...)

Abaixo, algumas fotos que fiz da exposição:

Mural e cartazes de filmes catarinenses:

museu imagem som mis centro integrado de cultura cic florianópolis mural

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museu imagem som mis centro integrado de cultura cic florianópolis mural cartazes filmes catarinenses

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Câmeras filmadoras:

museu imagem som mis centro integrado de cultura cic florianópolis mural câmeras filmadoras

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E uma réplica de um estúdio de gravação:

museu imagem som mis centro integrado de cultura cic florianópolis mural estúdio de gravação

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museu imagem som mis centro integrado de cultura cic florianópolis mural estúdio de gravação

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Antigos projetores:

museu imagem som mis centro integrado de cultura cic florianópolis mural projetores antigos

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2011-09-20

Mostra de Animação em Florianópolis

É fato público e notório que culturalmente, Florianópolis está muuuuito atrás de outras capitais (se formos comparar só com as da Região Sul, por exemplo, está lá amargando uma de Rubinho). Felizmente, esse cenário vem aos poucos melhorando, com passos de tartaruga é verdade, mas vem. Por isso, quando recebi um e-mail falando sobre a Mostra A Caverna de Animação em Florianópolis, achei que deveria fazer um post aqui.


A mostra já está na sua quinta edição e reconheço que nunca tinha ouvido falar dela, portanto, não tenho como dizer como foram as quatro edições passadas e nem quão interessante elas foram. Entretanto, como para o público a entrada é de graça, vale a pena dar uma conferida, entre 27 e 30 de Outubro (de 2011, para algum leitor futuro), no Teatro da Ubro. Quando colocarem a programação completa no site, verei um ou mais dias que achar mais interessante e provavelmente irei dar uma checada.

Bem, a programação não está no site porque as inscrições ainda estão abertas. Então, se por alguma coincidência cósmica algum leitor deste humilde bloguinho tiver uma animação e quiser se inscrever, tem até o dia 30 de setembro. (Se isso acontecesse, seria muito legal.)

Para mais informações: site da Mostra A Caverna.

P.S. Não, não recebi nada pra fazer esse post. Se alguém quiser me pagar pra divulgar alguma coisa, posso pensar no caso. Dinheiro sempre é benvindo, hahaha.

2011-05-03

Filme: A Antropóloga

Sabe aqueles trabalhos de escola, em que o grupo ou turma toda tem que fazer um vídeo pra apresentar (geralmente em uma feira ou festival)? Mesmo que hoje tenhamos alguns trabalhos excelentes como alguns lipdubs recentes colocados na internet, a imensa maioria desses trabalhos é sofrível, seja pela inexperiência dos envolvidos, seja pelo limitadíssimo orçamento, geralmente pelos dois motivos. Mas, mesmo sendo o resultado tosco, ele sem dúvida foi fruto de muito trabalho, e todos os envolvidos sentem grande orgulho de terem feito parte dele, ficando cegos para os problemas dele. De certa forma, ao ver o filme catarinense (assim anunciado com orgulho), A Antropóloga, senti como se estivesse vendo um trabalho escolar como descrevi: ruim, mas com ardorosos fãs e defensores (que assim o são por paixão, coisa irracional, note-se bem!).

filme catarinense a antropóloga poster cartaz

Rodado em Florianópolis, A Antropóloga talvez (e esse é um grande talvez) agrade aos nativos da ilha de Santa Catarina, sobretudo por levar à telona, coisas tão familiares a eles, como suas paisagens, costumes, lendas, crendices e o sotaque. Entretanto, quem procura um bom filme, independente da paixão por onde nasceu, não vai sentir a mesma afeição.

A Antropóloga do título é Malú (Larissa Bracher). Portuguesa, ela pesquisa sobre a cultura local de ervas medicinais nos lugares onde os imigrantes açorianos (habitantes de um arquipélago de Portugal, com uma cultura bem característica), se estabeleceram. Nessa sua pesquisa, ela vem parar em Florianópolis, onde se instala na Costa da Lagoa, um lugar onde o mato (ou se você for ecologicamente chato preferir, onde a natureza) é abundante e as pessoas vivem como se vivessem em vilas de muitos anos atrás. Neste fim de mundo, Malú aluga uma casa (com direito a uma vergonhosa cena em que ela arranca a placa de "aluga-se" como se estivesse num filme americano dos anos 80), ao lado da casa onde mora a menina Carolina (Rafaela Rocha de Barcelos), uma criança diagnosticada com câncer no cérebro (presumivelmente sem chance de cura, já que o pai dela - um médico - não a mantém no hospital). Entretanto, as crises que Carolina enfrenta melhoram quando a benzedeira da região Dona Ritinha (Sandra Ouriques) a trata com ervas e rezas. Malú se envolve cada vez mais com seus vizinhos e com Dona Ritinha, que a princípio ela entrevista sobre ervas, mas vai entrando cada vez mais no mundo sobrenatural da cultura local, que envolve as famosas bruxas da cidade, magia e até - pasmen! - lobisomens.

filme catarinense a antropóloga

A Antropóloga é um filme irregular. O filme começa como um filme de gênero, o do suspense sobrenatural mais sério, mas no final, ele se volta para o surreal, como bem ilustra uma das cenas finais, em que um barqueiro sobe aos céus em direção a lua. O desenvolvimento da história como um todo é tão ridícula, que talvez o diretor Zeca Nunes Pires tenha tomado consciência desse fato e decidido terminar o longa como um filme que brinca com o sobrenatural de forma leve e surreal. Entretanto, essa opção não se mostra muito acertada, destoando do resto da película e parecendo mais uma desculpa do diretor para o quão ridícula foi a condução da história até o momento. Tivesse sido feita essa opção desde o início, talvez (e esse é também um grande talvez) fosse melhor sucedido.

Mesmo quando A Antropóloga tenta criar um clima de suspense/terror sobrenatural, o filme deixa muito a desejar. A impressão é que voltamos aos anos 80. Além da trilha sonora instrumental que é a cara de filmes de terror dos anos 80 (estilo as milhares de continuações de Sexta-Feira 13), o diretor ainda nos brinda com diversas cenas em que a câmera emula o ponto de vista do "assassino". Sabe quando a câmera foca o personagem como se fosse a visão do assassino, estando o personagem dentro de casa e a câmera fora, filmando pela janela, ou com o personagem andando por uma trilha e a câmera atrás de algum mato "se escondendo"? Esse enquadramento, que é característico de filmes de terror dos anos 80 de filmes de assassino (lembram-se do Jason ou Michael Myers?), é também usado em A Antropóloga diversas vezes, sobretudo quando Malú caminha no mato (ok, ou natureza selvagem). Entretanto, se esse tipo de enquadramento serve para causar expectativa ou suspense (afinal, presume-se que o assassino esteja vendo a mocinha), dada a natureza da história, esse contexto se perde totalmente. Afinal, a bruxa má (o "assassino" do filme) não ataca ninguém, exceto a menina Carolina. Porém, mesmo esses "ataques" não causam medo, pois são apenas desmaios, como se a bruxa estivesse "sugando a alma" da menina, de maneira invisível. Com ataques assim, é fácil entender como somente uma benzedeira acreditaria em bruxas sugadoras de almas. Por isso, o roteiro faz com que Malú tenha outras experiências sobrenaturais para que ela se convença do misticismo e da magia, e que culmina com uma desfecho do porquê dela estar ali um tanto difícil de engolir, que envolve maldições e reencarnações.

filme catarinense a antropóloga

Definitivamente, o roteiro de A Antropóloga não é o seu forte. Além dos mistérios sobrenaturais serem muito mal conduzidos, os personagens são mal trabalhados. O pai de Carolina, por exemplo: apesar de ser médico e dizer não acreditar nessas magias, admite sem culpa nenhuma que as rezas da benzedeira fazem um bem muito grande a Carolina. Obviamente se contradizendo, o personagem até poderia ensaiar algo no sentido de sobrenatural x ciência, crença x ceticismo, mas a ele é relegado o papel de pai que corre quando a filha desmaia. Nem um eventual interesse romântico por Malú é desenvolvido (apesar de acontecer um flerte com o assunto, quando Carolina menciona como o pai olha para a casa de Malú). Ou tome como exemplo, ainda, a nora da benzedeira numa cena em que ela tem ciúmes de Malú. Uma única cena em que se demonstra uma possível linha, mas que é esquecida pelo resto do filme.

Além disso, o filme tem diversas cenas que não fazem sentido algum, a começar pela cena inicial, com uma grande explosão ou algo parecido. Outra cena desnecessária é quando a nora da benzedeira (que também trabalha tomando conta de Carolina) chega em casa e é "atacada" pelo marido sedento de sexo. Se a intenção era causar um suspense para depois apresentar o personagem, não funcionou. Outras cenas que são totalmente dispensáveis são as que envolvem os três góticos ou aspirantes a bruxos(as). São personagens introduzidos exclusivamente como alívio cômico (mas, infelizmente com pouquíssima graça), cujo único desenvolvimento se dá com o líder do trio, que inexplicavelmente se transforma no final em algo muito mais convencional. Na minha opinião, foram personagens mal trabalhados que apenas tentam fazer uma gracinha ou outra, mas que só servem para criarem uma linha paralela à história principal, linha esta que não acrescenta em nada.

filme catarinense a antropóloga

A Antropóloga não é um filme milionário, e por isso, limitações técnicas e orçamentárias são normais. Entretanto, se o diretor de fotografia consegue extrair boas imagens usando muita luz natural, e mesmo a falta de luz, como na cena em que sombras dançam à luz de fogueira no ritual de bruxas, ou nas cenas na floresta, que visualmente são bacanas, o diretor parece não saber como usar eficientemente a câmera. Além do já citado POV (ponto de vista) do "assassino", o diretor usa muita câmera na mão onde o plano exigiria algo mais suave. A câmera na mão dá um ar de ação, de pressa à cena, o que é o oposto do que se vê no enquadramento. Isso nota-se facilmente na sequência do encontro entre Malú e o velho Delano, onde a câmera na mão acaba tremendo a imagem (pouco, é verdade, mérito do cinegrafista). Esse ponto, entretanto, pode ter sido por causa do orçamento, uma vez que montar e levar o aparato em locação (e a locação é no meio do mato, ops, natureza selvagem), não é simples. De qualquer modo, é válido deixar o registro.

A fotografia não é o único ponto positivo de A Antropóloga. Apesar do elenco como um todo variar na qualidade da interpretação, pelo menos os protagonistas entregam boas atuações. Destaque para Larissa Bracher, que faz o que pode com sua personagem, apesar do roteiro, e da menina Rafaela Rocha de Barcelos, que se ainda não é nenhuma gênia atuando, parece que tem sim, um caminho bom a trilhar. Os depoimentos de idosos e anciãos, explicando parte da sua sabedoria milenar é outro ponto interessante por si só. Quero dizer que as tomadas dos depoimentos de "pessoas reais" são interessantes, e um documentário nesse estilo não seria nada mal. Entretanto, o ar documental dessas entrevistas inseridas no meio deste filme não ajudam no ritmo, bem como soam um tanto deslocadas. Isso acaba tirando um pouco o espectador de dentro do filme, ao mostrar algo muito real para em seguida colocá-lo de volta na ficção, até porque até a câmera e fotografia se alteram nessas cenas de entrevistas.

filme catarinense a antropóloga

Apesar de muito se dizer que A Antropóloga é um filme como Rio, no sentido de que vende uma imagem interessante da cidade para turistas, senti falta de uma certa "apadrinhagem". Sim, o filme abre com o tradicional plano mostrando o cartão postal da cidade, a ponte pênsil (que quer cair, mas não cai) Hercílio Luz. Sim, o cenário logo é deslocado para imagens da Costa da Lagoa, outro ponto belo da ilha (isso se você gostar de mato, natureza). Entretanto, faltou um ar mais didático no que concerne a algumas manifestações culturais locais, como a festa em que o velho Delano aparece pela segunda vez para Malú. Não seria uma desculpa esfarrapada do roteirista colocar alguém pra explicar a Malú todo o ritual e significado da festa, uma vez que ela é uma antropóloga, não é? Isso reforça o ar bairrista do filme, cujo foco está em mostrar as coisas da cidade, mas pra quem já é da cidade.

Enfim, A Antropóloga é um filme com muitos problemas. Desde o roteiro até a execução. Poderia ser melhor se fosse mais focado, e não uma mistura mal feita de suspense, terror, sobrenatural, drama e tentativas frustradas de comédia (aliás, risadas mesmo só involuntárias, de certas cenas de vergonha alheia pura, como a dancinha da bruxa). Pode ter sido um filme que tenha dado trabalho, um filme cujos realizadores colocaram muito esforço. Mas infelizmente, na vida real, isso nem sempre basta pra um bom produto final.

Trailer:



Para saber mais: blog oficial do filme e crítica no Clickfilmes.

2010-12-08

Teatro: Dom Quixote, na UFSC

Apesar de não dizer que sou um especialista em cinema, tenho orgulho em dizer que entendo um bocado dessa arte. O mesmo não posso dizer do teatro, mas como meio para uma história, ainda dou alguns pitacos. ;)

Em curtíssima temporada, o pessoal do curso de Artes Cênicas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) está apresentando a peça Dom Quixote. Hoje foi a estreia e eu estive lá. Se tiver a oportunidade, recomendo ir assistir: além de muito bacana, é gratuita!

dom quixote na ufsc artes cênicas

Dom Quixote, a peça, é baseada na obra de mesmo nome de Miguel de Cervantes. Sério, pra fazer algo ruim com Cervantes (ou com Shakeaspeare), é necessário muito empenho. Então, isso já é meio que uma garantia de algo razoável.

Mas no caso da peça montada pelo pessoal da UFSC, o resultado vai além do texto de Cervantes. Um dos pontos em que o teatro tradicional "perde" para o cinema, é na ambientação: enquanto no cinema, você tem vários cenários mais completos, no teatro isso é mais limitado, mesmo numa superprodução, em que há vários cenários. No teatro tradicional, a imaginação do espectador deve preencher uma boa parte das lacunas.

Nesta montagem, parte desse "problema" é contornado ao fazer com que a peça não se apresente em apenas um lugar, mas seja itinerante pelos gramados e espaços da UFSC. Ou seja, a ação não se restringe ao espaço do palco, mas toma como palco a própria UFSC, fazendo com que acompanhemos Dom Quixote e seu companheiro Sancho Pança conforme eles se aventuram por entre os prédios, pátios e árvores da universidade (e quem conhece, sabe que lugar não falta).

Isso faz com que não apenas a peça ganhe um aspecto mais dinâmico, como também é extremamente agradável dependendo do tempo (como hoje, que tinha uma brisa refrescante soprando e a lua crescendo no céu).

A parte "circense" da peça é bacana, especialmente quando as meninas usam fogo. (!) A atuação é boa, apesar de transparecer algum nervosismo inicial em alguns dos atores/atrizes. A música é outro ponto alto: com músicos fazendo o som ao vivo, por vezes com toques de repercussão (em algum tipo de tambor, não sei direito, sou totalmente iletrado em termos musicais), em outras tocando instrumentos com um som mais "medieval" (com flauta e um instrumento de corda que também não sei o nome), a música não só acompanha a peça, mas faz parte da narração.

Terminando e abrindo a peça com muito simbolismo, talvez essa seja o ponto fraco da montagem. Além da quantidade (alta) de simbolismos, estes por vezes, parecem um tanto pretensiosos demais, como na abertura, em que um teatro de luzes e sombras nos entrega pássaros voando, entre outras coisas (que não falarei para não estragar a surpresa). Tecnicamente muito bacana, entretanto.

Enfim, se quinta (9) ou sexta (10) você quiser curtir uma peça bacana, na UFSC, Dom Quixote é uma pedida bacana. Às 20:30, começando na sala 403 do CFM, e se chover, a peça é adiada.

Mais informações no site Notícias da UFSC.

P.S. Esse post só tem como imagem o cartaz da peça porque o burro que vos escreve preparou a câmera fotográfica mas esqueceu em casa.

P.S.2. Muitas mulheres gatas, tanto se apresentando na peça, quanto assistindo. :D

P.S.3. Agradecimentos ao meu amigo Nextrax pelo email com a dica da peça.

2010-03-23

Vamos Celebrar

Hoje é aniversário daqui da cidade (Floripa) e por isso, feriado. Mas não é isso que vamos celebrar.

Em 1993, há quase 17 anos, era lançado um álbum do Legião Urbana, O Descobrimento do Brasil, com a música Perfeição. E de lá, para cá, se algo mudou, foi pra pior.

E, como diz o ditado, que o pior cego é aquele que não quer enxergar, eu fico pasmo como as pessoas simplesmente se negam a ver em volta delas. Tudo é festa, tudo é bom, maravilhoso. Não que datas especiais e conquistas não devam ser comemoradas, mas quando isso é tudo o que se faz, comemorar e esquecer o resto, então alguma coisa está definitivamente muito errada.

E uma das coisas que me deixa muito enojado desta cidade, é o deslumbramento que alguns cidadãos dela têm. Especialmente alguns que têm quase uma adoração por uma figura tão babaca quanto o Galvão Bueno, mas que (agradeçam aos céus, resto dos brasileiros) está contida em SC: Cacau Menezes. Hoje, no Jornal do Almoço (ao contrário da maioria dos estados, aqui o jornal da globo regional não é UF TV), essa figurinha, que tem um bloco no jornal, falou tanta porcaria, que não deu pra não celebrar como o grande Renato Russo disse uma vez (tem um vídeo do jornal lá embaixo):

Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado




Letra:
Perfeição - Legião Urbana


Vamos celebrar
A estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja
De assassinos
Covardes, estupradores
E ladrões...

Vamos celebrar
A estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso estado que não é nação...

Celebrar a juventude sem escolas
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião...

Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade...

Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta
De hospitais...

Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras
E seqüestros...

Nosso castelo
De cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia
E toda a afetação
Todo roubo e toda indiferença
Vamos celebrar epidemias
É a festa da torcida campeã...

Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar o coração...

Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado
De absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos
O hino nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
Comemorar a nossa solidão...

Vamos festejar a inveja
A intolerância
A incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente
A vida inteira
E agora não tem mais
Direito a nada...

Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta
De bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isto
Com festa, velório e caixão
Tá tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou
Essa canção...

Venha!
Meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão

Venha!
O amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha!
Que o que vem é Perfeição!...

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Bloco no jornal de hoje.



Quem conhece não te compra, amarelo.

2009-09-22

Poemas - Praça

Baseado em fatos reais. Ou imaginários. Tanto faz.

Praça

Num banco de praça, ao ar livre, sentados,
Ela no colo dele, um casal de namorados,
Trocavam carícias, beijos e abraços.

Do outro lado, um senhor em seu hábito matinal,
De ler sob a velha figueira, o seu jornal,
Ignorava a multidão e seus passos.

E passam pelos bancos, vendedores ambulantes,
Anunciando coisas - pra eles - interessantes,
Indo e vindo como o sangue em uma veia.

O casal apaixonado se separa, beijos e despedidas,
O senhor termina o jornal, já viu toda a vida,
Mas a praça continua como uma teia.

praça xv de novembro florianópolis
Agora uma senhora, bem vestida e arrumada,
Que apesar do ar tenso, vê-se que não apressada,
Tira da bolsa e folheia, uma revista.

Outro casal, de passos lentos e mãos dadas,
Jovens de roupas simples, mas bem arrumadas,
Dividem o sorvete, uma casquinha mista.

Ela dá uma lambida, e depois é dele a vez,
Vão se beijando assim, sem um beijo francês,
E lentamente se afastam da praça.

Uns senhores de idade, barulhentos e animados,
Com seus dominós, altivos e nada cansados,
Brincam e jogam com toda a sua raça.

praça xv de novembro florianópolis
Estes ficarão, por um bom tempo ainda, assim.
E a senhora e a sua revista, já no fim,
Se levanta, se apruma, e vai embora.

Às vezes passam senhores engravatados,
Com suas pastas, ternos e cabelos alinhados.
Estes nunca ficam; vão-se sem demora.

Loiras, morenas, desfilando como numa passarela,
Pela praça, emprestando a sua beleza a ela,
Gostam e sabem que viram assunto.

E assim, com a árvore centenária testemunhando,
Essas curtas histórias de vida, passando,
Deixam a praça, mas a levam junto.

2009-08-11

Um jardim no meio da cidade

Bem, eu sei que um jardim em uma cidade, não é nenhuma grande novidade. Mas este eu achei especial.

Numa avenida bem movimentada (nas fotos vazia, por se tratar de um sábado a tarde), a avenida do Hospital Universitário da UFSC, logo no comecinho dela, tem um pequeno jardim.



Passando de carro, ou mesmo andando apressado, você pode nem notar que ele está lá.



E o que esse jardim tem de mais? Ele está lá, todo aberto, sem cercas ou muros. Bem cuidado, colorido, e totalmente livre, do lado da calçada.





Esse jardim já está aí há algum tempo, mas só agora tirei fotos. Uma pena, pois acho que apesar dos pedidos, muitas das plantas ali foram levadas (antes havia uma pequena placa ali, dizendo para por favor não arrancarem as flores - aparentemente arrancaram até a placa). Uma pena.



Mas quem sabe, se no verão o jardim não volta a ficar mais viçoso e verdejante? E que as pessoas aprendam que certas coisas deveriam apenas ser apreciadas com os olhos?

É, eu tô sonhando. Pessoas não são assim. Infelizmente.

2009-06-24

Descendo a Estrada do Morro da Lagoa da Conceição, em fotos

Há alguns dias atrás, no feriado, resolvi pegar a máquina fotográfica e sair clicando por aí. Naquele dia, resolvi que iria dar uma olhada na estrada que desce o Morro da Lagoa da Conceição, em direção à Lagoa, aqui em Florianópolis.

Peguei um ônibus e desci no ponto que tem na parte mais alta da estrada, do ladinho do Mirante da Lagoa. Lá, ao lado do ponto de observação, também tem uma lojinha de lembranças, pra quem gosta de comprar coisas. Eu prefiri tirar algumas fotos:

De Mirante da Lagoa da Conceição

Dá pra ver de bem longe, a ponte na Lagoa, e continuando esta, a famosa Avenida das Rendeiras.
De Mirante da Lagoa da Conceição

Dunas:
De Mirante da Lagoa da Conceição

Uma imagem do Canto da Lagoa:
De Mirante da Lagoa da Conceição

Gente desocupada como eu:
De Mirante da Lagoa da Conceição

Pra ver melhor:
De Mirante da Lagoa da Conceição


Depois de passar um tempo ali, resolvi descer o Morro pela rodovia, a pé, em direção à Lagoa. Coisa que eu não recomendo a pedestres e ciclistas, em determinados pontos o acostamento simplesmente some.

Mas a vista é privilegiada, e você consegue observar detalhes que te escapam de carro (ainda mais se você estiver dirigindo e tiver que prestar atenção na estrada), ou mesmo de ônibus, por não poder parar e observar.

Mais fotos:

Aqui, o ponto inicial da descida:
De Descendo a Estrada do Morro da Lagoa

A vista é praticamente a mesma que se tem do Mirante:
De Descendo a Estrada do Morro da Lagoa

O começo da descida é bem tranquilo:
De Descendo a Estrada do Morro da Lagoa

E como ainda estamos no alto, dá pra ter uma bela vista da Lagoa da Conceição:
De Descendo a Estrada do Morro da Lagoa

A vista que se tem da Lagoa é legal, mas as curvas da estrada não:
De Descendo a Estrada do Morro da Lagoa

Umas curvinhas bem chatas. Abaixa a marcha e vai na mansa:
De Descendo a Estrada do Morro da Lagoa

Bela vista da Lagoa, tirada de uma curva. Uma típica vista que você não consegue aproveitar quando está dirigindo o carro:
De Descendo a Estrada do Morro da Lagoa

Última curva da descida. Note que tem partes que o acostamento simplesmente não existe:
De Descendo a Estrada do Morro da Lagoa

E depois de tantas curvas fechadas, a reta que dá as boas-vindas aos visitantes da Lagoa:
De Descendo a Estrada do Morro da Lagoa


E aqui terminou o passeio fotográfico. Mas claro que depois dessa caminhada, fui tomar um café quente num dos inúmeros estabelecimentos que a Lagoa tem.

2009-03-25

Passeio pelo Parque do Córrego Grande

Segunda-feira foi feriado em Florianópolis, aniversário da cidade. Como sábado e domingo eu praticamente passei o dia no cinema, segunda eu resolvi dar uma volta. E acabei indo conhecer o Parque Ecológico do Córrego Grande, que fica perto aqui de casa (e que é uma vergonha de admitir, já que faz uns 5 anos que eu moro no mesmo lugar mas nunca tinha ido lá).

Algumas fotos:

From Parque Córrego Grande Florianópolis

(Lago logo na entrada do parque.)

From Parque Córrego Grande Florianópolis

(O parque tem algumas trilhas no meio da mata - mas não se preocupe, não dá pra se perder lá dentro.)

From Parque Córrego Grande Florianópolis

(Tem também uma pista bem aberta pra se fazer caminhada ou praticar corrida.)

From Parque Córrego Grande Florianópolis

From Parque Córrego Grande Florianópolis

(Pra criançada, tem alguns bichinhos e um espaço com brinquedos.)

Mais fotos no álbum do Picasa.

2009-02-26

Espetáculos de Tango em Florianópolis

Está acontecendo aqui em Floripa, um Congresso Internacional de Tango. Entre aulas e bailes, também tem espetáculos de dança. Hoje, quarta-feira, teve um. E eu fui. \o/

congresso tango
Voltei do teatro do CIC (Centro Integrado de Cultura, aqui de Florianópolis), onde houve o espetáculo, agora há pouco. Achei o máximo! Foi pouco mais de uma hora de muito tango, mas que me arrancou aplausos a cada intervalo (entre uma música/dança e outra). Sabe quando você assiste a algo tão sublime, tão divertido, que não consegue tirar um sorriso largo do rosto? Pois é, quase me deu cãibra no rosto. =D

Definitivamente salvou esta minha quarta feira cinza.

Para o público não-pé-de-valsa, como eu, que prefere ficar assistindo, vão ter mais dois espetáculos, sexta e sábado. (Informações no site.) Eu recomendo (e talvez vá no sábado de novo).

Desde Al Pacino em Perfume de Mulher que eu sempre achei tango um barato, mas havia visto apenas em filmes, como em Moulin Rouge (na cena da Roxanne).



Mas ver ao vivo é muito melhor (fora que admirar a beleza das dançarinas também não é nada mau!).
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