Se
Miru Kim é a mulher que não tem pudor em andar nua pela cidade, o jovem
Ruben Brulat é o homem que faz algo semelhante. Tirando autorretratos nus e a uma grande distância, Brulat nos mostra em duas séries como o homem é pequeno diante da natureza e de suas próprias criações, no caso, os centros urbanos. Impossível não deixar de sentir um vazio e a solidão nas paisagens retratadas.
São imagens com cenários tão amplos que não raramente é difícil identificar onde o artista se encontra (e como diminui o tamanho das fotos pra colocar no post, retirei algumas que Brulat ficava praticamente invisível). Por isso, mesmo que ele esteja pelado, não dá pra ver muita coisa (sorry, meninas).
Vejam as duas séries de autorretratos nus do artista.
Immaculate - nessa série, o artista tira seus autorretratos num centro comercial/financeiro a noite, quando tudo em volta se esvazia e as construções ganham um tom de cidade desértica pós-apocalíptica. Algumas palavras do artista:
"O que me chocou em 'Immaculate' era que essa vizinhança vivia apenas por um sistema, e quando a noite o sistema para, quando não há necessidade de ativá-lo, ele simplesmente morre, um sistema criado por humanos, sustentado por humanos, não deixa absolutamente nenhum amor, nenhuma felicidade, nenhuma tristeza. Um lugar sem nenhum tipo de vida.
Eu sou fascinado por lugares onde a beleza dos seres humanos se foi."
Primates - nessa série, Brulat se fotografa deitado nu, no meio de neve, rochas e rios congelados. Em algumas imagens é fácil distingui-lo (como naquela em que ele está deitado numa relva), mas quase sempre o artista se integra à paisagem, não como
o artista Arno Rafael Minkkinen, mas sendo apenas mais um ponto na imensidão da natureza. Além disso, a imagem de um corpo jogado em regiões inóspitas também nos leva a refletir sobre a natureza resistente da nossa espécie, uns primatas que conquistaram boa parte do mundo.
Imagens via
site oficial de Ruben Brulat. Dica via
Empty Kingdom - Ruben Brulat.