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2012-08-27

A mistura de pintura, escultura e grafite nas telas psicodélicas de Marchal Mithouard (Shaka)

O artista plástico francês Marchal Mithouard, a.k.a. Shaka, mistura pintura, escultura e grafite para criar ilustrações que saltam da tela e criam efeitos tridimensionais interessantes, ao mesmo tempo em que usa uma paleta de cores vibrante e quente, dando às figuras (a maioria de retratos) um aspecto psicodélico.

Vejam a mistura de pintura, escultura e grafite nas telas psicodélicas de Marchal Mithouard (Shaka):


Marchal Mithouard Shaka pintura escultura grafite 3d psicodelico

Multidão multicolorida

Marchal Mithouard Shaka pintura escultura grafite 3d psicodelico

Escultura de cores

Marchal Mithouard Shaka pintura escultura grafite 3d psicodelico

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Autorretratos

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Escapada

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Alegoria das ruas - quadro completo

Marchal Mithouard Shaka pintura escultura grafite 3d psicodelico

Marchal Mithouard Shaka pintura escultura grafite 3d psicodelico

Marchal Mithouard Shaka pintura escultura grafite 3d psicodelico

Marchal Mithouard Shaka pintura escultura grafite 3d psicodelico

Detalhes

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"Fã"

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"Comportamento Humano"

Marchal Mithouard Shaka pintura escultura grafite 3d psicodelico

"Jack"

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Mãe e criança

Marchal Mithouard Shaka pintura escultura grafite 3d psicodelico

Retrato esquizofrênico de Benoît Poelvoorde.

Marchal Mithouard Shaka pintura escultura grafite 3d psicodelico

Replicante saindo da tela

Marchal Mithouard Shaka pintura escultura grafite 3d psicodelico

Vermelho

Marchal Mithouard Shaka pintura escultura grafite 3d psicodelico

Espetado

Marchal Mithouard Shaka pintura escultura grafite 3d psicodelico

Loucura

Marchal Mithouard Shaka pintura escultura grafite 3d psicodelico

Adolescente

Imagens via site de Marchal Mithouard a.k.a. Shaka. Dica via Colossal - Graffiti Meets Sculpture in Colorful Figures that Explode Through the Canvas by Shaka.

2012-06-22

Livro: Ilha do Medo

Nas férias passadas, finalmente diminui (um pouco) a minha fila de livros a serem lidos. Um deles foi Ilha do Medo, de Dennis Lehane. Publicado por aqui originalmente como Paciente 67, este livro inspirou o filme de mesmo nome de 2010, dirigido por Martin Scorsese e estrelado por Leonardo DiCaprio.

livro ilha do medo capa

A sinopse oficial do livro segue abaixo:

No verão de 1954, o xerife Teddy Daniels chega a Shutter Island com seu novo parceiro Chuck Aule. A dupla deverá investigar a fuga de uma interna do Hospital Psiquiátrico Ashecliffe, reservado a pacientes criminosos. Sem deixar vestígios, a assassina Rachel Solando escapou descalça de um quarto vigiado e trancado à chave. Os médicos, funcionários e enfermeiras da instituição não parecem dispostos a colaborar com a investigação. E as mentiras vêm diretamente do enigmático médico-chefe do hospital. O desaparecimento de Rachel traz à tona uma série de suspeitas sobre o hospital: com suas cercas eletrificadas e guardas armados, talvez ele não seja apenas mais um sanatório para criminosos. Surgem rumores de que uma abordagem radical e violenta da psiquiatria seria lá praticada - as suspeitas incluem desde terríveis experiências com drogas e cirurgias experimentais, até o desenvolvimento de instrumentos a serem usados na Guerra Fria. Enquanto isso, um furacão se aproxima da ilha, precipitando uma revolta entre os presos. Quanto mais perto da verdade Teddy e Chuck chegam, mais enganosa ela se torna.

livro ilha do medo

Depois de ler o livro, é perceptível que o filme é bem fiel ao livro. Apesar de ser quase regra que filmes baseados em livros são sempre inferiores ao material original, este não é o caso. Ambas as mídias, livro e filme, têm o mesmo clima soturno de thriller misturado a toques de noir. Apesar de ser basicamente um suspense policial, a história também tem uma boa dose de drama e até mesmo, pitadas filosóficas espalhadas pelo texto. A leitura é dinâmica e não é cansativa, apesar dos temas abordados pelo livro, serem pesados.

Numa avaliação resumida, Ilha do Medo vale muito a pena ser lido. Se, no entanto, você não for fã de leitura, pode se contentar somente com o filme, que faz jus ao material original.

livro ilha do medo

Abaixo, algumas citações que separei da leitura (grifos meus):

Sempre há:

"Mas abrimos mão de nosso passado para garantir o futuro?", disse Chuck atirando, com um piparote, o cigarro na espuma. "Eis a questão. O que você perde quando varre o chão, Teddy? Migalhas que de outro modo atrairiam formigas. Mas o que dizer do brinco que ela perdeu? Também foi parar no lixo?"

Teddy disse: "Quem é ela? De onde você a tirou, Chuck?".
"Há sempre uma ela, não é?"

Acordar:

Dolores morrera havia dois anos, mas revivia à noite, nos sonhos dele. E às vezes, no alvorecer. Teddy passava minutos a fio pensando que ela estava na cozinha ou tomando café na sacada do apartamento em Buttonwood. Era uma cruel ilusão armada por sua mente, claro, mas havia muito tempo que Teddy se conformara com a lógica desse acontecimento - afinal de contas, acordar era como nascer. A gente emerge sem história. Depois, entre um piscar de olhos e um bocejo, reorganiza o passado, dispondo os fragmentos em ordem cronológica, reunindo forças para enfrentar o presente.

livro ilha do medo

Sobre a violência:

Tinham chegado ao portão principal. O diretor, que continuava segurando o braço de Teddy, fê-lo girar de modo a ter à frente a casa de Cawley e, mais adiante, o mar.

"Você apreciou essa dádiva recente de Deus?"

Teddy olhou longamente o homem. Por trás daqueles olhos tão perfeitos havia um espírito doente, ele pensou. "Como? Não entendi."

"Uma dádiva de Deus", disse o diretor. Num gesto largo, o braço dele abarcava a terra devastada pelo furacão. "Sua violência. Quando desci as escadas em minha casa e vi a árvore na sala de estar, senti que aquilo era obra da mão divina. Não literalmente, é claro. Mas no sentido figurado. Deus ama a violência. Você entende isso, não é?"

"Não", disse Teddy. "Não entendo."

O diretor avançou alguns passos e se voltou para encarar Teddy. "Que outro motivo existe para tanta violência? Ela está em nós. Vem de nós. Faz parte de nossa natureza, mais do que respirar. Nós desencadeamos a guerra. Fazemos sacrifícios. Pilhamos, dilaceramos a carne de nossos irmãos. Semeamos nossos fétidos cadáveres em grandes campos. E por quê? Para mostrar a Ele que aprendemos com o Seu exemplo."

Teddy o viu acariciar a capa de um livrinho que apertava contra o ventre.

O diretor sorriu, e seus dentes eram amarelos.

"Deus nos dá terremotos, furacões, tornados. Ele nos dá montanhas que cospem fogo sobre nossas cabeças. Oceanos que engolem navios. Ele nos dá a natureza, e a natureza é um assassino sorridente. E nos dá as doenças para que, em nossa morte, acreditemos que Ele nos deu orifícios só para que sentíssemos nossa vida se escoar através deles. Deu-nos a lascívia, a raiva, a cupidez e nossos corações sujos para que pudéssemos espalhar a violência em Sua homenagem. Não existe ordem moral mais pura que essa tempestade que vimos há pouco tempo. Aliás, não existe nenhuma ordem moral. Tudo se resume apenas a isto: minha violência pode dominar a sua?"

Teddy disse: "Não estou bem certo, eu...".

"Será que pode?", disse o diretor, agora tão perto de Teddy que este lhe sentiu o hálito podre.

"Pode o quê?", disse Teddy.

"Minha violência pode dominar a sua?"

"Não sou violento", disse Teddy.


O diretor cuspiu no chão, perto dos seus pés. "Você é um homem de uma rara violência. Eu sei, porque também sou. Não se dê ao trabalho de negar sua sede de sangue, rapaz. Poupe-me disso. Se não existissem mais os mecanismos de controle social, e se eu representasse o único alimento possível, você não hesitaria em rachar o meu crânio para se banquetear com meu cérebro." Ele se inclinou para frente. "Se eu metesse os dentes no seu olho agora mesmo, você conseguiria me deter antes que eu o arrancasse?"

Teddy viu um brilho de alegria nos olhos de bebê do diretor. Imaginou o coração daquele homem, negro e palpitante, por trás da parede do peito.

"Por que não tenta?", ele disse.

"Pegou o espírito da coisa", sussurrou o diretor.

Esse diálogo, que é mantido quase que totalmente fiel no filme, é um dos meus preferidos.

2011-02-06

Filme: Cisne Negro

Pessoalmente, creio que filmes sejam como histórias, que podem ser divididas em dois aspectos básicos. Cada um desses aspectos responde a uma pergunta. O que contar? E como contar? (Talvez ainda coubesse uma terceira pergunta, por que contar?, mas aí entraríamos na discussão da motivação do artista, o que é sempre algo complicado e que ultrapassa o limite da obra em si). Bem, o novo filme do premiado e cabeça diretor Darren Aronofsky, Cisne Negro (ou Black Swan no original), responde à questão do "como?" maravilhosamente bem, o que esconde um enredo (o "o que?") apenas OK.

filme cisne negro poster cartaz

Então, comecemos pelo o que o filme nos conta. Natalie Portman é Nina, uma bailarina já há alguns anos, que vê na aposentadoria forçada da primeira bailarina do seu grupo Beth (Winona Ryder), a chance de ascender. Mas para isso, ela deve conseguir o papel principal da nova montagem do diretor Thomas (o ator Vincent Cassel, que bem poderia interpretar o Caco Barcelos). Thomas pretende montar o clássico O Lago dos Cisnes, com apenas uma bailarina interpretando o papel principal, de rainha cisne, que incorpora tanto o cisne negro quanto o branco da história original (leia mais sobre a história da peça no link da wikipedia).

Entretanto, para Nina, o papel apresenta dificuldades, pois apesar dela ser inicialmente a personificação do cisne branco, com atributos como pureza, inocência e castidade, sempre procurando alcançar o que imagine ser a perfeição no balé, o papel de cisne negro exige uma lúxuria, uma volúpia espontânea, uma sensualidade natural e selvagem que não são naturais a ela. Nina mais parece uma bonequinha (e o físico de bailarina ajuda nesse sentido), envolta pela mãe super-protetora e ex-bailarina Erica (Barbara Hershey). Além da pressão pelo papel na peça, Nina ainda vê surgir Lily (Mila Kunis), uma bailarina que, se não tem a técnica apurada, lhe sobra espontaneidade e sensualidade na dança. Com tudo isso, Nina, que já não era a pessoa mais equilibrada do mundo, começa a surtar, criando em seu íntimo uma viagem à esquizofrenia, vendo e sentindo coisas que podem ou não ser realidade, despedaçando-se entre o branco e o negro (o que inevitavelmente leva a uma área cinzenta).

filme cisne negro natalie portman bailarina

Essa dicotomia entre o preto e o branco, trevas e luz, dá o tom no filme. Aronofsky já nos mostra isso na primeira cena, em que uma câmera acompanha os pés e os passos de uma bailarina dançando num cenário escuro, com uma única fonte de luz marcando uma parte do chão. Nesta dança, a bailarina ora pende para o escuro, ora para a luz, até que a câmera, que estava focada apenas nos pés e sapatilhas, vai subindo até nos revelar a protagonista Nina. Reparem que, com uma única cena inicial, o diretor consegue vários feitos. Primeiro, ele além de nos revelar sobre o fio condutor da trama, o balé, nos revela o embate entre o branco (luz) e o preto (trevas) que se seguirá. Segundo, ele consegue nos apresenta a protagonista dançando, e o peso de mostrar a própria atriz bailando nos ajuda a imergir no universo do filme, afinal, quem está na tela acaba não sendo a atriz Natalie Portman, mas a bailarina Nina.

Reparem também nos figurinos de Cisne Negro, que reforçam essa dicotomia. Nina sempre usa roupas brancas ou claras (especialmente rosa), enquanto sua mãe, que representa de certa forma uma antagonista, usa sempre preto. Ou mesmo Lily, que na primeira cena que surge, no metrô, é quase um clone da personagem Lily (muito devido ao físico também), com exceção das roupas escuras. Essa caracterização serve perfeitamente à história, pois a personagem de Portman, até certo ponto, é a imagem estampada da pureza e virgindade (o que a torna meio chata também, como todo ser "perfeito" e puro).

filme cisne negro natalie portman bailarina

Aliás, a caracterização dos personagens está excelente, claro que com destaque para Natalie Portman. Além de ter aprendido balé, sua atuação é surpreendente, não sendo à toa os prêmios que ela ganhou. As cenas com Thomas são ótimos exemplos da excelente atuação da atriz. Quando Nina vai a Thomas pedir para ser a escolhida, por exemplo, a caracterização da personagem já mostra uma certa falta de equilíbrio de Nina. Ao mesmo tempo em que se produz toda para esse encontro (claramente numa tentativa de sedução, mesmo que a maquiagem acabe ressaltando uma certa infantilidade, ao ser exagerada, como uma pessoa sem experiência para tal), suas atitudes são ingênuas, até inocentes. Seu tom de voz é quase um sussurro, seu físico pequeno e magro (ela emagrecera para o papel) a fazem parecer uma bonequinha frágil, e ela só consegue o papel por um rompante provocado por um Thomas "mal intencionado".

Se Cisne Negro tem em sua protagonista uma esmagadora atuação, os coadjuvantes não ficam atrás. Cassel vive um Thomas obcecado e perfeccionista, mesmo que o conceito de perfeição dele e de Nina não sejam os mesmos. Mila Kunis parece a vontade no papel, e mesmo a participação de Winona Ryder, bastante breve, é eficiente. Destaque também para Barbara Hershey como Erica, a mãe de Nina, que de maneira sutil, se mostra talvez não culpada, mas em parte responsável pela loucura da filha, tanto em termos de criação (numa bolha e sem privacidade nenhuma), quanto talvez em genética. E isso é acentuado pelo design de produção, ao mostrar o quarto dela na primeira vez.

filme cisne negro

A câmera e a fotografia de Cisne Negro são um deleite a parte. Pegue por exemplo, as cenas de dança, um pouco mais demoradas. A da introdução, a que já falei, por exemplo. A câmera se move com uma suavidade que não deixa de ser parecido com um balé. Além disso, ao se movimentar em volta e com os bailarinos, cria de certa forma, uma coreografia nova, ao interagir com a própria dança dos bailarinos, algo só possível no cinema (porque num teatro, a sua perspectiva da dança será sempre a mesma por estar sentado parado). E, como já disse, mesmo em movimento, a câmera é fluida, com poucos solavancos típicos de uma cena que deve ter sido gravada com a câmera na mão e não num apoio. Agora, compare isso com a mesma câmera na mão, quando ela segue de perto Nina, ao andar na rua, por exemplo, logo no início do filme, ao se dirigir para o balé. A câmera se posiciona logo atrás dela, mas o visual agora é mais tremido, com solavancos, colocando o espectador como que colado na atriz. De certa forma, isso deixa transparecer que iremos acompanhar de perto o que acontece com Nina (compartilhando de sua crescente loucura), mas de uma certa distância segura.

E isso acaba ficando claro em Cisne Negro, quando o filme mostra aqueles pequenos sustos, aquele clima de apreensão por não sabermos ao certo, o que se passa. São pequenos detalhes, como uma pintura que pisca para a personagem, ou a transformação momentânea dela maquiada em cisne negro num dos flashes da balada, por exemplo. O maior suspense, nesse tipo de filme, quando fica claro que a personagem está um tanto esquizofrênica, é saber o que é real e o que não é. Como esses pequenos sustos certamente não são reais (ou não!), o espectador não sente medo, o que é a distância segura dele, mas continua aquela apreensão ou angústia por saber o que, de fato, é real.

filme cisne negro natalie portman bailarina

Ainda com relação à fotografia, vale citar o uso dos espelhos em cena. Uma constante para bailarinos que precisam ficar checando se o seu movimento está perfeito, os espelhos não apenas surgem nesse sentido, mas frequentemente de maneira simbólica (mesmo quando o objetivo imediato na tela seja de causar surpresa/espanto). O mais perceptível talvez seja quando os espelhos mostram várias imagens de Nina, seja no apartamento dela ao se preparar pra treinar (um conjunto de três espelhos), ou logo na entrada do apartamento, onde um espelho decorativo multifacetado mostra múltiplas faces. Com relação ao simbolismo dos espelhos, não me alongarei aqui, pois o crítico Pablo Villaça escreveu um ótimo texto sobre ele na a crítica no Cinema em Cena (para ler, de preferência, DEPOIS de ver o filme).

Outro ponto que merece destaque é o som do filme. Bem, a trilha sonora, baseada, claro, no trabalho de Tchaikovsky (o autor do balé O Lago dos Cisnes), mescla músicas do balé com outras, que, se meu ouvido não se engana (estou longe de ser um músico), são originais mas inspiradas nas do balé, como se fossem pequenas variações dessas. Outro aspecto relacionado é quanto ao som propriamente dito. Pequenos barulhos, como sussurros, pontuam o filme, reforçando o clima sombrio e de suspense, especialmente quando vemos que o "lado negro da força" começa a tomar maior forma.

filme cisne negro natalie portman bailarina

Algo bastante comentado antes do lançamento de Cisne Negro (que creio que foi uma estratégia de marketing genial), foi a cena de sexo lésbico entre Portman e Kunis, (que eu só vi no cinema, não antes). Bem, a cena não é gratuita, ela faz sentido na narrativa, mas apesar das beldades envolvidas, não é tão sexy assim. Primeiro, porque não tem nada de explícito, e segundo, por causa do contexto no filme. É mais uma questão de raiva e outros sentimentos reprimidos que acabam se libertando (repare que nessa cena, Nina está vestida de preto, depois de pegar emprestada uma peça de roupa de Lily), do que apenas desejo sexual. Em termos visuais, acho a cena em que Portman se masturba muito mais sensual.

Tecnicamente impecável, Cisne Negro perde força apenas ao nos focarmos na sua história. O primeiro problema é que o filme é tratado como suspense (incluindo elementos clássicos do gênero, como alguns sustos providenciais, até mesmo um clichê de filme de terror com espelhos). Entretanto, se o alma do suspense é o mistério, o não saber, o filme se prejudica por nos avisar de antemão, que o problema está na cabeça da personagem (coisa que fica ainda mais óbvia se o trailer for visto antes). O segundo problema é que, uma vez que não há grande mistério, o suspense foca apenas em qual será a próxima mirabolante e simbólica peça a se apresentar. E a história fica realmente interessante apenas no como é apresentada.

filme cisne negro natalie portman bailarina

Bem, talvez eu esteja esperando demais da humanidade (o que eu geralmente não faço), e o espectador médio consiga ficar preso ao suspense apresentado. Se for este o caso, infelizmente, o filme também não deve agradar às massas. Pontas soltas sem explicação são deixadas propositalmente, confundindo um pouco a cabeça dos espectadores. Não digo isso sem conhecimento de causa, pois algumas das reações que vi ao sair da sessão de cinema, demonstram claramente uma frustração nesse sentido. Uma pena, mas a verdade é que não apenas o espectador de cinema, mas o consumidor de mídia em geral tem ficado cada vez mais preguiçoso (de usar a cabeça e pensar).

Se alguém leu até aqui (o que creio que poucos tenham feito), talvez se lembre que eu disse no começo que Cisne Negro contava sua história de maneira excelente, muito acima da média, mas que a história em si, o enredo, era apenas bom. Talvez haja uma interpretação errada do que isso quer dizer, e é compreensível. Um bom enredo ainda é um bom enredo, mesmo sendo ele, apenas bom. E apenas bom só ganha conotação negativa se comparado a algo ótimo ou excelente. (Particularmente, uso a escala bom < ótimo < excelente.) Agora, junte a um bom enredo uma forma magnífica de compartilhá-lo. E temos uma excelente história. E um excelente filme.

filme cisne negro natalie portman bailarina

O interessante é que, até o terço final do filme, Cisne Negro era para mim, como a personagem Nina. Impecavelmente perfeito, sim, do ponto de vista técnico, mas ainda assim, sem conseguir me seduzir. E, assim como Nina consegue incorporar o cisne negro (se eu disser literalmente, não será mentira), o filme também consegue seduzir conforme ele vai passando. Algo que é simplesmente genial, senhor Aronofsky.

Trailer:



Para saber mais: crítica no Cinema em Cena e no Omelete.
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