Transcrição dos interessantes comentários do
Mauro Halfeld (
site oficial) para a rádio CBN, dos dias 25 e 26 de agosto de 2011, com dicas de como conseguir acumular uma fortuna a longo prazo.
Áudio original disponível no site da CBN (
link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do
Mauro Halfeld, publicados aqui, basta clicar neste link.
/==================================================================================
Como as pessoas conseguem acumular fortunas?

Como é que as pessoas mais ricas que você conhece conseguiram
acumular fortuna? Geralmente foi
através de empresas que elas mesmo fundaram e administraram por muitos anos, ou então foi
através de imóveis. Dificilmente você consegue ver
pessoas que ficaram ricas só com aplicações de renda fixa ou que tenham investido somente em ações.
Por que será?
Imóveis e empresas próprias têm algo em comum:
não são recolhidos impostos sobre o ganho de capital, ou seja, sobre a
valorização dessas propriedades duramente muitos e muitos anos.
Só há imposto de renda sobre o ganho de capital
na hora da venda. Isso é um detalhe que faz
diferença no longo prazo.
Os proprietários de empresas e também de imóveis acabam adiando o pagamento do imposto de renda sobre esse ganho de capital por novos e longos anos. É como se a gente
reaplicasse os ganhos, ano a ano, sem perder nada para o imposto. Por isso, Warren Buffett, um dos homens mais rico do mundo, reclamou ainda outro dia, que ele paga pouco imposto. Tudo porque seus investimentos estão dentro de uma empresa, uma
holding. Ele reaplica quase tudo sem pagar imposto.
Ao contrário,
fundos de renda fixa pagam imposto de renda todo semestre. Aqui no Brasil é o famoso
come-cotas. Isso dificulta bastante o crescimento do patrimônio. Uma dica:
Tesouro Direto e
previdência privada não têm come-cotas. Ponto positivo para esses produtos financeiros.
Ações e fundos de ações também
só pagam imposto de renda na hora da venda, o que é otimo. O lado ruim do investimento em ações você conhece: há um excesso de liquidez, há um excesso de informações, que acaba gerando então grande
instabilidade no preço das ações. Naturalmente isso gera um pavor nos investidores, que acabam
negociando demais esses papéis. Isso corrói boa parte do ganho potencial das ações, que em princípio, é muito bom.
Interessante? Continuamos amanhã então.

Olá. Ontem nós falávamos sobre os motivos que levam os imóveis e as pequenas empresas a serem os grandes geradores de fortunas no mundo. Falei sobre a
grande vantagem tributária que eles têm: só há
imposto de renda sobre ganho de capital, ou seja, sobre a valorização de imóveis e das empresas,
na hora da venda. Na renda fixa, não é assim. A cada seis meses o imposto de renda é cobrado sobre o lucro da aplicação em fundos de renda fixa.
Outra coisa importante nos
imóveis e nas empresas é
a baixa liquidez. Isso mesmo. A dificuldade em se vender um imóvel ou uma empresa, no longo prazo, faz com que
os aplicadores sejam fiéis durante décadas a esses
investimentos. As crises vêm e vão embora, e essas aplicações quase sempre sobrevivem.
Ao contrário, os investidores em ações acabam sofrendo demais com os humores do mercado. Os preços das ações ficam loucos nas crises, o que acaba gerando então, um enorme mal estar nos investidores. A
maioria vende ou então compra ações na hora errada. E em pouco tempo, acaba desistindo.
Enfim, se você pensa em
fazer um belo patrimônio ao longo de muitos anos de trabalho, pense nisso.
Imposto de renda sobre o ganho de capital
só na hora da venda e
baixa liquidez são fatores importantes na vida prática de um
investidor de longo prazo.
E ao contrário,
alta liquidez, como na renda fixa e também no mercado de ações,
costumam ser barreiras para quem deseja
acumular um grande patrimônio. Não é que seja impossível você
ficar rico investindo em ações, muito pelo contrário, é bem possível. Mas você precisa ter um grande
controle emocional.
E quanto a
renda fixa, é muito interessante, mas como uma reserva transitória,
de curto e de médio prazo, para que você possa aproveitar aqueles intervalos entre o ciclo de alta e de baixa no mercado imobiliário e também nas empresas.
Mauro Halfeld, para CBN.