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2018-10-18

Defendi minha empresa contra fake news em uma rede social e fui repreendido. Por quê? - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 18/10/2018, com um ouvinte que recebeu uma notícia falsa sobre um produto de sua empresa, decidiu responder e foi repreendido pelo chefe.

Áudio original disponível no site da CBN. E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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Defendi minha empresa contra fake news em uma rede social e fui repreendido. Por quê?

fake news redes sociais

Um ouvinte escreve: "Circulou na rede social de que participo, uma notícia falsa sobre um produto da empresa em que trabalho. Ao ver que pessoas do meu grupo estavam fazendo comentários e adicionando ainda mais insultos à mentira contada, eu decidi responder, fazendo uma defesa das condições de higiene da minha empresa, e da qualidade dos materiais e dos equipamentos que ela utiliza.

De algum modo, minha mensagem chegou ao conhecimento do meu superior, que me criticou e me mandou parar. Fiquei surpreso. Um funcionário, que saiu em defesa da empresa em que trabalha, não deveria ter sido elogiado?"


Nesse caso específico, não. Ao passar informações a um grupo heterogêneo de pessoas, muitas das quais poderão re-endereçar a sua mensagem a outras redes, você poderia estar revelando segredos industriais e dados confidenciais que a sua empresa quer preservar. E ela é que deve preparar um esclarecimento público, caso considere isso necessário.

Por outro lado, como essas notícias vêm se tornando mais comuns, empresas como a sua, que têm marcas conhecidas, já deveriam ter informado os funcionários como cada um deve proceder, caso receba uma notícia falsa, como reportar e a que área encaminhar.

Isso evitaria que iniciativas pessoais e bem intencionadas, como a sua, além de não resolver o problema da mentira, ainda possam criar um problema adicional: o da quebra de sigilo.

Max Gehringer, para CBN.

2018-02-06

'Vale a pena mentir um pouco nas entrevistas de emprego?' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 06/02/2018, com um ouvinte que pensa em mentir nas entrevistas de emprego para impressionar melhor o entrevistador.

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'Vale a pena mentir um pouco nas entrevistas de emprego?'

mentira em entrevista de emprego

Um ouvinte escreve: "Estou com 39 anos. Durante 16 anos fui um profissional autônomo, mas um dia concluí que precisava de mais segurança. Consegui um emprego em uma multinacional, mas com função e remuneração bem abaixo de minhas qualificações. Isso faz um ano e venho tentando buscar oportunidades com melhores salários.

Mas, nas entrevistas, sempre esbarro na mesma situação: os recrutadores consideram que a minha função atual é que define o meu perfil profissional, sem levar em conta a versatilidade que acumulei como autônomo.

Cansado de ser julgado inadequado para vagas que considero apropriadas, penso em começar a exagerar um pouco nas entrevistas, mentindo levemente para dizer o que os recrutadores querem ouvir, ou seja, que sou a solução que a empresa está buscando para a vaga. Não estou ficando mais jovem e cansei de agir corretamente. Pergunto se mentir um pouquinho faz parte do jogo?"


Bom, você não precisa mentir. Basta que, nas entrevistas, você mostre como a sua versátil experiência profissional pode contribuir para a vaga, oferecendo ao entrevistador exemplos práticos e casos concretos.

Se você está pensando em exagerar para iludir o entrevistador, posso lhe garantir que não vai funcionar, porque bons entrevistadores percebem de imediato quando uma história não faz sentido.

Em outras palavras, você precisa realçar o que tem, e você tem muito.

Max Gehringer, para CBN.

2017-10-03

Mentir em processos seletivos de empresas é muito prejudicial - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 03/10/2017, com um ouvinte que mentiu numa entrevista de emprego.

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Mentir em processos seletivos de empresas é muito prejudicial

mentira em entrevista de emprego

Um ouvinte escreve: "Consegui uma entrevista em uma empresa que tem um bom nome no mercado e eu não quis perder essa chance. Ao ser perguntado se eu tinha experiência em um determinado setor, eu imediatamente disse que sim e até mencionei uma empresa na qual tinha trabalhado, para dar sustentação ao que falei. Só que isso não era verdade, eu nunca havia tido nenhuma experiência naquele setor.

O entrevistador calmamente me pediu para eu dar o nome de uma pessoa daquela empresa, para confirmar o que eu disse. E eu comecei a suar frio. Disse que não sabia se a pessoa ainda trabalhava lá, mas que eu iria verificar e passaria o contato. Agora não sei o que fazer. Será que corro o risco de perder a vaga?"


Sim, você corre. Mentir em entrevistas só é pior do que tentar agredir fisicamente o entrevistador.

Você agora teria uma de três coisas a fazer. Manter a mentira e passar um nome fictício para ver no que dá. Ou fingir-se de morto. Ou confessar que mentiu porque precisava do emprego.

Nenhuma das três irá funcionar, principalmente a primeira. Porque quando o entrevistador pediu o contato, ele já desconfiou de sua história.

De qualquer forma, se for para arriscar, o melhor é confessar. Eventualmente, um entrevistador muito compreensivo poderá relevar a sua mentira, atribuindo-a à pressão do momento e conceder-lhe a chance de continuar no processo.

Mas não conte muito com isso. E, nas próximas entrevistas, sugiro que você se atenha aos fatos que pode comprovar.

Max Gehringer, para CBN.

2017-08-03

É preciso ter cuidado ao fazer comentários aos chefes - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 03/08/2017, com um ouvinte que pensa em alertar o gestor de outra área que seu subordinado recém-contratado, que o ouvinte conhece bem, é um mentiroso.

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É preciso ter cuidado ao fazer comentários aos chefes

conversando com o chefe

Um ouvinte escreve: "Trabalho em uma empresa grande e boa. Gosto do ambiente e sei que a empresa é muito ética. Aí é que entra um problema, que é mais da empresa do que meu. Há alguns dias, ela contratou um funcionário que eu conheço bem, porque fomos colegas de faculdade. Em resumo, ele é um mentiroso contumaz: ele inventa histórias, exagera o que fez, atribui a si coisas que foram feitas por outros.

Ele não está no mesmo setor que eu, mas eu conheço o gestor do setor dele. Devo de alguma maneira sutil, prevenir o gestor sobre essa característica negativa do novo subordinado dele?"


Não! Você não deve. Além de não ser sua atribuição, você estaria fazendo uma acusação que só poderia comprovar com suas próprias palavras. E o novo contratado poderá reagir contando algo negativo sobre você, talvez até uma mentira, já que essa parece ser a especialidade dele.

Mas mesmo assim, você estaria entrando em uma discussão para a qual não foi convidado e pode vir a se desgastar com ela.

Se a sua empresa é muito ética, como você diz, dificilmente ela deixará um mentiroso durar muito tempo. Você precisa também acreditar que um gestor possui suficiente experiência para detectar eventuais mentiras contadas por seus subordinados. Se você percebeu isso na faculdade, não há como o gestor não perceber na empresa.

Portanto minha sugestão é que você continue a fazer bem o seu trabalho e deixe o gestor fazer o dele.

Max Gehringer, para CBN.

2015-08-21

Não minta no currículo - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 21/08/2015, com uma ouvinte que se forma este ano e está em dúvida se mente no currículo dizendo que já se formou.

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Não minta no currículo

currículo

Uma ouvinte escreve: "Tenho 23 anos e estou no último ano da faculdade, mas já possuo uma considerável prática, porque comecei trabalhar aos 17 anos. Quando encaminho o meu currículo para empresas maiores do que esta em que estou atualmente, não obtenho resposta. E desconfio que seja porque a maioria das vagas pede formação superior e eu ainda não sou formada. Seria temerário eu colocar no currículo que já me formei?"

Sim, seria. Você estaria faltando com a verdade e essa não é a melhor maneira de iniciar um contato profissional. Mas você pode colocar em seu currículo o nome do curso e os anos de início e de término dele, sendo que este último seria este ano. Assim, você não estaria nem afirmando que se formou, nem que está em vias de se formar.

Digo-lhe isso mais em função da sua experiência prática, porque os meses que faltam para a sua graduação não irão adicionar tanta coisa assim a seus conhecimentos teóricos. Um entrevistador saberá reconhecer isso em um eventual processo seletivo, mas ele não lhe perdoaria se você mentisse no currículo.

Agora, se mesmo assim você não for chamada para entrevistas, você descobrirá que a razão para não receber respostas é outra, falta de um idioma, talvez.

E lembre-se também que uma indicação direta funciona bem melhor do que o envio de currículos, ainda mais em tempos como o atual, de escassez de empregos. Portanto, acerte o seu currículo, mas não deixe de solicitar ajuda a amigos, colegas, parentes, vizinhos e professores, estes principalmente, já que você está em contato diário com eles.

Max Gehringer, para CBN.

2015-02-09

Aprenda a ser Chefe: Futuros chefes não devem mentir no currículo - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 09/02/2015, com a série "Aprenda a ser Chefe", sobre como futuros chefes não devem mentir no currículo e as seis mentiras mais comuns nos currículos, que podem ser facilmente descobertas numa entrevista de emprego.

Áudio original disponível no site da CBN. E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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Aprenda a ser Chefe: Futuros chefes não devem mentir no currículo

mentira no currículo

Em uma pesquisa feita nos Estados Unidos, descobriu-se que metade dos currículos continha alguma inverdade. A pesquisa mostrou também que homens mentem mais do que mulheres e que o tamanho da mentira é inversamente proporcional ao cargo pretendido, ou seja, candidatos a auxiliar mentem mais do que candidatos a cargos de chefia.

Como não tenho conhecimento de alguma pesquisa desse tipo no Brasil, consultei uma agência de recrutamento que entrevista centenas de candidatos por mês. Para começar, a responsável pela agência me disse que os entrevistadores sempre começam com um pé atrás quando o currículo parece bom demais. E aí vão fazendo perguntas cada vez mais específicas, até o candidato finalmente disparar um "veja bem" e confessar que, de fato, exagerou um pouquinho.

A meu pedido, a agência listou as mentiras mais comuns em currículos. São seis:

1ª: transformar seminários de fins de semana em cursos de aperfeiçoamento profissional.

2ª: transformar viagens de turismo em experiência internacional.

3ª: mencionar fluência em idiomas quando o conhecimento é apenas elementar.

4ª: transformar a participação num grupo de trabalho em liderança na implantação de um projeto.

5ª: mencionar valores exagerados de economia ou investimentos na empresa anterior.

6ª: colocar um cargo ou função que o candidato diz ter exercido na prática, mas que não consta na carteira profissional.

Praticamente todas essas inverdades são facilmente descobertas nas entrevistas. E obviamente, o candidato é eliminado do processo. Portanto, quem não mente pode até perder algumas chances de ser chamado para entrevistas, mas no longo prazo será beneficiado porque a ética acabará prevalecendo. E um futuro chefe, que certamente irá exigir honestidade dos subordinados, não irá querer começar uma carreira fazendo o contrário.

Max Gehringer, para CBN.

2013-12-02

'Estou pensando em colocar que tenho curso superior no currículo' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 02/12/2013, com uma ouvinte que está pensando em colocar uma mentira no currículo dizendo que tem curso superior.

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'Estou pensando em colocar que tenho curso superior no currículo'

mentira no currículo

"Não tenho curso superior", uma ouvinte escreve. "Acho que esse é o meu problema. Não sou chamada para entrevistas e cada vez mais acredito que seja pela falta desse bendito curso superior. Comecei três e não conclui nenhum. Estou pensando em escrever em meu currículo que tenho curso superior completo apenas para ser chamada para uma entrevista e poder explicar a minha situação, além de poder demonstrar, em uma conversa cara a cara, que tenho condições de executar bem o trabalho. Como um selecionador veria essa minha atitude?"

Vamos lá. Imagine que você conheceu uma pessoa interessante em uma troca de mensagens em uma rede social. Conversa vai, conversa vem, você ficou interessada na criatura, principalmente depois de saber que o dito cujo passou três anos morando e trabalhando na Inglaterra. Vocês então decidem se encontrar. De cara, a pessoa lhe confessa que nunca esteve na Inglaterra e lhe pede desculpas por ter mentido.

O que você faria? Se você tiver pavio curto, provavelmente se levantará e irá embora. Se for compreensiva, levará a conversa adiante, mas ao chegar em casa, pensará que se a pessoa mentiu nisso, poderá mentir também em outras coisas. E se você for extremamente compreensiva, aceitará a explicação e marcará um novo encontro.

Assim como há três decisões que você pode tomar pessoalmente, o selecionador também terá, profissionalmente, as mesmas três opções. Você pode até arriscar, mas já sabendo que será muito difícil encontrar um selecionador extremamente compreensivo. Um que possa perdoar uma candidata que iniciou o contato com a empresa inserindo uma informação falsa no currículo.

Max Gehringer, para CBN.

2013-10-15

'Menti para meu gerente e fui trabalhar numa empresa concorrente' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 15/10/2013, com um ouvinte que mentiu para o chefe quando pediu demissão e agora está arrependido.

Áudio original disponível no site da CBN. E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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'Menti para meu gerente e fui trabalhar numa empresa concorrente'

mentira no trabalho

Um ouvinte escreve: "Estou me sentindo desconfortável. Faz três meses, pedi demissão da empresa em que trabalhava. Ao comunicar o motivo de minha saída, eu disse a meu gerente que iria abrir meu próprio negócio. Ele me incentivou e até me liberou do aviso prévio para que eu pudesse começar mais rapidamente. Acontece que eu menti. Na verdade, aceitei uma proposta para trabalhar em um concorrente direto. Agora não consigo dormir direito, de tanto remorso, por ter contado a mentira que contei. Meu gerente já sabe que estou aqui. Você me recomendaria conversar com ele e, sei lá, pedir desculpas? Como você acha que ele reagiria?"

Bom, quanto a primeira parte, sim. Você deve fazer um contato com o seu gerente se isso for ajudá-lo a tirar um pouco de peso da sua consciência. E, de preferência, por escrito: uma carta ou um e-mail. Sem entrar em muitos detalhes, para não se comprometer além da conta, escreva que você lamenta o que ocorreu em sua saída e que se sente mal por isso.

A segunda parte, a da reação do seu gerente, é mais fácil de antever. Ele não irá lhe responder e nem atenderá se você decidir ligar só para saber se ele recebeu a sua mensagem. Ele foi enganado, numa situação em que não precisava ser.

Então, tudo está dentro da normalidade. É normal que você esteja arrependido. E é normal que o seu gerente ignore a sua mensagem. Mas ela poderá ser útil algum dia, quando, eventualmente, alguma empresa ligar para esse gerente pedindo informações sobre você. Ele já saberá que você é um pouco melhor do que demonstrou ao sair, e talvez amenize a avaliação que fará sobre a sua conduta.

Max Gehringer, para CBN.

2013-04-25

'Funciona mentir no currículo?' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 25/04/2013, sobre como mentir no currículo pode gerar mais entrevistas de emprego, mas não funcionam para gerar empregos, numa reedição do comentário "Mentira no currículo pode render mais entrevistas, mas não garante emprego", de alguns anos atrás.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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'Funciona mentir no currículo?'

currículo mentiroso

Uma ouvinte pergunta se mentir no currículo funciona, porque alguns amigos dela mentem e são chamados para entrevistas. E ela, que tem um currículo pouco expressivo, porém honesto, raramente é chamada.

Vamos lá. Há 5 anos, numa pesquisa feita nos Estados Unidos, descobriu-se que metade dos currículos continha alguma inverdade e que os homens mentiam mais do que as mulheres. Como não conheço pesquisas desse tipo no Brasil, consultei uma grande agência de recrutamento.

Para começar, a responsável me disse que os entrevistadores sempre começam com um pé atrás quando o currículo parece bom demais. E aí vão fazendo perguntas cada vez mais específicas, até que o candidato finalmente dispare um "Veja bem", e confesse que, de fato, exagerou um pouquinho.

A meu pedido, a agência listou as mentiras mais comuns em currículos. São seis:

1ª: Transformar seminários de fim de semana em cursos de aperfeiçoamento profissional.

2ª: Transformar viagens de turismo em experiência internacional.

3ª: Mencionar fluência em idiomas, quando o conhecimento é apenas elementar.

4ª: Transformar a participação num grupo de trabalho em 'liderança na implantação de um projeto'.

5ª: Mencionar valores exagerados, de economia ou de investimento, na empresa anterior.

6ª: Colocar um cargo ou função que o candidato diz ter exercido na prática, mas que não consta na carteira profissional.

Praticamente todas essas inverdades são facilmente descobertas em entrevistas. E obviamente, o candidato é eliminado do processo. Portanto, a nossa ouvinte pode ficar sossegada quanto ao aspecto ético. Embora possam gerar mais entrevistas, mentiras não geram mais empregos.

2012-03-19

O dia da verdade - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 19/03/2012, com mais um clássico do mundo corporativo reeditando o texto sobre o dia da verdade e como seria uma avaliação sincera entre um chefe e uma funcionária. Um texto muito bem humorado que não deixa de me lembrar o livro Sincero, de Jürgen Schmieder.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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O dia da verdade

sinceridade

No Brasil, todo dia é dia de alguma coisa. Além dos santos diários, temos o dia da dona de casa, o dia da normalista, o dia do repórter policial e por aí vai. Tem até o dia da mentira, mas incrivelmente, não tem o dia da verdade. E não seria ótimo se existisse um dia da verdade?

Nesse dia, cada um de nós poderia chegar ao nosso local de trabalho e fazer o que não é permitido em todos os outros dia do ano: dizer, com sinceridade, exatamente aquilo que estamos pensando. Imaginem como seria um chefe fazendo a avaliação de sua funcionária no dia da verdade.

O chefe diz:

- Daniela, avaliações não servem para nada, mas a empresa me obriga a fazer.

E a Daniela responde:

- Em minha opinião, chefe, avaliações são ótimas quando feitas por alguém competente, o que não é o seu caso.

- Perfeito, Daniela. O problema é que você é uma chata porque sempre tem uma coisa inteligente para dizer e isso me irrita.

- Ah, eu não tinha percebido isso, chefe. Mas agora que percebi, vou fazer o possível para irritá-lo cada vez mais.

- Muito bem, Daniela. No geral, o seu desempenho foi ótimo, o que me deixa apavorado. Preciso achar algum ponto fraco para baixar a sua nota.

- Que tal cooperação, chefe? Porque eu detesto ter que cooperar com alguém insensível como o senhor.

- Ótima sugestão, Daniela. Como é que eu nunca tinha pensado nisso?

- É que pensar nunca foi o seu forte, chefe.

- Excelente, Daniela. Agora assine aqui e me dê licença porque eu preciso fazer de conta que estou trabalhando.

- Obrigada, chefe. Qualquer coisa estarei ali na minha mesa admirando a sua incompetência.

- Maravilha, Daniela. E não se esqueça que amanhã voltamos a nossa rotina diária, de dizer somente a verdade. A verdade que interessa à empresa, naturalmente.


Max Gehringer, para CBN.

2011-12-28

Livro: Sincero

O livro Sincero, de Jürgen Schmieder, tem na capa escrito o que poderia ser uma pequena resenha dele: a história real e bem-humorada de um homem que tentou viver sem mentir. E é exatamente isso o que você encontra no livro, o projeto de Schmieder, que decidiu que durante os 40 dias da quaresma não ia mentir, dizendo o que viesse à sua mente de maneira sincera.

livro sincero capa jurgen schmieder

Numa sociedade em que pequenas mentiras não são somente toleradas, mas essenciais (e segundo o House, mentir é uma condição básica humana - everybody lies), você pode imaginar que a tarefa de não mentir por 40 dias é bem ingrata (mas bem divertida para quem observa de fora, como é o nosso caso como leitores). O resultado é frequentemente hilário, com Schmieder se colocando em saias justas por causa do seu projeto, ao falar a verdade para colegas de trabalhos e amigos, a namorada de um amigo, a família, a mulher, a si mesmo e até para o imposto de renda.

O texto de Schmieder, que é um jornalista alemão, é bem fluido e torna a leitura bastante agradável. Cheio de referências pop e modernas, o autor dá um toque às vezes meio nerd ao texto, falando desde os Simpsons até o Facebook, passando por diversos filmes conhecidos. O único problema é que não raramente ele cita figuras desconhecidas para nós, leitores não germânicos, mas nada que dificulte ou tire o prazer da leitura.

Com um humor ácido e sarcástico, e reflexões interessantes, Sincero é um livro bem divertido de se ler, além de relativamente curto (não tem 300 páginas).

Até pra mostrar o quanto gostei do livro, reuni alguns trechos dele, e não são exatamente poucos. Isso acontece quando o texto é tão bom que dá vontade de citá-lo quase que inteiro. Leiam:

O início do projeto, como uma penitência da quaresma:

Era a primeira vez, e planejei que seria assim pelo menos mais oito mil vezes. Repetiria aquilo de novo, e tinha grandes planos para a Quaresma. Continuaria bebendo, comendo doces e fumando. Eu tentara parar com tudo isso nos últimos cinco anos com sucesso razoável. Naquele momento tinha início, portanto, um novo projeto:

Ficar quarenta dias sem mentir.

E para deixar bem claro: eu também não diria a verdade. Seria sincero – e entre sinceridade e verdade há uma diferença. Pois é claro que não sei se a mulher atrás do balcão é de fato uma puta sem-vergonha, uma piranha descarada ou uma vaca idiota. Talvez ela seja uma pessoa boa que precisa criar quatro filhos sozinha, faz seu trabalho de forma cuidadosa e ainda prepara sopa para desabrigados – e foi pega desprevenida em um dia ruim, ou mesmo em um momento ruim. Mas naquela hora eu a achei uma piranha descarada e uma vaca idiota – e a informei sobre isso com toda a sinceridade. Existe uma relação complexa entre verdade e sinceridade – e com freqüência confundimos os conceitos. (...)E a afirmação "Você é um bundão" também pode ser sincera, contudo é difícil checar sua veracidade, pois quem pode dizer ao certo que tamanho precisa ter um traseiro para receber o aumentativo?

filme o mentiroso jim carrey

Reflexões sobre a mentira e o projeto:

Mentir, ao contrário, é punido juridicamente apenas quando se trata de delitos graves, como fraude ou perjúrio. Nenhuma mulher precisa ser responsabilizada em juízo por fingir orgasmo, e ninguém será considerado socialmente proscrito por não ter dito de coração que "O Senhor é um ótimo chefe". Porque essas pequenas mentiras são socialmente aceitas. Em geral, trata-se quem é sincero como alguém rude e malcriado.

E é ainda mais surpreendente o fato de que quase ninguém se descreve como mentiroso. A sinceridade é importante para as pessoas. De acordo com um estudo recente, 80% delas admitem que a sinceridade seria de extrema importância em um relacionamento afetivo – ficando à frente do humor, do sexo de qualidade, de boa situação financeira e posição social.

Claro que – e isso é comprovado também por diversos estudos – as pessoas acham pior ser enganadas do que elas próprias lançarem mão de uma mentirinha inofensiva. Eu queria descobrir, durante esses quarenta dias, algo mais: O que seria pior para as pessoas, ser enganadas ou ter que aguentar uma verdade dura?

Mas existe um problema, porque eu não sou o Jim Carrey – mesmo que a pele do meu rosto seja tão elástica quanto a dele –, muito menos o personagem que ele incorpora no filme O Mentiroso, em que é sincero por 24 horas porque simplesmente não pode mentir. A diferença entre nós é a seguinte: eu posso continuar mentindo sem pestanejar. Não existe uma obrigação, mas uma decisão de livre e espontânea vontade de ser sincero. O personagem de Carrey não entra em conflito consigo mesmo, não lhe resta escolha. Eu tenho. No filme se enfileiram cenas engraçadas, e há obviamente o abominável e inevitável final feliz, que tem apelo fraco por ser infeliz de tão previsível. Veremos como serão as coisas para mim.

De todo modo, eu acharia bem injusto se fosse castigado apenas por ser sincero – como também acharia extremamente injusto morrer há dois anos, quando fui atropelado logo depois de parar de fumar. Por isso voltei a fumar.

Citando cultura pop:

Não gostaria de dizer que tive uma epifania – mas fiquei muito impressionado. E se eu fosse um escritor melhor, me viria à cabeça um ditado mais elaborado do que a frase feita: "Da boca das crianças, apenas a verdade".

Eu estava como Charlie Sheen na brilhante série de TV Two and a Half Men. O pegador hedonista, que deu abrigo ao irmão e ao sobrinho meio lerdo, quer se casar. Charlie pergunta a Jake o que ele acha. "Bom", responde o garoto de 10 anos. Charlie então fica indignado: "Não tem mais nada a dizer?" E o menino: "Bem, o que devo achar?" Charlie pensa um pouco e responde: "Bom". Jake franze a sobrancelha: "Então..."

two and a half man

Verdades e mentiras no escritório e no relacionamento interpessoal no trabalho:

No escritório, ninguém deve expressar abertamente sua opinião, caso contrário se igualará a uma emissão de gás carbônico e será responsabilizado pelas "mudanças climáticas" do departamento. Devemos elogiar os colegas, criticá-los de forma construtiva, acima de tudo de maneira diplomática, e de jeito nenhum expressar abertamente e com todas as nossas forças osso ódio a muitos deles. Não sei exatamente por que as coisas são assim. Só sei que revista femininas, masculinas e treinadores profissionais ganham muita grana explicando aos leitores ou ouvintes como conseguem aplicar essas regras subentendidas e avançar no trabalho por meio de mentiras espertas.

(...) De acordo com estudos, pode-se passar mais tempo com os colegas do que com a própria mulher.

Como eu havia lido algo sobre isso havia poucos dias, perguntei sinceramente a mim mesmo por que as pessoas fazem todo aquele alvoroço com relação ao indivíduo com quem saem, se juntam ou se casam, enquanto na escolha do emprego se atentam apenas ao pagamento, à aparência e ao tamanho da empresa. Os relacionamentos foram transformados em ciência, que, em sua atenção aos detalhes, lembra as preparações para o lançamento de um foguete, enquanto na escolha do emprego, as pessoas conhecem apenas os funcionários do departamento pessoal, com os quais mais tarde vão se relacionar somente se houver erro no cálculo do salário.

Não deveria ser o contrário? Digo, se realmente refletirmos sobre os fatos? Não deveríamos ter o cônjuge escolhido por um assistente de departamento pessoal, enquanto primeiro nos encantaríamos com os colegas em um encontro e decidiríamos sobre sua contratação apenas após falar com seus pais? Será que alguém já pensou nisso?

Acredito que 80% dos meus colegas nem se relacionariam comigo se não tivéssemos de dividir o mesmo andar. Temos interesses distintos e não rimos das mesmas coisas. O escritório é um verdadeiro campo minado verbal sobre o qual temos de correr dia após dia; em todo canto há perigo de explosão. Sinceridade, sinceridade real, no sentido de Honestidade Radical, no ambiente de trabalho é tão adequada quanto uma pulada de cerca no dia do casamento.

E as pequenas mentiras que todos contam no escritório:

Reflita comigo. Uma frase do tipo: "Desculpe, não tenho tempo, estou cheio de coisas para fazer" é uma mentira quando seu e-mail pessoal está aberto na tela do computador. É uma desculpa gentil, mas uma mentira. Uma fala como "Seu texto está perfeito" é uma mentira quando na verdade se pensa que o texto é no máximo mediano. Trata-se de algo agradável, mas é uma mentira. E mesmo o fato de cumprimentar um colega que não lhe agrada apenas para contribuir para a paz geral significa mentir.

dwight schrute the office

Sobre propagandas, marketing, capitalismo desenfreado e o efeito manada:

Ao meu lado, a televisão exibia propagandas. Primeiramente Heidi Klum tenta me convencer de que ela e suas seguidoras magrelas vindas do inferno de algum casting se entopem diariamente de fast-food e ainda assim conseguem entrar em roupas PP. Então um quarentão atraente diz que cerveja sem álcool tem o mesmo gosto de cerveja normal e, para completar, uma mulher, que certamente nunca precisou fazer faxina na vida, me explica que com aquele produto é possível tirar as piores manchas do carpete.

Sinceramente, eles acham que somos idiotas? As pessoas que gravam esses filminhos de merda pensam mesmo que caímos nesse papo? Que acreditamos nessa baboseira toda? Há pouco li em um artigo que os negócios de fast-food, cerveja e produtos de limpeza prosperam também em meio à crise financeira, o que me leva a concluir que as pessoas devem ter perdido toda e qualquer noção. Somos enganados, e apesar de tudo compramos como se não houvesse amanhã. Quem compraria um produto anunciado assim: "Não somos os melhores nem os mais baratos, mas ficaríamos felizes se você ainda assim comprasse essa besteira?" Não sou exceção, também como fast-food e compro coisas no supermercado, embora toda vez minha mulher me explique que o outro produto, que fica vinte centímetros abaixo na prateleira, é mais barato e tão bom quanto o que está ao alcance do braço. E é claro que minha abundante autoconfiança me obriga a me considerar inteligente e a não me deixar influenciar por propagandas – mas definitivamente não rola. Eu me deixo enganar e não luto contra isso – e em algum lugar do mundo um diretor de comerciais está rolando de rir.

Temos ciência de que somos trapaceados o tempo todo, e ainda assim apoiamos isso ao comprar. Deveríamos boicotar esse tipo desonesto de anúncio e ainda reclamar com os fabricantes por meio de cartas, mas aceitamos o fato de que todos agem assim, e por isso está tudo em ordem. Porque todos mentem, achamos que isso é menos pior. A própria burrice não parece tão burra assim quando todos os outros são burros também. Nós certamente também aceitaríamos o estupro e o assassinato se todos agissem assim. Nós, seres humanos, somos engraçados.

Recapitulando e desejando terminar o projeto:

É bem provável que Deus me acusasse de ter feito as pessoas à minha volta sofrer, e teria razão. Ele me lembraria que eu dedurara meu melhor amigo como Judas traíra seu filho, e teria razão. Talvez até dissesse quão idiota eu era por ter deixado 1700 euros para o fiasco, embora não fosse totalmente divino ferrar com a receita federal, que parece muito com o inferno, e ele teria razão.

E certamente diria que nunca fui sincero com essa história de sinceridade, mas só comecei o projeto porque, por um lado, minha vida até aquele momento era muito chata e, por outro, desejava ficar rico e famoso com um livro e fazer com que as pessoas que afirmaram que eu não daria em nada revirassem no túmulo ou, no mínimo, na cama à noite. Nesse caso, ele também teria razão.

Resumindo, eu queria desistir.

Mentiras, mentiras:

O que existe de bom numa mentira? Absolutamente nada. Claro que Steffi e Uwe viveram felizes com a mentira por muito tempo. Ele podia andar de moto sem chateação e ela o considerava seu namorado querido que administrava com parcimônia o próprio dinheiro.

Uma mentira pode ser útil quando não desmascara ninguém.

Nós mentimos porque esperamos nunca ser apanhados. Só que uma mentira leva a outra que leva à próxima, e no fim tudo explode. Bem, pelo menos na maioria das vezes.

máscara anonymous

Sobre a geração "Dorian Gray" do autor, que se recusa a crescer:

Por isso eu não me descreveria como exemplo para meus sobrinhos e sobrinhas, mas com isso espero ser descrito como sinistro, ou da hora, ou show, ou seja lá o que os jovens de hoje costumam dizer em casos assim – na minha época de adolescente, poderia ser definido como bacana.

Faço jus à geração Dorian Gray. Minha imagem fica cada vez mais velha, enquanto luto desesperadamente para que os 30 anos durem vinte ou mais. Não se trata de modinha – hoje em dia membros da geração são recrutados em todas as faixas etárias. Os de 40 anos atraem mulheres de 22 na academia. Os de 50 festejam o aniversário não com um banquete, mas com uma festa de arromba na boate badalada do momento. Aposentados não saem mais para passear, mas se jogam na balada ou correm maratonas. Eles definitivamente não são molengas. Precisamos experimentar de tudo, mas nada mais certinhos. Somos turistas japoneses de nossa própria vida – procuramos momentos interessantes, tiramos uma fotografia rápida e logo estamos a caminho da próxima atração.

(...)

Tento ser jovial, bacana e descolado – pois ser jovem, bacana e descolado é ainda mais importante do que ser rico. Há pouco tempo, no cabeleireiro, apontei uma foto de um ator de 20 anos quando precisei escolher um corte de cabelo. Sei como se baixa um toque de celular, tenho mais de trezentos amigos no Facebook e há pouco tempo fui a um show das Pussycat Dolls. Sei o que é happy slapping. É muito simples: eu não quero crescer, nunca. Pode me chamar de Peter Pan, Lucien de Rubempré ou Dorian Gray.

Adorei a metáfora do turista japonês.

Ainda reflexões sobre a geração Dorian Gray e as mentiras que contamos a nós mesmos...

É ainda característico da minha geração não viver no presente, mas no passado ou no futuro. Mentimos a nós mesmos o tempo todo, porque nosso presente é determinado por empregos das nove da manhã às seis da tarde e programas de TV enfadonhos. Ou seja, contamos sobre nosso tempo de adolescência e faculdade, que naturalmente era muito mais louco e interessante do que o de todas as outras pessoas. Trata-se de um efeito psicológico simples: o cérebro elimina de nossa lembrança anual 320 dos 365 dias. O restante é editado e recheado de efeitos especiais – e assim um filme caseiro enfadonho vira um megasucesso psicopornô de ação. E de repente mesmo um professor de latim, que na adolescência era tímido demais para peidar na escola, pode contar aos filhos que foi um garanhão selvagem.

...e o vazio dessa geração, que quer estar sempre presente, mesmo que de forma frívola:

E a característica mais importante da geração Dorian Gray: queremos estar presentes. Como a maioria de nós não quebrará nenhum recorde mundial, não salvará vidas nem fará um gol decisivo numa final de Copa do Mundo, é de tremenda importância vivenciar algum acontecimento no mínimo como espectadores. Mario Barth conseguiu entrar para o Guinness com seu show de comédia no Estádio Olímpico de Berlim. As pessoas nas filas do fundo não viram, tampouco entenderam Barth – o que não foi assim tão ruim –, mas estavam lá, no recorde mundial. Um bombeiro resgata um homem de um carro capotado – e nós passamos por eles bem lentamente para poder contar detalhes na mesa do bar, mesmo que nunca salvemos outra pessoa. E claro que assistimos à final do campeonato, de preferência no estádio, mas em caso de necessidade a televisão também serve. Assim, estamos de alguma forma presentes – quando não como protagonistas, ao menos como espectadores. E ninguém se pergunta o que deu errado na vida para nunca ter estado no centro, mas todos nos damos tapinhas nas costas por pelo menos estar lá, à margem. Antigamente havia o ditado alemão: "Quem gosta de fazer da própria vida um show em algum momento vai ter de comprar um ingresso para si mesmo". Hoje poderia ser alguma coisa assim: "Quem não faz o próprio show tem ao menos um ingresso para ver o show alheio".

dorian gray

As conseqüências de ser da geração Dorian Gray e as suas mentiras:

De acordo com um estudo recente, temos uma faixa etária cuja taxa de mortalidade nos países industrializados cresce de maneira desproporcional: pessoas entre 16 e 30 anos. Ninguém quer procurar os reais motivos, então culpam os jogos de computador, o rock ou a internet. Isso também pode se dar pelo fato de que nossa adolescência dura muito, e em algum momento percebemos que a ilusão não pode mais ser sustentada e que mentimos para nós mesmos por quinze anos. Então enlouquecemos. Morremos de overdose. Corremos a 160 por hora numa estrada e socamos a cara num trator. Atiramos em outras pessoas e então cometemos suicídio.

Até aí não importa o fato de que nosso emprego paga mal, moramos em um buraco e não fazemos sexo há um ano. Porque, e isso está no catecismo da geração Dorian Gray: "Na escola e na faculdade eu era descolado, tinha dinheiro suficiente e dormia com pelo menos uma mulher por semana – em dez anos vou ganhar muito dinheiro, viajar pelo mundo e ter uma mulher dez anos mais nova. Isso aqui é só uma fase". O ópio não é a religião, mas o embelezamento do próprio passado e a esperança de um futuro mais interessante.

Mentimos para nós mesmos o tempo o todo, pois não queremos ser tediosos de jeito nenhum. E eu, como um dos membros dessa geração, minto para mim mesmo.

Elogios sinceros são uma arte:

Uma pergunta sincera: Quando foi a última vez que você fez um elogio realmente sincero? Não estou falando da frase feita "Sim, ficou ótimo" quando alguém pergunta, nem do enfadonho "Você fez um bom trabalho hoje", e tampouco estou me referindo ao meloso "Lindos olhos", que não é um elogio de fato, mas apenas um prelúdio do cortejo masculino com o objetivo de induzir ao sexo uma mulher que não quer transar. Estou falando de elogio sincero e bem pensado, que necessita de grande esforço e declara explicitamente ao outro que ele está realmente muito bem, ou o que no trabalho dele foi tão excelente, ou o motivo de seus olhos serem realmente excepcionais. Um elogio em que também se revele um pedaço de sua própria alma e talvez dê até um pouco de vergonha quando enunciado.

Sinceridade, paixão e amor:

Ficou claro também que sinceridade tem muito a ver com paixão e amor. No início do meu projeto, havia aquela emoção, aquela sensação de frio na barriga, coração disparado, arrepio. Era fascinante ser sincero com as pessoas – com a funcionária da estação de trem, com a namorada do meu melhor amigo, com a receita federal. Era empolgante ver a reação no rosto das pessoas e, olhando para trás, tomar uma porrada na costela também foi uma experiência prazerosa. Essa coisa de sinceridade era nova, tinha algo de proibido, era excitante. Era, de fato, um pouco como estar apaixonado.

Depois dos primeiros desesperos, primeiros sucessos e o retorno contínuo do frio na barriga, a rotina se instala, há uma quantidade de experiências engraçadas e algumas dolorosas – mas a empolgação desaparece. Queimei minhas melhores observações, pois tinha mesmo de ser sincero, isso fazia parte do meu projeto. Eu fazia elogios como se lesse as notícias do jornal das oito em um teleprompter. É verdade, nunca mais parei para pensar. Eu me acostumei à sinceridade, não fiz o menor esforço. Minha relação com ela havia esfriado, acabou ficando tão empolgante quanto um filme caseiro. Eu conhecia tão bem as principais reações das pessoas que às vezes nem prestava mais atenção. O sistema era sempre o mesmo: eu criticava alguém rapidamente e ganhava um olhar feio ou uma crítica. Caso fizesse um elogio sem amor, recebia de volta um sorrisinho breve ou uma palavra gentil. Sim, a sinceridade havia se tornado uma namorada com a qual eu estava desde os 13 anos e não fazia sexo havia seis meses.

amor sincero

Sinceramente revendo conceitos no trabalho:

Eu me testei. E o resultado não me agradou em nada.

Eu considerava os caras legais e as meninas bonitas os melhores funcionários da redação, enquanto os esquisitões e as mulheres, de acordo com Charloes Bukowski, integradas à sociedade apenas por emancipação caíam na minha escala de competência.

Meu Deus, eu era fútil. Eu precisava mudar. Urgentemente.

Eu tinha de dizer aos colegas o que achava de seus textos – e tinha de confessar isso com sinceridade: para mim era mais difícil elogiar do que encher alguém de ofensas críticas. Já tinha notado isso no pebolim havia algumas semanas – mas naquele momento calava mais fundo, pois era a segunda vez que acontecia, e se tornara evidente demais que tipo de pessoa eu era: um resmungão mal-humorado que preferia detonar que elogiar.

Meu pai sempre dizia: "Não dizer nada já é elogio suficente". Eu devia repensar a criação de meus pais.

As mentiras que os homens contam no sexo e no amor:

Sejamos sinceros: logo no primeiro encontro, mentimos dizendo que o barão de Münchhausen nos pediu para mudar para o seu castelo. Glamorizamos nosso trabalho, omitimos detalhes sobre o último relacionamento e claro que em algum momento surge a afirmação de que queremos ir devagar e primeiro desejamos conhecer o outro, por isso um beijinho no fim do encontro realmente basta. Não vou fazer como os comediantes costumam fazer por aí, mas preciso dar esta dica para as mulheres: um homem que no primeiro encontro não deseja dormir com a mulher é gay ou liga tanto para mulheres como o torcedor de um time liga para um célebre ex-jogador de outro.

Claro que, no primeiro encontro com minha mulher, eu disse que pegar na mãozinha já estava bom, embora o que quisesse mesmo fosse avançar sobre ela como um tamanduá sobre um formigueiro. Precisei esperar mais de cinco meses – uma espera e tanto, que agora vejo que valeu a pena, mas imagine você se o relacionamento tivesse terminado depois de três meses. Eu realmente teria perdido algo muito bom...

E a mentirada continua comendo solta – e em algum momento, surge a frase inevitável: "Você é a mulher mais bonita do mundo". Não gostaria de dizer nada sobre essa frase, pois vários comediantes e cerca de duzentas autoras de livros femininos já o fizeram. Obviamente podemos dizer que se trata de um belo elogio, mas é sobretudo uma mentira. E bem maldosa.

Pois, por um lado, ninguém pode afirmar que conhece de verdade a mulher mais linda do mundo – exceto se tiver amizade com a atual Miss Universo, além da Miss Mundo, da Miss Intercontinental e da "Mamãe Universo". Assim, deve-se tomar como exemplo Hugh Grant no filme Amor à segunda vista, quando Sandra Bullock o acusa: "Você é a pessoa mais egoísta do mundo". Ao que ele responde: "É ridículo – como se ela conhecesse todas as pessoas do planeta".

Por outro lado, a frase é mesmo uma mentira, porque não foi dita pela primeira vez – a não ser que o jovem esteja no início da puberdade. Acredito que eu – espero que minha mulher não leia isto – já tenha dito isso a umas vinte mulheres diferentes. Claro que é possível dar uma desculpa e explicar que todas as vezes ela foi dita com sinceridade. No entanto, uma mulher que realmente acredita nisso também acredita na frase: "Não, meu amor, eu nunca dormiria com a sua melhor amiga".

Ou seja, a frase, no melhor e mais romântico caso, deveria ser: "Acho você a mulher mais linda que encontrei na vida até agora". Ficaria um pouco desajeitada, mas seria sincera.

Se alguém reclamar perguntando onde fica o romantismo sem adulação, então eu ressalto que este livro se chama Sincero, e não Frases feitas sedutoras para conquistar qualquer mulher. Você vai entender do que estou falando. Eu concordo com a banda Die Ärtze, na música "Männer sind Schweine" (Homens não prestam), quando cantam: "Ele mente como se não houvesse amanhã apenas para levá-la para a cama".

Sim, é verdade, nós homens não prestamos, mas pela onda da metrossexualidade fomos obrigados a omitir esse fato. ...

discussão casamento

Casamento, sinceridade e o projeto do livro:

Na cerimônia de casamento, os casais são forçados a fazer promessas de longo prazo, que podem criar uma amarra mais poderosa que qualquer prisão. Deve-se amar e respeitar o cônjuge, e melhor que seja até a morte pôr um fim na relação. Comento aqui, apenas de passagem, que essa regra foi criada numa época em que a expectativa de vida não passava dos 30 anos, por isso ser casado pela vida toda significava apenas quinze anos. Aliás, não são poucos os prisioneiros que, na Alemanha, são condenados ao tempo máximo de prisão e são soltos por boa conduta após os mesmos quinze anos.

Na cerimônia, nada se fala a respeito da verdade e da sinceridade. Quem é que tenha criado os votos matrimoniais não imaginou que a sinceridade anteciparia a morte e a taxa de divórcio alcançaria números inimagináveis no mundo todo.

Geralmente as pessoas acreditam que a sinceridade traz mais problemas ao casamento do que infidelidade, bar com os amigos e mania de comprar sapatos. Eu também acreditava nisso. E foi por isso que quis colocar "a sinceridade no casamento" no fim do livro, sem me dar conta de que um casamento não deve ser mantido só até que a morte os separe, mas todos os dias.

Na preparação do projeto, imaginei que dizer a verdade à minha mulher seria pior do que mais uma continuação de Homem-Aranha. Pensei nas perguntas clássicas que todo homem teme, como sobre impotência e queda de cabelo. Antes do projeto, anotei as cinco perguntas das quais eu tinha mais medo:

- Você acha meu traseiro gordo?
- Você dormiria com a Nicole Scherzinger se ela quisesse?
- Com quantas mulheres você transou antes de mim?
- Se tivesse de escolher entre mim e o futebol, o que escolheria?
- Você se casaria comigo de novo agora?

Sim, eu respondi a essas perguntas, e no fim do capítulo revelarei as respostas.

Se você quiser saber as respostas, vai ter que arranjar o livro. :)

Pequenas citações pop:

De qualquer forma, ao surfar na Wikipédia, cheguei ao artigo sobre Lake Wobegon. Trata-se de uma cidadezinha dos sonhos no estado americano de Minnesota, onde todas as mulheres são lindas, os homens espertos e as crianças melhores que a média. Qualquer criança na cidade tem talentos acima da média.

Lógico que esse lugar não existe. O artigo já poderia ter me chamado atenção quando mencionou que todas as mulheres eram bonitas e todos os homens espertos. Um lugar assim não pode mesmo existir.

Lake Wobegon é a invenção do conhecido entrevistador e radialista americano Garrison Keillor – ele deve ser famoso, pois apareceu em um episódio dos Simpsons, e neste mundo as pessoas são realmente famosas quando alguma vez na vida se tornaram um desenho amarelo.

Um dos meus sonhos é tomar uma Duff no bar do Moe com o Homer.

bar do moe

Sobre auto-imagem, photoshop e a mentira para si mesmo:

A mania do Photoshop fez com que, em 2003, uma bela mulher estampasse a capa de uma revista masculina americana, só que o designer gráfico, zeloso demais, retocou os mamilos da moça e aparentemente não restou mamilo algum. Óbvio que os responsáveis pela revista se comportaram de forma correta na esfera jurídica, pois mamilos expostos nos Estados Unidos ficam em algum lugar entre assassinato e estupro. Contudo, eu me pergunto o que é mais perturbador: uma mulher maravilhosa nua ou uma mulher sem mamilos? De qualquer forma, minha carta de leitor da época ficou sem resposta.

De volta a mim e à sinceridade comigo mesmo: meus dentes estão amarelados por causa do cigarro, os cabelos também costumavam ser mais cheios. As roupas de trabalho são inadequadas, parecem mais as de um adolescente. A casa está como se tivesse sido abandonada por hippies há trinta anos e ninguém mais tivesse entrado nela.

Em suma: este homem aqui, que adora fingir que é autoconfiante e atraente, não tem controle nenhum sobre sua vida. Quero sempre ouvir dos outros que o texto está bom, de outra forma não consigo dormir de tanta insegurança. Não aceito perder. Sou irritado. Arrogante. Poderia continuar por mais duas páginas, mas acho que você já entendeu.

A psicóloga Claudia Mayer escreveu em Lob der Liige (Elogio à mentira) que, em muitos momentos, seria muito melhor e mais fácil não dizer verdade. Em curto prazo, ela até pode ter razão. Mas o que resulta em longo prazo? Nada. Tudo fica cada vez pior. Ela quase não escreve como é mentir para si mesmo – e como as pessoas se sentem quando descobrem a verdade sobre si mesmas.

Dói.

Ao descobrir a mentira, tomamos consciência de que a verdade não é tão legal quanto havíamos pensado até o momento
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2011-08-26

'Como avisar que preciso faltar quatro dias para um processo seletivo?' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 26/08/2011, sobre o dilema de uma ouvinte que precisa faltar quatro dias para encarar um processo seletivo em outra empresa.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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'Como avisar que preciso faltar quatro dias para um processo seletivo?'

mentira trabalho
Escreve uma preocupada ouvinte: "Trabalho em uma empresa faz quatro anos e não tenho queixas, mas surgiu uma oportunidade de participar de um processo de seleção em uma empresa maior e, acredito eu, melhor para a minha carreira. O problema é que vou ter que perder quatro dias de trabalho, um por semana, até o final desse processo. O que eu faço? Abro o jogo e informo o meu chefe? Ou não digo nada, mas nesse caso, como posso explicar quatro faltas seguidas?"

Realmente essa é uma situação bem complicada. Informar o chefe com antecedência não é uma boa ideia, porque isso seria o mesmo que dizer que o emprego atual já não atende mais às expectativas. Nenhuma empresa gosta de ouvir isso.

Ficar na moita e não dizer nada não seria antiético, da mesma maneira que uma empresa não avisa com antecedência que está cogitando dispensar um empregado. Porém, não seria ético um empregado descumprir o contrato de trabalho que ele assinou e se comprometeu a vir trabalhar todos os dias, a não ser que exista um motivo aceitável para faltar, como uma doença.

Bom, e aí? Aí, a maioria dos funcionários que precisa perder um dia para ir a uma entrevista, simplesmente inventa uma história e consegue um atestado médico. O caso da nossa ouvinte é diferente porque ela precisa perder quatro dias, e o chefe vai desconfiar já na segunda falta.

A decisão que a nossa ouvinte precisa tomar, caso ela resolva escolher a verdade, é em que momento ela quer ser apanhada mentindo, porque certamente será.

Considerando-se que não há uma solução perfeita, a menos imperfeita é tentar explicar ao chefe que "Sabe, chefe, eu adoro essa empresa mas vou participar desse processo". Tudo acabará bem para a nossa ouvinte se ela conseguir o novo emprego. Se ela não conseguir, não dá para prever o desfecho da situação. Porém, se a oportunidade é realmente tão boa, vale a pena ela correr o risco.

Max Gehringer, para CBN.

2011-05-31

'Menti no currículo e agora estou com medo de ser descoberto' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 31/05/2011, sobre um ouvinte que está preocupado em ser descoberto porque mentiu no currículo.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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'Menti no currículo e agora estou com medo de ser descoberto'

mentira currículo nariz cortando
"Meu nome é Fictício", escreve um ouvinte. Bom, com tanto nome estranho hoje em dia, como Jenifer, que dependendo do caso pode ser escrito com até dezesseis letras, Fictício já começa a parecer um nome normal. Mas o que interessa mesmo é o que o Fictício tem a dizer. E ele diz o seguinte:

"Sugestionado por alguns amigos, cometi algumas incorreções em meu currículo." Abre parênteses, observação minha: o Fictício mentiu no currículo. Fecha parênteses e volta o Fictício: "Meus amigos me disseram que todo mundo faz isso e por isso, eu também fiz. Coloquei dois cursos superiores que comecei a frequentar e que não terminei. Mas a maneira como redigi o currículo dá a impressão de que completei os dois cursos. Como os meus amigos haviam antecipado, consegui um emprego e comecei a trabalhar faz uma semana. Só que estou muito preocupado. Não tenho curso superior e a empresa pensa que eu tenho dois. Se alguém resolver investigar, corro o risco de perder o emprego. O que eu faço?"

Caro Fictício, não apenas você corre o risco de perder o emprego, como pode vir a ser dispensado por justa causa, o que causaria um tremendo estrago em sua carreira profissional.

Há três coisas que você pode fazer. A mais recomendável é confessar. Fale para seu chefe que você errou por desespero de causa. Isso não elimina o risco de você ser dispensado, mas é provável que você escape da justa causa. Ou pode até ser que o chefe seja compreensivo e lhe perdoe.

A segunda opção é pedir a conta enquanto é tempo, com o inconveniente de que você terá que explicar numa próxima entrevista porque saiu da empresa em apenas sete dias. E a terceira é não fazer nada e torcer para que nada aconteça.

Nenhuma das três opções é boa. E é por isso que se deve evitar misturar currículo com ficção.

Max Gehringer, para CBN.

2010-12-14

Mentiras no currículo - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 14/12/2010, sobre mentir no currículo.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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Mentiras no currículo

pinóquio mentira currículo
Consulta de uma ouvinte sobre currículos. Ela escreve: "Algumas amigas minhas elaboram currículos que não correspondem à realidade. Elas afirmam que, se não fizerem isso, os seus currículos não chamarão a atenção de quem for avaliá-los. Então, elas inventam uma coisinha aqui, aumentam uma coisinha ali e criam um currículo chamativo. Eu acho errado mentir, mas fico imaginando se a minha sinceridade não irá me prejudicar, já que o meu currículo ficará parecendo pobre se comparado aos de minhas amigas."

Vamos lá. Mentir no currículo parece estar se tornando um esporte nacional. Tanto que a prática já chamou a atenção do Congresso. Atualmente, está tramitando um projeto de lei que prevê uma pena de dois meses a dois anos de detenção, para quem mentir no currículo. Isso mesmo. Se a lei for sancionada, quem mal arranha o inglês e bota no currículo que tem inglês fluente, pode ir para cadeia. A aplicabilidade dessa lei é discutível, porque uma empresa teria que constatar a falsidade de uma informação e aí mover um processo contra o candidato.

Eu não acredito que alguma empresa esteja disposta a tomar uma medida tão radical. Mas, por outro lado, o fato de existir uma punição tão severa poderá fazer com que um candidato pense duas vezes antes de maquiar ou turbinar o seu currículo.

E quais são as mentiras mais frequentes? São quatro. A mais frequente é a do idioma. A segunda é a da formação acadêmica, com a transformação de seminários ou palestras em cursos completos. A terceira é o exagero na descrição das tarefas efetivamente desempenhadas em funções anteriores. E a quarta é a participação em trabalhos voluntários. Essas seriam, digamos assim, as mentirinhas básicas.

Mas há os mentirosos mais corajosos, que simplesmente inventam cursos que não frequentaram ou funções que nunca desempenharam. Nesse caso, os bons entrevistadores são capazes de flagrar a esperteza numa entrevista. No caso das mentirinhas, nem sempre é possível descobrir a fraude, principalmente quando o candidato além de mentir por escrito, também sabe mentir falando.

O que eu recomendo à nossa ouvinte é que não se deixe levar pela onda de que a mentira traz vantagens e que, portanto, seria aceitável. Não é. Mesmo que pareça ser no curto prazo.

Max Gehringer, para CBN.

2010-11-19

'Descobri que meu funcionário mentiu na entrevista' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 19/11/2010, sobre o que um patrão pode fazer ao descobrir que o funcionário mentiu no currículo/entrevista de emprego.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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'Descobri que meu funcionário mentiu na entrevista'

curriculo exagerado mentira
"Sou dono de uma empresa de médio porte", relata um ouvinte empresário. "E descobri que um funcionário que contratei faz um mês, mentiu no currículo. Ele escreveu que tinha formação superior e eu acreditei nele. Mas, como faço normalmente, pedi a meu gerente de Recursos Humanos que solicitasse o histórico escolar do funcionário, apenas para deixá-lo no prontuário. E foi aí que a mentira veio à tona. Minha primeira reação foi a de dispensar o funcionário por justa causa, porque não tolero mentiras. Mas resolvi lhe escrever antes, para perguntar o que você faria."

Bom, eu primeiro ouviria o funcionário, caso nesses 30 dias ele tenha demonstrado ser um bom empregado, tanto em termos técnicos quanto de relacionamento. Ao ser apanhado em flagrante, ele provavelmente dirá na conversa com você, que mentiu porque precisava muito do emprego.

E a reação seguinte que ele terá, é difícil de antecipar. Alguns choram. Outros reconhecem o erro, ficam envergonhados e dizem que aceitarão a dispensa, antes mesmo dessa possibilidade ser discutida. E há alguns que tentam engabelar, inventando uma história pouco plausível, o que só irá piorar a mentira inicial. Se o seu funcionário fizer isso, aí sim você poderá dispensá-lo sem problemas de consciência.

Caso contrário, eu em seu lugar, daria um prazo para concluir a faculdade, o que seria bom para você e melhor ainda para a carreira dele. E também diria que a primeira mentira está sendo relevada, mas que a próxima não será, qualquer que seja o tamanho dela. É bem provável que agindo assim, você terá um funcionário agradecido e dedicado.

Ou então estará diante de um mentiroso contumaz, algo que você descobrirá rapidinho, porque certamente ficará de olho nele.

Mas eu acredito mais na primeira hipótese. Embora haja mentirosos no mercado de trabalho, é preciso acreditar que a grande maioria não é, até para a sanidade mental dos próprios empresários.

Como o funcionário em questão não cometeu um erro que possa render um processo por falsidade ideológica, e nem causou qualquer prejuízo à empresa, seria humano de sua parte, reconheceu que ele errou por também ser humano.

Max Gehringer, para CBN.

2008-12-22

Mentira no currículo pode render mais entrevistas, mas não garante emprego - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 10/12/2008, sobre como mentir no currículo pode até gerar mais entrevistas de emprego, mas certamente não gerarão mais oportunidades de trabalho.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui).

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Mentira no currículo pode render mais entrevistas, mas não garante emprego

mentira pinoquio
Uma ouvinte pergunta se mentir no currículo funciona, porque alguns amigos dela mentem e são chamados para entrevistas. E nossa ouvinte, que tem um currículo menos expressivo, porém honesto, raramente é chamada.

Há 3 anos, numa pesquisa feita nos Estados Unidos, descobriu-se que metade dos currículos continha alguma inverdade. A pesquisa mostrou também que homens mentem mais que mulheres, e que o tamanho da mentira é inversamente proporcional ao cargo pretendido. Ou seja, candidatos a auxiliar mentem mais do que candidatos a gerente.

Como não tenho conhecimento de alguma pesquisa desse tipo no Brasil, consultei uma agência de recrutamento, que entrevista centenas de candidatos por mês. Para começar, a responsável pela agência me disse que os entrevistadores sempre começam com um pé atrás, quando o currículo parece bom demais.

E aí vão fazendo perguntas, cada vez mais específicas, até o candidato finalmente disparar um: veja bem..., e confessar que de fato, exagerou um pouquinho.

A meu pedido, a agência listou as mentiras mais comuns em currículos, que são seis:

1a. Transformar seminários de fim de semana em cursos de aperfeiçoamento profissional.

2a. Transformar viagens de turismo em experiência internacional.

3a. Mencionar fluência em idiomas, quando o conhecimento é apenas elementar.

4a. Transformar a participação num grupo de trabalho em 'liderança na implantação de um projeto'.

5a. Mencionar valores exagerados, de economia ou investimento, na empresa anterior.

6a. Colocar um cargo ou uma função que o candidato diz ter exercido na prática, mas que não consta na carteira profissional.

Praticamente todas essas inverdades são facilmente descobertas nas entrevistas. E obviamente, o candidato é eliminado do processo.

Portanto, a nossa ouvinte pode ficar sossegada quanto ao aspecto ético. Mentira não gera emprego. Embora possa gerar mais entrevistas.

Max Gehringer, para CBN.

2008-10-03

Um caso de Intrigas no Trabalho - by Max Gehringer

Transcrição dos comentários do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 03/10/2008, sobre o que fazer em caso de intrigas no trabalho.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui).

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Uma consulta sobre intriga

Uma consulta sobre intriga. Diz um ouvinte: "O dono da empresa em que trabalho vai se retirar. E ele já comunicou, extra-oficialmente, que a empresa será dirigida por dois gerentes: eu, na área administrativa e um colega meu, na área técnica.


Acontece que eu tinha um concorrente e não sabia. Uma pessoa que também queria o cargo e que agora está usando de artifícios anti-éticos para fazer o dono mudar de idéia.

Descobri que essa pessoa está colocando palavras em minha boca. Por exemplo, que eu teria dito que a empresa irá melhorar sem a presença do dono, coisa que eu nunca falei, nem falaria. O dono está viajando e volta daqui a duas semanas, quando deverá oficializar as mudanças.

Estou em dúvida quanto ao que fazer. Não sei se parto para um confronto com o mentiroso, se ligo para o dono para contar a minha versão ou se fico calado e espero o dono voltar."


Bom, a opção do confronto não é boa. Há um ditado que diz "nunca discuta com um ignorante no nível dele, porque os os outros não saberão quem é quem". A segunda opção também não é boa. Se você ligar para o dono, irá levantar uma lebre que não precisa ser levantada. E a terceira opção, a de não fazer nada, é a pior de todas.

O mais recomendável é você neutralizar a opinião do mentiroso através de colegas em quem o dono confia e nos quais você também confia. Donos sempre têm um pequeno grupo de pessoas de confiança que estão na empresa há muito tempo. Essas pessoas é quem devem informar ao dono, a existência de boatos maliciosos, sem mencionar quem é o autor deles. E enfatizar que você é a pessoa certa para o cargo. Isso é o que se chama de habilidade política: a arte de costurar alianças.

Gerentes precisam ter essa habilidade. Por isso, encare a situação como o seu primeiro grande teste como gerente.

Max Gehringer, para CBN.
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