Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 18/05/2011, sobre se é apropriado repassar um e-mail de cliente elogiando o trabalho para o chefe.
'Posso mandar um e-mail de cliente elogiando meu trabalho ao chefe?'
Um ouvinte escreve: "Sou o contato direto com alguns clientes da empresa em que trabalho. A minha função é correr atrás das reclamações que eles fazem e tentar resolver rapidamente os problemas apresentados. Recebi um e-mail de um cliente elogiando o meu trabalho e gostaria de saber se devo encaminhar essa mensagem a meu chefe. Estou em dúvida se pega bem."
Bom, mal não pega. Você poderia encaminhar o elogio com uma notinha do tipo: "Caro chefe, veja a mensagem de um cliente satisfeito." Mas a minha pergunta seria: se o e-mail fosse de crítica e não de elogio, você o repassaria a seu chefe? Acho que não. Pelo menos não com a frase: "Caro chefe, veja a mensagem de um cliente P. da vida."
O que eu sugiro é que você responda ao cliente, com cópia para o seu chefe, escrevendo mais ou menos o seguinte: "Prezado cliente, agradeço o elogio, mas faço parte de uma equipe que procura atender o mais rapidamente possível às solicitações dos clientes. Quando conseguimos, o mérito é de todos."
O seu chefe vai gostar duplamente da resposta. Além de tomar conhecimento do elogio do cliente, seu chefe saberá que você não imagina que consegue resolver os problemas sozinho, porque certamente outras pessoas também estão envolvidas na solução.
E o seu chefe ficará triplamente satisfeito se você conseguir encaixar na mensagem um elogio a ele, sem parecer puxa-saco. Algo como: "A determinação de nossa chefia é que o cliente seja atendido no máximo em cinco minutos." Aí, é bem provável que o seu chefe mande o seu e-mail para o chefe dele, e você ganhará vários pontos em vez de ganhar um só.
Esse é um bom exemplo daquilo que chamamos de marketing pessoal, que não é, como muita gente pensa, a arte de aparecer. É a arte de alguém fazer o trabalho aparecer, sem provocar ressentimentos.
Magia não existe, tampouco magos (não confundir com mágicos, que são ilusionistas). Essa afirmação, que tem um pé na nossa realidade, é um dos pontos centrais da belíssima animação francesa O Mágico (ou L'illusionniste no original). Paradoxalmente talvez, o filme é um representante legítimo daqueles que associamos à magia do cinema. Ou nem tão paradoxalmente assim, já que a "magia", tanto do cinema quanto dos truques de ilusionismo, é remeter o espectador a um mundo a parte, em que por alguns momentos, o impossível pode acontecer, em que a realidade pode ser um pouco diferente.
O Mágico é uma animação adulta, um tanto melancólica. Apesar do filme adotar uma linguagem universal, crianças pouco entenderão e apreciarão a história, mesmo com os momentos de alívio cômico, protagonizados especialmente pelo coelho rabugento que o velho mágico usa no truque da cartola. A linguagem do filme é essencialmente visual. Os diálogos são raros, e a maioria soa como grunhidos mais ou menos como a professora de Charlie Brown e cia no desenho do Snoopy (Peanuts) fazia. Ou seja, a ênfase da mensagem é passada no tom e não nas palavras propriamente ditas, apesar das falas serem distinguíveis e inteligíveis (lembro de algumas falas em inglês e umas poucas em francês que consegui entender). Para a maioria de nós, espectadores não multilíngues, essa opção da linguagem predominantemente visual é reforçada ainda pela não presença de legendas (pelo menos, na cópia em que assisti). Um parêntense: isso me faz pensar que esse seria um filme horrível de ser assistido por críticos de cinema cegos como Tommy Edison, o Blind Film Critic, hehehe.
O Mágico do título é um velho e já cansado mágico veterano dos palcos. Sendo frequentemente preterido em relação a shows mais joviais, como uma banda de rock à la quatro bretões de Liverpool, o velho mágico embarca em uma jornada de apresentações itinerantes. Ao se apresentar em uma pequena estalagem num pequeno vilarejo na Escócia, o mágico conhece uma jovem empregada que se encanta com seus truques, achando que realmente o mágico consegue tirar moedas das orelhas das outras pessoas e coisas assim, enfim, achando que a magia é real, ainda mais quando o mágico compra para ela sapatos novos como agradecimento por ela ter lhe lavado as roupas e a presenteia com os sapatos como num passe de mágica. Quando ele parte, a jovem vai atrás dele escondida. O mágico acaba meio que adotando a mocinha, levando-a a uma cidade grande onde ele fará mais shows. Entretanto, na cidade, a moça do interior conhece outro mundo (especialmente o consumista), e para não deixar a "magia" morrer, o velho mágico faz o que pode.
Apesar de O Mágico ter uma crítica ao capitalismo consumista, sobretudo na visão da moça sempre querendo algo mais, ela não é uma crítica cheia de ressentimentos, mas uma visão de como as coisas realmente funcionam: sapatos novos e roupas velhas não combinam e chamam a atenção dos outros, então você passa a cobiçar um casaco novo, digamos. Mas este não combina com o vestido velho, e assim por diante. Nesse sentido, a crítica não é amarga, mas triste, ao vermos como uma "alma inocente e pura" vai se contaminando com a ânsia de possuir algo mais, especialmente ao notarmos que é exatamente esse processo que alimenta o consumismo infantil (dentre outras coisas). E como o próprio filme faz questão de mostrar, esse é um processo autosustentável, ou seja, o padrão só tende a se repetir, como mostra a cena em que a mocinha protagonista já toda bem vestida passa por uma outra moça recém-chegada, que se vestia exatamente da forma como ela se vestira no começo, e então essa nova moça é atraída pela vitrine.
Além disso, a animação ainda critica o sistema capitalista, de maneira mais sutil, ao mostrar o velho mágico se apresentando numa vitrine de loja para vender mercadorias, numa ação de "marketing de guerrilha". Neste caso, a crítica é o quanto se vender para conseguir dinheiro, ou seja, até que ponto alguém está disposto a ir (no caso do mágico, de tornar mundana a sua arte) para conseguir um salário (e em última instância, bancar a sobrevivência dele e da jovem e seus pequenos caprichos).
Entretanto, O Mágico não apenas critica o capitalismo e o consumismo. A animação também envereda pela discussão do novo versus o antigo. O ventríloquo vizinho do mágico e da moça no hotel é um exemplo disso, ao não conseguir se adaptar a novos tempos e acaba que seu boneco termina em uma loja de penhores, a ser vendido cada vez mais barato, porque ninguém mais o quer. O próprio mágico é outro exemplo disso, sendo substituído pela nova atração de rock, voltada a um público mais jovem. Isso é demonstrado de maneira genial na apresentação do mágico em Londres, quando ele fica muito tempo esperando para se apresentar (porque a banda se apresentava antes) e quando ele finalmente sobe ao palco, apenas uma ou outra idosa o assiste com ânimo. Ainda sobre essa cena, a demora é mostrada de maneira genial, intercalando o mágico esperando a sua vez e imagens que denotam a passagem de tempo numa Londres chuvosa, como o Big Ben tocando, ou a troca de guardas da rainha. Outro ponto a ser destacado é a ambientação: cada cidade pelo qual o mágico passa é retratada de maneira belíssima, mesmo quando não deixa de ser triste (como uma Londres chuvosa ou as "highlands" escocesas envoltas em neblina).
Visualmente impecável, O Mágico ainda tem uma trilha sonora e uma edição de som excelentes, o que era de se esperar de um filme com pouquíssimos diálogos (afinal, o silêncio absoluto só iria deixar o espectador desconfortável). Reparem como a música acompanha o ritmo da história e dos personagens. Por exemplo, a música que toca na viagem de ida a Escócia é bastante triste, o que combina com o momento vivido pelo mágico, que vinha de apresentações fracassadas (do ponto de vista de que ninguém prestava realmente atenção nele). Na viagem de volta, a música assume tons mais alegres, o que combina com o ânimo renovado do mágico, por ter se apresentado em um lugar em que a sua arte fora valorizada.
O Mágico contém um lirismo e uma melancolia bem marcantes. Os personagens de circo - o mágico, o palhaço e o ventríloquo que vivem no hotel - são representantes de uma época em que sonhos eram mais palpáveis e não diretamente ligados ao limite do cartão de crédito. O lirismo de O Mágico não deixa passar a ironia da tristeza do palhaço, que como na piada, sofre de depressão (e tendências suicidas!) e não tem quem o faça rir, afinal, ao lavar o rosto (mesmo que seja com a água da flor da lapela), ainda restará por baixo um rosto triste. E o design dos personagens nesse sentido é fabuloso: o palhaço triste com cara de palhaço mesmo sem maquiagem, o ventríloquo, o próprio mágico, todos eles refletem no design, suas personalidades e papéis na trama, de maneira fluída e nada artificial.
Já disse que o visual de O Mágico é impecável, e o estilo de animação, 2D, combina perfeitamente com a proposta do filme, da passagem de gerações. Afinal, se o mágico é da velha guarda, nada mais justo que retratá-lo com uma técnica mais antiga, mas que nem por isso, produz resultados inferiores. E mesmo no momento em que a animação usa de recurso de CGI, no plano em que a câmera gira em torno da cidade, a animação mantém o estilo, fazendo com que a tomada seja bela e sem destoar do resto da animação.
Com um apuro visual inegável, um carinho enorme pelos personagens e seus desenvolvimentos, uma trilha sonora que se encaixa perfeitamente e um cuidado com os pequenos detalhes (reparem como as flores que a mocinha colheu no início da vida no hotel ficam no final, ao lado dela belamente vestida), o diretor Sylvain Chomet, baseado num roteiro de Jacques Tati, faz O Mágico terminar com a mensagem que magia não existe e que a realidade pode ser um tanto dura. Eu discordo da primeira parte, pois o próprio filme é um exemplo de que magia pode existir sim. Pelo menos por uns 90 minutos numa sala escura com um projetor.
Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 17/05/2011, sobre um empregado que colocou a empresa contra a parede, mas não deu certo.
Empresa cobre oferta, mas demite funcionário dois meses depois
"Gostaria que você me ajudasse a entender o que aconteceu comigo", escreve um ouvinte. "É o seguinte. Trabalho nesta empresa faz três anos e meio, na área de logística. Há dois meses recebi uma proposta interessante para mudar de emprego, ganhando 25% a mais. Mas eu teria que sair de imediato. A nova empresa até me reembolsaria o aviso prévio que eu teria que pagar. Eu procurei o meu superior, falei para ele da proposta, e disse que o meu desejo era permanecer na empresa, mas desde que ela cobrisse a proposta. Meu superior consultou os superiores dele, e no dia seguinte, recebi a boa notícia de que a proposta da outra empresa seria coberta. Fiquei e de fato recebi o aumento.
Na semana passada, fui inesperadamente demitido, sem qualquer explicação plausível. Meu superior apenas mencionou que haveria um 'remanejamento de funções'. Saí no mesmo dia porque a empresa me liberou do aviso prévio. E pior, liguei para a empresa que me havia feito aquela proposta e a vaga já foi preenchida. O que pode ter acontecido?"
Bom, podem existir várias explicações. Mas eu diria que a menos plausível delas é que tenha havido o tal 'remanejamento'.
O que eu imagino que tenha acontecido é que a sua empresa não podia ficar sem você de um dia para outro. E nem tinha condições de lhe dar um aumento de 25%. Possivelmente porque isso criaria um desequilíbrio salarial em relação a outros funcionários.
Então, o que a empresa fez para ganhar tempo foi lhe conceder o reajuste que você pediu. E aí, com calma, ela começou a procurar um substituto para você, pagando um salário que você recebia antes do reajuste.
Essa é para mim, a explicação mais lógica. Ao colocar a empresa contra a parede, você correu um risco. Poderia ter dado certo, e na maioria das vezes, dá. Infelizmente, no seu caso não deu.
"Sou proprietário de uma pequena empresa", escreve um ouvinte. "Faz três meses, minha funcionária de maior confiança, que estava comigo há oito anos, pediu a conta. Um amigo meu de longa data ficou sabendo e me solicitou que eu admitisse o filho dele, um rapaz de 23 anos que acabara de se formar e nunca tinha trabalhado. Entrevistei o rapaz e deixei bem claro quais seriam as exigências do trabalho. O rapaz respondeu 'tudo bem' a todas as minhas colocações e eu o contratei.
Passados três meses, a minha decepção foi muito além do que eu temia. Para não dizer que o rapaz é preguiçoso, eu diria que ele é lento para entender as coisas e não tem o mínimo senso de urgência. Como as tarefas eram mal feitas e vinham se acumulando, decidi que não haveria outra opção a não ser substituí-lo. E esse é o meu problema. Como faço isso sem comprometer a amizade de quinze anos que tenho com o pai do rapaz?"
Bom, minha sugestão: antes de falar com o rapaz, fale com o pai dele. E na conversa, não faça críticas. São bem poucos os pais que gostam de ouvir críticas ao filho, mesmo quando elas são verdadeiras. A reação costuma ser de confronto, como se o pai é que estivesse sendo acusado de não ter cumprido o seu dever de pai.
Então, evite o confronto e explique que o trabalho requer uma pessoa com muita experiência prática. Coloque-se a disposição para ajudar a conseguir uma recolocação para o rapaz. Diga que estará a disposição para re-empregá-lo quando ele tiver adquirido mais experiência. Feito isso, diga exatamente as mesmas palavras para o rapaz. Assim, pai e filho ficarão tão confortáveis quanto mal informados.
Talvez outras pessoas tenham sugestões diferentes para lhe dar, mas em minha opinião, vale mais assegurar uma amizade de quinze anos do que vê-la desmanchar em meia dúzia de verdades.
Crianças, muitas vezes, vendo os adultos, têm vontade de crescerem logo. Esse não é o caso do menino deste vídeo, que mal pode esperar crescer por outros motivos. Vejam (mas fiquem avisados, tem imagens fortes!):
"Eu não posso esperar até crescer.
Eu tenho direito de ser feliz, de ser protegido, de ser mantido aquecido, de ser amado, de ser ouvido.
...
Eu lutarei pelos direitos de crianças como eu, que não têm infância.
Eu não posso esperar até crescer."
Este é um comercial para o ISPCC, sigla em inglês para Sociedade Irlandesa de Proteção contra Crueldade contra Crianças. Comercial forte e extremamente bem feito. O pequeno menino ator merecia um Oscar.
O taiwanês Wang Chien-Yang é um fotógrafo recém formado em uma faculdade de artes, mas já ganhou alguns prêmios com com suas fotos. O que não é difícil de imaginar, pois elas exibem uma energia contagiante, mesmo naquelas cuja originalidade não é o forte.
No carrinho de supermercado com um monte de bonecos de pelúcia:
Se você gostou do trabalho do artista (sobretudo, as duas primeiras fotos) e quer ver algumas fotos com mais carne e menos roupa (mas nada extremamente sexy), pode conferir as fotos da série "House" no Andarilho's NSFW.
Letha Wilson é uma artista americana que mistura fotografia com escultura (e frequentemente, instalações). Ela manipula as telas onde suas fotos são colocadas com outros elementos físicos, fazendo com que, de certa forma, as imagens saiam do plano bidimensional e criem profundidade em 3D, ou mesmo modificando a própria tela, mas sempre adicionando profundidade. O resultado são imagens que pulam do espaço confinado da foto para mais próximo dos nossos sentidos.
Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 13/05/2011, sobre o que fazer quando um caso entre o gerente e uma colega de trabalho acaba atrapalhando o dia a dia no trabalho.
'Caso entre gerente e funcionária está influenciando nos trabalhos de todos'
"Peço não revelar meu nome nem o de minha empresa", escreve uma preocupada ouvinte que relata a seguinte situação: "Meu gerente, que é casado, está tendo um caso com uma de nossas colegas de trabalho. Como resultado, essa colega praticamente se outorgou a função de subgerente e já está mandando mais que o próprio gerente. O resto de nós, que só quer trabalhar, não sabe bem como proceder. Se a colega nos dá uma ordem sem ter a autoridade formal para isso e nós não cumprimos a ordem, o gerente vem nos dizer que é para fazer o que a colega pediu. Estamos pensando em mandar uma carta anônima para a direção da empresa e expôr a situação. Essa seria a melhor solução?"
Bem, não vou revelar o seu nome nem o da sua empresa, mas isso não vai deixar de causar certo rebuliço em algumas outras empresas por aí. Imagino também que algumas esposas ciumentas de gerentes, irão questionar os seus maridos. Então, esclareço que não, cara esposa ouvinte, não se trata do seu marido. É um outro gerente, de outra empresa, bem menos inteligente do que o seu marido.
Agora vamos à carta. Estou supondo que o relacionamento seja um caso único na empresa da nossa ouvinte. Se não for, a carta de nada irá adiantar. Mas se a empresa for séria, a carta, de fato, é a solução mais indicada. Apenas sugiro que ela seja mandada ao setor de recursos humanos, que entre outras atribuições, é o guardião da moral e dos bons costumes.
Estou também dando crédito à palavra da nossa ouvinte de que esse não é apenas um caso pessoal e secreto, que não afeta a rotina de trabalho. Pelo que ela escreve, afeta e muito. Nesse caso, a carta, mesmo anônima, é válida.
E se a carta for mandada e nada acontecer? Aí, fica claro que não é só o gerente que não é sério. A empresa também não é.
Robbie, o cachorro deste vídeo, é determinado. Vendo uma estátua de um homem sentado num banco, ele tenta de tudo para fazer com que "o homem" brinque com ele, jogando um graveto. Pobre cachorrinho...
'Devo continuar na empresa mesmo sem perspectivas de promoção?'
"Tenho 26 anos e estou há quatro anos nesta empresa", escreve um ouvinte. "Não tenho queixas, sou valorizado, sou bem tratado, mas nunca fui considerado para uma promoção. Continuar aqui será bom ou ruim para minha carreira?"
Bom, eu diria que você está na companhia de pelo menos vinte milhões de profissionais brasileiros. No mercado de trabalho, tanto no setor privado quanto no serviço público, o normal é não ser promovido.
Se olharmos o mercado como um todo, isto é, se pudéssemos juntar todas as empresas do Brasil num único organograma, veríamos que existem em média dez subordinados para cada chefe. As pessoas podem mudar de área dentro da empresa, podem mudar de empresa, podem mudar do setor privado para o público e vice-versa, mas a proporção de 1 para 10 não mudará.
Portanto, numa carreira profissional a promoção será sempre a exceção, e não a regra. Só que no início da carreira, a maioria dos profissionais tem total convicção de que será aquele um, e não um daqueles dez.
Vale também lembrar que promoções não ocorrem somente pelo mérito. Elas podem ocorrer por tempo de casa, ou por amizade, ou por parentesco ou por política. E isso faz com que o funil fique ainda mais estreito.
Se o objetivo do nosso ouvinte for uma promoção, a minha sugestão é que ele tente outro emprego. Essa mudança fará com que ele descubra se o problema está na empresa atual dele, que não promove quem merece, ou nele mesmo, que não mostrou condições para ser promovido.
E finalmente o ponto mais importante. Perseguir uma promoção é louvável, mas construir uma carreira sem promoções não é um demérito nem um fracasso. Cedo ou tarde, a maioria dos profissionais irá querer o que nosso ouvinte diz que já tem: um bom trabalho, sem queixas, numa empresa que saiba valorizar e tratar bem o funcionário.
O fotógrafo (ou "fotógrafo do movimento" como ele próprio se identifica), Dominic Boudreault, fotografou diversas paisagens urbanas (e algumas no limite da paisagem selvagem) durante um ano, e montou esse belíssimo vídeo em time-lapse. No vídeo, o artista explora preferencialmente o cenário noturno, que gera imagens lindas das luzes da cidade e do céu noturno estrelado em paisagens mais selvagens.
Assista preferencialmente em HD e em tela cheia. É lindo.
Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 11/05/2011, sobre como analisar uma proposta de salário maior vinda de uma empresa iniciante.
'Como devo analisar uma proposta de maior salário vinda de uma empresa nova?'
Um ouvinte que escreve na terceira pessoa pergunta: "Quando uma empresa que está iniciando suas atividades se propõe a pagar 50% a mais para contratar um profissional de uma grande empresa, o que ele deve levar em conta na avaliação da proposta?"
Vamos por partes. Primeiro, uma empresa que está começando precisa de profissionais que já tenham demonstrado que são bons no que fazem. Isso não quer dizer que os melhores profissionais estejam todos em grandes empresas. Quer dizer que estar em uma grande empresa proporciona mais visibilidade, por isso quem está, sempre é mais procurado.
Segundo, um profissional que está satisfeito numa grande empresa não mudaria para ganhar 20% a mais, em uma empresa da qual pouco ainda se sabe. Logo, a pequena empresa iniciante só vai conseguir contratar alguém bom se fizer uma oferta bastante generosa.
Até aí, tudo são flores. Agora é que vem o espinho. Não é incomum que uma empresa pequena faça a proposta pensando apenas no curto prazo. O profissional que vem para a empresa iniciante traz consigo seu conhecimento técnico, ou a sua agenda de potenciais clientes, ou a sua capacidade para montar uma área, ou tudo isso junto. Logo, nos seis primeiros meses, até que a empresa engrene no mercado, certamente o contratado vale o que vai ganhar.
Porém, a partir do momento em que a empresa estabiliza, esse profissional fica caro, porque já não tem mais muito a agregar. E a solução será substituí-lo por alguém que esteja na média salarial do mercado.
Não estou dizendo que isso ocorre em todos os casos, mas já ocorreu em muitos casos. A solução, respondendo ao ouvinte, é a empresa assinar um contrato que garanta dois ou três anos de estabilidade. Sem essa garantia, a mudança será uma loteria.
De uma época em que Atari era videogame, disquete 5 1/4 guardava jogos incríveis e telefones eram grandes e com dial (aquele redondinho que não sei o nome em português), a vida era mais simples. Ou não, e apenas estamos ficando mais velhos mais depressa, já que os pequeninos acham que um Atari pode ser usado pra fazer churrasco (ele nem esquenta tanto quanto um Xbox moderno, vai), nesta propaganda do Itaú, que mostra que as mudanças acontecem rápido, mas o banco acompanha. Pelo menos no marketing viral da internet. ;)