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2018-09-20

Gestor pode demitir subordinados por justa causa por 'qualquer coisinha'? - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 20/09/2018, sobre se um gestor pode demitir subordinados por justa causa por pequenas falhas.

Áudio original disponível no site da CBN. E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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Gestor pode demitir subordinados por justa causa por 'qualquer coisinha'?

demissão por justa causa

Um ouvinte escreve: "Tenho um gestor que vive ameaçando os subordinados com demissão por justa causa, por qualquer coisinha. Não sou advogado, mas sei que, para demitir alguém por justa causa, é preciso uma falta muito grave. Estou certo?"

Sim, parcialmente. Ninguém pode ser demitido por justa causa em função de uma "coisinha". Mas pode, por uma somatória de coisinhas.

Na lista de fatos que permitem a uma empresa tomar a decisão extrema da justa causa, há um item chamado desídia. Essa é uma palavra que aparece em alguns boleros castelhanos, mas no Brasil somente é utilizada na linguagem trabalhista.

Ela significa negligência, preguiça e outras definições igualmente negativas. Mas a lei permite que pequenos atos de desídia, quando constantes, possam servir de base para uma justa causa.

Esses pequenos atos são: atrasos, muitas faltas, mesmo com atestado médico, longas ausências do posto de trabalho sem autorização, relutância em cumprir ordens superiores e tempo dedicado, durante o expediente, a coisas estranhas à função, como por exemplo, internet e redes sociais.

A soma de tudo isso pode gerar uma advertência falada, depois outra escrita, em seguida uma suspensão e, finalmente, uma decisão por justa causa.

Portanto o seu gestor tem razão ao afirmar que pode aplicar a pena máxima. Mas antes, ele tem que tomar todas essas outras medidas preliminares. Se ele não as toma, então ele está só blefando.

Max Gehringer, para CBN.

2018-07-12

Coach de carreira eficiente é aquele com experiência prática em empregos - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 12/07/2018, com uma ouvinte que está pensando em fazer um curso para se tornar coach.

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Coach de carreira eficiente é aquele com experiência prática em empregos

coach de carreira

Uma ouvinte escreve: "Ouço muito falar em coaching e estou pensando em fazer um curso para me especializar nessa modalidade, já que tenho formação em Psicologia. Qual é a sua visão sobre esse mercado de coach?"

Bom, de vez em quando, surge uma palavra facilmente adaptável a diversas situações profissionais. Isso já aconteceu com reengenharia, empregabilidade, sustentabilidade e outros termos, que acabaram se desgastando, pelo uso indiscriminado.

Hoje em dia, a palavra da moda é coach. A facilidade que ela contém é que "coaching" significa "treinamento", um conceito bastante amplo e que vem sendo aplicado desde sempre.

Quando um termo começa a ficar meio batido, a solução é adicionar a ele um sobrenome para diferenciá-lo. Como, por exemplo: coach de qualidade de vida, coach de alimentação macrobiótica ou qualquer outra extensão que a criatividade permita.

Um coach de carreira não é alguém que dará conselhos iguais a muitas pessoas; é alguém que dará orientações específicas a cada pessoa que atender.

Por isso, um coach de carreira eficiente é alguém com experiência prática em empregos, que tenha passado por muitas situações reais e aprendido com elas.

No seu caso, a formação em Psicologia certamente ajuda, mas não elimina a necessidade da vivência prática em alguma especialidade. Se você a tem, a resposta para a sua pergunta é: sim, um bom curso de coaching a ajudará a entender melhor como começar.

Max Gehringer, para CBN.

2017-07-26

Em entrevistas de emprego, é melhor manter um vocabulário informal - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 26/07/2017, sobre qual o tipo de linguagem e vocabulário usar em uma entrevista de emprego.

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Em entrevistas de emprego, é melhor manter um vocabulário informal

linguagem na entrevista de emprego

Uma ouvinte escreve: "Em uma entrevista, devo utilizar palavras e expressões que não fazem parte da minha linguagem habitual, mas que aparecem em artigos sobre empresas?"

Boa pergunta. Evidentemente, em entrevistas você deve evitar uma linguagem excessivamente coloquial e o uso de gírias é totalmente desaconselhável. Você está discutindo a sua carreira e não um passeio de fim de semana.

Por outro lado, se você lá pelas tantas mencionar, por exemplo, "a especificidade da complexidade inter-relacional recíproca", é bem provável que o entrevistador desate a rir.

Mas há alguns termos que você deve usar, porque, embora eles não façam parte da sua linguagem cotidiana, são amplamente usados nas conversas em empresas. Alguns exemplos são produtividade, responsabilidade social, indicadores de eficiência, objetivos de curto prazo e por aí vai.

Como você mencionou, eles são encontráveis em textos corporativos. O cuidado que você deve tomar é o de encaixá-los em uma frase entre duas palavras de uso comum, para que a conversa não descambe para a afetação.

E se houver uma palavra simples que possa transmitir o seu pensamento tão claramente quanto uma complicada, prefira sempre a simplicidade. Caso contrário, seria o mesmo que chamar "sapato" de "objeto para acomodação da extensão horizontal dos membros inferiores". Não está errado, mas quem é que aguentaria trabalhar com alguém que fala desse jeito?

Max Gehringer, para CBN.

2017-07-03

O que é compliance? - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 03/07/2017, sobre o que é compliance.

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O que é compliance?

compliance

O termo inglês "compliance" tem aparecido com cada vez mais frequência em textos corporativos. Então, aqui vão algumas informações sobre ele.

Empresas sempre tiveram um setor de auditoria, cuja finalidade é investigar se os dados contabilizados não apresentam discrepâncias. O setor de compliance também faz isso, mas vai muito além disso: ele engloba questões éticas, ambientais e de responsabilidade social.

Compliance significa o devido e irrestrito cumprimento das obrigações legais e morais, algo que o Brasil inteiro deseja ardentemente que seja feito por todas as empresas e, principalmente, por aquelas que afirmam ter integridade e transparência. Mas, como temos visto quase diariamente, não praticam o que pregam.

O compliance é um programa específico de ações. A direção da empresa define tudo o que vai ser feito, não apenas no tocante ao negócio em si, mas também nas relações com a comunidade e nos projetos para gerar medidas de caráter sustentável para futuras gerações. Estabelecido esse plano, uma equipe se encarregará de acompanhar diariamente se tudo o que foi prometido está mesmo sendo executado.

O compliance é, portanto, a cartilha de intenções das empresas modernas. Como consumidores e cidadãos, devemos nos interessar pelas empresas que se interessam por tudo o que nos afeta, além dos produtos ou serviços que adquirimos delas.

Max Gehringer, para CBN.

2017-06-21

A moda passa, a necessidade das ações fica - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 21/06/2017, sobre a palavra "empoderamento".

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A moda passa, a necessidade das ações fica

empoderamento

Um ouvinte escreve: "Minha empresa está implantando um programa de empoderamento. Com o perdão da palavra, acho isso uma enganação. E você?"

Eu não acho uma enganação, mas concordo com você que o termo "empoderamento" se aplica muito mais a situações sociais do que a empresas.

No Brasil nós temos essa mania de achar que podemos mudar uma situação mudando o nome dela. E o empoderamento entra nesse rol de invenções.

Nós temos a palavra que define o que a sua empresa quer fazer: delegar. Isso significa dar mais liberdade às pessoas para tomarem as suas próprias decisões.

Tivemos também, há algum tempo, uma variação, o "empreendedorismo interno", cujo mote era "pense como você fosse o dono". Não deu muito certo porque o empregado, como se sabe, não é o dono.

Os americanos vêm usando há décadas o termo "empowerment", de onde traduzimos o empoderamento. Há exatos 20 anos eu participei de uma reunião sobre empowerment na multinacional em que eu trabalhava.

Em resumo, a empresa tinha que proporcionar ao empregado todos os meios e recursos para que ele se desempenhasse da melhor maneira possível, incluindo a possibilidade de tomar decisões rotineiras sem consultar o chefe. Ou seja, a empresa tinha que delegar e apoiar.

Agora e durante algum tempo, isso será chamado de empoderamento. Mas não se preocupe, porque a moda passa e as necessidades ficam.

Max Gehringer, para CBN.

2017-04-18

'Cheguei a um ponto de saturação na empresa' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 18/04/2017, com uma mensagem de uma ouvinte saturada no trabalho.

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'Cheguei a um ponto de saturação na empresa'

mulher insatisfeita saturada no trabalho

"Minha situação é a seguinte", uma ouvinte começa escrevendo e, a partir daí, ela utiliza 1354 caracteres, espaços excluídos, para listar os problemas que ela vê na empresa como um todo, e no superior imediato em especial. Para finalizar, ela pergunta o que eu faria se estivesse no lugar dela.

Bom, provavelmente eu faria o que ela fez: escreveria para mim. Só que resumiria a mensagem em três linhas, assim: "Cheguei a um ponto de saturação nessa empresa e por isso só consigo enxergar o que está errado nela. A saber: tudo e qualquer coisa."

Certo. Vamos então discorrer um pouco sobre "saturação". É uma palavra que veio do latim e significa "cheio, suficiente". Mas há uma outra palavra, "satisfação", que vem da mesma fonte latina.

Portanto estar satisfeito ou estar saturado só depende da maneira como avaliamos uma mesma situação. A diferença é que o satisfeito vê o lado bom e o saturado só vê o lado ruim.

No meio dos dois, está o equilibrado, palavra que veio de "igual". O equilibrado sabe que nem tudo é uma maravilha, mas também que nem tudo é uma desgraça. E essa é, para mim, a definição perfeita de qualquer empresa.

Minha experiência me mostrou que é mais fácil convencer o satisfeito de que nem tudo é ótimo, do que convencer o saturado de que nem tudo é péssimo. E por isso, a minha sugestão é que nossa ouvinte parta correndo para outra empresa.

Um funcionário saturado não faz bem nem para si, nem para o ambiente, cuja maioria é sempre composta por equilibrados e satisfeitos.

Reclamar é bom e é saudável, mas reclamar de tudo, o tempo todo, tende a saturar a paciência de quem ouve.

Max Gehringer, para CBN.

2016-04-05

Impeachment é uma palavra que circula no Brasil há muito tempo - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 05/04/2016, sobre a palavra "impeachment".

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Impeachment é uma palavra que circula no Brasil há muito tempo

confronto político

Um ouvinte escreve: "Tivemos uma discussão aqui na empresa sobre o que seria 'impeachment'. Uns dizem que isso quer dizer 'impedimento', outros que quer dizer 'golpe'. E outros, como eu, preferem ficar calados. Será que não temos uma palavra nossa que substitua esse americanismo que entrou na moda?"

Vamos lá. Mundo corporativo também é cultura de vez em quando.

Em inglês, "peach" quer dizer "pêssego". Mas o verbo "to peach" tem outros sentidos, como "acusar" e "delatar". E o seu derivado, "to impeach", significa contestar a validade de algo.

Por exemplo, o ocupante de um cargo público pode ter o seu trabalho contestado e se for comprovada a sua má-fé ou incompetência, ele pode ser exonerado da função.

Nesse caso, "impeachment" é traduzido como "impugnação". Mas essa palavra sempre foi aplicada a tantas atividades, incluindo o futebol, que a política preferiu se diferenciar adotando o termo original em inglês.

Embora tenha se popularizado no processo que depôs o presidente Collor, "impeachment" já vinha circulando no Brasil há muito, muito mais tempo. Começou a aparecer na imprensa logo após a proclamação da república e foi usada na prática em 1893, em um processo envolvendo o governador de Pernambuco. A palavra pode ser utilizada para todos os níveis do serviço público, ou seja, um batalhão de gente.

Se a explicação lhe satisfez, sugiro que vocês retomem o trabalho porque, com essa crise, as empresas estão muito mais preocupadas com o nível de produção do que com o sentido de impugnação.

Max Gehringer, para CBN.

2016-02-24

'Meu nome está no SPC e não sei o que falar nas entrevistas' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 24/02/2016, com a reprise do comentário do dia 23/06/2015, com um ouvinte que está com o nome sujo no SPC e quer saber como isso afetará suas entrevistas de emprego.

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'Meu nome está no SPC e não sei o que falar nas entrevistas'

lista spc serviço proteção crédito

Um ouvinte escreve: "Fiquei desempregado e meu nome acabou entrando na lista negra de proteção ao crédito. Como posso abordar essa desconfortável situação em entrevistas de emprego?"

Bom, em primeiro lugar, saiba que esse assunto não será abordado pelo entrevistador. Há uma lei proibindo empresas de negar um emprego apenas em função da situação financeira do candidato.

Em segundo lugar, se uma empresa de fato usasse a lista para eliminar candidatos, você nem seria convocado para a entrevista.

E em terceiro lugar, o mais importante. Eu nunca conheci uma empresa que fizesse isso e posso lhe assegurar que a grande maioria não faz.

Essa lista foi criada há mais de 50 anos por bancos. Se alguém pedisse um empréstimo em um deles e não pagasse, aquele banco informaria aos demais, para evitar a repetição do problema.

Só que essa lista logo se transformou em um bom negócio, porque ela interessava também a qualquer empresa brasileira que vendesse a prazo. E muitas delas passaram a comprar a lista para seu próprio uso.

Nós nunca conjugamos o verbo "adimplir", mas ele existe e significa "cumprir uma obrigação assumida". Só conhecemos e usamos a palava que derivou do verbo, "inadimplente", que não é, e nem nunca foi, sinônimo de desonesto, criminoso ou mau-caráter. É apenas uma situação comercial temporária que aflige pessoas de bem, como você e mais um milhão de brasileiros.

Minha sugestão é que você se concentre em seus pontos positivos nas entrevistas. E esqueça por uma hora que a lista existe.

Max Gehringer, para CBN.

2015-06-23

'Meu nome está no SPC e não sei o que falar nas entrevistas' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 23/06/2015, com um ouvinte que está com o nome sujo no SPC e quer saber como isso afetará suas entrevistas de emprego.

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'Meu nome está no SPC e não sei o que falar nas entrevistas'

lista spc serviço proteção crédito

Um ouvinte escreve: "Fiquei desempregado e meu nome acabou entrando na lista negra de proteção ao crédito. Como posso abordar essa desconfortável situação em entrevistas de emprego?"

Bom, em primeiro lugar, saiba que esse assunto não será abordado pelo entrevistador. Há uma lei proibindo empresas de negar um emprego apenas em função da situação financeira do candidato.

Em segundo lugar, se uma empresa de fato usasse a lista para eliminar candidatos, você nem seria convocado para entrevista.

E em terceiro lugar, o mais importante. Eu nunca conheci uma empresa que fizesse isso e posso lhe assegurar que a grande maioria não faz.

Essa lista foi criada há mais de 50 anos por bancos. Se alguém pedisse um empréstimo em um deles e não pagasse, aquele banco informaria aos demais, para evitar a repetição do problema.

Só que essa lista logo se transformou em um bom negócio, porque ela interessava também a qualquer empresa brasileira que vendesse a prazo. E muitas delas passaram a comprar a lista para seu próprio uso.

Nós nunca conjugamos o verbo "adimplir", mas ele existe e significa "cumprir uma obrigação assumida". Só conhecemos e usamos a palava que derivou do verbo, "inadimplente", que não é, e nem nunca foi, sinônimo de desonesto, criminoso ou mau-caráter. É apenas uma situação comercial temporária que aflige pessoas de bem, como você e mais um milhão de brasileiros.

Minha sugestão é que você se concentre em seus pontos positivos nas entrevistas. E esqueça por uma hora que a lista existe.

Max Gehringer, para CBN.

2015-05-15

'Colaborador é um termo obrigatório em minha empresa' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 12/05/2015, sobre como as empresas usam diversos termos, como colaboradores, empregados e funcionários, para se referir às mesmas pessoas.

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'Colaborador é um termo obrigatório em minha empresa'

colaboradores empregados funcionários

Um ouvinte escreve: "Noto que você não usa muito o termo 'colaborador' em seus comentários, quando em minha empresa é obrigatório que ele seja utilizado em todas as mensagens internas, porque define melhor o esforço comum e conjunto para criar algo, em vez de apenas executar tarefas. Você teria algo contra os colaboradores?"

Não, muito pelo contrário. Mas isso é mais uma questão de semântica e de modismo. Funcionário é quem tem uma função. Empregado é quem tem um emprego. E colaborador é quem trabalha junto com alguém.

Etimologicamente, o termo "colaborador" nada tem a ver com criatividade, e sim com ajuda, auxílio, contribuição e cooperação, que é o que qualquer empresa espera de um empregado, funcionário ou colaborador.

Acontece que, no Brasil, sempre se existiu a tendência de se acreditar que uma situação possa ser mudada apenas com a mudança de uma palavra. Por isso, um termo novo sempre encontra adeptos que passam a empregá-lo como se ele fosse um salto qualitativo em relação ao anterior, quando é apenas um pulo sem sair do lugar.

Por outro lado, sou a favor de qualquer coisa que faça alguém se sentir melhor e produzir mais. E se ser chamado de colaborador produziu esse efeito em sua empresa, a decisão de adotar a palavra foi bem sucedida.

Algumas empresas já vêm adotando outros termos, como na área comercial, e que vendedores já são chamados de "consultores de vendas".

Mas no fundo, eu acredito que todo assalariado pense a mesma coisa: desde que me paguem bem e me tratem com respeito, podem me chamar de zé.

Max Gehringer, para CBN.

2015-02-13

Aprenda a ser Chefe: Chefes devem saber reconhecer os talentosos - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 13/02/2015, com a série "Aprenda a ser Chefe", sobre como os times atuais precisam dos talentosos e como uma das obrigações dos chefes é saber reconhecê-los.

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Aprenda a ser Chefe: Chefes devem saber reconhecer os talentosos

time de bois arado

Você certamente já se cansou de ouvir que toda empresa precisa ter um time forte, um time unido, um time vencedor. E isso é muito importante, mas para entender o conceito de time, antes de mais nada é preciso entender de onde veio a palavra "time". Ela existe há séculos e no inglês arcaico significava "puxar".

Por isso, em sua origem, a palavra era aplicada aos bois, que puxavam os arados. Evidentemente, para que o time dos bois funcionasse bem, todos os bois tinham que puxar ao mesmo tempo, na mesma direção e com a mesma força. Naquela época, os bois que demonstravam ter mais vontade que seus companheiros acabavam atrapalhando o time e viravam churrasco.

Foi só no século 16, quando a palavra "time" começou a ser aplicada também a seres humanos que executavam um trabalho em conjunto, que os proprietários de times humanos perceberam que teriam que lidar com uma novidade: o talento. Todo time tem sempre alguém que é mais talentoso que o resto.

Não por acaso, no século 19 os ingleses passaram a chamar as suas equipes de futebol de times, porque os times, para serem vencedores, precisavam dos jogadores esforçados e disciplinados, que garantiam os bons resultados, mas não podiam prescindir dos talentos, que corriam menos e não gostavam de receber ordens, mas podiam resolver a partida com uma jogada criativa e inesperada.

Os melhores times da história, tanto no futebol quanto nas empresas, são os que conseguiram achar um lugar para o talento. E dar a ele, ocasionalmente, a chance de brilhar sozinho.

Por isso, quando um chefe diz, orgulhoso, que nós temos um time unido, é preciso saber em que século ele está pensando. Se no século 16, quando os talentos eram desprezados e todo mundo tinha que ser igual, ou se no século 21, quando uns poucos podem e devem ser diferentes.

Uma das suas obrigações como chefe é a de reconhecer os mais talentosos em seu time e usá-los como exemplo positivo para os demais subordinados.

Max Gehringer, para CBN.

2015-01-14

Aprenda a ser Chefe: Motive o subordinado mostrando o que ele vai ganhar com isso - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 14/01/2015, com a série "Aprenda a ser Chefe", sobre como chefes podem motivar os subordinados.

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Aprenda a ser Chefe: Motive o subordinado mostrando o que ele vai ganhar com isso

motivando equipes

Quando for chefe, você precisará ter uma equipe altamente motivada.

Motivação é uma palavra que significa "um conjunto de boas razões para que alguém resolva se mover do lugar onde está e fazer alguma coisa útil". É isso que a palavrinha latina "movere" queria dizer: mexa-se!

Chefes sabem que precisam motivar os seus subordinados para que eles alcancem os objetivos. A questão é que a lista de motivos dados pelos chefes para que os subordinados se mexam, nem sempre entusiasmam os subordinados.

E isso se deve ao fato, que muitas empresas relutam em admitir, de que os funcionários não trabalham para o sucesso da empresa. Eles trabalham para o sucesso de si mesmos. O seu principal objetivo não é o futuro da empresa, é a construção de seu próprio futuro e a garantia do futuro de sua família.

Por isso, os chefes que melhor conseguem motivar seus subordinados são aqueles que mostram claramente o que o subordinado pode ganhar se tiver mais motivação.

E existem dois tipos de chefes. Os que pregam que o sucesso da empresa poderá resultar no sucesso de cada um, e os que acreditam que o sucesso de cada um é que fará o sucesso da empresa.

No primeiro caso, o recado do chefe é: "trabalhem mais, que um dia, a recompensa virá". E no segundo, o chefe procura maneiras imediatas de reconhecer e premiar os que mais se destacam. Não por acaso, os chefes do segundo grupo são os que constroem equipes mais motivadas.

Você certamente sente isso como subordinado. E só precisa não se esquecer disso quando for chefiar uma equipe.

Max Gehringer, para CBN.

2015-01-09

Sou obrigado a usar o linguajar da empresa? - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 09/01/2015, sobre o linguajar que certas empresas adotam.

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Sou obrigado a usar o linguajar da empresa?

linguagem falada

Um ouvinte escreve: "Comecei a trabalhar em uma empresa grande e famosa. E estranhei o fato de que as pessoas aqui parecem falar outro idioma. Regularmente, são usadas palavras e expressões que eu nunca tinha ouvido em meus empregos anteriores e, sinceramente, eu acho isso meio pedante. E pergunto se sou obrigado a falar assim também?"

Vamos começar pensando porque algumas empresas adotam esse procedimento. Um pouco, como você mesmo mencionou, é por pedantismo, que é a arte de impressionar sem necessidade. Alguém pode dizer que uma tarefa vai durar um minuto ou que ela irá consumir um espaço de tempo equivalente à milésima quadringentésima quadragésima parte de um dia. Ou seja, um minuto.

Recentemente, eu conversava com um executivo de uma empresa grande e famosa, assim como a sua, e ele usou várias vezes o verbo "performar", em frases como "Eu performei acima do target". Até fiquei com a impressão de que ele trabalhasse no ramo de perfumaria. Mas esse verbo existe, tanto em inglês quanto em francês. E adaptá-lo ao português parece dar, a quem o usa, uma impressão de que a empresa em que trabalha é diferente, criativa, avançada.

Eu lhe diria que você não tem obrigação nenhuma em incorporar o linguajar de sua empresa, mas me arriscaria a prever que você o acabará incorporando por osmose, de tanto ouvir as mesmas palavras sendo repetidas todos os dias. Só tome o cuidado de não abusar delas em conversas fora da empresa, para não parecer presunçoso, pretensioso ou performista.

Max Gehringer, para CBN.

2014-12-08

Seja político em empresas com ingerência política - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 08/12/2014, sobre como se destacar em empresas com ingerência política.

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Seja político em empresas com ingerência política

negociação

Um ouvinte escreve: "Trabalho em uma empresa cujos principais dirigentes são nomeados por indicação política. Isso faz com que, a cada mudança de diretoria, surja aquele temor de que possam ocorrer demissões. Como eu posso me destacar no mercado, trabalhando nesta empresa, com um sistema de gestão praticamente inexistente e retrógrada, a ponto de ter mudado a denominação de 'colaboradores' para 'funcionários'?"

Bom, você estava indo tão bem até a última frase... "Colaboradores" vêm do latim e se traduz como "aqueles que trabalham juntos". "Funcionários" também vêm do latim e significa "aqueles que executam uma função". Não há nada de retrógrado, são apenas modismos corporativos.

Quanto ao que interessa, que é a sua colaboração ou funcionalidade, a resposta é simples. Se você está em uma empresa que sofre ingerências da política, você precisa ser político. Quando os gestores mudam, você imediatamente adota como sua a ideologia deles. Se a nova gestão disser que você é um colaborador, você colabora. Se disser que é um funcionário, você funciona.

Basta você olhar aí, à sua volta, para descobrir que há colegas seus que fazem isso com a mesma naturalidade com que trocam os sapatos. E nada disso é novidade, porque a situação que você descreveu vem desde Dom João VI, que não tinha nem colaboradores, nem funcionários, mas ajudantes de ordens.

Como você vê, a terminologia muda, mas os princípios permanecem. E se você discorda deles, eu sugiro que você não critique o capitão. Mude de barco.

Max Gehringer, para CBN.

2014-06-13

Termos equivocados diminuem o leque de oportunidades no mercado de trabalho - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 13/06/2014, com uma ouvinte que se denomina 'comunicóloga' e pode estar tendo dificuldades em arranjar um emprego em sua área por causa do termo que ela usa.

Áudio original disponível no site da CBN. E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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Termos equivocados diminuem o leque de oportunidades no mercado de trabalho

comunicação social

Uma ouvinte escreve: "Sou comunicóloga, com formação e pós-graduação, mas não consigo um emprego em minha área. Trabalho atualmente como auxiliar de escritório, o que me deixa frustrada por ser uma função que eu poderia desempenhar sem ter investido tanto em meus estudos. Estou enviando currículos há mais de um ano e até agora nada, nenhuma resposta. O que você me recomenda?"

Bom, primeiro, que você deixe de usar o termo "comunicóloga". Existem certas aberrações na língua portuguesa no tocante a nomenclatura de carreiras. E essa é uma delas. Você se formou em Comunicação Social, com posterior especialização em algo como Jornalismo, Locução, Publicidade ou Relações Públicas. Utilize então uma dessas palavras, que possa ser entendida de imediato.

O termo "comunicóloga" pode dar a impressão de abrir o seu leque de opções profissionais, mas acaba fazendo o contrário. Ele limita o seu campo de ação, por não mostrar claramente o tipo de emprego que você está procurando.

Dito isso, a área de comunicação social está um tanto quanto saturada no mercado. A válvula de escape para os formandos tem sido a internet, tanto para um emprego fixo, como para trabalhos autônomos. E quando existe saturação, enviar currículos não resolve, como você já percebeu, porque as vagas são sempre preenchidas por indicação.

Sugiro que você retome o contato com seus professores e colegas de curso. Através deles, você poderá obter recomendações e referências. Isso dá bem mais trabalho do que enviar currículos. Mas ainda é o seu melhor caminho.

Max Gehringer, para CBN.

2014-03-13

Curso de sustentabilidade não pode ser o único do currículo - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 13/03/2014, sobre como um curso de sustentabilidade no currículo pode ajudar, ou não, no mercado de trabalho.

Áudio original disponível no site da CBN. E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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Curso de sustentabilidade não pode ser o único do currículo

curso de sustentabilidade

Uma ouvinte pergunta: "Estou pensando em fazer algum curso ligado à sustentabilidade. Isso me daria mais chances no mercado de trabalho?"

Sim, se esse curso for complementar a outro que você já tenha. Se for o único curso que você tiver, as chances diminuem bastante.

No mercado de trabalho existem certos termos que ganham notoriedade durante algum tempo. E sustentabilidade é um deles. Está tão na moda que até virou nome de partido político. O conceito, entretanto, é muito antigo.

Quando eu tinha treze anos, minha mãe me falou: "Vê se estuda bastante pra arrumar um bom emprego, porque não vamos ficar te sustentando a vida inteira." Ou seja, ela já sabia o que era sustentabilidade. Se fosse hoje, provavelmente minha mãe diria: "Meu filho, devido aos nossos escassos recursos domésticos, é vital para o seu futuro que você comece a considerar uma opção sustentável de carreira profissional."

O problema com certas palavras que se tornam chavões e são muito repetidas, é que elas rapidamente se transformam em palavras-chiclete, porque podem ser esticadas em qualquer direção e grudadas em qualquer lugar. Foi assim com empregabilidade há alguns anos. E a sustentabilidade corre o mesmo risco. Em algum momento, irá ficar desgastada pelo uso excessivo e será substituída por outra, embora o conceito original permaneça inalterado e importante.

Então, sim, estude sustentabilidade enquanto a palavra é chamativa. Mas fique atenta às mudanças de humor do mercado de trabalho. Mantenha o seu foco, mas mude o seu discurso assim que ele começar a perder a originalidade.

Max Gehringer, para CBN.

2013-10-11

'Como cobrar algo de meu gerente sem que ele se incomode?' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 11/10/2013, com um ouvinte que quer cobrar o chefe que usa vários termos em inglês corporativo.

Áudio original disponível no site da CBN. E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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'Como cobrar algo de meu gerente sem que ele se incomode?'

inglês corporativo

Um ouvinte escreve: "Meu gerente me informou que eu passaria a ser o seu backup e que havia dado um feedback positivo a meu respeito para RH. Passados três meses, ninguém mais tocou no assunto. Como posso cobrar meu gerente sem que ele se sinta incomodado?"

Bom, se o seu gerente falou em backup e feedback, a melhor maneira de você abordá-lo é out of the box. Como o seu gerente reconheceu que você tem skills para um upgrade, mas não foi adiante no tocante a seu job description, tudo é uma questão de framework.

Você pode começar solicitando a ele uma performance review. E aí, apresentar um report mostrando sua natural inclinação para o teamwork. E, naturalmente, a sua total disposição para um continuous improvement, para o qual você só precisa de empowerment. Finalmente, peça a ele para lhe dar targets, porque afinal, business é business.

Nesse momento, o seu gerente estará altamente impressionado. Porque provavelmente aprendeu a maioria desses termos no MBA que está cursando, mas nunca tinha ouvido alguém usá-los na prática, num dia útil, às nove da manhã.

É bem possível que o seu gerente dê uma enrolada, em português mesmo. Mas lembre-se que na vida corporativa, tudo é um learning process. Não desanime e volte na semana seguinte, porque o mais importante, como você bem sabe, é que he, who doesn't try, doesn't get breastfed. Quem não chora, não mama.

Max Gehringer, para CBN.

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out of the box = literalmente, fora da caixa, se refere a pensar criativamente
skills = habilidades
upgrade = melhoramento
job description = descrição do cargo
framework = sistema, arcabouço
performance review = avaliação de desempenho
continuous improvement = melhoria contínua
empowerment = "empoderamento", delegação de autoridade/poder
targets = alvos, objetivos
business = negócios
learning process = processo de aprendizagem

2013-04-04

'Existem cursos para pessoas tímidas?' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 04/04/2013, sobre pessoas tímidas e como elas podem se comportar numa entrevista de emprego.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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'Existem cursos para pessoas tímidas?'

entrevista de emprego timidez tímida

"Sou extremamente tímida", uma ouvinte confessa. "Depois de uma entrevista de emprego fico pensando nas respostas que poderia ter dado, mas não dei. Por isso, sempre acabo indo mal. Existem cursos para pessoas tímidas?"

Vamos lá. A timidez não é uma doença, nem é um defeito. É um traço de personalidade. A palavra "timidez" derivou da palavra "temor". O tímido tem dificuldade para se expressar porque tem receio da reação dos outros. E a única maneira de combater o medo é com a coragem.

Você pode começar demonstrando um pouco de coragem em sua próxima entrevista. Comece dizendo que você é tímida, que está tentando superar esta dificuldade e que o trabalho que você poderá apresentar será bem melhor do que as respostas que você irá dar durante a entrevista.

Você irá notar, para sua felicidade, que o entrevistador não irá censurá-la por isso, nem irá terminar a entrevista e lhe dizer que detesta gente tímida. Talvez ele mesmo também seja ou tenha sido tímido. Além disso, existem empresas que preferem contratar pessoas introvertidas, porque elas tendem a se concentrar mais no trabalho.

Na maioria dos casos de timidez, a solução não vem de uma vez só. Vem passo a passo. É verdade que para um tímido o primeiro desses passos parece ter um quilômetro. Mas se ele for dado, o passo seguinte terá só 500 metros e irá gradativamente diminuindo.

Finalmente, o número de pessoas tímidas é muito maior do que parece. E você é mais normal do que pensa que é. A história da humanidade está cheia de generais que foram tímidos e mesmo assim conseguiram grandes conquistas. A sua missão é bem mais simples. Você só precisa conquistar um emprego.

Max Gehringer, para CBN.

2013-01-01

'O que podemos esperar de 2013' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 01/01/2013, sobre o que realmente podemos antecipar sobre o novo ano que se inicia, 2013, que dependerá principalmente do nosso tirocínio.

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'O que podemos esperar de 2013'

2013 fogos de artifício

"O que podemos esperar de 2013?", uma ouvinte pergunta. Como essa é uma questão bastante abrangente, vamos separá-la em duas partes distintas. A primeira parte é aquela em que indagamos o que vai acontecer com o Brasil, em termos de economia, política, ecologia e outros temas de pertinente interesse.

Já a segunda parte é aquela que realmente interessa a cada um de nós. Ou seja, o que vai acontecer conosco? Mais especificamente, como este é um comentário sobre carreira e emprego, presumo que a pergunta seria: "O que eu posso esperar da minha vida profissional em 2013?"

Então, boas notícias. Ao contrário da primeira parte, em que diariamente lemos e ouvimos notícias desagradáveis, ficamos indignados e lamentamos que o povo brasileiro não tome uma atitude, algo chamado delegação coletiva de responsabilidade patriótica, a segunda parte é bem mais simples, porque só depende do nosso próprio esforço e tirocínio.

Segundo pesquisas, 89% dos brasileiros imaginam que tirocínio seja algo ligado a armas de fogo ou algum tipo de comida ou remédio ou sei lá. Mas tirocínio está ligado a aprendizado, prática, experiência e capacidade de decidir. Essa simples definição já mudaria a pergunta original de nossa ouvinte para: "O que devo fazer por minha carreira em 2013?" Porque, se na semana passada o trabalho dela não era lá essas coisas, e o chefe dela menos ainda, a única coisa que irá mudar será o algarismo da unidade no numeral do ano.

Resumindo, o que podemos antecipar, com certeza, sobre 2013, é a mesma coisa de todos os anos: agir implica em correr riscos. Esperar dá menos trabalho. E cada um é dono do seu próprio tirocínio.

Max Gehringer, para CBN.

2012-09-18

'Um amigo diz que estou com burnout' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 18/09/2012, sobre o stress e a síndrome do burnout.

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'Um amigo diz que estou com burnout'

stress síndrome burnout copiadora

Uma ouvinte escreve: "Cheguei a um ponto em que não aguento mais. Um amigo me disse que estou com burnout e preciso me tratar. Pergunto: o que seria burnout?"

É um termo inglês, que genericamente significa que todo o combustível já foi queimado. Em uma máquina, bastaria uma simples recarga para que o funcionamento voltasse ao normal. Só que máquinas não passam por problemas emocionais quando o combustível termina. Seres humanos, ao contrário, vão para o estágio seguinte, e muito mais perigoso, da exaustão mental.

Alguns ouvintes perguntarão se isso não é stress. Não. O burnout é a fase seguinte. Um profissional pode se sentir estressado e continuar trabalhando a pleno vapor, porque ele acredita que seu esforço adicional está sendo, ou será, devidamente recompensado. Já quando um profissional está se matando de trabalhar, não tem reconhecimento e não vê perspectivas de melhorar, nem na empresa atual, nem em um possível próximo emprego, vem o burnout. Ou, em outras palavras, quem tem stress ainda acredita em si mesmo. E quem chegou ao ponto de burnout, deixou de acreditar.

Algumas medidas básicas para evitar que o stress vire o fio, são bastante conhecidas: não esticar o expediente todos os dias, não levar trabalho para casa, desligar-se da empresa nos fins de semana, alimentar-se adequadamente e em horário regulares, fazer exercícios físicos, tirar férias, ter pelo menos uma atividade de lazer, dormir bem e acordar melhor. Quem faz tudo isso nunca terá stress. Quem não faz nada disso, mas tem um tremendo emprego, até diz com orgulho que está estressado. O burnout é não se cuidar e não ter qualquer expectativa que compense esse descuido.

O amigo de nossa ouvinte está certo. Quem chega a esse estágio precisa buscar ajuda médica. Porque já decidiu que, sozinho, não aguenta mais.

Max Gehringer, para CBN.