2011-10-06

Filme: Elvis e Madona

À primeira vista, um encontro entre o rei do rock Elvis e a (talvez ex-) rainha do pop Madonna pareceria inusitado. Mas, pensando melhor, os dois até que teriam muitas coisas em comum, fazendo o encontro menos estranho do que a primeira vista soa. Pois bem, isso se aplica também aos personagens homônimos nesta produção brasileira, Elvis e Madona. Aqui, o encontro não é musical, mas amoroso. E também soa inusitado a primeira vista, mas se torna até natural no decorrer do filme. Isso, no entanto, não redime o filme pelos seus defeitos, que não o tornam ruim, mas o tornam muito inferior ao que poderia ter sido.

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Elvis (Simone Spoladore), nascido Elvira, é uma fotógrafa lésbica que trabalha como motogirl entregando pizzas, enquanto não consegue se manter apenas com a fotografia. Madona (Igor Cotrim), nascido Adailton (mas mamãe o chamava de Dadá), é um travesti que trabalha num salão de belezas e faz pequenos shows de drag queen, esperando realizar o sonho de montar uma produção exclusiva sua. Logo em sua primeira entrega de pizza, Elvis se depara com Madona no chão, chorando. Ela acabara de apanhar de João Tripé (Sérgio Bezerra), o bandido da história e antigo caso amoroso da moça (ou moço, tanto faz), que ainda por cima, roubou o dinheiro que Madona estava juntando para financiar o seu tão sonhado show. A partir daí, seguindo a cartilha da comédia romântica convencional, Elvis se aproxima cada vez mais de Madona, eles se apaixonam, ficam juntos e enfrentam vários problemas que ameaçam separar o casal. Realmente fica difícil falar de qualquer comédia romântica sem sentir que estou dando um grande spoiler (e este é o meu segundo texto sobre comédias românticas hoje), mas que culpa tenho eu se a estrutura é sempre a mesma?

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Sim, porque Elvis e Madona no fundo, é uma comédia romântica. Que tem como seus protagonistas personagens inusitados, mas que no fundo, formam um casal como qualquer outro. Inclusive, sendo um mulher e um homem. Se bem que no caso deles, o homem é "a fêmea" e a mulher é "o macho". Nada demais até aí, viva a diversidade! O grande problema do filme é que apesar de ser estruturalmente uma comédia romântica, o filme é meio indeciso (!) quanto a sua orientação de gênero (!). Ele flerta diversas vezes com o drama, criando uma certa expectativa, mas o resultado são dramas rasos e que poderiam nem estar ali (preferencialmente, não deveriam estar ali). Veja, como exemplo, o drama da família de Elvis. O roteiro cria uma imensa expectativa, com os telefonemas da mãe de Elvis (Maitê Proença, numa ponta especial) e o drama familiar é praticamente resolvido em uma cena em que a mãe de Elvis dá um piti e pronto.

Elvis e Madona poderia ter rendido um grande drama, mas preferiu não se aprofundar em alguns temas mais pesados, como por exemplo, a discriminação/preconceito por causa da sexualidade dos protagonistas. Tudo bem, foi uma opção válida do diretor e roteirista Marcelo Laffitte. O problema são as pequenas incursões do roteiro justamente em temas mais pesados, que acabam sendo mal colocados ou tratados levianamente. Um exemplo é quando Madona sobe no palco para apresentar seu show e um rapaz ali pela boate diz algo como "sai daí, viado". Ora, uns planos imediatamente anteriores já deixavam claro que a boate era reduto GLBT (ou LGBT ou qualquer outra combinação da ordem das letrinhas), ou seja, frequentada por homossexuais (o "ursão" seminu andando pela boate deveria deixar isso bem claro pra qualquer um). Se alguém vai xingar algum homossexual, é de se esperar que não o faça num lugar como esse (a não ser que a pessoa seja demente). Outro exemplo, de algo tratado levianamente, é a história do João Tripé vendendo drogas e depois aparecendo solto. Quando ele ameaça Madona por telefone e esta sai atrás de Elvis como louca, é de se esperar alguma consequência mais nefasta. Que não aparece.

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Além de ter errado a mão na parte dramática (talvez até por receio de mexer em temas tão delicados, o que é compreensível, mas não perdoável para o filme), o diretor Laffitte também encontra dificuldade no timing da comédia. Os personagens auxiliares dos protagonistas (no caso de Elvis, o pessoal da pizzaria onde trabalha, e no caso de Madona, as companheiras do salão de beleza) até tentam exercer o papel cômico destinado a eles, mas não são todas as piadas que se encaixam. Em muitos casos, você até percebe a intenção de fazer piada num diálogo, mas a graça não vem. Veja, por exemplo, a primeira cena passada no salão, quando uma personagem menciona o seu namorado Pachecão e a cliente na cadeira confunde esse Pachecão com uma outra travesti que colocara silicone na bunda. O diálogo é claramente construído para ser engraçado, mas tanto o contexto (as meninas acabaram de descobrir que Madona fora roubada e esmurrada) quanto o desenrolar da cena acabam com qualquer lado cômico. Outro exemplo é quando Elvis está fazendo um trabalho freelancer (freela, para os íntimos) fotografando o book de uma garotinha. O diálogo da mãe é claramente cômico, mas como a cena se torna séria (com Elvis fotografando João negociando drogas ao fundo), as piadas no texto não funcionam.

Entretanto, Elvis e Madona também tem seus bons momentos cômicos, a maioria liderada pelo jeito espalhafatoso/afetado de Madona e de sua (ou seu, whatever) fiel escudeiro(a) Bill (Wendell Bendelack). A dupla de viados (como elas mesmas se denominam), tem um ótimo astral e diálogos afinados, o que se traduz em boas risadas (o que é fundamental numa comédia romântica, certo?).

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Aliás, o ponto forte de Elvis e Madona sem dúvida é a atuação de Igor Cotrim. Sua Madona é verossímil ao mesmo tempo que fabulesca (provavelmente, devido a natureza do estereótipo alegre que acompanha diversas travestis do show biz). Reparem, por exemplo, quando Madona "se disfarça" de Adailton para conhecer a família de Elvis. Os trejeitos, as poses, tudo, é como se lá houvesse uma mulher (com a alma de uma, num corpo de homem). É de fato uma atuação tão boa, que até mesmo a estranheza inicial que a figura de Madona nos transmite (afinal, não é a coisa mais padrão do mundo uma mulher alta e com bíceps maiores que o seu), se desfaz com algumas cenas de Cotrim, e passamos realmente a acreditar que vemos uma personagem feminina.

Infelizmente, apesar de eu ser fã da Simone Spoladore, a atuação dela não se encontra no mesmo nível. Talvez culpa da caracterização pedida pelo diretor, talvez não, mas o fato é que enquanto Madona é verossímil, Elvis, pelo menos na primeira metade do filme, é exagerado. Demais. Over, como diriam alguns. Por exemplo, o gesto dele, de dar uma espécie de mini soco no ar quando fica feliz por ter conseguido algo com Madona, por exemplo, é acompanhado por um efeito sonoro característico. O resultado fica parecendo de desenho animado e definitivamente, não contribui para a caracterização da personagem. Há ainda o tique de Elvis de jogar o cabelo para trás (como se o Elvis do rock alisasse sua cabeleira de brilhantina), especialmente quando está "na caça" (de olho em alguma fêmea). Esse gesto é repetido tanto, à exaustão, que cansa. (Se bem que o gesto em si não deixa de ser interessante, visto que Elvis procura se masculinizar toda, seja no jeito, na voz, na postura e nas roupas, e o gesto de passar a mão no cabelo demonstrando interesse sexual é algo tipicamente feminino, ainda que esteja masculinizado pela teórica passada de mão no topete "Elvis Presley".) Porém, se Spoladore é prejudicada pelos trejeitos de Elvis, ela ainda consegue mostrar que é uma grande atriz em pequeninos gestos, como virar o rosto e olhar para baixo ao revelar o seu nome de nascença Elvira, demonstrando desprezo, ou então no jeito como ela olha para Madona depois de se declarar apaixonada.

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Elvis e Madona tem um clima meio "fabulesco", como um conto de fadas moderno. Isso é notado não só pelos personagens principais, que são bem exagerados, como em certos momentos que transbordam um toque de surreal. Só assim para explicar, por exemplo, a cena em que Elvis aparece como uma anja (na boate, ao bater fotos, jogando o flash para cima da câmeram que assume o ponto de vista de Madona, vemos asas de anjo atrás de Elvis, que na verdade pertencem à garçonete atrás dela). Outro momento que fica claro o clima irreal é no final, onde o show deve continuar, mesmo depois do clímax mostrado (SPOILER ATÉ O FINAL DO PARÁGRAFO: sim, o show de Madona prossegue, mesmo depois do Pachecão matar o João Tripé na fileira principal do teatro; dane-se que tem um morto ali, o que importa é a fila de gente querendo entrar no teatro... FIM DO SPOILER).

Apesar das falhas, Elvis e Madona têm também bons acertos. Os stablishing shots (planos que servem de transição, para mostrar onde a ação se passa, ou como o tempo passou), como fotos de Elvis, são um toque criativo e bacana. A direção de arte também é boa, especialmente nos detalhes das decorações dos apartamentos dos protagonistas. Reparem como o de Madona é rosa, vivo, cheio de enfeites e decorações, enquanto o de Elvis é cinza, meio escuro e simples, quase sem adereços decorativos, o que expressa muito bem a personalidade de cada um. As músicas e suas letras também são uma extensão da narrativa, e apesar de eu não apreciar os gêneros musicais que tocam no filme, elas cumprem bem a sua função.

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Apesar do bairrismo exagerado pelo bairro onde se passa o filme, (Oh, Copacabana é o mundo, tudo acontece em Copacabana primeiro, Elvis e Madona só poderiam ter se encontrado em Copacabana, etc), é uma história que poderia ter se passado em qualquer outra grande cidade. Considerando-se, claro, que fosse algo tão fantasioso quanto a Copacabana do filme.

Enfim, Elvis e Madona é uma comédia romântica em clima de conto de fada, ou seja, algo irreal. E o diretor não tem vergonha disso, aliás, assume isso como parte integrante do filme, ao iniciá-lo e terminá-lo com claquetes abrindo e fechando a película. Apesar desse lado de fábula, o filme flerta bastante com dramas bastante pé-no-chão. E essa indecisão atrapalha bastante o desenvolvimento do filme, mas não chega a estragá-lo. Porque mesmo que estejam longe de serem perfeitos, os personagens principais são cativantes e valem a pena serem conhecidos.

Trailer:



Para saber mais: crítica no Omelete e página oficial do filme Elvis e Madona.

P.S. Como eu não poderia gostar de um filme que tem a Simone Spoladore de cabelos curtos e que, ainda por cima, tem cenas mostrando os lindos seios dela? Sim, temos cenas de sexo entre Elvis e Madona, nada pornográfico (apesar de Madona ser conhecida desse meio), mas bem interessante, com peitos de sobra (se bem que eu só gosto mesmo de um par deles)...

Filme: Amizade Colorida

Olhem só como as coisas são. Depois de dividirem a cena (e a cama) em Cisne Negro, Natalie Portman e Mila Kunis estrelaram comédias românticas com temas muito parecidos (idênticos, de fato): a possibilidade de haver sexo entre amigos, sem "melar" a relação de amizade (ok, sendo comédia romântica você já sabe o que acontecerá). Se na cerimônia do Oscar deste ano quem brilhou foi Portman, nestes filmes foi o contrário. Enquanto Portman estrelou o fraco Sexo Sem Compromisso, Kunis se deu muito melhor neste Amizade Colorida (ou Friends With Benefits, no original), um filme que rende boas risadas e não agride o espectador com melado (só com um pouquinho de açúcar).

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Em Amizade Colorida, Dylan (Justin Timberlake) dirige um blog (!) de sucesso e por isso, é contatado pela headhunter (recrutadora de talentos, se você for tupiniquim fanático), Jamie (Mila Kunis), para assumir um posto na badalada revista GQ. Apesar da proposta implicar uma grande mudança geográfica para ele (de Los Angeles para Nova York), ele topa e se muda para a cidade da grande maçã. Novo na cidade, Jamie se torna a melhor amiga dele, e vice-versa. Numa noite, depois de assistirem a uma comédia romântica (e travarem excelentes diálogos irônicos criticando esse gênero), Dylan propõe que eles façam sexo, como uma coisa puramente física ("como jogar tênis"). Sem cobranças de relacionamento amoroso, sem sentimento, apenas o bom e velho sexo. Jamie topa e é óbvio o que vai acontecer, por isso, me poupo de escrever mais sobre a história do filme no geral.

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Assim como a popularização dos amigos com benefícios, o filme é extremamente contemporâneo. Por um lado isso pode deixar o filme datado daqui a uns cinco anos ou mais (outro fenômeno contemporâneo, a velocidade das coisas, faz com que algo fique datado em cinco anos, meu deus!). Entretanto, por outro lado, é muito divertido ver todas as referências da cultura pop e acontecimentos atuais pipocando na tela, desde o fenômenos dos flashmobs (e temos dois no filme, um logo no início, na Times Square), a referência ao piloto que pousou um avião no Rio Hudson e salvou dezenas de passageiros, passando pelo PlayStation Move de Jamie, até os apps de iPhone/iPad (app da Bíblia, app pra ver se ela "está naqueles dias"), e as interfaces de toque, que iniciam o filme (mostrando o trabalho de Dylan numa tela gigante) e fecham a projeção (ao subir dos créditos, brincando com os nomes).

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Na primeira vez que vi os nomes dos atores que protagonizariam Amizade Colorida, admito que fiquei com um pé atrás, por causa de Timberlake. Apesar da sua atuação ter sido boa em A Rede Social, isso poderia ter sido atribuído à direção de David Fincher. E o seu trabalho seguinte em Professora Sem Classe fora tão caricato que achei que Amizade Colorida seria uma bomba do mesmo tamanho. Mas felizmente, eu estava enganado. Timberlake continua com alguns maneirismos (e se foi ideia do diretor Will Gluck que o personagem de Timberlake deveria cantarolar, essa foi uma muito equivocada), mas no geral, ele equilibra bem os momentos em que tem que ser caricato (momentos cômicos) com algumas cenas mais dramáticas (resolvendo seus problemas familiares). Kunis também entrega ótima performance, mesmo que seja difícil para os cuecas imaginarem alguém dando o fora numa beldade dessas.

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O roteiro de Amizade Colorida, escrito por David A. Newman, Keith Merryman e Will Gluck (também diretor), não foge dos clichês do gênero comédia romântica (repare, por exemplo, que sempre os personagens principais têm coadjuvantes cômicos, no caso Woody Harrelson como o amigo gay de Dylan e Patricia Clarkson, como a mãe maluquinha de Jamie). Apesar disso, mesmo usando uma estrutura clichê, o roteiro surpreende com diálogos ótimos. A conversa sobre comédias românticas, já citada, com Dylan analisando a estrutura e os truques dos filmes, como as músicas bregas para cada situação ou a música melosa, mas animada (e que nada tem a ver com o filme) nos créditos finais, é um ótimo exemplo disso.

No geral, o bom humor impera no filme, exceto no arco final, que tem uma pegada mais romântica. Essa quase obrigatoriedade de ser mais romântico, mais dramático, acaba enfraquecendo o filme e fortalecendo os clichês. Por exemplo, as melhores cenas de sexo (nada muito explícito no filme inteiro) são as do início. Jamie ensinando uma lição oral a Dylan é ótimo. Já na cena de "amor" entre os dois, mais para a frente, com direito a música calculadinha (oh ironia) e até uma lua no céu, acaba soando falso demais. Assim como a estação de trem no filme dentro do filme (que tem ótimas pontas canastronas de Rashida Jones e Jason Segel).

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Amizade Colorida tem também uma boa direção de arte. Os monitores/TVs exibem sempre imagens que têm uma ligação com o que se passa no filme, seja o site em que Dylan trabalha, seja num filme exibindo quatro pessoas na cama quando Jamie se questiona sobre sexo, ou até mesmo a carruagem passando ao fundo do Central Park quando Jamie e sua mãe discutem sobre príncipes encantados em carruagens. Aliás, apesar de no começo do filme a personagem de Mila Kunis dizer que levará o personagem de Timberlake para conhecer a Nova York além dos guias turísticos, o filme é pontuado por diversas imagens de guia turístico, tanto de NY quanto de Los Angeles. Estranhamente, alguns desses planos aparecem com uma fotografia diferente, mais granulada, como se fossem feitas com câmeras caseiras. O efeito não é muito bem explorado, entretanto.

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Tenho que admitir. Gostei bastante de Amizade Colorida. O clima leve e agradável do filme (mesmo que dramatize um pouco mais no final), junto com o bom humor do roteiro e boas atuações, fazem com que este seja uma comédia romântica diferente das usuais. Não pela ausência dos clichês, mas pela qualidade com que os explora. Entre sexo sem compromisso e amizade colorida, escolha a amizade.

Trailer:



Para saber mais: crítica no Omelete.

As foto manipulações digitais surreais e bizarras de Robert Gligorov

Robert Gligorov é um artista que nasceu na Macedônia, mas atualmente vive na Itália. O seu trabalho busca sempre chocar o espectador, sacudindo-o para fora da letargia.

Como artista, Gligorov usa diferentes meios como escultura e instalações, mas seu trabalho é sobretudo baseado em fotografias e manipulações digitais destas. O resultado são imagens surreais, por vezes chocantes, por vezes bizarras. Vejam:

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Pele de galinha.

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Peixinhos dourados... na boca.

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Tronco com vida.

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Octopus vs. Pássaro

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Asa.

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Mergulhador.

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Explosão de couve-flor.

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Divina pomba e sombra.

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Notas musicais.

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Olhar de peixe.

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Mais uma comparação cigarro e armas.

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Suástica feita de armas.

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O beijo. (Um amante de cachorros, literalmente.)

Se você não achou o trabalho de Gligorov tão chocante assim, saiba que talvez as imagens menos apropriadas para menores do seu portfólio podem fazê-lo mudar de ideia. Reuni algumas delas neste outro post no Andarilho's NSFW - As foto manipulações digitais eróticas e pornográficas de Robert Gligorov.

Imagens via site de Robert Gligorov. Dica via Trendland.

'Preciso que alguém me diga que estou correndo o risco de ficar embolorado' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 07/10/2011, com a história de um ouvinte que tem um bom emprego, mas que precisa se preparar melhor para não correr o risco de perder o emprego.

UPDATE: O responsável pelo site da CBN trocou as bolas e publicou este comentário, do dia 7, ontem (dia 6), e não publicou o comentário do dia correto. Então, pode-se dizer que este post foi a frente de seu tempo. ;) O site já foi corrigido.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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'Preciso que alguém me diga que estou correndo o risco de ficar embolorado'

quem mexeu no meu queijo embolorado

Uma consulta bem diferente e bem humorada de um ouvinte. Ele escreve o seguinte: "Estou numa situação confortável. Tenho 18 anos de empresa e nunca tomei nenhum susto. Ocupo um cargo de supervisão, nada assim que vá me fazer ser entrevistado por alguma revista de negócios, mas os meus superiores sempre me dão carinhosos tapinhas nas costas, e me dizem que está tudo bem, é isso aí, continue assim.

Já sei que não vou sair da função em que estou, porque não tenho estudo suficiente para subir mais um degrau. Mas isso nunca me preocupou. Preciso que alguém me diga que estou correndo o risco de ficar embolorado. E tenho a impressão que você irá me dizer isso."


Humm. Mais ou menos. Se você tem em mente uma mudança de emprego, eu lhe diria que essa não seria uma boa ideia. Muitos ouvintes gostariam de poder escrever exatamente o que você escreveu: que eles têm um emprego estável, numa empresa atenciosa, e sem maiores problemas de pressão ou de relacionamento.

Mas eu lhe diria que a falta de estudo pode ser um sério inconveniente. Talvez não agora, mas daqui a cinco ou dez anos. O mercado de trabalho é dinâmico e meio imprevisível. Se algo acontecer com a sua empresa e você eventualmente ficar sem emprego, encontrará muitas dificuldades para conseguir outro emprego semelhante ao atual.

Os jovens que ingressam em empresas estão cada vez mais bem preparados e mais ambiciosos. E apenas a sua experiência prática talvez não seja suficiente para você competir com eles por uma vaga.

Então eu sugiro que você faça algum curso de especialização na área em que você atua, ou um curso de informática ou que aprenda um idioma. Mais do que se preparar para conseguir outro emprego no futuro, você estará bem melhor preparado para segurar aquele que você já tem.

2011-10-05

A evolução do homem, rumo ao combustível, por Ahmed Mater

O artista Ahmed Mater tem uma ligação íntima com a questão de combustíveis fósseis (também conhecido como petróleo). Além de ser dependente dele como todos nós, o artista nasceu na Arábia Saudita, na fronteira com a Jordânia, uma região que está sempre envolvida com o óleo negro.

Tendo cursado medicina, Mater desenvolve muitas de suas obras usando imagens de raio-X, como é o caso desta sua série, intitulada Evolução do Homem. Nela, o artista mostra uma imagem (de raio-X) de um homem apontando uma arma para a cabeça, se transformando gradualmente numa imagem de bomba de posto de gasolina. Vejam:

ahmed mater evolução homem raio-x posto gasolina

ahmed mater evolução homem raio-x posto gasolina

ahmed mater evolução homem raio-x posto gasolina

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Uma interessante reflexão sobre combustíveis fósseis e como o homem se relaciona com ele: um tiro na própria cabeça.

Imagens via site de Ahmed Mater. Dica via Foresight.

O que fazer quando recebemos uma proposta de uma empresa concorrente? - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 05/10/2011, sobre o que fazer quando receber uma proposta de uma empresa concorrente.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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O que fazer quando recebemos uma proposta de uma empresa concorrente?

concorrentes

"Pergunto qual é a melhor atitude a tomar quando recebemos uma proposta de uma empresa concorrente?", escreve um ouvinte.

Vamos lá. Antes de pensar se você deve ou não conversar com o seu chefe, você precisa estar convencido de que a proposta vale a pena. Portanto, ainda sem o conhecimento da sua empresa, você pode aceitar o convite para uma entrevista inicial, na qual irá saber o que lhe está sendo oferecido, em termos de função, de salário e de oportunidades futuras de crescimento.

É importante que nessa primeira entrevista você faça as perguntas que precisa fazer. Muitos candidatos somente respondem às perguntas feitas, e o resultado acaba sendo apenas a marcação de uma nova entrevista. Por isso, ao final da primeira, não tenha receio de dizer ao entrevistador que você gostaria de ter mais informações antes de continuar no processo. Se o que você ouvir não lhe agradar, agradeça e esqueça o assunto.

Mas digamos que você gostou do que ouviu. E sentiu que há boas possibilidades de dar um salto na carreira. A minha sugestão é que você fique calado até que a conversa se transforme em uma proposta concreta. O risco de abrir o jogo antes disso depende muito da cultura da sua empresa atual. Algumas empresas são liberais, mas a maioria considera que o simples fato que um funcionário ter ido escutar a proposta de um concorrente já é um caso de traição em primeiro grau.

Eu também sugiro que você não revele a nenhum colega de trabalho, nem mesmo aquele mais chegado, que você está em negociações com a concorrência. Essas notícias se espalham rapidamente, e a pior das situações seria você ser chamado por seu chefe para confirmar se o boato é verdadeiro. Aí, em vez de um emprego na mão e um voando, você poderá acabar com as duas mãos abanando.

Max Gehringer, para CBN.

2011-10-04

Sim e não na escultura anamórfica de Markus Raetz

Sim ou não. Yes ou No. A resposta sempre depende do ponto de vista. E nesta escultura anamórfica do escultor Markus Raetz, isso é mais do que verdade.

Dependendo do ponto de vista, a palavra formada é Yes (Sim) ou No (Não). Vejam:

markus raetz escultura anamórfica sim não yes no

markus raetz escultura anamórfica sim não yes no

markus raetz escultura anamórfica sim não yes no

markus raetz escultura anamórfica sim não yes no

Imagens via. Dica via Colossal.

Não dispense nem mantenha os antigos só porque são antigos - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 04/10/2011, sobre os mais antigos na empresa.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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Não dispense nem mantenha os antigos só porque são antigos

trabalhador antigo

"Espero que você possa me dar uma orientação", escreve um ouvinte que é dono de uma empresa e relata o seguinte caso: "Tenho um funcionário que está completando 70 anos. Ele começou na empresa quando tinha 30 e poucos anos, e portanto, já se tornou parte da paisagem. Obviamente é aposentado, mas insiste em continuar trabalhando.

Ele não é particularmente querido dentro da empresa, pelo contrário. Arrumou encrencas com muita gente por ser teimoso, mas sempre foi trabalhador e dedicado. O problema é que ele não tem mais condições de executar o seu trabalho, por questões de saúde. E eu estou sem coragem para dispensá-lo, embora racionalmente, essa fosse a decisão que eu deveria tomar. Já ofereci a ele uma gratificação para sair e a extensão do plano de assistência médica. Mas ele não aceitou. O que mais você me sugere fazer?"


Bom, uma vez eu ouvi de um sábio chefe, uma frase exemplar: não dispense os antigos só porque eles são antigos, mas não mantenha os antigos só porque eles são antigos.

O que eu tentei fazer foi sempre demonstrar aos mais antigos de casa que eles não seriam dispensados em função da idade, desde que se atualizassem e se mantivessem produtivos. Quando o trabalho exigia um esforço físico e mental acima da capacidade, eu propunha uma transferência para um serviço menos exigente.

O que eu nunca fiz, mas teria feito, seria pagar o salário de um funcionário antigo para que ele ficasse em casa. Isso poderia ser oferecido ao funcionário do nosso ouvinte. Caso ele não aceite, a minha sugestão ao nosso ouvinte é: não faça nada. Deixe que o tempo se encarregue da situação. Não é a solução ideal, mas é a única que não lhe causará, num futuro próximo, um remorso que você já decidiu que não deseja ter.

Max Gehringer, para CBN.

2011-10-03

O PJ postiço - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 03/10/2011, sobre o contratado como PJ que é na verdade, um funcionário efetivo.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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O PJ postiço

pessoa jurídica puzzle

Na semana passada fiz um comentário sobre a modalidade PJ, o profissional autônomo que presta serviço a uma ou mais empresas e recebe o seu pagamento através da emissão de notas fiscais. Vários ouvintes atentos me escreveram para lembrar que um PJ deve cumprir certos requisitos para ser PJ. Caso contrário, ele é um funcionário efetivo disfarçado de PJ, e futuramente poderá requerer seus direitos na Justiça do Trabalho.

É verdade. Existe o PJ real e o PJ postiço. Essa segunda modalidade é uma maneira da empresa contratar um funcionário efetivo como PJ, economizando dessa maneira encargos e benefícios previstos por lei.

E o que é um PJ postiço? É aquele que dá expediente integral numa empresa, cumprindo os mesmos horários que os empregados efetivos, sofre descontos por faltas e atrasos, e tem um chefe direto que é funcionário da empresa. Se um dia, o PJ postiço entrar com uma reclamação trabalhista pedindo férias, décimo-terceiro, fundo de garantia e outros benefícios que a empresa concede aos efetivos, ele ganha a causa.

As empresas sabem disso? Sem dúvida. Todas sabem. Mas elas correm o risco imaginando que apenas uma minoria de PJs irá entrar na Justiça. E que mesmo perdendo essas causas, no fim haverá uma razoável vantagem financeira para a empresa.

Quero esclarecer também que nem todo PJ postiço é um coitadinho que foi iludido em sua boa fé. Muitos entendem que a remuneração oferecida como PJ é conveniente e preferem fazer esse tipo de acordo. Porém, a Justiça do Trabalho não leva em conta o acerto mútuo entre a empresa e o PJ, mesmo que o acordo seja bom para as duas partes.

Em resumo, há empresas que correm riscos. E há PJs postiços satisfeitos com a relação de trabalho que escolheram. Porém, do ponto de vista legal, ambos estão na contra-mão.

Max Gehringer, para CBN.

As pinturas borradas de Lars Teichmann

O artista alemão Lars Teichmann pinta suas telas usando quase sempre tons monocromáticos, onde impera o preto e branco. As suas pinturas são fascinantes, ao mesmo tempo impondo uma certa opressão e até mesmo depressão, devido ao clima soturno, mas também mostrando uma certa sensualidade nas formas não nítidas, "borradas", que se destacam sobretudo pela textura do pincel do artista. (Ou talvez seja apenas eu e minhas manchas Rorschach dizendo que ando vendo sacanagem em tudo.)

De qualquer maneira, veja e tire as suas próprias conclusões:

lars teichmann pintura

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Imagens via site de Lars Teichmann. Dica via Beautiful/Decay.