2010-07-07

A obscura e surreal arte nas foto-montagens de Erlend Mørk

Erlend Mørk, residente na Noruega, trabalha com fotos e montagens. Seu trabalho tem aquele quê de beleza que encontramos no meio da escuridão, do caos e do desespero (sem ter que recorrer a fórmulas de luz no meio da escuridão). Talvez seja mais perturbador, mas o surrealismo de algumas de suas peças me lembra um pouco o trabalho de Dave McKean, o ilustrador e desenhista das capas de Sandman (de Neil Gaiman).

erlend mork,fotografia,dark
celebrium

erlend mork,fotografia,dark
do you trust yourself with your dreams?

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end credits

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dystopium

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fuckedness

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birthmark

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motten-dämmerung

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unknowing

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melancholy

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house of discord

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the good seed

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sinn an sich

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the phantom mechanics

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narrentraum

Imagens em alta resolução no site do artista: Erlend Mørk. O interessante é que algumas fotos têm comentários, e outras ainda têm fotos com pedaços da imagem detalhadas.

Dica via Empty Kingdom.

'Após 10 anos, continuo no mesmo cargo e com o mesmo salário' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 07/07/2010, sobre um empregado que foi ficando e agora não sabe o que fazer.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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'Após 10 anos, continuo no mesmo cargo e com o mesmo salário'

paralisado parado no tempo
Uma mensagem cujo gênero eu não sei definir bem, mas vamos lá. Escreve um ouvinte:

"Eu sou aquele tipo de funcionário que 'foi ficando'. Quando eu tinha 18 anos, um parente me concedeu um emprego na empresa dele, e eu fui ficando. Vi novos funcionários sendo contratados, e outros sendo promovidos, e eu fui ficando. Quando decidir fazer uma faculdade, meu patrão-parente me propôs um horário flexível, para que eu pudesse conciliar o trabalho e o estudo. Depois que me formei, achei que devia esse favor a meu patrão-parente, e não aceitei propostas que recebi para mudar de emprego. Fui ficando.

Agora, tenho 29 anos e continuo mais ou menos na mesma situação em que estava quando comecei. O mesmo cargo e o salário apenas corrigido pelos índices de inflação. O que mudou é que ninguém mais me vê como alguém capaz de fazer mais do que eu faço. E eu não tenho recebido respostas quando mando currículos. Até entendo que uma empresa ficaria com um pé atrás ao ler o currículo de alguém que tem quase 30 anos e passou 10 anos sem sair do lugar. Será que meu destino é esse mesmo, o de ir ficando? Até quando?"


Bom, posso lhe dizer que não existe destino no mercado de trabalho. Isso é coisa de exoterismo e não de profissionalismo. O que aconteceu é que você acordou depois de 10 anos, avaliou a sua situação e decidiu que ela é insustentável.

Mas, você também acertou na conclusão. Seu currículo não vai despertar interesse, pelos fatores que você mesmo mencionou.

Há outro aspecto a considerar: 10 anos de ajustes mínimos significam um bom reajuste acumulado. Muito provavelmente, o seu salário neste momento está acima da faixa de seu cargo no mercado de trabalho. O que, se não é um risco agora, será se você continuar ficando.

Você teria que conversar com seu parente-patrão e pedir uma oportunidade interna, qualquer uma, em qualquer setor, mesmo sem aumento salarial. Vale mais a pena você tentar primeiro essa opção, do que partir para um emprego pior com um salário menor.

O que você precisa é acreditar que pode fazer mais do que faz, e só irá conseguir isso tentando mostrar que realmente pode.

não demore muito para ter essa conversa, senão o tempo continuará passando e voce continuará ficando.

Max Gehringer, para CBN.

2010-07-06

Indie Hearts

Adoro essa foto:

light music indie hearts

Simples assim.

Via FFFFound.

Devo comunicar que procuro um novo emprego? - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 06/07/2010, sobre se o empregado deve comunicar à empresa que ele talvez saia.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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Devo comunicar que procuro um novo emprego?

procurando emprego
Uma pergunta que se repete com constância em mensagens de ouvintes é esta: "Devo comunicar à minha atual empresa que estou procurando outro emprego?" Ou "Devo avisar que estou prestando concurso público?" Ou "Devo alertar que pretendo fazer um intercâmbio de um ano no exterior?"

Eu já comentei esse tema, mas não custa voltar a ele, dado o número de consultas. Evidentemente, os ouvintes que fazem essas perguntas têm algo em comum: eles apreciam as empresas em que trabalham. Se não apreciassem, não estariam preocupados com o que a empresa iria pensar se eles pedissem a conta.

Outro aspecto é que esses ouvintes estão mencionando uma probabilidade, e não um fato consumado. Procurar um emprego não significa achar um. Prestar concurso não significa passar. Ter um plano para um intercâmbio ainda não é uma decisão. Isso quer dizer que mencionar esses fatos enquanto eles ainda estão no terreno das hipóteses, pode gerar consequências não muito agradáveis.

Para entender, basta se colocar no lugar do chefe. Se um subordinado lhe disesse que tem planos para deixar a empresa, você, como chefe, faria o que? Agradeceria a sinceridade, e diria que caso ele não saia, nada irá mudar? Ou começaria a tomar providências imediatas? A maioria dos chefes pensa da mesma forma. Quando eles ouvem "pretendo sair" eles entendem "estou saindo" e já partem em busca de um substituto. Aí, quem tinha um emprego na mão e um voando, pode ficar sem nenhum.

Além disso, empresas têm amor próprio. Elas não gostam de ouvir um empregado dizer que lá fora existem oportunidades melhores. Pode até ser verdade, mas profissinalmente há verdades que não trazem nada de positivo quando são ditas, e essa é uma delas.

Finalmente, carreira profissional é uma coisa que diz respeito a cada um. Não é necessário que um funcionário diga à empresa, por exemplo, que vai estudar chinês. Ele estará fazendo isso por sua carreira e seu futuro.

Pedir demissão também é algo que diz respeito a cada um. A empresa deve ser comunicada no momento decisivo e da maneira correta, como determina a lei. Exatamente, da mesma maneira que a empresa faz quando decide demitir um empregado. Essa é a regra do jogo. Uma demissão é sempre uma decisão unilateral.

Max Gehringer, para CBN.

2010-07-05

Tudo Pode Dar Certo - Cenas - parte 2

Mais algumas cenas deste filme memorável, Whatever Works. A primeira parte você está neste link.

spoiler alert

Pode conter spoilers.

tudo pode dar certo,whatever works,screenshots

Se eu tivesse que comer nove porções diárias de frutas e vegetais para viver, não ia querer viver. Odeio essa droga de frutas e vegetais.
E Omega 3, esteira, eletrocardiograma, a mamografia, o ultrasom pélvico e, ai, meu Deus, a colonoscopia!
E, mesmo assim, ainda chega o dia em que te colocam em um caixão.

Hedonismo já!

tudo pode dar certo,whatever works,screenshots

- Estou morrendo!
- Como assim?
- Estou morrendo!
- Devo chamar uma ambulância?
- Não! Agora não! Não essa noite! Mas me refiro a um dia!
- Boris, todos morrem.
- Isso é inaceitável!

Panic Attack!

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- Boris, você quer ser enterrado ou cremado?
- Não quero mesmo falar sobre isso, certo?
- Acho que quero ser cremada.
- Quer calar a boca, cretina?
- Não há vermes.

Eu também prefiro ser cremado. Depois que morrer, de preferência.

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O amor, apesar do que dizem, não vence tudo. Nem mesmo costuma durar. No final, as aspirações românticas da nossa juventude são reduzidas a... ao que pode dar certo. Entendeu?

Whatever works.

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- Você tem que ficar atenta a assassinos em série.
- Ele não é um assassino em série. Pelo menos, ele não mencionou isso.

Eles sempre se esquecem.

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- Não acho que seja uma boa idéia.
- Sonhei com você à noite passada. Eu..
- Não use essa frase. Boris disse que sonhou comigo à noite passada. E realmente duvido, é matematicamente impossível para mim estar em dois sonhos ao mesmo tempo.

Realmente, como ir contra o raciocínio de Melody?

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- Obrigado. Vou valorizar esse elogio.
- Meu Deus.
- O que está pensando?
- Entropia.
- Entropia?

Um filme que cita entropia depois de um beijo tem que ser bom.

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- Sim, mas eu cresci. Cresci muito. E, principalmente, por sua causa.
- Sim, é verdade. Fui muito paciente com sua ignorância fenomenal.

Paciência e gentileza não são a mesma coisa.

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- Deus é gay.
- Ele não pode ser. Ele fez o universo todo perfeito. Os oceanos, o céu, as lindas flores, árvores em toda parte.
- Isso mesmo. Ele é um decorador.

Argumento incontestável.

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É por isso que não me canso de dizer, qualquer amor que possa receber e dar, qualquer felicidade que possa se apropriar ou fornecer, cada breve gesto gentil, o que funcionar, está valendo.

Mais uma vez: Whatever works.

tudo pode dar certo,whatever works,screenshots

E que ninguém se engane, nem tudo depende da genialidade humana. A maior parte de sua existência é mais sorte do que gostaria de admitir.

Interessante como Woody Allen aborda a "sorte" aqui. Uma visão mais apurada sobre o tema ele faz no filme Match Point.

O estilo de liderança de Dunga - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 05/07/2010, sobre o estilo de liderança do (ex)-técnico da seleção brasileira, Dunga.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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O estilo de liderança de Dunga

técnico dunga gritando
Pois é. Perdemos. Estamos fora da Copa. Essa semana não haverá meio dia livre para torcer pela seleção. A produtividade será melhor, mas o humor será pior.

Nestes dois dias, vários ouvintes me escreveram, criticando o estilo de liderança do técnico da seleção. Alguns chegaram a compará-lo com os piores tipos de chefes que existem no mercado de trabalho: os chefes autocráticos que não ouvem opiniões alheias e que dão preferência a funcionários sem imaginação e cumpridores de ordens.

De minha parte, eu só lamento que aquilo que a Copa do Mundo tem de melhor, ela também tem de pior: o período de quatro anos entre duas edições. Por um lado, isso aumenta exponencialmente a emoção. Por outro lado, em nenhuma empresa um gol contra só poderá ser reparado se for dali a quatro anos.

Mas, se eu posso usar algo que aprendi em empresas, esse algo é que não adianta procurar culpados para um fato que não pode mais ser corrigido. Pode-se e deve-se, usar o erro em si, como um ponto de partida para um novo plano de ação, evitando que o mesmo erro seja cometido.

Mas em futebol, o que normalmente acontece numa derrota, é apontar rapidamente alguém que possa carregar a culpa. Em uma empresa, quando alguém comete um erro, é despedido, ou pede a conta. E a direção irá encontrar um substituto que não incorra no mesmo tipo de erro.

O técnico Dunga foi a resposta da direção para a falta de vontade de 2006. Esse erro não foi repetido em 2010.

E agora, como o novo técnico será escolhido? Quais são os critérios para selecionar o treinador mais aceitável dentre dezenas de potenciais candidatos? Ninguém sabe. A escolha é feita por meia dúzia de senhores numa sala fechada. A CBF não é um órgão do governo, e nem é uma empresa privada que tenha que dar satisfações a seus acionistas. Ela só se torna pública porque lida com a paixão dos torcedores.

Mas no fim, os senhores da CBF sabem que tudo sempre acabará sobrando para um única pessoa: o técnico. Se ele ganha, é gênio. Se não ganha, não tem perdão. O técnico também sabe disso, e está disposto a ganhar e a pagar por isso.

Essa é a diferença entre trabalho e futebol. Quando se lida com a razão, sempre existe uma explicação correta. Quando se lida com a emoção, todas são, e nenhuma é.

Max Gehringer, para CBN.

2010-07-04

Não é fácil conviver com a grandeza

Mais um screenshot do filme Tudo Pode Dar Certo. Uma das razões pelas quais eu não atraio muita gente ao meu redor:

tudo pode dar certo,whatever works,screenshots

Sou uma alma profunda e sensível com um conhecimento enorme da condição humana.
Era inevitável que você finalmente se cansasse de ser tão grosseiramente sobrepujada.
Não é fácil conviver com a grandeza, até para alguém de inteligência normal.

Entendo o Boris totalmente, hahaha.

2010-07-03

Filme: Flor do Deserto

Certas histórias do mundo real se parecem mais com contos de fadas, ou mesmo filmes feel good de Hollywood. Se contarmos a história de Waris Dirie resumidamente, certamente ela se encaixará nesta categoria: de filha de nômades na Somália, passando por faxineira em uma lanchonete em Londres, até o estrelato como modelo internacional, e reconhecida ativista dos direitos femininos. Entretanto, a vida não é um conto de fadas. E a história desta mulher, evidentemente com glamour, mas também com muito sofrimento e drama, é contada no filme Flor do Deserto, (ou Desert Flower, o título internacional do filme).

filme flor do deserto waris dirie poster cartaz
O filme é baseado no livro autobiográfico, de mesmo nome, da ex-modelo e ativista Waris Dirie. Flor do Deserto é o significado do nome "Waris", na língua da Somália. Um significado que condiz muito com a carreira de modelo, mas que não traduz todas as agruras pela qual essa flor teve que passar, para desabrochar.

Filha de nômades na Somália, Waris (que adulta é interpretada pela modelo etíope Liya Kebede), ainda quando criança, mais precisamente aos 3 anos de idade, sofreu o que eu descrevo como uma barbárie, mas muitos intelectualóides podem descrever como um rito cultural, algo chamado levemente de circuncisão feminina. Que na realidade é algo bem mais brutal e mutilador do que a tradicional circuncisão, tão praticada entre os judeus: a retirada do clitóris da mulher ainda criança, bem como de seus lábios vaginais, terminando com uma costura que praticamente fecha a genitália feminina. Um ritual que além de mutilar, ainda provoca milhares de mortes (sobretudo por infecções), devido às condições precárias em que ele se realiza, tendo o corte das partes da menina sendo feito (sem qualquer esterilização) por meio de lâminas como o "gilete" que a gente usa pra barbear.

filme flor do deserto waris dirie
No início de Flor do Deserto, vemos Waris ainda menina mas um pouco mais velha, cuidando da criação de cabras, enquanto nasce um filhote de uma delas. Estas cenas iniciais nos mostram a dureza da vida dos nômades na Somália, ao mesmo tempo em que servem de vitrine para a ótima e bela fotografia da natureza africana. Então, corta para Londres, com Waris já adulta. A câmera a acompanha dentro de uma loja, em uma sequência intencionalmente confusa: a diretora Sherry Horman, que também assina como roteirista, com isso, nos passa a confusão e dúvidas da própria personagem.

E é nesta loja que Waris acaba conhecendo Marylin (Sally Hawkins), uma vendedora aspirante a bailarina. Com pena, Marylin acaba ajudando Waris, mesmo sem entender o que realmente se passa com ela (apenas sabe-se que está pobre e definitivamente precisa de ajuda). Com o tempo, nasce uma amizade entre as duas, ao mesmo tempo em que ficamos sabendo mais sobre a situação atual de Waris.

filme flor do deserto waris dirie
Aos poucos, Waris começa a se ambientar, em conjunto à vida de Marylin. Numa ocasião, Marylin a leva para uma boate, onde Waris se encontra com Harold Jackson (Anthony Mackie, de filmes como Guerra ao Terror), quando pinta um clima. Mas, a forte repressão a que Waris foi submetida ainda a afeta, e numa reação praticamente de estresse pós-traumático, Waris foge. E essa sequência de cenas culmina numa cena tão emocionante quanto dramática: a cena em que Waris descobre que o que fizeram a ela quando criança não é algo exatamente normal (pro mundo, de forma geral).

filme flor do deserto waris dirie
A vida de Waris sofre uma grande mudança quando ela é "descoberta" pelo famoso fotógrafo de modelos, Terry Donaldson (Timothy Spall), enquanto trabalha como faxineira numa lanchonete. Começando uma carreira de modelo, o principal entrave para ela agora é a sua situação de imigrante legal. E por aí vai a história, até culminar com o ativismo da modelo contra o brutal ritual mutilador a que são submetidas as meninas na Somália (e em alguns outros países que compartilham o costume).

Se no tempo presente de Flor do Deserto vemos Waris lutando em Londres, é por meio de flashbacks que ficamos sabendo todo o caminho que Waris percorreu até chegar à grande cidade. Ao todo, são três grandes flashbacks, que também servem como marcadores de arcos da história dela. Imagine que em uma vida, todos temos muitas histórias, ou arcos de histórias. Em uma vida fascinante como a de Waris, era de se esperar que houvessem vários destes arcos. Apesar de extremamente interessantes, ainda assim é um pouco cansativo num filme, ter tantos arcos assim. A quantidade de "mini-clímaxes" na história poderia arruinar o filme, mas a colocação dos flashbacks entre os arcos da vida adulta de Waris, faz com que esse problema se amenize bastante. Uma excelente saída.

filme flor do deserto waris dirie
Apesar disso, ainda em relação aos arcos, o filme ainda tem um defeito substancial, na minha opinião. O último arco da história de Flor do Deserto é sobre o ativismo de Waris contra a mutilação das jovens meninas. Entretanto, a passagem para este arco, ou seja, o desenvolvimento da personagem até este ponto de sua vida, é mostrada meio aos pulos, numa sequência envolvendo o interesse romântico Harold Jackson. Já bem sucedida na carreira, uma pequena cena a mostra em sua casa, tão vazia quanto a "alma" dela agora. Por isso, ela parte em busca do "amor" que conhecera na boate. Quando ela o vê com outra (que mais para a frente descobrimos que é apenas companheira de quarto dele), ela sai correndo. Clichêzinho básico de comédia romântica, mas que é tão desnecessário quanto não funcional. Aliás, não li o livro por isso pode ter acontecido como foi mostrado, mas todo o desenvolvimento desse interesse romântico soou falso demais no filme. Ainda mais que é só depois disso que o ativismo dela surge no filme, como se fosse um substituto para o "amor".

filme flor do deserto waris dirie
As atuações do filme estão excelentes. Liya Kebede realmente convence como Waris, mesmo este sendo apenas o seu terceiro papel (não considerando os Victoria's Secret Fashion Shows), e primeira vez como protagonista. A química dela com Sally Hawkins, que faz a amiga Marylin, é notável. Hawkins (de filmes como Simplesmente Feliz), que já é uma premiada atriz, consegue tanto demonstrar alegria e ser um excelente alívio cômico em alguns momentos, quanto demonstrar profundas emoções nas cenas dramáticas. A cena, que já citei, em que ela e Kebede mostram seus corpos (não explicitamente para a câmera, mas uma para a outra) e descobrem o que tem de errado com Waris, é excelente.

A menina que interpreta a Waris ainda jovem, Soraya Omar-Scego também está excelente, eu diria até espetacular. Neste aspecto, a diretora merece muito os parabéns. Além da ótima atuação dos atores profissionais, muitos dos retratados na "parte Somália" do filme não são sequer atores.

filme flor do deserto waris dirie
Vale mais uma vez, mencionar a fotografia do filme, muito boa. Fora a já mencionada paisagem africana, e todas as cenas passadas ali (especialmente as cenas da jornada de Waris pelo deserto), destaque também para a fotos de Waris como modelo. São lindas, do tipo que eu colocaria aqui no blog. ;) Ressalto ainda a cena em que é feita a transição da Waris jovem para a adulta, já interpretada por Kebede, é muito boa.

filme flor do deserto waris dirie
Se em uma ou outra cena, a diretora Sherry Horman perde a mão (por exemplo, no segundo flashback, quando exagera em querer emocionar, mostrando o avião de Waris partindo e o irmãozinho dela cuidando das cabras), no geral Horman consegue manter o filme num nível ótimo. As cenas que focam a barbárie da mutilação genital, por exemplo, são fortes como deveriam ser, mas não são visualmente explícitas. É a velha técnica usada por Se7en, em que não mostrar pode ser tão ou mais perturbador do que mostrar.

filme flor do deserto waris dirie
Enfim, Flor do Deserto não é a história de um conto de fadas. Mas é a história de uma mulher. Que poderia não ter sido, mas que de um jeito (milagroso, talvez), foi. E que, na sua jornada, ajudou a mostrar ao mundo que o significado de ser mulher pode ser doloroso demais, cruel demais, bárbaro demais. E que não precisa ser assim.

Trailer:



Para saber mais: site oficial (em inglês) de Flor do Deserto. Tem interessantes comentários da diretora, do produtor e da própria Waris Dirie.

Propagandas vencedoras em Cannes 2010

Algumas das muitas propagandas vencedoras do prêmio em Cannes:

Chocolate com uísque:

propagandas,cannes
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Bebês bêbados babam bacana.

Quando seu bebê dorme, você dorme como um bebê:

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Dê os chocolates acima, eles vão cair direto.

Terror e mais terror:

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Filmes de terror pra ambientalistas.

Quanto mais cedo você anunciar lá, melhor:

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Não é só beleza, feiúra também vende.

Não fale ao celular com alguém que está dirigindo:

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Trânsito e celular não combinam.

Amigo da onça:

propagandas,cannes
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Preparando o amigo com catchup.

Para mais propagandas, visite o Fresh Pics.

2010-07-02

Isso é um clichê

A maneira como o filme Tudo Pode Dar Certo "se desculpa" pelos seus clichês é genial:

tudo pode dar certo,whatever works,screenshots

- Isso é um clichê.
- Muito bem, Melody. Você aprendeu.
- É que você sempre fica irritado quando eu os uso.
- É, eu não deveria. Às vezes um clichê é a melhor forma de se expressar um ponto de vista.

Boris dando uma lição de como explicar os próprios clichês.

A dificuldade de emprego na área ambiental - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 02/07/2010, sobre empregos na área ambiental.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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A dificuldade de emprego na área ambiental

engenharia ambiental
Recebi uma consulta coletiva. São 23 formandos em Engenharia Ambiental, que criaram uma rede social e continuam se comunicando. A mensagem que eles enviaram é a seguinte:

"Nós concluimos o curso de Engenharia Ambiental faz um ano e meio. Passados dezoito meses, nenhum de nós está empregado em nossa área de formação. Quinze estão trabalhando, mas em funções que nada têm a ver com o curso. Quatro estão tentando concursos públicos, até agora sem sucesso. E outros quatros se recusam a admitir que é melhor ter um emprego do que não ter nenhum, e por isso, continuam enviando currículos para tentar uma vaga na área ambiental. Perguntamos se fizemos uma escolha errada, se somos um bando de azarados, ou se a área ambiental realmente não é considerada relevante pelas empresas."

Bom, as grandes empresas, públicas e privadas, têm preocupações ambientais, e montaram áreas específicas para isso. Já a quase totalidade de médio e pequeno porte, que perfazem mais de 90% das empresas brasileiras, não possuem ainda, áreas ambientais.

Embora o meio ambiente ganhe muitos e merecidos espaços na mídia, a quantidade de empregos gerados é bem inferior ao número de formandos. O curso é ótimo, tanto em propósito quanto em conteúdo. E o setor ambiental é muito atrativo, porque ele tem a ver com o anseio de muitos jovens, de ajudar a tornar o mundo melhor.

Porém, fica a dica que anseio e emprego são duas coisas bem distintas. Ao escolher um curso, qualquer curso, é necessário pesquisar se o mercado de trabalho irá absorver os formandos. Para fazer isso, basta uma pergunta: Quantas pessoas que eu conheço, trabalham nessa área? Se a resposta for nenhuma, esta já é uma clara indicação de que seria conveniente pensar melhor antes de tomar a decisão de fazer o curso.

Max Gehringer, para CBN.

2010-07-01

Matar uma mosca com uma bala de canhão

Você já deve ter escutado (ou não) a expressão "matar uma mosca com uma bala de canhão", usada pra exemplificar quando temos uma solução enorme para um problema bem pequeno.

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Com certeza, essa soldado conhece o dito popular. E tem até um mata-moscas rosinha!

Câmeras no escritório: desconfiança e invasão de privacidade? - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 01/07/2010, sobre câmeras no escritório.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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Câmeras no escritório: desconfiança e invasão de privacidade?

big brother corporativo
Recebi mensagens de dois ouvintes de cidades diferentes, reclamando da mesma situação. As empresas em que eles trabalham, instalaram câmeras no escritório. Elas não apenas captam a imagem, mas também o som ambiente. Um ouvinte pergunta se isso é desconfiança. E outro pergunta se isso não configura invasão de privacidade.

Muito bem. Assim como nossos dois ouvintes, e possivelmente como a quase totalidade de nosso ouvintes, eu também não gostaria de ser vigiado eletronicamente. Mas uma coisa é o que a gente gostaria, e outra coisa é o que a empresa poderia.

Voltando aos tempos antigos, os escritórios eram enormes salões abertos. As mesas dos funcionários eram dispostas de maneira a que o chefe, que se sentava de frente para eles, pudesse manter o olho em todo mundo, durante todo o tempo.

O que mudou de lá para cá foi a tecnologia. Em vez do chefe presente, as câmeras levam o som e a imagem para um lugar remoto, onde alguém, se é que existe alguém fazendo isso, pode manter todo mundo na mira.

Vamos começar pela pergunta sobre a privacidade. Empresas podem instalar câmeras no local de trabalho. A privacidade é respeitada nos sanitários, e não nas mesas do escritório ou no chão de fábrica.

E agora a pergunta sobre desconfiança. O objetivo da empresa é observar se todos os funcionários estão fazendo aquilo que estão sendo pagos para fazer. O simples fato de existir uma câmera já faz com que ninguém se arrisque a ficar batendo papos intermináveis ou a ficar falando longamente ao celular.

Vou assumir que nas empresas de nossos dois ouvintes, nada disso ocorre. Nelas, todo mundo é compenetrado e ninguém enrola. Nesse caso, as câmeras funcionam a favor de todos, e não contra. Se um novo funcionário for contratado e não quiser entrar no ritmo dos demais, ele será flagrado e perderá o emprego.

Repito que eu também não gostaria de virar personagem de um Big Brother corporativo, mas a legislação faculta às empresas, observar o que seus empregados fazem durante o expediente. Um caso semelhante e já comentado aqui, é que as empresas podem xeretar os emails que seus empregados recebem ou mandam.

Este é o século 21. No mais das vezes, a tecnologia funciona a nosso favor, e facilita as nossas vidas. Mas de vez em quando, ela já não é tão benvinda.

Max Gehringer, para CBN.

Cuidado, diabéticos.

Vídeo com alta dose de fofura e melosidades. Mesmo.



Não lembra um pouco a Amélie? Só sei que não entendi nada da história, mas fiquei encantado com essa francesinha.

Via Sedentário & Hiperativo.