'Fui preterido pela terceira vez a uma promoção no meu trabalho'
"Por duas vezes", escreve um ouvinte, "fui passado para trás em promoções, porque não tenho diploma de curso superior. No ano passado, o meu gerente me prometeu que se eu entrasse numa faculdade, a próxima vaga seria minha. Pois bem, comecei a cursar administração no começo deste ano, e na semana passada tive a surpresa de ser preterido pela terceira vez. Um colega, com menos tempo de empresa que eu, mas com curso superior completo, foi o escolhido.
Meu gerente me explicou que ainda estou no começo do meu curso e eu preciso ter um pouco de paciência, porque a minha hora vai chegar. Eu lembrei meu gerente da promessa que ele havia feito, mas ele desconversou e afirmou que de fato tinha me prometido uma promoção, mas não a primeira promoção que surgisse. Estou me sentindo injustiçado e enganado. O que devo fazer?"
Bom, eu não vou afirmar que você não ouviu exatamente o que pensou ter ouvido, mas essa é uma possibilidade.
A segunda possibilidade é que seu colega que foi promovido realmente reune mais condições que você, para ocupar o cargo neste momento, e por isso, ele foi o escolhido.
A terceira possibilidade é que seu gerente lhe fez a promessa que você ouviu. Mas a decisão da promoção não dependia só dele, e alguém com mais poder que ele, melou o processo. Nesse caso, para não ter que atribuir a culpa a um superior, o seu gerente decidiu absorver o golpe sozinho.
Mas o que eu lhe sugiro é não se precipitar. Se você está numa boa empresa e tem uma chance concreta de vir a ser promovido em breve, pedir a conta já não é recomendável, até porque a função que você se candidataria em outra empresa, seria a mesma que você tem agora. Você estaria trocando seis por meia dúzia, só que o seis tem mais possibilidade de tornar nove, do que a meia dúzia.
Porém, eu sugiro que você atualize o seu currículo e também a sua lista de contatos. Vá se preparando para trocar de emprego, mas por enquanto, dê um crédito de confiança ao seu gerente. Se você vier a ser novamente preterido, aí sim será hora de sair. Mas não saia sem ter outro emprego já arrumado, porque aí você estaria trocando uma situação desconfortável por uma situação imponderável.
Wayne Barlowe é um artista/ilustrador de Nova York. Além de pinturas, ele também tem uma veia de contador de histórias, pois muitas de suas ilustrações vem acompanhadas de textos e histórias muito interessantes.
Além de fazer ilustrações para livros e revistas, Barlowe também publicou vários livros. Se no início de sua carreira a inspiração era mais voltada ao universo de ficção científica, em 1999 ele lança o livro "Barlowe's Inferno", onde explora o universo criado por Dante em sua Divina Comédia, mas de maneira bastante particular.
O resultado são pinturas de um inferno vivo e pulsante, no sentido infernal da coisa. Abaixo, alguns de seus trabalhos, bem como alguns textos (traduzidos/adaptados) que os acompanham:
Hannibal e seu exército.
Sargatanas - Um ex-serafim e agora um General de Brigada e Grande Demônio de enorme poder, Sargatanas foi um herói na guerra de Lúcifer contra o Céu. Desde sua queda, ele se estabeleceu como um dos poucos demônios capazes de rivalizar com o Príncipe (Lúcifer) pelo controle do Inferno.
LUCIFUGE
Beelzebub's Keep.
Abaddon do Abismo.
Salamandrine man - habitantes originais do Inferno, muito antes da Queda dos demônios e do Inferno ser populado pelos amaldiçoados. Lutadores ferozes, tribais e semi-nômades, caçando Abissais e travando uma constante batalha contra não apenas os extremos elementos das terras áridas, mas também contra demônios e almas.
Succubus.
As Ruas de Dis - Dis, a capital do Inferno, uma metrópole com muitos milhões. Um emaranhado de ruas além de qualquer contagem, as artérias da cidade estão entupidas com gangues de almas perdidas e demônios de todas descrições.
Comunhão profana.
O que resta - Mesmo o Inferno sendo um lugar de horror e selvageria implacáveis, é também um lugar de tristeza. O que além da tristeza, um ser uma vez do Céu, poderia sentir, se encontrando em tal ambiente? E o que ele poderia possuir de mais amargo, do que um lembrete de sua existência passada, na forma de uma pena sua chamuscada, de antes da Queda?
Imagens originais, bem como outros trabalhos interessantes, no site oficial de Wayne Barlowe.
'Quais dificuldades vou encontrar como consultor?'
Escreve um ouvinte: "Tenho 45 anos, uma vasta experiência acumulada em empresas e estou pensando em me tornar consultor. Gostaria de saber as dificuldades que vou encontrar e quanto posso ganhar."
Então vamos começar pelo que provavelmente mais lhe interessa: quanto você poderá ganhar. Nos três anos iniciais, cerca de cinco mil reais por mês, em média, porque consultor não tem rendimento fixo. "Só isso?", você perguntaria, porque provavelmente já ouviu falar de consultores que faturam os tubos. É verdade, mas eles começaram faturando tubinhos. O tempo e os resultados concretos são fatores importantes para um consultor se firmar na carreira.
Mas dinheiro a parte, você está exatamente na mosca das estatísticas. É entre os 40 e os 50 anos que a maioria dos profissionais parte para uma consultoria. Ou porque perderam o emprego e não encontram outro similar, ou porque já perceberam que uma carreira de consultor poderá gerar uma sobrevida profissional de algumas décadas.
No quesito dificuldades, a maior será encontrar o primeiro cliente. Pense como se você fosse um empresário ou um diretor de uma empresa. Se você está cogitando contratar uma consultoria, daria a preferência a quem já é conhecido no mercado ou foi recomendando por um colega que utilizou os serviços de um consultor, ou arriscaria contratar alguém que nunca prestou consultoria antes? É por isso que a maioria dos consultores iniciantes começa prestando serviços a empresas em que eles já trabalharam.
Outro ponto importante é que você precisará se tornar conhecido. E poderá fazer isso de várias maneiras, não excludentes, enviando emails a empresas, escrevendo um livro, oferecendo palestras gratuitas a associações de classe, por exemplo.
E finalmente, você precisará ter paciência para lidar com rejeições. Primeiro, porque não será fácil conseguir entrevistas com aqueles profissionais com poder de decisão que poderão vir a contratá-lo. E segundo, porque de cada dez apresentações que você fizer, nove resultarão em respostas negativas.
Dito tudo isso, e antes que você possa pensar que eu o esteja desestimulando, permita-me dizer que eu apoio inteiramente a sua decisão. Em minha opinião, a consultoria autônoma será a grande profissão do século 21.
Existem filmes cujo trailer mostra praticamente todo o filme. Você assiste o trailer e já sabe o começo, o meio e o fim do filme, especialmente se for um filme de gênero, como uma comédia romântica. Este é o caso de Coincidências do Amor (ou The Switch no original). E existem filmes cujos trailers, mostrando o que há de melhor no filme, sejam piadas ou cenas de ação, são mais empolgantes, e até mesmo melhores do que os próprios filmes. Felizmente, este não é o caso.
Coincidências do Amor nos apresenta a história dos melhores amigos nova-iorquinos Wally (Jason Bateman) e Kassie (Jennifer Aniston). Amigos há muito tempo, Wally há muito deixou de ser um interesse romântico para Kassie, passando para a chamada "zona de amizade". Entretanto, isso parece não chatear muito Wally, que tem na amiga, um ouvido para suas neuroses e acessos de hipocondria (e se essa descrição parecer com outro certo personagem, digamos que Wally é muito mais light). Kassie, uma mulher madura, sentindo que o relógio (biológico) faz cada vez mais rapidamente o tic-tac, decide ter um filho, mesmo sem ter encontrado um companheiro romântico para essa empreitada (a mesma motivação de outra Jennifer, Lopez, no recente Plano B).
Entretanto, Kassie não quer um doador anônimo, e acaba "comprando a sementinha" de Roland (Patrick Wilson). Numa festa organizada para celebrar a futura gravidez (na qual ela usaria o esperma depois da festa), Wally, visivelmente perturbado (porque apesar de não admitir nem para si mesmo, é óbvio que ele gosta de Kassie e como qualquer homem, fica enciumado de ver a mulher que ama tendo um bebê com outro, nem que seja só o sêmen do outro), Wally fica bêbado. E, depois de estragar o esperma de Roland acidentalmente (ou nem tanto), ele em sua embriaguez, decide repor o conteúdo no potinho. Com o seu próprio conteúdo. ;) Entretanto, por causa do porre, Wally acaba não se lembrando de nada no dia seguinte.
Logo após a confirmação da gravidez de Kassie, ela acaba se mudando. E, sete anos depois, volta a Nova York, trazendo o filho Sebastian (Thomas Robinson). Na reunião com o velho amigo Wally, este começa a reparar que o pequeno Sebastian tem uma certa similaridade com alguém que ele conhece. Bem, o resto da história, é bem previsível, seguindo alguns passos básicos do gênero de comédia romântica.
Como eu já disse uma vez, uma comédia romântica pode ter mais acentuado o seu lado cômico ou o seu lado romântico. No caso de Coincidências do Amor, sem dúvida, o foco é no lado romântico. Não exatamente no romantismo meloso, mas um romantismo mais filosófico, quase que voltando-se para o drama. Por exemplo, temos a cena de abertura do filme, em que o personagem faz um discurso em narração sobre a solidão, as pessoas sem um amor e a dificuldade de se encontrar uma alma gêmea, mesmo que paradoxalmente vivamos rodeados de gente em grandes cidades, isso tudo enquanto é mostrado pessoas sozinhas, mas rodeadas de outras pessoas, no metrô. De certa forma, tão melancólico quanto este tumblr com o qual me reparei hoje: Table for One.
Se o filme tem seus momentos tristes (e a coleção de molduras de Sebastian certamente acaba se provando um deles), o tom do filme é um tom leve. Certamente não é uma comédia pastelão de dar gargalhadas, mas rende alguns bons momentos em que não é difícil abrirmos um sorriso. E isso é em grande parte graças ao trabalho do menino Thomas Robinson, que vive Sebastian. Muito bem dirigido, o menino se mostra no filme meio apático e um neurótico júnior, bem como o seu papel requere, o que junto com o personagem de Bateman, rende alguns dos melhores momentos, como o "jantar vegetariano". Fora, claro, o fator "fofura" do moleque, afinal, a maioria dos seres humanos adora uma criancinha de olhos grandes que lembram bebês.
E falando em atuações, Jason Bateman está muito bem em Coincidências do Amor. Mesmo não sendo um neurótico tão bom quanto um mestre como Woody Allen, ele convence no papel. Aliás, essa provavelmente é uma escolha consciente, não deixar o seu personagem cômico demais, explorando sua natureza neurótica e hipocondríaca em demasia. Seu olhar de "perdido no meio de um tiroteio" consegue nos passar muito do seu personagem, sem precisar de muitas falas. Ele é a verdadeira estrela do filme, apesar de seu nome vir depois do de Jennifer Aniston. Que entrega uma boa atuação, sem ser brilhante, mas eficaz. Jeff Goldblum, num pequeno papel de alívio-cômico-amigo-do-protagonista está ótimo, mesmo que suas passagens sejam breves. Já o seu equivalente feminino, Juliette Lewis, que faz o papel de amiga-muleta-cômica-da-protagonista, exagerada ao extremo, remete a mais vergonha alheia do que risadas.
Escrito por Allan Loeb, baseado num conto de Jeffrey Eugenides, Coincidências do Amor tem um ótimo texto. Além das passagens mais "sérias", como a narração no começo e no fim do filme (apesar de ser um pouco piegas, mas que amor não o é?), alguns diálogos são memoráveis, como quando Wally e Kassie discutem o que ela gostaria num homem, e ela manda a clássica resposta "senso de humor". Ou então na piada meio que intraduzível: "Did you just use my name as a verb?".
Dirigido por Josh Gordon e Will Speck, Coincidências do Amor certamente é uma comédia romântica diferente, mas ainda assim, igual. Diferente porque aborda alguns assuntos de maneira sensível, realista (a solução que leva ao happy ending - o tempo -, por exemplo, é uma das mais realistas que já vi). Mas igual porque segue toda a estrutura clássica e mantém os mesmos elementos já vistos na longa lista de comédias românticas. O que não é nenhum demérito, pois citando outro personagem neurótico e hipocondríaco, às vezes, "um clichê é a melhor maneira de se expressar".
'Acho que ocuparia o cargo do meu gerente com vantagens, o que fazer?'
"Faz quatro meses", escreve uma ouvinte, "que meu gerente recebeu uma proposta melhor e mudou de emprego. Informalmente, até que a empresa contratasse um novo gerente, eu recebi a incumbência de tocar o setor. Não me passou pela cabeça que eu pudesse vir a ser promovida, porque eu achava que ainda não tinha condições para isso. O processo durou mais do que a empresa imaginava, mas finalmente um novo gerente foi contratado, faz três semanas.
E aí, começaram as minhas inquietações. Esse novo gerente, além de ser apenas dois anos mais velho do que eu, entende muito menos do que eu, do trabalho que fazemos. E o bom ambiente que tínhamos está se esfacelando, porque o novo gerente se isolou na sala dele e pouco conversa conosco. Neste momento, eu tenho a certeza de que poderia ocupar o cargo dele, com vantagens. Conclusão: estou desmotivada e meio deprimida. Não sei se converso direto com o diretor, ou se procuro outro emprego, ou se não faço nada e finjo que não estou nem aí."
Bom, das três opções, a primeira, que é pular o gerente e ir falar com o diretor, é a menos recomendável. Se o diretor, que deve ter sido o responsável direto pela contratação do novo gerente, não estiver satisfeito, ele descobrirá isso sozinho e rapidamente. Ir conversar com ele apenas soaria como uma crítica à capacidade dele de avaliar candidatos.
A segunda opção, a de procurar outro emprego, é válida. Mesmo que você não esteja segura de que realmente deseja sair, sondar o que o mercado oferece é sempre um exercício saudável para a carreira.
A terceira opção é a pior de todas. Se o novo gerente não é o bom profissional que você esperava, isso não lhe dá o direito de se tornar uma profissional pior do que você era antes.
A quarta opção, que você não mencionou, é continuar demonstrando, cada vez mais, as suas qualidades. Se você foi informalmente nomeada uma vez, isso significa que você deve ser a primeira da fila quando uma nova oportunidade surgir e o diretor decidir dá-la a alguém de dentro da empresa.
Você está vivendo uma situação passageira. Se o seu gerente for mesmo ruim como você está dizendo, ele não irá durar muito. Porém, se ele durar, a sua avaliação inicial da situação é que talvez esteja errada. O melhor que você pode fazer agora é dar um tempo ao seu gerente e a você mesma.
Não existe emprego perfeito, nem empresas que só tenham defeitos
A consulta de hoje renderia um tratado de psicologia.
Num período de 12 anos, um ouvinte passou por cinco empresas e atuou em três áreas diferentes. Todas essas mudanças de emprego foram ocasionadas pelo fato de que sempre que entrava numa empresa nova, o nosso ouvinte chegava à conclusão de que a empresa anterior era melhor. Aí, ele mudava outra vez, em busca do ambiente que tinha anteriormente, mas sem encontrá-lo.
Segundo o nosso ouvinte, o melhor emprego que ele teve foi exatamente o primeiro. Porém, por ser o primeiro, ele não tinha referências e imaginava que haveria coisa muito melhor no mercado. Resumindo, o nosso ouvinte vive constantemente buscando o que já tinha e não soube apreciar ou valorizar.
Eu acredito que esteja ocorrendo com nosso ouvinte, no campo profissional, algo que ocorre com a maioria de nós, no campo pessoal. Quando nos recordamos de nossos tempos de criança, tendemos gradativamente a ir isolando apenas a parte boa. Muito tempo depois, estamos falando com nostalgia daqueles bons tempos que não voltam mais, como se eles tivessem sido um encadeamento de momentos felizes, sem preocupações e nem chateações.
Mas, com um pequeno esforço de memória e uma dose de sinceridade, vamos acabar nos lembrando que não era bem assim. Nós achávamos que a escola era um martírio, nossos pais não nos deixavam fazer o que queríamos, tínhamos coleguinhas chatos e irritantes.
Da mesma forma, o nosso ouvinte não vai encontrar o que procura, enquanto estiver procurando algo que não existe mais, e que talvez nem tenha existido na prática.
O primeiro emprego sempre deixa saudade, por ser uma experiência nova. Os primeiros chefes pareciam ter uma dimensão humana e profissional muito maior do que realmente tinham. Aos poucos, na medida em que o tempo passa e a carreira avança, vamos descobrindo que não existe um emprego perfeito, e nem uma empresa perfeita. Mas também aprendemos que não existem empresas que só têm defeitos e que só contratam pessoas ruins.
O que nos faz continuar progredindo é a nossa capacidade de adaptação ao momento em que vivemos, e não a busca pelo momento que imaginamos ter vivido.
Pode-se acusar o diretor Roman Polanski de muitas coisas (muitas mesmo), mas não de ser alguém que se deixa influenciar por modas passageiras ou pelo zeitgeist vigente. Prova disso é seu mais novo filme, O Escritor Fantasma (ou The Ghost Writer, no original), que respira um filme clássico com um flerte no noir, mas que acaba prometendo mais do que entregando.
No filme, Ewan McGregor é o escritor fantasma do título, um escritor que ganha a vida escrevendo livros que não levam seu nome como autor, notadamente, biografias. A autoria do livro geralmente é atribuída a própria pessoa retratada. Logo no começo do filme, já recebemos uma boa ideia do que se trata a trama: o escritor fantasma da biografia de Adam Lang (Pierce Brosnan), ex-primeiro ministro britânico, morre num acidente em circunstâncias estranhas. Para substituí-lo, entra o escritor de McGregor. Para fazer o trabalho, ele acaba convivendo com Lang e sua esposa Ruth (Olivia Williams), juntamente com sua equipe, liderada pela assistente Amelia Bly (Kim Cattrall), enquanto o ex-primeiro ministro enfrenta graves acusações. Neste convívio, o escritor irá conhecer melhor os personagens desta peça, enquanto ele mesmo acaba se tornando uma das peças na engrenagem.
Pode-se dividir O Escritor Fantasma em duas partes. A primeira não envolve o mistério propriamente dito. Nesta parte o que temos é o desenvolvimento dos personagens de Brosnan, Cattrall e sobretudo, Williams. E, conforme o escritor vai se envolvendo com eles (e, por conseguinte, nós espectadores também), ele vai deixando de lado seu papel de mero espectador e relator (como quando ele escreve uma nota/discurso que depois ele vê no jornal, suas próprias palavras), e tomando parte da história, sem entretanto, nunca deixar de ser o escritor fantasma (que, para enfatizar tal fato, nunca tem o nome revelado).
Mesmo que esta parte envolva mais drama do que mistério, o diretor Romanski investe num clima de mistério, usando uma fotografia cinzenta, locações extensas e desertas, e sobretudo, a música antecipando algo ainda por vir.
E então, lá pelo meio do filme, enfim começa realmente a trama de mistérios, envolvendo a morte do escritor fantasma antecessor de McGregor, bem como desdobramentos que podem (ou não) ter a ver com as acusações que Lang enfrenta. Mistérios que remontam ao começo da carreira política do personagem de Brosnan, e que são grandiosos o bastante para envolver mais de um país.
Se O Escritor Fantasma tem um acerto, ele é a direção dos atores e atrizes. Ewan McGregor está (como de costume) excelente, demonstrando dúvida e apatia, como o personagem pede. Brosnan, que tem um grande lado canastrão, se dá muito bem como o ex-primeiro ministro Adam Lang, misturando charme diantes das câmeras da mídia, com rompantes atrás dela. Olivia Williams, linda mesmo envelhecida para o papel, também está excelente. E Cattrall, mais conhecida pela sua perua em Sex and the City, está quase irreconhecível como a secretária executiva de Lang.
Entretanto, se O Escritor Fantasma tem um erro, ele é a construção da tensão em torno do mistério principal do filme, envolvendo o livro. Apesar de já sabermos desde o início que tem algo de misterioso com o livro (o personagem de McGregor anuncia logo no início da película que "foi o livro que o matou" - se referindo o seu antecessor), a trama envolta dele demora a se tornar mais concreta, só acontecendo quando McGregor acaba encontrando algo nas coisas de seu antecessor.
E além de demorar a acontecer (e a cara de tédio de McGregor ao ler a primeira versão do manuscrito do livro pode ser uma boa analogia para o filme), a tensão é construída muito lentamente, deixando o ritmo um tanto quanto arrastado. Mesmo quando a tensão deveria crescer (como quando ele é perseguido por um carro escuro), a desconfiança e o medo de não saber ao certo seu inimigo, não convencem. Fora que alguns clichês do gênero também acabam não ajudando (como quando o carro que o persegue some, mas reaparece na última hora). Previsível, e portanto, sem impacto.
No geral, O Escritor Fantasma é um daqueles filmes, que também por seu elenco e diretor, acaba prometendo mais do que entregando. Não é ruim, mas o seu tipo de tensão e mistério, mais inspirado no noir, acaba não entrando em ressonância com o espectador atual, acostumado a mais correria. No fim, acaba sendo um pouco mais do mesmo, considerando o trabalho pregresso do diretor. Se isso é ruim ou não, cabe ao gosto de cada um. Eu, particularmente, achei que o ingresso valeu a pena, mas que não é um filme indispensável.
P.S. Não posso deixar de citar este twitt do @sextosexo: "Poucos homens sabem, de fato, o que é uma mulher. A maioria pensa que é só aquela sobra em volta da vagina."
Hoje vou responder por atacado a várias mensagens de ouvintes entre 25 e 35 anos, que escreveram para dizer que não concluiram um curso superior e se sentem meio incomodados com isso, embora estejam trabalhando e não corram riscos imediatos de perder o emprego.
O que mais me chama a atenção nas mensagens é o fato de que todos os ouvintes têm boas explicações para não ter feito uma faculdade. Ou começaram a trabalhar muito cedo e não tiveram tempo, ou não tinham recursos financeiros, ou precisam viajar bastante em seus trabalhos, ou se casaram muito jovens, ou simplesmente deixaram o tempo passar enquanto pensavam em qual seria o curso mais apropriado e ainda não se decidiram. Ah, e um dos ouvintes conta que se inspirou em Bill Gates, que se tornou o homem mais rico do planeta sem ter concluído uma faculdade.
Vamos lá. Começando pelo bilionário Gates. Realmente há outras pessoas no mundo, com uma história semelhante à dele. Porém, para cada uma dessas pessoas, há dezenas de milhares de outras que poderiam ter feito um curso superior e não fizeram. E o resultado é que não conseguem bons empregos. Esse é o risco de se tomar uma exceção absoluta como parâmetro para uma decisão.
Para os demais ouvintes, eu não apenas entendo todas as explicações, como as considero justíssimas. Só que não serei eu a pessoa que um dia irá entrevistá-los para preencher uma vaga. Será um recrutador profissional, que dificilmente irá se compadecer, porque o seu trabalho é encontrar o candidato mais adequado e não aquele que tem a melhor história.
Mesmo para os ouvintes que se sentem razoavelmente confortáveis em seus empregos, fica o aviso que nunca se sabe onde a bruxa poderá pousar a sua vassoura. E caso o emprego atual seja perdido, a possibilidade de encontrar outro igual, sem um curso superior, ficará cada vez mais remota, na medida em que o tempo passa e as faculdades despejam mais de meio milhão de jovens por ano, no mercado de trabalho.
Fica a dica de que qualquer sacrifício é válido para não ficar atrás em termos de exigências curriculares. O diploma do curso superior é como um guarda-chuva. A melhor hora para nos darmos conta de que vamos precisar de um, é quando o tempo ainda está bom e firme.
Hon Lam, também conhecido como Flying Mouse, é um designer que cria ilustrações para camisetas. Seus trabalhos são bastante criativos, e vários deles podem ser vistos pela internet. Aqui, alguns deles:
Balé vs. Artes Marciais. You win!
Cabelos musicais.
Café da manhã do Spock. Star Trek!
Chapeuzinho Vermelho evil.
Classic Pop Culture.
Dança comigo, bigodinho e as árvores.
Despertador com agulhas. Ótimo pra acordar de vez.
Mais um set de fotografias de Aysha Banos. Desta vez o tema envolve quedas simuladas por um céu de nuvens algodão, enquanto os olhos da modelo, Kimberly, nada veem. Falling: