2009-02-11

Ainda não desisti de certos sonhos

Voltando pra casa hoje, me veio, na cabeça, essa música: Ima Made Nandomo, que é o quinto encerramento do anime Naruto (não torça o nariz por isso, a música é bem legal).

A música fala sobre sonhos, aquelas esperanças que todos temos. E os verdadeiros, isto é, aqueles sonhos verdadeiros que carregamos no fundo da alma, que não conseguimos desistir, que nos compelem a lutar por eles... É sobre esses sonhos que a música fala.

Provavelmente lembrei dessa música porque estava voltando do cinema, em que tinha visto o filme Foi Apenas um Sonho, mas esse filme fica pra outro post...

Mas eis que vou rever no youtube o clipe da música pra colocar aqui no blog, e depois reler a letra da música, e constato algo que me deixou um pouco perplexo: eu, que achava que tinha matado certos sonhos, certos pedaços de mim mesmo, descubro que esses infelizes sobreviveram. Estão lá, meio escondidos, meio encolhidos, mas estão. Vivos.

Não sei se rio ou se choro. Ou os dois.

É ao mesmo tempo estranho e familiar. Estranho reencontrar certas coisas que você achou que tinham se perdido. Mas também é familiar revê-las, como se nunca tivessem ido a lugar algum.

Talvez um dia essas coisas realmente partam. Mas ainda não. Ainda não.

Clipe de Ima Made Nandomo, da banda Mass Missile:



Letra e tradução (pegas do Animeblade):

gaman no renzoku dattaro kokoro de naiteita ndarou
jibun de kimeta sono yume dake wa yuzurenai ndarou?


Foram esforços seguidos, que o fizeram chorar por dentro
E somente pelo sonho que escolheu, não cederá por nada?

kurushi nda kazu nanka yori utagatta kazu nanka yori
waratta kazu ya shinjita kazu ga
sukoshi dake ooi jinsei de arimasu you ni


Mais que o número de vezes em que sofri, mais que o número de vezes em que duvidei,
Eu quero o número de vezes em que ri e acreditei nos outros,
E eu rezo para que isto aconteça em minha vida.

wakiyaku dakedo kage no hito dakedo
yume to mukiau toki kurai
man naka ni isasete shoujiki ni isasete


Mesmo sendo sempre personagem secundário, mesmo que eu fique sempre nas sombras dos outros,
Deixe-me estar no centro das atenções quando eu sonhar.
Deixe-me ser honesto.

ima made nandomo nan toka akiramezu ni
ima made nandomo tachi agatte kita janai ka
ima made nandomo bokura
nandomo shinjite nandomo yume mite
nandomo...


Tantas vezes até agora, por alguma razão eu não desisti.
Tantas vezes até agora, eu sempre me levantei, certo?
Tantas vezes até agora, nós
Tantas vezes Acreditamos Tantas vezes Sonhamos
Tantas vezes...

ima made nandomo baka o mite kita janai ka
Nandomo hito no kage ni tatte kita janai ka
saa shuyaku da yo jibun no yume kurai
wagamama de isasete


Tantas vezes até agora, fiz papel de idiota
Tantas vezes, estive na sombra de alguém
Agora, sou personagem pricipal! Ao menos em meus sonhos
Deixe-me fazer o que quiser!

iron na mono kara nigedashite
sono ketsudan o sakiokori ni shita
sono yume dake wa sono yume dake wa
sono yume dake wa...


Tenho escapado de muita coisa
Eu terminei aquelas decisões
Mas por aquele sonho, mas por aquele sonho
Mas por aquele sonho...

wakiyaku nante mou takusan da
yume to mukiau toki kurai
man naka ni isasete shoujiki ni isasete
wakiyaku janakutte shuyaku de iyouze


Estou doente de ser o personagem secundário.
Enquanto estou sonhando, deixe-me estar no centro quando eu sonho.
Deixe-me ser honesto.
Deixe-me ser não um personagem secundário, mas um personagem principal.

ima made nandomo nan toka akiramezu ni
ima made nandomo tachi agatte kita janai ka
ima made nandomo bokura
nandomo shinjite nandomo yume mite
nandomo...


Tantas vezes até agora, por alguma razão eu não desisti.
Tantas vezes até agora, eu sempre me levantei, certo?
Tantas vezes até agora, nós
Tantas vezes Acreditamos Tantas vezes Sonhamos
Tantas vezes...

tsuranuku tame ni iroiro mageta
shinjiru tame ni utagatte kita
mamotteku tame ni hito o kizutsuketa
ima made nandomo nandomo


Para me decidir, estive muito determinado
Para acreditar em alguém, duvidei muito.
Para proteger alguém, me feri muito.
Tantas vezes até agora, tantas vezes...

ima made nandomo baka o mite kita janai ka
nandomo hito no kage ni tatte kita janai ka
saa shuyaku da yo jibun no yume kurai
wagamama de isasete


Tantas vezes até agora, fiz papel de idiota
Tantas vezes, estive na sombra de alguém
Agora, sou personagem pricipal! Ao menos em meus sonhos
Deixe-me fazer o que quiser!

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E pra quem quiser ver, o encerramento de Naruto que usa a música:

Amigos profissionais são necessários, mas os verdadeiros são indispensáveis - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 11/02/2009, com cinco estágios de uma carreira e as amizades profissionais e de verdade.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui).

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Amigos profissionais são necessários, mas os verdadeiros são indispensáveis

snoopy charlie brown amigos de verdade
Existem cinco estágios em uma carreira profisional.

O primeiro estágio é aquele em que um funcionário precisa usar um crachá, porque quase ninguém na empresa sabe o nome dele.

No segundo estágio, o funcionário começa a ficar conhecido dentro da empresa e seu sobrenome passa a ser o nome do departamento em que ele trabalha. Por exemplo: o Heitor de contas a pagar.

No terceiro estágio, o funcionário começa a ser conhecido fora da empresa e aí, o nome da empresa é que se transforma em sobrenome: o Heitor do banco tal.

No quarto estágio, é acrescentado um título hierárquico : o Heitor, diretor do banco tal.

E finalmente, no quinto estágio, vem a distinção definitiva. Pessoas que mal conhecem o Heitor passam a se referir a ele como "o meu amigo Heitor, diretor do banco tal". Esse é o momento em que uma pessoa se transforma, mesmo contra sua vontade, em amigo profissional.

Existem algumas diferenças entre um amigo amigo e um amigo profissional.

Amigos amigos trocam sentimentos. Amigos profissionais trocam cartões de visita.

Uma amizade dura para sempre. Uma amizade profissional é uma relação de curto prazo e só dura enquanto um estiver sendo útil ao outro.

Amigos de verdade perguntam se podem ajudar. Amigos profissionais solicitam favores.

Amigos de verdade estão no coração. Amigos profissionais estão em uma planilha.

É bom ter um milhão de amigos profissionais. É isso que hoje em dia, a gente chama de networking, um círculo de relacionamentos puramente profissional. Mas é bom não confundir uma coisa com a outra.

Amigos profissionais são necessários. Mas amigos de verdade são indispensáveis.

Algum dia, e esse dia chega rápido, os únicos amigos com quem poderemos contar serão aqueles que fizemos quando amizade ainda era coisa de amadores.

2009-02-10

Filme: O Leitor

Ultimamente eu tenho tido a mania de não ver adaptações no cinema, de livros que ainda não li. Então, se um filme me chama a atenção, eu acabo lendo o livro antes e depois vou ver o filme.

Mas eu acabei fazendo uma exceção para O Leitor, que assisti segunda-feira, simplesmente porque eu só descobri que era uma adaptação, depois de ver o filme. Pois é, ultimamente tenho lido as críticas/resenhas só depois de ir ver o filme...

o leitor poster
Mas então, como escolho o que vou assistir? Depende, pode ser peloo trailer, o diretor, ou no caso de O Leitor, dos atores. Ou melhor, da atriz, Kate Winslet. A primeira vez que vi um filme com ela, Titanic, a achei bem normal, até sem sal. Mas depois de Quills (em português, Contos proibidos do Marquês de Sade), comecei a prestar mais atenção nela, e desde então, só vem melhorando.

A história de O Leitor conta o relacionamento entre Michael Berg (vivido na fase mais 'velha' pelo bom ator Ralph Fiennes, e na fase jovem, vivido espetacularmente bem por David Kross) e Hanna Schmitz (Kate Winslet), numa Berlim pré-segunda guerra mundial. No começo, o jovem Michael, um aborrescente, acaba se apaixonando pela Hanna, mulher mais velha que esconde um segredo (nem tão secreto assim no filme).

Por um verão, eles vivem esse relacionamento, que deixará profundas marcas no jovem Michael. Fora o sexo que rola, uma das coisas que os amantes mais fazem é apreciar livros. Sempre como ouvinte, Hanna apenas escuta seu amante, Michael, lendo várias obras em voz alta, entre clássicos e livros que eu nunca ouvi falar.

kate winslet e david kross na cama em O Leitor
O relacionamento dura até que o dia em que Hanna foge, desaparecendo da vida de Michael... Até alguns anos mais tarde, quando ele, já um estudante de direito, a revê, sendo julgada num tribunal por crimes de guerra. E aí, ele deve tomar uma decisão, que afetará profundamente não só a vida dela, mas dele mesmo, pelo peso que a decisão traz.

Como a trama utiliza esse pano de fundo da segunda guerra, por um momento pensei que o filme, interessante até o momento, fosse descambar pra um drama de nazismo, morte dos judeus, essas coisas (que depois do Spielberg e seu A Lista de Schindler, sempre saem inferiores...).

Mas não foi isso o que aconteceu. O filme tem como pano de fundo o momento histórico, mas ele é apenas isso: o cenário. Porque a história é centrada nos dois personagens principais, Michael e Hanna, seus sentimentos, suas escolhas e tudo o mais que acompanha essas duas coisas.

o leitor banheira
É sobretudo, uma história de amor. Não o amor ideal, como os românticos cantavam em seus poemas. Mas uma história verdadeira, que talvez alguns de nós venhamos a passar, certamente em cenários diferentes, mas com um enredo muito parecido.

Não considero O Leitor um filme que deveria ganhar o Oscar. Apesar de tudo, ele não é memorável. É bom, mas não a ponto de, daqui alguns anos, ainda continuar causando em mim, a mesma impressão, impacto ou emoção. Esse é o meu critério se algo é memorável ou não.

E por último, uma coisa que eu não gostei: a maquiagem da Kate Winslet, quando a sua personagem está velha, no final da vida. Podiam ter feito coisa melhor, ficou meio falso aquilo... Eu definitivamente não acho que quando ela estiver mais velha, vai ficar igual ao retratado no filme. =P

kate winslet velha o leitor (Sim, ela fica um pouco mais velha ainda.)

Trailer (legendado):

Os oito passos de uma solução holística - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 10/02/2009, com oito passos para solucionar um problema de forma holística.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui).

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Os oito passos de uma solução holística

holistica
Numa empresa, resolver um problema é fácil, difícil é resolver um problema de uma maneira holística, envolvendo todos os interessados.

Por exemplo, o seu diretor lhe diz: "A pressão da descarga do banheiro está baixa, resolva o problema". Um funcionário normal faria o quê? Chamaria o seu Geraldo, da manutenção. Mas um funcionário com alto potencial pensa grande, e conhece os oito passos de uma solução holística.

Primeiro passo: envolva mais três pessoas, porque somente a partir de quatro integrantes é que um grupo pode ser chamado de "Comitê de Gestão".

Segundo: convoque um especialista em recursos humanos. Assim à solução do problema poderá ser classificada como sendo de alto impacto motivacional.

Terceiro: convoque um especialista em sistemas. Ele poderá providenciar softwares que meçam, com exatidão, a vazão e a pressão da água.

Quarto: convoque um especialista em finanças. Ele preparará uma planilha de gastos e já deixará pronto um pedido de reforço de verba.

Quinto: convoque um especialista em marketing. Ele criará um slogan para a operação, do tipo: "Mais pressão, mais motivação".

Sexto: convoque um especialista em logística. Ele não tem nada a ver com o problema, mas permitirá que o projeto possa ser chamado de "Logística de alavancagem sistêmica de recursos hídricos".

Sétimo: como ninguém mais consegue memorizar o nome do projeto, contrate uma consultoria externa. Após um mês e várias reuniões, a consultoria irá propor mudar todo o sistema hidráulico do prédio.

Oitavo: apresente os dados ao diretor, indicando que o orçamento já chegou a vários milhões de reais, mas que você tem uma solução mais prática, mais criativa e muito mais barata, que é mandar o seu Geraldo da manutenção trocar a válvula de descarga.

Isso é o que as empresas chamam de approach não holístico da situação.

Max Gehringer, para CBN.

Amor e ódio

Dizem que o amor e o ódio são duas faces da mesma moeda. Emoções irmãs, que se confundem. Emoções distintas, mas que são separadas apenas por uma tênue linha. Ou por um espelho...

O designer desta camiseta é simplesmente um gênio!

amor ódio love hate camiseta
Ódio (hate) ou amor (love)?

Filme: Sim Senhor

Aproveitando a última semana das férias pra não ficar muito desatualizado com o que anda passando nos cinemas, domingo fui ver o novo filme do Jim Carrey, Sim Senhor.

Já tinha visto o trailer e achado legal. Confesso que tive um pouco de medo, medo de que o trailer fosse melhor do que o filme em si, de que entregasse todas as melhores piadas do filme. Mas logo nos primeiros minutos do filme, esse receio se mostrou infundado. O filme é muito mais engraçado do que eu imaginava.

sim senhor poster
Outra coisa da qual eu tinha receio era de que o filme fosse apenas caras e bocas do Jim Carrey. Mas novamente, felizmente me enganei. Sim, o filme tem caras e bocas do Jim Carrey, mas tem muito mais. Até mesmo um lado mais "dramático", ou melhor dizendo, mais humano de Jim aparece, logo no começo do filme, quando ele se mostra um fracassado. O perdedor que ele faz é crível, e condiz com os excelentes trabalhos dramáticos que ele já fez (vide, por exemplo, o belíssimo Eternal Sunshine of the Spotless Mind, ou em português Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças).

Neste filme, Jim Carrey é Carl Allen, um cara totalmente fracassado, que vive dizendo não para as oportunidades que surgem na sua vida, até mesmo uma saída com os (poucos) amigos para um bar. Ao invés disso, ele prefere ficar em casa, assistindo dvds alugados e morrendo de tédio.

Mas a vida dele vai mudar, depois de ir a um seminário, em que é mostrada uma filosofia de vida voltada ao Sim. Que se resume a: dizer sim para as oportunidades que apareçam na sua vida, sim para a vida, sim! sim! sim! E a partir daí, é que a risada corre solta.

sim senhor harry potter cosplay (Festa a fantasia de Harry Potter? Sim!)

Eu gostei desse filme por dois motivos: primeiro, eu me identifiquei um pouco com o personagem de Jim Carrey. Eu digo muito não. Mas estou me esforçando para começar a dizer mais sim. Porque eu notei que sempre que eu digo sim, eu me divirto beeeem mais. =P

E o segundo motivo é a linda Zooey Deschanel. Ela está perfeita no filme, além de claro, estar deslumbrantemente bela. Tanto o timing da comédia, quanto a química com Jim Carrey estão excelentes. E bem, a personagem dela é cativante, muito diferente da que ela fez no último filme que eu a vi, o sem sal Fim dos Tempos.

zooey deschanel sim senhor (Cabelos escuros, olhos claros, pele clara... Uma combinação matadora, na minha opinião.)

Ah, pra ela eu digo sim, sim, sim... =P

Mais algumas fotos, porque beleza é pra ser vista:

zooey deschanel in style march
zooey deschanel
Trailer:


P.S. Não saia apressadinho da sala, que tem uma pequena cena enquanto os créditos rolam.

2009-02-07

Acrósticos - Karine

Karine

Karine, moça, senhora, menina, mulher, feminina,
A tua vida, maluca, corrida, me encanta e fascina.
Rainha, princesa, mas nem sempre de contos de fada,
Insinua, supreende, excita, mas sem mostrar nada.
Não te quero presa, mas desejo tê-la nos braços,
Enroscando em volúpias de beijos, carinhos e abraços.

2009-02-06

As reações após um pedido de demissão - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 06/02/2009, com o que fazer caso você receba uma proposta melhor de outra empresa, e como a sua empresa atual poderá reagir a seu pedido de demissão.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui).

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As reações após um pedido de demissão

demitido
Você está trabalhando em uma empresa e não tem nada contra ela, muito pelo contrário. Mas de repente, recebe um convite de outra empresa. É uma boa oportunidade, mas você fica se perguntando: como a empresa atual irá reagir a um pedido de demissão?

Nessas horas, é melhor considerar a pior das hipóteses, ou seja, a sua empresa vai reagir muito mal. Depois que você sair, acontecerá mais ou menos o seguinte:

Primeiro: quando você ligar para os amigos do peito que tinha na antiga empresa, de cada 10, 9 mandarão dizer que estão ocupados e não podem atender.

Segundo: palavras que você nunca tinha ouvido enquanto estava na empresa, como ingrato ou mercenário, passarão a acompanhar o seu nome. E se você tiver ido para uma empresa concorrente, a palavra será: traidor.

Terceiro: todas as coisas boas que você fez, passarão a ser atribuídas a outros colegas ou ao sistema. E as suas eventuais falhas serão amplificadas. Ou seja, o mérito desaparece e a culpa transparece.

Quinto: (NT: não é erro meu, o Max pulou um item mesmo =P)sua ex-empresa estará torcendo pelo seu fracasso, porque se você fracassar, o seu exemplo será usado para mostrar a todos que pedir demissão é um erro.

Digamos então, que você saia e tudo isso aconteça de fato. Qual a conclusão a tirar?

É simples: você estava em uma empresa que valorizava os que ficavam e desvalorizava os que saiam. Logo, a sua única chance de nunca ser criticado seria a de passar a vida inteira trabalhando nela.

Agora, pense na melhor hipótese: a empresa aceitará sua demissão numa boa e ainda lhe oferecerá uma bela festa de despedida. É raro, mas acontece.

Logo, se você recebeu ou receber uma proposta muito tentadora, saia. Ao sair, você descobrirá em que tipo de empresa estava trabalhando.

Se ela tratar a sua decisão com respeito e dignidade, ótimo. E se você for tratado com desprezo, melhor ainda. Isto significa que você estava na empresa errada.

Max Gehringer, para CBN.

Pulando fora da zona da amizade

O Zanfa do Capinaremos sabe exatamente como a gente se sente quando se torna amigo de uma mulher, mas queremos alcançar novos patamares, ou seja, trocar uns fluidos corporais:

mario amizade relacionamento (Vai, Mario!)

Quer saber como sair da zona de amizade? Lá no Capinaremos tem uma das possíveis respostas (que envolve coletar muitas moedas)...

Clique aqui.

Eu preferiria uma outra solução. Alguém dá uma idéia?

2009-02-05

Seis sinais de que uma empresa é rápida apenas no discurso, e na ação, lenta - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 05/02/2009, com seis sinais de que uma empresa é rápida e ágil apenas no discurso, e na ação, lenta.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui).

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Em terra de perdedores, quem empata se sente rei

homer simpson rei
Não é novidade para ninguém que as empresas precisam ser ágeis, atualizadas, espertas, ligadas. Existe porém um tipo de empresa muito interessante: aquela que é rápida no discurso, mas devagar na ação.

Normalmente, quem trabalha em uma empresa assim, quase não percebe que ela está andando para trás, porque parece que vai indo para a frente e a todo o vapor.

Eu trabalhei em uma empresa assim. E não por coincidência, alguns anos depois, ela quebrou. Para surpresa dos clientes, dos fornecedores e, principalmente, dos funcionários. Então, aqui vão alguns sinais de que uma empresa está devagar, mas não parece.

Primeiro sinal: tudo tem desculpa. Se um projeto não dá certo, ou se um resultadonão é atingido, a culpa é sempre da concorrência, que sonega. Ou da legislação, que é antiquada. Ou da economia que é imprevisível. Ou da globalização. Ou de um terremoto nas Ilhas Galápagos.

O segundo sinal: tudo é desproporcional. A punição é desproporcional ao erro. A comemoração é desproporcional ao resultado.

Terceiro sinal: fala-se muito em novos projetos, mas poucos projetos são de fatos implantados. Normalmente, novos projetos vão sendo adiados com base em uma frase sem muita consistência: "Agora não é o momento".

Quarto sinal: novas idéias são incentivadas e aplaudidas. Mas são rapidamente engavetadas ou esquecidas.

Quinto sinal: fala-se muito em futuro, mas as boas histórias são sempre as mesmas e de um passado já distante.

Sexto sinal: os objetivos são muito agressivos. Mas a agressividade fica só no papel. Depois, na vida prática, tudo volta ao primeiro sinal, o das desculpas. E aí o ciclo recomeça.

Mesmo assim, a direção da empresa continua parecendo motivada e empolgada. E o motivo é simples: em terra de perdedores, quem empata se sente rei.

2009-02-04

Teste - quem é você em Lost?

Olhem que coincidência legal, logo após eu fazer o post sobre o livro Trapaça, descubro que sou o Sawyer em Lost, hehehe:




You Are Sawyer



You are cunning and calculating. Some people would even call you a con artist.
You're smart and get bored easily. You use your biting sense of humor to entertain yourself.

It's been hard for you to trust people throughout your life. You don't get close to anyone. You are a drifter. You don't have permanent ties, and you tend to "disappear" often.

You are introverted and even a bit shy. You don't share the true you with many people. As a result, no one really gets you. At your core, you are a sweet, passionate, and funny person.



E não é que tem bastante coisa que bate? =P

Vi esse teste no Bitpop.

Livro: Trapaça

Outro livro que li nestas minhas férias, é o novo Trapaça, de Matthew Klein. Ágil, com capítulos curtos e divertidos, o livro é uma delícia de se ler. Nada filosófico, nada para se pensar muito: o livro é entretenimento puro. Ou seja, ótimo para se ler embaixo da sombra de uma árvore ou em um café tranquilo, sem compromisso com o resto do mundo.

Eis a sinopse de Trapaça, de Matthew Klein:

trapaça capa livro
Trapaça vem chamando a atenção da crítica especializada e, principalmente, dos leitores dos países em que já foi pulicado - entre eles, Inglaterra, EUA, Japão, França e Espanha. Divertido, cheio de tiradas inteligentes e irônicas, difícil de largar, Trapaça focaliza o mundo dos golpistas.

Kip Largo, um veterano trapaceiro da região conhecida como Vale do Silício, vive honestamente, em sua terceira tentativa de sair da rotina de (grandes) golpes; o último envolvia o 'boom' das empresas pontocom e lhe rendeu uma boa temporada na cadeia. Porém, quando seu filho Toby se envolve com mafiosos russos e passa a correr perigo, Kip prepara um novo e ousado golpe.

Extremamente bem-humorado, o livro conquista pelos diálogos inteligentes, pela construção rica dos personagens e pela trama intrigante. De maneira bastante descontraída, assuntos importantes, como honestidade e natureza humana, são trazidos ao público.


Apesar de lidar com o mundo de golpistas, trapaças e golpes, o livro é um refresco, uma excelente diversão, comparado com a vida real que temos que lidar com certas trapaças e golpes...

No livro há até alguns capítulos entre a história principal, que mostram como alguns golpes são executados. Não recomendo ninguém a tentar repetí-los, mas é uma boa amostra de como golpistas de verdade agem. E também uma forma de "ficar mais esperto", caso você se encontre com algum.

Alguns trechos:

Uma pequena definição:

Denominemos enrolador aquele por quem a vítima da trama se interessa. O enrolador enrola a vítima para dentro da trama. Geralmente isso procede recorrendo-se à ganância da vítima, à sua vaidade ou às suas genitálias. Ou a todas as três.

vitima
Eu adoro a vaidade...

Sobre parceiros de negócio:

Esse é o problema de um Grande Golpe, se você quer saber. Exige meses de preparação. Não se pode administrar sozinho um Grande Golpe, e portanto ele exige que você monte uma equipe de pessoas competentes, com quem você trabalhe em conjunto, de quem seja íntimo, de quem consiga prever cada movimento. Exige, para resumir, confiança mútua.

Mas que tipo de gente se pode convidar para trabalhar num golpe? Simplesmente, gente desonesta. E é esse o problema. Como podemos confiar numa pessoa que secretamente tememos?


Crise de consciência? Não...

Todo mundo trapaceia. Algumas pessoas, de tão sórdidas, roubam da própria família. Algumas pessoas, de tão baixas, enganam os fracos e os velhos.

Então, considerando tudo, eu sou tão mau assim? Todo mundo está trapaceando todo mundo.

Eu sou o único com o escrúpulo de ganhar a vida honestamente com isso.


Conselho fundamental:

Nunca se esqueça de uma coisa: essa é a história de um golpe. Em um golpe, todos têm seus papéis, e todos sabem que é um teatro - todos a não ser um homem. A certeza que você quer ter, quando realiza um golpe, é a de que o homem não é você.

lionel hutz
Essa está na contracapa do livro.

E pra concluir, como concluir o golpe:

A grande questão, em todo golpe, é como concluí-lo. É fácil roubar; difícil é fugir. Você não quer que o seu alvo chame a polícia ou - no caso de ele ser um homem rico, poderoso e intimidador - te machuque com as próprias mãos e vá atrás de você até o fim do mundo.

O ideal é que, quando o golpe chega ao fim, seu alvo nem sequer saiba ter sido passado para trás. Ele deve pensar que o emocionante investimento dele fracassou devido a um telefonema mal compreendido, ou à falta de sorte, ou a algum desencontro. Ele deve até ficar ansioso para tentar o mesmo golpe outra vez! Portanto, a marca de um grande golpe é quando você pode aplicá-lo no seu alvo duas ou três vezes sucessivamente até depená-lo por completo. Se o seu alvo for embora sem saber que foi trapaceado, você foi bem-sucedido e deveria se orgulhar.

Governo Lula e o PAC: só propaganda

Política não é algo que eu geralmente abordo por aqui, mas certas coisas me deixam muito fulo. Como o comentário hoje da Miriam Leitão, pra rádio CBN. Resumidamente é o seguinte: o governo Lula-lá faz umas contas mágicas e anuncia investimentos enormes no PAC (o que seria o "Programa de Aceleração do Crescimento"), mas tá fazendo propaganda disfarçada (disfarçada?) da pré-candidata-sem-sal Dilma Rousseff.

No blog da Miriam Leitão tem um texto com o mesmo conteúdo do comentário:

O governo anunciou R$ 646 bilhões de investimentos para o PAC até 2010. Essa dinheirama é para confundir. O governo faz de propósito. Ele cria esse número lindo, com empresas privadas, e muitas estão cancelando seus investimentos. Eles inflam os planos de investimento das estatais, como acabaram de fazer com a Petrobras, porque é óbvio que nenhuma empresa de petróleo do mundo está ampliando, nesta proporção, seus investimentos, na hora em que o petróleo está caindo, a demanda está caindo, o mundo está em crise.
...
Eles dizem que o PAC vai investir R$ 646 bilhões, mas na verdade eles estão contando com um monte de coisas, como financiamentos que serão dados pela Caixa e entram como PAC. E ainda colocaram obras do metrô de São Paulo.


Em suma: qualquer coisa que o governo gaste, faz parte do PAC. Virou sinônimo de Orçamento da União? Tsc, tsc...

pac programa de aceleração corrupção (Imagem daqui.)

A maior importância do PAC é propaganda política e eleitoral. É por isso que tem a frase da ministra Dilma Rousseff, que é candidata à candidata à sucessão do presidente Lula, de que o governo quer um candidato que faça a continuidade do PAC. Chegam lá, fazem um estardalhaço com o PAC e, em seguida, ela diz que tem que votar num candidato que continue com o programa. Isso não é prestação de contas do governo, isso é propaganda.


Bem, o que esperar de um governo imoral e antiético como esse?

Tudo isso é muito ruim. Estamos num momento de crise, é preciso seriedade, precisa de uma apresentação de coisas concretas. Não é para fazer dessa forma. E se formos levar em conta o que o governo apresenta, a ministra Dilma disse que só tem 2% que são preocupantes e 4% das obras estão em estado de alerta. Então, parece que está tudo bem. Mas falta explicar porque o país entrou em recessão. O Brasil está em recessão pela crise exterior, mas também por coisas feitas aqui. Se eles fizeram tudo certo, o país não poderia estar em recessão. Tem uma briga com a realidade neste ponto.


Fácil de explicar. Segundo o governo, não tem recessão. Simples assim...

Lamentável...

Quer saber mais? Ouça o comentário do Carlos Alberto Sardenberg: PAC é uma peça de propaganda do governo federal, ou leia na sua coluna: O PAC é só propaganda.

Tome o caso do metrô de São Paulo, um empreendimento do governo paulista, com dinheiro do governo do estado, da prefeitura de São Paulo, de empreiteiras privadas e mais financiamentos locais e externos, com uma pequena parte de recursos federais.

Não estava no PAC, agora foi incluída. O que muda?

Nada. A obra continua do mesmíssimo jeito, sujeita às mesmas condições, controlada pelo governo paulista, e dependendo das condições gerais da economia.

A única diferença é que passa a chamar-se obra do PAC.


Mais uma vez, o Lula-lá-lá (lá aonde o sol não bate) é LAMENTÁVEL...

2009-02-03

Quem paga a conta? Vamos dividir? Nããããããoooo

Sexta-feira passada, a Mara Luquet em seu comentário para a rádio CBN, falou sobre essa importantíssima questão financeira/amorosa: quem paga a conta do restaurante.

mara luquet (Mara Luquet)

Bem, a questão é claro, não se resume à conta do restaurante, mas às despesas do casal. E cita a reportagem feita pela Marili Ribeiro, para a revista Elas & Lucros, muito boa, sobre essa questão.

Resumindo: você, macho, pague a conta. Se não de todos os encontros, no mínimo, do primeiro. E fique esperto, se ficar pegando algumas "gatinhas mocinhas", cuidado pra não ficar pagando uma maria-cartão-de-crédito (hehehe, acho que acabei de inventar essa expressão!).

A reportagem está na íntegra no blog da Mara Luquet, mas eu separei alguns trechos.

A introdução da reportagem, que já dá o tom dela:

A mesa estava localizada no melhor canto do salão. Tinha sido reservada e escolhida por ele. A iluminação indireta, acrescida de suave luz de velas ao centro, era perfeita. Mais do que isso, convidativa para uma conversa a dois. Para completar, a refeição servida estava na medida e o vinho, novamente uma escolha dele, era, como diriam os gourmets, a melhor opção para harmonizar com os sabores dos pratos. Tudo caminhava para uma noite de sonhos até o momento em que veio a conta, e ele a empurrou na direção dela com a fatídica frase: "Vamos dividir?".

Para a maioria das mulheres, não importa a idade nem a condição econômica, uma atitude como essa no primeiro encontro gela o clima, choca e estraga o romance. Mesmo a mulher bem-sucedida e independente, com dinheiro suficiente para gastar como bem entender, dificilmente aceitará um deslize tão grande. Exceções podem existir, mas que ninguém tenha dúvidas. Essa é a norma. Catherine Duvignau, empresária que, entre outras ações de sucesso, tem no portfólio a iniciativa de trazer para o Brasil a Cow
Parade, é categórica: "Eu brocho, literalmente", diz, com seu charmoso sotaque francês.


Catherine Duvignau (Catherine Duvignau: nos encontros iniciais o homem deve assumir o papel de cavalheiro e pagar a conta)

Reforçando, se você for sair com uma mulher mais velha, tenha cacife:

A questão da divisão de contas poderá até desaparecer nas próximas gerações, mas, por enquanto, ainda é culturalmente forte o papel do homem cortês que paga as despesas, pelo menos nos primeiros encontros. "Na minha faixa etária é inaceitável sair com um cavalheiro e dividir a conta com ele", diz Lilice Sadek, viúva, com boa situação financeira e também mãe de dois filhos. "A minha filha acha natural dividir a conta com seus colegas, mas, mesmo assim, o namorado dela faz questão de pagar quando os dois saem sozinhos."


E se for sair com uma mulher mais nova, de preferência, tenha cacife também:

Assim como Lilice, as mulheres mais jovens também esperam atitudes cavalheirescas, ainda que tenham sido criadas em ambiente de maior participação feminina nas decisões de vida, como constata o psicoterapeuta Carlos Alberto Carvalho. Ele vê nisso não só uma questão cultural, mas de valorização do encontro. Ao pagar a conta, o homem dá demonstrações de interesse real na mulher, além de respeito e atenção para com ela.

"A grande maioria das mulheres, minha filha inclusive, adora delicadezas masculinas, em especial a de eles se oferecerem para pagar as contas", diz ele. "Algumas até fazem a cena do ‘vamos dividir’, mas esperam que a resposta seja um sonoro não." Para ele, essa reação está muito vinculada ao fato de 99% das mulheres terem o projeto de ser mães. Diante disso, a expectativa é de conviver com um homem que dê conta de bancar, pelo menos, parte dos compromissos. O homem deve ser, no imaginário feminino, provedor e acolhedor, dando assim sinais de afeto compatíveis com a condição de futuro pai.


quem paga a conta no restaurante?
Mas tome muito cuidado com este grupo:

Há, porém, outro grupo, bem diferente e cada vez maior, que é o de jovens que só saem com rapazes que ostentam riqueza. "É um tipo que escolhe a parceria pelo modelo do carro e pelas roupas de grife que ele use", revela Carvalho. "Elas se sentem privilegiadas por compartilhar programas com os bem-sucedidos. Fazem, no consultório, comentários do tipo: ‘Nós tomamos um vinho que custou 600 reais’. Pergunto se era francês ou italiano, e, invariavelmente, não sabem responder, porque não há prazer em tomar o vinho em si, mas sim no status", completa ele.


E a conclusão é:

É possível que, daqui a algum tempo, seja perfeitamente aceitável que homem e mulher dividam a conta logo no primeiro jantar, sem implodir a possibilidade de um romance. Por enquanto, não é assim. Aos cavalheiros preocupados em tratar bem uma mulher, sobretudo no ritual do primeiro encontro, recomenda-se que não esqueçam o cartão de crédito.

2009-02-01

Livro: Paris é uma festa

Em grande parte influenciado pela K. e seu amor a Paris, comprei o livro Paris é uma festa, de Ernest Hemingway, para ler nestas férias (sim, estou de férias, uhuuuu!).

livro paris é uma festa
Mas haviam dois outros motivos pra querer ler este livro: o primeiro, conhecer um pouco dessa figura que foi Hemingway. E o segundo motivo é que eu sempre quis ler o livro que aparece no filme Cidade dos Anjos, com Meg Ryan e Nicholas Cage (por um bom tempo, eu fui fã da Meg Ryan). No filme, eles usam o nome original do livro, que é A Moveable Feast.

O livro contém uma pequena auto-biografia do autor, dos primeiros tempos em que viveu em Paris, na década de 20.

Apesar de ser ignorante quanto a muitos dos citados no livro (OK, de quase TODOS os citados no livro), eu gostei muito de lê-lo. Mistura com iguais doses três coisas: Paris, a cidade e seus pequenos (ou grandes) encantos; reflexões sobre a vida, inclusive a sua própria (afinal, isso é uma auto-biografia); e o que eu chamo de fofocas ou "seção Caras", com seus encontros com outras figuras da época ou de sempre. Mas mesmo nessas últimas, a leitura flui deliciosamente bem.

Nesse sentido, chamar de "seção Caras" é mais quanto ao objeto (a vida de famosos) do que a qualidade da escrita. Se revistas como "Caras" tivessem textos com apenas 20% da qualidade de Hemingway, talvez eu não as desprezasse tanto.

De qualquer maneira, aqui vão algumas partes do livro que eu acabei marcando durante a minha leitura:

Sobre gerações e perdas:

...e concluí que todas as gerações eram perdidas por alguma coisa, sempre tinham sido e sempre haveriam de ser. Parei no Lilas para fazer companhia à estátua e beber uma cerveja gelada antes de ir para casa...

Ah, se até Hemingway acha que as gerações estão perdidas e o melhor é tomar uma cerveja, quem sou eu pra contestar? Huahuahua =P

Sobre as primaveras e ciclos:

Com tantas árvores na cidade podia-se ver a primavera chegando dia a dia, até que uma noite de vento quente a traria de repente na manhã seguinte. Pesadas chuvas frias poderiam retardá-la às vezes e temíamos que nunca mais chegasse, fazendo-nos perder, assim, uma estação em nossa vida. Esse era o único tempo realmente triste em Paris porque era fora do natural. A gente já espera ficar triste no outono. Uma parte da gente morre cada ano, quando as folhas caem das árvores e seus galhos ficam nus batidos pelo vento e a luz fria, invernal.

Mas sabíamos que haveria sempre outra primavera, assim como sabíamos que o rio fluiria de novo depois de ter estado congelado. Quando as chuvas frias continuavam durante longo tempo e acabavam matando a primavera, era como se um jovem tivesse morrido à toa. Naqueles dias, porém, a primavera sempre triunfava, mas dava-nos um frio na espinha pensar que faltara pouco para que ela tivesse falhado.


primavera em paris - fonte: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Parc_Buttes_Chaumont_Paris_France_Spring_2007.jpg
Sobre as primaveras e certas pessoas:

Quando a Primavera chegava, mesmo que se tratasse de uma falsa primavera, nossos problemas desapareciam, exceto o de saber onde se poderia ser mais feliz. A única coisa capaz de nos estragar um dia eram pessoas, mas se se pudesse evitar encontros, os dias não tinham limites. As pessoas eram sempre limitadoras da felicidade, exceto aquelas poucas que eram tão boas quanto a própria primavera.


Sobre a pobreza, trabalho e uma ponta de romantismo:

Quem se dedica a seu trabalho e nele encontra satisfação não é afetado pela pobreza. Mas sempre pensava nas banheiras, chuveiros e vasos sanitários com descarga que gente inferior a nós possuía e que gostávamos de usar quando viajávamos, coisa que fazíamos com frequência.


Eu tinha sido estúpido quando ela necessitando de um casaco de lã cinza, ficou feliz quando o comprou. Eu tinha sido estúpido por outros motivos, também. Mas tudo isto era parte da luta contra a pobreza, que nunca se vence exceto não gastando. Especialmente se compramos quadros em vez de roupas. Mas, naquele tempo, não nos considerávamos pobres. Não admitíamos isso. Pensavamos que éramos superiores, e as outras pessoas, que olhávamos de cima e de quem com razão desconfiávamos, eram ricas. Nunca me tinha parecido estranho usar camisetas de algodão como roupa de baixo, para conservar o calor. Isso só parecia estranho aos ricos. Comíamos bem e barato, bebíamos bem e barato, dormíamos bem, aquecendo~nos e nos amando um ao outro.


Sobre família e obras de arte:

Mas a verdade é que ele gostava de tudo o que seus amigos fizessem; a lealdade, porém, sendo um belo sentimento humano, pode levar a julgamentos críticos desastrosos. Ezra e eu jamais discutíamos a respeito dessas coisas porque eu me calava sobre aquilo de que não gostasse. Se um homem gosta da literatura ou da pintura que seus amigos fazem, pensava eu, era como certas pessoas que gostam de suas famílias. Não seria delicado falar mal delas. Ás vezes é preciso um tempo enorme de sofrimento para que se possa analisar criticamente as famílias, tanto a nossa própria como a que formamos pelo casamento, mas o mesmo não se dá quanto aos maus pintores: eles não nos fazem tanto mal, nem criam tragédias íntimas como ocorre com as famílias. Aos maus pintores basta-nos ignorá-los, mas mesmo quando aprendemos a ignorar as famílias, a não ouvir seus reclamos, a não dar resposta às suas cartas, ainda assim dispõem de muitas formas de nos afligir.


Sobre ostras, tuberculose e remédios estranhos:

Notei que não se esforçava por me apresentar aquele ar de marcado para morrer, o que já era um alívio. Eu sabia - e Walsh não ignorava isso - que ele estava com tuberculose, e não daquele tipo da qual ainda naquele tempo se poderia tirar alguma notoriedade, mas do tipo que leva o sujeito para a cova. Por isso, também, não fez força para tossir, coisa que muito me agradou porque estávamos na mesa. Perguntei-me se ele comia as tais ostras alongadas pelo mesmo motivo que as prostitutas de Kansas City, quando estavam marcadas para morrer ou para o que desse e viesse, sempre engoliam esperma como o melhor remédio para a tuberculose, mas achei que não seria delicado investigar esse ponto. Ataquei minha segunda duzia de ostras tirando-as uma a uma de seu leito de gelo moído sobre bandeja de prata e notando que seus contornos, de um castanho incrivelmente delicado, se contraíam quando eu espremia limão sobre elas e as destacava de sua casca, para comê-las também delicadamente.


Sobre a felicidade de dois, seus perigos e ...

Quando duas pessoas se amam, são felizes e alegres, e estão empenhadas, juntas ou individualmente, numa tarefa construtiva, os outros se sentem tão atraídos por elas como as aves migradoras são atraídas à noite pela faixa de luz de um farol poderoso. Se as duas pessoas que se amam fossem tão sólidas como um farol, nada sofreriam, pois a perda seria das aves. Mas o fato é que aqueles que atraem os outros com sua felicidade são geralmente pessoas despreparadas. Não sabem como evitar que as arruínem, nem como se livrarem a tempo do perigo.


... os ricos:

Raramente conseguem conhecer as artimanhas dos ricos, que são bons, atraentes encantadores, comunicativos, generosos, compreensivos, perfeitos e dão a cada dia o movimento de um festival, até que conseguem sugar toda a seiva de que se alimentam e partem, deixando tudo mais morto do que as raízes da relva esmagada pelas patas dos cavalos de Atila.

Os ricos vieram na esteira de seu peixe-pilôto. Se fosse um ano antes talvez não tivessem vindo. Meu trabalho era da mesma qualidade e minha felicidade pessoal era maior, mas não havia escrito ainda o primeiro romance de modo que os ricos não podiam ter certeza quanto à minha pessoa. Os ricos jamais perdem tempo ou gastam simpatia com coisas incertas. E por que o fariam? Picasso era uma coisa certa e seguramente já o era antes deles terem ouvido falar nele tinham muita certeza também, quanto a outro pintor. A vários outros pintores. Mas, naquele ano, já tinham certeza de meu futuro, graças às informações recebidas de seu peixe-pilôto, que os acompanhou até o momento do encontro para que não se sentissem constrangidos e eu não bancasse o dificil. Nosso peixe-pilôto, naturalmente, era "grande amigo".

mr burns entrevistadorSempre desconfie dos ricos!

E finalmente, sobre a Paris de seus primeiros tempos, quando era muito pobre e muito feliz:

Paris nunca mais seria a mesma para mim, embora continuasse sendo a Paris de sempre, e mudássemos de acordo com as modificações que nela se estavam operando.

...
Paris não tem fim, e as recordações das pessoas que lá tenham vivido são próprias, distintas umas das outras. Mais cedo ou mais tarde, não importa quem sejamos, não importa como o façamos, não importa que mudanças se tenham operado em nós ou na cidade, a ela acabamos regressando. Paris vale sempre a pena, e retribui tudo aquilo que você lhe dê.