2009-09-14

Fiquem

Não sei se é porque eu adoro cachorros, mas esse cartão do Post Secret deste último domingo me emocionou.

cachorros,gatos,animais,morte,post secret

"Eu trabalho numa clínica veterinária. Quando vamos sacrificar um animal de estimação, damos a vocês a opção de ficarem na sala com eles, ou então sairem... Sempre fiquem... Eles sempre ficam procurando vocês, quando vocês saem."

Conselhos de quem fez fortuna - by Mauro Halfeld

Transcrição dos comentários do Mauro Halfeld (site oficial) para a rádio CBN, do dia 14/09/2009, com conselhos de milionários para quem quer ficar rico.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Mauro Halfeld, publicados aqui, basta clicar neste link.

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Conselhos de quem fez fortuna

milionários dando dinheiro
Olá. Diz o ditado que se conselho fosse bom, seria vendido e não dado. Mas e se os conselhos vierem de milionários, ensinando a ganhar dinheiro? Nada mal, não é mesmo? E de graça. Pois então, a revista americana Smart Money entrevistou centenas de milionários e fez um retrato dessa gente tão admirada e tão invejada.

Assim como acontece com quase todo mundo, aposentadoria e saúde também estão na lista de cuidados dos ricos.

Outra coisa: pode parecer fora da realidade, mas os milionários gostam de comprar barato, de pechinchar bastante. Afinal, quem trabalhou muito pra chegar nessa condição financeira tranquila, sabe que o dinheiro não aceita desaforo.

Os milionários também não se deixam abater por fracassos. Há vários exemplos de empreendedores de sucesso que faliram, mas que conseguiram se reerguer. A diferença é que eles conseguem tirar valiosas lições dessas falhas. Vale lembrar que perseverança conta, e muito, na hora de ganhar dinheiro e de manter o patrimônio.

Mais um detalhe que os muitos ricos talvez não gostem de revelar. Ninguém enriquece sendo bonzinho. Os ricos têm os seus valores morais e éticos, mas jogam duro. Negócios são negócios.

Os que os ricos apontam como mais importante para obter sucesso é: trabalho duro, boa educação, determinação e tratar os outros com respeito.

E uma dica que vale ouro: contrate um excelente contador para sua empresa. Eles costumam custar caro, mas valem cada centavo.

Em tempo: pra quem diz que dinheiro não traz felicidade, infelizmente eu trago más notícias. Um estudo da Wharton Business School, uma das principais escola de negócio dos Estados Unidos, diz que as taxas de depressão são menores entre os mais ricos: eles têm menos preocupações, são tratados com mais respeito, se alimentam melhor e têm acesso ao que a medicina pode oferecer de mais moderno.

Mauro Halfeld, para CBN.

'Nunca aprendi a ser chefe' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 14/09/2009, sobre um pequeno empreendedor que está enfrentando dificuldades em ser chefe.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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'Nunca aprendi a ser chefe'

the office dwight killing time
"Sou proprietário de uma pequena empresa", escreve um ouvinte. "Eu nunca pensei em ser empreendedor, mas há 3 anos abri um negócio e ele acabou dando mais certo do que eu imaginava. Comecei sozinho e agora tenho 11 funcionários. O meu problema é que eu nunca aprendi a ser chefe. Meus empregados perdem muito tempo batendo papo, falando ao celular e acessando a internet. Não sei se expandi a empresa rápido demais, mas os lucros estão diminuindo. E eu não sei bem que decisão tomar."

Começando pelo óbvio, funcionários desperdiçam tempo durante o expediente, por dois motivos. O primeiro, como o nosso ouvinte já entuiu, é a falta de aptidão do chefe para controlar a situação. E o segundo motivo é a falta de uma adequada distribuição de tarefas: só perde tempo, quem tem tempo para perder. E esse é o caso de muitas empresas, pequenas ou grandes.

Nosso ouvinte precisa redistribuir as tarefas individuais, de modo a preencher inteiramente o tempo de cada funcionário. Ao fazer isso, ele poderá avaliar o desempenho de cada um, ao contrário da situação atual, meio caótica, em que ele não está conseguindo diferenciar os que estão enrolando, dos que estão simplesmente com tempo livre.

Após um mês, é provável que o nosso ouvinte tenha que dispensar um par de funcionários, aqueles que ficaram abaixo dos objetivos. Mas ele fará isso a partir de dados concretos, e não de simpatias pessoais.

Há outros dois pontos que podem estar influindo no marasmo. E o primeiro é o salário. Quem ganha pouco, não tende a se esforçar muito. E o segundo é a perspectiva. O que os funcionários do nosso ouvinte podem esperar do futuro? Todos continuarão a fazer o que fazem ou há um plano de carreira para os melhores?

E finalmente, o nosso ouvinte precisa aprender a selecionar as pessoas certas, porque quem enrola no trabalho, enrola também na entrevista.

Se o nosso ouvinte não se sente confortável fazendo tudo isso, há uma solução: ele pode contratar um chefe que sabe ser chefe, para tocar a rotina diária, enquanto o nosso ouvinte se ocuparia da expansão da empresa.

Ninguém é bom em tudo, mas o nosso ouvinte já provou que ele é bom no que muita gente gostaria de ser: montar um negócio próprio, gerar empregos e ganhar dinheiro. Isso é o mais difícil. O resto é só gestão, uma palavra que no fundo, significa "dá para pagar alguém para fazer".

Max Gehringer, para CBN.

2009-09-13

It's Real, Finally

Simplesmente incrível esse vídeo: a música (Fake Plastic Trees do Radiohead) combina muito bem com o clima Amélie, e a edição do vídeo ficou perfeita, tanto pelas cenas escolhidas quanto a transição entre elas.



Deu uma vontade irresistível de ver O Fabuloso Destino de Amélie Poulain de novo... Tanto que eu acabei de assistir o meu DVD aqui =D

2009-09-12

A diferença entre amigo e melhor amigo

Qual a diferença entre um amigo e um melhor amigo?

amizade,divertido

O amigo te ajuda na mudança. O melhor amigo te ajuda a esconder um morto.

Há muito tempo atrás, numa madrugada insone, vendo um filme trash que não lembro nem o nome nem sobre o que era, eu ouvi essa definição de amizade: o amigo de verdade é alguém que você chama pra esconder um corpo. Eu concordo.

2009-09-11

Poemas - Outra Chuva

Anteontem quando escrevi este pequeno poema sobre a chuva, não me lembrava que há 10 anos atrás eu escrevi outro, com o mesmo nome: Chuva.

Eu só me lembrei deste antigo porque quando eu fui cadastrar o poema novo, meu banco de dados registrou apontou que já existia um outro com o mesmo nome. Sim, eu registro todas essas porqueirazinhas que eu escrevo. =)

Então, resolvi postá-lo aqui. De acordo com o meu registro, ele foi escrito em novembro de 1999... Época do primeiro ano da universidade, e época em que eu estava apaixonado pela primeira vez...

chuva de verão
Chuva

Foi numa daquelas tardes de verão,
Em que o sol muito nos castigava,
Que as nuvens chegaram mansas então,
Trazendo a chuva que precisava.

E foi na chuva, correndo depressa,
Que te vi, linda mesmo molhada.
Foste a passos rápidos até a travessa,
Onde era e ainda é a tua morada.

Entraste, e fiquei ainda na chuva,
As gotas me faziam a visão turva,
Ali parado como uma escultura.

A chuva passou. Os dias também.
Só não passou a figura de alguém,
Eu, que não esquece a tua gravura.

Pensando no que fazer com o dinheiro

Não eu, que sou um duro (no sentido monetário da coisa), mas a mulher da imagem:

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Será que ela está pensando no que gastar tudo isso?

Universidades preparam alunos para o mercado de trabalho? - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 11/09/2009, com uma reflexão se as universidades preparam os seus alunos para o mercado de trabalho.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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Universidades preparam alunos para o mercado de trabalho?

faculdade escrita
"As faculdades estão preparando adequadamente os seus alunos para o mercado de trabalho?" Essa é uma pergunta que já me foi feita diversas vezes, mas pela primeira vez, é feita não por um aluno, mas por um professor. Preocupado, segundo ele, em tentar aproximar o máximo possível o que ele está ensinando, das situações que o aluno irá encontrar em uma empresa.

Caro professor, se eu tivesse que escolher um curso superior como paradigma, eu escolheria medicina. É, até onde eu sei, o único curso que fornece uma base, permite uma especialização e acrescenta uma experiência prática obrigatória, através da residência.

Quanto a todos os outros cursos, e principalmente aqueles que têm um alto componente de humanas, eu tenho lá minhas dúvidas. Pegando um exemplo bem banal, digamos que um jovem recém-formado ingresse numa empresa e descubra que um colega é invejoso ou que o chefe é impulsivo. Um professor diria que isso não é problema da faculdade. Mas essa situação é muito mais comum e terá muito mais influência na carreira, do que qualquer teoria ensinada na sala de aula.

Outro exemplo é o de um ótimo aluno que tem dificuldade para se expressar verbalmente, algo vital para um profissional. Não há uma matéria que permita que o aluno supere essa deficiência.

Por outro lado, é evidente que a grade curricular não pode ser virada pelo avesso de repente. Parte do problema seria sanado se houvesse a obrigatoriedade de um estágio, antes da concessão do diploma. Mas não há, e atualmente, menos de 20% dos formandos, consegue estagiar.

A pior situação, em minha opinião, é a do aluno que vai acumulando cursos e mais cursos, incluindo uma estadia no exterior, e quando finalmente decide ingressar no mercado de trabalho, percebe que para as empresas um mestrado vale pouco se a experiência prática for zero.

Se eu fosse professor, eu incentivaria meus alunos a conseguir um emprego, qualquer emprego, o mais cedo possível. Se as circunstâncias impedem que a grade da faculdade se aproxime da rotina das empresas, isso não isenta o aluno de buscar esta experiência por conta própria.

Muitos alunos talvez não percebam essa necessidade, ou talvez não dêem a ela, a importância que ela tem. É aí que o conselho de um professor pode ser fundamental.

Max Gehringer, para CBN.

2009-09-10

Existe vida após a morte?

Existe vida depois da morte?

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Ultrapasse e descubra.

Minha empresa fala em inovação e criatividade, mas, na prática, vejo a velha rotina - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 10/09/2009, sobre empresas criativas e inovação.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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Minha empresa fala em inovação e criatividade, mas, na prática, vejo a velha rotina

criatividade céus
"Minha empresa", escreve um ouvinte, "fala muito em inovação e em espírito criativo. Eu mesmo, quando fui entrevistado, tive que responder se me considerava inovador e criativo, e dar exemplos práticos disso. Mas o que vejo agora, em nosso dia-a-dia, é a velha rotina de sempre. Será que estou deixando de enxergar alguma coisa?"

Sim, está. Por influência do que nós aprendemos nas enciclopédias, nós tendemos a definir criatividade como a capacidade de inventar ou descobrir algo grandioso, que irá mudar os rumos da humanidade. E imediatamente, associamos criatividade e inovação com nomes fulgurantes como Einstein, Santos Dumont ou Thomas Edison.

Mas esse tempo passou, e já faz bem uns 50 ou 60 anos que estamos vivendo em outra era: a era da invenção sem inventor.

Todo mundo sabe que Graham Bell inventou o telefone, mas quem saberia dizer o nome do inventor do celular? Marconi inventou o rádio, mas quem inventou a televisão? E quem inventou a fita cassete, o CD e o DVD?

A quase totalidade das invenções modernas têm, por trás delas, não mais o nome de um único indivíduo, mas o nome de uma corporação. E essas corporações, que investem uma fatia razoável do seu orçamento em inovações, sem dúvida estão em busca de pessoas capazes de pensar, como o nosso ouvinte.

Mas as corporações não esperam que cada empregado tenha uma idéia genial por dia. O que elas procuram é gente capaz de olhar para as coisas simples e rotineiras, e introduzir pequenas mudanças, para aperfeiçoar os processos.

Ao longo do tempo, essas transformações contínuas, mas quase imperceptíveis no dia-a-dia, irão proporcionar à empresa inovadora, uma enorme dianteira sobre seus concorrentes que só copiam as idéias alheias.

Logo, o nosso ouvinte pode ficar despreocupado. O cérebro dele não foi alugado em troco de nada. O nosso ouvinte é criativo e está numa empresa inovadora. Ele só precisa entender que criatividade deixou de ser a valorização de um único profissional superdotado, para se tornar a soma das pequenas e constantes contribuições de todos os empregados.

Evidentemente, ainda existem gênios capazes de sacar grandes inovações por conta própria, principalmente no campo da tecnologia. Mas eles não trabalham para empresas. Eles constituem as suas próprias empresas.

Max Gehringer, para CBN.

2009-09-09

Poemas - Chuva

Fiquei com vontade de escrever alguma coisa e aqui estamos. E porque hoje choveu o dia inteiro e eu cheguei em casa todo molhado de noite.

E pra senhorita que me escreveu hoje, não se preocupe, porque apesar do poeminha ser um tanto quanto triste, não reflete o meu estado de espírito (pelo menos de hoje) e não seguirei os passos do jovem Werther.

chuva noite
Chuva

Hoje o dia e a noite se entrelaçaram num céu escuro,
Em comum, apenas as lágrimas caindo das nuvens acima.
Nestes dias, em que o passado se mescla com o futuro,
O presente, vazio efêmero, recebe toda a minha estima.

Era noite, o frio cortava com o barulho do vento.
A roupa molhada, pelas lágrimas, pelo sofrimento,
Se disfarçava com a água da chuva do momento.

Vendo as gotas cairem na terra molhada, qual a diferença
Entre as lágrimas e a chuva, entre o ombro e a terra?
Ambos acolhem, abraçam, com aquela paciência imensa,
A dor, o sofrimento que cada minúscula gota encerra.

O frio, o vento, o barulho da água batendo lá fora,
Eu andava depressa, molhando os óculos, sem demora.
Chovia lá fora, e ainda chove aqui dentro, agora.

Gato secando no varal

É fato de que gatos não gostam muito de banhos (a não ser do famoso e auto banho de gato). Então, pra secar o pobre gatinho, não faça como aquela lenda urbana (da velhinha que pensou em secar no microondas), deixe o gato no varal:

gatos,varal

Imagem do dia dedicado ao 09.09.09, o dia com mais gatos.

Salário mais baixo em empresa de grande porte pode ser investimento na carreira - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 09/09/2009, sobre o salário inicial de um jovem em início de carreira, em uma grande empresa e em uma pequena empresa, e as suas diferenças.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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Salário mais baixo em empresa de grande porte pode ser investimento na carreira

pequenas empresas grandes negócios
"Tenho 23 anos e estou avaliando duas propostas de emprego", escreve um felizardo ouvinte. "Uma é de uma empresa de pequeno porte, praticamente desconhecida no mercado, mas bastante sólida. E a outra é de uma empresa muito famosa, que tem milhares de empregados. As funções numa e na outra seriam equivalentes, mas para minha surpresa, na empresa grande o salário é mais baixo. Não tem alguma coisa errada nisso?"

Bom, em primeiro lugar, meus parabéns. Com tanta gente batalhando por um emprego, você conseguiu logo dois de uma vez. Mas vamos lá.

Como você deve saber, há uma diferença entre salário e compensação. Salário é o montante de dinheiro que você recebe no fim do mês, e que normalmente é um valor fixo. Compensação é o pacote que inclui, além do salário, os benefícios indiretos que a empresa oferece, e uma eventual remuneração variável por desempenho no final do ano, o chamado bônus.

É bem provável que ao fazer a conta pela remuneração e não pelo salário, você descubra que a diferença é menor do que parece.

Mas mesmo assim, como regra, empresas grandes, de fato, não pagam grandes salários para jovens em início de carreira. O primeiro motivo é a velha regra do mercado: empresas maiores atraem mais candidatos bem qualificados, e o preço cai porque há mais oferta do que demanda.

E o segundo motivo diz respeito ao status. Quem entra em uma empresa renomada, terá mais oportunidades futuras. Ou dentro da própria empresa, ou fora dela. De certa forma, os recém-contratados estão pagando para poder colocar no currículo, a grife de uma grande empresa. E por isso, a diferença salarial a menor pode ser considerada como um investimento.

A decisão do nosso ouvinte vai depender do que ele deseja para sua carreira. A empresa menor oferecerá mais estabilidade e menos oportunidades de grandes saltos. A empresa maior oferecerá mais oportunidades de crescimento, mas a concorrência por uma promoção será muito mais disputada. E a pressão no dia a dia, será muito maior.

Eu me arriscaria a dizer que a maioria dos nossos ouvintes optaria pela empresa maior. Porque é bem difícil que um jovem normal resista a uma boa grife.

Max Gehringer, para CBN.

2009-09-08

Livro: Os Sofrimentos do Jovem Werther

Recentemente li o livro Os Sofrimentos do Jovem Werther, de Goethe, especialmente por causa deste post aqui. Apesar de fininho, o livro é poderoso e arrebatador.

Marco do romantismo exacerbado, daquele em que o amante, por amor ou paixão, acaba se matando, a história é toda contada através de cartas escritas pelo próprio protagonista, o jovem Werther do título. A maioria destas cartas são endereçadas ao amigo Wilhelm, que é também o "editor/organizador" do livro, e que no fim acaba escrevendo alguns detalhes da história, expondo fatos sobre o consternado Werther.

A história de amor mal sucedido é simples, mas não deixa de ser tocante. Talvez justamente pela sua simplicidade, ela facilite a identificação de cada um de nós, com os problemas vividos por Werther.

livro os sofrimentos do jovem werther capa
Werther está viajando a serviço de sua mãe. Nesta localidade distante de sua casa, por um acaso conhece Charlotte (Lotte), por quem acaba se apaixonando desesperadamente. Entretanto, desde o começo este amor está fadado a não acontecer, pois ela está prometida em casamento a Albert, casamento este, que durante a história, realmente acontece. Infelizmente pra Werther, o Albert nem é tão ruim, chegando ao ponto de até ter uma amizade entre eles, o que é mais sofrido ainda para Werther, já que nem odiar o rival, ele pode. E no final, como todo romântico extremista, Werther decide morrer.

Ok, agora que eu já contei o final, não pense que não vale a pena ler o livro (até porque, convenhamos, é a mesma coisa que contar o final de Romeu e Julieta, todo mundo sabe que eles se matam). Assim como na vida em geral, o que mais vale, neste caso, é a jornada e não o seu destino.

Alguns trechos/citações que eu selecionei durante a leitura (os grifos são meus):

Antes de conhecer a amada Lotte, divagando sobre as pessoas, o mundo, a natureza, a arte e o amor:

17 de maio de 1771

Tenho conhecido muita gente, porém ainda não encontrei companhia. Não sei o que em mim atrai as pessoas: muitas delas prendem-se a mim e se afeiçoam. Contudo, aborreço-me por não poder dar a todos maiores atenções. Se você me perguntar como são as pessoas daqui, serei forçado a responder: "Como em toda parte". Como a espécie humana é uniforme! A maioria trabalha durante quase todo o tempo para poder viver, e o pouco tempo livre que lhe resta pesa-lhe de tal modo, que procura todos os meios possíveis para dele se libertar. Oh, o destino do homem!

22 de maio

A vida humana não passa de um sonho. A muita gente ocorreu essa impressão que também me acompanha por toda parte. Quando vejo os limites que aprisionam as faculdades de ação e pesquisa do homem, e como toda atividade visa apenas a satisfazer nossas necessidades, que por sua vez não têm outro objetivo senão prolongar nossa mísera existência; quando verifico que toda a tranqüilidade em relação a certos pontos não passa de uma resignação sonhadora, como um prisioneiro que enfeitasse de figuras multicoloridas e luminosas perspectivas as paredes da sua prisão... tudo isso, Wilhelm, me faz emudecer. Concentro-me e encontro um mundo em mim mesmo! Mas, também aí, é um mundo mais de pressentimentos e desejos obscuros do que de imagens nítidas e forças vivas. Tudo flutua vagamente em meus sentidos, e assim, sorrindo e sonhando, prossigo na minha viagem pelo mundo.

House meets Morpheus.

26 de maio

(...) Isso fortaleceu o meu propósito de, daqui para frente, manter-me unicamente ligado à natureza. Só ela é infinitamente rica e só ela é capaz de formar os grandes artistas. Muito se pode dizer a favor das regras de arte, bem como a favor das leis da sociedade. Quem se pauta segundo essas regras não produzirá nunca uma obra absurda nem completamente ruim; do mesmo modo, um homem educado segundo as leis e o decoro jamais poderá ser um vizinho intolerável nem um insigne malfeitor. Apesar disso, diga-se o que se disser, toda regra destrói o verdadeiro sentimento e a verdadeira expressão da natureza. Você dirá: "Isso é injusto! A regra só indica os limites, poda as ramagens muito luxuriantes, etc.". Meu bom amigo, quer uma comparação? Todas essas coisas são como o amor. Um jovem dá seu coração a uma mulher, passa junto dela todas as horas do dia, consome todo o seu vigor e tudo quanto tem para lhe testemunhar que se consagra a ela inteiramente. Aparece um pedante, um homem de bom senso, e diz ao moço: "Meu caro senhor, amar é próprio do homem, mas é preciso amar como pessoa razoável. Divida bem o seu tempo, dedicando uma parte ao trabalho, e a outra, as horas vagas apenas, à mulher amada. Calcule as suas posses, e só gaste o que sobrar. Não lhe vou censurar que dê a ela um presente, mas não em demasia. No dia do aniversário, por exemplo, etc." Se o nosso jovem seguir esses conselhos, tornar-se-á um sujeito útil, e eu mesmo faria empenho junto a um príncipe para que lhe confiasse um emprego público. Mas então, adeus amor, e se é artista, adeus talento.

Se alguém me desse um conselho como esse, levaria uma porrada na cabeça. A pessoa que seguisse esses conselhos se tornaria mesmo patético. E já diz o dito popular: quem sabe faz, quem não sabe, dá conselho.

os sofrimentos do jovem werther
Na carta em que relata ao amigo, o encontro do grande amor, a bela Lotte:

16 de junho

Por que não lhe tenho escrito? Justamente você, que é um sábio, me pergunta isso? Devia ter adivinhado que estou muito bem e que... resumindo, conheci alguém que tocou o meu coração. Eu... eu não sei mais o que dizer.

Não é fácil contar-lhe na ordem como as coisas aconteceram, que me fizeram conhecer a mais adorável das criaturas. Sinto-me contente, feliz; serei, por conseguinte, um mau cronista.

É um anjo!... Ora, já sei que todos dizem isso de sua amada, não é verdade? Todavia, é-me impossível dizer a você o quanto ela é perfeita, e também o porquê de ser tão perfeita. Só isso basta: ela tomou conta de todo o meu ser.

Quem nunca conheceu alguém que pudesse ser descrito(a) assim, não se apaixonou.

Sobre a força de um olhar, quando se está apaixonado:

8 de julho

Como somos crianças! Que valor damos a um olhar! Ah como somos crianças!... Tínhamos ido a Walheim; as damas foram de carro. Durante o caminho, creio ter visto os olhos negros de Lotte... Perdoe-me, que estou louco, mas eu queria que você visse aqueles olhos! Mas como meus olhos estão pesados de sono, vou resumir: quando as damas subiram, permanecemos todos de pé, em torno do carro, o jovem W., Selstadt, Audran e eu. Elas conversavam pela portinhola com esses moços que, para dizer verdade, se mostravam muito frívolos e levianos. Eu buscava os olhos de Lotte, mas, ah!, eles iam de um lado para outro, sem pousar em mim, que ali estava sem outro pensamento que não fosse para ela! Meu coração mil vezes lhe repetia adeus, e ela não olhava para mim!

O carro partiu, e uma lágrima rolou dos meus olhos. Segui-o com o olhar, vi os cabelos de Lotte se agitarem para fora da portinhola e notei que ela se voltava para olhar... Seria para mim? Meu caro Wilheim, flutuo nesta incerteza, e meu único consolo é dizer a mim mesmo: "Talvez ela tenha voltado para me olhar!" Talvez!...

Boa noite! Ah! Como sou criança!

Um olhar, um cumprimento, qualquer migalha é preciosa para o apaixonado.

Todo apaixonado fica idiota. Muito!

18 de julho

Wilhelm, que seria do nosso coração em um mundo inteiro sem amor? O mesmo que uma lanterna mágica apagada! Assim que se põe lá uma lâmpada, imagens de todas as cores surgem na tela branca... E mesmo se fosse apenas isso – fantasmas –, ainda assim continuará fazendo a nossa felicidade, sempre que nos postarmos diante deles, como crianças extasiadas com aquelas aparições maravilhosas.

Hoje não pude ir à casa de Lotte, pois fiquei retido em uma reunião na qual não podia faltar. Que podia fazer? Mandei lá o meu criado, apenas para ter junto de mim alguém que tivesse estado com ela. E com que impaciência o esperei! Com que alegria o vi regressar! Fiquei com vontade de beijá-lo, mas tive vergonha.

Conta-se que a pedra de Bolonha, quando exposta ao sol, absorve-lhe os raios e fica por algum tempo luminosa durante a noite. Pareceu-me haver acontecido o mesmo com o meu criado. Só de pensar que os olhos de Lotte tinham pousado em seu rosto, nas suas faces, nos botões da sua libré, no seu colete, fez com que ele se tornasse para mim tão precioso, tão sagrado! Nesse momento, eu não daria o meu criado por dinheiro nenhum. Eu me sentia tão feliz junto dele!... Queira Deus que você não ria de tudo isso! Ah! Wilhelm, será ilusão ser feliz?

Sim.

os sofrimentos do jovem werther lotte
Não é a toa que dizem que quando apaixonados, perdemos o chão. Quando isso acontece, é como se não estivéssemos conosco:

22 de agosto

Que desgraça, Wilhelm! Perdi toda a minha capacidade de criação, a qual cedeu lugar a um misto de indolência e agitação. Não posso ficar ocioso e, no entanto, nada posso fazer. Não tenho mais imaginação, nem sensibilidade pela natureza, e os livros só me inspiram tédio. Tudo nos falta quando faltamos a nós próprios.

No período do "exílio" auto-imposto, longe de Lotte:

16 de julho de 1772

É verdade: sou apenas um viajante, um peregrino sobre a terra! Será você algo mais do que isso?

A diferença entre um andarilho e um peregrino é que o segundo tem um destino.

Numa carta para Lotte:

10 de outubro

Para eu ser feliz, basta-me contemplar seus olhos negros! E, no entanto, Albert não me parece tão feliz como... esperava, e eu... supunha, se... Não gosto de usar reticências, mas desta vez não saberia expressar-me de outra forma, e parece-me ter sido claro o bastante.

Reticências. Para quando o silêncio diz mais do que quaisquer palavras.

Sobre a insignificância do homem:

26 de outubro

Sim, meu caro, para mim, cada vez estou mais certo de que a existência dos seres tem muito pouca importância. Chegando uma amiga de Lotte, retirei-me para o cômodo vizinho a fim de procurar um livro que, aliás, não consegui ler; então, pus-me a escrever. Elas conversavam em voz baixa, contando coisas insignificantes, novidades da cidade: que esta casou, que aquela outra está muito doente. "Está com tosse seca, o rosto cavado, sofre de uma fraqueza contínua: não dou nada pela sua vida", dizia a amiga. "O senhor N. N. também está muito mal", respondeu Lotte. "Ele está inchado", disse a outra. A minha viva imaginação transportou-me para junto do leito daqueles desgraçados e vi com que pesar eles abandonavam a vida, como eles... E, Wilhelm, aquelas duas jovens falavam deles como se fala... da morte de um estranho. Olho em torno e, vejo neste quarto vestidos de Lotte, papéis de Albert, estes móveis que se me tornaram tão familiares, este tinteiro, e digo a mim mesmo: "Veja o que você agora representa nesta casa: tudo para eles! Seus amigos lhe têm consideração e estima, você dá a eles muitos momentos de alegria e supõe que seu coração não poderia viver sem eles. No entanto... se você partisse, se desaparecesse desse círculo, por quanto tempo sentiriam o vazio que a sua ausência lhes causaria? Por quanto tempo? ...." Ah! O homem é tão efêmero que, mesmo onde está verdadeiramente seguro da sua existência, no único lugar em que sua presença produz uma impressão real – na memória e no coração dos amigos – mesmo ali ele vai apagar-se e desaparecer, e logo!

O desespero do amor:

27 de outubro, à tarde

Tenho tanto! E o sentimento que tenho por ela devora tudo. Tenho tanta coisa, mas sem ela tudo para mim é como se não existisse.

3 de novembro

Só Deus sabe quantas vezes vou dormir desejando nunca mais despertar; e pela manhã, quando abro os olhos e torno a ver o sol, sinto-me um desgraçado. Ah, se eu fosse um maluco, poderia jogar a culpa no tempo, em outra pessoa, num projeto fracassado, e assim o peso insuportável da minha dor poderia ser dividido. Que desgraçado sou: sei perfeitamente que sou o único culpado... não exatamente culpado, mas é em mim que está a fonte de todos os meus males, como outrora a fonte de toda a minha felicidade. Não sou mais o homem que outrora nadava num mar de rosas, e a cada passo via surgir um paraíso, e cujo amor era capaz de abranger o mundo inteiro? Mas o coração que assim pulsava está morto, dele não brota mais nenhum encanto; meus olhos, agora secos, não se refrescam mais de lágrimas benfazejas, e a angústia abafa os meus sentidos e enruga a minha fronte. Sofro ainda mais ao verificar que perdi aquilo que dava encanto à minha vida, sagrada e tumultuosa força graças à qual podia criar mundos e mundos a meu redor. Essa força acabou. Quando contemplo da minha janela o sol da manhã romper a bruma sobre a colina distante, iluminando a campina silenciosa no fundo do vale, e vejo o rio correndo suavemente para mim e serpenteando entre os salgueiros desfolhados, essa natureza me parece fria e inanimada como uma estampa colorida – agora toda essa magnificência não consegue fazer passar para o meu cérebro nenhuma gota de felicidade do meu coração, (...)

É como se eu mesmo tivesse escrito esta carta.

os sofrimentos do jovem werther morte
Nestas situações, proximidade é apenas um veneno:

21 de novembro

Ela não vê, não sente que prepara um veneno que vai nos destruir a ambos. E eu bebo com volúpia a taça em que ela me oferece a morte? Por que olha, tantas vezes, de um jeito tão bondoso? Nem sempre, mas enfim, às vezes. Por que essa complacência com que aceita as expressões involuntárias dos meus sentimentos, e a compaixão pelo meu sofrimento que transparece em seu rosto?

Ontem, ao sair, ela estendeu-me a mão dizendo: "Adeus, querido Werther!" Querido Werther! É a primeira vez que me chama assim, e a alegria que senti penetrou-me até a medula dos ossos. Repeti a palavra centena de vezes e, à noite, ao deitar-me, eu disse "boa noite, querido Werther!", e não pude deixar de rir de mim mesmo.

Uma carta ambígua, com um tom de despedida, e que precede as ações derradeiras de Werther:

20 de dezembro

Obrigado por sua amizade, Wilhelm, por ter compreendido tão bem as minhas palavras. Sim, você tem razão: o melhor é partir. A proposta de retornar para junto de você não me agrada inteiramente. Antes, eu gostaria de fazer uma excursão, sobretudo neste momento que esperamos boa geada e bons caminhos. Fiquei feliz pelo seu projeto de vir até mim. Apenas aguarde uns quinze dias, findo os quais receberá uma carta minha, contendo os pormenores necessários. Não se deve colher o fruto antes de maduro, e quinze dias a mais farão muita diferença. Diga à minha mãe que reze pelo filho; diga-lhe também que perdoe a mágoa que lhe tenho causado. É o meu destino entristecer aqueles a quem devia tornar felizes! Adeus, querido amigo! Que o céu derrame todas as bênçãos sobre você! Adeus!

Gripe Zumbi

Estou decepcionado com essa gripe suína, ou gripe A. Veio com promessas de matar milhares, corpos estendidos pela rua, caos total... e só algumas mortes até agora. Queria só ver se aparecesse um T-vírus influenza por aí...

gripes,zumbi

Excelente tradução do Vida Ordinária.