Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 25/06/2010, sobre como uma mentira pode gerar demissão por justa causa, influenciada pelo cigarro.
"Faz uma semana", escreve um ouvinte, "fui contratado por uma empresa. Dentre os documentos que tive que assinar, havia um chamado 'declaração de não-fumante'. Eu fumo, mas não no trabalho. Fumo em minha casa ou durante o meu horário de almoço, mas sempre fora da empresa. Portanto, em minha visão, eu não estaria desrespeitando o que declarei na carta. Gostaria de saber se fiz mal em não deixar isso claro no momento em que assinei a carta."
Sim, você fez muito mal. Porque se você tivesse dito a verdade, não teria sido contratado, já que não ser fumante era um pré-requisito.
Em resumo, ao assinar a declaração, você mentiu. Da mesma maneira que teria mentido se afirmasse que concluiu um curso que não concluiu. Em ambos os casos, a empresa está confiando apenas na palavra do contratado. E a quebra dessa confiança pode resultar numa demissão por justa causa.
A declaração de não-fumante que algumas empresas estão pedindo, é perfeitamente aceitável nos casos em que o funcionário terá contato direto com um público externo majoritariamente composto por não-fumantes. Um motorista, por exemplo, ou um caixa de supermercado.
Para que haja a quebra da confiança e a consequente demissão, não é necessário que o empregado seja flagrado fumando. O cigarro deixa cheiro, no hálito, na pele e na roupa. O fumante pode não perceber, mas os não-fumantes têm narinas muito sensíveis e percebem.
A declaração de não-fumante não significa que a empresa está proibindo um adulto responsável de fumar. Significa que por uma questão de respeito aos clientes, a empresa está dando preferência a contratação de não-fumantes.
No caso de nosso ouvinte, ele tem duas opções: parar de fumar ou procurar outro emprego em que existam menos restrições ao tabagismo. A terceira opção, a de tentar burlar algo que foi declarado e assinado sem imposições, é um risco muito grande, para a saúde e para a carreira.
As pinturas de Alexi Worth têm muita influência visual da fotografia. E, como ela, podem gerar imagens bem peculiares, que dão margem a interpretações diferentes, dependendo da mente suja da pessoa.
Half in Hand. Uma pêra ou algo mais abaixo da linha do Equador?
Tear Sheet. Uma página rasgada ou um decote feminino?
E de brinde, essa outra pintura, que tem um ângulo bastante peculiar:
The Formalists. Tudo muito formal, até o cara está de black-tie.
Uma ouvinte me pergunta: "Se você tivesse que dar um único conselho a um profissional, que conselho seria esse?"
Seria: não desista. Um fato triste, porém comum, é um profissional com muito talento ficar marcando passo, ou não conseguir um emprego a altura de sua capacidade. O mercado de trabalho está repleto de gente assim. Nós olhamos para a pessoa e pensamos: ela tem tudo para ir longe na carreira. Mas aí o tempo passa, passa, e nada acontece. Dois, três, quatro anos depois, a pessoa está no mesmo lugar, fazendo a mesma coisa. O talento continua lá, mas é como se fosse um belo carro sem gasolina: chama a atenção, mas não se move.
O que esses profissionais têm em comum? Três coisas.
Primeira: dificuldade para tomar a iniciativa. O profissional espera que algo aconteça, em vez de tentar fazer algo acontecer.
Segunda: dificuldade para reagir a uma crítica. Quando criticado, o profissional se fecha em si mesmo.
Terceira: dificuldade para entender que o problema está nele, e não nos outros. É muito fácil culpar o sistema, ou o chefe ou os colegas. O mundo corporativo está repleto de potenciais culpados para qualquer situação que o profissional enfrenta. Porém, a transferência da culpa para terceiros não vai resolver o problema. Pelo contrário, só vai aumentá-lo ou prolongá-lo.
O que fazer? Uma coisa que só se aprende fazendo. Reagir, argumentar, discutir, dar a cara para bater, pedir o que acredita que merece. Em último caso, procurar ajuda, fazer uma terapia para se livrar das amarras.
Provavelmente, alguns ouvintes irão pensar "Eu sou exatamente o contrário. Brigo, esperneio, falo o que penso, mas é exatamente isso que está me prejudicando". Nesse caso, a sugestão é a mesma: não desista! Porém, entenda a diferença entre teimosia e persistência. Teimosia é continuar insistindo em fazer sempre do mesmo jeito, alguma coisa que já não deu certo várias vezes. Persistência é saber como contornar obstáculos para continuar seguindo em frente.
O talentoso sem iniciativa e o talentoso excessivamente teimoso, são duas faces da mesma moeda. Um não reage quando precisa. O outro reage quando não precisa.
Existem filmes que o trailer conta toda a história, e com isso, acaba estragando toda a experiência de ir ver o filme (no cinema ou não). Mas existem casos em que mesmo sabendo de toda a história, e até mesmo tendo uma boa ideia de como ela termina na película, o filme ainda consegue te surpreender. Em Busca de uma Nova Chance (ou The Greatest no original), pertence a essa segunda categoria.
O filme começa bem leve, já mostrando dois jovens enamorados. E, bruscamente, tudo isso termina, quando acontece um acidente de trânsito em que o rapaz morre, numa das cenas mais bruscas que já vi. E essa quebra anuncia o tom do que teremos pela frente, um drama. O rapaz era Bennett Brewer (Aaron Johnson, de Kick-Ass, que - raios! - ainda não estreou por aqui). A jovem garota que estava com ele é Rose (Carey Mulligan), que escapa com poucas sequelas do acidente.
Alguns meses depois, a família de Bennett ainda passa por um duro luto: o pai Allen (Pierce Brosnan) não consegue falar abertamente sobre o filho morto, e guarda todos os seus sentimentos dentro de si, se fazendo de forte, para ajudar a sua mulher Grace (Susan Sarandon). Grace não consegue aceitar a morte do filho, e fica obcecada por saber quais foram as últimas palavras dele, indo sempre visitar o responsável pelo acidente, que se encontra em coma, numa relação de puro desespero. Completando a família, temos o irmão Ryan (Johnny Simmons), que tem seus próprios problemas da adolescência mais a culpa e/ou remorso por não ter se despedido apropriadamente do irmão.
E é nesta família a um passo de desmoronar, que chega Rose, com a notícia de que está grávida. A cena em que ela aparece na casa dos Brewer, e conversa com Allen, é de arrepiar. Vemos que ambos os personagens estão em situações difíceis, e ambos estão a beira do abismo, se segurando para não deixar a emoção transbordar.
Bem, a partir daí, a família acolhe Rose, apesar da mãe Grace não gostar da ideia. Se este fosse um filme bem clichê, eu diria que a chegada de Rose desencadearia uma série de eventos que farão, finalmente, a família superar a dor. Mas não é exatamente isso o que acontece. Como na vida real, a superação do luto ocorre de maneira natural, orgânica. Cada um dos membros da família, passará por aquilo que tem que passar. Alguns desses eventos terão a presença de Rose, outros não. E esses eventos é que dão a graça ao filme, pois a visão macroscópica dele já temos, e os detalhes é que farão a diferença.
Como se pode notar, Em Busca de uma Nova Chance é um drama familiar sobre a perda, e não um drama sobre um amor perdido, como o trailer pode passar a impressão. Quer dizer, é amor, mas um amor diferente, de família. Neste sentido, não dá nem pra dizer que Rose é a protagonista, pois o seu drama, apesar de sem dúvida ser profundo, na tela fica bem limitado.
Claro que Em Busca de uma Nova Chance não é livre de clichês. Por exemplo, posso dizer, e nem considero isso um spoiler (porque é muito clichê e manjado), que o filme termina com o nascimento do bebê de Rose e Bennett, depois que a família volta a se reunir com Rose (porque é óbvio que houve uma briga, uma tensão) e eles vão correndo para o hospital. Entretanto, a última cena do filme é um flashback, que remete ao início dessa história, que fechou o filme brilhantemente bem. Não é uma cena que tenha uma surpresa ou revelação, mas eu não esperava. Como dizem as comentaristas deste blog, ficou fofo.
Aliás, ficamos sabendo de toda a relação entre Rose e Bennet por flashbacks ou pela narração da personagem. E essas lembranças, de um grande amor juvenil, são um bom contraponto ao drama familiar que se instaura no presente, não deixando que o filme perca o tom mostrando apenas o drama presente. Funciona muito bem, mas não é perfeito: sinceramente, teve momentos em que eu tive vontade de dar uns tapas na cara de Grace, a personagem de Sarandon, tamanho o descontrole da mulher.
A diretora estreante Shana Feste, que também escreve o roteiro, com certeza investiu na atuação do seu elenco. Porque o filme, que não tem grande destaques na fotografia ou som (e na parte técnica, no geral), tem um excelente trunfo: atuações poderosas. E essas atuações fazem a diferença: sem elas, o roteiro não se sustentaria, pois é de médio para fraco (junte a obviedade da história com os clichês de drama, mesmo estes não sendo muitos). Praticamente todos os quatro nomes do elenco, já citados, estão igualmente excelentes. Mas claro que ressalto Carey Mulligan com seu visual tomboy, que achei simplesmente linda. E meiga. E fofa. ;)
Enfim, existem filmes, assim como histórias, em que já sabemos o que acontece. Mas não podemos nos esquecer que o como acontece é igualmente importante, e no caso de histórias, igualmente delicioso de saber. Em Busca de uma Nova Chance nos oferece uma história que já conhecemos, mas contada de uma maneira excelente, especialmente pela atuação do elenco. Sem dúvida, merece uma conferida.
Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 23/06/2010, sobre se fazer um curso de Turismo é uma escolha acertada em vista dos eventos esportivos vindouros no Brasil.
Curso de turismo é uma boa escolha diante da Copa de 2014 e Jogos de 2016?
Uma consulta que já me foi feita por muitos ouvintes. Começar um curso de Turismo agora, seria uma boa escolha, já que esse setor irá ter um forte crescimento com a Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016?
Bom, primeiro, são dois eventos bem diferentes em termos de alcance. A Copa vai movimentar mais de uma dúzia de capitais brasileiras, e os Jogos Olímpicos irão afetar uma única cidade, o Rio de Janeiro.
O segundo ponto a considerar é que os dois eventos, de fato, trarão centenas de milhares de turistas para o Brasil, mas por períodos de tempos bastante curtos. O que foi aprendido em Copas e Jogos Olímpicos anteriores, é que diversos setores da economia das cidades envolvidas experimentam um forte aumento nos negócios durante as competições. Alguns desses setores são óbvios, como os de hotéis, restaurantes, transportes, lojas e excursões. Mas há outros setores que aproveitam bem o influxo de turistas, como o do marketing esportivo, o das confecções, o do aluguel de carros.
O que praticamente todos esses setores irão fazer para aproveitar bem o momento, são estratégias de curtíssimo prazo. O objetivo será o de gerar o máximo de negócios em dois períodos mínimos de tempo. Por isso, no caso de funcionários, os empregos serão temporários e não efetivos. Haverá um boom instantâneo, e em seguida, uma redução.
Proporcionalmente, eu acredito que o setor de turismo será o que mais irá gerar empregos no primeiro semestre de 2014, e o que irá mais dispensar funcionários no segundo semestre.
Logo, quem for se preparar para aproveitar as oportunidades, que serão muitas, precisará também pensar em um plano alternativo de carreira, para depois que os eventos terminarem.
Outra dica é que Copas e Jogos Olímpicos são bons momentos para os empregados, mas são muito melhores para os empresários. Não só para os grandes, mas também para micro-empresários com pouco capital e muita imaginação.
Aos ouvintes que estão pensando em cursar Turismo, eu acredito fazer isso somente no caso de Turismo ser a vocação deles. Se não for, não vale a pena estudar quatro anos para ter emprego por três meses.
Ouvintes atentos me escreveram para dizer que o exame da Ordem dos Advogados do Brasil é composto por 100 questões na primeira fase, e não 80, como informei em meu comentário da semana passada. É fato. Eu antecipei uma medida ainda a ser posta em prática em futuros exames. Até agora sempre foram 100 questões, com 5 horas para respondê-las.
Correção feita, o comentário rendeu uma batelada de e-mails de ouvintes que são contra o exame. Compreensivelmente, nenhum ouvinte que foi aprovado no exame reclamou do processo. Os que escreveram foram reprovados, mas isso não impede que eles possam ter as opiniões divulgadas.
Um dos ouvintes resume a opinião geral, quando diz que formandos em engenharia, administração e outros cursos não precisam passar por um exame de proficiência para poderem exercer a sua profissão. O ouvinte argumenta que o mercado de trabalho está mais do que apto para separar os profissionais que possuem competência em qualquer profissão. E é injusto que um jovem tenha que estudar Direito durante anos, para só depois descobrir se poderá, ou não, exercer a profissão que escolheu.
Outro ouvinte levanta um ponto sensível. Se já está comprovado que no Brasil existem faculdades de baixo nível em todos os cursos, por que não existem exames para todos os cursos?
Bom, vale aqui lembrar porque o exame da Ordem começou, lá em 1971. Naquela época, surgiram os chamados cursos livres de Direito, com aulas apenas aos sábados. Era compreensível que quem estudava seis dias por semana, fosse contra essa aberração. E por isso, o exame da Ordem foi legalmente estabelecido. E funcionou, porque os cursos livres desapareceram, dada a alta quantidade de reprovações de seus bacharéis.
A situação agora é outra, mas a lei que criou o exame da Ordem continua em vigor. Para mudar a situação, será preciso mudar a lei. Enquanto ela existir, apenas dois de cada dez bacharéis em Direito, se tornarão advogados.
Existe alguma possibilidade da lei ser mudada? Talvez, se os quatro milhões de bacharéis que não passaram no exame da Ordem, conseguirem se organizar em uma associação nacional. Independentemente do mérito da questão, quatro milhões de pessoas são um contingente eleitoral que dá água na boca de qualquer político.
Sábado assisti na "sessão cult" do Cinemark Floripa o filme Direito de Amar (ou originalmente A Single Man), mais um da série "filmes cujos nomes em português enganam". Independente do nome, o filme do diretor estreante Tom Ford tem uma bela fotografia, alguns acertos visuais, mas arranca bocejos.
Ford, que também assina o roteiro (baseado em um romance de Christopher Isherwood), não é exatamente um cineasta (ou não era). Ele era o estilista responsável pela marca Gucci, e o cuidado com que tinha com imagens é sentida no filme. Entretanto, talvez por ser sua primeira experiência como diretor, ele tenha se encantado com alguns recursos e abusado deles, tornando o ritmo do filme um tanto moroso.
Um exemplo claro é o uso de câmera lenta. Pegue, por exemplo, o uso da câmera lenta ao retratar os vizinhos do personagem principal, George (interpretado por Colin Firth), em duas cenas em que usa muito a câmera lenta. Na primeira, o diretor introduz a família da vizinha interpretada por Jennifer Goodwin (em praticamente uma ponta), mostrando uma típica cena matinal, com as crianças brincando no jardim, e o marido saindo para o trabalho, não sem antes cochichar algo no ouvido da mulher. A câmera lenta aqui diz pouco: não ajuda em nada em estabelecer algo sobre os vizinhos, e se a intenção era mostrar algo interior sobre o personagem principal, sob o seu ponto de vista, sinceramente o intuito não se concretizou.
Na segunda cena em que mostra os vizinhos em câmera lenta, George sai para o trabalho e de carro, passa por estes mesmos vizinhos. A única justificativa para a câmera lenta nessa cena seria o sinal de atirar que ele faz para o filho pentelho do vizinho, mas o problema é que a câmera lenta se prolonga bem mais do que necessário. E isso se repete por boa parte do filme, imprimindo um ritmo muitas vezes tedioso nas cenas.
Direito de Amar nos conta a história do professor George Falconer (Firth), que amargura um luto pela perda do grande amor de sua vida, Jim (Matthew Goode), com quem conviveu por mais de dez anos. Sim, o professor era um homossexual nos anos 60, época em que se passa a história. E nesta época, apesar de não haver uma caça às bruxas (gays, no caso), ser assumido não era algo tão "normal" quanto é hoje. Mas esta não é o drama central do filme. O que move o filme é a profunda depressão que George se encontra, não conseguindo superar o luto.
O filme se passa todo em um dia na vida de George, o dia em que ele decidiu dar um fim a tudo. E antes que me acusem de spoiler, vejam que logo no início temos os sinais clássicos de um suicida (pelo menos, no clichê cinematográfico): despedidas com as pessoas desconfiando que tem algo errado (no caso, a primeira é a empregada), arrumação das coisas, etc... Entretanto, antes do grand finale, o dia de George ainda terá uma visita a sua amiga de longa data, Charlie (Julianne Moore), e um encontro com um aluno seu, Kenny (Nicholas Hoult), que poderão, ou não, fazer diferença na decisão de George. Se o filme se passa todo em um dia, ficamos sabendo da história de George por meio de flashbacks, sobretudo aqueles relacionados a Jim, seu companheiro.
Um dos panos de fundo de Direito de Amar é, indiscutivelmente, o movimento homossexual. Entretanto, o filme percorre esse caminho por meio da história do indivíduo, de maneira sutil, e não como um movimento de grande massa. Ou seja, foca-se no professor George. Dois momentos que exemplificam isso: logo no começo do filme, quando num pensamento, George discorre sobre "o papel que deve desempenhar". E na cena da chegada dele à faculdade, quando ele percorre o caminho contrário à corrente do resto das pessoas, uma ótima metáfora visual para a orientação do personagem.
O rótulo de "filme gay" ou "filme homossexual" não se restringe somente a trama. Visualmente, apesar de não conter cenas sexualmente explícitas (como o ruim filme brasileiro Do Começo ao Fim), Direito de Amar abusa dos corpos sarados e seminus dos personagens masculinos. Eu particularmente não gosto, mas como se fosse o contrário e mostrasse mulheres nas mesmas poses e com as mesmas vestimentas, eu não reclamaria, não dá pra ser hipócrita e dizer que este é um ponto negativo. Mas, dá sim pra dizer que a maioria dessas cenas são gratuitas, e apesar de esteticamente elegantes, são sim, do ponto de vista do roteiro, fanservices (uma terminologia que vem dos animes, que quer dizer que são imagens apenas pra deixar a galera que curte o visual mais feliz).
A atuação de Colin Firth, como já era de se esperar, é perfeita. Julianne Moore, o outro grande nome do cartaz, está bem, mas assim como o resto do elenco, suas aparições são tão breves e sem grandes atrações, que é inevitável que seja ofuscada por Firth. É dele o show.
Infelizmente, o show não é tão bom assim. Como já disse, o ritmo do filme é um problema. Preocupado em estabelecer a angústia do personagem principal, o diretor Ford sobrecarrega o filme com câmeras lentas e flashbacks, muitas vezes desnecessários para a história, mas que certamente tinham o intuito de pontuar o amor outrora existente e a angústia que a sua perda provocou. Entretanto, a própria atuação de Firth já deixa isso muito claro, e alguns flashbacks neste sentido, apenas arrastam a narrativa.
Outro ponto que eu não gostei foi a trilha sonora instrumental. Em vários momentos, ela mais incomodou do que fez com que eu entrasse na história. Por exemplo, em uma determina cena, a trilha sonora era característica de filmes de suspense. Entretanto, o que se via na tela não tinha nada de suspense, e sim, um drama. Aliás, essa parte da trilha, em particular, me lembrou muito os acordes de suspense do filme Sinais, do Shyamalan. Pois é, realmente nada a ver.
Outro ponto pra discussão, desta vez culpa do roteiro, é a impressão de que os homossexuais possuam um "gaydar". Só assim pra explicar como o personagem George é abordado tão frequentemente, por outros gays, sendo que ele não demonstra nenhum estereótipo. Talvez seja coincidência o encontro dele na loja de bebidas, mas a impressão que fica é que, magicamente, existe um "gaydar" nos não-heterossexuais.
Direito de Amar tem seus melhores momentos no final. E não só porque o filme se arrasta demais, mas sim porque o final tem umas cenas muito boas. Sobretudo, as metáforas visuais e a referência ao começo do filme, que fecha um arco e que, desta maneira, deixa o filme elegante (também) do ponto de vista de roteiro.
Enfim, Direito de Amar tem sim muitas qualidades, além da tão aclamada fotografia (que todo mundo cita, por causa do background do diretor). Entretanto, o seu ritmo lento e arrastado faz com que a obra perca muito do que poderia ter sido. E inevitavelmente, ouvem-se alguns bocejos durante a sua exibição.
La Puerta, ou A Porta, é uma animação feita em stop-motion produzida por sam3. Na animação, um homem e sua vontade de passar por uma porta. Uma viagem por várias e várias portas.
Fotografado em várias cidades européias (Grottaglie, Roma, Barcelona e Murcia), é interessante pra quem curte design e arquitetura. Não pelos edifícios grandiosos, mas por um pequeno detalhe destes, às vezes, tão relegados.
Não se pode ignorar a existência dos processos informais de admissão
Um desabafo de um ouvinte. Ele escreve: "Já ouvi você falar várias vezes sobre a necessidade de conhecermos pessoas que possam nos indicar a uma vaga. Eu peço licença para discordar. Acredito que ao permitir isso, as empresas estão deixando de contratar os melhores técnicos, para contratar os mais bem relacionados. Existem muitos profissionais que não são afeitos a ficar procurando brechas para se aproximar de alguém que ocupe um bom cargo em uma empresa. Eu me sentiria, com o perdão da palavra, uma 'pessoa falsa', se usasse a estratégia de estabelecer esse tipo de contato por conveniência. Eu, e muitos ouvintes, gostaríamos que você denunciasse esse tipo de atitude, ao invés de compactuar com ela."
Vamos lá. Eu concordo com a sua discordância. Pessoalmente, eu também preferiria que pudéssemos aplicar na vida profissional, somente aquilo que aprendemos na escola. Se isso fosse possível, o mundo corporativo seria cartesiano.
Porém, não podemos passar por cima da realidade. O círculo de relacionamentos é um processo informal largamente praticado. E não começou de repente. Eu mesmo consegui o meu primeiro emprego por indicação de uma vizinha. Assim como você, eu também não achava que pedir um favor era o modo mais apropriado de entrar no mercado de trabalho. Mas a minha mãe achava, e foi ela quem conversou com a vizinha.
Meio envergonhado, fui à empresa, fiz o teste de admissão e passei. Dois meses depois, um amigo me pediu ajuda para conseguir um emprego. Falei com meu chefe e ele me perguntou se eu garantia que meu amigo era uma pessoa trabalhadora e confiável. Eu respondi que sim, e meu amigo foi contratado.
Foi aí que me caiu a ficha. A vizinha que me recomendou e o amigo que me pediu uma recomendação, não eram exceções no mercado de trabalho. Pelo contrário, eles eram a regra.
Nós podemos discordar do mérito desse processo informal, como você discorda e eu concordo. Mas não podemos ignorar que ele existe, que continuará existindo, e que funciona muito bem, para quem sabe como fazer bom uso dele.
Quem conhece este espaço há um tempo maior, sabe que não curtimos muito esse negócio de "selinhos" e "prêmios" que andavam como uma praga por entre blogs. Hoje parece que o pessoal se tocou e não aparece um selinho novo a cada dia. Bem, geralmente agradecemos o selo (se tiver um link pra cá, queremos é liiinks!! hahaha), mas não continuamos com a corrente.
Dito isso, a Marcia "Albuq" do blog Relacionamentos, Vida & Cotidiano nos indicou com um selo. Obrigado. Desta vez abrirei uma exceção e continuarei com a corrente, pra mandar uns links pra quem comenta bastante por aqui (apesar de desse selo ser muito florido e rosinha, pro meu gosto).
Como toda corrente, tem as suas regrinhas. Então:
1) Explique o motivo de ter começado o blog e se esperava tornar-se popular.
Comecei o blog por tédio, e não dei muita atenção a esse infeliz até ficar mais entediado ainda. Teve uma época que no trampo, não tinha absolutamente nada pra fazer e tempo de sobra. Eu tinha que arranjar uma coisa pra fazer ou morrer de tédio. Depois, o motor pegou no tranco e continuamos, mesmo não tendo mais tempo pra nada.
E claro que eu esperava que o blog se tornasse popular. Esperava que me rendesse trilhões no Adsense e me faria parceiro de Deus na conquista mundial. Ainda estamos esperando pelo resultado.
2) Diga a data exata do início do seu blog. 23 de abril de 2006.
3) Indique 5 seguidores fiéis do seu blog.
Não são bem seguidores fiéis, mas são os que mais comentaram por aqui nos últimos tempos, que eu me lembre. Afinal, como você vai saber quem é um seguidor fiel, se não comenta, não é?
P.S. Não sei se você notou, mas de vez em quando no texto eu me refiro a mim mesmo no plural. Não é erro gramatical não, são as minhas múltiplas personalidades falando.
Em algum evento de caridade ou pra levantar fundos (!) pra alguma causa (provavelmente) social, um bando de belas modelos se vestiu de Princesa Leia e, ostentando seus belos e torneados corpos e cosplays de Star Wars, fizeram um Car Wash. Ou seja, lavaram carros. (Pelo menos não lavaram aviões, como na propaganda russa.)
Dizendo assim, é até meio chato, mas imagine o que água, sabão e pouca roupa fazem...
Se a sua imaginação não é boa, ou você ainda não se convenceu, tudo bem. Basta olhar os vídeos abaixo. Se esse não for o melhor car wash do mundo, não sei qual é.
E de lambuja, mais fotos:
E com essa sequência abaixo, dessa loirinha muito linda, me despeço:
Videos via Geeklogie. Imagens via G4TV (tem bem mais imagens no link, são 102 no total).
Vou te dizer, estou chocado! O terceiro de Scott Pilgrim vs the World é simplesmente o melhor. Se o segundo trailer era uma mera extensão do primeiro, esse é totalmente diferente. Se você leu os quadrinhos, vai ver que tudo o que torna Scott Pilgrim maneiro está lá no filme.
Até a escolha de Michael Cera como o protagonista, que deixava dúvidas no ar, parece que agora é incontestável. Ele está "a cara" do personagem, e não do Michael Cera (que é especializado meio que interpretar a si próprio).
Sem mais enrolação:
Eu sei que não deveria criar expectativa antes de ver um filme, mas desta vez, quebro a regra.
Quarta-feira, meio de semana, aproveitei pra ir ao cinema e me isolar um pouco do som das malditas cornetas da Copa. Assisti a comédia romântica Cartas para Julieta (ou Letters to Juliet, no original), sem esperar muito do filme, até porque já havia visto o trailer e este entrega praticamente toda a história. Mas até que me surpreendi, e o filme é bem mais simpático do que eu esperava.
Mesmo carregado de clichês, o filme funciona. Como comédia romântica, você já sabe de antemão o final da história. Bem, na verdade, sabe até mesmo o meio da história. O que diferencia cada filme desse gênero é a maneira como a história é contada, o que no caso do cinema, envolve diversos fatores: atuação do elenco, design de produção, jogo de câmera e montagem, trilha sonora e sonorização, etc. No caso de Cartas para Julieta, na média, todos esses elementos criaram um filme despretensioso, bobinho, mas divertidinho de se assistir.
No filme, a protagonista Sophie (a bonitinha e de olhos grandes Amanda Seyfried, de O Preço da Traição), trabalha para a revista New Yorker como uma pesquisadora que checa a veracidade das histórias. E claro, ela acredita no amor verdadeiro, como já fica estabelecido nas primeiras cenas, em que ela pesquisa o famoso beijo na Times Square.
Sophie está para se casar com Victor (Gael García Bernal), um chef de cozinha prestes a abrir o seu próprio restaurante. Mas antes, eles vão viajar de férias, numa espécie de lua-de-mel antecipada, para Verona, a cidade italiana em que se passa talvez a história de amor mais famosa de todos os tempos, a de Romeu e Julieta. Só que ali, já fica claro uma coisa: que Victor é muito mais apaixonado por comida, e se seguem cenas em que ele fica maravilhado com os sabores italianos (massas, azeites, vinhos, queijos, tudo pra deixar a gente com água na boca também), ao mesmo tempo em que ela fica entediada. Nisso, ele continua com seu tour gastronômico, enquanto Sophie vai passear e conhecer a cidade sozinha. Mau sinal, diria até mesmo o espectador mais incauto, e você sabe como isso termina. Mas prossigamos.
Em Verona, Sophie conhece a Casa de Julieta. Um ponto turístico, onde há um muro onde mulheres deixam cartas para a famosa personagem. Cartas de amor, obviamente, em seus mais diversos aspectos: pedindo que um amor volte, com dúvidas sobre relacionamentos, etc. Mas sobretudo, de mulheres com o coração partido (o que não é novidade, corações das mulheres têm dois estados: apaixonados e partidos, hehe). Bem, essas cartas e bilhetinhos deixados no muro são recolhidos e respondidos, pelas Secretárias de Julieta, um grupo de mulheres empregadas pela prefeitura do lugar para esse fim.
Sophie conhece essas 'secretárias' e passa algum tempo com elas, até que um dia, recolhendo as cartas no muro, ela se depara com uma escondida por trás de um tijolo solto, escrita há uns 50 anos atrás. Comovida pelo conteúdo da carta, Sophie a responde. E a contra-resposta chega logo, na figura da própria remetente, Claire (Vanessa Redgrave), que há 50 anos atrás não teve coragem de assumir o seu grande amor e fugiu. Agora, impulsionada pela resposta de Sophie, ela voltou a Itália para procurar por seu grande amor, acompanhada do neto Charlie (Christopher Egan), que não gostou nada dessa história.
Sophie se junta a Claire e Charlie na busca por Lorenzo, o grande amor de Claire. E aí, você já sabe o que acontece, seguindo o guia de clichês de comédias românticas: Charlie e Sophie, que a princípio não se bicam, acabam se apaixonando durante a jornada; Claire quase perde as esperanças, mas no final, encontra seu amor; Sophie e Charlie têm seus mal-entendidos quanto ao que sentem um pelo outro, na figuras do noivo de Claire, por exemplo; mas no final, tudo acaba em festa. Neste caso, literalmente. E pior ainda, em festa de casamento. Parece final de novela, não? E se alguém reclamar que tem spoiler neste parágrafo, não digo nada que não apareça no trailer.
Com uma história óbvia e cercada por clichês (por exemplo: que maravilha, na Itália todo mundo fala inglês fluente!), o filme poderia ser uma bomba, mas não é. Ele tem bons pontos positivos. A atuação de Seyfried e Redgrave, por exemplo, estão muito boas (como já era de se esperar da segunda). Neste quesito, o ponto negativo vai para Bernal e Egan. Enquanto o Victor de Bernal está totalmente caricato, o Charlie de Egan aparece, em todas as cenas, mais tenso do que deveria estar. Entretanto, a interação entre Egan e Seyfried ainda consegue transcorrer bem, com o ranzinza Charlie protagonizando boa parte dos momentos cômicos.
Outro ponto positivo, este já mais comum em comédias românticas, é a trilha sonora. As músicas escolhidas dão um tom bem leve ao filme, e entram sempre em momento apropriado. Um detalhe é que várias das músicas são cantadas em italiano, algumas versões de clássicos em inglês. Isso enquanto o filme se passa na Itália, pois quando temos a personagem de volta ao mundo anglófono, a música volta ao inglês.
Apesar de não ter nenhuma inovação, a fotografia de Cartas para Julieta é eficiente. Especialmente quando o filme ganha ares de road movie, o diretor Gary Winick adota planos abertos, mostrando o cenário exuberante do norte da Itália. E gostei em especial da cena em que Charlie e Sophie conversam mais relaxadamente/intimamente pela primeira vez, quando o diretor opta por planos abertos mostrando bastante da pequena cidade em que eles estão, ao invés de focar apenas nos dois personagens. Uma decisão que foge dos clichês visuais, já que o esperado era fechar o foco nos dois personagens.
E outro (dos poucos) pontos que fogem dos clichês, é justamente a filmagem do casamento, que não é o da personagem principal. Na maioria dos filmes, mesmo que o casamento não seja o da protagonista, o diretor acaba focando nela. Neste Cartas para Julieta, o diretor (evidentemente) mostra a protagonista, mas quem "estrela" o casamento é a noiva, coisa que deveria ser sempre (mas quase nunca o é).
E falando no casamento (que é a parte final do filme), ele tem uma cena que valeu o roteiro. É quando finalmente sabemos o que Sophie escrevera para Claire, e nos damos conta de que Sophie, de uma maneira ou outra, escrevera para si mesma. Muito bom exemplo de poesia no roteiro.
De maneira geral, Cartas para Julieta é apenas mais uma comédia romântica, daquelas cheias de clichês (não falta nem a "cena do balcão" de Rome e Julieta). Não é espetacular, e é bem bobinho (no sentido simplório da palavra), e serve como um bom alívio para uma cabeça estressada. E é simpático e divertidinho, especialmente quando a história ganha ares de um road trip romântico. E como geralmente é na vida, e especialmente neste filme, a jornada importa mais que o destino. Que você já sabe qual é, tanto no filme, quanto na vida.