O trabalho de Nick Cave é uma grande mistura. Misturando conhecimentos em tecidos (e portanto, com pé na moda), em escultura com materiais variados e até mesmo no corpo em movimento (dança), o artista criou uma série de roupas/fantasias que mais se parecem esculturas. Ou então, esculturas que também poderiam ser vestidas, quem sabe?
O fato é que, ao fazer um de seus primeiros trabalhos, ele notou que o material variado (peças de metal, objetos jogados fora, tecidos, cabelos, galhos de árvore e outros mais), que usa na criação de suas peças, ao serem vestidos e movimentados, criavam um som característico. Devido a isso, chamou as suas criações de soundsuits (sound = som, suits = roupas).
Veja algumas de suas peças, e logo abaixo, um vídeo com um pequeno depoimento do artista:
Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 07/10/2010, mais uma vez com um alerta sobre o golpe do emprego de algumas "agências" de emprego enganadoras.
Pelo menos uma vez por mês, eu recebo uma mensagem de um ouvinte que foi vítima do golpe do emprego. Por isso, peço licença para quem já ouviu e está preparado para não cair na arapuca, e explicar novamente para quem ainda não ouviu.
Quando alguém coloca o currículo na internet, ele pode ser visto por muitas empresas idôneas e também por muita gente sem escrúpulos. Esse segundo grupo é composto por algumas agências que sabem exatamente o que procurar: profissionais com idade acima dos 30 anos, que tiveram ou têm um único emprego na vida, e que ocupavam ou ocupam algum cargo. Essas pessoas, de modo geral, não estão acostumadas a participar de processos seletivos e tendem a ser mais facilmente enganáveis.
Aí, a agência faz um contato e diz que tem uma vaga perfeita. Tão perfeita que parece que a vaga foi criada especificamente para aquele profissional. E foi mesmo, a vaga não existe.
Depois de ser impressionado por um escritório bem montado e algumas entrevistas com pessoas cujo mérito é saber impressionar, o candidato é convidado a pagar previamente uma quantia que varia entre mil e cinco mil reais. Nesse momento, alguns candidatos cheiram o golpe e outros não. Pagam, e depois nunca mais conseguem um contato com a tal agência. E escrevem para perguntar se podem mover um processo e reaver o dinheiro.
É difícil, porque provavelmente o candidato assinou, sem prestar muita atenção, algum documento no qual estava escrito que ele estava sendo "preparado" para conseguir um emprego. Ou, o que é pior, o candidato pagou sem assinar documento algum, o que torna a sua situação ainda mais difícil. De qualquer forma, sim, vale a pena denunciar a agência ao Procon.
O mais importante, porém, é ter em mente que agências de recrutamento sérias não pedem dinheiro adiantado para conseguir uma vaga. É a empresa que vai contratar, e não o candidato, que paga pelo serviço de seleção. Portanto, mais uma vez fica o alerta. Se for mencionado um pagamento antecipado em troca de uma vaga praticamente certa, nem é preciso dizer "não, obrigado". Apenas escape, o mais rápido que puder.
Currículo: é válido colocar uma frase de um grande pensador?
"Tenho uma pergunta sobre currículo", escreve um ouvinte. "Gostaria de saber se é válido colocar uma frase de um grande pensador para diferenciar o nosso currículo."
Vamos começar pela definição do que é um currículo. É uma lista de informações acadêmicas e profissionais que permitirão ao selecionador, decidir se você deverá ser chamado para uma entrevista pessoal. Ao colocar uma frase, seja ela filosófica ou religiosa, você estaria tornando o seu currículo diferente. Mas nesse caso, diferente não necessariamente significa melhor.
Digamos que você esteja se candidatando a uma vaga na área financeira. Você relacionou os cursos que concluiu, os empregos que teve, as funções que desempenhou e aí, para concluir, você escreve: "A coragem é a primeira qualidade humana, pois garante todas as outras. - Aristóteles"
Ao ler isso, o entrevistador poderá pensar que você é um candidato acima da média, porque incorporou uma secular pérola da sabedoria grega em seu currículo. Ou ele poderá pensar: "O que isso tem a ver com a rotina da área financeira?" E aí, descartar o seu currículo. Esse é o risco, porque você não conhece a pessoa que irá avaliar o seu currículo. Não sabe o que ela pensa, o que ela estudou e que tipo de conversa ela aprecia ou detesta.
E mesmo que você dê a sorte que a primeira pessoa que for ler o seu currículo gostar da frase, muito raramente um processo de seleção será resolvido por uma única pessoa. E pode ser que a segunda ache que frases soltas em currículos é tão fora da realidade quanto chinelo em baile de gala.
É por isso que se recomenda que as informações contidas no currículo sejam apenas aquelas adequadas à empresa que está recrutando e ao cargo pretendido.
Depois, numa entrevista, será possível mencionar, de passagem, fatos e frases sobre religião, política ou lazer, que possam criar empatia com o entrevistador. Mas tentar antecipar no currículo, a formação e as preferências da pessoa que irá lê-lo, seria, como bem diria Aristóteles, muita coragem. Só que na hora de batalhar por um emprego, ter coragem é sem dúvida, uma grande qualidade. Mas ter bom senso costuma dar mais resultado.
Entrevista de saída pode ser útil para a empresa e não prejudica o demitido
"Pedi demissão", escreve uma ouvinte, "e fui chamada ao setor de recursos humanos para fazer uma entrevista de saída. Uma funcionária pegou uma folha e começou a me fazer perguntas, e eu fui respondendo sinceramente. Ao final, a funcionária pediu que eu assinasse o documento, e eu respondi que queria ler antes de assinar. Ao ler, notei que minhas respostas poderiam ser interpretadas como críticas, porque o relatório somente tinha perguntas sobre situações e fatos negativos. Ponderei que a empresa tinha muitas coisas boas que não me foram perguntadas, e me propus a fazer um relatório pessoal. A funcionária disse que não era necessário e encerrou a entrevista. Estou em dúvida se esse documento é obrigatório e se a minha recusa em assiná-lo pode vir a me prejudicar."
Não, não é obrigatório. Você poderia simplesmente ter se recusado a responder as perguntas, se quisesse. Mas você fez bem em responder. A entrevista de saída é importante porque revela à empresa os motivos que levam a alguém pedir a conta, como foi o seu caso. Com uma análise consciente desses relatórios, será possível corrigir falhas internas e evitar que outras pessoas também queiram sair.
Foi por isso que as perguntas se concentraram mais nas coisas que desgostaram você. Ninguém pede demissão se tudo está bem. O fato de você não ter assinado o questionário, também não tem importância. O que interessa à empresa é a sua opinião, e você já a tinha dado.
Eu espero que a empresa faça bom uso das informações que você forneceu, porque eu conheço empresas em que essa entrevista de saída é meramente uma formalidade burocrática e a folha é arquivada na pasta do demitido, sem que providências sejam tomadas. Ou, o que é ainda pior, o relatório é avaliado, mas as respostas não são levadas em consideração, como se o demitido estivesse exagerando, ou vendo tudo errado ou sendo ingrato.
Quando bem utilizada, a entrevista de saída pode mostrar para uma empresa que ela não está sendo vista como gostaria de ser vista. Eu conheço uma empresa, uma só, cujo presidente lê todas as entrevistas de saída, e ele diz que faz isso porque poucas informações que chegam a um presidente são tão claras e tão objetivas, quanto a opinião sincera de quem está indo embora.
Quando eu soube que iriam fazer uma adaptação cinematográfica do livro Comer Rezar Amar, pensei duas coisas. A primeira, é que o filme iria faturar um bocado (previsão que estou esperando para confirmar). E a segunda, é que o filme seria uma bomba, de mediano para medíocre. Esta previsão, pelo menos, está confirmada. O filme Comer Rezar Amar (no original Eat Pray Love), nem de longe é tão bom quanto o livro que o originou.
No filme, Julia Roberts vive Elizabeth "Liz" Gilbert, uma mulher em torno dos trinta anos, casada e escritora. Entretanto, falta algo na vida de Liz, e ela não sabe exatamente o que. Na verdade, ela busca se encontrar, e para isso, vira a mesa. Ela se separa e passa por um divórcio complicado, se apaixona por um rapaz mais novo, mas mesmo assim, ainda sente que algo falta em sua vida. E é aí que ela resolve passar um ano viajando. Nesta viagem, ela pretende conjugar os três verbos que dão nome ao filme.
Na primeira parada, na Itália, pretende se esbaldar com a comida italiana, comendo as famosas massas e tudo o mais. Claro que não é só isso, ela também pretende estudar italiano. Depois de quatro meses, o destino é a Índia, onde ela passará outros quatro meses num ashram, uma espécie de centro para retiro espiritual, onde ela finalmente encontrará um certo equilíbrio se perdoando. E finalmente, ela passará os últimos quatro meses na Indonésia, visitando um xamã local que ela conhecera numa viagem passada (a trabalho), e que previra que ela perderia tudo, mas que voltaria ali e também recuperaria tudo. E, pra finalizar os verbos, ali, em Bali, ela conhecerá também o grande amor da vida dela, o brasileiro Felipe (Javier Bardem).
Como toda jornada (principalmente as espirituais), o que vale é o caminho, a própria jornada (e tudo o que se encontra nela, como as pessoas e amizades), e não o destino. Por isso, não importa que o parágrafo acima diga, resumidamente, tudo o que acontece. O que importa é como acontece. Ou, pelo menos, é assim que é no livro, porque no filme, o que seria uma jornada deliciosa de se acompanhar, se torna até mesmo tedioso.
O filme Comer Rezar Amar é bem mais linear do que o livro. Talvez por isso, gaste-se no início do filme, um bom tempo mostrando a vida da personagem de Julia Roberts. O livro tem uma pequena introdução e já inicia a jornada, nos revelando aos poucos, por meio de lembranças (que seriam flashbacks, se fosse no filme), a história de Liz.
Mas a verdade é que esta mudança não é realmente o maior problema do filme. Comer Rezar Amar sofre muito com a atuação da sua protagonista. Tome por exemplo, a estada de Liz em Roma. Se recuperando ainda das feridas na alma, ela se joga com a mesma intensidade com que se jogava nos relacionamentos, na busca do prazer. Aqui, o prazer gastronômico, e não é à toa que ela diz que teve um "relacionamento" com o seu prato (creio que era um espagueti). No filme, apesar de recitar as mesmas palavras, é impossível ver Julia Roberts tendo essa mesma paixão. É até compreensível que a sua outra paixão, pelas palavras, pela língua italiana, tenha sido minimizada no filme (afinal, é complicado mesmo expressar em imagens, o amor pelas palavras). Mas mesmo assim, é uma perda, afinal, era uma paixão contagiante.
Outro ponto que se perdeu no filme Comer Rezar Amar, foi a identificação da pessoa do lado de cá, com a personagem Liz Gilbert. No livro, se expondo em tom confessional, é fácil nos relacionarmos com ela, nos colocarmos em seu lugar. Essa conexão se perde completamente no filme, fazendo com que deixemos de ser acompanhantes na jornada dela, para nos tornarmos meros espectadores. E se Julia Roberts não ajuda, o diretor Ryan Murphy tampouco. Basta ver as cenas da "depressão" de Liz em Nova York, que além de clichês, não dão ideia de uma mulher destruída por dentro.
Mesmo não levando em conta as comparações com o livro, o filme Comer Rezar Amar ainda continua fraco. Além dos problemas de Julia como a protagonista, o filme usa e abusa dos planos "pra turista ver". Sobretudo em Roma e em Bali (Indonesia), as paisagens exuberantes (na primeira criadas pelo homem, na segunda, pela natureza), são bastante exploradas. Como propaganda turística destes dois destinos, o filme é perfeito.
Quem for apenas ver o filme, pode até pensar, e com alguma razão, que Comer Rezar Amar é apenas auto-ajuda travestido de história pessoal. Sim, há momentos em que o discurso é bem típico de auto-ajuda, como na parte em que Liz visita umas ruínas em Roma, e disserta sobre mudanças; ou mais para o final, quando ela recebe o sábio conselho de que perder o equilíbrio por amor pode ser uma maneira de ter uma vida equilibrada. Sim, existem momentos assim no livro também, mas no filme eles saltam aos olhos, enquanto no livro, eles estão entre uma piada aqui ou um sarcasmo acolá.
Enfim, mesmo com um elenco de apoio correto (e alguns, com atuações excelentes, como no caso do velho xamã), o filme perde muito com a sua protagonista que não conseguiu dar vida a uma mulher real. Mas a culpa não é só dela, mas também do diretor e roteirista Ryan Murphy e da roteirista Jennifer Salt, que em nome das belas imagens, retiraram boa parte do texto que é, enfim, o que faz Comer Rezar Amar ser interessante. Leia algumas partes do livro Comer Rezar Amar, e comprove que certas coisas continuam bem melhores num texto do que numa bela imagem.
Nos últimos tempos, com a tecnologia e principalmente a web, surgiu o conceito de mash-ups. Basicamente, um mash-up é uma mistura, podendo ser tanto de diferentes sites (combinando os mapas do google com os dados de "test drives" do gpguia, para criar o bitchmaps, por exemplo), ou de diferentes mídias (combinando imagens do filme A Queda com qualquer áudio engraçadinho, para formar um dos maiores memes da internet, a do Hitler esbravejando em seu bunker, como outro exemplo). Dito isso, podemos classificar o filme O Último Exorcismo (ou no original The Last Exorcism) como um verdadeiro mash-up, que toma "emprestado" elementos de filmes como A Bruxa de Blair ou [REC], e O Exorcista ou O Exorcismo de Emily Rose.
Usando o formato de mockumentary, ou seja, é filmado como se fosse um documentário, mas falso, O Último Exorcismo segue a onda iniciada por A Bruxa de Blair (e mais recentemente "revitalizada" por Atividade Paranormal). Em comum com esses filmes temos principalmente a câmera na mão, o que dá um ar mais "real" ao filme (e em comum também, tirando o reverendo e a menina possuída, os outros personagens são nomeados de acordo com os nomes dos atores).
O Último Exorcismo acompanha um documentário sobre o reverendo Cotton Marcus (Patrick Fabian), filho de uma longa linhagem de pastores. Estando numa crise de fé, em que agradece mais aos médicos do que a Deus pela cura de seu filho (o que está corretíssimo, aliás), o pregador exibe para a câmera como é o seu cotidiano, desde as suas pregações até os pedidos para exorcismos. As cenas iniciais contém algumas das melhores cenas do filme, que mostram como o pregador tem controle sobre suas ovelhinhas, como consegue pregar sobre receitas (essa, nem a Ana Maria Braga faz), e enfim, como tudo não passa de business, especialmente o negócio de exorcismos.
Mesmo tendo um formato de documentário, isso não quer dizer que o filme não tenha edição. Ao contrário de alguns outros filmes do mesmo gênero (terror/mockumentary), em O Último Exorcismo temos várias cenas que a câmera documental dá lugar no tempo para algo gravado anteriormente, como é o caso nas cenas em que o reverendo Marcus faz a sua "mágica" ao analisar a menina possuída, Nell Sweetzer (Ashley Bell), intercalando as cenas do momento com cenas em que o próprio reverendo explica algumas de suas armações.
Nessa linha, o filme, dirigido por Daniel Stamm, é até divertido, passando-se por um filme de golpe. Mas lá pela metade, quando o aspecto "terror" finalmente aparece, dando um ar de "mistério" à possessão de Nell, o filme se perde. O fato é que ele gasta boa parte do tempo tentando deixar em dúvida o reverendo, aqui fazendo às vezes de espectador, quanto a possessão verdadeira ou não, de Nell. O problema é que, pra plateia, isso já é fato consumado (seria uma verdadeira surpresa se tudo não passasse de problemas mentais/psicológicos da menina).
E se a luta de Marcus para provar que tudo apenas não passa de problemas mundanos é uma luta perdida (pros espectadores, desde o começo), ela pelo menos serve para ilustrar o conflito de crença X ceticismo, numa curiosa inversão de papéis. Aqui, o representante da igreja (que não é a católica) é o cético, enquanto a maioria dos outros personagens parece crer sem dúvidas no demônio.
Sendo um filme de baixo orçamento, não dá pra esperar de O Último Exorcismo grandes efeitos. De fato, o filme aposta em alguns clichês clássicos para dar alguns sustos no espectador (a menina calma que de repente pula em cima do câmera, por exemplo). Nesse ponto, a única cena um pouco mais interessante é quando a própria Nell "endemoniada" pega a câmera e sai gravando. Praticamente, um vlog do capeta. ;) O resultado final não é dos mais originais, mas a ideia foi interessante. E claro, tirando um único momento ginasta contorcionista de Nell, parece que esse demônio (que tem até nome, Abalan) não faz muita coisa com a pessoa.
Com um final horrível, com uma grande "forçação" de barra e uma salada completa, O Último Exorcismo é um daqueles filmes que até tinha uma ideia interessante (o reverendo "golpista" filmando o seu último exorcismo e acaba encontrando algo real), mas tomando emprestado elementos de outros filmes do mesmo gênero, acaba tendo uma execução ruim. Nem sempre os mashups dão certo.
P.S. A única coisa que me surpreendeu de verdade no filme foi a presença de Iris Bahr atuando como a produtora do filme-documentário. Isso porque há alguns anos li esse livro dela (que é muito mais divertido que o filme): Aventuras de uma Pseudovirgem - Minhas viagens pela Ásia em busca de sexo.
No meio do mar, um navegante descobre que ganhou na loteria. Numa tempestade, o bilhete e o bravo cãozinho Wilson pula para o mar para recuperá-lo. E então, ele vai passar por muita coisa mantendo a sua lealdade até devolver o prêmio ao seu dono... Ou não.
Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 04/10/2010, sobre as comunidades virtuais criadas especialmente para processos de seleção de candidatos.
Como se comportar em uma comunidade virtual criada para processo seletivo?
Uma novidade tecnológica. Sei de pelo menos três empresas que durante os processos de seleção de estagiários ou trainees, criam uma comunidade virtual temporária, para que os candidatos troquem mensagens e compartilhem experiências. Uma espécie de Facebook meio pessoal, meio profissional. Cada empresa, obviamente, acessa o conteúdo, e através dele avalia o quê, exatamente?
Essa é a dúvida de uma ouvinte que me escreveu. Ela conta que alguns candidatos postaram fotos de viagens ou de momentos de lazer. Outros colocaram suas fotos quando crianças, e quando um faz, o resto acha que também deve fazer. Nossa ouvinte está em dúvida, e com razão. Será que a empresa irá contratar alguém que era um bebê bonito?
Eu também fiquei em dúvida, e perguntei para uma profissional de recursos humanos de uma das empresas que adotam esse procedimento, o que está sendo avaliado.
Aí vai a resposta. Duas coisas. Primeiro, a empresa quer saber se o candidato é capaz de se expressar de forma coerente. E segundo, se ele será um bom profissional. Portanto, a linguagem conta. E eventuais erros de português são considerados falta grave.
A segunda parte, a de ser um bom profissional, é a mais importante e a mais interessante. Ganham pontos na avaliação os candidatos que comentam artigos que leram, que sugerem livros, e que conseguem fazer uma conexão entre fatos cotidianos e a vida corporativa. Por exemplo, o caso de indisciplina do jogador Neymar, que acabou derrubando o técnico dos Santos. O que será avaliado é a maneira como um candidato se posiciona, relacionando o fato ao que pode acontecer em uma empresa.
Essas comunidades virtuais estão começando a substituir algo que acontece em dinâmicas de grupo, quando o mediador pede aos candidatos que comentem uma notícia publicada num jornal do dia. Agora, com muito mais tempo e menos pressão imediata, cada candidato escolhe a sua própria notícia, mostra o seu estilo, a sua capacidade de síntese e a sua habilidade de convencimento.
Na parte gráfica, uma foto por dia sempre ajuda. Se for com um sorriso, melhor ainda. E uma legenda como: "Hoje acordei bem e desejo um ótimo dia a todos", vale muito. Principalmente se a foto for postada antes das seis horas da manhã. Empresas gostam de quem acorda cedo.
A doutora Hajnal Kirpov fez um cartão de visitas inusitado. Cirurgiã plástica, e provavelmente tendo a maior parte da sua renda vinda das cirurgias estéticas, sobretudo a colocação de silicone nos seios, ela fez um cartão de visitas que se destaca dos comuns. Adicionando dois buracos no cartão, e colocando uma borracha neles, fez com que o cartão virasse a figura de uma mulher (em 3D!) com seios do tamanho da sua imaginação (ou dos seus dedos):
Tenho que admitir que depois que cresceu e perdeu a estigma de Wednesday (da Família Adams), Christina Ricci se tornou um mulherão (no sentido figurado, porque ela é baixinha, mas hey, eu adoro baixinhas).
Abaixo, o ensaio de Christina Ricci para a revista BlackBook de outubro de 2010. Se quiser ler a matéria (em inglês), vá no site da revista.
Jessica Harrison é uma artista/escultora britânica. Dentre seus trabalhos, um é inusitado pela sua abordagem. São pequenas noivas de porcelana, decapitadas ou com as tripas para fora. Contrastando o branco tradicional de seus vestidos com o vermelho do sangue, além da noção de felicidade da ocasião, com a violência das imagens, sem dúvida, é um trabalho interessante, independente da interpretação e/ou concordância com o que sua autora quis dizer:
Uma noiva segurando suas próprias entranhas. Talvez um sinal de coragem por se entregar, entrar em um casamento? (Do inglês, guts, que tanto quer dizer coragem quanto entranhas.) Ou apenas um sinal de que, entrando num casamento, a noiva estaria oferecendo seu interior, suas próprias entranhas?
Uma noiva decapitada. Um sinal de que entrar num casamento é (neste caso literalmente) perder a cabeça?
Gostei do contraste da fotografia, apesar da parte preto e branco ter ficado um pouco acentuado demais. E não sei porque essa foto me lembra um pouco a capa daquele livro dos vampiros-fadas-que-brilham-ao-sol.
'Troquei de emprego pela promessa de ganhar um curso, mas me enganei'
"Estou há cinco meses numa empresa", escreve um ouvinte. "Na entrevista, me foi dito que haveria a possibilidade de a empresa custear uma pós-graduação para mim. Foi essa cenoura que me fez aceitar a proposta, uma vez que o salário seria o mesmo que eu ganhava na outra empresa.
Porém, já estou percebendo que as coisas não serão tão simples como eu pensava. A empresa, de fato, está pagando cursos para alguns funcionários, mas é preciso cumprir algumas metas para obter a aprovação do custeio. Como essas metas são anuais, eu só vou saber se terei direito ao curso daqui a oito meses. E como as metas são bastante apertadas, talvez eu não consiga atingi-las neste primeiro ano.
Pensando agora com mais cuidado no que eu ouvi na entrevista, a frase 'existe a possibilidade' não implicou em promessa, embora eu houvesse entendido dessa forma, já que o entrevistador não me falou nada sobre metas. A bem da verdade, hoje, a possibilidade de que eu não consiga o pagamento do curso meparece maior. Estou em dúvida se fui enganado, ou se fui descuidado ou se fui ingênuo."
Bom, eu diria que você foi apressado. Ao ouvir o que lhe pareceu ser uma promessa, você poderia ter perguntado ao entrevistador se o pagamento do curso teria alguma condição ou um prazo de carência.
Mas em entrevistas, muita gente fica naquela dúvida se uma pergunta mais específica não vai soar ofensiva. Afinal, a entrevista está indo tão bem, o entrevistador parece tão sincero, e naquele momento parece mais razoável ao candidato acreditar no que ele pensou ter ouvido, e não no que ele realmente ouviu.
Ao nosso ouvinte, eu diria que infelizmente ele não tem base para fazer uma reclamação. E aos nosso demais ouvintes, eu ponderaria que candidatos a emprego não podem deixar pontas soltas em entrevistas, principalmente quando a ponta solta está no principal motivo para aceitar uma proposta, como aconteceu com nosso ouvinte.
Uma entrevista dura meia hora. Uma pergunta, um minuto. Mas o efeito durará meses, ou anos. É muito tempo para, como ocorreu literalmente com nosso ouvinte, deixar o dito pelo não dito.