2013-03-01

'Aceitei o emprego, mas omiti que minha religião não permite que eu trabalhe aos sábados' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 01/03/2013, com uma ouvinte que aceitou um emprego em que teria que trabalhar aos sábados, mas a sua religião não permite.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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'Aceitei o emprego, mas omiti que minha religião não permite que eu trabalhe aos sábados'

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"Minha religião não permite que eu trabalhe aos sábados", uma ouvinte escreve.

Bom, de fato, a fé judaica estabelece esse preceito, que é também seguido fielmente por outras crenças. A Constituição brasileira determina que a religião é uma escolha pessoal que deve ser respeitada, assim como devem ser respeitadas as pessoas que optam por não seguir qualquer religião.

A lei trabalhista coíbe a discriminação por orientação religiosa e já existem vários casos de sentenças favoráveis a funcionários que foram demitidos por sua recusa em trabalhar aos sábados. Essas sentenças judiciais foram emitidas em duas situações. Primeira: ao ser contratado, o funcionário apresentou uma carta do seu líder espiritual, atestando que não poderia trabalhar aos sábados. Segunda: o contrato de trabalho estipulava que o expediente seria de segunda a sexta. E quando a empresa convocou o empregado para vir também aos sábados, a carta em questão foi apresentada ao empregador.

Agora, vou voltar ao caso da nossa ouvinte, cuja mensagem, que é extensa e detalhada, deixa claro que ela tinha pleno conhecimento de que precisaria trabalhar aos sábados caso fosse contratada, já que a função era a de vendedora em uma loja de shopping. Mesmo assim ela omitiu a situação religiosa durante o processo seletivo e somente a revelou após ter começado a trabalhar e após ter assinado um contrato em que se dispunha a cumprir o horário de trabalho estabelecido, que incluía o sábado. Em um caso assim, não creio que a ouvinte receberia sequer o apoio de seu líder espiritual, porque essa é uma questão que envolve comportamento ético, um pilar fundamental tanto para religiões quanto para decisões da justiça laica.

Max Gehringer, para CBN.

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