2011-11-18

'Ainda se trabalha por paixão?' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 18/11/2011, sobre a paixão no trabalho e fora dela.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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'Ainda se trabalha por paixão?'

love job paixão trabalho

"Ainda se trabalha por paixão?", pergunta uma lacônica ouvinte.

Eu diria que sim, sem dúvida. A diferença é que houve uma época em que a paixão durava mais do que está durando atualmente. Da mesma forma que o tempo médio de um casamento no século 21 mal atinge cinco anos, um emprego no século 21 também raramente ultrapassa essa marca. Os relacionamentos, tanto pessoais quanto profissionais, continuam como sempre foram, divididos em três fases: paixão, compreensão e aceitação.

Na primeira fase a impressão é que nenhuma dificuldade será grande o suficiente para impedir um entendimento mútuo.

Na segunda fase, percebe-se que nem tudo é perfeito, mas mesmo assim, nada é tão ruim que não possa ser compreendido, perdoado e esquecido.

E na terceira fase, descobre-se que a realidade não será bem aquela que a paixão inicialmente prometia. Mas a vida ainda pode ser compartilhada, se por um lado houver paciência, e por outro lado, a dose necessária de criatividade para evitar que a rotina faça as horas passarem devagar e os anos, depressa.

A felicidade consiste em esticar ao máximo cada uma dessas três fases. Quando isso não acontece, os problemas passam a aflorar rapidamente. O nível de exigência aumenta. As reclamações se tornam mais constantes. Os bens materiais começam a assumir uma proporção maior na escala pessoal de valores. A compreensão é substituída pela cobrança, e o perdão, pela crítica. Nesse momento, o tempo, que era um aliado, se torna um inimigo.

E qual é a solução? Partir para outra. É o que mais gente está fazendo e com frequência cada vez maior.

Não é que a paixão pelo trabalho acabou. É que ela vem gradativamente deixando de ser, como um dia já foi, uma aliança de longo prazo.

Max Gehringer, para CBN.

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