2014-08-22

'Não encontro um emprego que pague um salário para me segurar' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 22/08/2014, com um ouvinte que trocou várias vezes de emprego e que não encontra um emprego que lhe pague um bom salário, e cuja história é um bom retrato do mercado de trabalho atual.

Áudio original disponível no site da CBN. E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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'Não encontro um emprego que pague um salário para me segurar'

pulando de empregos

Um ouvinte escreve: "Tive nove empregos nos últimos quatro anos. Nunca passei mais que 30 dias desempregado, mas até agora não encontrei um emprego que pelo menos me pagasse um salário que me segurasse nele. O problema sou eu ou são as empresas?"

Boa pergunta. Faz pelo menos 10 anos que o crescimento registrado nas ofertas de vagas vem sendo puxado por funções que exigem pouca qualificação de seus ocupantes. Isso inclui comércio, construção civil e teleatendimento, para citar algumas áreas.

Não estou dizendo que pessoas que aceitam essas funções sejam pouco qualificadas. Mas apenas que a natureza do trabalho não exigiria mais do que o ensino fundamental.

Esse tipo de vaga não paga bons salários e não oferece benefícios e nem plano de carreira. Por isso, é visto por alguns como uma porta de entrada para o mercado de trabalho, e por outros como uma situação provisória.

Isso fez com que a rotatividade fosse se tornando elevada. Por qualquer problema, um funcionário pede a conta e não demora a encontrar outra vaga semelhante, em uma empresa parecida e ganhando a mesma coisa que ganhava, ou menos.

Para as empresas desses setores, aumentar salários e oferecer mais benefícios está fora de cogitação, porque haveria o repasse para os preços dos serviços e a perda de clientes. Então, os empregadores passaram a pensar no curto prazo, preferindo o custo da rotatividade aos custos necessários para reter os empregados.

E respondendo à sua pergunta, nada está errado. Apenas esta é a nova cara atual do mercado de trabalho. E a sua história é bem um retrato dele.

Max Gehringer, para CBN.


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