2012-06-13

'Minha filha não sabe se escolhe uma profissão que paga bem ou que ela gosta' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 13/06/2012, com um pai que está preocupado com a dúvida da filha em escolher uma profissão que paga bem ou uma profissão de que ela goste, sendo as opções excludentes.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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'Minha filha não sabe se escolhe uma profissão que paga bem ou que ela gosta'

mulher em dúvida

Um ouvinte escreve para dizer que a filha está com uma séria dúvida em relação ao curso que irá escolher e que determinará a futura profissão dela. Sendo uma moça inteligente, ela poderia se dar bem em várias áreas, diz o ouvinte, mas não consegue se decidir entre uma profissão que garantiria um melhor retorno financeiro, mas da qual ela não gosta, ou uma da qual ela gosta, mas que paga muito pouco. A pergunta do pai-ouvinte é: como optar entre conforto sem prazer ou prazer sem conforto?

Bom, em outras palavras, o ouvinte se refere à dúvida da filha entre o idealismo e o pragmatismo. Eu confesso que em toda a minha vida profissional, não me lembro de ter conhecido uma única pessoa que fosse, ao mesmo tempo, idealista e pragmática. E algo me diz que a filha do nosso ouvinte também não é. Ela provavelmente fez a primeira escolha baseada no idealismo, uma opção com forte componente emocional, bem típico nos jovens. Já o pragmatismo se acentua com o passar dos anos e é provável que o nosso ouvinte, como o pai cuidadoso que é, fez vir à filha os riscos que ela estaria correndo com a escolha. E aí surgiu a dúvida.

Em benefício do pai, eu posso dizer que no decurso da minha vida profissional, vi muito mais gente se arrepender por não ter o conforto que poderia ter tido, do que profissionais reclamando por ter construído um bom patrimônio, mesmo não tendo seguido a carreira que gostaria.

E em benefício da filha, eu sugiro ao pai que deixe a decisão por conta dela e apoie o que ela decidir. Se ela preferir a opção idealista e depois se arrepender, ainda terá tempo de partir para o plano P, de pragmatismo. E se ela não se arrepender, melhor ainda. Nós precisamos de jovens idealistas, porque eles são a consciência do mundo. Embora eu entenda que pais que construíram carreiras sólidas em empresas tradicionais, prefeririam que os idealistas fossem os filhos dos outros.

Max Gehringer, para CBN.

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