2013-02-18

'Empresa aboliu o controle de ponto e passou a função para os chefes' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 18/02/2013, com uma ouvinte que trabalha numa empresa que aboliu o controle de ponto formal, mas deu aos chefes a liberdade de controlar os horários dos seus subordinados.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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'Empresa aboliu o controle de ponto e passou a função para os chefes'

máquina de bater ponto antiga

"Estou com uma dúvida", escreve uma ouvinte. "Minha empresa decidiu abolir o controle de ponto, mas fomos informados de que cada chefe controlaria o horário de seus subordinados e que eventuais atrasos seriam descontados. Pergunto se esse sistema informal tem amparo legal."

Não, não tem. Ou a empresa mantém um controle rígido de ponto ou ela concede a seus empregados a liberdade para decidir seus próprios horários. Eu sempre gostei mais do segundo sistema, porque ele é baseado na confiança. Porém, há empresas que precisam do funcionário em seu posto de trabalho em horários previamente determinados. Em fábricas, por exemplo, um operador de máquina ou um mecânico de manutenção não podem decidir a que horas preferem começar a trabalhar.

Por isso, horário de entrada e de saída é colocado no contrato de trabalho juntamente com a tolerância, em minutos, para atrasos. E o controle formal de ponto é um instrumento que dá à empresa o direito de efetuar os descontos por atrasos. Ao abolir todo esse procedimento, a empresa admite que o trabalho possa ser executado com eficiência, mesmo que cada um chegue num horário diferente. Num grupo de programadores em informática, por exemplo, cada um tem um trabalho a concluir num determinado prazo. Mas não é preciso que todos comecem a trabalhar no mesmo minuto todos os dias.

O que a empresa de nossa ouvinte fez foi inventar um procedimento híbrido, juntando a relação de confiança do sistema informal com a punição do sistema formal. Em minha opinião, esse procedimento não vai durar muito, porque uma empresa não pode delegar a vários chefes, uns camaradas e outros inflexíveis, um controle que precisa ser uniforme para toda a empresa.

Max Gehringer, para CBN.

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