2011-04-19

'Preciso demitir um funcionário que errou, mas não sei quem foi' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 19/04/2011, com um caso em que dois funcionários são suspeitos, um deles com certeza é culpado, mas o gerente não sabe quem é, e precisa tomar uma decisão.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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'Preciso demitir um funcionário que errou, mas não sei quem foi'

dúvida ponto interrogação
"Sou gerente de um setor", escreve um ouvinte. "Apareceu uma diferença no estoque de mercadorias e depois de muita investigação chegamos a dois funcionários. Tenho certeza que um deles é o responsável, mas não estou seguro de que o erro tenha ocorrido por desonestidade. Pode ter sido apenas por desatenção. Cada um desses dois funcionários tem argumentos plausíveis, só que as histórias deles são contraditórias. Meu diretor me deu uma semana para identificar o culpado. E caso eu não consiga, o meu diretor sugere que eu dispensa os dois. Essa é a minha dúvida. Como saber quem está dizendo a verdade, já que nenhum dos dois tem qualquer antecedente ruins?"

Bom, a sugestão do seu diretor vem dos tempos do império romano, e deu origem ao verbo dizimar. No século I, quando era preciso dar um exemplo a toda a tropa, o general escolhia um legionário em cada dez, que era sacrificado para servir de exemplo aos nove restantes. Por que isso era feito? Porque o emprego de legionário era bom e existiam muitos candidatos às vagas que apareciam.

E qual é a situação presente no mercado de trabalho? A mesma, há mais candidatos que vagas. Porém, já faz alguns séculos que a justiça decidiu que não se pode condenar dois suspeitos só porque um deles certamente é o culpado.

Esse é o princípio que deve nortear também uma empresa. Porque, no caso do nosso ouvinte, a empresa tem parte da culpa. O erro ocorreu porque os instrumentos internos de controle não foram eficazes para prevení-lo. Sacrificar um funcionário inocente não resolve um problema e cria outro.

O ideal seria advertir os envolvidos e melhorar os controles, para impedir que novos erros aconteçam. Mas o diretor terá a palavra final, e a decisão dele mostrará em que século a empresa está.

Max Gehringer, para CBN.

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