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2015-11-13

'Contratantes podem estar se negando a me contratar só porque sou pobre?' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 13/11/2015, com um ouvinte que desconfia que não está sendo contratado por morar em um lugar pobre.

Áudio original disponível no site da CBN. E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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'Contratantes podem estar se negando a me contratar só porque sou pobre?'

bairro pobre

Um ouvinte escreve: "Sou pobre, mas me formei em publicidade em uma boa faculdade. Estou há nove meses buscando um emprego na área da minha formação e não encontro. É possível que os contratantes localizem o meu endereço no Google Street View, e ao perceber as condições em que vivo, se neguem a me contratar?"

Bom, no mundo tecnológico atual, quase tudo é possível. Mas é bem pouco provável. No seu caso, não somente seria improvável, como também seria criminoso. Existe uma lei contra a discriminação por condição social nas contratações.

Porém, existem sim, empresas que contratam funcionários usando, como um dos parâmetros, o endereço. Não pela condição social, mas pela localização mais próxima ao local de trabalho, algo que é bom tanto para a empresa, quanto para o empregado. Quem mora perto do trabalho se atrasa menos e chega de manhã menos cansado ou menos estressado.

Então, pode até ser que você tenha deixado de ser considerado em um processo por morar longe demais, embora isso também não seja tão comum, porque há empresas que contratam profissionais que moram a 100 quilômetros de distância.

Como você está em busca do seu primeiro emprego em uma área já meio saturada, como a publicidade, o que fará a diferença será uma indicação de um colega ou professor da boa faculdade em que você se formou. Eu sugiro que você se concentre nesses contatos e deixe de lado os fatores ou suspeitas que possam trazer preocupação, sem trazer solução.

Max Gehringer, para CBN.

2013-05-24

Parques de diversão, hípicas, miséria e cidades nas pinturas hiper-realistas de Denis Peterson

Denis Peterson é um artista nativo de Nova York. Ele foi um dos primeiros artistas da cidade a produzir pinturas foto-realistas, mas logo passou para o hiper-realismo, onde despontou com pinturas já exibidas em diversos e conceituados museus.

Com uma apurada técnica, as pinturas de Peterson são facilmente confundidas com fotografias. Apesar disso, não é somente a técnica que o distingue. Suas pinturas são repletas de sensibilidade e não raramente, com um sentimento de solidão e melancolia.

Vejam os parques de diversão, hípicas, miséria e cidades nas pinturas hiper-realistas de Denis Peterson:

Não derrame nenhuma lágrima (Don't shed no tears):

Nesta forte série, Denis Peterson retrata mulheres, crianças e idosos em ambientes de terceiro mundo (o local não é especificado, mas parece ser algum país africano), onde a miséria é constante, assim como a luta pela sobrevivência.

Denis Peterson pinturas hiper-realistas fotografia tristeza miséria Não derrame nenhuma lágrima

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Um toque de circo (A touch of circus):

Com uma paleta de cores claras, mas com um predomínio de um azul desbotado, meio triste, a série mostra um circo/parque de diversão itinerante, em que os brinquedos estão em ordem, mas falta um elemento essencial: pessoas alegres. É como se num parque vazio restasse apenas ecos de risos e gargalhadas no passado, uma cena ainda mais triste do que apenas o vazio:

Denis Peterson pinturas hiper-realistas fotografia tristeza miséria Um toque de circo

Denis Peterson pinturas hiper-realistas fotografia tristeza miséria Um toque de circo

Denis Peterson pinturas hiper-realistas fotografia tristeza miséria Um toque de circo

No estábulo (At the backstretch):

Cavalos, amazonas e uma pista de corrida

Denis Peterson pinturas hiper-realistas fotografia tristeza miséria No estábulo

Denis Peterson pinturas hiper-realistas fotografia tristeza miséria No estábulo

O muro (The wall):

Mais uma vez com o tema miséria em mente, esta série retrata mendigos e moradores de rua, pessoas sem esperança, rejeitadas pelo status quo do mundo moderno representado pela rua do muro americano (Wall Street).

Denis Peterson pinturas hiper-realistas fotografia tristeza miséria O muro Wall Street

Denis Peterson pinturas hiper-realistas fotografia tristeza miséria O muro Wall Street

Denis Peterson pinturas hiper-realistas fotografia tristeza miséria O muro Wall Street

Denis Peterson pinturas hiper-realistas fotografia tristeza miséria O muro Wall Street

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Caminhando por Nova York (Walkin' New York):

Um passeio pelas ruas de uma das maiores cidades do mundo, onde a expressão solidão na multidão é visível e palpável, quando você se torna apenas mais um entre tantos, onde a própria cidade se torna um organismo vivo e o indivíduo não passa de uma célula.

Denis Peterson pinturas hiper-realistas fotografia tristeza miséria Caminhando por Nova York

Denis Peterson pinturas hiper-realistas fotografia tristeza miséria Caminhando por Nova York

Denis Peterson pinturas hiper-realistas fotografia tristeza miséria Caminhando por Nova York

Denis Peterson pinturas hiper-realistas fotografia tristeza miséria Caminhando por Nova York

Imagens via site de Denis Peterson. Dica via Gizmodo - 34 pinturas realistas que você vai ter certeza que são fotos.

2012-12-01

Filme: Branco Como a Neve

Apesar de ser curto (tem menos de 80 minutos), o filme turco Branco Como a Neve (no original Kar Beyaz) parece maior. Efeito que é criado não apenas pelo seu ritmo, lento e intimista, mas também pelo tamanho dos dramas de seus personagens.

filme branco como a neve kar beyaz turquia poster cartaz

Branco Como a Neve nos apresenta o jovem menino Hasan (Hakan Korkmaz), morador de uma pequena vila no interior da Turquia. Depois do seu pai ter sido preso (por motivos nunca inteiramente explicados), a mãe de Hasan (Sinem Islamoglu) tem que sair de casa para trabalhar, numa outra vila, cuidando de uma velha senhora, e deixando Hasan responsável pela casa e pelos seus dois irmãos menores. Para arranjar algum dinheiro, Hasan caminha pelas montanhas e florestas até um posto de descanso no meio da estrada, onde tenta vender ayran (uma bebida a base de yogurt) para os viajantes que param por ali.

filme branco como a neve kar beyaz turquia

O filme todo se passa em apenas um único e fatídico dia de inverno, com a paisagem de um predominante branco de neve, e através de flashbacks é que somos apresentados à história. Além do drama familiar de Hasan, ainda somos apresentados a dramas de outros personagens, como o rapaz (Ziver Armagan Acil) que trabalha como recepcionista no posto (que espera por uma carta de amor) ou o passageiro anônimo (Kaya Akkaya) que, desconfortável, tem que ir a uma distante vila fazer um trabalho, ou ainda o velho Ruhan Odabas, que assim como Hasan, atravessa distâncias para ir ao posto tentar vender algum produto.

filme branco como a neve kar beyaz turquia

Branco Como a Neve, adaptado de um romance de Sabahattinn Ali e dirigido e roteirizado por Selim Gunes, tem um ritmo lento e intimista, onde planos abertos enfatizam a natureza e a sua impiedosa indiferença com os seres humanos. Nestes planos, onde a cor branca impera pelas camadas profundas de neve, são mostrados os pequeninos personagens humanos solitários percorrendo as distâncias, colocando um peso a mais no drama, especialmente de Hasan, que carregando o pote de ayran, parece carregar um peso maior do que deveria suportar, tanto metaforicamente quanto na realidade.

filme branco como a neve kar beyaz turquia

Branco Como a Neve tem ótimas atuações, e destaca-se a atuação do jovem Korkmaz com seu Hasan, que mostra-se ao mesmo tempo como uma criança amadurecida a força pelas circunstâncias (e a cena da revista em quadrinhos que se perde na correnteza é a síntese simbólica de tudo isso: a inocência que se vai, ao mesmo tempo em que o garoto não chora pela perda, mas apenas aceita o destino), assim como ainda no íntimo, preserva a falta de maturidade (como a insistência em ficar no posto tentando vender pelo menos um copo do iogurte, mesmo que a noite e seus perigos se aproximem).

Apesar de alguns clichês (como a insistência em denunciar o perigo iminente, na forma dos uivos dos lobos, ou o vermelho do sangue contrastando com o branco da neve num cavalo atacado, ou ainda o pressentimento de alguns personagens quanto ao drama que se aproxima), o filme se mostra bastante eficiente em nos comover, fazendo com que torçamos pelos personagens, mesmo que saibamos que as chances de um final feliz são inexistentes (algo que pode ser inferido tanto pela sinopse quanto pelo trailer).

filme branco como a neve kar beyaz turquia

Branco Como a Neve pode não ser um filme tecnicamente perfeito (apesar da fotografia ser boa, especialmente nas condições adversas em que foi filmado), mas é um drama interessante, que ainda tem a vantagem de mostrar (para nós, ocidentais) que, mesmo do outro lado do mundo, alguns dramas são universais. O filme não amarra todas as pontas, aliás, deixa várias soltas (como o porquê do pai de Hasan estar preso ou porque o incômodo do trabalhador em ir até aquele fim de mundo trabalhar), mas essas pontas soltas não incomodam tanto (afinal, o que mais existe na vida real são pontas soltas).

Enfim, Branco Como a Neve é um bom drama. É também uma boa oportunidade para conhecer um cinema diferente daquele a que estamos habituados, assistindo a um filme da Turquia. É o aspecto curiosidade que contrabalanceia toda a tristeza dos personagens do filme.

Trailer (legendado em inglês):



Para saber mais: site oficial do filme Kar Beyaz em inglês.

2012-01-26

'Tenho vergonha de dizer onde trabalho' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 26/01/2012, sobre um ouvinte que tem vergonha de dizer onde trabalha, por a empresa atender a classe D com produtos de baixa qualidade e baixo custo.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui). E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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'Tenho vergonha de dizer onde trabalho'

mc donalds de pobre

Um ouvinte relata: "Tenho um bom emprego e ganho um salário decente, mas os produtos de minha empresa são de baixa qualidade, destinados a um público classe D. São produtos vendidos em canais alternativos, como feiras livres, porque boas lojas não aceitam comercializar nossas marcas. Meu gerente garante que estou enxergando chifre em cabeça de cavalo, porque nossos consumidores estão mais que satisfeitos com a relação entre preço e qualidade que oferecemos. Juntando tudo isso, sinto até vergonha de dizer onde trabalho, porque pouca gente conhece nossos produtos, e os que conhecem, sabem que eles não são bons. Há algo que você possa me dizer?"

Sim, sempre há. Você, sem dúvida, é um profissional socialmente consciente, e isso é ótimo. Agora, vamos tentar entender o mercado.

O Brasil sempre foi um abismo de desigualdade social. Há quem possa pagar 15 mil reais por uma garrafa de vinho, e há famílias, em número infinitamente maior, que podem gastar no máximo, 300 reais por mês. Só que o apelo de consumo que move esses dois grupos é o mesmo. O que varia é a disponibilidade de dinheiro.

Se a empresa de nosso ouvinte investir para melhorar a qualidade do produto e da embalagem, e passar a fazer propaganda, o preço do produto subirá e a empresa passará a concorrer numa faixa de classe mais alta. Isso resolveria o problema de nosso ouvinte, mas não o da classe D, que continuaria podendo comprar apenas produtos que coubessem em seu orçamento e continuaria a ser atendida por empresas iguais a de nosso ouvinte.

A conclusão é que, se ele deseja uma mudança imediata, o que é bem compreensível, ele pode considerar mudar de empresa. Porque mudar o mercado irá mudar um pouco mais.

Max Gehringer, para CBN.

2011-04-19

Coleção de Inverno

Propaganda incentivando doações de roupas na India, mostrando crianças usando roupas feitas de papelão de caixas, jornais e sacos de estopa.

propaganda coleção inverno criança vestindo roupas trapos

propaganda coleção inverno criança vestindo roupas trapos

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"Para 33,4% da população de Karnataka, o lixo é moda", diz o anúncio.

Via I Believe in Advertising.

2011-01-15

Construindo uma varanda estilo Age of Empires

Uns malucos brasileiros, aproveitando que estavam construindo um puxadinho pra casa, resolveram prestar uma bela homenagem a um dos jogos de estratégia em tempo real mais clássicos, o Age of Empires.

Veja o Age of Empires da vida real (e proletariado =D) hehehe:



Ah, bons tempos em que eu e meu amigo Tubbies ficávamos jogando Age of Empires no laboratório de informática...

Via