Amigos ouvintes, que que tá havendo com esse país, afinal de contas? É um fio de arame sem fim, é uma corda bamba que não acaba, é uma crise atrás da outra... Desde o mensalão até hoje, não tivemos um só dia de sossego, de ânimo, de alegria de viver.
Será possível? E o pior é que essa situação não tem um nome claro. Como chamar isso? Chamar de crise, de horror, de tragédia? Qual é o nome? O pior é que essa coisa, esse troço, nos dá a sensação de alagamento, de entupimento, de que nada acaba nunca, que nada se conclui, que nada se resolve.
A imagem mais espantosa que vimos nos últimos dias foi aquele assalto mostrado na televisão com três* carros fortes sendo dinamitados por bandidos, depois que eles, com armas pesadas, fecharam, fecharam a importantíssima rodovia Anhanguera e calmamente destruíram os três* carros fortes, roubaram 8 milhões e se foram. Alguns foram presos depois, mas parecia filme americano mesmo, Duro de Matar ou alguma coisa assim.
E todo dia temos novos exemplos de escândalos não resolvidos. O que estará acontecendo, não na realidade, mas dentro das nossas cabeças, das nossas almas, nossa vida interna? Nosso organismo, vendo e vivendo esses horrores, sem poder fazer nada? O que que vai nos acontecer, apalermados diante disso aí?
Vamos ver, amigos, em qual doença você se enquadra? Muitas doenças isso provoca. Em qual delas você se enquadra?
Alguns já pensam: "Tem mais é que matar esses canalhas, mesmo!" Isso é uma doença que nada resolve, mas isso passa por nossas cabeças. É a chamada inveja da China, porque lá, essa turma já tava toda ajoelhadinha com bala na nuca. Mas não, temos que resistir, tomando o elixir da democracia, isso que é o certo.
Outros ficam com a doença da impotência. A chamada broxura política: "É assim mesmo, não há mais o que fazer, já fomos pro brejo..."
Outros ficam cínicos: "Vou meter a mão na cumbuca também. Eu não vou amar, não vou respeitar mais nada. Eles, os ladrões, é que estão certos."
E outros, mais radicais, são chamados suicidas vivos, que pensam: "Ainda bem que eu vou morrer um dia e parar de ver esse troço!"
Outros querem ditadura, militares, tipo "Fecha o Congresso! Fecha tudo!"
É isso aí, amigo. Qual é a sua doença?
* Eram dois carros fortes, mas foram três explosões.
"Sei que a minha mensagem não tem qualquer chance de ser lida", escreve um ouvinte, "mas quero manifestar a minha insatisfação pela maneira como o mercado de trabalho suga os trabalhadores. Veja o meu caso. Trabalho dez horas por dia e não ganho o suficiente para pagar a conta do supermercado, mesmo sendo um técnico especializado. O meu salário está na média da minha categoria, mas eu me sinto como se estivesse vivendo no século 16."
Bom, como você percebeu, sua mensagem está sendo lida, o que mostra que os tempos mudaram. No século 16, além de ser proibido de se manifestar contra o sistema, você provaelmente seria queimado em praça pública. Hoje, no máximo, seria dispensado sem justa causa, já que a sua causa é mais que justa.
Mas a grande diferença entre os tempos idos do mercado de trabalho, e o tempo presente, está numa palavrinha: oportunidade. Se bem me lembro das histórias que a minha Nona me contava, todos os nossos parentes haviam terminado a vida profissional mais ou menos na mesma condição em que a haviam começado. O grande projeto de um trabalhador era se aposentar. Não era estudar, viajar, mudar de emprego, ser promovido, ganhar mais ou ser dono de uma empresa. Ninguém tinha muita esperança de que alguma mudança significativa pudesse acontecer, e todos se sujeitavam ao que era oferecido.
Hoje, um jovem da classe E já pode pensar em fazer um curso superior. Comparativamente, é um tremendo progresso, mas isso não quer dizer que chegamos ao momento em que as coisas estão ótimas. Muito pelo contrário. Estamos evoluindo gradativamente e não chegamos nem perto do que se poderia chamar de uma vida com qualidade. O trabalho ainda ocupa a maior parte do nosso tempo e continua sendo o centro de nossas preocupações.
Temos que repetir sempre isso, como você mesmo fez, para que ninguém pense que estamos satisfeitos. Não estamos. Queremos ganhar dez vezes mais, trabalhando dez vezes menos. Queremos uma sociedade igualitária, mas uma que enriqueça os pobres e não uma que empobreça os ricos.
Então, a minha sugestão para o nosso ouvinte seria: reclame. Mas não seja o vegetariano na churrascaria. Não fique só na crítica. Faça algo prático a respeito. Estude, esforce-se e não desista.
Você está certo, mas o mundo não está errado. Ele está apenas evoluindo. Mais rapidamente do que nunca, mas ainda, mais devagar do que todos nós gostaríamos.
Certas histórias do mundo real se parecem mais com contos de fadas, ou mesmo filmes feel good de Hollywood. Se contarmos a história de Waris Dirie resumidamente, certamente ela se encaixará nesta categoria: de filha de nômades na Somália, passando por faxineira em uma lanchonete em Londres, até o estrelato como modelo internacional, e reconhecida ativista dos direitos femininos. Entretanto, a vida não é um conto de fadas. E a história desta mulher, evidentemente com glamour, mas também com muito sofrimento e drama, é contada no filme Flor do Deserto, (ou Desert Flower, o título internacional do filme).
O filme é baseado no livro autobiográfico, de mesmo nome, da ex-modelo e ativista Waris Dirie. Flor do Deserto é o significado do nome "Waris", na língua da Somália. Um significado que condiz muito com a carreira de modelo, mas que não traduz todas as agruras pela qual essa flor teve que passar, para desabrochar.
Filha de nômades na Somália, Waris (que adulta é interpretada pela modelo etíope Liya Kebede), ainda quando criança, mais precisamente aos 3 anos de idade, sofreu o que eu descrevo como uma barbárie, mas muitos intelectualóides podem descrever como um rito cultural, algo chamado levemente de circuncisão feminina. Que na realidade é algo bem mais brutal e mutilador do que a tradicional circuncisão, tão praticada entre os judeus: a retirada do clitóris da mulher ainda criança, bem como de seus lábios vaginais, terminando com uma costura que praticamente fecha a genitália feminina. Um ritual que além de mutilar, ainda provoca milhares de mortes (sobretudo por infecções), devido às condições precárias em que ele se realiza, tendo o corte das partes da menina sendo feito (sem qualquer esterilização) por meio de lâminas como o "gilete" que a gente usa pra barbear.
No início de Flor do Deserto, vemos Waris ainda menina mas um pouco mais velha, cuidando da criação de cabras, enquanto nasce um filhote de uma delas. Estas cenas iniciais nos mostram a dureza da vida dos nômades na Somália, ao mesmo tempo em que servem de vitrine para a ótima e bela fotografia da natureza africana. Então, corta para Londres, com Waris já adulta. A câmera a acompanha dentro de uma loja, em uma sequência intencionalmente confusa: a diretora Sherry Horman, que também assina como roteirista, com isso, nos passa a confusão e dúvidas da própria personagem.
E é nesta loja que Waris acaba conhecendo Marylin (Sally Hawkins), uma vendedora aspirante a bailarina. Com pena, Marylin acaba ajudando Waris, mesmo sem entender o que realmente se passa com ela (apenas sabe-se que está pobre e definitivamente precisa de ajuda). Com o tempo, nasce uma amizade entre as duas, ao mesmo tempo em que ficamos sabendo mais sobre a situação atual de Waris.
Aos poucos, Waris começa a se ambientar, em conjunto à vida de Marylin. Numa ocasião, Marylin a leva para uma boate, onde Waris se encontra com Harold Jackson (Anthony Mackie, de filmes como Guerra ao Terror), quando pinta um clima. Mas, a forte repressão a que Waris foi submetida ainda a afeta, e numa reação praticamente de estresse pós-traumático, Waris foge. E essa sequência de cenas culmina numa cena tão emocionante quanto dramática: a cena em que Waris descobre que o que fizeram a ela quando criança não é algo exatamente normal (pro mundo, de forma geral).
A vida de Waris sofre uma grande mudança quando ela é "descoberta" pelo famoso fotógrafo de modelos, Terry Donaldson (Timothy Spall), enquanto trabalha como faxineira numa lanchonete. Começando uma carreira de modelo, o principal entrave para ela agora é a sua situação de imigrante legal. E por aí vai a história, até culminar com o ativismo da modelo contra o brutal ritual mutilador a que são submetidas as meninas na Somália (e em alguns outros países que compartilham o costume).
Se no tempo presente de Flor do Deserto vemos Waris lutando em Londres, é por meio de flashbacks que ficamos sabendo todo o caminho que Waris percorreu até chegar à grande cidade. Ao todo, são três grandes flashbacks, que também servem como marcadores de arcos da história dela. Imagine que em uma vida, todos temos muitas histórias, ou arcos de histórias. Em uma vida fascinante como a de Waris, era de se esperar que houvessem vários destes arcos. Apesar de extremamente interessantes, ainda assim é um pouco cansativo num filme, ter tantos arcos assim. A quantidade de "mini-clímaxes" na história poderia arruinar o filme, mas a colocação dos flashbacks entre os arcos da vida adulta de Waris, faz com que esse problema se amenize bastante. Uma excelente saída.
Apesar disso, ainda em relação aos arcos, o filme ainda tem um defeito substancial, na minha opinião. O último arco da história de Flor do Deserto é sobre o ativismo de Waris contra a mutilação das jovens meninas. Entretanto, a passagem para este arco, ou seja, o desenvolvimento da personagem até este ponto de sua vida, é mostrada meio aos pulos, numa sequência envolvendo o interesse romântico Harold Jackson. Já bem sucedida na carreira, uma pequena cena a mostra em sua casa, tão vazia quanto a "alma" dela agora. Por isso, ela parte em busca do "amor" que conhecera na boate. Quando ela o vê com outra (que mais para a frente descobrimos que é apenas companheira de quarto dele), ela sai correndo. Clichêzinho básico de comédia romântica, mas que é tão desnecessário quanto não funcional. Aliás, não li o livro por isso pode ter acontecido como foi mostrado, mas todo o desenvolvimento desse interesse romântico soou falso demais no filme. Ainda mais que é só depois disso que o ativismo dela surge no filme, como se fosse um substituto para o "amor".
As atuações do filme estão excelentes. Liya Kebede realmente convence como Waris, mesmo este sendo apenas o seu terceiro papel (não considerando os Victoria's Secret Fashion Shows), e primeira vez como protagonista. A química dela com Sally Hawkins, que faz a amiga Marylin, é notável. Hawkins (de filmes como Simplesmente Feliz), que já é uma premiada atriz, consegue tanto demonstrar alegria e ser um excelente alívio cômico em alguns momentos, quanto demonstrar profundas emoções nas cenas dramáticas. A cena, que já citei, em que ela e Kebede mostram seus corpos (não explicitamente para a câmera, mas uma para a outra) e descobrem o que tem de errado com Waris, é excelente.
A menina que interpreta a Waris ainda jovem, Soraya Omar-Scego também está excelente, eu diria até espetacular. Neste aspecto, a diretora merece muito os parabéns. Além da ótima atuação dos atores profissionais, muitos dos retratados na "parte Somália" do filme não são sequer atores.
Vale mais uma vez, mencionar a fotografia do filme, muito boa. Fora a já mencionada paisagem africana, e todas as cenas passadas ali (especialmente as cenas da jornada de Waris pelo deserto), destaque também para a fotos de Waris como modelo. São lindas, do tipo que eu colocaria aqui no blog. ;) Ressalto ainda a cena em que é feita a transição da Waris jovem para a adulta, já interpretada por Kebede, é muito boa.
Se em uma ou outra cena, a diretora Sherry Horman perde a mão (por exemplo, no segundo flashback, quando exagera em querer emocionar, mostrando o avião de Waris partindo e o irmãozinho dela cuidando das cabras), no geral Horman consegue manter o filme num nível ótimo. As cenas que focam a barbárie da mutilação genital, por exemplo, são fortes como deveriam ser, mas não são visualmente explícitas. É a velha técnica usada por Se7en, em que não mostrar pode ser tão ou mais perturbador do que mostrar.
Enfim, Flor do Deserto não é a história de um conto de fadas. Mas é a história de uma mulher. Que poderia não ter sido, mas que de um jeito (milagroso, talvez), foi. E que, na sua jornada, ajudou a mostrar ao mundo que o significado de ser mulher pode ser doloroso demais, cruel demais, bárbaro demais. E que não precisa ser assim.
Trailer:
Para saber mais: site oficial (em inglês) de Flor do Deserto. Tem interessantes comentários da diretora, do produtor e da própria Waris Dirie.
A imagem abaixo foi um dos segredos postados no Post Secret, na época do dia dos namorados do resto do mundo, o Valentine's day. Ela explica o círculo vicioso dos relacionamentos:
Se você levou um pé na bunda e está querendo cortar os pulsos com bolacha maizena nesta data comemorativa que vem chegando, não se desespere. Se acalme e quebre o círculo. Ou não.
Em português
É sempre assim. Quando a pessoa é boa, sempre acha uma fdp pra foder a vida. Por isso o negócio é começar sendo mau. XD
'Devo colocar no currículo o salário que eu ganho ou o que consta na carteira?'
"Por motivos que não vêm ao caso, decidi mudar de emprego", escreve um ouvinte. "Mas tem uma coisa que me preocupa. Eu sou registrado com metade do salário que realmente ganho. A outra metade é paga por fora, como reembolso por despesas. Todo mês tenho que conseguir notas fiscais para poder receber a diferença. Qual valor devo colocar no currículo, o que eu realmente ganho ou o que consta na carteira? E preciso mencionar isso no currículo? E como explico isso numa entrevista?"
Bom, começando pelo começo. Você trabalha numa empresa que está driblando a legislação. A empresa se beneficia dessa prática recolhendo menos impostos, e você é prejudicado porque o valor do seu Fundo de Garantia é a metade do que deveria ser.
Você deve mencionar no currículo o valor que realmente ganha. E deve dizer numa entrevista que não quer mais continuar trabalhando numa empresa que age de forma ilegal. E deve também dizer que sente envergonhado por ter que pedir notas fiscais frias.
Se bem que, pela maneira como você redigiu a sua mensagem, você passou a impressão de considerar que tudo isso é normal. Não é. Você está sendo conivente com uma irregularidade.
O fato de que todos os dias aparecem notícias na imprensa sobre ilegalidades, não significa que liberou geral. O que você está fazendo é ser conivente com uma prática inaceitável. Certamente, na sua empresa há outros empregados na mesma situação que você. E algumas dessas pessoas devem ficar revoltadas quando lêem uma notícia sobre sonegação e impunidade, como se os motivos dos outros não valessem para eles. Ou como se grandes valores merecessem punição, e pequenos valores não.
Para concluir, existem casos, e não sei se esse é o seu caso, em que a soma do salário declarado mais a parcela por fora dá um valor acima da média do mercado para a função. Empresas que fazem isso estão repartindo com o funcionário uma parte do valor sonegado. Não porque elas são boazinhas, mas porque isso torna mais difícil uma mudança de emprego. Se a sua empresa faz isso, você teria que aceitar uma eventual proposta de emprego por um valor abaixo do que você está efetivamente recebendo. A decisão é sua, mas eu sugiro que você aceite.
Hoje é aniversário daqui da cidade (Floripa) e por isso, feriado. Mas não é isso que vamos celebrar.
Em 1993, há quase 17 anos, era lançado um álbum do Legião Urbana, O Descobrimento do Brasil, com a música Perfeição. E de lá, para cá, se algo mudou, foi pra pior.
E, como diz o ditado, que o pior cego é aquele que não quer enxergar, eu fico pasmo como as pessoas simplesmente se negam a ver em volta delas. Tudo é festa, tudo é bom, maravilhoso. Não que datas especiais e conquistas não devam ser comemoradas, mas quando isso é tudo o que se faz, comemorar e esquecer o resto, então alguma coisa está definitivamente muito errada.
E uma das coisas que me deixa muito enojado desta cidade, é o deslumbramento que alguns cidadãos dela têm. Especialmente alguns que têm quase uma adoração por uma figura tão babaca quanto o Galvão Bueno, mas que (agradeçam aos céus, resto dos brasileiros) está contida em SC: Cacau Menezes. Hoje, no Jornal do Almoço (ao contrário da maioria dos estados, aqui o jornal da globo regional não é UF TV), essa figurinha, que tem um bloco no jornal, falou tanta porcaria, que não deu pra não celebrar como o grande Renato Russo disse uma vez (tem um vídeo do jornal lá embaixo):
Vamos comemorar como idiotas A cada fevereiro e feriado
Letra: Perfeição - Legião Urbana
Vamos celebrar A estupidez humana A estupidez de todas as nações O meu país e sua corja De assassinos Covardes, estupradores E ladrões...
Vamos celebrar A estupidez do povo Nossa polícia e televisão Vamos celebrar nosso governo E nosso estado que não é nação...
Celebrar a juventude sem escolas As crianças mortas Celebrar nossa desunião...
Vamos celebrar Eros e Thanatos Persephone e Hades Vamos celebrar nossa tristeza Vamos celebrar nossa vaidade...
Vamos comemorar como idiotas A cada fevereiro e feriado Todos os mortos nas estradas Os mortos por falta De hospitais...
Vamos celebrar nossa justiça A ganância e a difamação Vamos celebrar os preconceitos O voto dos analfabetos Comemorar a água podre E todos os impostos Queimadas, mentiras E seqüestros...
Nosso castelo De cartas marcadas O trabalho escravo Nosso pequeno universo Toda a hipocrisia E toda a afetação Todo roubo e toda indiferença Vamos celebrar epidemias É a festa da torcida campeã...
Vamos celebrar a fome Não ter a quem ouvir Não se ter a quem amar Vamos alimentar o que é maldade Vamos machucar o coração...
Vamos celebrar nossa bandeira Nosso passado De absurdos gloriosos Tudo que é gratuito e feio Tudo o que é normal Vamos cantar juntos O hino nacional A lágrima é verdadeira Vamos celebrar nossa saudade Comemorar a nossa solidão...
Vamos festejar a inveja A intolerância A incompreensão Vamos festejar a violência E esquecer a nossa gente Que trabalhou honestamente A vida inteira E agora não tem mais Direito a nada...
Vamos celebrar a aberração De toda a nossa falta De bom senso Nosso descaso por educação Vamos celebrar o horror De tudo isto Com festa, velório e caixão Tá tudo morto e enterrado agora Já que também podemos celebrar A estupidez de quem cantou Essa canção...
Venha! Meu coração está com pressa Quando a esperança está dispersa Só a verdade me liberta Chega de maldade e ilusão
Venha! O amor tem sempre a porta aberta E vem chegando a primavera Nosso futuro recomeça Venha! Que o que vem é Perfeição!...
Esta não é bem uma consulta sobre o mercado de trabalho, mas acredito que valha a pena responder.
Uma ouvinte, mãe de um jovem de 18 anos que ingressou numa faculdade, escreve: "Meu filho sofreu um trote violento. Teve várias escoriações e corte no corpo. Será que ninguém está vendo o perigo que essas brincadeiras representam para a integridade física dos calouros? Será que vamos ter que esperar por uma tragédia, para que as autoridades tomem providências?"
Sim, senhora. Todo mundo está vendo. E faz bastante tempo.
O trote tem mais de um século, e as suas origens são européias. Os calouros de entanho, aceitavam de bom grado as brincadeiras dos veteranos. Porque ingressar em uma universidade era um passo que apenas os jovens muito privilegiados e abonados, podiam dar.
Com esse mesmo espírito, o trote chegou ao Brasil. E aqui também, os calouros não se incomodavam com as pequenas humilhações que sofriam, porque sabiam que o diploma universitário seria um passaporte carimbado para o sucesso.
Só que isso mudou. No meio da década de 1960, o Brasil tinha 400 faculdades. E apenas 1 de cada 500 jovens brasileiros, conseguia concluir um curso superior. 15 anos depois, em 1980, o número de faculdades chegou a 1000, e a partir da década de 1990, deslanchou de vez. Atualmente, há mais faculdades do que supermercados no Brasil.
Como a oferta de cursos aumentou, o preço da anuidade caiu. Permitindo que qualquer jovem com um mínimo de recursos possa ter acesso a um curso superior. Por isso, o trote se tornou uma brincadeira anacrônica. Perdeu a sua importância histórica e infelizmente, em muitos casos, ganhou requintes de sadismo e de perversidade.
Contrariando até a lógica, mesmo em cursos superiores que só conseguem preencher metade das vagas oferecidas, o trote ainda persiste.
Há muitas maneiras civilizadas de dar boas vindas aos calouros, como campanhas para fins sociais, que são praticadas nas faculdades que já viraram a folhinha do século 20.
E quanto à sua pergunta, a resposta infelizmente é: sim. No Brasil, muitas tragédias anunciadas costumam ser ignoradas pelas autoridades, que depois se desculpam como se tivessem sido apanhadas de surpresa.
Ao pensar sobre o que escrever no post do filme Amor Sem Escalas, fiquei meditando sobre esse negócio de nomear filmes. Em português.
A decisão de colocar um nome como Amor Sem Escalas num filme como Up in the Air, só pode ser fruto de: ou burrice comercial, ou simples burrice preguiçosa.
No caso de burrice comercial, o cara deve pensar: "Pô, filme de drama não rende muito, vou tentar enganar umas donzelas a perigo, já que tem o George Clooney também, e vender o filme como uma comédia romântica. Vai encher as salas de progesterona."
Se for caso de burrice preguiçosa, o cara simplesmente não pensa. Vê o trailer, ou lê uma sinopse de três linhas, e nomeia o filme pensando que sabe alguma coisa. Ver o filme pra quê, não? Perda de tempo...
Depois o filme não dá muita grana e fulano não sabe o que aconteceu. Simples, eu explico: se você vende uma coisa como X e ela é Z, os primeiros consumidores até se deixam enganar. Estreia, sabe como é, pouca gente lê as críticas.
Mas então surge o boca a boca. E se você promete X e entrega Z, as pessoas vão falar. Vão comentar. Ninguém gosta de ser enganado. E pior hoje com blogs, twitter e o diabo a quatro de redes sociais, no sábado você sabe que X na verdade é Z. Aí, colega, sua bilheteria vai pro espaço.
No caso de Amor Sem Escalas, talvez isso não aconteça, porque o filme é muito bom, mesmo sendo de um gênero diferente do que o nome sugere. E neste caso específico, quem vai esperando uma comédia romântica não se ofende com o filme oferecido. Agora, imagine se algum gênio resolve renomear o Antichrist do Lars von Trier, pra algo como "Desventuras na Floresta". Receita pronta pra uma grande merda.
Em tempo: Antichrist é um filme foda, mas não é pra todo mundo.
Americanos podem ser muito idiotas (nem todos, vide o House... espera, o Hugh Laurie é britânico... ah, esquece!)
Qualquer religioso já é um pouco idiota (segundo a minha definição de idiotice, acreditar num amigo imaginário é idiotice), mas podem ser muito idiotas. (Bem, todo mundo é meio idiota mesmo, independente de acreditar em papai noel...)
Agora, essa onda de americanos ultra-religiosos só podia dar em que? Ultra-idiotas.
O ruim de ultra-idiotas é que não se pode discutir com eles, porque eles não vão entender mesmo. Mas podem render bons diálogos se você estiver só observando (e não tentando convencer uma besta sem salvação):
"A autora do vídeo é uma romena chamada Cristina. Ela critica a iniciativa de Kirk Cameron e Ray Comfort de distribuir exemplares de 'A Origem das Espécies', de Darwin, com uma introdução de 50 páginas, expondo a visão dos criacionistas sobre o assunto."
Eu particularmente pegaria uma cópia desse livro, arrancaria as 50 páginas (e mandaria pra reciclagem, salvem o planeta verde!) e guardaria.
E lembrem-se: "Você fala com Deus, você é religioso. Deus fala com você, você é psicótico." - House, na segunda temporada.
"Ah, my birthday. Normally I'd put on a festive hat and celebrate the fact that the Earth has circled the Sun one more time; I really didn't think it was going to make it this year, but darn it if it wasn't the little planet that could all over again." - House, primeira temporada.
Eu nem ia falar nada, mas postando a foto da tartaruga e seu aniversário, resolvi escrever. Como escrevi naquele post, eu não comemoro o meu aniversário. Já faz muitos anos, tantos, que eu nem lembro quando eu realmente comemorei pela última vez o fato de ficar um ano mais velho.
Mas não, não tem nada a ver com o fato de envelhecer. Tem a ver com o significado da comemoração. Eu comemoro algo quando ele é digno de celebração, eu comemoro quando consegui atingir um objetivo...
Mas que objetivo foi alcançado, no caso do aniversário? Ter conseguido sobreviver mais um ano? Se estivéssemos na Idade Média, quando a expectativa de vida era curtíssima e 30 anos era idade de ancião, eu até entenderia. Mas é um objetivo idiota, simplesmente "sobreviver".
O que se celebra é na verdade, a vida. Se celebra o fato que você está vivo e viveu mais um ano. Isso é digno de comemoração? Pra mim, não. Porque mais um ano vivido apenas significa mais um ano de dor, sofrimento e angústia. Você comemora algo que detesta ou odeia? Eu não. E eu odeio cada dia, mais do que o dia anterior.
Onde trabalho todo mês tem no mural, uma lista dos aniversariantes e os respectivos dias. E no dia, lá vai aquele bando dar os parabéns pro aniversariante, mesmo que no dia-a-dia, nem troque um "oi" com a pessoa. E é aquele festival de abraços, beijinhos e sorrisos, a maioria falsos. Faz parte das convenções sociais. Faz parte das regras de convivência.
Até ano passado, eu ainda suportava isso. Recebia os "parabéns" que me eram dados, mesmo nos casos extremos quando eu desprezava a pessoa, ou quando sabia que era hipocrisia.
Recentemente foi meu aniversário. Mas este ano, resolvi dar um basta. Danem-se as convenções sociais, essas regras idiotas. Regras idiotas por regras idiotas, eu sigo as minhas próprias.
No dia, nem fui trabalhar, pra não ouvir aquele monte de besteira. Deixei o contato no gmail invisível, não respondi emails, nem atendi o telefone.
Estou infeliz, me sentindo miserável, de mau-humor, não vou fingir que estou alegre só por causa de um "parabéns". No dia seguinte, fui trabalhar. Uns poucos ainda se lembravam, e vieram com os "parabéns". Recusei todos. Nenhum aperto de mão, abraço ou qualquer outro contato sequer.
Até mesmo ela veio até a minha mesa me cumprimentar. Quando a vi, estava do meu lado, mão esticada pra cumprimentar. Recusei, tanto os parabéns quanto o aperto de mão. Não sei por que raios, mas ainda tentou conversar. Fui seco. E a curta conversa terminou assim:
- Eu não comemoro aniversário. - Por quê? - Você comemora algo que detesta? - Aniversários? - Não. Eu detesto a minha vida.
Ah, e se alguém for comentar um "parabéns" neste post, nem se dê ao trabalho. Será sumariamente ignorado.
Há algum tempo notei que alguns posts meus estavam sendo copiados integralmente em um desses fóruns da Internet, sem um link para este blog (apenas citando, como texto puro, a url). Como os posts que eu vi copiados eram as transcrições dos comentários do Max Gehringer, não liguei muito.
Só que depois eu vi que não eram apenas esses posts, mas TODO E QUALQUER post, mesmo aqueles de teor puramente pessoal (afinal, o que faria alguém com um mínimo de bom senso copiar o post da minha janta?). E não apenas o texto é copiado, mas as figuras também, apenas linkando estas. Ou seja, o infeliz está copiando usando o feed do blog.
Me cadastrei no fórum em questão, aparentemente um fórum angolano com o nome Angola Xyami (todos os links pro forum com rel="nofollow"), e mandei uma mensagem para o infeliz usuário, de nick DonnaL, pedindo para que retirasse os posts de cunho pessoal. (Os posts de generalidades, de diversão, etc., eu sei que serão copiados, eu querendo ou não.)
Depois de uma semana, não obtive resposta. Pesquisei um pouco mais e vi que o feed está sendo "chupado" desde janeiro deste ano. Quem quiser ver, basta ir no perfil do infeliz e clicar em "Procurar tópicos iniciados por".
Mas o pior não é nem isso. Olhando o fórum um pouco mais, descobri que não sou só eu que estou sendo plagiado/copiado/chupado (se fosse por uma bela moreninha, eu não ligaria pro último verbo, hehehe). O que é pior ainda pra quem tem host pago e é cobrado pelo consumo de banda, já que o fórum faz hotlink das imagens, pros servidores originais (e consequentemente aumentando a conta $$$).
Olhem só a lista de "roubos de feed" que o fórum promove. Cada usuário e suas respectivas "fontes" de posts no fórum:
Só este episódio já é lamentável, mas vamos dar um desconto, afinal, quem fez a caca foi a revista (mesmo que ela tenha eventualmente pedido pra dar uma recauchutada).
Mas agora outro episódio desta atriz que se acha a última bolacha do pacote...
No Vídeo Show de ontem (dia 25/05/2009), a grande atriz (grande inclusive na horizontal XD) pega o microfone da mão da apresentadora/repórter Geovanna Tominaga, demonstrando uma 'superioridade' incrível, afinal, a repórter seria novata e o pique do maracujá de gaveta é 'mais elétrico'. Veja o vídeo:
A cereja do bolo, pra mim, foi essa: depois que a Suzana Vieira tomou o microfone nas mãos, a Geovanna Tominaga, constrangida, tenta brincar, perguntando se a atriz iria ensiná-la a trabalhar. A resposta da Suzana: "Não, não vou te ensinar, não, porque eu não sou apresentadora. Só que a gente tem que correr."
LAMENTÁVEL.
E do Didi eu não falo nada, porque lamentável é padrão pra esse 'trapalhão'.
Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 04/05/2009, com dados de uma pesquisa que mostra que o número de vagas no mercado de trabalho aumentou, mas apenas para uma categoria: a dos jovens dispostos a ganhar uma miséria.
Áudio original disponível no site da CBN (link aqui).
Com crise, mercado abre vagas para jovens dispostos a ganhar pouco
Uma pesquisa do IPEA, instituto subordinado a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, revelou um quadro inquietante sobre o mercado de trabalho desde o começo da crise em outubro de 2008.
Nos 6 meses que se passaram, até março de 2009, as oportunidades de emprego só aumentaram para uma categoria: a dos jovens dispostos a ganhar pouco. Para a faixa dos 16 até os 24 anos de idade, foram abertos quase 150 mil postos de trabalho, mas com uma remuneração baixíssima, um salário mínimo por mês.
Nas demais faixas de idade ou de salário, a pesquisa revelou que o desemprego aumentou. A maior queda afetou quem tem entre 30 e 39 anos de idade. Nessa faixa etária, praticamente 300 mil postos de trabalho foram riscados do mapa. Em termos salariais, os que mais sofreram foram os que ganhavam entre 2 e 3 salários mínimos. Quase 260 mil postos nessa faixa de remuneração desapareceram nos últimos 6 meses.
Resumindo os números da pesquisa, muitas empresas trocaram empregados mais antigos e mais caros por jovens que estão começando a carreira e aceitam o sacrifício de praticamente pagar para poder trabalhar. Com isso, as empresas se beneficiam de modo relativo. Porque os custos com a folha de pagamento certamente caem. Mas o bolo geral de salários também diminui, e isso causa uma redução no poder geral de compra.
Ao trocar empregados que ganhavam o suficiente para poder ia às compras, por outros que não terão dinheiro para consumir mais do que o básico necessário, as empresas acabam dando um tiro no próprio pé. Em épocas de crise, porém, a preocupação com o curto prazo tende a ser muito maior do que as projeções de médio e de longo prazo.
Pelo lado positivo, os números referentes a abril, que serão divulgados dentro de 20 dias, deverão ser melhores que os de março, segundo as expectativas dos especialistas. O que não significa que a tempestade passou, mas pelo menos, ela está amainando. Essa é a boa notícia para quem está empregado, tem mais de 30 anos e ganha mais que 2 salários mínimos por mês. Nessa categoria, a mais visada pelas tesouras, quem se aguentou até agora terá boas chances de escapar incólume do arrastão da crise.
No começo, era o mp3. Formato de música comprimida, ganhou as ruas quando a Apple lançou o famoso iPod. Desde então, os MP3 Players, ou apenas MP3, ganharam popularidade fora do círculo geek, se espalhando como praga, pior que brasileiro em Orkut.
Depois veio o mp4, que apesar do nome, não é a evolução do mp3. Mas, como o mp4 especifica (simplificadamente falando) o formato do container de filmes (ou seja, o vídeo e o som, que pode até ser em mp3), ao lançarem aparelhos que podiam reproduzir vídeos, logo o nome MP4 se popularizou, como sendo um tocador de vídeo. (Apesar de que, ironicamente, os aparelhos mais vagabundos não tocam arquivos em mp4)
Até aí, tudo bem, era o marketing agindo sobre as cabeças não geek (ou talvez cabeças não pensantes) da humanidade.
Mas então alguém muuuuito criativo resolveu colocar alguma funçãozinha a mais no aparelho, como tirar fotos. E rebatizou o dito como MP5. Claro, depois do 4 vem o 5, não? Então, a cada novo botãozinho, o criativo pessoal de marketing paraguaio foi aumentando uma numeração.
Eu já achava MP7, MP8, um exagero. E nem prestava mais atenção aos MPX da vida, quando outro dia vejo uma propaganda (via Adsense) neste mesmo blog que você está lendo. Olha ela aqui:
Sim, um MP11! E pela loja, deve vir diretamente da China, aquele (hoje) acolhedor país dos direitos humanos e dos produtos pirateados, apesar da baía pirata na Suécia... Não pude deixar de ser curioso e entrei no site. Meu Deus, MP11 não são a última moda. Lá tem MP12...
E se você procurar no Google, em sites como o MercadoLivre (que mais é um mercado zona livre), vai encontrar outros MPs, 13, 14, 15...
Eu queria mesmo é um MP18 pra acabar com essa palhaçada.
Política não é algo que eu geralmente abordo por aqui, mas certas coisas me deixam muito fulo. Como o comentário hoje da Miriam Leitão, pra rádio CBN. Resumidamente é o seguinte: o governo Lula-lá faz umas contas mágicas e anuncia investimentos enormes no PAC (o que seria o "Programa de Aceleração do Crescimento"), mas tá fazendo propaganda disfarçada (disfarçada?) da pré-candidata-sem-sal Dilma Rousseff.
No blog da Miriam Leitão tem um texto com o mesmo conteúdo do comentário:
O governo anunciou R$ 646 bilhões de investimentos para o PAC até 2010. Essa dinheirama é para confundir. O governo faz de propósito. Ele cria esse número lindo, com empresas privadas, e muitas estão cancelando seus investimentos. Eles inflam os planos de investimento das estatais, como acabaram de fazer com a Petrobras, porque é óbvio que nenhuma empresa de petróleo do mundo está ampliando, nesta proporção, seus investimentos, na hora em que o petróleo está caindo, a demanda está caindo, o mundo está em crise. ... Eles dizem que o PAC vai investir R$ 646 bilhões, mas na verdade eles estão contando com um monte de coisas, como financiamentos que serão dados pela Caixa e entram como PAC. E ainda colocaram obras do metrô de São Paulo.
Em suma: qualquer coisa que o governo gaste, faz parte do PAC. Virou sinônimo de Orçamento da União? Tsc, tsc...
A maior importância do PAC é propaganda política e eleitoral. É por isso que tem a frase da ministra Dilma Rousseff, que é candidata à candidata à sucessão do presidente Lula, de que o governo quer um candidato que faça a continuidade do PAC. Chegam lá, fazem um estardalhaço com o PAC e, em seguida, ela diz que tem que votar num candidato que continue com o programa. Isso não é prestação de contas do governo, isso é propaganda.
Bem, o que esperar de um governo imoral e antiético como esse?
Tudo isso é muito ruim. Estamos num momento de crise, é preciso seriedade, precisa de uma apresentação de coisas concretas. Não é para fazer dessa forma. E se formos levar em conta o que o governo apresenta, a ministra Dilma disse que só tem 2% que são preocupantes e 4% das obras estão em estado de alerta. Então, parece que está tudo bem. Mas falta explicar porque o país entrou em recessão. O Brasil está em recessão pela crise exterior, mas também por coisas feitas aqui. Se eles fizeram tudo certo, o país não poderia estar em recessão. Tem uma briga com a realidade neste ponto.
Fácil de explicar. Segundo o governo, não tem recessão. Simples assim...
Tome o caso do metrô de São Paulo, um empreendimento do governo paulista, com dinheiro do governo do estado, da prefeitura de São Paulo, de empreiteiras privadas e mais financiamentos locais e externos, com uma pequena parte de recursos federais.
Não estava no PAC, agora foi incluída. O que muda?
Nada. A obra continua do mesmíssimo jeito, sujeita às mesmas condições, controlada pelo governo paulista, e dependendo das condições gerais da economia.
A única diferença é que passa a chamar-se obra do PAC.
Mais uma vez, o Lula-lá-lá (lá aonde o sol não bate) é LAMENTÁVEL...
Amigos ouvintes, muita gente não acredita em anjos. Eu acredito. Eles existem. Eles estão todos no PT. Isso.
No Partido dos Trabalhadores só existem anjos de asinhas vermelhas, anjinhos de foice e martelinho na mão, santinhos de pau oco ou santinhos de Santo André, santinhos de São Bernardo... Eles são todos homens puros, limpos de qualquer delito, por pensamento, palavras e obras.
Os outros partidos, como PMDB, Democratas, o PSDB, estão cheios de demônios. Mas o PT não. Eles nunca viram nada, nunca fizeram nada de errado, nem no Mensalão, que foi uma invenção dos burgueses, nem nos dossiês que foram feitos para acabar com o José Serra, nem nas cuecas cheias de dólares, nem nos cartões de crédito corporativos, nas contas no exterior com dinheiro arrancado dos fundos de pensão, nada. E mais: agora o PT também nunca errou. E já criou um discurso que vem aí, com as ondas da crise econômica.
O tema é o seguinte, amigos: a culpa desta crise econômica que pode atingir o país, é, sabe de quem? Do Fernando Henrique Cardoso, do governo anterior, dos neo-liberais de direita reacionários... É extraordinário o nível de hipocrisia desse partido.
Ao fim de 5 anos, tudo que aconteceu de ruim com o Lula e o governo, é culpa dos governos anteriores. E o que é vergonhoso na posição acertada pelo PT, na sua reunião da semana passada, aprovada por 240 dirigentes de 26 estados, é que a posição oficial será justamente cuspir no prato que comeram nos últimos anos.
Pois a única coisa sensata que este governo do Lula fez, foi tocada por um dos poucos homens inteligentes do Partido dos Trabalhadores, o senhor Antonio Palocci, que bravamente resistiu a burrice ideológica dos "petelhos", e manteve a política econômica do governo anterior, o que permitiu que Lula atingisse hoje esta marca de 70% de aprovação, pelas pessoas que não entendem absolutamente nada de política.
Se Dirceus e Berzoinis tivessem conseguido derrubar o Palocci, que o Lula teve a inteligência, a esperteza de defender, e mais para trás, se Fernando Henrique não tivesse feito o Plano Real, o PROER e outras medidas macro-econômicas, o PT e todos nós, estaríamos moendo rapadura no meio fio.
E agora, diante do perigo da crise econômica que se aproxima, já que não fizeram corte algum nas despesas, que só aumentaram para empregar malandros e boquinhas, já que não fizeram reforma alguma, a idéia mais uma vez é blindar o Lula, seu único capital político, jogando a culpa em quem salvou indiretamente este governo.
É espantoso.
E Deus, ou Júpiter, ou Omolu, ou Alá, não mandam um raio do céu para punir esta liderança de pelegos.
O palhaço Pimpolho, como é conhecido Márcio Ferreira, 30 anos, faz propaganda nas ruas do bairro Estreito (parte continental de Florianópolis) e anima festas infantis.
Mas nesta tarde, impressionado com o caos que tomava conta de um cruzamento no referido bairro, resolveu fazer alguma coisa, e tomou as rédeas da situação, fazendo o papel de guarda de trânsito, enquanto nenhuma autoridade chegava.
(O palhaço Pimpolho orientando o trânsito no cruzamento das ruas Liberato Bittencourt e Tereza Cristina, no bairro Estreito, Florianópolis)
Segundo Ferreira, o palhaço Pimpolho: "Moro por aqui e vi que os carros estavam quase subindo uns nos outros". Pimpolho usou a sirene de seu alto-falante nos momentos em que o trânsito ficava especialmente complicado.
(Quando não está fazendo o trabalho dos guardas municipais, Márcio Ferreira anima festas e faz propaganda na rua.)
(Quando a situação ficava feia, o palhaço usava a sirene de seu alto-falante.)
O problema é que os semáforos deste cruzamento não estavam funcionando (estavam em modo "piscante", ou seja, ficavam piscando sempre no amarelo, indicando atenção). O problema, segundo foi apurado, deveria-se ao fato destes semáforos não estarem conectados ainda ao sistema central.
Independente do problema, o trânsito de Florianópolis não perde em nada para o de grandes cidades, em termos de entropia (a medida do caos).
(Os motoristas respeitaram as orientações do guarda-palhaço. Alguns deles até mesmo aplaudiram a iniciativa de Pimpolho.)
O palhaço orientador do trânsito só teve descanso depois das 17:45, quando dois guardas municipais chegaram ao local para orientar o trânsito.
(Depois de algumas horas, tudo normalizado... Ou não, apenas um paliativo)
O problema ainda não tem prazo para ser solucionado definitivamente, uma vez que não existe previsão para o problema dos semáforos ser resolvido.
Pelo menos nessas Olimpíadas de Beijing ou Pequim, até agora, o Brasil não tem nenhuma medalha de ouro!. Isso mesmo.
Entretanto, um brasileiro tem uma medalha de ouro.
Tem diferença? Tem sim! E muita... Se você não sabe a diferença, pergunte a algum atleta ainda não famoso (e provavelmente por isso, sem patrocínio), se o Brasil sil sil faz alguma coisa por ele. Na maioria das vezes, não.
Não vou me alongar aqui sobre a medalha do Cielo, porque outro japonês já escreveu tudo o que eu gostaria de falar, e não vou ficar repetindo. Leia o post do Inagaki, César Cielo, um ouro solitário para este país de chorões.
Citando uma parte do post, que eu concordo plenamente e assino embaixo:
"Quando um brasileiro torna-se campeão, pouco importa que sua carreira tenha sido construída no exterior, como nos casos de Joaquim Cruz e César Cielo Filho, vencedor da prova dos 50 metros rasos nas piscinas de Pequim 2008 e que treina há anos na Universidade de Auburn, no Alabama. Afinal de contas, estes medalhistas representam "todo o nosso país", certo?
Errado. O Brasil é um país de torcedores chorões que adoram reclamar do desempenho de nossos atletas, quando deveriam focar suas críticas em dirigentes incompetentes, ausência de políticas de planejamento a longo prazo e políticos que só aparecem quando surge um medalhista olímpico na tela da TV."
E pra vocês verem como o nosso país é formado por gente medíocre e sem visão, depois de todo o trabalho duro e conquistas inéditas, mas que infelizmente não trouxeram medalha, estão "desmontando" a equipe de ginástica brasileira. Fiquei sabendo disso pela Valéria, que curte bastante ginástica... Infelizmente acho que ela vai ficar sem ver coisa boa em relação ao Brasil, depois dessa.
As vezes eu tenho vergonha de dizer que sou brasileiro.
Transcrição do ótimo comentário do Max Gehringer, para a rádio CBN, de ontem, dia 12/08/2008.
Uma importante mensagem para dirigentes de empresas
Uma pequena e importante mensagem para dirigentes de empresas. E também para quem ainda não tem uma posição de comando, mas tem a ambição de chegar lá.
O Instituto Brasileiro de Ética nos Negócios fez uma pesquisa com a pergunta: qual é a maior qualidade de um presidente de empresa? As opções eram as de sempre: determinação, coragem, integridade, visão, intuição... Mas todas essas opções somadas não chegaram a 40% dos votos. A resposta de mais de 60% dos entrevistados foi: é ser um exemplo para todos.
Em outras palavras, uma cultura interna se constrói de cima para baixo, a partir dos exemplos práticos dos líderes, e principalmente do líder mais visível.
Grandes empresas têm algo chamado "Nossa missão". É uma declaração dos propósitos e dos valores que norteiam as decisões da empresa, e é também a bíblia do presidente. Se ele não fizer o que ele mesmo escreveu ou aprovou, o sistema tem a firmeza de um bloco de geléia.
Agora vou ler uma mensagem de um ouvinte. Ele diz: "trabalho no setor de atendimento a cliente de uma grande empresa, e atendo a mais de 600 ligações por dia. Ontem concordei com a reclamação de um cliente que está pagando por um serviço que não está recebendo. Pedi desculpas e encaminhei o caso a meu superior. Para minha surpresa, meu superior me advertiu. E falou que caso eu quisesse progredir na empresa, deveria deixar a ética de lado e fazer o que me mandam, que é ler um texto pronto e me livrar rapidamente do cliente."
Aí, eu entrei no site dessa empresa. E lá está escrito que uma relação se constrói através de confiança, e que o cliente deve ser ouvido e respeitado. Isso é o que se chama "ilusão de ética": a diferença entre uma frase bem escrita e uma conduta prática que contradiz a frase.
Para algumas empresas, o resultado da pesquisa sobre a maior qualidade de um presidente foi um elogio. Para outras, como a de nosso ouvinte, foi uma advertência: a de que os empregados sabem que ética não é literatura, é postura.
Ontem, terça a noite, fiquei até um pouco mais tarde acordado, vendo o Profissão Repórter, da Rede Globo, um dos (poucos) programas jornalísticos que valem a pena ser vistos. Nele, vários jovens repórteres, sob a batuta do Caco Barcellos, se dividem em várias frentes, tendo um tema em comum.
No programa da última terça o tema foi Sexo, mais especificamente a indústria que gira em torno do sexo. Além de mostrar os bastidores de um filme pornô, a história de uma família que cuida de um cinema pornô e a situação de prostitutas de beira de estrada, aqui de Santa Catarina, o programa contou uma história emocionante.
Dona Rosinha, aos 73 anos, cabelos brancos, marcas do tempo visíveis tanto no rosto quanto na fala e na alma, ainda tenta ganhar a vida no centro de São Paulo, fazendo programas. Veja o vídeo abaixo, que mostra a segunda parte do programa, e me diga se você não sentiu o estômago levando um murro:
Além do vídeo, olhe o que a Gabriela Lian, a repórter responsável por essa "frente" do programa, ao lado do Felipe Gutierrez, diz no site:
Jeito de vó, doçura de vó, muito parecida com muitas vovós que eu conheço. Poderia ser a minha, inclusive. Algumas semanas de gravações, algumas tardes com ela e ainda não acredito que Dona Rosinha faça programa. Mas ela faz. Como pode? Essa senhorinha fofa tinha que ter uma velhice mais digna. Não tem.
Ela mora num barraco úmido, que fica sobre um córrego, no meio de uma favela da Zona Norte de São Paulo. Nossa presença a envergonhou perante os vizinhos e ela pediu que eu guardasse a câmera dentro da mochila. Sua situação também a envergonhou. A todo momento, ela pedia desculpas por não ter limpado a casa pra nos receber. Acho que o Felipe também estava com vergonha. Percebi que ele queria perguntar algumas coisas, mas não sabia como - muito mais fácil entrevistar um pedreiro, por exemplo, e pedir para ele nos dizer como faz para levantar aquele prédio, não?
É delicado entrar assim na vida de alguém cuja intimidade é algo tão público e tão velado ao mesmo tempo. As pessoas não sabem de sua profissão. Não sabiam… Agora, quem passa na Praça da Sé vai olhar de uma outra forma para aquela doce velhinha encostada na banca de jornal. Acredito que ela será mais ajudada do que apedrejada e é por isso que insistimos na gravação. Afinal de contas, minha indignação quando ouvi de Dona Rosinha que ela ainda não se aposentou porque não tem R$ 15,00 para regularizar seu CPF não pode ser só minha.
Agradecimentos a B., que também postou esse vídeo no seu post: Dona Rosinha, 73, prostituta desde os 17, o que me avisou que o vídeo da reportagem já estava disponível (é, ele não vai ao ar logo depois do programa na TV terminar).