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2019-02-27

Empresa deve assumir o custo dos aplicativos usados pelos funcionários? - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 27/02/2019, com um ouvinte que usa o celular pessoal para trabalhar.

Áudio original disponível no site da CBN. E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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Empresa deve assumir o custo dos aplicativos usados pelos funcionários?

aplicativo corporativo

Um ouvinte escreve: "Na empresa em que trabalho, diretores e gerentes têm celular corporativo. E nós, de outras funções, temos que usar os nossos celulares pessoais para nos comunicarmos. Temos um grupo que utiliza um aplicativo para agilizar tarefas e contatos, e acredito que hoje seja impossível não utilizar essa ferramenta. Só que ela tem um custo, e nós é que estamos pagando por ele. Como casos assim têm sido tratados no universo corporativo?"

Bom, primeiro, vou lhe dar uma notícia que deve deixá-lo estupefato: é perfeitamente possível viver e trabalhar sem usar aplicativos. Mas vamos à sua questão.

Quando uma empresa necessita que um funcionário se comunique com ela, via celular, ou faça trabalhos que necessariamente requeiram o uso de aplicativos, ela mesma proverá essas ferramentas.

Se funcionários decidem fazer isso por conta própria, como parece ser o caso de vocês, a empresa certamente irá elogiar a pró-atividade, mas duvido que se disponha a pagar por ela.

Os diretores e gerentes da sua empresa têm esse benefício porque ele é normalmente concedido a gestores de alto escalão. Mas empregados em geral não financiam gastos da empresa em que trabalham, eles recebem todos os equipamentos adequados para executar as tarefas.

A minha sugestão é que vocês parem de usar seus próprios aplicativos e celulares. Se eles forem indispensáveis, a empresa irá assumir o custo. Se ela não assumir, é porque eles não são indispensáveis.

Max Gehringer, para CBN.

2018-08-27

'Tenho doutorado. Posso adicionar o título de doutor ao meu e-mail corporativo?' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 27/08/2018, com um ouvinte que concluiu um doutorado e quer saber se pode adicionar o título de doutor em seu e-mail corporativo.

Áudio original disponível no site da CBN. E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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'Tenho doutorado. Posso adicionar o título de doutor ao meu e-mail corporativo?'

e-mail corporativo

Um ouvinte escreve: "Trabalho em uma empresa bem grande e tenho um título de doutorado. Como essa formação me custou muitas horas de dedicação e um razoável investimento financeiro, pergunto se posso adicionar o título de doutor a meu e-mail corporativo?"

Bom, em muitos países, isso certamente seria normal. Nos Estados Unidos, por exemplo, a adição da sigla PhD ao nome de um profissional, não provoca nenhum tipo de insatisfação aos colegas de trabalho.

No Brasil, o título de doutor sempre acompanhou alguns profissionais específicos, como médicos, advogados e cientistas. Mas no mundinho corporativo, a coisa muda de figura.

Embora eu concorde com o seu merecimento, é bem provável que você seja acusado de ostentação ou coisa pior, se enviar um e-mail de trabalho com um "Doutor" atrelado a seu nome.

E como você trabalha em uma empresa bem grande, certamente há nela profissionais com mestrado, MBA e outras distinções. E muitos deles criticarão o seu atrevimento em seu auto-promover.

O que lhe sugiro é consultar a área de recursos humanos, que poderá decidir se é adequado que todos os funcionários com títulos passem a usá-los internamente.

Eu posso quase lhe garantir que a resposta será negativa. O seu doutorado é, de fato, uma conquista. Mas no Brasil corporativo, alardear algo que a maioria não tem, é interpretado como presunção, e não como exemplo.

Max Gehringer, para CBN.

2017-07-03

O que é compliance? - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 03/07/2017, sobre o que é compliance.

Áudio original disponível no site da CBN. E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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O que é compliance?

compliance

O termo inglês "compliance" tem aparecido com cada vez mais frequência em textos corporativos. Então, aqui vão algumas informações sobre ele.

Empresas sempre tiveram um setor de auditoria, cuja finalidade é investigar se os dados contabilizados não apresentam discrepâncias. O setor de compliance também faz isso, mas vai muito além disso: ele engloba questões éticas, ambientais e de responsabilidade social.

Compliance significa o devido e irrestrito cumprimento das obrigações legais e morais, algo que o Brasil inteiro deseja ardentemente que seja feito por todas as empresas e, principalmente, por aquelas que afirmam ter integridade e transparência. Mas, como temos visto quase diariamente, não praticam o que pregam.

O compliance é um programa específico de ações. A direção da empresa define tudo o que vai ser feito, não apenas no tocante ao negócio em si, mas também nas relações com a comunidade e nos projetos para gerar medidas de caráter sustentável para futuras gerações. Estabelecido esse plano, uma equipe se encarregará de acompanhar diariamente se tudo o que foi prometido está mesmo sendo executado.

O compliance é, portanto, a cartilha de intenções das empresas modernas. Como consumidores e cidadãos, devemos nos interessar pelas empresas que se interessam por tudo o que nos afeta, além dos produtos ou serviços que adquirimos delas.

Max Gehringer, para CBN.

2016-10-18

'Questiono que nosso colega promovido parecia ser o menos indicado?' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 18/10/2016, com um ouvinte que teve um colega promovido que parecia ser o menos indicado para a vaga.

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'Questiono que nosso colega promovido parecia ser o menos indicado?'

promoção de emprego atrapalhada

Um ouvinte escreve: "Trabalho em um setor que tem mais de 30 funcionários. Nosso coordenador aceitou uma proposta melhor e pediu a conta. E para o cargo dele, foi promovido um de nossos colegas. A notícia nos pegou de surpresa porque esse colega parecia ser o menos indicado para assumir o cargo: nunca demonstrou qualquer sinal de liderança, nunca teve os melhores resultados do setor e, com o perdão da palavra, sempre foi meio devagar para captar as coisas.

Alguns colegas estão pensando em ir perguntar ao gerente qual foi o motivo que o levou a promover o dito cujo, quando a lógica indicava que haveria opções melhores. Estaríamos cometendo uma heresia se fôssemos conversar com o gerente?"


Não, mas estariam colocando em dúvida a capacidade de avaliação do gerente. E esse confronto dificilmente resultaria em algo positivo para o grupo de contestadores.

Uma empresa não é bem uma democracia, em que um chefe é eleito pela vontade da maioria. Algumas empresas promovem os mais antigos, outras os mais confiáveis, e outras os mais produtivos.

O melhor que vocês podem fazer é esperar para ver como o colega promovido irá se comportar. Se ele for mesmo tão despreparado para a função como vocês imaginam, ele não irá durar muito.

Caso dure, vocês aprenderão o que a empresa espera dos futuros promovidos e que, aparentemente, não é o que vocês estão imaginando que seja.

Max Gehringer, para CBN.

2016-08-01

'Sofrer abuso verbal é motivo para uma ação por dano moral?' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 01/08/2016, com casos que se enquadram em ações por assédio moral.

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'Sofrer abuso verbal é motivo para uma ação por dano moral?'

assédio moral no trabalho

Uma ouvinte escreve: "Tenho sofrido abusos verbais de minha chefia. Não só eu, mas todos os meus colegas. Qualquer assunto é tratado no grito e nossos argumentos são sempre desprezados, com ameaças do tipo 'se não está satisfeita, peça a conta'. Estou seriamente pensando em pedir demissão e pergunto se esse tipo de tratamento é causa para uma ação de assédio moral?"

Sim, é. O chamado dano moral é a modalidade que mais cresce nas ações trabalhistas. Há 30 anos, menos de 1% das ações que chegavam ao Superior Tribunal do Trabalho eram relacionadas ao dano moral. Atualmente o número já está em 10% e vem aumentando a cada ano.

Há vários outros casos de ações que se enquadram nessa modalidade. Por exemplo:

- A empresa regular a quantidade de vezes em que o empregado vai ao banheiro e controlar o tempo que é passado nele.
- A transferência de um empregado que trabalha em um ambiente físico aceitável, para outro local, sufocante, sem janelas ou com mal cheiro.
- O isolamento de um empregado que é encostado em uma mesa sem nenhuma tarefa para executar.
- Ou a pressão para atingir resultados claramente inatingíveis e as ameaças constantes da chefia para os que ficam mais distante das metas.

Ou seja, muita coisa que era vista como normal há 30 anos deixou de ser. O número de ações trabalhistas só reflete essa mudança de mentalidade do empregado, que se tornou mais atento e menos conformado.

Max Gehringer, para CBN.

2016-07-26

'Ganhei um mentor na minha empresa e não aprendi nada' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 26/07/2016, com uma ouvinte que ganhou um mentor da empresa, mas não está aprendendo nada com ele.

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'Ganhei um mentor na minha empresa e não aprendi nada'

mentoring

Uma ouvinte escreve: "Faz um ano, a empresa em que trabalho decidiu implantar um programa de mentores para funcionários com bom potencial. Eu fui uma das selecionadas e ganhei um mentor, que é um senhor da própria empresa, antigo e respeitado. Venho tendo duas reuniões semanais com ele, mas o problema é que não aprendi nada desde o começo do processo. Ele não me orienta, apenas me pergunta o que eu acho e não me dá nenhuma direção. Sinto que estou perdendo tempo e pergunto se não estou entendendo para quê serve um mentor?"

Bom, primeiro, isso é coisa de empresa muito grande, como imagino que a sua deva ser. E assim como você não está muito satisfeita, pode ser que o seu mentor esteja menos ainda, a não ser que ele tenha se oferecido para ser mentor, o que eu duvido.

Por experiência própria, posso lhe afirmar que santos da casa dificilmente são bons mentores, porque esse é um tipo de trabalho que requer estudo, preparação e disposição. Caso contrário, vira só bate-papo.

Se posso lhe dar uma recomendação, é a de que você não abra detalhes da sua vida pessoal, porque seu mentor não é psiquiatra, nem psicólogo. Limite as conversas a assuntos de trabalho e inverta o processo, fazendo com que ele se sinta bem em estar cooperando.

O resultado final será um relatório dele a seu respeito. E ser bem avaliada irá confirmar que você, de fato, tem bom potencial. Essa será a sua recompensa pela paciência e pelas horas investidas.

Max Gehringer, para CBN.

2016-07-19

'Todas as minhas opiniões batem de frente com a empresa' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 19/07/2016, com um ouvinte que trabalha numa empresa que espera qualquer novidade se tornar uma necessidade antes de adotá-la.

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'Todas as minhas opiniões batem de frente com a empresa'

discussão no trabalho

Um ouvinte escreve: "Sou contestador e falo o que penso, mas falo com base. Leio muito, faço cursos por minha conta e procuro me manter sempre atualizado, principalmente no campo de soluções tecnológicas. Só que tudo isso bate de frente com a gestão da empresa em que estou já faz seis anos.

A direção se mostra refratária a mudanças e minhas opiniões são sempre consideradas como impróprias para uma empresa que atua no mercado há mais de 50 anos e jamais teve uma imagem de inovadora. Não quero pedir a conta porque ganho bem, mas temo por meu futuro aqui, por já ter me transformado num personagem meio folclórico, que reclama de tudo o tempo todo. O que você me sugere?"


Que você aproveite o fato de estar bem empregado e comece a procurar outro trabalho, um que lhe permita expor a sua visão de negócios sem precisar conviver com esse perigoso rótulo de contestador anarquista. Ou, se você tiver vocação para empreender, considere a possibilidade de ser um consultor autônomo.

A empresa em que você trabalha não é, necessariamente, retrógrada. Ela apenas segue uma linha, adotada por muitas outras, de esperar até que qualquer novidade se transforme em necessidade, para só então adotá-la. Em empresas assim, os dirigentes tendem a ser muito cuidadosos e até meio desconfiados, características que não combinam com o seu perfil.

Então, já que não dá para você mudar a empresa, a solução é mudar de empresa.

Max Gehringer, para CBN.

2016-04-21

Melhores alunos não se dão bem no mercado de trabalho? - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 21/04/2016, sobre as diferenças do mundo escolar e do mundo profissional.

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Melhores alunos não se dão bem no mercado de trabalho?

bons alunos

Um ouvinte escreve: "Nunca fui bem na escola. Quando muito, fui um aluno mediano. Muita gente diz que os melhores alunos não se dão bem no mercado de trabalho. Isso é verdade?"

Não, eles geralmente se dão muito bem. O que acontece é que os piores alunos também têm condições de desenvolver boas carreiras profissionais. E até de superar, em cargos e salários, antigos colegas de classe que tiveram melhor rendimento acadêmico. A explicação para esse fenômeno chama-se adaptação.

A escola e o mercado são mundos diferentes. Os bons alunos são aqueles que se adaptam melhor ao mundo do aprendizado das matérias ensinadas, ou por gostar, ou por se esforçar mais, ou por ter melhor capacidade de memorização.

Os bons profissionais são aqueles que se adaptam a situações que eles precisam enfrentar sozinhos e tomar as próprias decisões. E muitas dessas situações nada têm a ver com o que foi ensinado nas escolas. Em que aula alguém aprende a engolir a frustração de ouvir uma bronca injusta do chefe? Ou de ganhar menos do que merece? Ou de não ter sido promovido quando achava que deveria ser?

Além disso, existem também algumas artes profissionais muito valorizadas e que pesam bem menos nos bancos escolares, como a de convencer, a de agregar, a de liderar, a de saber a hora de falar e a de se calar.

Portanto é possível que um ótimo aluno não chegue a diretor de uma empresa e que um aluno mediano chegue. Mas ser um bom aluno ainda é o melhor começo para uma carreira bem sucedida.

Max Gehringer, para CBN.

2016-01-25

'Preparei uma assistente visando uma promoção para mim, mas acabei demitida' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 25/01/2016, com uma ouvinte que preparou uma assistente para assumir seu cargo pensando numa futura promoção, mas acabou sendo demitida.

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'Preparei uma assistente visando uma promoção para mim, mas acabei demitida'

mulher demitida

Uma ouvinte escreve: "Aconteceu comigo uma coisa que me deixou estupefata. Pensando na continuidade da minha carreira, fui preparando durante meses uma assistente para me substituir quando surgisse uma oportunidade interna para mim. Em minha avaliação anual, falei isso para o meu gestor e ele me perguntou se a assistente estaria mesmo apta a assumir a minha função. Eu garanti que sim, e um mês depois, fui dispensada. A assistente que preparei, de fato, foi promovida para o meu lugar, mas ganhando bem menos do que eu ganhava. Estou sem rumo até agora. O que eu fiz de errado?"

Do ponto de vista de uma empresa modelar, você fez tudo certo. O problema é que nem todas as empresas são modelares, e você descobriu, da pior maneira, que a sua não era.

Quando uma boa empresa possui programas internos para promoções com mudança de setor, isso é divulgado abertamente. E a preparação de um substituto faz parte desse programa. Porém, se a empresa nunca mencionou essa possibilidade, é porque o programa não existe.

Isso em si não é ruim, mas algumas dessas empresas podem ser também mesquinhas. Ao preparar alguém que podia fazer o que você fazia, mas ganhando menos do que você ganhava, você abriu a possibilidade de a empresa fazer uma economia, deixando em segundo plano as suas contribuições e o seu bom exemplo.

Entendo a sua estupefação, mas como você só percebeu tarde demais, você fez a coisa certa na empresa errada. Uma pena. Mas há empresas melhores e você encontrará uma, na qual poderá fazer o certo e ser recompensada, e não castigada.

Max Gehringer, para CBN.

2015-11-24

Ser bonzinho é benção ou castigo? - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 24/11/2015, com um funcionário bonzinho.

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Ser bonzinho é bênção ou castigo?

funcionário bonzinho

Um ouvinte escreve: "Sou o tipo de profissional que você um dia descreveu como 'o bonzinho'. Sempre procurei ser agradável e paciente, nunca me envolvi em conflitos e preferi evitar discussões de qualquer natureza. O problema é que estou beirando os 45 anos e o que sempre me pareceu ser o comportamento mais correto, agora está começando a me deixar meio preocupado.

Como você mesmo falou, o bonzinho é muito estimado por todos, mas nunca sai do lugar. E eu não saí. Pelo lado pessoal, sinto-me muito bem. Pelo lado profissional, fico pensando no que poderia me acontecer se eu perdesse esse emprego que tenho há mais de 20 anos. Pergunto se ser bonzinho é destino, bênção ou castigo?"


Vamos lá. É mais uma questão de índole. Quem é avesso a confrontos na vida pessoal leva essa característica para a vida profissional.

Quem não se enquadra na definição de bonzinho tem que a impressão de que os bonzinhos são frustrados profissionalmente. Isso não é verdade. Primeiro porque o bonzinho aprecia o fato de todos gostarem dele. E segundo porque ele não é nem preguiçoso e nem incompetente, muito pelo contrário. Entre o alarido e o silêncio, ele prefere o meio termo, da colaboração sem reivindicação.

Por isso, ele é o tipo de funcionário que as empresas querem ter: prestativo, fiel, eficiente e que não cria atritos. O objetivo da carreira dele é começar como bonzinho júnior e terminar como bonzinho sênior.

Se a preocupação do nosso ouvinte é com o emprego, posso afirmar que o bonzinho será sempre o último a perdê-lo.

Max Gehringer, para CBN.

2015-08-05

'Não pretendo fazer parte desse mundo corporativo' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 05/08/2015, com uma ouvinte que despreza o mundo corporativo.

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'Não pretendo fazer parte desse mundo corporativo'

evil mundo corporativo

Uma ouvinte escreve: "Não sei se você poderá me dizer alguma coisa útil, mas eu não pretendo fazer parte desse mundo corporativo que eu considero desonesto e desleal. Tenho a intenção de fazer algo na vida que me dê satisfação, uma instituição sem fins lucrativos que possa ajudar a quem, como eu, não vê em um currículo um atestado de sucesso."

Muito bem. Não há como discordar de suas boas e nobres intenções. Mas permita-me dizer-lhe algo sobre empresas em um sistema democrático. Se você tiver um celular, e acho que tem, ou um computador ou uma televisão ou acesso à internet, você está pagando pelo serviço de profissionais que trabalham nas empresas que você não admira.

E não é só isso. Se você acender uma lâmpada ou abrir uma torneira ou dar descarga em seu banheiro, uma estrutura inteira com funcionários especializados estará por trás de tudo isso.

Logo, é ótimo que existam pessoas no mundo que pensem como você. Mas se todas as pessoas do mundo pensassem como você e deixassem de consumir ou utilizar produtos e serviços providos por empresas, a civilização voltaria à idade da pedra em duas gerações.

O que posso lhe dizer de útil é que instituições sem fins lucrativos não vivem de brisa. Elas dependem de doações, talvez de assalariados ou de repasses governamentais cujos recursos provêm de impostos pagos por assalariados ou decorrentes do trabalho deles. Portanto, só lhe sugiro não desprezar a quem lhe irá estender a mão para que seu sonho se realize.

Max Gehringer, para CBN.

2015-04-27

Quanto tempo significa 'em breve'? - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 27/04/2015, sobre o que significa "em breve" e outras expressões, no mundo corporativo.

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Quanto tempo significa 'em breve'?

esperando ampulheta

Uma ouvinte escreve: "Participei de um processo seletivo e o responsável me disse que ligaria em breve para me comunicar o resultado. Isso faz quase três semanas. Como esse seria o meu primeiro emprego e não estou familiarizada com a linguagem dos escritórios, pergunto quanto tempo significa 'em breve'?"

Boa pergunta. A linguagem corporativa não é muito diferente daquela que usamos em nossa vida cotidiana. Em ambas, quem não quer dar um prazo usa uma expressão temporal indefinida. É a mesma coisa que você dizer para alguém: "Vamos conversar um dia desses." Não é bem um compromisso assumido, é mais uma maneira simpática de dizer a outra pessoa que, se depender de você, não haverá conversa alguma.

No caso do 'em breve' que você ouviu, e de várias outras expressões amorfas que ainda ouvirá, assuma que um processo de uma só etapa, para uma vaga cujo ocupante não terá subordinados diretos, não leva mais que duas semanas. E para cargos gerenciais, não mais que dois meses. Portanto, a vida útil do 'em breve' já se esgotou no seu caso atual.

Se o responsável pelo processo lhe deixou um telefone ou e-mail para contato, ligue ou escreva. Mas não para perguntar se você foi ou não escolhida, porque quase com certeza você não foi. Mas faça o contato para reafirmar que você continua interessada na vaga, enfatizando que você gostou muito da empresa e das pessoas com quem conversou. Não vai resolver o problema imediato, mas deixará uma semente para um próximo processo, que como você já aprendeu, irá ocorrer em breve.

Max Gehringer, para CBN.

2015-04-16

'Aceitei um emprego em uma empresa menor com o intuito de crescer com ela' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 16/04/2015, com um ouvinte que trocou uma grande empresa por uma empresa menor, esperando conseguir melhores chances de crescer na carreira.

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'Aceitei um emprego em uma empresa menor com o intuito de crescer com ela'

subindo na carreira

Um ouvinte escreve: "Saí de uma grande empresa na qual estava bem, para aceitar a oferta de uma empresa menor, que me ofereceu salário mais alto e melhores benefícios. Ao mudar, pensei: a troca vale a pena porque poderei crescer junto com a empresa e chegar a cargos a que não chegaria na empresa grande. Estou certo em pensar assim?"

Tudo é relativo, como Einstein não disse, mas induziu. Para que o que você espera aconteça, é preciso que três fatores entrem em consonância: que você confie na empresa, que é o que você fez ao mudar; que ela de fato cresça, que é o que você imagina que poderá acontecer; e finalmente que a sua empresa confie em você, o que será resultante do seu trabalho e do seu relacionamento.

Eu chamo a atenção para esse item, relacionamento, que é um pouco diferente em empresas menores. Ao contrário da empresa grande, mais burocratizada e mais guiada por métodos, na empresa menor todo mundo conhece todo mundo, muitas questões são resolvidas com uma conversa e nem tudo o que é combinado fica registrado.

Por isso, e talvez ao contrário do que você esteja imaginando, na empresa menor você terá que ficar muito atento ao seu marketing pessoal e à sua habilidade política, para não criar opositores, cujas opiniões, em empresas menores, costumam ter peso muito grande na hora de uma promoção.

Dessa forma, fica faltando só o fator do meio: a empresa precisa crescer. E as chances de isso acontecer certamente aumentaram, agora que você está aí com o seu conhecimento e a sua capacidade de se adaptar a uma nova situação.

Max Gehringer, para CBN.

2015-02-12

Aprenda a ser Chefe: Entenda como a empresa avalia quem será promovido - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 12/02/2015, com a série "Aprenda a ser Chefe", sobre como o mundo corporativo pode não ser perfeito e a importância de entender como a empresa avalia quem será promovido.

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Aprenda a ser Chefe: Entenda como a empresa avalia quem será promovido

promoção no emprego

"Para subir na carreira, não basta ser dedicado e eficiente, é preciso ser puxa-saco e jogar sujo." Você já ouviu alguém dizer isso? Muita gente diz. Mas vamos analisar a situação pelo outro lado.

No Brasil, existe um milhão e meio de profissionais que ocupam cargos de chefia em empresas privadas, e que recebem salários que são, no mínimo, 20 vezes maiores do que o primeiro salário do primeiro emprego. Se dermos crédito às queixas dos reclamantes, esse milhão e meio de profissionais seria a escória moral do mercado de trabalho. Um batalhão de gente que só subiu na carreira porque jogou sujo. Será?

Claro que não. A outra maneira de explicar como esses privilegiados chegaram aonde chegaram, é a de tentar entender os critérios que uma empresa adota para promover alguém. Certamente, dedicação e eficiência estarão entre eles, são dois fatores importantes, mas não os únicos. A empresa também considera, não necessariamente nessa ordem, capacidade de liderança, marketing pessoal sem puxa-saquismo, contribuições que vão além dos objetivos e adaptação à cultura da empresa.

Muitos profissionais passam anos executando a mesma função porque possuem apenas um ou dois desses fatores, mas não todos eles. Isso é ruim? Não, pelo contrário. Funcionários assim são muito apreciados e elogiados, só não são promovidos. Para quem tem ambições maiores, é importante saber se auto-avaliar. Mas é muito mais importante entender como a empresa avalia quem será promovido. E procurar se encaixar em todos os requisitos.

Por isso, tenha sempre em mente que empresas não têm como meta prejudicar os eficientes e valorizar os medíocres. O mundo corporativo pode não ser perfeito, mas também não é tão imperfeito.

Max Gehringer, para CBN.

2015-01-16

Aprenda a ser Chefe: Tome cuidado ao apresentar uma ideia ao seu chefe - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 16/01/2015, com a série "Aprenda a ser Chefe", sobre como no mundo corporativo é comum um chefe roubar a ideia de um subordinado, e como o subordinado deve fazer para evitar isso, usando a história do ovo de Colombo.

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Aprenda a ser Chefe: Tome cuidado ao apresentar uma ideia ao seu chefe

ovo de colombo

Todo mundo conhece a história do "ovo de Colombo". Mas a história por trás da história é ainda melhor. A história mais repetida diz que o cardeal Mendoza, da Espanha, ofereceu um banquete após Colombo ter descoberto a América, que na época ainda não se chamava América, chamava Novo Mundo.

Como muita gente invejosa havia sido convidada para a boca livre, algumas pessoas se puseram a diminuir os méritos de Colombo, dizendo que qualquer um, com um barquinho e um pouco de sorte, poderia ter chegado aonde Colombo chegara.

Colombo então os desafiou a colocar um ovo em pé. O garçom, que na época também não chamava garçom, chamava juan, providenciou um ovo fresquinho e todo mundo tentou, mas ninguém conseguiu, porque ninguém pensou no que Colombo faria a seguir: quebrar uma das extremidades do ovo. Moral da história: depois que alguém mostra o caminho, é fácil segui-lo.

A história é ótima, mas os historiadores afirmam que o verdadeiro pai do ovo não foi Colombo, foi um arquiteto italiano da Renascença, Filippo Brunelleschi, que havia feito o mesmo truque alguns anos antes. Colombo, que era italiano, sabia da história, mas os espanhóis não sabiam e ficaram encantados com a criatividade de Colombo. Segunda moral da história: quando uma ideia é boa e a sua autoria é duvidosa, leva vantagem quem tem mais prestígio.

No mundo corporativo, é muito comum um funcionário ter uma ideia e apresentá-la ao chefe. Aí o chefe diz que a ideia não é boa e pede para o funcionário esquecê-la, ou diz que irá pensar a respeito e oportunamente dará uma resposta. Tempos depois, o chefe apresenta a ideia como se tivesse sido dele e não do funcionário. Terceira moral da história: só bote um ovo em pé na mesa do seu chefe, se houver testemunhas.

Max Gehringer, para CBN.

2015-01-15

Aprenda a ser Chefe: Promoção de verdade ocorre em estâncias claramente definidas - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 15/01/2015, com a série "Aprenda a ser Chefe", sobre como as promoções de verdade só ocorrem em situações bem definidas, quando você passa a ter subordinados e depois, quando estes também têm os seus subordinados.

Áudio original disponível no site da CBN. E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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Aprenda a ser Chefe: Promoção de verdade ocorre em estâncias claramente definidas


Vamos dizer que você entrou em uma empresa como auxiliar júnior. Depois de um ano, foi promovido a auxiliar pleno e já sabe que o próximo degrau será o de auxiliar sênior. Desconfiado porque, aparentemente você já foi promovido uma vez, mas parece não ter saído do lugar, você decide investigar e descobre que o próximo cargo do organograma é o de assistente, que também tem os três degraus: o júnior, o pleno e o sênior. E depois vem o cargo de analista e mais três degraus. Como isso parece não ter fim, você se pergunta: quando, exatamente, poderá dizer que é um chefe de verdade?

Empresas grandes e organizadas têm o que se chama de plano de carreira. E cada função é dividida em três etapas, cada uma delas com uma faixa salarial mais alta do que a anterior. Mas uma promoção mesmo, de verdade, ocorre em instâncias claramente definidas. Se você não tem nenhum subordinado e passa a ter um par deles, você foi promovido pela primeira vez. Quando seus subordinados tiverem os subordinados deles, essa será a sua segunda promoção.

Todas as etapas intermediárias podem ser vistas como aquecimento para uma promoção, embora deem a impressão de serem promoções de fato.

De qualquer forma, você deve ficar satisfeito com essas passagens de júnior para pleno e sênior, porque elas mostram que você está caminhando no rumo certo. Só se preocupe se, a cada mudança de nomenclatura, você não receber um razoável aumento, no mínimo de 15%. Se não receber, o que está errado não é o nome dos cargos, é a falta da contrapartida financeira.

Max Gehringer, para CBN.

2013-12-16

'Vida corporativa é uma selva?' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 16/12/2013, com uma jovem ouvinte que pergunta se o mundo corporativo é uma selva, e uma dica para descobrir quem é confiável ou não num novo emprego.

Áudio original disponível no site da CBN. E se você quiser ler os comentários anteriores do Max Gehringer, publicados aqui, basta clicar neste link.

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'Vida corporativa é uma selva?'

selva corporativa perigo

Uma ouvinte escreve: "Tenho 20 anos e vou começar em meu primeiro emprego. Muita gente me fala que a vida corporativa é uma selva. E se for mesmo, eu temo não conseguir lidar bem com isso. O que posso fazer para nem ser passada facilmente para trás e nem cair numa paranoia de ficar desconfiando de tudo e de todos?"

Boa pergunta. De fato, esse povo que lhe deixou com o pé atrás tem um pouco de razão. Existem pessoas fingidas e mal intencionadas no mercado de trabalho. Essa é a má notícia. A boa notícia é que essa gente não é a maioria. Chega, quando muito, a 20%. E isso quando a empresa for um antro de fofoqueiros e carreiristas.

Você pode confiar em 9 de cada 10 colegas de trabalho. A dúvida é: em qual você não pode confiar? A maneira mais eficaz de descobrir é fazendo perguntas sobre coisas cuja resposta você já sabe. E reagir às respostas, quaisquer que sejam elas, com uma simpática expressão de surpresa e de agradecimento. Os colegas falsos ou não amistosos lhe darão respostas erradas ou incompletas. Já os sinceros dedicarão tempo a lhe responder corretamente.

Depois de fazer cinco perguntas a cada colega, num espaço de um mês, isso para não dar a impressão de que você não sabe fazer outra coisa senão perguntar, aí você já terá uma razoável referência em relação ao caráter e à atitude de cada um dos seus colegas.

Portanto, esqueça a paranoia e parta para a estratégia. Vale acrescentar que tudo isso serve tanto para o primeiro emprego como para qualquer outro posteriormente. Descobrir rapidamente quem é confiável já é meio caminho andado para não levar um tombo na carreira.

Max Gehringer, para CBN.

2013-07-09

Empresas grandes sempre dão um brilho duradouro ao currículo - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 09/07/2013, com um ouvinte que se sente desvalorizado pela empresa após ela mudar o local de trabalho dele.

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Empresas grandes sempre dão um brilho duradouro ao currículo

grandes empresas

Uma ouvinte escreve: "Comecei nesta empresa como estagiária e fui efetivada faz dois meses. É uma empresa de grande porte e nada tenho a reclamar dela, muito pelo contrário. Porém, através de um amigo, recebi uma proposta de uma empresa de porte menor, para ganhar 20% mais do que ganho aqui. Falei com meu gerente e ele me disse que no momento não poderia propor um aumento para mim. Estou inclinada a mudar, mas apreciaria ouvir a sua opinião antes de me decidir."

Bom, obrigado pela confiança. Eu sou de opinião que você não deve mudar. Ainda. Por três motivos:

O primeiro é que uma empresa grande sempre dá um brilho duradouro a um currículo. Mas esse efeito logo desaparece se a pessoa passar pouco tempo nela.

O segundo motivo é a quantidade de oportunidades que uma empresa grande pode oferecer comparativamente a uma de menor porte, em que as principais vagas de gestão já estão tomadas e poucas vagas novas surgem em médio prazo.

E o terceiro motivo é que empresas de grande porte não costumam mostrar muita generosidade nos salários iniciais dos níveis hierárquicos mais baixos. Como essas são empresas em que a maioria dos jovens gostaria de trabalhar, o número de candidatos é sempre bem maior que o número de vagas.

Por isso, de certa forma, a empresa "cobra" pela exposição que irá proporcionar ao contratado, ao contrários das empresas menores, que precisam compensar a menor visibilidade com um salário mais atrativo. Mas a coisa muda depois dos primeiros saltos. As empresas grandes oferecem melhor pacote de remuneração.

Por isso, eu sugiro a nossa ouvinte que fique, até descobrir o que poderá esperar da empresa em termos de carreira. Daqui a um ano, muito provavelmente, os 20% não parecerão tão irrecusáveis como parecem hoje.

Max Gehringer, para CBN.

2013-04-24

'Como minha experiência de quatro anos como autônomo será avaliada?' - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 24/04/2013, com quatro perguntas que um entrevistador provavelmente fará para quem passou um tempo como autônomo e agora pretende voltar ao mundo corporativo.

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'Como minha experiência de quatro anos como autônomo será avaliada?'

entrevista de emprego

Um ouvinte relata: "Trabalhei doze anos em empresas de grande porte. Faz quatro anos pedi a conta e abri o meu próprio negócio. Financeiramente estou melhor hoje do que estava quando era empregado, mas venho pagando um preço muito alto pela minha independência. Trabalho feito louco, nunca tirei férias, não tenho finais de semana e nem qualidade de vida. Por isso decidi retornar à vida corporativa e pergunto como essa experiência de quatro anos como autônomo será avaliada?"

Bom, depende de como você irá se comportar em entrevistas. Basicamente você ouvirá quatro perguntas:

A primeira: por que você decidiu trocar uma boa carreira como empregado por um negócio próprio?

Segunda: por que você decidiu fazer o caminho de volta? Aí, o erro seria você dizer o que você disse em sua mensagem, que você quer voltar porque a vida de dono é muito cansativa e a de empregado é mais tranquila. A resposta correta seria: você está voltando porque esses quatro anos lhe ensinaram que você é um bom dono, mas também lhe ensinaram que você era muito melhor como empregado.

A terceira pergunta será: o que você aprendeu como autônomo? E aqui você terá que dar exemplos práticos de como você utilizará o que aprendeu para beneficiar a empresa que for contratá-lo.

E a quarta pergunta será: como você irá conviver com um chefe depois de quatro anos sem chefe? O maior temor dos entrevistadores é o de contratar um empregado com cabeça e instinto de dono, que irá querer fazer as coisas do jeito dele e no ritmo dele, que terá dificuldades para aceitar ordens e irá tratar os colegas como se fossem subordinados.

Em resumo: querer voltar para ter uma vida mais sossegada e menos estressante é um ótimo motivo para você. Mas não será para o entrevistador.

Max Gehringer, para CBN.

2013-04-09

Entrevista não é uma competição de conhecimentos - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 09/04/2013, com um ouvinte que teve uma entrevista de emprego ruim.

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Entrevista não é uma competição de conhecimentos

entrevista de emprego ruim

Um ouvinte escreve: "Espero que esta mensagem não dê a ninguém a impressão de que sou arrogante ou presunçoso. Não é essa a minha intenção. Tenho 25 anos, formação superior, falo dois idiomas e fiz pós-graduação no exterior. Eu tenho, acredito, todas as condições para ingressar em uma boa empresa. Mas, há duas semanas, eu fui entrevistado por um gerente de uma multinacional para uma vaga de analista. E na medida em que a entrevista ia caminhando, eu não sabia se ria ou se chorava. O gerente falava coisas do tipo 'a gente estamos'. Mas isso nem é o pior. Eu mencionava uma ferramenta de gestão e o gerente nunca tinha ouvido falar dela. Eu mencionava um livro que li e o gerente mudava de assunto. Conclusão: a entrevista foi um porre e eu não fui contratado."

Bom, o que aconteceu foi uma total falta de sintonia entre você e o gerente. Você certamente demonstrou que está mais bem preparado do que ele para os grandes desafios corporativos do século 21. Pode-se até dizer que você é o futuro das empresas e aquele gerente representa o passado.

Mas vamos ao momento presente, que é o que interessa. Uma entrevista não é uma competição de conhecimentos entre um futuro chefe e um futuro subordinado. É uma busca de similaridades, pessoais e profissionais. O candidato ideal é sempre aquele capaz de mostrar os pontos que terá em comum com o futuro chefe. E você acabou mostrando o abismo que existe entre vocês dois.

Ao não contratar você, o gerente talvez não tenha tomado a melhor decisão para o futuro da empresa, e sim a melhor para a tranquilidade pessoal dele. Não foi a decisão perfeita, mas o mundo corporativo está longe de ser perfeito.

Max Gehringer, para CBN.