2009-02-10

Os oito passos de uma solução holística - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 10/02/2009, com oito passos para solucionar um problema de forma holística.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui).

/**************************************************************************

Os oito passos de uma solução holística

holistica
Numa empresa, resolver um problema é fácil, difícil é resolver um problema de uma maneira holística, envolvendo todos os interessados.

Por exemplo, o seu diretor lhe diz: "A pressão da descarga do banheiro está baixa, resolva o problema". Um funcionário normal faria o quê? Chamaria o seu Geraldo, da manutenção. Mas um funcionário com alto potencial pensa grande, e conhece os oito passos de uma solução holística.

Primeiro passo: envolva mais três pessoas, porque somente a partir de quatro integrantes é que um grupo pode ser chamado de "Comitê de Gestão".

Segundo: convoque um especialista em recursos humanos. Assim à solução do problema poderá ser classificada como sendo de alto impacto motivacional.

Terceiro: convoque um especialista em sistemas. Ele poderá providenciar softwares que meçam, com exatidão, a vazão e a pressão da água.

Quarto: convoque um especialista em finanças. Ele preparará uma planilha de gastos e já deixará pronto um pedido de reforço de verba.

Quinto: convoque um especialista em marketing. Ele criará um slogan para a operação, do tipo: "Mais pressão, mais motivação".

Sexto: convoque um especialista em logística. Ele não tem nada a ver com o problema, mas permitirá que o projeto possa ser chamado de "Logística de alavancagem sistêmica de recursos hídricos".

Sétimo: como ninguém mais consegue memorizar o nome do projeto, contrate uma consultoria externa. Após um mês e várias reuniões, a consultoria irá propor mudar todo o sistema hidráulico do prédio.

Oitavo: apresente os dados ao diretor, indicando que o orçamento já chegou a vários milhões de reais, mas que você tem uma solução mais prática, mais criativa e muito mais barata, que é mandar o seu Geraldo da manutenção trocar a válvula de descarga.

Isso é o que as empresas chamam de approach não holístico da situação.

Max Gehringer, para CBN.

Amor e ódio

Dizem que o amor e o ódio são duas faces da mesma moeda. Emoções irmãs, que se confundem. Emoções distintas, mas que são separadas apenas por uma tênue linha. Ou por um espelho...

O designer desta camiseta é simplesmente um gênio!

amor ódio love hate camiseta
Ódio (hate) ou amor (love)?

Filme: Sim Senhor

Aproveitando a última semana das férias pra não ficar muito desatualizado com o que anda passando nos cinemas, domingo fui ver o novo filme do Jim Carrey, Sim Senhor.

Já tinha visto o trailer e achado legal. Confesso que tive um pouco de medo, medo de que o trailer fosse melhor do que o filme em si, de que entregasse todas as melhores piadas do filme. Mas logo nos primeiros minutos do filme, esse receio se mostrou infundado. O filme é muito mais engraçado do que eu imaginava.

sim senhor poster
Outra coisa da qual eu tinha receio era de que o filme fosse apenas caras e bocas do Jim Carrey. Mas novamente, felizmente me enganei. Sim, o filme tem caras e bocas do Jim Carrey, mas tem muito mais. Até mesmo um lado mais "dramático", ou melhor dizendo, mais humano de Jim aparece, logo no começo do filme, quando ele se mostra um fracassado. O perdedor que ele faz é crível, e condiz com os excelentes trabalhos dramáticos que ele já fez (vide, por exemplo, o belíssimo Eternal Sunshine of the Spotless Mind, ou em português Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças).

Neste filme, Jim Carrey é Carl Allen, um cara totalmente fracassado, que vive dizendo não para as oportunidades que surgem na sua vida, até mesmo uma saída com os (poucos) amigos para um bar. Ao invés disso, ele prefere ficar em casa, assistindo dvds alugados e morrendo de tédio.

Mas a vida dele vai mudar, depois de ir a um seminário, em que é mostrada uma filosofia de vida voltada ao Sim. Que se resume a: dizer sim para as oportunidades que apareçam na sua vida, sim para a vida, sim! sim! sim! E a partir daí, é que a risada corre solta.

sim senhor harry potter cosplay (Festa a fantasia de Harry Potter? Sim!)

Eu gostei desse filme por dois motivos: primeiro, eu me identifiquei um pouco com o personagem de Jim Carrey. Eu digo muito não. Mas estou me esforçando para começar a dizer mais sim. Porque eu notei que sempre que eu digo sim, eu me divirto beeeem mais. =P

E o segundo motivo é a linda Zooey Deschanel. Ela está perfeita no filme, além de claro, estar deslumbrantemente bela. Tanto o timing da comédia, quanto a química com Jim Carrey estão excelentes. E bem, a personagem dela é cativante, muito diferente da que ela fez no último filme que eu a vi, o sem sal Fim dos Tempos.

zooey deschanel sim senhor (Cabelos escuros, olhos claros, pele clara... Uma combinação matadora, na minha opinião.)

Ah, pra ela eu digo sim, sim, sim... =P

Mais algumas fotos, porque beleza é pra ser vista:

zooey deschanel in style march
zooey deschanel
Trailer:


P.S. Não saia apressadinho da sala, que tem uma pequena cena enquanto os créditos rolam.

2009-02-07

Acrósticos - Karine

Karine

Karine, moça, senhora, menina, mulher, feminina,
A tua vida, maluca, corrida, me encanta e fascina.
Rainha, princesa, mas nem sempre de contos de fada,
Insinua, supreende, excita, mas sem mostrar nada.
Não te quero presa, mas desejo tê-la nos braços,
Enroscando em volúpias de beijos, carinhos e abraços.

2009-02-06

As reações após um pedido de demissão - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 06/02/2009, com o que fazer caso você receba uma proposta melhor de outra empresa, e como a sua empresa atual poderá reagir a seu pedido de demissão.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui).

/**************************************************************************

As reações após um pedido de demissão

demitido
Você está trabalhando em uma empresa e não tem nada contra ela, muito pelo contrário. Mas de repente, recebe um convite de outra empresa. É uma boa oportunidade, mas você fica se perguntando: como a empresa atual irá reagir a um pedido de demissão?

Nessas horas, é melhor considerar a pior das hipóteses, ou seja, a sua empresa vai reagir muito mal. Depois que você sair, acontecerá mais ou menos o seguinte:

Primeiro: quando você ligar para os amigos do peito que tinha na antiga empresa, de cada 10, 9 mandarão dizer que estão ocupados e não podem atender.

Segundo: palavras que você nunca tinha ouvido enquanto estava na empresa, como ingrato ou mercenário, passarão a acompanhar o seu nome. E se você tiver ido para uma empresa concorrente, a palavra será: traidor.

Terceiro: todas as coisas boas que você fez, passarão a ser atribuídas a outros colegas ou ao sistema. E as suas eventuais falhas serão amplificadas. Ou seja, o mérito desaparece e a culpa transparece.

Quinto: (NT: não é erro meu, o Max pulou um item mesmo =P)sua ex-empresa estará torcendo pelo seu fracasso, porque se você fracassar, o seu exemplo será usado para mostrar a todos que pedir demissão é um erro.

Digamos então, que você saia e tudo isso aconteça de fato. Qual a conclusão a tirar?

É simples: você estava em uma empresa que valorizava os que ficavam e desvalorizava os que saiam. Logo, a sua única chance de nunca ser criticado seria a de passar a vida inteira trabalhando nela.

Agora, pense na melhor hipótese: a empresa aceitará sua demissão numa boa e ainda lhe oferecerá uma bela festa de despedida. É raro, mas acontece.

Logo, se você recebeu ou receber uma proposta muito tentadora, saia. Ao sair, você descobrirá em que tipo de empresa estava trabalhando.

Se ela tratar a sua decisão com respeito e dignidade, ótimo. E se você for tratado com desprezo, melhor ainda. Isto significa que você estava na empresa errada.

Max Gehringer, para CBN.

Pulando fora da zona da amizade

O Zanfa do Capinaremos sabe exatamente como a gente se sente quando se torna amigo de uma mulher, mas queremos alcançar novos patamares, ou seja, trocar uns fluidos corporais:

mario amizade relacionamento (Vai, Mario!)

Quer saber como sair da zona de amizade? Lá no Capinaremos tem uma das possíveis respostas (que envolve coletar muitas moedas)...

Clique aqui.

Eu preferiria uma outra solução. Alguém dá uma idéia?

2009-02-05

Seis sinais de que uma empresa é rápida apenas no discurso, e na ação, lenta - by Max Gehringer

Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 05/02/2009, com seis sinais de que uma empresa é rápida e ágil apenas no discurso, e na ação, lenta.

Áudio original disponível no site da CBN (link aqui).

/**************************************************************************

Em terra de perdedores, quem empata se sente rei

homer simpson rei
Não é novidade para ninguém que as empresas precisam ser ágeis, atualizadas, espertas, ligadas. Existe porém um tipo de empresa muito interessante: aquela que é rápida no discurso, mas devagar na ação.

Normalmente, quem trabalha em uma empresa assim, quase não percebe que ela está andando para trás, porque parece que vai indo para a frente e a todo o vapor.

Eu trabalhei em uma empresa assim. E não por coincidência, alguns anos depois, ela quebrou. Para surpresa dos clientes, dos fornecedores e, principalmente, dos funcionários. Então, aqui vão alguns sinais de que uma empresa está devagar, mas não parece.

Primeiro sinal: tudo tem desculpa. Se um projeto não dá certo, ou se um resultadonão é atingido, a culpa é sempre da concorrência, que sonega. Ou da legislação, que é antiquada. Ou da economia que é imprevisível. Ou da globalização. Ou de um terremoto nas Ilhas Galápagos.

O segundo sinal: tudo é desproporcional. A punição é desproporcional ao erro. A comemoração é desproporcional ao resultado.

Terceiro sinal: fala-se muito em novos projetos, mas poucos projetos são de fatos implantados. Normalmente, novos projetos vão sendo adiados com base em uma frase sem muita consistência: "Agora não é o momento".

Quarto sinal: novas idéias são incentivadas e aplaudidas. Mas são rapidamente engavetadas ou esquecidas.

Quinto sinal: fala-se muito em futuro, mas as boas histórias são sempre as mesmas e de um passado já distante.

Sexto sinal: os objetivos são muito agressivos. Mas a agressividade fica só no papel. Depois, na vida prática, tudo volta ao primeiro sinal, o das desculpas. E aí o ciclo recomeça.

Mesmo assim, a direção da empresa continua parecendo motivada e empolgada. E o motivo é simples: em terra de perdedores, quem empata se sente rei.

2009-02-04

Teste - quem é você em Lost?

Olhem que coincidência legal, logo após eu fazer o post sobre o livro Trapaça, descubro que sou o Sawyer em Lost, hehehe:




You Are Sawyer



You are cunning and calculating. Some people would even call you a con artist.
You're smart and get bored easily. You use your biting sense of humor to entertain yourself.

It's been hard for you to trust people throughout your life. You don't get close to anyone. You are a drifter. You don't have permanent ties, and you tend to "disappear" often.

You are introverted and even a bit shy. You don't share the true you with many people. As a result, no one really gets you. At your core, you are a sweet, passionate, and funny person.



E não é que tem bastante coisa que bate? =P

Vi esse teste no Bitpop.

Livro: Trapaça

Outro livro que li nestas minhas férias, é o novo Trapaça, de Matthew Klein. Ágil, com capítulos curtos e divertidos, o livro é uma delícia de se ler. Nada filosófico, nada para se pensar muito: o livro é entretenimento puro. Ou seja, ótimo para se ler embaixo da sombra de uma árvore ou em um café tranquilo, sem compromisso com o resto do mundo.

Eis a sinopse de Trapaça, de Matthew Klein:

trapaça capa livro
Trapaça vem chamando a atenção da crítica especializada e, principalmente, dos leitores dos países em que já foi pulicado - entre eles, Inglaterra, EUA, Japão, França e Espanha. Divertido, cheio de tiradas inteligentes e irônicas, difícil de largar, Trapaça focaliza o mundo dos golpistas.

Kip Largo, um veterano trapaceiro da região conhecida como Vale do Silício, vive honestamente, em sua terceira tentativa de sair da rotina de (grandes) golpes; o último envolvia o 'boom' das empresas pontocom e lhe rendeu uma boa temporada na cadeia. Porém, quando seu filho Toby se envolve com mafiosos russos e passa a correr perigo, Kip prepara um novo e ousado golpe.

Extremamente bem-humorado, o livro conquista pelos diálogos inteligentes, pela construção rica dos personagens e pela trama intrigante. De maneira bastante descontraída, assuntos importantes, como honestidade e natureza humana, são trazidos ao público.


Apesar de lidar com o mundo de golpistas, trapaças e golpes, o livro é um refresco, uma excelente diversão, comparado com a vida real que temos que lidar com certas trapaças e golpes...

No livro há até alguns capítulos entre a história principal, que mostram como alguns golpes são executados. Não recomendo ninguém a tentar repetí-los, mas é uma boa amostra de como golpistas de verdade agem. E também uma forma de "ficar mais esperto", caso você se encontre com algum.

Alguns trechos:

Uma pequena definição:

Denominemos enrolador aquele por quem a vítima da trama se interessa. O enrolador enrola a vítima para dentro da trama. Geralmente isso procede recorrendo-se à ganância da vítima, à sua vaidade ou às suas genitálias. Ou a todas as três.

vitima
Eu adoro a vaidade...

Sobre parceiros de negócio:

Esse é o problema de um Grande Golpe, se você quer saber. Exige meses de preparação. Não se pode administrar sozinho um Grande Golpe, e portanto ele exige que você monte uma equipe de pessoas competentes, com quem você trabalhe em conjunto, de quem seja íntimo, de quem consiga prever cada movimento. Exige, para resumir, confiança mútua.

Mas que tipo de gente se pode convidar para trabalhar num golpe? Simplesmente, gente desonesta. E é esse o problema. Como podemos confiar numa pessoa que secretamente tememos?


Crise de consciência? Não...

Todo mundo trapaceia. Algumas pessoas, de tão sórdidas, roubam da própria família. Algumas pessoas, de tão baixas, enganam os fracos e os velhos.

Então, considerando tudo, eu sou tão mau assim? Todo mundo está trapaceando todo mundo.

Eu sou o único com o escrúpulo de ganhar a vida honestamente com isso.


Conselho fundamental:

Nunca se esqueça de uma coisa: essa é a história de um golpe. Em um golpe, todos têm seus papéis, e todos sabem que é um teatro - todos a não ser um homem. A certeza que você quer ter, quando realiza um golpe, é a de que o homem não é você.

lionel hutz
Essa está na contracapa do livro.

E pra concluir, como concluir o golpe:

A grande questão, em todo golpe, é como concluí-lo. É fácil roubar; difícil é fugir. Você não quer que o seu alvo chame a polícia ou - no caso de ele ser um homem rico, poderoso e intimidador - te machuque com as próprias mãos e vá atrás de você até o fim do mundo.

O ideal é que, quando o golpe chega ao fim, seu alvo nem sequer saiba ter sido passado para trás. Ele deve pensar que o emocionante investimento dele fracassou devido a um telefonema mal compreendido, ou à falta de sorte, ou a algum desencontro. Ele deve até ficar ansioso para tentar o mesmo golpe outra vez! Portanto, a marca de um grande golpe é quando você pode aplicá-lo no seu alvo duas ou três vezes sucessivamente até depená-lo por completo. Se o seu alvo for embora sem saber que foi trapaceado, você foi bem-sucedido e deveria se orgulhar.

Governo Lula e o PAC: só propaganda

Política não é algo que eu geralmente abordo por aqui, mas certas coisas me deixam muito fulo. Como o comentário hoje da Miriam Leitão, pra rádio CBN. Resumidamente é o seguinte: o governo Lula-lá faz umas contas mágicas e anuncia investimentos enormes no PAC (o que seria o "Programa de Aceleração do Crescimento"), mas tá fazendo propaganda disfarçada (disfarçada?) da pré-candidata-sem-sal Dilma Rousseff.

No blog da Miriam Leitão tem um texto com o mesmo conteúdo do comentário:

O governo anunciou R$ 646 bilhões de investimentos para o PAC até 2010. Essa dinheirama é para confundir. O governo faz de propósito. Ele cria esse número lindo, com empresas privadas, e muitas estão cancelando seus investimentos. Eles inflam os planos de investimento das estatais, como acabaram de fazer com a Petrobras, porque é óbvio que nenhuma empresa de petróleo do mundo está ampliando, nesta proporção, seus investimentos, na hora em que o petróleo está caindo, a demanda está caindo, o mundo está em crise.
...
Eles dizem que o PAC vai investir R$ 646 bilhões, mas na verdade eles estão contando com um monte de coisas, como financiamentos que serão dados pela Caixa e entram como PAC. E ainda colocaram obras do metrô de São Paulo.


Em suma: qualquer coisa que o governo gaste, faz parte do PAC. Virou sinônimo de Orçamento da União? Tsc, tsc...

pac programa de aceleração corrupção (Imagem daqui.)

A maior importância do PAC é propaganda política e eleitoral. É por isso que tem a frase da ministra Dilma Rousseff, que é candidata à candidata à sucessão do presidente Lula, de que o governo quer um candidato que faça a continuidade do PAC. Chegam lá, fazem um estardalhaço com o PAC e, em seguida, ela diz que tem que votar num candidato que continue com o programa. Isso não é prestação de contas do governo, isso é propaganda.


Bem, o que esperar de um governo imoral e antiético como esse?

Tudo isso é muito ruim. Estamos num momento de crise, é preciso seriedade, precisa de uma apresentação de coisas concretas. Não é para fazer dessa forma. E se formos levar em conta o que o governo apresenta, a ministra Dilma disse que só tem 2% que são preocupantes e 4% das obras estão em estado de alerta. Então, parece que está tudo bem. Mas falta explicar porque o país entrou em recessão. O Brasil está em recessão pela crise exterior, mas também por coisas feitas aqui. Se eles fizeram tudo certo, o país não poderia estar em recessão. Tem uma briga com a realidade neste ponto.


Fácil de explicar. Segundo o governo, não tem recessão. Simples assim...

Lamentável...

Quer saber mais? Ouça o comentário do Carlos Alberto Sardenberg: PAC é uma peça de propaganda do governo federal, ou leia na sua coluna: O PAC é só propaganda.

Tome o caso do metrô de São Paulo, um empreendimento do governo paulista, com dinheiro do governo do estado, da prefeitura de São Paulo, de empreiteiras privadas e mais financiamentos locais e externos, com uma pequena parte de recursos federais.

Não estava no PAC, agora foi incluída. O que muda?

Nada. A obra continua do mesmíssimo jeito, sujeita às mesmas condições, controlada pelo governo paulista, e dependendo das condições gerais da economia.

A única diferença é que passa a chamar-se obra do PAC.


Mais uma vez, o Lula-lá-lá (lá aonde o sol não bate) é LAMENTÁVEL...

2009-02-03

Quem paga a conta? Vamos dividir? Nããããããoooo

Sexta-feira passada, a Mara Luquet em seu comentário para a rádio CBN, falou sobre essa importantíssima questão financeira/amorosa: quem paga a conta do restaurante.

mara luquet (Mara Luquet)

Bem, a questão é claro, não se resume à conta do restaurante, mas às despesas do casal. E cita a reportagem feita pela Marili Ribeiro, para a revista Elas & Lucros, muito boa, sobre essa questão.

Resumindo: você, macho, pague a conta. Se não de todos os encontros, no mínimo, do primeiro. E fique esperto, se ficar pegando algumas "gatinhas mocinhas", cuidado pra não ficar pagando uma maria-cartão-de-crédito (hehehe, acho que acabei de inventar essa expressão!).

A reportagem está na íntegra no blog da Mara Luquet, mas eu separei alguns trechos.

A introdução da reportagem, que já dá o tom dela:

A mesa estava localizada no melhor canto do salão. Tinha sido reservada e escolhida por ele. A iluminação indireta, acrescida de suave luz de velas ao centro, era perfeita. Mais do que isso, convidativa para uma conversa a dois. Para completar, a refeição servida estava na medida e o vinho, novamente uma escolha dele, era, como diriam os gourmets, a melhor opção para harmonizar com os sabores dos pratos. Tudo caminhava para uma noite de sonhos até o momento em que veio a conta, e ele a empurrou na direção dela com a fatídica frase: "Vamos dividir?".

Para a maioria das mulheres, não importa a idade nem a condição econômica, uma atitude como essa no primeiro encontro gela o clima, choca e estraga o romance. Mesmo a mulher bem-sucedida e independente, com dinheiro suficiente para gastar como bem entender, dificilmente aceitará um deslize tão grande. Exceções podem existir, mas que ninguém tenha dúvidas. Essa é a norma. Catherine Duvignau, empresária que, entre outras ações de sucesso, tem no portfólio a iniciativa de trazer para o Brasil a Cow
Parade, é categórica: "Eu brocho, literalmente", diz, com seu charmoso sotaque francês.


Catherine Duvignau (Catherine Duvignau: nos encontros iniciais o homem deve assumir o papel de cavalheiro e pagar a conta)

Reforçando, se você for sair com uma mulher mais velha, tenha cacife:

A questão da divisão de contas poderá até desaparecer nas próximas gerações, mas, por enquanto, ainda é culturalmente forte o papel do homem cortês que paga as despesas, pelo menos nos primeiros encontros. "Na minha faixa etária é inaceitável sair com um cavalheiro e dividir a conta com ele", diz Lilice Sadek, viúva, com boa situação financeira e também mãe de dois filhos. "A minha filha acha natural dividir a conta com seus colegas, mas, mesmo assim, o namorado dela faz questão de pagar quando os dois saem sozinhos."


E se for sair com uma mulher mais nova, de preferência, tenha cacife também:

Assim como Lilice, as mulheres mais jovens também esperam atitudes cavalheirescas, ainda que tenham sido criadas em ambiente de maior participação feminina nas decisões de vida, como constata o psicoterapeuta Carlos Alberto Carvalho. Ele vê nisso não só uma questão cultural, mas de valorização do encontro. Ao pagar a conta, o homem dá demonstrações de interesse real na mulher, além de respeito e atenção para com ela.

"A grande maioria das mulheres, minha filha inclusive, adora delicadezas masculinas, em especial a de eles se oferecerem para pagar as contas", diz ele. "Algumas até fazem a cena do ‘vamos dividir’, mas esperam que a resposta seja um sonoro não." Para ele, essa reação está muito vinculada ao fato de 99% das mulheres terem o projeto de ser mães. Diante disso, a expectativa é de conviver com um homem que dê conta de bancar, pelo menos, parte dos compromissos. O homem deve ser, no imaginário feminino, provedor e acolhedor, dando assim sinais de afeto compatíveis com a condição de futuro pai.


quem paga a conta no restaurante?
Mas tome muito cuidado com este grupo:

Há, porém, outro grupo, bem diferente e cada vez maior, que é o de jovens que só saem com rapazes que ostentam riqueza. "É um tipo que escolhe a parceria pelo modelo do carro e pelas roupas de grife que ele use", revela Carvalho. "Elas se sentem privilegiadas por compartilhar programas com os bem-sucedidos. Fazem, no consultório, comentários do tipo: ‘Nós tomamos um vinho que custou 600 reais’. Pergunto se era francês ou italiano, e, invariavelmente, não sabem responder, porque não há prazer em tomar o vinho em si, mas sim no status", completa ele.


E a conclusão é:

É possível que, daqui a algum tempo, seja perfeitamente aceitável que homem e mulher dividam a conta logo no primeiro jantar, sem implodir a possibilidade de um romance. Por enquanto, não é assim. Aos cavalheiros preocupados em tratar bem uma mulher, sobretudo no ritual do primeiro encontro, recomenda-se que não esqueçam o cartão de crédito.

2009-02-01

Livro: Paris é uma festa

Em grande parte influenciado pela K. e seu amor a Paris, comprei o livro Paris é uma festa, de Ernest Hemingway, para ler nestas férias (sim, estou de férias, uhuuuu!).

livro paris é uma festa
Mas haviam dois outros motivos pra querer ler este livro: o primeiro, conhecer um pouco dessa figura que foi Hemingway. E o segundo motivo é que eu sempre quis ler o livro que aparece no filme Cidade dos Anjos, com Meg Ryan e Nicholas Cage (por um bom tempo, eu fui fã da Meg Ryan). No filme, eles usam o nome original do livro, que é A Moveable Feast.

O livro contém uma pequena auto-biografia do autor, dos primeiros tempos em que viveu em Paris, na década de 20.

Apesar de ser ignorante quanto a muitos dos citados no livro (OK, de quase TODOS os citados no livro), eu gostei muito de lê-lo. Mistura com iguais doses três coisas: Paris, a cidade e seus pequenos (ou grandes) encantos; reflexões sobre a vida, inclusive a sua própria (afinal, isso é uma auto-biografia); e o que eu chamo de fofocas ou "seção Caras", com seus encontros com outras figuras da época ou de sempre. Mas mesmo nessas últimas, a leitura flui deliciosamente bem.

Nesse sentido, chamar de "seção Caras" é mais quanto ao objeto (a vida de famosos) do que a qualidade da escrita. Se revistas como "Caras" tivessem textos com apenas 20% da qualidade de Hemingway, talvez eu não as desprezasse tanto.

De qualquer maneira, aqui vão algumas partes do livro que eu acabei marcando durante a minha leitura:

Sobre gerações e perdas:

...e concluí que todas as gerações eram perdidas por alguma coisa, sempre tinham sido e sempre haveriam de ser. Parei no Lilas para fazer companhia à estátua e beber uma cerveja gelada antes de ir para casa...

Ah, se até Hemingway acha que as gerações estão perdidas e o melhor é tomar uma cerveja, quem sou eu pra contestar? Huahuahua =P

Sobre as primaveras e ciclos:

Com tantas árvores na cidade podia-se ver a primavera chegando dia a dia, até que uma noite de vento quente a traria de repente na manhã seguinte. Pesadas chuvas frias poderiam retardá-la às vezes e temíamos que nunca mais chegasse, fazendo-nos perder, assim, uma estação em nossa vida. Esse era o único tempo realmente triste em Paris porque era fora do natural. A gente já espera ficar triste no outono. Uma parte da gente morre cada ano, quando as folhas caem das árvores e seus galhos ficam nus batidos pelo vento e a luz fria, invernal.

Mas sabíamos que haveria sempre outra primavera, assim como sabíamos que o rio fluiria de novo depois de ter estado congelado. Quando as chuvas frias continuavam durante longo tempo e acabavam matando a primavera, era como se um jovem tivesse morrido à toa. Naqueles dias, porém, a primavera sempre triunfava, mas dava-nos um frio na espinha pensar que faltara pouco para que ela tivesse falhado.


primavera em paris - fonte: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Parc_Buttes_Chaumont_Paris_France_Spring_2007.jpg
Sobre as primaveras e certas pessoas:

Quando a Primavera chegava, mesmo que se tratasse de uma falsa primavera, nossos problemas desapareciam, exceto o de saber onde se poderia ser mais feliz. A única coisa capaz de nos estragar um dia eram pessoas, mas se se pudesse evitar encontros, os dias não tinham limites. As pessoas eram sempre limitadoras da felicidade, exceto aquelas poucas que eram tão boas quanto a própria primavera.


Sobre a pobreza, trabalho e uma ponta de romantismo:

Quem se dedica a seu trabalho e nele encontra satisfação não é afetado pela pobreza. Mas sempre pensava nas banheiras, chuveiros e vasos sanitários com descarga que gente inferior a nós possuía e que gostávamos de usar quando viajávamos, coisa que fazíamos com frequência.


Eu tinha sido estúpido quando ela necessitando de um casaco de lã cinza, ficou feliz quando o comprou. Eu tinha sido estúpido por outros motivos, também. Mas tudo isto era parte da luta contra a pobreza, que nunca se vence exceto não gastando. Especialmente se compramos quadros em vez de roupas. Mas, naquele tempo, não nos considerávamos pobres. Não admitíamos isso. Pensavamos que éramos superiores, e as outras pessoas, que olhávamos de cima e de quem com razão desconfiávamos, eram ricas. Nunca me tinha parecido estranho usar camisetas de algodão como roupa de baixo, para conservar o calor. Isso só parecia estranho aos ricos. Comíamos bem e barato, bebíamos bem e barato, dormíamos bem, aquecendo~nos e nos amando um ao outro.


Sobre família e obras de arte:

Mas a verdade é que ele gostava de tudo o que seus amigos fizessem; a lealdade, porém, sendo um belo sentimento humano, pode levar a julgamentos críticos desastrosos. Ezra e eu jamais discutíamos a respeito dessas coisas porque eu me calava sobre aquilo de que não gostasse. Se um homem gosta da literatura ou da pintura que seus amigos fazem, pensava eu, era como certas pessoas que gostam de suas famílias. Não seria delicado falar mal delas. Ás vezes é preciso um tempo enorme de sofrimento para que se possa analisar criticamente as famílias, tanto a nossa própria como a que formamos pelo casamento, mas o mesmo não se dá quanto aos maus pintores: eles não nos fazem tanto mal, nem criam tragédias íntimas como ocorre com as famílias. Aos maus pintores basta-nos ignorá-los, mas mesmo quando aprendemos a ignorar as famílias, a não ouvir seus reclamos, a não dar resposta às suas cartas, ainda assim dispõem de muitas formas de nos afligir.


Sobre ostras, tuberculose e remédios estranhos:

Notei que não se esforçava por me apresentar aquele ar de marcado para morrer, o que já era um alívio. Eu sabia - e Walsh não ignorava isso - que ele estava com tuberculose, e não daquele tipo da qual ainda naquele tempo se poderia tirar alguma notoriedade, mas do tipo que leva o sujeito para a cova. Por isso, também, não fez força para tossir, coisa que muito me agradou porque estávamos na mesa. Perguntei-me se ele comia as tais ostras alongadas pelo mesmo motivo que as prostitutas de Kansas City, quando estavam marcadas para morrer ou para o que desse e viesse, sempre engoliam esperma como o melhor remédio para a tuberculose, mas achei que não seria delicado investigar esse ponto. Ataquei minha segunda duzia de ostras tirando-as uma a uma de seu leito de gelo moído sobre bandeja de prata e notando que seus contornos, de um castanho incrivelmente delicado, se contraíam quando eu espremia limão sobre elas e as destacava de sua casca, para comê-las também delicadamente.


Sobre a felicidade de dois, seus perigos e ...

Quando duas pessoas se amam, são felizes e alegres, e estão empenhadas, juntas ou individualmente, numa tarefa construtiva, os outros se sentem tão atraídos por elas como as aves migradoras são atraídas à noite pela faixa de luz de um farol poderoso. Se as duas pessoas que se amam fossem tão sólidas como um farol, nada sofreriam, pois a perda seria das aves. Mas o fato é que aqueles que atraem os outros com sua felicidade são geralmente pessoas despreparadas. Não sabem como evitar que as arruínem, nem como se livrarem a tempo do perigo.


... os ricos:

Raramente conseguem conhecer as artimanhas dos ricos, que são bons, atraentes encantadores, comunicativos, generosos, compreensivos, perfeitos e dão a cada dia o movimento de um festival, até que conseguem sugar toda a seiva de que se alimentam e partem, deixando tudo mais morto do que as raízes da relva esmagada pelas patas dos cavalos de Atila.

Os ricos vieram na esteira de seu peixe-pilôto. Se fosse um ano antes talvez não tivessem vindo. Meu trabalho era da mesma qualidade e minha felicidade pessoal era maior, mas não havia escrito ainda o primeiro romance de modo que os ricos não podiam ter certeza quanto à minha pessoa. Os ricos jamais perdem tempo ou gastam simpatia com coisas incertas. E por que o fariam? Picasso era uma coisa certa e seguramente já o era antes deles terem ouvido falar nele tinham muita certeza também, quanto a outro pintor. A vários outros pintores. Mas, naquele ano, já tinham certeza de meu futuro, graças às informações recebidas de seu peixe-pilôto, que os acompanhou até o momento do encontro para que não se sentissem constrangidos e eu não bancasse o dificil. Nosso peixe-pilôto, naturalmente, era "grande amigo".

mr burns entrevistadorSempre desconfie dos ricos!

E finalmente, sobre a Paris de seus primeiros tempos, quando era muito pobre e muito feliz:

Paris nunca mais seria a mesma para mim, embora continuasse sendo a Paris de sempre, e mudássemos de acordo com as modificações que nela se estavam operando.

...
Paris não tem fim, e as recordações das pessoas que lá tenham vivido são próprias, distintas umas das outras. Mais cedo ou mais tarde, não importa quem sejamos, não importa como o façamos, não importa que mudanças se tenham operado em nós ou na cidade, a ela acabamos regressando. Paris vale sempre a pena, e retribui tudo aquilo que você lhe dê.

2009-01-31

Filme: Kinsey - vamos falar de sexo

Alfred Kinsey foi um cientista, mais especificamente um biólogo, norte americano, que no fim da década de 40/início da década de 50, publicou um dos primeiros estudos científicos sobre a sexualidade humana, pretendendo ser livre de preconceitos e cientificamente válido, ou seja, com base em muita estatística.

Se hoje, falar de sexo nos Estados Unidos ainda é complicado, por causa dos puritanos, imagine na década de 50. Bem, Kinsey teve a coragem. Munido de sua convicção na ciência, se propôs a estudar o amplo aspecto das práticas sexuais humanas.

E a vida deste precursor é o tema do filme Kinsey - Vamos falar de sexo, dirigido por Bill Condon (!!) em 2004. (Tudo a ver o nome do diretor, hein? n_n)

kinsey filme
Eu já havia lido sobre o Kinsey na Superinteressante (reportagem no link), na época do lançamento do filme nos cinemas, e mais recentemente no A Vida Secreta, mas ainda não tinha visto o filme.

Até ontem (ou melhor, hoje) de madrugada, na Globo. Eram umas três da manhã e eu já estava me preparando pra ir dormir, quando resolvo dar uma última olhada no que estava passando na rede Globo. E eis que vejo os créditos iniciais do filme (que me fez esperar um pouco mais, afinal, Liam Neeson geralmente vale a pena), e logo depois, o título: Kinsey.

Fiquei acordado até umas cinco da manhã, mas valeu totalmente a pena. O filme é muito bom, mas quem espera algo mais picante, vai se decepcionar: as cenas de sexo são frias como um estudo científico deve ser. =)

Pois afinal, Kinsey antes de ser sobre sexo, é sobre ciência. Não aquela ciência chata, mas aquelas aulas legais que te mostram o que você é, como você é, enfim, uma ciência do sexo e da sexualidade humana. Não a toa, Kinsey é um dos pais da sexologia.

kinsey revista time (Kinsey na capa da revista Time)

Vale a pena ver o filme, que tem um ótimo roteiro. A B., no post do A Vida Secreta já reproduz um trecho do filme, mas eu vou colocar aqui outras citações/trechos:

Do trailer:

Amor é a resposta, não é? Mas, sexo levanta várias perguntas interessantes...

Dando aula:

Kinsey: Quem pode me dizer qual parte do corpo humano pode aumentar cem vezes de tamanho. Você, senhorita?

Senhorita: [com cara de indignada] Estou certa que eu não sei. E você não tem direito de me fazer tal pergunta numa classe mista.

Kinsey: Eu me referia a pupila do seu olho, mocinha. E acho que tenho que lhe informar que você vai ficar muito desapontada.


E a minha preferida, numa das cenas finais do filme, mostrando o final de uma entrevista simulada, com o próprio Kinsey:

Clyde: Só... mais uma pergunta. Você me contou toda sua história, infância, família, carreira e todas as pessoas com quem teve sexo. Mas não mencionou o amor nenhuma vez.

Kinsey: Porque é impossível medir o amor. E você sabe que sem medidas, não existe ciência. Mas andei pensando muito no problema ultimamente.

Clyde: Problema?

Kinsey: Quando o assunto é amor, estamos todos no escuro.


Você está no escuro também? ;)

Trailer:

Qual será o futuro da nossa língua portuguesa?

Colocando a leitura em dia, estava lendo a Superinteressante de dezembro/2008, e me deparei com uma matéria muito pertinente, nesses tempos de reforma ortográfica.

A matéria, intitulada O Futuro do Português, fala sobre como a linguagem é mutante e mutável, e faz alguns "exercícios de futurologia" sobre como a nossa língua pode ser no futuro.

A seguir, reproduzo a reportagem (eu coloquei comentários meus como quotes):

/*************************************************************************

O futuro do português

Preocupado com a reforma ortográfica? Nossa língua está sempre em obras. Entenda as forças que moldam o português do Brasil e saiba como a gente pode estar falando logo mais.

Por.: Rita Loiola - Revista Superinteressante - dezembro de 2008

Eisvaissai logo pa eischega cedo.

A língua que a gente fala pode ser assim no futuro. Não entendeu? De acordo com a gramática atual, seria: "Eles vão sair logo para chegar cedo". Lendo em voz alta, nem é tão distante do que se ouve por aí, pois a fala do presente traz pistas da gramática do futuro. Mesmo assim, brasileiros de hoje dificilmente se entenderiam com os do ano 2500 — ou com portugueses de 1500.

Para qualquer língua, 5 séculos é muito tempo: só para citar um exemplo, usar o verbo "ter" com sentido de "existir", fundamental em qualquer conversa, é coisa de 100 anos pra cá. Pense na dificuldade que temos com a Carta do Descobrimento, de Pero Vaz de Caminha. Para decifrar "da marinhagem e das singraduras do caminho", é preciso um dicionário, como no estudo de um novo idioma. Essas mudanças ocorrem porque línguas são metamorfoses ambulantes, moldadas pelas necessidades dos usuários – não pelas regras gramaticais.

É como se o português do Brasil fosse uma sopa, eternamente no fogo, que recebe ingredientes e temperos e ao longo do tempo vai tendo o seu sabor alterado. Palavras nascem, crescem ou se encurtam, se combinam, mudam de sentido e de pronúncia e, um dia, morrem. Que gosto isso vai ter a gente não garante, mas, nas próximas páginas, damos a receita do prato. Bom apetite.

Neologismo delivery

delivery
O português brasileiro, diferentemente do lusitano, é extremamente aberto a novas experiências. Importar e adaptar palavras é uma tendência antiga e continua sendo força poderosa para definir Vo futuro da nossa língua. "Vocês são muito abertos aos estrangeirismos e incorporam com extrema naturalidade vários termos", diz o português Augusto Soares da Silva, lingüista da Universidade Católica Portuguesa. "Há uma tendência inata para isso, diferente da do português de Portugal, que transforma o ‘mouse’ em ‘rato’." Augusto fez uma pesquisa comparando jornais de Portugal e do Brasil dos últimos 50 anos e percebeu que ficamos com diversos termos do inglês tais como eram na origem. Foi assim que nasceram o "xis-tudo" (de cheese, "queijo"), os serviços "delivery", a "customização" de roupas e a "equalização" do som. "Se um dia alguém resolver expurgar as palavras de fora, 70% do que temos vai embora", prevê o filólogo Mário Viaro, da USP.

Os presentes gringos costumavam ser mais requisitados pelo universo da cultura (show, blockbuster, best seller), da gastronomia (suflê, purê, bufê) e da moda (aliás, "fashion"), mas hoje são principalmente associados ao vocabulário corporativo ("pessoal do marketing", "atingir o target", "briefing") e informal ("let’s go", "whatever", "kisses", "yessss!").

Dá para perceber que boa parte do vocabulário importado vem do inglês, não por acaso a língua da principal potência econômica, militar e cultural do planeta. Sempre foi assim: o que temos de hospitaleiros temos de puxa-sacos, copiando o idioma de quem está por cima.
Adorei a repórter ter dito a verdade, que nós brasileiros somos um bando de puxa-sacos, huahuahua.

Até a 2ª Guerra Mundial, o monopólio da sofisticação pertencia ao francês, de chauffeur, garçon, lingerie, cabaret, ballet, filet e mulher mignon. Com a ascensão do poder americano, o inglês foi tomando espaço, até virar a 2ª língua de todo mundo, daquele engravatado com MBA ao roqueiro underground.

E a história da língua ensina que roubaremos sem piedade palavras de outros países que se tornarem importantes. Como o mandarim dos chineses é uma língua exótica demais para nossos ouvidos, a previsão é de que surjam regalos do espanhol, já que o Brasil aumentou o intercâmbio com os seus vizinhos e tudo indica que os hispânicos devem ser a maioria dos EUA até o final do século. Um exemplo a favor da hipótese: blecaute (blackout) já virou apagão (apagón).

Mas não são só os produtos importados que se valorizam. A história recente ensina que, para não se perderem na globalização, alguns grupos passam a valorizar suas diferenças, e uma delas, claro, é a língua. O R caipira, que chegou a ter sua extinção anunciada no início do século 20, continua firme e forte, assim como o "tu" gaúcho e o chiado carioca não cederam a nenhuma padronização.

A professora de teoria lingüística Marilza de Oliveira, da USP, cita como precedentes os antigos dialetos de Milão e Turim, na Itália, que hoje são aprendidos pelos italianos. "Poderemos seguir pelo mesmo caminho, dando prestígio aos dialetos regionais do Brasil."

Força do hábito

Independentemente de qualquer reforma oficial, o português brasileiro está sempre sendo modificado no dia-a-dia por seus falantes. O problema é que o idioma evolui mais rápido na língua do que no papel. Os gramáticos e os dicionários, que prezam pelo bom uso da língua, demoram mais para consagrar mudanças.

dicionários
Se seguirmos a gramática da Academia Brasileira de Conversas, não a de Letras, o capítulo sobre pronomes pessoais precisa ser reescrito. O "você" chega com tudo, aproveitando a conjugação do "ele" e substituindo o "tu" como 2ª pessoa do singular. O "nós" sai e deixa em seu lugar o "a gente", e o "vós", que há anos não sai de casa, é substituído por "vocês". E sabe-se que o sujeito oculto anda cada vez mais exposto; aliás, a gente sabe.
Eu não abandono o "nós". Até uso bastante o "a gente", mas decretar o fim do "nós" eu acho demais... Longa viva a "nós", huhuhu.

E eu também gosto do sujeito oculto. Sem piadinhas.

Outros pronomes não ficam atrás. Nunca soube quando usar "este"? Tudo bem: no futuro, ele só deverá ser encontrado no dicionário. Como o inglês e o francês, que têm apenas demonstrativos de perto e longe, ficaremos com "esse" para o que está ao lado e "aquele" para o que está afastado.

Alguns tempos verbais também foram vítimas da seleção oral. Há alguns anos, o pretérito mais-que-perfeito ("eu amara") virou comida de traça. Agora pode ser a vez de o futuro do presente ("eu amarei") fazer parte do passado. Mas a língua é um daqueles sistemas em que nada se perde, tudo se transforma. O "eu amara" virou "eu tinha amado", e o "eu amarei" se transformou em "eu vou amar".

Nesses exemplos está um dos hobbies favoritos do nosso português: brasileiro que é brasileiro adora uma perífrase, ou seja, transformar uma palavra em duas. Muitos dos nossos verbos passaram por esse fenômeno. O "amarei" um dia já foi "amare habeo", vindo de "amabo".

Por que a perífrase acontece em alguns tempos verbais e não em outros ainda não está plenamente explicado, mas alguns estudos lingüísticos dão pistas. "O presente e alguns passados são mais resistentes às mudanças porque seriam ‘tempos mesmo’, ou seja, referências mais concretas para marcar datas", explica Marilza de Oliveira, da USP. Assim, "eu amei", "eu amava" e "eu amo" são imutáveis por serem mais precisos – em time que está ganhando, não se mexe. Nos outros, a gente tende a criar, encurtando, aumentando e mudando os verbos.

Alguns pesquisadores até arriscam que parte dos brasileiros parou dizer que "poderia entregar o livro nesse endereço" para garantir que "vai estar podendo". A hipótese é que o "gerundismo" (o abuso de gerúndio, ou seja, verbos terminados em "ando", "endo", "indo", "ondo") é uma estrutura natural do português brasileiro. "Ela seria utilizada não só por manuais mal traduzidos mas por todos, em situações com algum grau de formalidade", explica Marta Scherre, lingüista da Universidade de Brasília (UnB). E, para desespero dos puristas, essa estrutura pode resistir ao tempo, virar regra e talvez, um dia, ser falada com despreocupação por nossos tataranetos.
E eu acho o gerundismo tão feio, como estrutura da língua... Mas quem sabe no futuro, "vou estar fazendo" força para me adaptar, hauhauhauh.

Esquerda, volver

esquerda
A proliferação do "gerundismo" no Brasil espelha uma das forças mais determinantes do português do futuro: a flexão à esquerda. A língua das próximas gerações poderá não ter mais aqueles pedacinhos grudados no fim da palavra para indicar plural ou singular, masculino ou feminino, tempo e modo. Forças desconhecidas estão pouco a pouco atraindo esses fragmentos para a esquerda da frase.

Exemplo: se eu digo "verei", você sabe que eu ainda não vi por causa do "ei". Mas em "vou ver", cada vez mais comum, a mesma informação é dada pelo "vou", à esquerda da expressão.

"Estamos colocando a pessoa e o número no pronome, e o tempo e o modo no elemento anterior ao verbo", explica Ataliba de Castilho, lingüista aposentado da Universidade de Campinas (Unicamp). "Essa é uma das grandes inovações já registradas em pesquisas e que tem tudo para se cristalizar na língua." E sugere que os pronomes pessoais "ele" e "eles" podem ser reduzidos e colados aos verbos. "Ele" vira "ei", "eles", "eis". Com o "sair", no futuro, "eisvaisair", como no exemplo que abre o texto.
Isso de colar o pronome no verbo, sinceramente eu acho que não rola.

Alguns paulistas já seguem a tendência quando comem o plural junto com aqueles "dois pastel". Uma das explicações para esse falar, também típico de outras partes (Porto Alegre tem "dois time grande"), é que a forma gramaticalmente correta traz uma certa redundância: se o S já está ali no "dois", pra que repetir? "Em vez de S no fim, colocaremos o S no começo, antes do radical da palavra, quase como um prefixo", prevê Ataliba.

A onda esquerdista também está na hora de colocar pronomes. "Dê-me um cigarro!" cheira a mofo – aliás, Oswald de Andrade já reclamava em 1925, no poema Pronominais, que "o bom negro e o bom branco / Da Nação Brasileira / Dizem todos os dias / Deixa disso camarada / Me dá um cigarro". Ataliba compara: "A língua é como uma bola que nunca mais parou de rolar. Alguém desviou o chute para a esquerda e, pronto, a influência aparece em vários lugares".

Falando desse jeito, parece que o português caminha para algo bem mais simples, um punhado de monossílabos com poucas conjugações e flexões. Mas não é bem assim. Quem fala gosta de ser notado pelo que diz, não vai abdicar de caprichar nas palavras. E aí entra em cena a criatividade e a expressividade que, juntas, contribuem para manter o idioma complexo. "A única regra das línguas é a busca da expressividade, e nunca da simplificação", afirma Ataliba. "Dizer que os idiomas mudam para ficarem rasos é esquecer que, no fundo, são mudanças extremamente complexas."

Certo ou errado?

certo ok
Em 46 a.C., o estadista Marco Túlio Cícero fez um discurso no Senado romano sobre a arte da oratória. A certa altura, inflamado, lamentou que o povão não sabia mais o que era latim; falavam tudo errado, era uma calamidade.

Na verdade, poucos romanos se expressavam como Cícero gostaria – assim como poucas discussões em botecos brasileiros passariam intactas pelo corretor de texto. Da mesma maneira que o latim vulgar repaginou o latim clássico e se misturou a dialetos para dar origem a outras línguas, é o "português vulgar" que puxa as mudanças. Quando ninguém está prestando atenção em como fala, atento ao que está dizendo e não como está dizendo, é que as mudanças ocorrem.

"As pesquisas sociolingüísticas, feitas desde a década de 1960, têm mostrado que as formas inovadoras surgem no seio da classe média baixa", explica o sociolingüista Marcos Bagno, autor de A Norma Oculta – Língua e Poder na Sociedade Brasileira. "Aos poucos, essas formas inovadoras vão ganhando prestígio e sendo adotadas pelas classes média e alta urbanas, até atingirem textos escritos." Foi o que aconteceu, por exemplo, com o particípio de alguns verbos. A forma antiga – e certa – um dia já foi conhoçudo, e não conhecido; perdudo, e não perdido. Mas, de tanto o povo falar, o "ido" pegou.

Mesmo o mais culto do brasileiros de vez em quando solta um "deixe ele entrar" e não "deixe-o entrar", ou "o livro que eu falei" e não "de que falei". Assim, meio sem querer, frases como essas podem vir a ser a regra da gramática do futuro. "É divertido ver a campanha dos gramáticos de antigamente contra as formas que eram consideradas erradas na época deles e que hoje são usadas inclusive em textos literários", diz Bagno. "No futuro, nossos bisnetos vão se admirar com os ‘erros’ criticados em 2008."

O "erro" é entre aspas mesmo: para os lingüistas, só há erro quando as pessoas não se entendem, não porque uma regra diz que aquilo é errado.

Para evitar o descompasso entre língua falada e escrita, órgãos como o Instituto Houaiss, que faz o conhecido dicionário, vão aderindo aos poucos às inovações, colocando novos significados e usos em seus verbetes. Daqui a algumas centenas de anos, talvez ele também registre a frase "Eles vão sair logo para chegar cedo!" como a forma arcaica de "Eisvaissai logo pa eischega cedo!"

/*************************************************************************

Texto encontrado no SER, aonde você também pode ler o texto dos quadros laterais da reportagem (neste post - que ficou gigante - eu só coloquei a reportagem principal).

P.S. Pra que nos preocuparmos, se nem o presidente da República lê mesmo, segundo i-Pixel, huhuhuh.

Este site pode danificar seu computador... ou o Google deu bug

Essa mensagem, "Este site pode danificar seu computador", é mostrada pelo Google embaixo de um link que ele geralmente considera perigoso, ou seja, que contenha algum script malicioso ou algo do gênero.

Nas minhas buscas, geralmente foram poucos links que retornaram com esse aviso. Até hoje...

Hoje, sábado 31/01, as 13 horas, fazendo uma busca banal, eu notei que TODOS os links estavam vindo com este aviso. E testando, vi que até mesmo este blog, que não tem nada demais, estava marcado.

este site pode danificar seu computador
E pior ainda, até o próprio Google pode danificar meu computador!

google pode danificar seu computador
Será que eu me arrisco? Hehehe.

google pode danificar seu computador
Essa falha, bug ou hack do Google até é divertida pra gente geek como eu, mas como é que ficarão a maioria dos usuários, leigos? Tem gente que deve simplesmente parar de navegar e ficar traumatizada por um bom tempo...

UPDATE: o problema já foi resolvido, e o Google Discovery explica direitinho o que houve (que eu estou com preguiça).